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Luís Nassif faz palestra sobre desigualdades e ascensão social no Brasil

Com o tema “Mobilidade Social e Empreendedorismo - O Estado, o Mercado e as Possibilidades de Superação das Desigualdades e de Ascensão Social na Sociedade Brasileira” o jornalista Luís Nassif participa do projeto Diálogos Contemporâneos dia 5 de junho (terça-feira), às 19h, no Museu Nacional da República, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

O Brasil tem um histórico de concentração de riqueza e exclusão, que cria barreiras para a ascensão social da população pobre, desde a baixa renda até o acesso restrito à educação e cultura. Muitas vezes, essas barreiras são criadas pelo próprio Estado, que dificulta as possibilidades dos menos favorecidos da população que tentam empreender e buscar um outro padrão de vida. Há solução para o abismo social no Brasil?

Luís Nassif, jornalista formado pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, é Diretor Superintendente da Agência Dinheiro Vivo, primeira empresa de informações eletrônicas do país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria.

Nassif publicou livros como "A casa da minha infância: crônicas", "Os cabeças-de-planilha: como o pensamento econômico da era FHC repetiu os equívocos de Rui Barbosa", "O jornalismo dos anos 90", entre outros.

O ÚLTIMO ENCONTRO

Diálogos Contemporâneos encerra suas atividades no dia 12 de junho lançando luzes sobre duas das condições humanas mais preocupantes do século XXI: a depressão e a solidão com a palestra “O Espaço do Amor e da Afetividade nas Grandes Cidades” pela antropóloga Mirian Goldemberger.

Criado em 2018-06-03 21:12:42

Exposição LGBT: O tempo de nossas vidas

Abertura no dia 6 de junho (quarta-feira), às 19h. na Casa da Cultura da América Latina, (Setor Comercial Sul Q. 4 Ed. Anápolis, Brasília). Com temática LGBT, a mostra faz uma reflexão sobre envelhecimento, ativismo político e violência, e estará aberta à visitação até o dia 17 de julho.

A exposição coletiva reúne 18 artistas de arte contemporânea, três deles de países da América Latina. Entre os artistas estão Gê Orthof (Prêmio Marcantônio Vilaça); Célio Braga; Bia Medeiros; Francisco Hurtz; Maria Eugênia Matricardi; Rafael Bqueer; Leci Augusto; e os estrangeiros Rocio Garcia e Alexander Lombaina, de Cuba; Nelson Morales, do México, e Fredman Barahona, da Nicarágua.

Os efeitos do tempo na vida de cada um – gays, lésbicas, bissexuais e transexuais –, é o recorte da curadoria, que procurou trabalhos artísticos que pudessem expressar esse momento em que a maturidade chega junto com novos enfrentamentos como a vulnerabilidade física, a solidão, problemas de saúde e o isolamento social.

“Os idosos, em geral, são invisibilizados pela sociedade que valoriza o vigor, a beleza jovial, e a energia física. Em se tratando de LGBTS, pouco sabemos sobre eles, mesmo reconhecendo que estão por aí. Os problemas são diversos, desde a baixa expectativa de vida de pessoas trans, de 35 anos, à falta de políticas sociais e de saúde para a comunidade LGBT. A geração de homossexuais que se assumiram na década de 1970, anos da liberação dos costumes, chegou à velhice. O que eles têm a dizer?”, questiona o curador Clauder Diniz.

A exposição se completa com o tempo dos jovens que mostram nas suas produções o ambiente das redes sociais e das provocações, do ativismo político e do combate ao ódio. Trata-se de nova geração de artistas que aposta em um outro mundo.

Entre as obras que serão expostas na Casa da Cultura da América Latina, está a instalação do artista Gê Orthof que fala do desejo, com imagens de nus masculinos, baralhos eróticos, e citações literárias; fotografias do artista mexicano, Nelson Morales (foto abaixo), com registros dos muxes, da etnia zapoteca, do sul do México -  indivíduos não-binários, que se relacionam sexualmente com homens e mulheres, considerados o terceiro gênero, culturalmente aceitos e respeitados pela comunidade; Bia Medeiros, lésbica, apresentará uma instalação com imagens fragmentadas do seu corpo; Célio Braga trabalha com desenhos minimalistas feitos com pequenas perfurações manuais no papel, são três séries, em uma delas apresenta datas que se referem ao vencimento de remédios ou da própria vida, em outra são desenhos feitos sobre bulas de remédios usados no tratamento de AIDS; e o artista Francisco Hurtz terá 3 séries de desenhos e pinturas em que fala de machismos, comportamentos heteronormativos e homofobia.


A exposição faz parte do XV Seminário LGBT do Congresso Nacional, que neste ano tem como tema principal o envelhecimento e morte na perspectiva da comunidade LGBT. O evento está programado para o dia 06 de junho, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Esta é a terceira exposição com temática LGBT organizada pelo curador Clauder Diniz.

Lista de artistas:
1. Alexander Lombaina ( Cuba)
2. Bia Medeiros
3. Caio Jinkings
4. Célio Braga
5. Diego Bernardino
6. Eduardo Fenato
7. Francisco Hurtz
8. Fredman Barahona ( Nicarágua)
9. Gê Orthof
10. Gê Viana
11. Leci Augusto
12. Márcio Mota
13. Maria Eugênia Matricardi
14. Nelson Morales ( México)
15. Pamela Soares
16. Rafael Bqueer
17. Ricardo Gauthama
18. Rocio Garcia (Cuba)

Serviço:
Abertura: 6 junho de 2018 – 19 h
Visitação: 7 de junho a 17 de julho de 2018
Endereço: Casa da Cultura da América Latina  - CAL - (Setor Comercial Sul Q. 4 Ed. Anápolis - Asa Sul, Brasília – DF).
Horário: De segunda a sexta, das 9h às 20h; sábados, das 9h às 17h.
Entrada gratuita.

Criado em 2018-05-29 02:07:03

"Paisagem concretista", livro de Roberto Bassul

Premiado fotógrafo brasiliense fará lançamento de seu livro "Paisagem Concretista" no dia 6 de junho, quarta-feira, às 19h, no restaurante Carpe Diem (104 Sul). Fotos de Bassul podem ser vistas na Exposição “Rasurar Arquiteturas”, na Galeria Referência (202 Norte).

Sobre este livro (Paisagem Concretista), o próprio arquiteto e fotógrafo Roberto Bassul escreve como surgiu a ideia de publicá-lo:

“Numa manhã de junho de 2015, ainda voltando à fotografia que havia abandonado por muitos anos, queria fazer imagens de Brasília que evitassem a já cansada iconografia dos monumentos. Interessado nas formas geométricas, lembrei-me de Marcel Gautherot, o franco-brasileiro cujo talento ajudou a perpetuar a genialidade de Oscar Niemeyer. Gautherot havia fotografado não apenas os edifícios monumentais, mas também os singelos blocos residenciais projetados por Niemeyer.

Na expectativa de reler as imagens do mestre, segui animado para a SQS 108, primeira superquadra de Brasília. Foi uma decepção. Logo percebi que a Brasília do Gautherot não existia mais. Nos anos 1960 ainda não haviam crescido as árvores que hoje embelezam a cidade.

Como encontrar a geometria perdida naquilo que a natureza havia tomado? Olhei então para o alto, na tentativa de afastar as árvores do enquadramento. A decepção virou surpresa. Percebi de repente que as superquadras eram uma espécie de “labirinto” do neoconcretista Hélio Oiticica. A disposição ortogonal dos edifícios, as aparições e desaparecimentos dos vazios, os caminhos angulados, várias circunstâncias sugeriam a comparação. Ao buscar Gautherot, encontrei Oiticica!

Desde então procuro, entre os edifícios comuns da cidade, fotografias que evocam a estética concretista. Dos “labirintos” iniciais passaram a surgir, desenhadas pela luz, imagens cada vez mais planas e abstratas.

Este livro é o registro desse percurso”.

Exposição

Além deste livro, está aberta à visitação a exposição "Rasurar arquiteturas". São fotografias de Roberto Bassul, com curadoria de Graça Ramos, à disposição na Galeria Referência (CLN 202 bloco B, subssolo), de 2a. a 6a., de 12h às 19h; e sábados, de 10h às 15h.

Criado em 2018-05-29 01:57:33

Fórum de Cultura repudia censura de distritais ao “Auto da Camisinha”

Assim que nove deputados distritais aprovaram uma Moção de Repúdio à peça de teatro “O Auto da Camisinha”, do Grupo Cia. Hierofante, por supostamente disseminar imagens libidinosas, o Fórum de Cultura do DF divulgou nota de repúdio ao repúdio da Câmara Legislativa do DF.

O movimento cultural explica que o espetáculo teatral, além de educativo e de utilidade pública, pois ensina como evitar doenças transmissíveis sexualmente, está em cartaz há 19 anos, com 642 apresentações, atingindo um público estimado em 130 mil pessoas em vários Estados brasileiros e em quatro países. O Grupo Hierofante já recebeu financiamento do Ministério da Saúde/Unicef, Unesco e Secretaria de Saúde do DF.

O Fórum de Cultura do DF vem a público esclarecer que o espetáculo é voltado para a educação sexual, principalmente de adolescentes expostos a doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce. O trabalho tem reconhecimento do público e das mais importantes instituições dedicadas à saúde e à criança no Brasil.

Depois de 19 anos de trabalho cultural e educativo em setores vulneráveis, o espetáculo foi acusado de ser justamente o contrário do que é. O Fórum afirma em sua nota que “filmaram um trecho isolado da cena que ensina a usar o preservativo e consideraram que o pênis é pornográfico. Mas ele só é maior que o natural porque a colocação da camisinha precisa ser visível à distância. Essa filmagem foi postada em redes sociais com acusações até de pedofilia contra o grupo teatral. A diretora e professoras da escola também foram acusadas e aviltadas profissionalmente”.

Alguns deputados distritais à busca de visibilidade usaram a polêmica para atrair os holofotes da mídia e reproduziram as acusações e insinuações das redes sociais. Não quiseram sequer ver o espetáculo antes de julgá-lo, nem deram atenção às explicações que lhes foram oferecidas sobre o grande trabalho teatral e social já realizado por aquele grupo.

