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Romário Schettino –
Quando vi Bacurau, filme dirigido pelos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, sai do cinema com a sensação de que esse é um dos mais importantes filmes contemporâneos sobre o Brasil.
Bacurau desperta o interesse dos brasileiros pela sua pujança, condução das cenas, atuação de seu elenco (Sônia Braga, Udo Kier, Silvero Pereira etc) e por uma linguagem cinematográfica que nos remete aos bons tempos de Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol) ao retratar o Brasil profundo.
A violência nua e crua em busca da Justiça, a resistência dos mais pobres diante da opressão, nos levam também a outro cineasta importante: Quentin Tarantino (Django Livre, 2012).
Bacurau denuncia o neoliberalismo selvagem que a tudo transforma em interesses pessoais e políticos. Mesmo sendo uma ficção, num lugar imaginado, com personagens do interior sem trajetória identificada, Bacurau revela ao espectador uma realidade nada piedosa e o faz reagir positivamente, no sentido da solidariedade, a cada momento do filme. E mostra que a resistência é possível e necessária para mudar a história.
Os cinemas estão lotados como nunca em todo o país, com aplausos entusiastas durante e ao final da exibição. Segundo o crítico Jean-Claude Bernadet, Bacurau é um “filme denso, consistente, competente, internacional no seu elenco e na premiação” e que, por isso, “adquiriu grande valor simbólico”.
No Brasil de Jair Bolsonaro, com os ataques diários às universidades e à pesquisa, à Agência Nacional de Cinema (Ancine), devastação do meio ambiente e a volta da censura, ir ao cinema e ver Bacurau é um alívio.
Criado em 2019-09-20 06:07:49
Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –
Essa eu já contei uma vez, mas conto de novo, com novas conclusões.
Quando eu estava na Escola Paroquial de Santana, em Anápolis, no início dos anos 60, achava deslumbrantes as aulas de religião.
Enquanto narrava as historinhas da Bíblia, a professora ia desenhando a cena central com gizes coloridos. Na época da criação do mundo, por exemplo, era como se a gente estivesse vagabundeando no paraíso na companhia de Adão e Eva, no meio das árvores e dos bichos do ar, terra e água, a serpente botando a língua, trepada num galho de goiabeira, e nós nem tchum!
As aulas sempre terminavam de maneira apoteótica nos arremates daqueles painéis da tradição miquelangélica – valha o exagero! –, que logo seriam apagados, para meu desgosto.
Fumaças – Certa vez comparei os quadros da minha professora com as esculturas de fumaça talhadas por Matiegka, o artista tcheco albino inventado pelo italiano Giovanni Papini para o romance Gog. As duas manifestações compunham um tipo de arte pura, efêmera, que não podia, na época, ser conservada nem transportada, tampouco comprada. Hoje a gente chama isso de performance.
O detalhe mais conspícuo daqueles murais era a figura do Todo Poderoso, sintetizada na graciosa linha superior do torso humano. Pensem num cabide suspenso no ar sem o gancho nem o suporte das calças… Aí estava a representação do Criador, jubiloso, pairando acima de tudo e de todos e todas. A Suprema Elegância! Quando eu mesmo o desenhava, acrescentava à volta alguns raios fúlgidos, carregando nos efeitos dramáticos.
Essa representação era, penso eu, uma sutileza digna do Feuerbach, mais afetiva que as duras linhas do triângulo da Santíssima Trindade configurando a suprema alienação. Isto é, a criação de Deus à nossa imagem e semelhança, sem as óbvias barbas brancas do espectro patriarcal.
Anos mais tarde, já metido a teólogo amador, formulei com base nessas memórias a tese do maior cabide de emprego da história: o próprio Javé, com perdão da blasfêmia. Nele se penduram os rabinos, os padres, os pastores e os mulás, quase todos cafetões da fé popular, haja vista o Crivella, a Damares, o pastor Everaldo, o João de Deus, o padre Robson de Trindade… Vampiros canalhas do Rebanho!
Criado em 2020-09-14 23:40:57
Vivaldo Barbosa (*) –
A chamada "briga de comadre", briga de pessoas tão íntimas, tão iguais, tanto assim que são comadres, é algo mais sério do que esta briga do PSDB com o Guedes.
O PSDB reclama que o Guedes não foi capaz de levar adiante a "reforma tributária", a "reforma administrativa" e a "privatização das estatais", parte do desmonte do Estado e do corte de direitos que o atual governo deveria fazer, por ser da sua natureza e de fazer parte do conteúdo essencial de seus compromissos. E proclama que, no governo de FHC, do PSDB, assim foi feito.
E vai mais: o que o atual governo fez de bom, as "principais realizações econômicas recentes", reforma da Previdência (corte de direitos de aposentados), privatização da água (serviço público essencial praticado em caráter de monopólio nas mãos de grupos econômicos), reforma trabalhista (corte de direitos de trabalhadores), o PSDB estava na linha de frente.
O PSDB revela, com isso, que a sua natureza é a natureza do atual governo. Todos são neoliberais. Talvez com mais modos, linguagem mais suave, com mais disfarces.
O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) surge como uma das farsas mais gritantes da política brasileira. Diz-se social democrata pra revestir o projeto neoliberal mais exacerbado praticado em nossa história.
Muita gente boa embarcou nessa, na busca de um caminho coerente para os impasses da vida brasileira. Ledo engano. A farsa durou pouco. É de dar pena, extremamente lamentável ver figuras da grandeza de Franco Montoro, Mário Covas e outros terem seus nomes envolvidos nisso.
Uma das reclamações mais proclamadas por Brizola era o fato de Fernando Henrique e o PSDB, na campanha presidencial, não terem dito uma palavra sequer que pretendiam privatizar e entregar a grupos econômicos nacionais e internacionais parte substancial do patrimônio nacional, como Vale do Rio Doce e outros, setores estratégicos e de interesse tecnológico relevante, como Embraer e outros, serviços públicos essenciais como energia, telefonia, praticados em regime de monopólio. O povo passou a pagar tarifas elevadíssimas, as mais altas do mundo.
E retiraram direitos e congelaram salários, levando a participação do trabalho a menos de um terço da renda nacional, uma brutal concentração da renda não observada nem no regime militar. Inverteu-se o que se dava nos governos Getúlio, Juscelino, Jango: dois terços da renda nacional era remuneração do trabalho.
O resultado foi findar o governo com FHC ostentando a pior avaliação em nossa história, apesar de contar com apoio forte dos meios de comunicação. E perderam quatro eleições presidenciais seguidas.
E mais os escândalos que envolvem seus altos dirigentes, revelados em outras praças, fora de Curitiba. Não recaem sobre eles as atitudes perseguidoras e politizadas dos procuradores de Curitiba, nem do Moro. Aliás, Moro sempre foi sorridente para com eles, protetor até, afirmam notícias. E os meios de comunicação, generosos na cobertura, sem o massacre que promoviam em relação ao PT. Parece terem esquecido.
Agora, o PSDB procura competir com Guedes/Bolsonaro para ver quem mais causa danos ao Brasil, quem mais retira direitos do povo brasileiro, quem melhor serve aos grupos econômicos, especialmente financeiros. A farsa teria mesmo que ser desmontada.
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(*) Vivaldo Barbosa é advogado, ex-deputado federal Pelo PDT-RJ e participou da Assembleia Constituinte de 1988.
Criado em 2020-07-12 03:12:52
O Fórum dos Conselhos Regionais de Cultura das Regiões Administrativas do Distrito Federal realiza hoje, 29/6, às 15h, um CarreAto na Praça do Buriti, no Plano Piloto. Esse ato é motivado pela liberação da Procuradoria Geral do DF para que o governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) utilize os saldos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) para outras áreas que não sejam o incentivo à produção cultural.
Os organizadores do ato pedem que os artistas levem sua arte, usem mascaras, mantenha distanciamento e leve sua garrafinha de água.
Segundo matéria publicada no portal Metrópoles, assinada pelo jornalista Francisco Dutra, o governo do DF estuda uso do superávit do FAC para pagamento da dívida pública e despesas com o combate ao coronavírus.
A proposta recebeu críticas na Câmara Legislativa (CLDF). Para o deputado distrital Cláudio Abrantes (PDT), a mudança de destinação dos recursos do fundo é um erro. Para o distrital, a perda do dinheiro fragiliza ainda mais o setor cultural do DF, pois se trata de um dos segmentos mais castigados pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus.
“Mesmo quando eu era líder do governo, já me posicionava a favor da utilização do FAC exclusivamente para a cultura. Trata-se de um recurso que tem uma destinação muito específica. Ainda que a discussão seja sobre pagar dívidas do DF, não vejo o FAC sendo utilizado de outra forma que não seja fomentar a cultura”, disse o deputado Abrantes.
Essa não é a primeira vez que o governo tentar garfar o dinheiro do FAC em desprestígio da cadeia produtiva cultural do DF. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa informou que chegou a solicitar à pasta da Economia a disponibilidade dos recursos relativos aos saldos remanescentes e superávit do FAC. A intenção da pasta é liberar a verba em tempo hábil para execução dentro do exercício vigente.
“Entende a Cultura que esses recursos são essenciais à cadeia produtiva da economia criativa, porém entende as graves dificuldades por que passa o orçamento do governo, diante das necessidades impostas por um quadro de pandemia, e aguarda uma decisão que venha a atenuar a crise que também afeta o segmento da cultura”, destacou a pasta em nota enviada ao Metrópoles.
Segundo a PGDF, a apuração da receita a ser disponibilizada anualmente ao FAC pelo Tesouro do Distrito Federal deve ordinariamente observar o repasse de 0,3% da receita corrente líquida do exercício financeiro em curso, acrescida dos valores do ano anterior que não tenham sido efetivamente repassados ao fundo.
De acordo com a Procuradoria-Geral, o parecer que autoriza o GDF a utilizar os recursos do FAC em outras utilidades está respaldado pelo artigo 5º da Emenda Constitucional nº 109, de 16 de março de 2021.
“O Distrito Federal poderá excepcionalmente utilizar o superávit financeiro do FAC para amortização da dívida pública, ou livre disposição na ausência de passivo, pelo prazo de dois exercícios financeiros subsequentes à data da promulgação da referida emenda”, ressaltou o órgão por nota.
A Secretaria de Economia também tenta explicar o atual desvio dos recursos do FAC. Em nota, afirma que “o orçamento é anual, Já o superávit representa recursos que não foram gastos”.
Guardar recursos orçamentários não significa valorizar a cultura. A valorização é financiar projetos importantes para o segmento e para a cidade e isso pode ser feito por meio do orçamento conforme projetos a serem selecionados.
O Conselho Regional de Cultura do Plano Piloto discorda do secretário de Economia. Em ofício enviado ao procurador da 4ª Procuradoria do Ministério Público de Contas do DF, Marcos Felipe Pinheiro de Lima, os conselheiros regionais disseram que a decisão do GDF está em desacordo com a legislação em vigor. O movimento cultural aguarda posição do Ministério Público sobre a questão.
Criado em 2021-06-26 02:02:20
O Manifesto do Levante das Mulheres Brasileiras, lançado no último domingo (14/6) é a prova de que a união das mulheres há de fazer a diferença e derrubar de uma vez por todas o “Messias de arma na mão”.
Com mais de 40 mil assinaturas, o documento que ganhou as redes sociais e vem se multiplicando dia a dia tem nomes fortes do cenário político, jornalístico e artístico. Entre as signatárias estão Dilma Rousseff, Luiza Erundina, Benedita da Silva, Sonia Guajajara, Djamila Ribeiro, Kenarik Boujikian, Eliane Brum, Marcia Tiburi, Maria do Rosário, Dira Paes, Marina Colasanti, Neon Cunha, Talíria Petrone, Renata Souza e Alice Ruiz.
O movimento pede o fim do (des)governo de Jair Bolsonaro. Naquele domingo, depois de enfrentar no Twitter um exército de robôs, o Levante conseguiu ser o segundo assunto mais comentado do dia e fez subir a #MulheresDerrubamBolsonaro, em poucas horas de ações coordenadas.
