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Página 72 de 95

Dia do Rádio. Aliás, todos os dias

Luiz Martins da Silva –

Há dia para tudo. Do rádio, por quê não? Então? Ele tem origem no Sol, pois as ondas de rádio fazem parte do espectro das radiações solares. Cientistas descobriram como aproveitá-las nas comunicações, como telégrafo sem fio (“radiotelegrafia”). Desafio, entender como uma transmissão feita do outro lado da Terra podia chegar, por exemplo, ao Brasil. As ondas curtas propagam-se em L, batem na ionosfera e rebatem em ângulo aberto para o outro lado.

Nos primórdios dos anos 1900, o maior renome, entre os “inventores” do rádio coube a Guglielmo Marconi (1874-1937), mas o primeirão nas transmissões teria sido um padre brasileiro, Roberto Landell de Moura (1861-1928). Ele transmitiu sons e sinais telegráficos pelas ondas eletromagnéticas, um precursor, portanto, do rádio e do telefone (1893).

Coube a Marconi, no entanto, maior prestígio, enriquecimento e proezas, como a ligação, desde Roma, das luzes do Cristo Redentor, quando de sua inauguração, em 1931. Na verdade, no dia seguinte. Um temporal impediu a conexão no momento preciso.

Tal como a internet, o advento do rádio foi uma grande revolução, mais ainda, quando inventado o transístor, minúsculo engenho eletrônico a substituir as antigas válvulas, campânulas com filamentos, semelhante a lâmpadas. Com o transístor, o rádio tornou-se portátil, acompanhando as pessoas em qualquer lugar, no banheiro, no carro e, hoje, no celular.

Nos sertões, serras e desertos profundos, as comunicações sem fio eram feitas por outro tipo de frequência, aquela operada pelos radioamadores. Eles captaram, por exemplo, o bip emitido pelo Sputnik, o primeiro satélite artificial a circular em torno do Planeta Terra. Já a frequência modulada (FM), parecia, inicialmente, não ter proveito comercial. Ora, ora.

Coisa recente, aplicativos para celular permitem a sintonia de qualquer emissora digitalizada do Planeta. Eu, por exemplo, freguês antigo das transmissões internacionais, capto rádios da Groelândia. Não entendo uma única palavra na língua dos esquimós, o inuíte, mas, deixaram escapar uma sílaba, “OK”. Como gosto de fado, agora, bem perto do ouvido centenas de rádios portuguesas. O Brasil tem mais de 3.200 emissoras FM. Difícil é encontrar aquelas que não estão 24 horas a serviço da música sertaneja (a ruinzinha) e das pregações religiosas.

A onda mais recente é a audiência aos podcasts, narrações de fatos e variedades que ficam para serem acessados a qualquer hora. O rádio “ao vivo”, porém, permanece como a essência dessa “mídia”, inclusive, transmissões de futebol. Pessoas mais velhas hão de se lembrar do seguinte bordão: “Veja o jogo, ouvindo a Rádio Globo”. Lembro-me de um anúncio mostrando um torcedor, numa arquibancada, de costas para o campo, radinho colado ao ouvido. Outra face do rádio antigo a nunca se ausentar, os pedidos musicais e as prosaicas dedicatórias: para mim, para minha mãe, meu pai, minha tia e para você (o apresentador).

A Constituição brasileira prevê uma complementaridade entre os sistemas de concessão privada, estatal e pública e prioridade para jornalismo, educação e cultura. A esmagadora distribuição é comercial. Educativas, em fase de fechamento, pelo próprio governo. Públicas, algumas estatais que se apresentam como públicas, nada como uma BBC, a transmitir para o Reino Unido, na trilogia informação-educação-diversão, para os ingleses e para o mundo inteiro, desde 1922. No Brasil, desde 1938. Num país quase continental, o rádio foi no Brasil um fator de integração, música, novelas e revelação de ídolos, especialmente entre as décadas de 30 e 50. Há vários filmes sobre essa “era de ouro”, entre eles, um com Nara Leão, Maria Bethânia e Chico Buarque.