No dia 14 de maio, o Fórum de Cultura do DF passou uma mensagem ao presidente da CPI da Pedofilia, deputado Rodrigo Delmasso, com os seguintes esclarecimentos:

“Boa Noite Deputado!

...A peça "O Auto da Camisinha" trata de educação sexual de forma lúdica e responsável, tem mais de 640 apresentações, inclusive algumas internacionais. ...chegou a nós que o senhor vai apresentar amanhã um requerimento para chamá-los à CPI da pedofilia.

Consideramos que isso seria uma exposição abusiva e absurda de profissionais da cultura. atores . atrizes, técnicos, alguns deles professores com mais de 20 anos de atuação, todos fundamentais para o teatro brasiliense, colocados em uma situação constrangedora por pessoas desinformadas que não se preocuparam sequer em assistir ao espetáculo ou ouvir a companhia. Um retrocesso inaceitável para a cultura do DF! O senhor não prefere conversar antes?

No aguardo! Um abraço!”

Resposta

O deputado respondeu ao Fórum dizendo que compreendia a situação, mas que teria que discutir com outras pessoas. No dia 17 de maio, ele mesmo despachou a Convocação nº 007 de 2018 (anexa), contra o diretor da Cia Hierofante, para comparecer à CPI da Pedofilia no dia 24 de maio, a fim de “prestar esclarecimentos”.

O grande reconhecimento de que goza o grupo e o próprio espetáculo mostra que ele é justamente o contrário do que acusam as pessoas desavisadas. Esse reconhecimento levou a vários pronunciamentos de pessoas do meio cultural, do sindicato dos professores e inclusive de deputados distritais em defesa da educação sexual responsável, do grupo teatral e das professoras da escola.

A Cia Hierofante entregou à CLDF os documentos que comprovam a importância de seu trabalho e protocolou também um pedido para apresentar lá o espetáculo. A imprensa também seria convidada a fim de que todos pudessem fazer seu julgamento somente depois de conhecê-lo. Mas a apresentação não foi autorizada. E, dois dias antes da data que a própria CPI marcou para os “esclarecimentos”, a CLDF, sem ouvir o grupo, votou uma moção de repúdio à montagem de “O auto da camisinha”.

A moção passou por um voto de diferença: 9 favoráveis, 8 contra e 7 abstenções.

Repudiaram o espetáculo:
Bispo Renato, Cristiano Araújo, Rodrigo Delmasso, Júlio César, Rafael Prudente, Raimundo Ribeiro, Sandra Faraj, Telma e Wellington Luiz.

Defenderam o espetáculo:
Chico vigilante, Cláudio Abrantes, Joe Valle, Juarezão, Professor Israel, Reginaldo Veras, Ricardo Valle e Wasny de Roure.

Ausentaram-se:
Agaciel Maia, Celina Leão, Chico leite, Liliane Roriz, Luzia de Paula, Lira e Robério Negreiros.

Criado em 2018-05-29 01:43:31

Diálogos Contemporâneos: sociedade de consumo e a tragédia ambiental

Amanhã, terça (29/5), 19h, no Museu Nacional da República, Esplanada dos Ministérios, debate com Ignácio de Loyola Brandão. Entrada franca.

O escritor apresentará o tema “A cultura do descarte, a sociedade de consumo e a tragédia do meio ambiente”. Um dos maiores dilemas da sociedade contemporânea está na grave crise ambiental que o mundo já está vivendo. Já não se sabe o que fazer com a quantidade e os tipos de lixos produzidos, lixo que está sendo devolvido pela natureza aos mesmos que o produzem, comprometendo a vida humana especialmente nas cidades.

Começa a faltar água, mineral que poderá ser em breve a mais cara das comodities. Diante disso, grandes conglomerados privados buscam meios de se apoderar das principais reservas, como o brasileiro Aquífero Guarani.

Os hábitos da sociedade, onde o estímulo ao consumismo desenfreado determina que tudo é descartável, apresenta desafios jamais vistos para a vida humana no planeta.

O escritor Ignácio de Loyola Brandão (Araraquara, 31 de julho de 1936) é atualmente cronista do jornal O Estado de S. Paulo. Possui vasta produção, parte dela traduzida para diversas línguas. Entre seus livros mais famosos estão "Não Verás País Nenhum", "O Verde Violentou o Muro",  "Zero" e "Manifesto Verde". É ganhador do Prêmio Jabuti 2008 pelo livro “O Menino que Vendia Palavras”.

O QUE VEM POR AÍ

As dificuldades de ascensão social serão discutidas na palestra “Mobilidade social e empreendedorismo - o estado, o mercado e as possibilidades de superação das desigualdades e de ascensão social na sociedade brasileira”, proferida pelo jornalista Luís Nassif no dia 5 de junho.

 Diálogos Contemporâneos encerra suas atividades no dia 12 de junho lançando luzes sobre duas das condições humanas mais preocupantes do século XXI: a depressão e a solidão com a palestra “O Espaço do Amor e da Afetividade nas Grandes Cidades” pela antropóloga Mirian Goldemberger.

Criado em 2018-05-28 22:21:27

5º Concerto do Ciclo Tchaikovsky

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro apresenta amanhã (29/5), às 20h, no Cine Brasília (106 Sul), a “Sinfonia nº 4, Op. 36” e “Francesa da Rimini - Op 32”. Esse é o 5º concerto que lembra os 125 anos de morte do compositor russo Pyotr Ilitch Tchaikovsky.

Tchaikovsky (1840-1893) nasceu em Votkinsk, na Rússia, no dia 7 de maio de 1840. Filho de Ilia Petrovitch, engenheiro, e de Alexandra d'Assier, de origem francesa. Com cinco anos já dedilhava o piano e aos sete já compunha. Em 1850, a família mudou-se para São Petersburgo onde o jovem se encantou com o teatro e os concertos. Nesse mesmo ano, ingressa no curso de Direito. Em 1854, perde sua mãe, contaminada pela cólera.

Em 1859 entrou para o Ministério da Justiça, como escriturário, mas o trabalho o deixava irritado. Pouco tempo mais tarde pede demissão e ingressa no Conservatório de São Petersburgo. Sonhava em ser compositor. Entra em contato com as escolas musicais de Berlim e Viena.

Compõe a sinfonia "Sonho de Inverno", a abertura sinfônica "A Tempestade" e danças para a ópera "Voievoda". Conclui seus estudos no conservatório, com a cantata para solo, coro e orquestra "Ode ao Júbilo". Em 1866, é nomeado professor de Composição no Conservatório de Moscou. Em 1869 inicia a composição de "Romeu e Julieta".

Em 1871, compõe o "Quarteto em Ré Maior" e conquista o público. Dedica-se ao trabalho de criação. Em 1873, escreve a música de cena para a peça Strovsky e sua terceira ópera, "Oprischnik". O êxito dessa obra vem junto com o sucesso da "Segunda Sinfonia". Em 1874 executa o "Concerto nº 1", que o popularizou definitivamente.

Tchaikovsky apresenta, em 1875, sua "Terceira Sinfonia", a "Polonesca" e a pedido do Teatro de Moscou compõe "O Lago dos Cisnes". Em 1877, casa-se com Antonina Milyukova, mas a união só dura 15 dias. Entre 1877 e 1879, compõe "A Quarta Sinfonia", as óperas "Eugene Onegin" e "Joana D'Arc" também chamada "Donzela D'Orléans".

Em 1890, compõe a "Dama de Espada" e em 1891, sua última ópera "A Filha do Rei René", o balé "A Bela Adormecida" e "Quebra-nozes" e a "Quinta Sinfonia". Em 1893, a Academia Musical de Paris lhe entrega o diploma de membro correspondente e a Universidade de Cambridge, o título de doutor honoris causa. Nesse mesmo ano, já dava mostras de extremo cansaço, e instalado na casa de campo em Klin, compõe sua última sinfonia, "Patética".

Pyotr Ilitch Tchaikovsky morre no dia 6 de novembro de 1893, de cólera, em São Petersburgo.

SOBRE AS OBRAS:

Francesca da Rimini, Op. 32

Francesca, filha de Guido da Polenta, Senhor de Ravena, nasceu por volta de 1260. Partidário do Papa, Guido precisou se aliar a Malatesta da Verucchio, Senhor de Rimini, para expulsar os partidários do Sacro Império Romano-Germânico. Para selar a aliança entre as duas famílias, Guido deu sua jovem e bela filha de 15 anos em casamento ao filho mais velho de Malatesta, Giovanni, homem rude e feio. A lenda conta que os Malatesta, imaginando que Francesca poderia recusar o casamento, enviaram o irmão mais jovem de Giovanni, Paolo, o Belo, para realizar o enlace por procuração. Francesca teria visto Paolo pela janela e imaginara que seria seu esposo. Ao acordar em Rimini, foi surpreendida com a presença de Giovanni ao seu lado. O casal teve uma filha e um filho: Concordia e Francesco.

Isso é tudo que sabemos de Francesca pelos documentos históricos. A continuação da história devemos a um contemporâneo seu, Dante Alighieri, que a encontra, juntamente com Paolo, no inferno (A Divina Comédia, Inferno, Canto 5). No segundo círculo do inferno, onde se encontram os que viveram uma vida de luxúria, uma tempestade de vento atormenta a todos, fazendo-os rodopiar no ar, sem descanso.

Dante percebe que duas almas giram constantemente abraçadas e pergunta a Virgílio como fazer para conversar com elas. Virgílio lhe diz que espere passar perto mais uma vez e lhes dirija a palavra com amor. As duas almas param de girar e se aproximam. Francesca vem contar sua história. Diz que não há dor maior que recordar-se do tempo feliz, quando se está na miséria.

Mas, como o poeta deseja sinceramente saber de sua história, ela conta que ambos se apaixonaram enquanto liam as histórias de Lancelot. Um belo dia, começaram a se observar.