O movimento é suprapartidário e tem entre suas impulsionadoras centenas de mulheres das cinco regiões do país. Representantes de coletivos, movimentos e organizações de 15 áreas da sociedade civil, além de brasileiras que vivem no exterior. Em respeito às recomendações de isolamento social por conta da pandemia da Covid-19, o Levante concentra suas ações e toda a mobilização nas redes sociais, onde continua a colher assinaturas e a reunir mais e mais mulheres e somar apoios.
O que mobilizou o Levante a produzir o Manifesto – e a pressionar as instituições da República – foi a desastrosa política de Bolsonaro, que mata diariamente mil brasileiros vitimados pela Covid-19, amplifica a necropolítica e o genocídio de jovens negros, aumenta o feminicídio, a desigualdade e o empobrecimento, retira direitos, quer armar a população, espalha mentiras e ódio, faz apologia à ditadura, ao racismo, à LGBTfobia e ao fascismo.
As mulheres querem ser ouvidas e avisam que não vão apenas engrossar a lista de pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro. O objetivo da pressão é convocar os poderes e as autoridades a agir rapidamente. Elas convocam o Congresso, o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal a cumprirem seus papéis. “Existem na Câmara dos Deputados inúmeros pedidos de impeachment; no TSE, diversas ações pela cassação da chapa Bolsonaro/Mourão por fraude eleitoral. O STF precisa responsabilizar o presidente, que segue descumprindo a Constituição, atentando contra a liberdade e produzindo a morte de brasileiros e brasileiras”, diz o Manifesto.
Para o Levante das Mulheres, se os poderes cumprirem seus papéis, este governo desastroso terá fim.
A jornalista Patrícia Zaidan, uma das impulsionadoras do Movimento, ressalta que o mundo político é machista, e o Congresso e as cortes de Justiça são instituições pautadas por uma lógica masculina, elitista, sexista e branca. “As mulheres só têm voz quando se juntam e fazem barulho e pressão”, diz. “Foi assim contra a violência doméstica, no ‘Quem Ama não Mata’, pela volta da democracia, no ‘Diretas Já’, pelo fim do feminicídio, com o grito ‘Nenhuma a menos’, no ‘Fora Cunha’, ‘Não ao Golpe’, ‘Fora Temer’, e, nas últimas eleições, com o “Ele não!’”, lembra. “Agora, as brasileiras se juntam para dizer: ‘Ele cai’.”
Ludimilla Teixeira, idealizadora do Mulheres Unidas Contra Bolsonaro (MUCB) e do #EleNão, que também é uma das impulsionadoras do Levante, ressalta a importância da continuidade da articulação neste momento: “Depois de acender o fósforo com a criação do MUCB, a chama da indignação coletiva feminina cresceu, ganhou força com o #EleNão e agora soma-se a muitos outros coletivos de mulheres para explodir todas as formas de opressão e derrubar Bolsonaro!”.
Para aumentar a pressão e se fazer ouvir, o movimento Levante das Mulheres tem feito ecoar nas redes sociais e pelo Brasil um estrondoso
#MulheresDerrubamBolsonaro.
Redes sociais do Levante das Mulheres:
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@mulheresderrubambolsonaro
Twitter: @Derrubam
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Criado em 2020-06-22 17:52:25
Romário Schettino –
Os desatinos, previsíveis, do (des)governo Bolsonaro estão movimentando amplos setores da sociedade na tentativa de organizar uma Frente Ampla em Defesa da Democracia. Esperam, com isso, deter o avanço da extrema-direita sobre os direitos fundamentais da pessoa humana, da liberdade de expressão, dos costumes.
A última aparição de Eduardo Bolsonaro exibindo uma arma durante visita ao pai no hospital e a declaração de Carlos Bolsonaro sobre a necessidade de um golpe de Estado contribuíram para aumentar o temor de que o Brasil está à beira do caos. Até Luciano Huck está com medo.
No entanto, dois assuntos são determinantes para o sucesso desta pretendida união que vai da esquerda, passa pela direita, centro-direita e chega à centro-esquerda: o impeachment de Dilma Rousseff, também conhecido como o golpe de 2016, e a prisão sem provas do ex-presidente Lula. Noam Chomsky foi à reunião de São Paulo e defendeu uma frente ampla, mas fez questão de incluir na pauta a libertação de Lula.
Sem isso, qualquer coisa que se chamar Frente Ampla, será restrita. Questões fundamentais como a política econômica do ministro Paulo Guedes é um divisor de águas que pode até ser adiado, mas o golpe de 2016 e a prisão de Lula são pontos sobre os quais todos terão que se debruçar. Não basta pensar só nas eleições municipais de 2020 com o pragmatismo de sempre.
O PSDB de FHC e a grande imprensa brasileira, que tanto exigem autocrítica do PT precisam fazer suas próprias autocríticas. Devem admitir que o Brasil chegou ao descalabro graças ao apoio que deram ao golpe e à prisão sem provas de Lula. A Vaza Jato é a constatação de tudo o que já foi dito pelo próprio Lula a respeito de sua condenação. O PDT também precisa refletir sobre o que significou a viagem de Ciro Gomes à Europa em pleno segundo turno.
O clima ruim no Brasil já tinha sido detectado quando Lula disse que o Supremo Tribunal Federal estava acovardado. Ele sabia do que estava falando. Convenhamos, Lula nunca foi um radical. Pelo contrário, sempre foi conciliador, pragmático até demais. O que a direita ganhou com o golpe e com Lula preso? Nada, a não ser ver Bolsonaro na Presidência da República despejando, diariamente, todo tipo de escatologia verbal e sem projeto de Nação.
O PT é chamado para colaborar com a formação da frente ampla, mas o que fazem o centro e a direita no Congresso Nacional? Apoiam Bolsonaro no desmonte das políticas sociais. Não há ingenuidade na política. As eleições municipais do ano que vem vão definir muitas alianças, mas o combate à extrema-direita precisa ser feito já, antes que seja tarde demais. E isso inclui libertar Lula.
Quem sabe a saída seja a formação de duas frentes, uma de esquerda e outra de direita, para enfrentar Bolsonaro e seus aloprados.
Criado em 2019-09-11 00:06:07
Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –
Eu sou de uma época em que fazia parte do protocolo e dos bons costumes responder às cartas recebidas. Carta era uma ou um conjunto de várias mensagens que se escrevia num pedaço de papel, com ou sem pautas, para se comunicar com uma pessoa morando longe. Era remetida através dos Correios depois da gente comprar selos para pagar a tarifa, a chamada postagem. Os selos, uns papeizinhos denteados, com motivos geográficos, históricos ou literários, com goma arábica seca lambrecada no verso, eram lambidos para serem pespegados no envelope ou sobrecarta com o nome e endereço do destinatário. Quando, por acidente, um selo grudava na boca, a gente corria o risco de ter a língua remetida no lugar da carta.
Colecionar selos usados constituía uma arte chamada filatelia, bem mais inocente que a zoofilia, com algumas vantagens. Em vez de lições sobre a fisiologia e os sentimentos e expressões dos animais, a gente aprendia o nome das capitais de todos os países do mundo, a biografia dos últimos astronautas e cosmonautas, o ranking dos atletas das Olimpíadas e os novos e velhos ganhadores do Prêmio Nobel, além de alguma curiosidade sobre a Casa Imperial do Japão, por motivo da visita ao país do príncipe herdeiro.
As cartas, também chamadas missivas ou epístolas, começavam com um cumprimento e terminavam com um tchau ou adeus. No miolo, a gente contava as novidades que tínhamos acabado de viver, e perguntava sobre os últimos acontecimentos vivenciados pelo interlocutor.
A troca de cartas era chamada de correspondência, quer dizer, uma longa conversação intervalada por um dia ou vários, semanas, meses e até anos, entre duas pessoas, sobre ideias, as últimas notícias e planos de negócios. Era possível, claro, envolver terceiras pessoas no intercâmbio. Bastava remeter-lhes cópias das cartas do primeiro destinatário, motivo às vezes de grandes confusões, planejadas ou não. E havia também, em sentido figurativo, as cartas abertas, divulgadas num jornal de grande circulação para celebrar ou constranger uma pessoa, física ou jurídica, ou apoiar uma causa. Saudade da época em que o Tribunal Russel denunciava as ditaduras do Brasil e do Chile!
Cartas com bombas anexas, ricina ou antrax eram usadas como artefatos de guerra, mas os Correios logo desenvolveram mecanismos para detectar as ameaças, o que não impediu o presidente Obama de ser um dos alvos do terrorismo postal.
História - Para não ser omisso e não estender demais a crônica, anoto rapidamente o papel das cartas e dos correios na história mundial: 1) todos os grandes impérios desenvolveram sofisticados sistemas de correios, o que foi aproveitado, por exemplo, por São Paulo, para inventar o Cristianismo escrevendo epístolas (cartas em grego); 2) existe uma vasta literatura epistolar que inclui, por exemplo, as Cartas Persas, do Montesquieu; Os Sofrimentos do Jovem Werther, do Goethe; As Ligações Perigosas, do Choderlos de Laclos; Drácula, do Bram Stoker; e Crônica da Casa Assassinada, do Lúcio Cardoso; 3) a excelência dos serviços prestados pelos Correios alemães foi uma das inspirações de Karl Marx na sua proposta do socialismo científico.
(Faço um parêntese para dizer que recebi hoje pelo Dialogpost, um serviço dos Correios alemães, sete tíquetes para assistir gratuitamente as apresentações do Digital Concert Hall da Filarmônica de Berlim. No programa desta sexta-feira, 28 de agosto, sob a regência do maestro russo-austríaco Kirill Petrenko, tem a Passacaglia, op. 1, do Anton Webern; a Sinfonia nº 1 em Dó Menor, op. 11, do Felix Mendelssohn; e a Sinfonia nº 4 em Mi Menor, op. 98, do Johannes Brahms).
Variações - Bilhetes eram variações das cartas, mais informais e expeditos, encaminhados para um destinatário que se encontrava na mesma sala ou prédio do remetente. Se a pessoa estivesse em outro prédio ou mesmo em outro bairro, a gente mandava um office boy levar a mensagem, contando com a sua conivência, até mesmo para esperar e trazer a resposta. Uma vez um desses moços de recados esperou tanto que acabou se casando com a destinatária, a traidora!
Nas festas de São João havia o correio elegante, uma espécie de bilhete com o objetivo socialmente aceito de dar uma cantada na pessoa-alvo. Em vez de flechas, a gente atirava um pedaço de papel, com ou sem o número do telefone, mas com algum versinho besta do Vinicius de Moraes ou aquele trecho do Fernando Pessoa dizendo que todas as cartas de amor são ridículas, só para impressionar. A resposta podia ser um correio ainda mais elegante ou a completa e fria indiferença, muito mais dura de morder do que a crosta caramelizada das maçãs de amor, servidas durante o ciclo junino.
Mesmo com a concorrência de outros meios desde a invenção do telégrafo no século 19 (telegramas, cabogramas, caligramas, murilogramas), as cartas só passaram a ser definitivamente substituídas a partir dos meados dos anos 80 do século passado pelos chamados correios eletrônicos ou e-mails. Uma novidade é que passamos a usar o símbolo @ (arrroba) para indicar de onde estávamos mandando a mensagem ou msg através de um computador de mesa. (Até hoje não sei a razão do peso desse símbolo em língua portuguesa). O meio mudou mas não o hábito de responder às novas mensagens, como sempre havíamos feito com as cartas. Mal acabava de chegar um e-mail, você o respondia. Com a multiplicação exponencial deles, as respostas iam sendo postergadas, a ponto de a gente ter de reservar um tempo do expediente para expedir respostas e mandar os e-mails do chefe e os nossos próprios, agora sem precisar lamber os selos e, em alguns casos, as botas.