Nas grandes cidades, o rádio é também um prestador de serviços, o primeiro a dar informações “quentinhas” sobre o que ocorre no Brasil e no mundo e também logo ali, à frente, a batida, o engarrafamento, a previsão do tempo e as queixas do público sobre as penúrias do cotidiano: do péssimo atendimento nos postos de saúde e emergência, ao acúmulo de lixo no baldio mais próximo, servindo de criatório de mosquitos e atrativo para ratos e mau cheiro. Um mesmo programa coloca uma autoridade pública a responder perguntas do público e a prestar contas sobre os buracos nas pistas.

Às vésperas do Natal passado, em meio ao fuzuê das compras de presentes, passei por perto das novidades do box do “Seu João” na Feira Coberta de Sobradinho. “Olhe, venha ver”. Ele tem sempre uma belezura a apresentar. Qual? Tomei um susto, achando que ele estava vendendo antiquíssimos aparelhos de rádio, daqueles que ficavam na sala de visita, sobre toalhinha de renda e sob os mais velados zelos. Que nada, só fachada. Simulacros novinhos, com entradas USB e sistema de gravação e reprodução. Em síntese, rádio antigo e digital. Nada a proporcionar algo de que ouvi falar na infância, a história de um homem que levara o seu aparelho para conserto, mas voltara sem os mesmos locutores que falavam tão bem e as mesmas cantoras que cantavam tão lindamente.

Criado em 2020-02-13 15:54:30

Reitor afastado comete suicídio em Florianópolis

O reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, cometeu suicídio ao se jogar do piso L4 caindo no vão central do Beira-Mar Shopping, em Florianópolis.

Preso, posteriormente solto, e afastado das funções por decisão judicial, o reitor escreveu o bilhete reproduzido abaixo. Se tudo isso for verdade, o judiciário do estado de exceção que impera no país acaba de fazer sua primeira vítima fatal.

Íntegra do bilhete deixado pelo ex-reitor Luiz Carlos Cancellier:

"Reitor exilado. Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia.

A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição.

No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”.

A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância.

Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere.

Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC.

Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa.

O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC.

Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. E, tenho certeza, muito mais forte do que qualquer outro acontecimento".

A propósito, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federal de Ensino Superior (Andifes), emitiu a seguinte nota oficial:

'A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira.

O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado.

É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular.

É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita. Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública.

A Andifes manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira.
Brasília, 02 de outubro de 2017". Assina: Gisele Cittadino

Criado em 2017-10-02 20:04:23

O mercado é o melhor juiz

Geniberto Paiva Campos (*) -

“Pois agora vejo claro que é inútil pedir justiça ao poder contra o poder...” - fala do personagem Sancho, na peça “O Melhor Juiz, o Rei”, de Lope de Vega.

O segundo “julgamento” de Michel Temer, o qual resultou em nova “absolvição” pela Câmara dos Deputados, nos remete às teses do dramaturgo espanhol Lope de Vega, autor da peça “O Melhor Juiz, o Rei”.

Denunciado novamente pela PGR, com graves acusações, o presidente – ainda – em exercício, obteve os votos necessários ao não reconhecimento da nova denúncia.

Em permanente estado de perplexidade, o povo brasileiro, distante e aparentemente alheio, assiste impassível ao surgimento de uma nova moral.

Um novo conceito de “corrupção”. Onde tudo é permitido, desde que sejam atos praticados pelos representantes dos interesses da elite. A favor do mercado. E do neoliberalismo.

E onde se comprova, mais uma vez, que a luta contra a “corrupção” é apenas um mero pretexto político para justificar o afastamento de governos ditos “populistas”, inaceitáveis para a elite. Governos que defendem os interesses da maioria dos cidadãos, cuidam da soberania nacional e dos direitos de todos brasileiros, preservando o Estado Democrático de Direito.

Ao se apropriar da política e, finalmente, do poder, o mercado mostrou que o moralismo é a mais perfeita tradução da hipocrisia e do cinismo da classe dominante e dos seus confiáveis e permanentes serviçais da mídia e das classes médias.