Dos olhares vieram os sorrisos e dos sorrisos, o primeiro beijo: “desse dia em diante não lemos mais”. Um dia, seu marido os surpreendeu e os matou violentamente. Francesca e Paolo continuaram juntos no inferno e, enquanto Francesca contava sua história, Paolo chorava copiosamente, ao ponto de Dante sentir tanta piedade de ambos que tombou como tomba um corpo morto.

Em agosto de 1876, Tchaikovsky, que já havia desejado transformar a história em uma ópera, escreve de Paris ao irmão, dizendo que desejava “escrever um poema sinfônico sobre a Francesca”.

No início de outubro, de volta a Moscou, ele pôde, finalmente, se dedicar à obra. Em cinco semanas esta obra monumental de aproximadamente 25 minutos estava pronta. Sua estreia se deu em 9 de março de 1877, em Moscou, pela Sociedade Musical Russa, sob a regência de Nikolai Rubinstein.

Escrita em um único movimento, a peça inicia-se com a representação da descida de Dante ao inferno (Andante lugubre). Desta seção somos conduzidos à seção seguinte (Allegro vivo) que representa o momento em que Dante testemunha o fenômeno da tempestade de vento que faz as almas girarem.

Francesca e Paolo param de girar e ela conta sua história (Andante cantabile non troppo). A seção dedicada a Francesca e suas memórias inicia-se com um belo solo de clarineta e apresenta algumas das mais belas melodias de Tchaikovsky. A tempestade de vento retorna (Allegro vivo), levando embora as duas almas, e a obra chega ao fim, de maneira forte e comovente.

Sinfonia no. 4, Op. 36

A composição da Sinfonia nº 4 está intimamente ligada ao aparecimento de uma mulher que mudaria para sempre a vida de Tchaikovsky: Nadezhda Filaretovna von Meck. Viúva de um engenheiro que fizera fortuna construindo estradas de ferro na Rússia, Mme. von Meck era uma musicista amadora, excelente administradora e rica o bastante para manter, constantemente, um grupo de músicos à sua disposição.

Em dezembro de 1876 ela fizera a encomenda de uma peça para violino e piano, que Tchaikovsky prontamente executou. Em fevereiro de 1877 Tchaikovsky recebia uma segunda carta de Mme. von Meck, agradecendo-lhe pela composição e dizendo-lhe o quanto o amava: “Gostaria muito de contar-lhe toda a extensão de meus pensamentos e sonhos a seu respeito”. Tchaikovsky respondeu no dia seguinte: “Por que hesita em contar-me seus pensamentos? Asseguro-lhe que ficaria muito interessado e agradecido, já que sinto profunda simpatia pela senhora. Estas não são palavras vãs. Talvez eu a conheça melhor do que imagina”.

Mme. von Meck respondeu-lhe dizendo de seu amor pelo compositor, amor platônico, mas que beirava à obsessão. Nascia ali um dos casos mais duradouros de mecenato da história da música. Nos treze anos seguintes, Mme. von Meck depositou, mensalmente, 500 rublos na conta de Tchaikovsky, soma considerável, destinada a liberar o compositor da necessidade de dar aulas para sobreviver e a permitir-lhe dedicar-se, inteiramente, às viagens e à composição. Os dois trocaram mais de mil cartas nesse período e a única imposição de Mme. von Meck era de que nunca se encontrassem pessoalmente.

Os primeiros esboços da Sinfonia nº 4 datam dessa época: fevereiro de 1877. Embora já tivesse iniciado sua composição quando recebeu a emblemática carta de Mme. von Meck, Tchaikovsky logo passaria a chamar sua nova obra, em algumas cartas, de “nossa sinfonia” ou “sua sinfonia” (em 26 de setembro de 1879, Mme. von Meck escrevia ao compositor: “considero que esta sinfonia é só minha”.). Vasculhando a correspondência de Tchaikovsky descobrimos que, em 15 de maio, os três primeiros movimentos já estavam rascunhados e, em 8 de junho, o Finale estava pronto: “até o fim do verão terminarei a orquestração”. Mas a sinfonia só começaria a ser orquestrada, de fato, no fim de agosto: “nossa sinfonia está progredindo pouco” (24 de agosto). Nesse meio tempo, além de ocupado com a composição da ópera Eugene Oneguin, Tchaikovsky embarcara em um casamento desastrado com sua antiga aluna Antonina Miliukova. No início de outubro a orquestração do primeiro movimento estava quase pronta quando Tchaikovsky viajou para o balneário suíço de Clarens, a fim de recuperar-se do colapso nervoso causado pelo fim do casamento que durara apenas seis semanas. A orquestração dos três primeiros movimentos foi concluída em Veneza. Em 7 de janeiro de 1878, em San Remo, Tchaikovsky completava sua amada Quarta Sinfonia.

Considerada pelo compositor como uma de suas melhores obras, a Sinfonia nº 4 foi dedicada a Mme. von Meck. A estreia se deu em Moscou, em fevereiro de 1878, pela Sociedade Musical Russa, sob a regência de Nikolai Rubinstein. Tchaikovsky estava em Florença e recebeu notícias contraditórias sobre a estreia. Seu amigo Sergei Taneyev foi o único a contar-lhe a verdade: músicos e público tiveram dificuldade em compreender uma obra que ia muito além das fronteiras tradicionais. Só após a estreia em São Petersburgo, nove meses depois, a Sinfonia nº 4 começaria a conquistar seu lugar no repertório sinfônico.

O primeiro movimento dura, aproximadamente, metade da obra. Inicia-se com uma introdução forte nas trompas e fagotes, seguidos dos trombones, tuba, trompetes e madeiras. O primeiro tema é apresentado nas cordas (Moderato con anima), em movimento de valsa. O segundo, apresentado nas madeiras, é introduzido pelo clarinete. O movimento se desenvolve com inúmeras repetições dos dois temas principais e do tema da introdução, e termina com uma coda majestosa.

O segundo movimento é uma triste canção russa com dois temas: o primeiro, mais melancólico, é executado pelo oboé e prontamente repetido pelos violoncelos; o segundo, mais esperançoso, é apresentado nos violinos.

O Scherzo é extremamente leve e gracioso. A primeira seção destina-se às cordas, que tocam em pizzicato durante todo o movimento. A seção central contém um momento destinado às madeiras e outro aos metais. O movimento termina calmamente com o pizzicato das cordas.

Tchaikovsky compôs um Finale grandioso para a Quarta Sinfonia. O primeiro tema dá o caráter do andamento. O segundo, executado primeiramente pelo oboé e fagote, apresenta um pouco de calma no tumulto orquestral, mas não por muito tempo: o caráter agitado do primeiro tema logo contagia o segundo. À medida que caminhamos para o fim ouvimos, novamente, o tema da introdução do primeiro movimento. Uma grande coda fecha a sinfonia, à moda dos desfechos imponentes de Tchaikovsky.

SERVIÇO:
Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro
Temporada 2018
QUINTA CONCERTO CICLO TCHAIKOVSKY – 125 ANOS DE MORTE
29 de maio, terça-feira
Cine Brasília (106/107 sul)
20h
Entrada franca por ordem de chegada

Criado em 2018-05-28 22:19:51

Ribondi e seu luminoso hino de amor em plena escuridão dos tempos

Angélica Torres -

Chegar de noite na Casa dos 4 pensando macambúzio no desacerto que anda o mundo porque o amor não está no ar, porque não é ao amor o poema da hora, e dar de cara com um espetáculo de teatro relicário, uma ode em gratidão a todos os amores, só pode ser bênção de santo e de mãe de santo juntos.

Alexandre Ribondi, no auge do lirismo em seu palco irreverente, inteligente, provocativo, vive A Mimosa, personagem enternecedora que conjuga poesia e humor, em diálogo com um repertório de clássicos, standards e novos, rendilhados pela excelência do pianista e compositor português João Lucas.

Tudo nesse novo espetáculo a 4 mãos e dois corpos transpira teatro autêntico, de lastro na arte e de resistência, de sobrevivência.

Performances, figurinos, cenário, luz, delicadamente plásticos; o pianista com andamento/ timing/pausas sensivelmente afinados com o texto; Mimosa compartilhando suas histórias de amor e concluindo que todos os seus homens foram bons, ao som de Debussy (Clair de Lune), magistralmente interpretado.

Desde a sala de bolso no subsolo aos detalhes da antessala e recepção, a Casa dos 4, atipicamente plantada num reduto de oficinas de automóveis em plena 708 Norte, é um oásis cultural que o Plano Piloto de Brasília ganhou do dramaturgo, ator, diretor, professor de teatro e jornalista Alexandre Ribondi.

Espirituoso, carismático, solar, com suas produções baratas de inúmeras peças escritas em mais de 40 anos e as inúmeras e versáteis faces, expressões, interpretações de personagens, Ribondi evoca um misto de Zé Celso e Woody Allen da cena brasiliense.

Quem tem juízo e bom gosto, corra, se não quer perder a chance de ver essa prazerosa montagem. Hoje é o dia da última apresentação desta temporada.

_____________________

Serviço:

A MIMOSA – Na Casa dos 4 (708N, F, loja 42, Rua das Oficinas, telefones: 98425-6885  e 3263-2167). Hoje, 20 de maio, às 20h. Ingressos a R$ 20 meia e R$ 40 inteira.

Criado em 2018-05-20 16:23:53

Novo documentário de Maria Maia traz Lula nas Caravanas de 1993

Angélica Torres -

“3 refeições”, o novo documentário da cineasta e poeta Maria Maia, é um registro das Caravanas da Cidadania de Lula pelo Nordeste, em 1993, quando, então, ao se lançar candidato à campanha presidencial, ele refez, de 19 de abril a 11 de maio, o trajeto da viagem de mudança de Garanhuns (PE) para São Paulo, com a mãe e os irmãos ainda crianças.

O filme se desdobra numa 2ª parte, documentando sua chegada ao poder, em 2002, quando seu governo dá início aos programas fundamentais de combate à fome e ao total abandono da população mais pobre do país – temas centrais de seu discurso, desde que despontou como forte liderança no cenário político dos anos 1970.