Ticagem - Décadas se passaram até a gente cair no meio de troca de mensagens chamado Whatsapp ou Telegram. Mensagem enviada, de imediato apareciam dois tiques cinzas indicando que o celular do destinatário a havia recebido. Se os pauzinhos ficassem azuis, era sinal de que a vítima havia lido o seu post. Logo você era tomado pela ânsia da resposta, que podia vir ou não logo a seguir.
Tudo isso mudou: a gente pode agora desabilitar a ticagem, deixando o remetente na dúvida se recebeu ou não. Pior, agora não é mais obrigatório responder. Uma explicação é que os zaps são enviadas aos magotes, para uma lista de centenas de pessoas. Como no mais das vezes são repasses de mensagens recebidas de dezenas de outras pessoas, seria preciso um tempo insano para dar respostas a todo mundo.
Essa explicação não resolve um mistério: mesmo quando você manda mensagens personalizadas, os destinatários já não se sentem obrigados a lhe responder. Ficam mudos (ou mute, como se diz nas lives). Se você quer que a pessoa realmente responda, o jeito é lhe dar um telefonema, dizendo que lhe mandou um zap e que ela a leia, por favor! A bem da verdade, a gente já fazia isso com os e-mails. Em vez de uma, a gente mandava duas mensagens para garantir o fechamento do circuito, e demonstrar o quanto é crucial a redundância em qualquer sistema de comunicação.
Mão única - Eu não me conformo com a falta de respostas aos meus posts, mas compreendo: a maioria do pessoal da minha lista é de gente mais nova, que não conheceu o protocolo da correspondência da época das cartas. Além disso, esses jovens recebem centenas de zaps todo dia. Não dá mesmo tempo de dialogar com todo mundo. A comunicação agora é de mão única: você manda uma mensagem já sabendo que ela poderá até ser lida mas não necessariamente respondida.
Às vezes fico aflito, com pensamentos da época das cartas. Será que ofendi a pessoa com o meu humor proverbial-catastrófico? Tirante as hipóteses dos parágrafos anteriores, em geral, sim. Tenho perdido vários amigos e amigas por causa dos meus comentários heterodoxos, que de fato sempre furam a nossa bolha quando são levados a sério. Já não fico abalado com isso porque sei que restam mais de 7,8 bilhões de amigos a conquistar mundo afora (como bem diria o Zygmunt Bauman), o que não acontece com uma boa tirada ou piada, coisa rara e difícil de compor. “Boa”, bem entendido, secondo me, porque o humor também sofreu drásticas mudanças nos últimos tempos. Eu sou de uma época passada em que havia ironia, entrelinhas, double entendre. Hoje o discurso é bem mais plano, que nem a Terra, onde reinam as fake news.
O diabo é que eu continuo a enfrentar surpresas constrangedoras. Acontece, por exemplo, quando alguém me responde a um zap que enviei há dois ou três meses. Mesmo não tendo ainda a memória muito afetada pelo alemão, convenhamos… Imaginem, você faz um comentário hoje e a pessoa só vai lhe responder em outubro ou novembro que vem. As estações podem se misturar e pode dar o maior bode, tipo aquele que acontecia com aquela moça dos Anos Dourados, do Chico Buarque, que ligava afobada pro ex-namorado, lhe deixando confissões no gravador, e percebia que seria engraçado “se tens um novo amor”… Vai que a nova namorada apertasse a secretária eletrônica!
How! - Isso me faz lembrar também a história do Touro Sentado, que, após vencer as tropas do general Custer na Batalha de Little Bighorn, já ia se retirando para o Canadá, quando encontrou no caminho um tenente do exército, muito estropiado. Para ser poupado, o tenente se empertiga com o que lhe sobrou de dignidade e respeitosamente saúda o grande chefe: “How”! Touro Sentado ouve mas nem tchum! Segue a marcha sem dar pelota pro tenente. Cinco ou seis depois, de volta aos Estados Unidos, reencontra o militar no meio da rua e o reconhece. Olho no olho, responde: “Fine”!
Pois é, acho muito estranha essa nova cultura digital em que já não há mais correspondência, diálogo ou troca de figurinhas. Bem, troca de figurinhas tem. Volta e meia alguém me manda umas palminhas, uns kkkk!, e uma pletora de emojis que resumem sentimentos, estados de espírito, likes ou dislikes. Eu mesmo faço isso toda hora, é claro, além de copiar e também compor meme stickers para ficar ligado nas paradas da galera.
Às vezes, confesso, me sinto o próprio Marco Antônio mandando cartinhas de hieróglifos para a Cleópatra. Outras vezes, um príncipe chinês do serviço de meteorologia rabiscando ideogramas sobre as próximas chuvas, que vão cair bem antes da invenção da imprensa.
Dou um ou dois muxoxos e ligo no YouTube a Isaura Garcia cantando a Mensagem de Aldo Cabral e Cícero Mendes:
Quando o carteiro chegou
E o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ante surpresa tão rude
Nem sei como pude chegar ao portão
……………… …………………...
Criado em 2020-08-29 01:08:18
Ana Cristina Campos (*) –
Tarde de praia no Posto 9, Ipanema. Caetano Veloso explica a Jorge Mautner porque escolhera a expressão “Doces Bárbaros” para batizar a união dos quatro amigos baianos, num show antológico, nos idos de 1976. Caetano reclamava de uma certa crítica carioca que, à época, se referia a eles como baihunos, em alusão aos povos ditos bárbaros que atacavam o Império Romano.
– Mas nós somos bárbaros doces, sacou Veloso, ao que Mautner ponderou: Como Jesus, o Nazareno. Ele é que é o doce bárbaro, porque os outros bárbaros invadiram Roma de maneira violenta e não conseguiram um milésimo do que Jesus conseguiu para destruir o Império Romano com doçura, com perdão e compaixão.
Nesta segunda-feira, depois de assistir à entrevista de Fernando Haddad no Roda Viva, lembrei da conversa de Caetano e Mautner em torno da doçura e pensei: o Brasil, país da delicadeza perdida, está preparado para ter um presidente elegante, culto, bem humorado, aberto ao diálogo e pouquíssimo afeito à lacração? Sem nenhuma necessidade de, para se afirmar, ofender o opositor? Alguém que não confunde gentileza com fragilidade e que não se sente apequenado ou inseguro ao lado de uma grande mulher? E que, para enfrentar um inimigo violento e derrotá-lo, não prega ódio nem vingança mas justiça, sem truculência? Talvez sim, o país esteja preparado. Mas Haddad é do PT...
E daí? O PT tem 40 anos de luta por afirmação da democracia e um DNA admirável e nada fácil de apagar, composto por Antônio Cândido, Sérgio Buarque de Holanda, Hélio Pelegrino, Lélia Abramo, Mário Pedrosa, Paulo Freire, Maria da Conceição Tavares, Marilena Chauí, lideranças sindicais populares com Lula da Silva à frente e religiosas, como Frei Beto e Frei Leonardo Boff. É a esta estirpe política e a este legado que Fernando Haddad se filia e reverencia, apesar da cevadura cotidiana a que o partido e seu líder mais popular são submetidos há décadas.
O PT pagou alto preço por firmar legitimamente uma hegemonia para fazer frente a séculos de massacre da soberania nacional e popular. Esta afirmação soberana não se constrói do dia pra noite. Não é simples e necessita de adesão. Isto é fazer política. Sem alianças e fora da política –esta com que o surraram e o desqualificaram, oportunisticamente –, só resta a guerra. E ela veio, impondo o caos em que estamos imersos, perplexos, desde 2013.
Com isso não estou dizendo que não houve erros e omissões nesse caminho. Claro que sim, e devem ser apontados e corrigidos dentro do jogo democrático – como os erros da ditadura implantada com o golpe de 64, por exemplo, e os cometidos pelos outros governos e apoiados pelas instituições, com a “Nova República”.
Antes de críticas ferinas e exigências maliciosas dirigidas ao Partido dos Trabalhadores, ressaltem-se a legítima tentativa de rompimento com o passado subserviente e o empenho em minorar a brutal desigualdade social. E vejam que, mesmo sem ser radical, a iniciativa foi golpeada. A "Casa Grande", como o jornalista Mino Carta apelidou os donos do poder e do dinheiro, pra não ter que, injustamente, chamá-los de "elite", é implacável, é inarredável em seu viés exclusivista, forjado pela cultura escravagista.
Agora, com o absoluto e demolidor desgoverno e pandemia, temos que voltar a fazer política, a que foi demonizada e criminalizada com Lula, em aliança com as forças que ajudaram a golpear um brando projeto de inclusão social.
Nossa condição de ex-colônia tem mostrado que nossa atenção deve estar focada , em parte, na luta contra opressores de fora e associados de dentro do território. Temos que estar cada vez mais e permanentemente preparados para os ataques que a inveja de nossa exuberância natural e mesmo cultural, provocam.
Torço pelos doces bárbaros – quero estar com eles/elas – que estão nos resgatando e que continuarão a nos resgatar dessa tentativa torpe de imposição do Império da morte violenta de todas as nossas melhores possibilidades tropicais.
Haddad certamente está entre eles.
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(*) Ana Cristina Campos é historiadora e produtora de audiovisual.
Criado em 2020-07-11 00:03:17
Na próxima quarta-feira, dia 30/6, Armando Lôbo lançará no YouTube sua video-ópera Último Dia, de 12 minutos, que reverencia Levino Ferreira (lendário compositor de frevo) e faz referências ainda a Freud, Nelson Rodrigues, Ingmar Bergman, Bakhtin e Antero de Quental.
O compositor e multiartista pernambucano Armando Lôbo trabalha nesse vídeo seu hibridismo musical, sempre de amplo espectro estético e semântico. Conhecido por desenvolver gêneros e estilos musicais diversos, o artista vai lançar o filme-ópera Último Dia, no YouTube.
O filme foi realizado pela CO.MO (Companhia de Micro-óperas), com recursos da Lei Aldir Blanc da Secretaria Estadual de Cultura de Pernambuco,.
A homenagem ao músico pernambucano, Levino Ferreira, faz referência a um nebuloso e mistificado episódio de catalepsia na biografia do compositor, também chamado de “Mestre Vivo”.
Com música, roteiro/libreto, mixagem, edição e direção do próprio Armando Lôbo, a produção tem todo seu elenco baseado em Recife, destacando a presença do personagem do Zé Pereira, coreografado por Marcelo Sena, e que guarda uma semelhança proposital com a figura da morte, conforme retratada por Ingmar Bergman no clássico O Sétimo Selo.
O artista pernambucano Walmir Chagas (famoso pelo seu alter-ego “Véio Mangaba”) interpreta Levino Ferreira, e as carpideiras são vividas pelas cantoras líricas Natália Duarte, Virginia Cavalcanti e Surama Ramos.
No enredo, três carpideiras, em um mundo paralelo, cantam e choram a morte de um mestre de cultura popular, produzindo um surpreendente efeito catártico, resultando no acordar do defunto, que em verdade sofrera uma crise cataléptica. Quanto à estética sonora, a música da ópera tem características bastante plurais, estabelecendo um diálogo entre técnicas eruditas contemporâneas (instrumentais e eletroacústicas) e a musicalidade popular nordestina, especialmente fazendo referências a frevos de Levino Ferreira.
Em forma de ópera-poesia, ou “poemópera” audiovisual, “Último Dia” discute de forma dramática e ácida o universo da cultura popular, a redenção, a carnavalização da morte. “O poeta é aquele que vive no outro mundo, o mundo verdadeiro. Mas, e se ele é convidado a permanecer neste mundo paralelo em que todos vivem? O propósito é mostrar o carnaval enquanto escatologia trágica e invertê-la numa anti-tragédia”, afirma o autor e conclui: “em verdade, a micro-ópera não é sobre a cultura pernambucana, é uma carnavalização funérea de Bergman.”