O caso do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, preso na carceragem curitibana, é totalmente atípico. Quem sabe um dia, teremos conhecimento pleno dos fatos reais que o colocaram atrás das grades?

Mas o desenrolar dos últimos acontecimentos já nos permite concluir que o governo, ou vá lá, os 3 Poderes, tornaram-se reféns do mercado e da teoria neoliberal.

E o Brasil, lamentavelmente com ajuda de “brasileiros transnacionais”, foi apropriado por um sistema político/econômico ilegítimo e improdutivo, potencialmente capaz de destruir a nação, tornando-a simples colônia, produtora e exportadora de matérias primas. Se possível, a preços vis. Projeto que, cinicamente, ousou denominar “Ponte para o Futuro”.

Nenhum país, repetimos, nenhum país que adotou as teses econômico/sociais do neoliberalismo, tornou-se um país melhor. Ao contrário. Regrediu como nação.

Alguns economistas sustentam: “a justiça social dinamiza a economia, reduz as tensões políticas, reduz os conflitos éticos. Essencialmente, (isso é o principal!), ela é saída produtiva”.

O capitalismo neoliberal não tem futuro. Torna-se uma espécie de réquiem para o capitalismo produtivo e democrático. Garantidor dos direitos sociais.

É legítimo, portanto, perguntar: - para onde o governo Michel Temer pretende levar o Brasil?

Independentemente da sua legitimidade, da honestidade e da correção da conduta pública dos seus integrantes, o mal que este governo está fazendo ao Brasil poderá tornar-se irreversível. Inviabiliza o país como nação livre e soberana. Respeitada no concerto internacional.

A forma ladina, fraudulenta como o grupo político de Michel Temer arrebatou o poder de um governo eleito democraticamente, jamais lhe permitiria tamanha ousadia e irresponsabilidade na condução da coisa pública.

Aos que costumam estabelecer comparações históricas, não há como fazer confrontos entre o governo Temer e os governos militares (1964/1985).

Para efeitos comparativos vamos lembrar de início dois presidentes do ciclo dos generais, Castelo Branco e Ernesto Geisel, os quais podem ser designados, com justiça, como os de maior visão estratégica do país e do contexto geopolítico. Ambos militares originários da Escola Superior de Guerra/ESG, do Exército Brasileiro. E ainda o general João Batista Figueiredo, que encerrou o período autoritário, promulgou a Anistia, e conduziu o período da abertura e garantiu a transição pacífica do poder aos civis, grandiosa obra política de brasileiros liderados pelo então governador mineiro Tancredo Neves.

Como enfrentar o imenso desafio colocado a todos os brasileiros, ameaçados de perder direitos conquistados e que imaginavam permanentes? Como enfrentar as ameaças, agora já bem visíveis, de retrocesso?

O ex-ministro Eugênio Aragão, em artigo recente, afirma precisarmos imediatamente de “coragem civil”. E diz: “O Brasil se encontra numa dessas encruzilhadas da história em que dependerá muito de se acertar em escolhas dramáticas para não cair no abismo. E todos parecem saber o melhor rumo, mas ninguém o quer desbravar. O abismo é o outro, a quem se quer eliminar, mal enxergando que, a cada impulso exterminador, aproxima-se mais a borda do precipício que pode a todos engolir”.

Está, assim, lançado o desafio.  Dito de outro modo: A saída é a política.
 
Precisamos usar de toda nossa inteligência, coragem e serenidade para impedir a destruição do nosso país. Enfrentando um inimigo oculto, que não ousa assumir abertamente a sua deletéria missão. Com o vergonhoso auxílio de brasileiros “transnacionais”. Conhecidos, antigamente, como traidores da pátria...
____________________
(*) Geniberto Paiva Campos, do Coletivo Lampião