“3 Refeições” foi apresentado a um público de convidados no Cine Cultura Liberty, em Brasília, em data comemorativa historicamente certa e em momento atual mais que oportuno: 10 de maio – dia em que o STF mais uma vez negava a liberdade a Lula preso em Curitiba e mesmo dia, também, em que a grande mídia veiculava a notícia dos assassinatos de 104 combatentes da ditadura militar, ordenados pelos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, em 1974.

Ainda no dia anterior, 9 de maio, o Cine Brasília havia estreado o premiado filme de Maria Augusta Ramos, “O Processo”, sobre o golpe que depôs Dilma Rousseff, em 2016.

Maria Maia teve, portanto, sensibilidade e sorte com a escolha do dia da pré-estreia de seu heroico trabalho; heroico porque realizado com orçamento modesto e dificuldades técnicas, no entanto, historicamente rico a análises, percepções, sensações. Foi impossível para qualquer espectador deixar o cinema sem algum profundo incômodo sentimento em relação a tudo o que se testemunha e vive no país dos últimos 50 anos para cá, sobretudo em relação a Lula.

Sua personagem – jovem e séria, franca e forte, carismática e bonita – é o que salta aos olhos de mais intenso no longo documentário, falando ao e com o povo pobre, faminto, e desde então já apaixonado por ele, das 54 cidades visitadas pelas Caravanas. Não menos tocante, entretanto, é constatar em seu discurso de posse da Presidência, nove anos depois, a coerência do compromisso político assumido com o povo, bem como o efeito da mudança que operou no Brasil com os programas realizados, sobretudo os dois enfocados pela cineasta, o Fome Zero e o Minha Casa Minha Vida.

Maria Maia evidencia ainda a importância que teve Antônio Conselheiro no imaginário de Lula, tramando com pertinência os dois emblemáticos líderes nordestinos, no enredo. Num dos comícios feito ao público de Nova Canudos, primeira cidade visitada pelas Caravanas, ele diz: “Eu fico lembrando um livro que li sobre Antonio Conselheiro e me perguntando, qual o crime que ele cometeu pra sofrer a perseguição que sofreu? O crime, o grande crime de Antonio Conselheiro foi tentar criar uma sociedade mais justa que aquela que existia na época”.

O cineasta Luiz Carlos Barreto, um dos depoentes do documentário, declarou: “Lula é um profeta social”. Zuenir Ventura, que também integrou as Caravanas, então, como jornalista do JB, se disse emocionado com o privilégio de poder participar da viagem e trilhar os caminhos daquela região de enorme importância histórica e cultural para o Brasil, onde Glauber Rocha, inclusive, filmou seu célebre segundo longa-metragem, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.

O cineasta Vladimir Carvalho (foto acima), presente na noite de estreia do novo documentário de Maria Maia, ao elogiar o trabalho da cineasta, disse: "Essa é a Glauber Rocha de saia". A diretora gostou da comparação: "Licença poética que me fez subir aos céus sem precisar morrer".

Diretora de inúmeros documentários, entre eles, os excelentes “Lévi-Strauss: Saudades do Brasil” e “Drummond, Poeta do Vasto Mundo”, Maria Maia disse ainda que o sucesso de “3 Refeições” no Cine Cultura Liberty, “graças à generosidade dos donos, Nilson Ribeiro e Vera Corraleiro, prenuncia um lindo caminho para o filme: quero vê-lo passando, de graça, em praças, igrejas, escolas, sindicatos, associações, sedes de partidos de esquerda e de movimentos sociais e em mostras e festivais. Vamos inventar uma nova maneira de distribuir filmes, livre e gratuitamente”, promete.

Criado em 2018-05-13 05:10:59

Mãe, minha querida mamãe

Carlos Drummond de Andrade -

Por que Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
É tempo sem hora,
Luz que não apaga
Quando sopra o vento e chuva desaba,
Veludo escondido
Na pele enrugada,
Puro pensamento.

Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
É eternidade.
Por que Deus se lembra – mistério profundo – de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora,
Será pequenino feito grão de milho.

Criado em 2018-05-12 22:32:02

As peripécias de Ribondi em "A Mimosa"

Peça escrita por Alexandre Ribondi, estreia amanhã (sábado, 5, 20h), e fica em cartaz até o dia 20 de maio. Na Casa dos 4 - 708 Norte, Bloco F - Loja 42 - Rua das Oficinas. Ingressos à venda no https://www.sympla.com.br/a-mimosa__282785

Depois de vários anos fazendo planos e arrumando os sonhos, o diretor, ator, autor e jornalista Alexandre Ribondi e o músico, compositor e pesquisador português João Lucas, finalmente se reuniram para a criação do espetáculo "A Mimosa".

O espetáculo fala, com humor e com saudade, das peripécias por que pode passar um homem em sua busca incessante por amores, casamentos e… sexo casual. Fala também, com admiração, da eterna luta dos travestis em busca de respeito e da coragem e ousadia das chamadas “bichas loucas”.

A obra pode - e deve - ser definida como uma peça lírica, com boas pitadas de humor. Conta a história dos encontros e desencontros de um homem com seus amores masculinos, desde os primeiros sonhos, ainda criança, passando pela adolescência, entrando na idade adulta e indo até a idade madura. Essas histórias envolvem alguns brasileiros, um português, um peruano, um alemão e um belga e são todas recheadas de reflexões e lembranças.

O texto faz denúncias e resgata a auto-estima. Exemplo disso é o que diz o personagem, em determinado momento: “Todo gay aprende que a sua aparente derrota, denunciada pela hipocrisia da moral, é a vitória do seu desejo”.

 

FICHA TÉCNICA:

Texto e direção de cena: Alexandre Ribondi

Direção musical: João Lucas

Elenco: Alexandre Ribondi e João Lucas

Preparação vocal: Jairo Faria

Concepção de luz: Marcelo Augusto Santana

Operação de luz: Larissa Souza

Assessoria de cenário e figurino: Andrea Valente

Designer gráfico: Rafael Salmona

Fotos de divulgação: Michael Melo

Produção: Desvio Produções Culturais

 

SERVIÇO:

Espetáculo "A Mimosa”

Local: Casa dos 4 (Quadra 708 Norte, Bloco F Loja 42 - Rua das Oficinas)

Data e hora: 5 a 20 de maio de 2018 (sempre às 20h)

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

Ingressos à venda no https://www.sympla.com.br/a-mimosa__282785

Informações pelos telefones: 98425-6885/3263-2167

Classificação 14 anos

Criado em 2018-05-04 15:48:15

Wim Wenders e seu mergulho abissal em "Submersão"

Angélica Torres -

Em Submersão, seu último filme, Wim Wenders mergulha nas profundezas do Oceano Atlântico e de celas africanas subterrâneas, onde a luz não penetra, estabelecendo uma imagem metafórica do inconsciente e do subconsciente em relação a um de seus temas favoritos – o sentimento amoroso, e neste caso, entre um casal que se apaixona à primeira vista, sem que o destino pareça dar chances de se aprofundarem no romance, como desejariam.

Desprestigiado nos últimos tempos, sobretudo após o voo altíssimo alcançado em Asas do Desejo, Wenders obtém, apesar dos jovens críticos de cinema, movimento oposto, mas tão admirável quanto outros grandes arrebatamentos de sua carreira, ao realizar uma abissal imersão na dor dos desencontros.

O filme resulta assim numa invertida ode ao amor em tempos medonhos de guerras, porém em tempos também perigosamente ousados, na busca de soluções de C&T para um mundo melhor.

Alicia Vikander (de A garota dinamarquesa) interpreta Danny Flanders, uma cientista biomatemática, pesquisadora de vida vegetal na mais profunda camada do mar, enquanto James McAvoy (de Ex-Man) é James More, agente secreto escocês que se dispõe a uma missão de combate a jihadistas, na Somália, a fim de reportar ações da Al Qaeda, na região, à MI6 (Inteligência Militar, Seção 6, do Reino Unido).

Baseado no romance homônimo do britânico J. M. Ledgard, Submersão equilibra-se assim entre jogos de antíteses, ou contrastes evidentes na convivência a um só tempo, entre o futuro e o arcaico espelhados na ciência e na religião fundamentalista; entre a busca da consciência responsável e o imperativo inconsciente coletivo que rege o planeta, assentado em guerras, conflitos, torturas, matanças; entre o compartilhamento e a fruição da linguagem científica, intelectual, poética, filosófica e a total impossibilidade de comunicação e entendimento no choque entre realidades culturais desiguais; e entre a mulher representando o esforço rumo ao novo mundo e o homem ainda sustentando o fardo bestial da humanidade.

A partir dessas referências, pode-se supor por onde vai se enveredar a trama do filme e o desvio da rota imposto a um grande amor, nascido e cultivado a alto custo, entre belíssimas paisagens filmadas na Alemanha, Espanha e França (região da Normandia), nas Ilhas Féroe (território da Dinamarca, entre a Escócia e a Islândia) e num pacífico vilarejo do Djibuti (nordeste da África), simulando a Somália (ex-colônia do Reino Unido e da Itália), que sobrevive devastada por uma sangrenta guerra civil.

ONU e Unicef recebem sua parcela de crítica, num dos diálogos mais significativos do filme, em termos de história atual. E o desenrolar do enredo, em que se pode associar um “Romeu e Julieta de fins dos tempos” ao casal James e Danny (cujas famílias impeditivas são a geopolítica e geociência), pode causar surpresas, com a proposta de duas também antagônicas possibilidades de leitura final. Uma, amaldiçoada por Alá. Outra, de bênção ao imperialista. Cada espectador opta, romântica ou ideologicamente, portanto, pelo que convém a seu gosto.

Cronista de atualidades, Wim Wenders está sempre captando e oferecendo sua interpretação humanista de fatos e situações inquietantes de diferentes culturas e exigindo, em contrapartida, atenção e delicadeza do olhar do espectador.

Seus filmes são no mínimo uma fruição de belas fotografias e trilhas sonoras. Os diálogos são literários. Há uma terna preocupação de sempre compor cenas com a presença de crianças, além de diversas outras requintadas sutilezas, típicas de sua sofisticada formação e sensibilidade artística.

Mas a crítica visão de “dificuldades”, em relação ao arcabouço do romance filmado, provocou sua curta temporada em cartaz em Brasília.  O que é uma pena para o público que ainda o respeita como um dos mais expressivos cineastas contemporâneos.