Armando Lôbo
Compositor e artista multifacetado, Armando Lôbo também desenvolve e participa de projetos de artes combinadas, unindo vídeo, performance, teatro, literatura e música. Como músico, lançou quatro álbuns que receberam cotação máxima da imprensa especializada. Foi contemplado em importantes concursos nacionais e internacionais, vencendo os principais prêmios brasileiros tanto na música popular (Prêmio da Música Brasileira 2010, com o grupo Frevo Diabo) como na música de concerto (Prêmio FUNARTE de Composição Clássica, em 2012 e em 2016), provando seu ecletismo e abertura a linguagens diversas.
Sua obra tem sido executada por importantes grupos no Brasil, Europa e Estados Unidos. Em 2020 criou a CO.MO (Companhia de Micro-óperas) para produzir projetos audiovisuais com linguagem de ópera radicalmente contemporânea. O primeiro produto da CO.MO foi o curta-metragem Penélope 19, um filme musical de linguagem experimental que aborda o tema da quarentena da COVID-19.
Armando Lôbo é Ph.D. em Composição Musical pela Universidade de Edimburgo, Reino Unido, Mestre em Composição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ficha técnica:
Música, roteiro/libreto, mixagem, edição e direção: Armando Lôbo
Soprano: Natália Duarte
Mezzo: Virginia Cavalcanti
Contralto: Surama Ramos
Ator: Walmir Chagas
Coreógrafo/dançarino: Marcelo Sena
Direção de arte: Ana Santiago e Armando Lôbo
Direção de fotografia: Raphael Malta Clasen
Iluminação: Luciana Raposo
Coordenação de produção: Liliane Vieira dos Santos
Direção de Produção: Manassés Bispo
Programação visual e mídia social: Victor Luiz (ARARAS Cultura / Arte)
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Serviço:
Vídeo-ópera: Último Dia – lançamento dia 30/06, quarta-feira
Exibição + live com elenco
https://www.youtube.com/watch?v=qGoC4b5iWR8
Assistir depois do dia 30/06
www.youtube.com/microoperas
Teaser pode ser visto aqui
https://youtu.be/eJ2gH5iE7O0
Criado em 2021-06-26 01:53:47
Os nove governadores do Nordeste divulgaram ontem (12/6) uma carta aberta em que contestam, veementemente, a atitude do presidente Jair Bolsonaro de incentivar a invasão de hospitais país afora.
Nesta quinta-feira (11/6), em um vídeo que distribuiu nas redes sociais, Bolsonaro pede aos seus seguidores que entrem de “qualquer maneira nos hospitais públicos para ver se estão funcionando e se os gastos são compatíveis com o serviço prestado à população”. Logo em seguida vários bolsonaristas, sem nenhuma autorização prévia, invadiram hospitais, desrespeitaram médicos e enfermeiros, quebraram equipamentos e provocaram o terror.
Um grupo formado por pelo menos seis pessoas invadiu e depredou, nesta sexta-feira, 12/6, o Hospital Ronaldo Gazolla, referência no tratamento da Covid-19, no Rio de Janeiro. Segundo o jornal O Globo, essas pessoas seriam parentes de um paciente que faleceu na unidade, vítima do novo coronavírus e estavam revoltadas com a possibilidade de leitos vazios nos hospitais. De acordo com o jornal, “eles gritavam, pelo quinto andar da unidade, que tinham direito de verificar os leitos, para ver se estavam mesmo ocupados, e por vezes, ainda segundo relatos de quem presenciou tudo, também berravam: ‘Mentira! mentira!'”
Uma mulher integrante do grupo teria chutado portas, derrubado computadores e até tentado invadir leitos de pacientes internados.
O doutor Alex Telles, médico do hospital e presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sindmed), contou que as pessoas invadiram a unidade de maneira muito agressiva e destacou: ”Com o discurso do presidente, de que é pra dar qualquer jeito para entrar em hospital, infelizmente a tendência é que as pessoas se sintam cada vez mais autorizadas a desrespeitar as normas. Nós estamos ali cuidando das pessoas, sobrecarregados e somos vítimas disso tudo”.
Na tarde de 4/6, a enfermeira Carla, que trabalha no Hospital de Campanha do Anhembi, em São Paulo, disse à imprensa que notou uma movimentação estranha enquanto voltava do horário de almoço. "Havia muitas pessoas na porta. Observei muita gente entrando no hospital sem colocar a roupa própria para proteção", relata a profissional de saúde à BBC News Brasil.
Pouco depois, ela descobriu que se tratava de uma "invasão" de deputados estaduais de São Paulo ao hospital. Mesmo sem autorização, eles tentavam entrar no local para, segundo os parlamentares, "fiscalizar" e "apurar possível má utilização de recursos públicos".
"Eles agiram como se os profissionais de saúde fossem criminosos. Nos sentimos desrespeitados. Foi uma situação vexatória. Não poderiam fazer aquilo. É importante fiscalizar o uso de dinheiro público, mas aquela não era a forma correta para fazer isso", declara Carla.
Deputados estaduais bolsonaristas também invadiram as obras do hospital de campanha do Maracanã e provocaram balbúrdia no local. O descontrole é total. E o pior, é incentivado pelo presidente da República.
Diante desse descalabro, os governadores do Nordeste disseram que “não é invadindo hospitais e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia”, que já matou mais de 41 mil pessoas no país.
A seguir, a íntegra da carta dos governadores do Nordeste:
“Os governadores de Estado têm lutado fortemente contra o coronavírus e a favor da saúde da população, em condições muito difíceis.
Ampliamos estruturas e realizamos compras de equipamentos e insumos de saúde de forma emergencial pelo rápido agravamento da pandemia. Foi graças à ampliação da rede pública de saúde, executada essencialmente pelos Estados, que o país conseguiu alcançar a marca de 345 mil brasileiros recuperados pela Covid-19 até agora, apesar das mais de 41 mil vidas lamentavelmente perdidas no país.
Desde o início da pandemia, os Governadores do Nordeste têm buscado atuação coordenada com o Governo Federal, tanto que, na época, solicitamos reunião com o Presidente da República, Jair Bolsonaro, que foi realizada no dia 23/3/2020, com escassos resultados.
O Governo Federal adotou o negacionismo como prática permanente, e tem insistido em não reconhecer a grave crise sanitária enfrentada pelo Brasil, mesmo diante dos trágicos números registrados, que colocam o país como o segundo do mundo, com mais de 800 mil casos.
No último episódio, que choca a todos, o presidente da República usa as redes sociais para incentivar as pessoas a INVADIREM HOSPITAIS, indo de encontro a todos os protocolos médicos, desrespeitando profissionais e colocando a vida das pessoas em risco, principalmente aquelas que estão internadas nessas unidades de saúde.
O presidente Bolsonaro segue, assim, o mesmo método inconsequente que o levou a incentivar aglomerações por todo o país, contrariando as orientações científicas, bem como a estimular agressões contra jornalistas e veículos de comunicação, violando a liberdade de imprensa garantida na Constituição.
Além de tudo isso, instaura-se no Brasil uma inusitada e preocupante situação. Após ameaças políticas reiteradas e estranhos anúncios prévios de que haveria operações policiais, intensificaram-se as ações espetaculares, inclusive nas casas de governadores, sem haver sequer a prévia oitiva dos investigados e a requisição de documentos.
É como se houvesse uma absurda presunção de que todos os processos de compra neste período de pandemia fossem fraudados, e governadores de tudo saberiam, inclusive quanto a produtos que estão em outros países, gerando uma inexistente responsabilidade penal objetiva.
Tais operações produzem duas consequências imediatas. A primeira, uma retração nas equipes técnicas, que param todos os processos, o que pode complicar ainda mais o imprescindível combate à pandemia. O segundo, a condenação antecipada de gestores, punidos com espetáculos na porta de suas casas e das sedes dos governos.
Destacamos que todas as investigações devem ser feitas, porém com respeito à legalidade e ao bom senso. Por exemplo, como ignorar que a chamada “lei da oferta e da procura” levou a elevação de preços no MUNDO INTEIRO quanto a insumos de saúde?
Ressalte-se que, durante a pandemia, houve dispensa de licitação em processos de urgência, porque a lei autoriza e não havia tempo a perder, diante do risco de morte de milhares de pessoas.
A Lei Federal 13.979/2020 autoriza os procedimentos adotados pelos Estados.
Estamos inteiramente à disposição para fornecer TODOS os processos administrativos para análise de qualquer órgão isento, no âmbito do Poder Judiciário e dos Tribunais de Contas. Mas repudiamos abusos e instrumentalização política de investigações. Isso somente servirá para atrapalhar o combate ao coronavírus e para produzir danos irreparáveis aos gestores e à sociedade.
Deixamos claro que DEFENDEMOS INVESTIGAÇÕES sempre que necessárias, mas de forma isenta e responsável. E, onde houver qualquer tipo de irregularidade, comprovada através de processo justo, queremos que os envolvidos sejam exemplarmente punidos”.
Assinam esta carta:
Rui Costa
Governador da Bahia
Renan Filho
Governador de Alagoas
Camilo Santana
Governador do Ceará
Flávio Dino
Governador do Maranhão
João Azevedo
Governador da Paraíba
Paulo Câmara
Governador de Pernambuco
Wellington Dias
Governador do Piauí
Fátima Bezerra
Governadora do Rio Grande do Norte
Belivaldo Chagas
Governador de Sergipe
Associação cobra posição do CFM e da FENAM
Ainda sobre a invasão dos hospitais de campanha por bolsonaristas, estimulados pelo presidente Bolsonaro, a Associação de Médicas e Médicos pela Democracia, divulgou hoje, 13/6, em Fortaleza (CE), uma nota cobrando posição do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).
A seguir, a íntegra da nota da ABMMD:
“A Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD) vem por meio desta clamar por um posicionamento urgente do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB), da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), dos Sindicatos Médicos de todo Brasil e de todos os Sindicatos representativos de trabalhadores da Saúde, em defesa da vida, da dignidade humana, de nós, médicas e médicos, e de todos os profissionais que compõem a força de trabalho em saúde do país, face a mais uma demonstração da necropolitica implementada pelo presidente Jair Bolsonaro.
Seguindo o rumo de seus nefastos pronunciamentos, onde o desdém às vítimas do covid19 predomina, a ponto de ignorar reiteradamente o número crescente de mortos pela doença, na última quinta-feira, 11 de junho, convocou seus apoiadores a invadir hospitais, filmar e coagir profissionais de saúde, colocando em risco a saúde e direito a privacidade de cidadãos brasileiros.
Em decorrência desta má conduta, no dia 12 de junho de 2020, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência para atendimento a Covid no Rio de Janeiro, foi invadido e depredado por seguidores do presidente, sob o pretexto de verificar a disponibilidade de leitos.
São pessoas movidas pelo obscurantismo e que já atravessam a fronteira da razão, do bom senso e do respeito. É inaceitável a invasão de um ambiente hospitalar, onde são acolhidas pessoas debilitadas e portadores de doenças infecto-contagiosas, a violação da privacidade dos internos, a destruição de equipamentos necessários aos cuidados em saúde, a exposição de médicos e demais profissionais (que já enfrentam cotidianamente a falta de condições adequadas para autoproteção e manejo adequado de seus pacientes), trazendo riscos adicionais e completamente injustificáveis a todos. Instigar o ódio aos serviços de saúde e seus trabalhadores, principalmente durante a grave crise sanitária que atravessamos, é um ato criminoso.
Frente tamanha afronta a médicas e médicos, trabalhadoras e trabalhadores da saúde e seus pacientes e ao grave perigo que, sob vários aspectos, tal convocatória submete a saúde da população brasileira, é inadmissível o silêncio e a omissão das entidades representativas destas categorias. É imprescindível uma reação à altura a fim de preservar vidas humanas, ao direito à saúde bem como a dignidade e a integridade física e psíquica dos profissionais, evitando prejuízos ainda maiores e talvez irreversíveis à nossa sociedade .