Criado em 2018-05-04 13:49:31

Um samba no MAR

Romário Schettino -

Só mesmo no Rio de Janeiro é possível você ir à abertura de uma exposição sobre a história do samba, assistir a um show intimista de Martinho da Vila e acabar a noite na Lapa ao som do Grupo Arruda (com Maria Menezes no vocal) no Baródromo. Tudo isso no sábado 28 de abril.

O Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), localizado na Praça Mauá, comemora os seus cinco anos de existência com uma grande, enorme, exposição com o sugestivo nome de "O Rio do samba: resistência e reinvenção".  Os cerca de 800 itens, que ocupam o andar térreo, a Sala de Encontro, o terceiro andar da instituição, ficam abertos à visitação gratuita, até março de 2019. É uma exposição para ser vista em várias etapas, com calma e tempo para apreciar cada uma das preciosas peças recolhidas em vários cantos do Brasil e ler as informações cuidadosamente escritas e supervisionadas pelos curadores.

O time de curadores, que reúne nomes como os de Nei Lopes, Evandro Salles, Clarissa Diniz e Marcelo Campos,  mergulhou na história do samba carioca explorando os aspectos sociais, culturais e políticos do mais brasileiro dos ritmos musicais. É uma homenagem ao povo que deu origem a este universo artístico inigualável no mundo inteiro.

A ideía, segundo os curadores, é tratar dessa complexidade cultural percorrendo a "história social desse fenômeno  em três etapas: da Herança Africana ao Rio Negro, da Praça Onze às Zonas de contato e Viver o Samba. Esperamos que esta história nos faça resistir às armadilhas da intolerância e reinventar a alegria, com a força da ancestralidade".

É por isso que lá estão expostas peças usadas pelos escravos, objetos do candomblé, além de obras de Portinari, Di Cavalcanti, Djanira, Heitor dos Prazeres e Ivan Morais; fotografias de Marcel Gautherot, Walter Firmo, Evandro Teixeira, Bruno Veiga e Wilton Montenegro; desenhos de Santa Rosa; gravuras de Debret e Lasar Segall; parangolés de Hélio Oiticica; obras de Abdias Nascimento; joias originais de Carmem Miranda.

Uma instalação de Carlos Vergara utiliza-se de restos de fantasias e nos remete ao sonho do carnaval popular. O carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, e o convidado Ernesto Neto, criaram uma instalação interativa onde os visitantes batem bumbos numa sala repleta de materiais e fotografias de carnaval do passado e do presente.

O samba é tão contagiante e está tão impregnado na alma do brasileiro que um artista como Martinho da Vila é capaz de cantar acompanhado apenas de um violão e um pandeiro e fazer todo mundo entoar a música de despedida, sair do palco com o coro a plenos pulmões: Madalena, Madalena, você é meu nem querer...

Ninguém deve perder essa oportunidade. Há tempo de sobra para organizar uma, ou duas visitas à exposição. Aí então, você vai concordar que o samba não é só isso que se vê, é muito mais...

Criado em 2018-05-01 02:27:11

Águas secas

José Carlos Peliano(*)  –

Brasília

envidraçada ilha

hileia avoante de por de sol

filha de um planalto

cercado de águas secas por todo o horizonte

menos pelo acaso

onde um lago para no ar
__________________
(*) José Carlos Peliano - do livro “Dois oceanos”.

Criado em 2018-04-18 00:53:26

A cobra ainda fuma

José Carlos Peliano (*) -

I
fosse eu um a mais dos paneleiros
que se uniram no golpe ao país
iria me esconder pelos bueiros
de vergonha da merda que eu fiz

fosse um dos que estavam como olheiros
longe da peça bufa e infeliz
não sairia mais dos atoleiros
por fingir não crer quando eu não quis

fosse do golpe mais um dos farsantes
mandante, oportunista ou imbecil
estaria evitando meus instantes

antes que a trama torpe, podre e vil
caísse sobre mim e os meliantes
que abusaram do povo e do Brasil

II
por não ser nenhum desses malfeitores
de personalidades desviadas
da pornografia ao circo de horrores
não tem meu rosto caras mascaradas

a esses grupos não devo favores
nem ideias divido assemelhadas
estou livre assim para usar as cores
que quiser nas bandeiras empunhadas

primeiramente fora esse vampiro
com os seus gabinetes de ladrões
sanguessugas do templo que admiro

onde vivo com outros bons milhões
eu sou Brasil, riquezas não transfiro
vamos tê-las de volta, vendilhões

III
vamos juntos nós todos atingidos
para reerguer a pátria do chão
enfrentar os malditos travestidos
de gente que quer bem essa nação

a luta vai em todos os sentidos
por saúde, trabalho, vida e pão
tirar da ordem pública os bandidos
nas cidades, estados, União

do povo da roça ao povo da rua
dos que não sabem e que sabem ler
aos que podem dar pau em falcatrua

é hora de o Brasil ir renascer
resgatar amor pela terra sua
paixão por viver nela com prazer
_______________
(* José Carlos Peliano é economista, poeta e escritor

Criado em 2018-04-30 23:05:20

Rodada de negócios audiovisuais da NordestLab recebe inscrições do Centro-Oeste e do Norte

A quarta edição da Plataforma de Articulação Audiovisual vai ocorrer de 29 de maio a 1º de junho em Salvador, Bahia. Na última edição, a rodada gerou R$24.5 milhões em negócios para produtoras nordestinas. Este ano, poderão submeter projetos também produtoras do Centro-Oeste e do Norte do país.

Desde o dia 9 de abril estão abertas as inscrições para a Rodada de Negócios 2018 no site www.nordestelab.com.br

O NordesteLab 2018, que terá como sede principal o Goethe Institut Salvador, é uma das atividades mais procuradas por produtoras audiovisuais independentes.

Na última edição, foram gerados R$24,5 milhões em negócios, que segundo o SEBRAE/BA, parceiro e auditor na atividade, o montante pode ter chegado a R$64.9 milhões, através de projetos apresentados durante o evento, com contratos fechados ao longo do ano.  

Para a quarta edição, já estão confirmados canais de televisão como FOX, Mais Globosat, Curta!, A&E, Canal Futura, Cine Brasil TV, BOX Brasil, TV RáTimBum, e Canal Brasil.

Para participação, por representante de produtoras, o valor de inscrição é de R$100,00 (cem reais), sendo ilimitada a quantidade de projetos submetidos para avaliação dos canais de televisão e distribuidoras audiovisuais nacionais e internacionais.



Pela primeira vez, além de produtoras do Nordeste, a atividade voltada para realização de negócios entre os canais, distribuidores audiovisuais e as produtoras independentes, será aberta para produtoras do Norte e do Centro-Oeste do país, através de uma articulação realizada junto ao CONNE – Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Durante os quatro dias do evento, o NordesteLab também conta com uma vasta programação gratuita composta por mesas, conferências, apresentações de cases e debates, voltadas para estudantes e profissionais do mercado audiovisual.

As inscrições gratuitas estarão abertas a partir do dia 4 de maio, no site do evento.

Sobre o NordesteLab

O NordesteLab se configura como uma plataforma de articulação voltada para fortalecimento do setor audiovisual nordestino. Suas ações consistem na realização de um evento principal, entre o final de maio, início de junho, na cidade do Salvador-BA, reunindo espaços de articulação, comercialização, formação e intercâmbios profissionais e culturais.

Além disso, haverá a realização de atividades continuadas itinerantes voltadas para a formação de agentes com diferentes níveis de experiências no setor - de estudantes a profissionais experientes.

Suas atividades são construídas em torno de cinco eixos principais: intercâmbios profissionais; horizontes e tendências de mercado; (des)locais - apontando pautas políticas como as políticas de descentralização da produção audiovisual; difusão e oportunidades para aumento da circulação de obras audiovisuais nordestinas; e conexões emergentes, a partir da articulação com mercados audiovisuais em crescimento - como Argentina, Uruguai, Colômbia e Chile.

Público participante: Executivos de mídias digitais, Broadcasting e mobile; programadores, produtoras independentes, criadores, compradores de conteúdos, distribuidoras, agentes de venda, agentes do setor público e estudantes.

Contatos para mais informações com Tati Rabêllo pelo telefone (71) 99155-5310, e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.






Criado em 2018-04-13 00:30:11

Diálogos Contemporâneos: Jessé de Souza debate a cultura de privilégios no Brasil

Sociólogo, autor de “A Elite do Atraso”, Jessé de Souza põe em debate como a origem do Brasil segue afetando a formação política e social do país. Com entrada franca, palestra será realizada na próxima terça-feira (17/04), às 13h30, na UnB, e às 19h, no Museu Nacional da República, na Esplanada dos Ministérios.
 
O projeto Diálogos Contemporâneos retoma as atividades na próxima terça-feira, dia 17 de abril, com palestra e debate com o sociólogo Jessé Souza, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

O tema abordado será “A formação do Brasil: do descobrimento aos tempos atuais - a herança cartorial, o patrimonialismo e a cultura de privilégios”.  O evento acontece às 13h30, na Universidade de Brasília, e às 19h, no Museu Nacional da República, na Esplanada dos Ministérios.

O tema propõe uma reflexão sobre as raízes da sociedade brasileira, as contradições na formação de sua história e as disputas que definiram os modelos de direção política e econômica do país, passando pela herança colonial e a base escravagista até os tempos atuais, em que ainda há distorções e preconceitos inseridos na sociedade. Qual a relação entre a origem do Brasil e o momento atual na ordem política e social brasileira?

Jessé de Souza é formado em direito e sociologia pela Universidade de Brasília. Possui doutorado em sociologia pela "Karl Ruprecht", na Alemanha. Escreveu e organizou 22 livros em três idiomas sobre sociologia política, teoria da modernização periférica e desigualdade no Brasil contemporâneo. Atualmente é professor titular de ciência política na Universidade Federal Fluminense no Rio de Janeiro.

DIÁLOGOS CONTEMPORÂNEOS

O que esperar do Brasil do futuro? Quais os obstáculos para se criar um país mais inclusivo, que respeite as diferenças e onde todos tenham acesso à educação de qualidade? Como lidar com a solidão nas grandes cidades e frear o avanço da depressão na população brasileira?