Instamos, pois, que as instituições acima citadas se coloquem veementemente contra esta convocatória do senhor Presidente da República cuja intenção é, mais uma vez, somente obscurecer a trágica realidade de uma doença grave, que se alastra por todo território nacional, responsável por bem mais que 40 mil mortes, assim como assumam uma posição clara e firme, junto a outros setores e instituições democráticas, para que, diante da pandemia de Covid-19, o Presidente, respeitando rigorosamente as recomendações científicas e o decoro do cargo, cumpra com seu dever constitucional de zelar pelo bem-estar, pela saúde e pela vida de seu povo”.
Criado em 2020-06-13 21:37:06
Romário Schettino –
Brasília - Para onde vai o Cine Brasília? Pergunta o jornalista Silvino Mendonça em matéria pulicada dia 20/8 no portal Metrópoles. O cinema ficou sem programação por absoluta falta de interesse administrativo. De crise em crise o governador Ibaneis Rocha (MDB) vai tocando o Distrito Federal como bem entende.
No dia anterior (19/8), Ibaneis ofendeu a Câmara Legislativa ao chamar o deputado distrital Fábio Felix (PSol) de “equerdopata”, termo utilizado pela extrema-direita brasileira. O baixo nível atingiu patamares nunca antes imaginado por qualquer político minimamente acima da linha civilizatória.
O chilique do governador se deu por causa da militarização das escolas, decisão imposta goela abaixo de professores e alunos que não aceitaram a medida, como a CEF 407, de Samambaia, e o Gisno (Asa Norte). O secretário de Educação, Rafael Parente, por sua vez, foi demitido por discordar da condução dada pelo governador ao assunto. O fato é que Ibaneis não gosta de discussão, é tão autoritário no Palácio Buriti, quanto Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto.
"Eu não vou discutir com você, rapaz. A Câmara fique à vontade com seus esquerdistas", disse Ibaneis ao ser questionado por Fábio Felix, que discordou da militarização nas duas escolas que se opuseram à proposta. Em nota divulgada após o episódio, Felix classificou o comportamento do chefe do Executivo como "lamentável e desrespeitoso".
Segundo Félix, “Ibaneis sobrepõe sua vontade aos desejos da população, desrespeita uma votação e joga no lixo a voz do povo quando questionado sobre o resultado das votações nas escolas que rejeitaram a militarização”.
O deputado distrital disse ainda que Ibaneis é um governador que se “encastela e tapa os ouvidos para a divergência, é um exemplo do que tanto tememos em tempos de crise na política: o autoritarismo. A postura absurda do governador aqui na Câmara Legislativa é lamentável e fere gravemente a democracia. Política é diálogo e a truculência é inaceitável!”
A deputada distrital Arlete Sampaio (PT) também lamentou a atitude do governador Ibaneis e disse que “a Câmara Legislativa não é palanque de nenhum partido, muito menos do MDB. É preciso respeitar as instituições dentro do espírito democrático”.
Ibaneis, diante das reações dos parlamentares, resolveu se desculpar, mas não reconheceu o erro, disse ter sido “apenas um pequeno incidente”.
Para piorar a vida cultural de Brasília, o presidente da Câmara Legislativa, Rafael Prudente (MDB), não autorizou a premiação da Mostra Brasília no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A premiação era concedida desde 1996. É mais um duro golpe nos realizadores de cinema do DF.
E assim caminha a velha política brasiliense, de marcha à ré, como o Brasil de Bolsonaro.
Criado em 2019-08-22 20:55:39
Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –
Trivial os filhos sem pai buscarem os genitores. Pois eu conheci um, Juca Rebelo, que tinha interesse em conhecer o avô. Não era só interesse, era uma fissura, que acabou deixando sequelas vida afora, a ponto dele buscar o socorro de um analista.
O Juca era um rapaz vivo, inteligente, estudava biologia na UnB. Loiro com cara de índio. Tinha vindo de Itacoatiara, no início dos anos 80. A mãe, dona Miriam, era bisneta de um cearense que foi pro Amazonas na época da guerra para extrair borracha. Solteira, criou o filho com mimos e carradas de livros, que o padre Gabriel emprestava. Gabriel era o nome de guerra do missionário scarboro canadense Edward Paul McGaughys.
Na escola, o Juca sofria bullying (sem esse nome na época) dos coleguinhas que o chamavam de filho do boto. Como não era o único, engolia as sacanagens, acabou se acostumando. Mas encasquetou que precisava de um avô. O da mãe já tinha morrido há tempos. Mas e o do pai? Como é que ele podia viver sem um velhinho para lhe contar as histórias dos jaraquis que pulavam sobre as canoas afundando-as no meio dos igarapés, com jacarés na espreita, muito mais sensacionais que os contos de assombração?
De vez em quando ele atazanava o padre Gabriel com a ânsia avoenga. O santo rapaz, que fazia as vontades do menino, fintava a dúvida com argumentos evasivos, cada vez mais criativos, e até filosóficos, sobre a virtude da aceitação das perdas. Em vão, a essa altura, depois de ler tantos livros, o moleque já tinha sido mordido pela sucuriju do ceticismo científico, não era qualquer lorota que podia enganá-lo. Sim, naquele tempo ele já vinha fuçando a vida dos quirópteros, o assunto que o levaria anos depois para Brasília.
Um dia, acuado, o padre teve que apelar para um argumento de autoridade. Do alto de sua teologia disse que não ter um avô paterno era uma das qualidades que o Juca tinha com Nosso Senhor Jesus Cristo. Coitado, Ele tinha sido gerado pelo Espírito Santo, pai de si mesmo. Daí que acabou tendo um avô emprestado, o pai de José, de nome Jacó, segundo Mateus, ou Eli, segundo Lucas.
Longe de satisfazer o moleque, a alegação piorou a situação. Ora, rebateu o Juca, eu não sei do meu avô porque não conheço o meu pai, que morreu ou está sumido no mundo, mas ele nunca foi um espírito, muito menos santo, e é claro que teve ou tem orelhas! Vermelho como pimentão, o padre engoliu em seco, deu uma desculpa esfarrapada e saiu de fininho.
Desde então o Juca passou a sonhar com o Espírito Santo em forma de morcego, para gáudio de seu futuro analista. Ah, ele sumiu, nunca mais o vi.
Criado em 2020-07-16 23:19:05
Vivaldo Barbosa (*) –
Diante dessas revelações sobre fortes ligações dos procuradores de Curitiba, Lava Jato, e seus delegados, com o FBI e Departamento de Justiça americano, estreitadas nos governos Lula e Dilma, me veio à lembrança o comportamento inocente dos dirigentes da República de Weimar. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, assumem o governo da Alemanha os socialdemocratas, felizes por terem posto fim na monarquia alemã com a deposição do Keiser.
Os militares alemães, que haviam levado a Alemanha à guerra e responsáveis pela derrota, caem fora, saem de cena, que passa a ser ocupada pelos novos dirigentes que vão assinar o Tratado de Versailles, de rendição alemã, humilhação e com consequências econômicas terríveis. Os representantes da Alemanha são acusados de traição. Os militares ficam de fora, se unem aos fascistas, passam a representar o orgulho nacional ferido, surgem o partido nazista e Hitler, a economia entre em desastre, o governo sucumbe, acontece o que aconteceu. Os inocentes socialdemocratas são tragados, juntamente com comunistas, católicos e demais setores de esquerda e democratas.
O governo FHC fez acordo diplomático com o governo americano de cooperação nas áreas de investigações, envolvendo tráfico de drogas, terrorismo, lavagem de dinheiro e...a famosa corrupção. Coisa pesada, encontros aqui e lá, seminários, palestras, cursos aqui e lá, mais lá do que aqui. E informações, muitas informações sobre Petrobras e outras empresas brasileiras.
O Ministério da Justiça representava o Brasil nestas relações, ao lado do Itamaraty. Mais adiante, o Ministério da Justiça transfere esta representação para a Procuradoria Geral da República, ferindo as regras de representação diplomática, já que o Ministério Público não é órgão do Executivo. Um pouco mais adiante, Rodrigo Janot transfere tal representação para a chamada Força Tarefa de Curitiba, a já famosa de anos Lava Jato, com um monte de estripulias já aprontadas. A coisa atingiu seu ápice.
A montagem ficou pesada. Palestras, encontros prá lá e prá cá, Sérgio Moro e Dallagnol prá lá e prá cá, entrevistas a toda hora, forte apoio de toda a mídia e do conservadorismo na política, dinheiro rodando solto. Ganhou até às ruas, muitas manifestações. Coisa muito pesada. O Ministério da Justiça a tudo acompanhou, inocentemente, assim como os inocentes da República de Weimar a tudo assistiram. Ambos sofreram as dramáticas consequências.
Sabe-se, agora, que a chefe dos serviços do FBI nessas tratativas, Leslie Rodrigues Backschies, muito acolhida pelos procuradores e Polícia Federal, em entrevista à imprensa, afirmou: "Nós vimos presidentes derrubados no Brasil", além de referências a outros países com ações semelhantes. Não se referia tão somente à deposição de Dilma Rousseff, pois o Brasil ostenta um rol de presidentes derrubados, igualmente em outros países.
Esses esquemas de derrubada são pesados, às vezes irresistíveis. Em outubro de 1945, derruba-se o todo poderoso chefe do Estado Novo, Getúlio Vargas, popularíssimo, com tudo na mão, Judiciário, interventores nos Estados, polícias estaduais e federal, com abertura e processo eleitoral já em curso, eleições marcadas. Não queriam que ele influenciasse nas eleições, pois queriam mãos livres para tentar derrubar a CLT e a nacionalização do subsolo, minérios e petróleo, inscrita na Constituição autoritária, corporativista de 1937, a famosa polaca. Elegeram a Constituinte em 1946 e derrubaram a nacionalização do subsolo. Getúlio disse a interlocutores que quem o derrubou não foi a cúpula do Exército, mas sim o embaixador americano na Argentina, que já havia aprontado na Colômbia e outros países, inclusive provocado a saída do General Peron do Ministério do Trabalho. Em 1961, Não fora a resistência heroica de Brizola, nem Jango tomaria posse. Em 1964, a deposição de Jango já é muito conhecida.
Alguns observadores fazem comparações do golpe de 1964 e os acontecimento recentes. Brizola fez a última tentativa dramática de resistir, pedindo a Jango para nomeá-lo Ministro da Justiça para comandar a Polícia Federal e puxar as polícias estaduais, envolver governadores, Congresso, e nomear o General Ladário Teles para Ministro do Exército para recompor o Exército com os que não haviam se envolvido ainda com o golpe. Mas Jango já sabia da presença dos americanos nas nossas costas, Arraes já havia sido preso no Recife, no Rio haviam destruído a sede da UNE e do ISEB, tanques nas ruas, sindicalistas presos país afora. Não quis resistir, não atendeu Brizola.
No caso recente, com a Presidência da República na mão, não resistir foi mais lamentável. As ilegalidades desferidas pela Lava Jato, com participação da Polícia Federal, não poderiam ter sido toleradas. Para isto, teria sido necessário nomear ministros do STF e outros tribunais com gente fiel ao cumprimento da Constituição e à sustentação dos poderes da República, não os que batiam à porta conduzidos por mãos desavisadas, inocentes. Os generais e demais oficiais das Forças Armadas promovidos e nomeados deveriam estar comprometidos com a obediência ao poder civil eleito e à sustentação da República, não os figurantes do almanaque vinculados a pensamento e posturas políticas que o Brasil já havia ultrapassado. Não poderia ser quem veio a ameaçar o STF para não libertar Lula. Promovidos e nomeados inocentemente.
A luta política contra privilégios e espoliação é dura, pesada, não é para inocentes. Lula, ao não querer se envolver com os que são responsáveis por tudo que se abateu sobre o Brasil e o povo brasileiro, demonstra compreensão do processo histórico que vivemos e das perspectivas que se abrem para a luta política. O PT, comandado pela Gleisi Hoffman, igualmente. O papel do Estado, a defesa da soberania, a compreensão do papel dos Estados Unidos, do império, e da TV Globo (não é mais uma implicância de Brizola) têm outra dimensão no pensamento e na ação política de Lula e do PT. O que os difere dos demais políticos e partidos.