Por meio de uma série de dez conferências, os Diálogos Contemporâneos buscam debater essas e outras questões que envolvem a complexidade, os problemas e a diversidade do Brasil atual.

O evento será realizado Museu Nacional de Brasília, até 12 de junho. Algumas das palestras serão realizadas, também, na Universidade de Brasília (UnB). A entrada é franca e sujeita à lotação.

O QUE VEM POR AÍ:

Djamila Ribeiro, pesquisadora e mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, discute o tema "Diversidade Cultural e de Gênero no Brasil: a construção de uma sociedade democrática e fraterna e o respeito às diferenças” no dia 23 de abril.

 A programação de maio começa com o tema “Os esquecidos: Identidade, Território e afirmação das Nações Indígenas brasileiras”, no dia 8 de maio, por Fernanda Kaingáng, indígena especialista em biodiversidade. Questões sobre religiosidade o estado laico serão abordadas no dia 15 de maio pelo professor de filosofia Vladimir Safatle em “Estado, Igreja e Democracia - Novas Religiões, Teologia da Prosperidade e os desafios do secularismo”. Dia 29 de maio, o escritor Ignácio de Loyola Brandão apresenta “A cultura do descarte, a sociedade de consumo e a tragédia do meio ambiente”.

As dificuldades de ascensão social serão discutidas na palestra “Mobilidade social e empreendedorismo - o estado, o mercado e as possibilidades de superação das desigualdades e de ascensão social na sociedade brasileira”, proferida pelo economista Luiz Gonzaga Beluzzo no dia 5 de junho.

Diálogos Contemporâneos encerra suas atividades no dia 12 de junho discutindo as duas condições humanas mais preocupantes do século XXI: a depressão e a solidão com a palestra “O Espaço do Amor e da Afetividade nas Grandes Cidades” pela antropóloga Mirian Goldemberger.

Criado em 2018-04-12 02:43:41

Cinema: Mostra Helena Solberg no CCBB Brasília

Até o dia 22 de abril apresentação dos filmes, em retrospectiva integral, da única cineasta do cinema novo brasileiro. No Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília. Entrada franca.

Aula magna com a diretora Helena Solberg e sessões comentadas por pesquisadores especialistas e debates. A mostra traz temáticas sobre o feminino, conflitos políticos históricos e ficção, tudo o que tem a ver com sua trajetória.

A cineasta Helena Solberg (que completa 80 anos em junho) assina a direção de 17 filmes, que serão exibidos integralmente em retrospectiva inédita. Em tempos de ênfase no papel e atuação feminina no mercado do cinema, a mostra terá exibições comentadas por pesquisadores especialistas e uma Aula Magna com a cineasta, além de debates.

Com curadoria de Carla Italiano e Leonardo Amaral, e produção da Associação Filmes de Quintal, a Mostra Helena Solberg, que começou no dia 5 e vai até o dia 22 de abril, é patrocinada pelo Banco do Brasil, com entrada franca para todas as sessões. As exibições serão realizadas até o dia 22 de abril.

Helena Solberg tem uma carreira singular que completa cinco décadas, tendo vivido mais de trinta anos nos EUA. Sua militância política e feminista, somada à experiência com o Cinema Novo brasileiro, resultou em uma cinematografia rara, atenta aos movimentos de sua época e engajada em modos de olhar e atuar no mundo.

MOSTRA E TRAJETÓRIA

Reconhecida por ser a única diretora mulher a participar do Cinema Novo, em sua estreia com o emblemático curta-metragem A Entrevista (1966) Solberg entrevista moças de formação burguesa do Rio de Janeiro sobre casamento, sexo e política, enquanto a imagem de uma noiva se preparando para o casamento é desmistificada pelo áudio das entrevistas.

Nos anos 70 do Brasil sob a ditadura militar, muda-se para os Estados Unidos, onde vive um longo período de liberdade criativa, com produções que refletem sobre a presença da mulher à frente e atrás das câmeras, questionando temas de representação e autoria no ensejo da onda de teorização feminista que ganhava força naquela década.

Sua primeira realização nos EUA condensa esses desejos: The Emerging Woman (1974), costurado coletivamente pelo grupo Women’s Film Project criado por Solberg em Washington.

As duas produções seguintes compõem o que a pesquisadora Mariana Tavares chamou de “Trilogia da Mulher”, marcada pelo esforço em alinhavar reflexão social e experimentação na própria forma fílmica: A Dupla Jornada (1975), que examina as condições da mão de obra feminina na Argentina, México, Venezuela e Bolívia, e Simplesmente Jenny (1977), que se dedica à vivência de três jovens em um reformatório boliviano para adolescentes.

Tomando como tema as problemáticas das relações políticas entre Estados Unidos e América Latina, na segunda frente de investigação de seu cinema, Helena dirige e produz seis documentários politicamente engajados.

No final dos anos 70 até o começo dos anos 90, as produções analisam a ação da política externa dos EUA em apoio às ditaduras latino-americanas nos anos 1980 e a capacidade de mobilização civil frente a regimes totalitários. Dentre eles está o aclamado Das Cinzas: Nicarágua Hoje (1982), sobre a Revolução Sandinista vista sob o olhar de uma família, vencedor de um Prêmio Emmy em 1983.

Em 1995, lança nos cinemas dos EUA e do Brasil seu filme de maior reconhecimento internacional, “Carmen Miranda: Bananas Is My Business”, uma mistura de documentário e ficção que narra a vida e a carreira de Carmen Miranda. A produção também dá voz a questões políticas, abordando o olhar estrangeiro sobre o Brasil da época. Convidado a inúmeros festivais, ganhou prêmio de Melhor Filme em cinco países, inclusive no Festival de Brasília. Esse filme foi exibido no domingo, dia 8/4.
A atual fase da carreira de Helena Solberg aponta para novos rumos: o longa-metragem Vida de Menina (2004), baseado no diário de Helena Morley, marca a estreia da realizadora na direção de uma adaptação ficcional, e o sucesso de crítica e público Palavra (En)cantada (2009), realiza uma viagem histórica pelas relações entre música popular e poesia brasileira, com depoimentos de grandes nomes da nossa cultura. O documentário ganhou o prêmio de Melhor Direção no Festival do Rio e foi o filme do gênero mais assistido nos cinemas brasileiros no ano.

“A Alma da Gente” (2013), codirigido com David Meyer, enfoca a ausência do estado através de um grupo de dança na Favela da Maré. Retomando com força a pauta feminista, em 2017 realiza o longa “Meu Corpo Minha Vida”, e levanta a bandeira de uma das discussões mais atuais nos contextos sociais e políticos do país: a descriminalização do aborto.

DEBATES

12/04 – Quinta
19h – Exibição de A Terra Proibida, seguida de debate com a profa. Dácia Ibiapina (Unb)

14/04 – Sábado
17h – AULA MAGNA com Helena Solberg
Classificação indicativa: 12 anos

17/04 – Terça
19h – MESA REDONDA Atuação feminista e criação cinematográfica com as professoras Roberta Veiga (UFMG) e Florence Dravet (Univ. Católica de Brasília). Mediação: Carla Italiano e Leonardo Amaral
Classificação indicativa: 12 anos

PROGRAMAÇÃO

10/4 – Terça
19h30 – Brasil em Cores Vivas (30’, 1997, digital), A Alma da Gente (80′, 2013, digital) / 14 anos

11/4 – Quarta
19h30 – Retrato de um Terrorista (28′, 1985, digital), A Conexão Brasileira (58′, 1983, digital) / 16 anos

12/4 – Quinta
17h – Meu Corpo Minha Vida (73′, 2017, digital) / 16 anos
19h – A Terra Proibida (58′, 1990, digital) / 16 anos
*Seguida de debate com Dácia Ibiapina

13/4 – Sexta
17h30 – Palavra (En)cantada (84′, 2009, digital) / 12 anos
19h30 – Das Cinzas… Nicarágua Hoje (60′, 1982, digital) / 16 anos

14/4 – Sábado
17h – AULA MAGNA com Helena Solberg (com tradução em libras) / 12 anos
19h30 – Meio-dia (11′, 1970, digital), Vida de Menina (101′, 2004, digital) / 14 anos

15/4 – Domingo
17h – Simplesmente Jenny (32′, 1977, digital), A Dupla Jornada (54′, 1975, digital) / 16 anos
19h – Brasil em Cores Vivas (30’, 1997, digital), A Alma da Gente (80′, 2013, digital) / 14 anos

17/4 – Terça
19h – Mesa-redonda Atuação feminista e criação cinematográfica / 12 anos
com as professoras Roberta Veiga e Florence Dravet

18/4 – Quarta
19h30 – Meio-dia (11′, 1970, digital), A Entrevista (20′, 1966, digital), A Nova Mulher (40′, 1974, digital) / com legenda descritiva / 14 anos

19/4 – Quinta
17h – Meio-dia (11′, 1970, digital), Vida de Menina (101′, 2004, digital) / 14 anos
19h30 – Carmen Miranda: Bananas Is My Business (92′, 1994, digital) / 14 anos

20/4 – Sexta
17h30 – Chile: Pela Razão ou Pela Força (60′, 1983, digital) / 16 anos
19h30 Terra dos Bravos (58′, 1986, digital) / 14 anos

21/4 – Sábado
17h – Retrato de um Terrorista (28′, 1985, digital), A Conexão Brasileira (58′, 1983, digital) / 16 anos
19h – A Terra Proibida (58′, 1990, digital) / 16 anos

22/4 – Domingo
17h – Meu Corpo Minha Vida (73′, 2017, digital) / 16 anos
19h – Meio-dia (11′, 1970, digital), A Entrevista (20′, 1966, digital), A Nova Mulher (40′, 1974, digital) / com legenda descritiva / 14 anos

SINOPSES DOS FILMES DA MOSTRA

A ENTREVISTA (20 min, 1966, Brasil)
Sinopse: O filme teve como base uma série de entrevistas feitas pela realizadora com jovens do mesmo meio social. Por trás dessas entrevistas surge um perfil convencional de “mulher”, figura idealizada por certa aura de romantismo, costurado por uma montagem que relaciona questões da opressão feminina com a repressão militar vivida pelo país.
Exibições/Prêmios: Festival Internacional de Cracovia 1968, Festival Dei Popoli Firenze 1969.