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(*) Vivaldo Barbosa é advogado, ex-deputado federal Pelo PDT-RJ e participou da Assembleia Constituinte de 1988.
Criado em 2020-07-07 16:55:40
O brasiliense já tem a sua marca preferida no mundo da moda despojada e criativa. A Verdurão Camisetas, que é sucesso em Brasília e no Brasil, lança coleção com estampas dos artistas grafiteiros Daniel Toys e Mikael Omik (Omik & Toys).
A ideia dos fabricantes é criar opções de presentes para os namorados, namoradas, ficantes e também para os solteiros de plantão. Após lançar a coleção Sob o Céu, Terra e Concreto em celebração aos 61 anos de Brasília, a Verdurão chama agora os famosos Omik & Toys para criarem e assinarem as estampas da nova coleção em homenagem ao Dia dos Namorados, 12 de junho.
Com o nome Amor Ao Quadrado (Amor²), a coleção fará uma homenagem ao amor, claro, e também ao amor por Brasília.
“Brasília é o nosso eterno quadradinho. Uma cidade cheia de histórias, de memórias. Essa coleção é para os apaixonados, crushs, mozões se presentearem. E não precisa que seu mozão seja um namorado ou namorada. Pode ser um grande parceiro de sua vida”, destaca o criativo da marca, Wesley Santos.
“Os brasilienses Daniel Toys e Mikael Omik são famosos por seus grafites coloridos espalhados não apenas pela nossa capital, mas pelo mundo. A nossa coleção vem agora também com a marca deles e com todo amor que temos por nossa Brasília”, acrescenta Wesley.
As camisetas da Amor² custam R$ 89 e podem ser encontradas nos tamanhos P, M, G e GG. Vendas na própria loja da Verdurão Camisetas, que fica no Espaço Infinu (506 Sul, em Brasília), ou no site: https://verduraocamisetas.com.br/. Contatos também no Instagram: @verduraocamisetas.

Criado em 2021-06-09 01:41:34
Um grupo de pessoas ligado ao movimento social, partidos políticos, jornalistas, advogados, professores lançou hoje uma carta aberta em defesa da vida e da cidade do Rio de Janeiro.
O documento, suprapartidário, faz criticas à condução da crise sanitária feita pelo prefeito Marcelo Crivela, pelo governador Wilson Witzel e pelo presidente Jair Bolsonaro.
Para evitar o colapso no sistema de saúde e evitar o aumento vertiginoso do número de mortes, o manifesto propõe providências imediatas, como: a) ampliar os investimentos e agilizar os repasses da prefeitura para o sistema de saúde no combate à pandemia, bem como dar prioridade à execução orçamentária para a proteção social das populações vulneráveis; b) implementar um planejamento de saída da crise, com base em critérios científicos, com a adoção de medidas mais rígidas de isolamento e distanciamento social; c) adotar medidas massivas de testagem da população; d) implementar um programa de renda básica promulgado em lei pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro e c) implantar um plano”. emergencial de combate a covid-19 nas favelas e territórios periféricos;
A seguir, a íntegra do documento assinado por 124 pessoas até o momento:
“A nossa cidade passa por um dos piores períodos de sua história. Por um lado, uma grave crise sanitária e social provocada pela pandemia do novo coronavírus, por outro, uma crise política e econômica, oriunda dos governos Crivella, Witzel e Bolsonaro.
A pandemia tornou visíveis as mazelas históricas do Rio. Durante décadas, foram implementadas políticas urbanísticas fundamentadas no pensamento higienista e na especulação imobiliária, com a remoção dos mais pobres para regiões sem infraestrutura e sem potencial de desenvolvimento econômico.
Hoje, o município concentra mais de 700 favelas com uma população de quase 1,5 milhão de pessoas, segundo o último censo do IBGE. O vírus avança nestas localidades como resultado da interação entre a falta de saneamento básico, o desemprego e a ausência de políticas públicas efetivas. O modelo de governança implantado pelo atual prefeito, com deficiências nos sistemas de proteção social e na saúde, contribui para o recrudescimento do número de casos e de mortes.
Chegamos ao início de junho com uma curva ascendente da covid-19. No total, a pandemia tirou a vida de quase 4.5 mil pessoas da cidade, onde já são registrados 36.115 casos confirmados, de acordo com os dados oficiais de oito de junho. Temos a mais alta taxa de letalidade do país, de 12,35%. Os estudos de especialistas apontam que os bairros da periferia são as maiores vítimas. Quem mais morre no Rio pela covid- 19 são os mais pobres, na sua maioria homens e mulheres negras.
Nesse quadro, que impõe medidas mais contundentes de proteção da população, apontadas por diversas instituições científicas, o prefeito Marcelo Crivella adota um caminho contrário e imprudente ao liberar diversas atividades, após implantar mudanças na metodologia da contagem dos óbitos.
O estudo realizado por cientistas, publicado em junho na revista Nature, aponta que as medidas tomadas de distanciamento e isolamento social em 11 países evitaram mais de 3 milhões de mortes na Europa. Os pesquisadores do Imperial College, das Universidades de Oxford e Sussex, da Inglaterra, e da Universidade Brown, do EUA, objetivaram medir a eficácia dessas intervenções para apontar sua utilização em ações no futuro, visto que geram impactos econômicos e sociais.
A reabertura da cidade do Rio com os índices de contágio ainda muito altos coloca toda a sociedade em risco, tanto pela agressividade e complicações em decorrência do vírus, como pelo colapso do sistema de saúde, que não terá como atender ao aumento exponencial da corrida a hospitais, clínicas e postos de saúde.
Vivemos um momento de incertezas e de transformações de enormes dimensões, extremamente complexo, de contradições e conflitos de vários matizes. Mas também um momento em que se forjam novas possibilidades. Com determinação e resistência democrática, é preciso inventar novos caminhos, diante do caos de governança instalado em nossa cidade.
Nós, moradores do município do Rio de Janeiro, entendemos que o grande desafio é a luta pela superação das desigualdades e o atendimento à população com dignidade com o fortalecimento do SUS e do Sistema de Saúde Municipal.
Uma formação de consciências que coloque a vida na centralidade das decisões do Executivo da cidade.
Afirmamos a necessidade de elaboração de um programa democrático-popular para o combate ao coronavírus e para retomada econômica, social e cultural da cidade no pós-pandemia. Este programa deve ser fruto de uma ampla articulação suprapartidária dos movimentos sociais, sindicais, da academia e de lideranças populares com base em um novo pacto social, que preserve a vida e considere a retomada do meio produtivo como motor para mitigar os graves problemas sociais.
A fim de evitar um colapso no sistema de saúde e evitar o aumento vertiginoso do número de mortes, defendemos de imediato:
- Ampliar os investimentos e agilizar os repasses da prefeitura para o sistema de saúde no combate à pandemia, bem como dar prioridade à execução orçamentária para a proteção social das populações vulneráveis;
- Implementar um planejamento de saída da crise, com base em critérios científicos, com a adoção de medidas mais rígidas de isolamento e distanciamento social;
- Adotar medidas massivas de testagem da população;
- Implementar um programa de renda básica promulgado em lei pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro;
- Implantar um plano emergencial de combate a covid-19 nas favelas e territórios periféricos;
- Dar total transparência às informações sobre os casos de contaminação e óbitos com disponibilização integral dos dados pelo Instituto Pereira Passos e dos relatórios do gabinete de crise do comitê científico”.

Assinam, até o momento, mais de 120 pessoas:
Se concorda com este documento entre aqui e assine - Observatório Carioca da Pandemia.
Adair Rocha - Professor, PUC Rio
Affonso Henriques Guimarães Correa – Economista
Agostinho Guerreiro, Engenheiro
Alessandro Molon, deputado federal pelo PSB
Alice Carolina Negreiros da Conceição, Professora
Alice Passos, Cantora e preparadora vocal
Alipio Carmo, Jornalista e produtor
Ana de Hollanda, Cantora, Compositora, ex-ministra da Cultura
Ana Maria Muller – advogada, fundadora do Comitê Brasileiro pela Anistia, ex-conselheira da OAB-RJ, militante dos Direitos Humanos
Antonio Carlos Alkmim, Cientista Social
Aroeira, Cartunista
Artur Obino, pesquisador da Coppe/UFRJ
Áurea Maria da Rocha Pitta - Pesquisadora (aposentada) da Fiocruz. Militante de Políticas de Comunicação em Saúde
Benedita da Silva, deputada federal pelo PT
Bernardo Karam, professor do Instituto de Economia da UFRJ
Bete Mendes, Atriz
Bruno Cattoni, Jornalista e Poeta
Camila Pitanga, Atriz
Carla Marins, Atriz
Cássia Reis, Atriz e Professora de Artes Cênicas
Celso Amorim, diplomata e ex-ministro das pastas de Defesa e de Relações Exteriores
César Guerreiro, Empresário
Chico Diaz, Ator
Cibele Azevedo Correa, Arquiteta
Cibele Vrcibradic, Professora
Clarice Niskier, Atriz e Produtora
Clarisse Sette Troisgros, Produtora de TV.
Claudia Versiani, Jornalista e Atriz
Claudius Ceccon, Cartunista
Conceição Evaristo, Escritora
Cristina Buarque, Cantora
Cristina Pereira, Atriz
Damir Vrcibradic, Juiz do Trabalho.
Daniel Carvalho de Souza, Designer.
Dedina Bernadelli, Atriz
Didu Nogueira, Compositor e Cantor
Dira Paes, Diretora Suplente, Atriz.
Dulce Pandolfi, Historiadora
Eduardo Tornaghi, Ator
Eleonora Maria Osório Barroso, Psicóloga
Eliane Longo da Silva, Artista Plástica
Elina Pessanha - Professora da UFRJ
Emilio Gallo, Jornalista.
Felipe Addor, Engenheiro
Felipe Charbel, professor de História da UFRJ
Fernando Willian, Vereador pelo PDT
Frei Mário Taurinho Op, frade dominicano e psicólogo.
Generosa de Oliveira, Produtora Cultural e Educadora Social
Geovani Martins, Escritor
Gilberto Miranda, Ator.
Gisele Cittadino, Jurista, professora associada da PUC-Rio
Graça Lago, Jornalista
Hélène Sidet - Intérprete de Conferência
Íris Gomes da Costa, Escritora, Roteirista, Pesquisadora
Itamar Silva, liderança da Favela Santa Marta
Jacqueline Castro, Professora Aposentada
Jandira Feghali, Deputada federal pelo PCdoB
João Mauricio Rodrigues Feitosa - Arquiteto
Edmundo Aguiar – Educador
Leo de Queiroz Benjamin, Médico
Leonardo Boff, Teólogo
Leonardo Vieira, Ator
Leonel Brizola Neto, Vereador pelo PSOL
Letícia Sabatella, Atriz
Ligia Bahia, Professora da UFRJ
Lígia Dabul, Socióloga, professora da Univ. Federal Fluminense
Ligia Nogueira, Professora.
Lúcia Maria Ozório, Professora pesquisadora
Luciana Heymann, Historiadora
Luciana Lopes, Jornalista
Luciana Saldanha, Professora, militante do Coletivo MVJR-RJ
Luiz Antonio Elias, ex-Secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Luiz Carlos de Sousa Santos, Economista
Luiz Edmundo Aguiar, Educador
Lusmarina Campos Garcia, Pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
Lygia Jobim, Advogada
Marcelo Burgos, Professor da PUC -Rio
Marcelo Freixo, deputado federal pelo PSOL
Marco Antônio Fernandes Marques, Marcão, Cidadão carioca
Marcos Frota, Ator
Maria Alice Rocha, Professora universitária
Maria Carmen Machado Arroio, do CNPq
Maria Cristina Capistrano, Orientadora pedagógica
Maria Ferreira Machado, Educadora
Maria José dos Santos, Médica aposentada
Maria Zilda Bethlem, Atriz.
Mario da Paixão Taurinho
Mario Lago Filho, compositor, poeta e produtor cultural
Maristela S. Pimenta, Arquiteta
Marquinhos de Oswaldo Cruz, cantor e compositor
Monica Rabelo, Feminista, ativista dos direitos humanos e contra as desigualdades sociais, raciais e de gênero.
Mônica Kornis, Socióloga
Orlando Guilhon, FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Osmar Prado, Ator
Otto, Cantor
Paulo Garrido, Presidente da Associação dos Funcionários da Fiocruz
Paulo Lins, Escritor
Paulo Magalhães, Sociólogo
Paulo Sérgio da Rocha Pitta, Comerciante
Pepita Rodriguez, Atriz
Priscila Camargo, Atriz e Contadora de Histórias
Regina Fernandes, Psicóloga
Regina Gutman, Atriz
Reimont Otoni, Vereador pelo PT
Ricardo de Gouvea Correa, Arquiteto
Ricardo Magalhães Montenegro, Administrador e Professor da Faetec
Ricardo Rezende Figueira, Padre, Professor na UFRJ
Rogério Wiliams de Paula Duarte, Professor e integrante do grupo Linhas do Rio.
Salete Hallack, Arquiteta, Designer e Fotógrafa
Sandra Mena Barreto, Socióloga
Sergio Marone, Ator
Silvia Buarque, Atriz
Simone Lial, Cantora, Compositora e Preparadora vocal
Theodoro Caldas Polycarpo. Aposentado
Tuca Moraes, Atriz e Produtora
Van Furlanetti, Conselho Fiscal, Ator e Escritor
Vanessa Giácomo, Atriz
Vera Vital Brasil, Psicóloga
VicMilitello, Atriz, Produtora e Diretora Teatral
Virginia Berriel, Atriz, Jornalista, Diretora do Sinttel-Rio, Secretária Sobre a Mulher Trabalhadora da CUT-RJ
Wagner Moura, Ator
Waldeck Carneiro, Deputado estadual pelo PT
Zezé Polessa, Atriz
Umberto Trigueiros Lima, Jornalista
Criado em 2020-06-13 02:17:09
Romário Schettino –
A grande imprensa resolveu, de novo, investir pesado na tese segundo a qual Bolsonaro e Lula são iguais. A Folha de S. Paulo já listou várias mentiras para dizer que os dois são equivalentes, com sinais trocados. Os analistas políticos vivem dizendo que os dois são radicais e que seus seguidores adoram um fla-flu, e bobagens como essa.
Um é radical da extrema-direita e o outro é radical de esquerda. Ambos querem controlar a mídia e as opiniões contrárias. Nada mais falso. Para o desespero dos donos de jornais, Bolsonaro editou MP que desobriga a publicação dos balanços. Lula nunca fez isso, nem ameaçou a liberdade de imprensa. Lula chamou uma Conferência Nacional de Comunicação, que foi boicotada pelas grandes empresas do ramo.
Na TV Globo, a cada absurdo de Bolsonaro, vem junto menção ao tempo do governo Lula. É clara e evidente a estratégia de sustentar o ódio a Lula e ao PT. No entanto, por mais que batem no PT, cresce o número de filiados ao partido. Já são cerca de dois milhões, podendo chegar a 2,5 milhões as filiações. É uma cifra estratosférica para um partido que apanha todos os dias na grande imprensa e no Judiciário.
A direita moderada, que se diz de centro, e seu braço avançado na comunicação, querem construir uma alternativa, uma terceira via. Esse grupo tentou emplacar Geraldo Alckmin em 2018 mas o candidato foi um fracasso. Por isso, essa mesma direita precisa desarmar Bolsonaro, mas não pode deixar o PT se reerguer, especialmente em 2020, quando haverá eleições municipais.
Agora, quando Lula completa 500 dias na prisão e a campanha Lula Livre não perde gás, o cinismo, sem pudor, tomou conta do rádio, da TV, dos jornais, das revistas, dos blogs e das redes sociais.
O Jornal Nacional, que ignora solenemente a Vaza Jato, já avisou que Lula é igual a Bolsonaro na questão da Amazônia. É fato que Lula disse que os outros países não deviam interferir na política preservacionista brasileira, mas isso não provocou nenhuma retaliação da Noruega nem da Alemanha. E a Globo não menciona a matéria da BBC de 2014: Brasil é exemplo de sucesso na redução do desmatamento, diz relatório.
A cruzada anti-PT não para, é sem trégua. Enquanto isso, o país vai se desmanchando com os piores desempenhos em todas as áreas: política, econômica e social. O Senado tem que ficar discutindo se o filho do presidente tem ou não capacidade para ser embaixador nos EUA e se essa indicação configura nepotismo, ou não. A pobreza aumenta, o número de moradores de rua cresce assustadoramente.
Lula continua preso, mesmo com todas as evidências apontadas pelo The Intercept de que o processo de Curitiba está viciado e passível de anulação.
E pra piorar tudo, o Rio de Janeiro tem um governador, Wilson Witzel, que dá pulinhos de contentamento quando a polícia mata um delinquente antes mesmo da apuração completa do caso. Tudo isso ao vivo e em cores.
Todas as forças políticas progressistas estão com uma enorme batata quente nas mãos. É urgente o debate nacional sério sobre o atual cenário. Caso contrário, não há saída possível para o caos que se aproxima, e cada vez mais rápido. Responsabilidade e respeito são requisitos básicos para a retomada do Estado Democrático de Direito. As instituições não estão funcionando como deveriam.
Criado em 2019-08-20 16:17:07
Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –
Metido a besta, de vez em quando rabisco uns versos chinfrins e, no mais das vezes, deixo perplexas algumas pessoas que perdem o tempo me lendo.
Qual seria a dificuldade? Talvez a falta de hábito com a leitura de poesia, não muito levada a sério no país, ao contrário do que acontece no Chile, com dois Prêmios Nobel de Literatura conquistados por poetas, Gabriela Mistral (1945) e Pablo Neruda (1971), ou nos Estados Unidos, onde esse tipo de escrita alcança qualidades homéricas com um Bob Dylan, Nobel de 2016.
Não é que faltem poetas excelentes na terra de Drummond, João Cabral, Chico Buarque e Conceição Evaristo. É que sobram, em compensação, beletristas em todos os rincões da Pátria, afogados em melosas (ou pra provocar: fanosas) sentimentalitoses. Prevalece daí uma ideia rebaixada do gênero.
Para não me estender muito, vou fazer alguns comentários sobre a composição de dois de meus últimos poeminhas, de caráter incidental, ou de ocasião (quem quiser pode chamar de oportunistas!), que veiculei numa lista do Whatsapp, com formas que tentei controlar do começo ao fim.
O primeiro poema:
Meteoros sobre a cidade natal -
Coriscos-presságios do destino-raiz
arreganham gretas desde o tempo-pelourinho -
(Cidadão, não! Engenheiro, doutor, capitão!)
Vampiros de vontades, sonhos, quimeras,
versando sanha e dor nos arredores -
Raras estrelas-fôlegos tombam
lavrando ouro sobre cruzes e tumbas -
Quem deporá os mármores
que afrontam a cidade fatal?
1) O mote foi a frase viral da cidadã carioca Nívea Valle del Maestro, que, acompanhada de Leonardo Santos Neves de Barros, reagiu à abordagem de um fiscal sanitário que trabalhava na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro na noite de 4 de julho, dizendo do marido: “Cidadão, não! Engenheiro civil, formado, melhor do que você”.
2) Explorei aqui a contradição entre “cidade natal” e “cidade fatal”, inspirado na referência de Jean-Pierre Lefebvre sobre a língua alemã, “idioma natal e fatal” do poeta romeno-judeu Paul Celan, traduzido por ele. (Choix de poèmes réunis par l’auteur, Éditions Gallimard, Paris, 1998, pág 7 e 8)
3) Os meteoros que passam sobre a cidade natal no primeiro verso remetem, obviamente, à estrela-guia que apontou para os reis magos o caminho até a cabana onde nasceu Jesus. A escolha de meteoros no lugar de estrela acrescenta um quê de catástrofe à cena.
4) As palavras compostas no texto – coriscos-presságios, destino-raiz, tempo-pelourinho e estrelas-fôlegos – são recursos de concisão. Mas, contraditoriamente, são abundantes, como no caso de “coriscos-presságios”, uma vez que os meteoros já deixam (co)riscos no céu. Da mesma maneira, “destino-raiz”, um jogo de palavras com um termo da moda, em oposição a “Nutella”, que ressalta o destino manifesto da classes dominantes do país fincado nos tempos do pelourinho, um instrumento de tortura da classe trabalhadora na época colonial.
5) A frase-mote entre parênteses corta a estrofe principal em dois, definindo os sujeitos que ainda sujigam o País, “vampiros de vontades”. É de notar o jogo das palavras com a letra vê – vampiros, vontades e versando; a oposição sonhos e sanhas; a continuidade dor e arredores, que chama a atenção para o fato de a periferia ser composta de dores.
6) Os dois versos finais da estrofe principal alerta para os limites dos opressores. Eles também morrem! Alguém poderia dizer que “estrelas-fôlegos” se referem ao PT. Que seja! Elas caem (tombam) sobre os desgraçados da Casa Grande, transformados em monumentos (tumbas) dourados.
7) Os dois últimos versos, destacados como num soneto inglês, podem ser lidos como uma conclamação à esperança e à reescritura da História, em óbvia referência ao iconoclasta movimento Black Lives Matter.
Será que eu poderia ser mais óbvio?
Passo a falar do segundo poema:
Prometia ser feliz o meu país
na época das três mulheres do sabonete Araxá.
Seriam as três Marias?
A mais nua era uma dourada borboleta.
Perfumam hoje o meu país
sabonetes mais de espinhos que de rosas,
com cheirinho de ética protestante
no espírito do capitalismo.
A gente estava sonhando...
Um cartaz amarelo, sem sinal das
três moças do sabonete Araxá, grita:
““Neste país é proibido sonhar.””
D’après Bandeira & Drummond
1) O motivo aqui foi a decisão do final de junho da ministra Rosa Weber, do Supremo, que negou liminar para que um jovem de 30 anos, preso pelo furto de dois xampus de R$ 10,00 cada, pudesse ser punido com pena alternativa.
2) Resolvi, então, me apropriar da Balada das Três Mulheres do Sabonete Araxá, poema de Manuel Bandeira de 1931, um dos marcos do modernismo literário brasileiro.
3) Como o próprio poeta contou, a inspiração para a peça surgiu quando ele viu numa rua de Teresópolis, Rio de Janeiro, um cartaz publicitário do sabonete Araxá com a imagem de três belas mulheres, agora objetos de seus sonhos. No final do poema ele ecoa a frase de Ricardo III, dizendo que daria o seu reino pelas três mulheres do sabonete Araxá. Mulheres-objeto? Sim, senhor, do começo ao fim da Balada!
4) Volto ao meu poema. Na primeira estrofe, eu me refiro à promessa de modernização do País sintetizada no cartaz do sabonete Araxá, que o tornaria mais feliz. Reescrevo dois versos da balada original, citando as três Marias e a mulher nua comparada a uma dourada borboleta. Não espalhem, mas esse último verso contém uma ironia que denuncia o fato de o País ter se modernizado, sim, na indústria, na técnica, na urbanização, na construção de Brasília, mas não nas práticas sociais. Qual seria a ironia? A expressão “dourada borboleta”, que o próprio Bandeira parece ter tirado do segundo verso do poema O Navio Negreiro de Castro Alves: “‘Stamos em pleno mar... Doudo no espaço / Brinca o luar — doirada borboleta”. Na primeira vez, há um jogo entre a lua e a borboleta. Na segunda, entre a moça nua e a borboleta. Desde 1868, quando Castro Alves publicou o poema, mudou pouco a lua e pouco mudaram também as relações sociais baseadas no escravismo colonial do Brasil, essa é que é uma verdade nua e crua!