MEIO-DIA (11 min, 1970, Brasil)
Sinopse: Alunos revoltados em sala de aula organizam um motim, tendo como contexto o período da ditadura militar e a música de Caetano Veloso É Proibido Proibir.

A NOVA MULHER (The Emerging Woman, 40 min, 1974, Estados Unidos)
Sinopse: Primeiro filme dirigido pela cineasta nos EUA, The Emerging Woman percorre 170 anos de história do movimento feminista no país e na Inglaterra (de 1800 até 1974), através de diários, manifestos, reportagens, cartas e livros de ativistas. O documentário conta também com fotografias e imagens de arquivo de jornais cinematográficos, inaugurando a série “Trilogia da Mulher”, realizada em conjunto com o coletivo Women’s Film Project.
Exibições/Prêmios: American Film Festival 1975 (Blue Ribbon Award Winner)

A DUPLA JORNADA (The Double Day, 54 min, 1975, Argentina / México / Bolívia/Venezuela)
Sinopse: Filmado em fábricas no México e na Argentina, e em coletivos de mulheres na Bolívia e Venezuela, A dupla jornada examina as condições da mão de obra feminina como força de trabalho na América Latina.
Exibições/Prêmios: Mannhein 1976, Nyon 1976, Perth 1976, Bombay 1976, American Film Festival 1977.

SIMPLESMENTE JENNY (32′, 1977, Bolívia)
Sinopse: Três jovens (Jenny, Marli e Patricia) relatam suas histórias de prostituição forçada, e suas fantasias de ascensão social, casamento e felicidade, em um reformatório para adolescentes na Bolívia.
Exibições/Prêmios: American Film Festival 1977 (Blue Ribbon Award Winner), Leipzig Film Festival 1978, Jamaica Film Festival 1979.

DAS CINZAS… NICARÁGUA HOJE (From the Ashes… Nicaragua Today, 60 min, 1982, Nicarágua)
Sinopse: A partir da história de uma família na Nicarágua, o filme aborda a trajetória do Movimento De Libertação Sandinista e sua luta contra o regime ditatorial de Somoza. Com raras imagens de arquivo, o documentário revela a intervenção da Marinha Americana no país entre 1912 e 1933 e a história de Augusto Sandino, que organiza a rebelião camponesa de 1920 e torna-se símbolo da resistência nacionalista contra a invasão estrangeira.
Exibições/Prêmios: Chicago Film Festival 1982 (Silver Hugo Award), American Film Festival 1982 (Red Ribbon Award Winner), Global Village Documentary Festival 1982 (Best Film)

A CONEXÃO BRASILEIRA (The Brazilian Connection, 58 min, 1982-1983, EUA/Brasil)
Sinopse: Em 1982, a crise da dívida externa brasileira era pauta constante na mídia do Brasil e dos EUA. O não pagamento da dívida e o caos econômico que resultaria com a moratória são analisados em The Brazilian Connection, realizado no calor das atividades eleitorais quando os brasileiros, após 18 anos de ditadura militar, foram às urnas para eleger governadores e deputados federais e estaduais.
Exibições/Prêmios: Global Village Documentary Festival 1983 (Best Film), Third National Latino Film Festival of New York 1983 (Best Film)

CHILE: PELA RAZÃO OU PELA FORÇA (Chile: By Reason or By Force, 60 min, 1983, Chile/Estados Unidos)
Sinopse: O filme examina as grandes manifestações contra a ditadura no Chile, na ocasião do décimo aniversário do golpe do General Augusto Pinochet.
Exibições/Prêmios: Festival do Rio 1985.

RETRATO DE UM TERRORISTA (Portrait of a Terrorist, 28′, 1985, EUA/Brasil)
*Co-direção de David Meyer
Sinopse: Na tentativa de refletir sobre os sucessivos atentados contra cidadãos e instituições norte-americanos pelo mundo, o documentário se volta para o depoimento de dois personagens: Fernando Gabeira, então candidato ao governo do Rio de Janeiro e que havia participado, em 1969, do sequestro de Charles Elbrick; e Diego Asencio, ex-embaixador americano no Brasil, que fora sequestrado pelo grupo guerrilheiro M19 na Colômbia, em 1980.

TERRA DOS BRAVOS (Home of the Brave, 60 min, 1986, Brasil/Estados Unidos/Suíça)
Sinopse: Motivados pelos debates da Segunda Conferência Mundial sobre Racismo e Discriminação Racial, organizada pela ONU em Genebra em 1983, lideranças indígenas falam sobre as ameaças que enfrentam na época. O documentário se passa em três continentes: nos EUA, com os Hopi e os Navajo, na Amazônia e no altiplano da Bolívia, e em Genebra, onde ameríndios se unem para a criação de uma rede internacional indígena.

A TERRA PROIBIDA (The Forbidden Land, 58′, 1990, EUA/Brasil)
Sinopse: The Forbidden Land analisa os conflitos entre a Igreja Católica tradicional e sua ala progressista, manifesta na Teologia da Libertação, tendo como mote a luta dos trabalhadores sem terra no Brasil.

CARMEN MIRANDA: BANANAS IS MY BUSINESS (Carmen Miranda: Meu Negócio É Bananas 92 min, 1994, Brasil) - (foto abaixo).
Sinopse: O filme conta a extraordinária história de Carmen Miranda, nascida em Portugal e criada no Brasil, e que em 1939 vai para os Estados Unidos e se torna a mais famosa brasileira a conquistar as telas de Hollywood. No entanto, para os norte-americanos, ela sempre foi a figura caricata com uma pilha de frutas na cabeça. O filme tenta retirá-la desse estigma, conferindo-lhe o que há de mais fundamental: sua identidade. Este filme foi exibido no domingo, dia 8 de abril.


Exibições/Prêmios: Festival de Brasília 1994 (Melhor Filme), Chicago International Film Festival 1995 (Melhor Docudrama), Festival Del Cine Nuevo Latinoamericano de Havana 1995 (Melhor Documentário), Festival International Cinematografico Del Uruguay 1996 (Melhor Filme – Prêmio Iberoamericano), Encontros Internacionais de Cinema de Portugal 1996 (Melhor Filme – Júri Popular).

BRASIL EM CORES VIVAS (Brazil in living colours, 30′, 1997, Brasil)
Sinopse: Brasil em Cores Vivas é um documentário encomendado pelo Channel 4 Television da Inglaterra sobre a nova revista RAÇA direcionada aos negros brasileiros, fundada pelo jornalista Aroldo Macedo em 1996. Pensaram na época que não teria público, mas RAÇA contrariou todas as expectativas e foi um sucesso imediato.

VIDA DE MENINA (101 min, 2004, Brasil)
Sinopse: Um Longa-metragem ficcional de época, Vida de menina é baseado no diário de Helena Morley, uma garota de província que viveu em Diamantina-MG ao final do século XIX, após a abolição da escravatura.
Exibições/Prêmios: Festival de Gramado 2004 (Melhor Filme – Júri Oficial e Popular, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Música), Festival do Rio 2004 (Melhor Filme – Júri Popular), Festival de Cinema de Natal 2005 (Melhor Filme), Cineport Portugal 2006.

PALAVRA (EN)CANTADA (84 min, 2009, Brasil)
Sinopse: O documentário traça uma viagem através da história do cancioneiro brasileiro, com uma atenção especial para a relação entre poesia e música. De poetas provençais ao rap, do carnaval de rua aos poetas do morro, da bossa nova ao tropicalismo, o filme traça um panorama da música brasileira até os dias de hoje, costurando depoimentos, performances musicais e uma surpreendente pesquisa de imagens.
Exibições/Prêmios: Festival do Rio 2008 (Melhor Direção), Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2008, FestCine Goiânia 2008, Festival do Cinema Brasileiro de Paris 2009, Premiere Brazil – MoMa 2009.

A ALMA DA GENTE (83 min, 2013, Brasil)
*Co-direção de David Meyer
Sinopse: Adolescentes, moradores da Favela da Maré no Rio de Janeiro, são selecionados para um espetáculo de dança sob o comando do coreógrafo Ivaldo Bertazzo, em um processo que incorporava as experiências cotidianas relatadas pelos próprios dançarinos. Dez anos depois, David Meyer e Helena Solberg partem em busca de alguns dos integrantes desta experiência para fazer um balanço de seu efeito em suas vidas, que muitas vezes tomaram rumos bastante diversos em relação às expectativas do passado.
Exibições/Prêmios: Fest Cine Brasil Montevideo 2013 (Melhor Filme), É Tudo Verdade 2013, Festival Cinemúsica Conservatória 2014, FIPA 2014, Mostra Cinema e Diretos Humanos 2014.

MEU CORPO MINHA VIDA (73 min, 2017, Brasil)
Sinopse: Documentário sobre o aborto no Brasil, um assunto controverso e explosivo. O filme acompanha o caso de Jandyra Magdalena dos Santos, personagem-chave que nos conduzirá através deste conflito.

SERVIÇO
Data: 3 a 22 de abril
Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
Horários: ver programação
Entrada franca.

Criado em 2018-04-10 02:22:14

Os índios do Xingu: Yawalapiti – Entre Tempos

Exposição de fotografias de Olivier Boëls trazem riqueza cultural dos índios do Xingu para Brasília. No Museu Nacional da República, Esplanada dos Ministérios, de 19/4 (Dia do Índio) a 20/5. Entrada franca.

O fotógrafo francês Olivier Boëls conviveu ao longo de mais de cinco anos com a comunidade indígena Yawalapiti - uma das 16 etnias que vivem no Xingu – e, durante esse tempo, reproduziu em imagens a beleza cotidiana da aldeia.

O acervo, que estará exposto no Museu Nacional da República no período de 19 de abril, Dia do Índio, a 20 de maio de 2018, permitirá que o público sinta o que é viver no Parque Indígena do Xingu e interaja com a riqueza de uma cultura ancestral.

A exposição YAWALAPITI – ENTRE TEMPOS coloca os membros da aldeia como protagonistas e narradores da própria história. Eles se encarregam da confecção de legendas e textos explicativos para as fotografias de Olivier Boëls. Os escritos são apresentados na língua yawalapiti, português e inglês.

Durante o período em que a mostra estiver em cartaz, cem integrantes da comunidade Yawalapiti se revezarão para fazer todo o trabalho de mediação com o público. Eles conversarão com os visitantes, farão apresentações de cantos e danças, lutas tradicionais, pintura corporal, confecção de arte, projeções mapeadas com vídeos confeccionados por integrantes da própria comunidade na cúpula do Museu.



A mostra é uma realização de Olivier Boëls e da Associação Yawalapiti Awapá, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), do Distrito Federal, e apoio do Museu Nacional da República. Além disso, há parceria com o Instituto Oca do Sol, BR22, Canson, WWF e ISA – Instituto Sócioambiental. Conta também com o apoio da Molduras & Cia Aleixo, Ashram Photo, Etnofoco, InovaPhotoArt, Cerrado MMA e Comunica Consultoria e Planejamento.

PROGRAMAÇÃO:
19 de abril – das 19h às 22h: abertura e apresentação de flauta sagrada
21 de abril (Aniversário de Brasília) – das 17h às 23h: projeção mapeada na cúpula no Museu e apresentação de dança.
22 de abril – das 17h às 19h: apresentação da luta xinguana Huka Huka
24 de abril – das 19h30 às 21h30: bate-papo com os caciques Aritana, Makawana e Waripira, no Auditório do Museu.

Números:
100 – integrantes da comunidade farão mediação com o público
16 – etnias vivem no Xingu
305 – etnias vivem no Brasil
274 – línguas diferentes faladas pelas etnias que vivem no Brasil

Agendamento de grupos: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

OS ÍNDIOS YAWALAPITI

A aldeia Yawalapiti fica no Parque Indígena do Xingu, criado em 1961, com 27 mil quilômetros quadrados, situado no norte do estado de Mato Grosso, numa região entre o Planalto Central e a Floresta Amazônica. É cortado pelo rio Xingu e seus afluentes. Mas, como a delimitação da área deixou de fora as nascentes dos rios e o Parque está rodeado de grandes fazendas de soja e gado, o local corre perigo de extinção.

A comunidade Yawalipiti, situada no Alto Xingu, segue o padrão das aldeias xinguanas. Seus integrantes vivem em grandes casas coletivas, dispostas em formato circular, com uma grande praça central. “No centro da aldeia tem a casa dos homens e possui duas formas de construir: aberta sem parede e fechado no formato de casa tradicional. Nessa casa se realiza conversas sobre a definição de realização de ritual, tocar a flauta sagrada Jakuí, o trabalho coletivo e solucionar problemas sociais. Nesta casa, não é admitido a entrada das mulheres quando a flauta sagrada estiver dentro dela. Para as mulheres ingressarem, a flauta precisa ser guardada na casa do dono”, explica Tapi Yawalapiti.

Atualmente vivem no Brasil 305 etnias, falando 274 línguas diferentes. Cada povo tem seu saber, sua cultura, ciência, arte, literatura, poesia, música e religião. No entanto, uma visão discriminatória pauta a relação entre índios e não índios no Brasil, rejeitando uma das maiores riquezas culturais do país.

O FOTÓGRAFO OLIVIER BOËLS

Olivier é fascinado com as riquezas culturais, principalmente tradicionais, há mais de 15 anos, usa sua sensibilidade fotográfica para promover uma ponte entre dois universos. Seu objetivo é estimular a empatia por culturas desconhecidas ou mal compreendidas.

Segundo o fotógrafo, o desconhecimento é o principal motivo da discriminação e a fotografia tem o poder de trazer informação e incentivar a empatia, de forma simples e eficiente.

Autor, diretor e curador, Olivier Boëls é detentor do mais prestigiado prêmio da fotografia mundial, o World Press Photo, uma espécie de Oscar da Fotografia.

Olivier conquistou a premiação em 2000, concorrendo com alguns dos mais famosos fotógrafos do mundo, como James Natchwey, Antony Kratochvil, John Stanmeyer e Sebastião Salgado.

Foi ainda um dos dez finalistas do prêmio internacional promovido pelo Instituto Smithsonian, dos Estados Unidos, em 2011 e 2013; recebeu o prêmio Memorial Maria Luísa 2011, na Espanha; o 1º FOTO ARTE, em Brasília/2004, e o prêmio Pierre Verger 2002, da Associação Brasileira de Antropologia.

Olivier Boëls já participou de mais de 45 exposições fotográficas pelo mundo afora, em lugares de renome, como Harbourfront Center, em Toronto/Canadá, India Habitat Centre, em Nova Delhi/Índia, Musée Du Quai Branly, em Paris/França, Museu Nacional da Coreia do Sul, Centro Cultural Banco do Brasil (SP, RJ e DF), Caixa (DF, SP, BA), dentre vários outros. Seu trabalho é reconhecido nacional e internacionalmente.

Desde 2006, fotos de Olivier Boëls fazem parte de acervos permanentes das galerias do Zone Zero, um dos sites de fotografias mais visitados do mundo, com 5,5 milhões de entradas por ano.

Serviço:
Exposição: YAWALAPITI – ENTRE TEMPOS
De 19 de abril a 20 de maio de 2018 - De terça a domingo, das 9h às 18h30.
Local: Museu Nacional do Conjunto Cultural da República – Esplanada dos Ministérios, Brasília / DF.
Entrada Franca. Classificação indicativa livre.

Criado em 2018-04-08 21:56:05

Moro na filosofia

Angélica Torres Lima -  

Que ingrato
o teu retrato
quanto maltrato

A quem te deu
bons fatos
pato

Que falho o caráter
o ato que lava a jato
o balaio de gatos

O gatuno é um rato
uma praga um lesa-pátria
no bolso do seu casaco.

Acorda antes que tardia
a corda te amordace

A mesma com que agora
laças quem nunca te lesou.

Criado em 2018-04-06 14:47:05

Versão feminista do filme "Maria Madalena" surpreende o público

Angélica Torres -

É de chorar, de tristeza, indignação, horror, saber que Maria Madalena, só em 2016, foi oficialmente reconhecida pelo Vaticano como a única apóstola entre o elenco de evangelizadores de Jesus Cristo e redimida da fama de prostituta, a ela imputada pelo papa Gregório Magno, no ano 591.

A essência feminista do filme Maria Madalena (2017), se justifica, assim, quando ao final o jovem diretor australiano Garth Davis revela o resgate da honra, pelo admirável Papa Francisco, dessa personagem bíblica que encarnou por séculos a primeira famosa personagem boa de cuspir da história do Novo Testamento, depois de Eva, do Antigo Testamento.

Algo está mudando? A passos de uma tartaruga-matusalém, mas, parece que sim. Espectadores saem do cinema surpresos, murmurando "que interessante" e disfarçando as lágrimas pelas crueldades do tempo do império romano  ̶  mas também pela nitidez com que o estilo permanece até hoje (agora, sobretudo), embora com outro figurino, design, dicção e cacoetes.

Madalena (Rooney Mara) nesse contexto é uma mulher atemporalmente moderna. Irmã de um brutamontes machista que a obriga a se casar contra sua vontade, ela escolhe seguir Jesus (Joaquin Phoenix) junto com Pedro, Judas, Felipe, André e os demais. Mas não antes de ser torturada pelo irmão, com a cumplicidade de amigos e do pai, sob a desculpa de exorcizá-la do “demônio”  ̶  sua personalidade de mulher independente.

Frágil mas corajosa e decidida, surge uma nova Madalena aos olhos do espectador, e a milenar história de Jesus toma feição feminina, matriarcal, delicada, intuitiva, fazendo jus àquela mulher que sempre esteve por perto dele, mas sem que se soubesse ao certo o seu papel e de que modo atuava.

LULA - No entanto, se não fosse por essa nova abordagem, o filme surpreenderia por outra, também tão atual quanto, especialmente para o público brasileiro, no momento. Impossível não conectar a chegada de Jesus à aldeia de Magdala e a Jerusalém, aclamado e endeusado pelas multidões, a Lula entrando com suas caravanas nas cidades do interior do país. Os sermões do avatar socialista e revolucionário monopolizando os judeus para a espera do reino de Deus, como os discursos do líder dos trabalhadores ganhando o povo para a esperança de suas reconquistas sociais. E ao final das preleções, os brados repetidos de Messias!, como de Lula lá!

Não se trata de ver Lula como um "messiânico"  ̶  termo com que adversários adoram ironizar os também chamados por eles de "ídolos populistas"  ̶  mas da parecença mesma da personagem carismática, de bicho do povo, de pelúcia, que todos querem tocar, abraçar, acarinhar e receber dele afagos como bênçãos e aclamá-lo como a um salvador. A imolação também, a perseguição, a traição, a condenação, tudo evoca o paralelismo entre os dois líderes.

Não à toa circularam na rede tantas mêmes e tantos cartuns e máximas correlacionando a história de ambos, nesta Semana Santa. Mas, na verdade, esse substrato verificado em "Maria Madalena" extrapola o nosso drama (já tragédia) nacional para um retrato mais amplo, que se revela em vários países do mundo explorado e dominado pela expansão do capitalismo.

Daí porque é de se supor que, ao invés de extinguir, a egrégora de Cristo só se amplia, ao longo de 2018 anos: a humanidade, no Ocidente e no Oriente, com sua alta cota de sociopatia, ignorada pela medicina, ou não diagnosticada e tratada como urge ser, tem, na constante revivência do sacrifício dele, a simbólica lembrança do protesto à injustiça, perversidade e violência humanas.

Triste humanidade. A se medir pelo tempo que levou a libertação de Madalena da brutal condenação pelo patriarcado, quantos séculos ou milênios mais levará o planeta para se curar da indigência ética, moral, espiritual que o atormenta, desde os primórdios de vida do homo sapiens?

Criado em 2018-04-01 16:47:42

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