5) A segunda estrofe, evidentemente, remete à decisão da ministra Rosa Weber, em contraste com a decisão do Superior Tribunal de Justiça abonando a prisão domiciliar daquele Queiroz. Os dois versos finais repetem quase igual o título do clássico do sociólogo alemão Max Weber (seriam primos distantes?), A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
6) A minha estrofe final, que sublinha a distância entre as promessas do modernismo e dura realidade de nossos dias, é um decalque da estrofe final do poema Sentimental de Carlos Drummond de Andrade: “Eu estava sonhando…/ E há em todas as consciências um cartaz amarelo:/ “Neste país é proibido sonhar.”
7) Posso mencionar alguns artifícios usados para facilitar a leitura do poeminha: são três estrofes de quatro linhas cada, com medidas irregulares, sem rimas; a palavra “país” comparece em todas as estrofes; o verbo “prometer” do primeiro verso da primeira estrofe contrasta com o verbo “perfumar” do primeiro verso da segunda estrofe, carregado, nesse caso, de ironia, pois se refere a sabonetes de espinhos e não de rosas; na terceira estrofe, aparece outra palavra com a letra pê, de “proibido”; em resumo: nunca cheirou bem a promessa do progresso da nossa bandeira (nada contra o Manuel), proibido para os pobres!
Penúltima nota: como os iogurtes, os poemas de ocasião têm data de validade. Daqui a dois anos é provável que ninguém os compreenda, pelo menos não em sua forma programática.
Aqui termino a minha Crônica & Aguda do domingo, pensado com o meu zíper: se juntasse uns 100 poeminhas desses que eu tenho debuxado assim-assado sem pudor, e os publicasse num livro, eu acabaria virando um poeta oficial. Daí, em vez de eu explicá-los, com tantos chutes e teorias estrambólicas, quem sabe alguém da academia fizesse isso pra gente, descobrindo coisas que eu jamais teria imaginado!
Criado em 2020-07-13 00:21:25
Claudio Silva (*) –
Recentemente o Governo do Distrito Federal iniciou um projeto, o Viva W3, de abertura parcial da Avenida W3 Sul, na área tombada de Brasília, para atividades de lazer. A medida foi regulamentada pelo Decreto nº 40.877, de 9 de junho de 2020, que determina o “fechamento da via W3 Sul para veículos aos domingos e feriados”.
A Avenida W3 Sul hoje é um dos principais eixos de circulação veicular na cidade que liga os extremos e entremeios dos “bairros” Asa Sul e Asa Norte e, entre elas, a área mais central do Plano Piloto de Lucio Costa, onde se localizam os setores comerciais e de diversão. No passado ela foi ponto de encontro da população, experimentando declínio dessa vocação com o passar dos anos.
Provocação - Quando evoco no título a expressão, que ao mesmo tempo é uma provocação, “morte e vida” faço em alusão proposital a duas referências de leitura que inspiram a pensar em cidades para as pessoas, desenhadas na escala humana. A primeira é de Jane Jacobs (1961, no original) intitulada Morte e Vida das Grandes Cidades onde a autora antecipa que “as ruas da cidade servem a vários fins além de comportar veículos”. A segunda é Vida e Morte das Rodovias Urbanas, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, na sigla em inglês). Seu objetivo é mostrar casos de cinco cidades diferentes que transformaram vias expressas em lugares de valorização da ambiência urbana e experiência humana.
Ao implicar o termo “abertura”, no primeiro parágrafo, me contraponho, e ao mesmo tempo faço um convite, à prática convencional de chamar esses casos de “fechamento”. Ainda inspirado nas publicações aludidas no parágrafo anterior e, principalmente, na abordagem de cidades para as pessoas fico me perguntando se a melhor mensagem seria “fechamento da via para veículos” ou “abertura da via para pessoas” a pé, de bicicleta, patins, skate, cadeiras de praia etc.
Pandemia - Não podemos esquecer de conectar os acontecimentos de abertura da W3 Sul e da pandemia Covid-19. Na minha mais recente visita, 21 de junho por volta de 12h, havia um número expressivo de pessoas em trechos da Avenida que não propriamente se aglomeravam, mas transitavam a pé e de bicicleta muito próximas umas das outras e frequentemente se deparavam com pessoas vindas na direção contrária. Sabe-se que os riscos de caminhar e pedalar nas cidades em proximidade com outras pessoas não podem ser menosprezados no que toca à transmissão do coronavírus.
Se por um lado o momento de implantação do Projeto pode parecer inadequado, uma vez que haveria riscos de saúde pública , ele pode ser beneficiado pela menor quantidade de veículos em circulação, o que gera, eventualmente, um menor número de pessoas incomodadas e potencialmente opositoras. Em todo caso, trata-se de um risco que deve ter sido calculado pelo atual governo, bem como de uma proposta ousada e fecunda.
Avaliações - Devem ser poucas as evidências e avaliações do Programa na W3 Sul, haja vista suas poucas duas semanas de implantação, quando foram promovidas três edições de abertura. Apesar disso é possível observar que de maneira geral há muitos aspectos que a W3 Sul factualmente não tem mostrado. Basta imaginar que deve ser muito diferente transitar por ela na velocidade de um carro e ônibus ou na velocidade dos pés.
São quatro os aspectos que gostaria de destacar na perspectiva de observador à velocidade dos pés: ambiência urbana, lugares potenciais, desenvolvimento econômico e revitalização progressiva.
Ao contrário do Eixão de Lazer, outra via que tradicionalmente é aberta para atividades de lazer no Distrito Federal, adjacente à W3 Sul se encontram residências e edificações comerciais e de serviços, daquelas que têm portas e vitrines que se abrem diretamente para as calçadas. A riqueza de formas, cores e texturas das fachadas sensibiliza e estimula o olhar e a imaginação. Além disso, por suas dimensões, a vegetação arborizada existente na Avenida promove maior sombreamento e amenidade. Ambas as características de diversidade, atratividade e conforto são determinantes para a ambiência urbana e, portanto, quanto melhor puderem ser percebidas mais ajudarão em qualquer tentativa de resgate da W3 Sul como lugar de encontro da população.
A ambiência urbana desfrutada em velocidade menos apressada revela a existência de lugares potenciais para desenvolvimento de atividades culturais de lazer e esporte.
Dinamização - As extensas áreas de estacionamento no canteiro central da Avenida, os becos de bancas de jornal e quiosques no lado comercial dela e as grandes praças de entrequadras em seu lado residencial são espaços convidativos à realização de feiras ao ar livre, apresentações artísticas, atividades assistidas de esporte e lazer e um sem número de manifestações espontâneas. Essa dotação de lugares “vazios” prontos para serem ocupados é um prato cheio para a atração de pessoas e dinamização da W3 como lugar simbólico e existencial.
A atração de pessoas e o desenvolvimento de novas atividades têm o potencial de influenciar positivamente no desenvolvimento econômico das atividades comerciais na localidade.
Tanto as lojas com fachadas voltadas para a W3 quanto aquelas menores votadas para a Via W2 Sul, imediatamente paralela, bem como as bancas e quiosques dos becos e das grandes praças, teriam suas atividades comerciais expostas a um público maior, que por sua vez demandará seus produtos e serviços. Se acontecer assim, o deflagrado processo de abandono das atividades comerciais na Avenida poderá ser lentamente revertido.
Como num círculo virtuoso, a ambiência urbana, a atração de pessoas e o desenvolvimento de novas atividades podem mover governo, setor privado e residentes para a Revitalização Progressiva das qualidades de infraestrutura da avenida e entorno imediato.
Tanto existe esse potencial que já existe a orientação de um projeto vencedor do Concurso de Revitalização da Via-W3, estão em marcha as obras de revitalização da infraestrutura e foi recentemente inaugurado em novo complexo criativo, num dos becos, por iniciativa do setor privado. Quanto maior for o número de iniciativas dessas naturezas, mais perto estará a retomada da Avenida como lugar dinâmico.
Valorização - A quase inevitável valorização imobiliária, diga-se, não pode se deixar apropriar com finalidades especulativas, com risco de exclusão de residentes de menor renda e atividades comerciais de menor porte e mais tradicionais. Ai cabe ao governo construir com a população a aplicação de instrumentos urbanísticos, financeiros e tributários do Estatuto da Cidade, Lei 10.257/2001.
São essas breves observações que me permitem sonhar, como arquiteto e urbanista que sou, com a W3 Sul renovada, convidativa e dinâmica à disposição para o desfrute da convivência e realização humana. Não é um desejo só meu.
______________
(*) Claudio Silva, doutor em Arquitetura e Urbanismo e filiado à Associação Andar a Pé.
Criado em 2020-06-26 14:48:06
Para valorizar a rica biodiversidade do segundo maior bioma brasileiro, onde Brasília está localizada, a Editora Mais Amigos, publicou o livro Aves, cores e flores do cerrado, do poeta Nicolas Behr. Lançamento este sábado, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.
Com textos do poeta e ecologista Nicolas Behr e ilustrações de Therese von Behr (na foto, abaixo, quando desenhava uma caliandra) mãe do autor, a obra apresenta 26 espécies vegetais nativas e aves típicas desse bioma que é considerado o berço das águas do Brasil.

O cerrado é um dos biomas mais ameaçados do planeta, com dezenas de espécies, da flora e da fauna, em risco de extinção. O livro Aves, Cores e Flores do Cerrado, que poderá ser utilizado em escolas do ensino fundamental, visa conscientizar a população sobre a necessidade de preservar este bioma, de importância estratégica para a sobrevivência do meio ambiente.
“Conciliar a produção de alimentos com a conservação dos recursos naturais é a solução para que as belas paisagens, com sua fauna e flora, não desapareçam”, afirma a editora em seu material de divulgação.
________________
Serviço:
Lançamento do livro: Aves, cores e flores do cerrado
Autor: Nicolas Behr
Ilustrações: Therese von Behr
Editora: Mais Amigos (Brasília-DF)
Formato: 21cmx26cm, 40 páginas, ilustrado, fino acabamento.
Preço: R$ 40
Data: 5 de junho, sábado - Dia Mundial do Meio Ambiente
Local: Viveiro Pau Brasília – Polo Verde, na Saída Norte de Brasília
Horário: Das 9h às 17h
(Horário estendido para evitar aglomeração - uso obrigatório de máscara, álcool em gel e distanciamento social”.
Criado em 2021-05-31 22:23:57
“É inaceitável um ministro que usa a morte de milhares de brasileiros para agir na ilegalidade”. Com essa frase, a ONG WWF-Brasil inicia uma nota oficial sobre o que disse o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na reunião do dia 22/4, divulgada hoje (22/5) por decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal.
Eis a íntegra da nota:
“O WWF-Brasil vem a público expressar sua indignação com a estratégia de destruição do arcabouço legal de proteção ao meio ambiente no Brasil evidenciada pela fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante reunião ministerial realizada no dia 22 de abril e divulgada na tarde desta sexta-feira, 22 de maio.
Não é surpresa que o ministro Ricardo Salles venha trabalhando, desde o início de seu mandato, para fragilizar as regras e as instituições criadas para defender nosso patrimônio ambiental. Não por acaso 2019 foi o ano com maior desmatamento na Amazônia em uma década, e os números deste ano mostram que vamos superar essa marca. É notória a paralisia administrativa em seu ministério e nos órgãos a ele associados. Apesar disso, choca constatar sua intenção de aproveitar a maior tragédia econômica e sanitária em muitas gerações, uma pandemia que já resultou em dezenas de milhares de vidas perdidas, para, em suas palavras, 'passar a boiada'.
A fala do ministro Ricardo Salles expõe sua consciência de que o que está propondo é ilegal, e que portanto se ressente da ameaça que a Justiça pode trazer às suas intenções. Expõe que age contra os interesses nacionais, na surdina, alheio à uma ampla discussão que abarque os anseios da sociedade.
O Brasil precisa de um ministro à altura da importância que o Meio Ambiente tem para o país. É imprescindível que as devidas providências legais sejam aplicadas”.
Criado em 2020-05-23 01:52:17