Criado em 2017-10-30 01:39:07

Queima de arquivo

Luiz Turiba –

arquivo vivo
é inqueimável
pouco importa o grau
da sua combustão
inefável

falta ar na jugular
arquivo crível
do que te faz
arqui-inimigo

um arquivo, enfim,
não tem fim
ente eterno e etéreo

um arquivo tudo recebe
& a tudo guarda
da jovem guarda
à guarda vermelha
do camarada Mao Tsé Tung

ninguém pode anular
um arquivo vivo
nem matá-lo nem queimá-lo
VIVO!
como vela de sete dias pra Exu
câncer de pele
bucha de canhão
prédio no centro de São Paulo
fogueira de São João

arquivos são imortais
nem bala de prata os matam
tudo que neles habita
são seus ressuscitáveis

a carta escrita pelo náufrago
lacrada & velada
na garrafa lançada aos oceanos
não se afoga
sobrevive e revela-se

arquivo é um híbrido
de arquétipos
cármicos e arqueológicos
ressurge em dialetos
em outras, hieróglifos

queimá-los é acordá-los
do sono dos mortais
é ir contrário
a lei cósmica cujo
universo conspira

então, meu chapa
não pense ser dono do destino
teu engano
e não ver cair o pano

há sempre uma testemunha-chave
fogo-fátuo alma vivente
autorretrato da realidade
que transparece, não o crime
perfeito, mas moto-contínuo
el perpetuum mobile
que ressuscita sempre o seu
moribundo arquivo:
o detalhe, mesmo lívido
pulsa vívido

Criado em 2020-02-11 23:17:37

Bancada do PT: “Os equívocos do projeto de Rollemberg sobre a Previdência Social”

A propósito da entrevista do governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB), concedida neste domingo ao Correio Braziliense, a bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara Legislativa divulgou hoje (10/9) nota esclarecendo a população sobre a Previdência do DF e os “equívocos do projeto do governador”.

Os petistas rejeitam a acusação de Rollemberg de que o deputado Wasny de Roure agiu de má fé ao entrar na Justiça contra a tramitação do projeto, que não obedeceu o Regimento Interno da Casa quanto aos prazos para oferecimento de emendas.

Na nota, os distritais do PT disseram que “quem usa de má-fé, distorcendo a verdade, é ele [governador]. No governo passado e também no atual, houve vários projetos votados sem abertura de prazo para emendas. Só que isso é possível apenas quando existe acordo entre os deputados. Se não tem acordo, vale a regra do Regimento Interno, que garante 10 dias úteis para emendas. O deputado Wasny nunca colocou em votação projeto de lei sem acordo prévio dos Líderes”.

O líder do PT, Ricardo Vale, disse, em entrevista ao mesmo jornal, que a bancada é contra o projeto como está "porque a fusão dos dois fundos [o Financeiro e o capitalizado] podem criar um grande problema em alguns anos, pois é justamente o fundo superavitário que vem ajudando o governo, desde 2015 a manter os salários dos servidores em dia. As experiências de fusão em outros estados foram um fracasso. O fundo superavitário acabou, usaram todo o dinheiro e hoje alguns governos não pagam e atrasam salários".

O GDF e a CLDF tentarão nesta semana derrubar a liminar concedida pela Justiça par suspender a tramitação do PLC do Poder Executivo que altera o sistema previdenciário do DF, mas o fato é que o governador está com dificuldade de aprovar o projeto tal como foi apresentado, já que há resistência dentro de sua própria base de apoio.

Enquanto o tempo passa, várias emendas estão sendo apresentadas para melhorar o texto proposto, mas os sindicatos das categorias do funcionalismo público no DF rejeitam qualquer alteração que venha a prejudicar os trabalhadores.

Eis a íntegra da nota:

“Em entrevista ao Correio Braziliense, publicada hoje (10/9/2017), o governador [Rodrigo] Rollemberg não disse a verdade para a população do Distrito Federal sobre seu projeto de previdência social.

1º) O projeto que ele apresentou à Câmara Legislativa não reestrutura a previdência dos servidores públicos, nem aponta qualquer solução para sua sustentabilidade futura.

2º) Ao contrário. O único objetivo do projeto é resolver os problemas financeiros do atual governo, gastando a poupança acumulada principalmente no governo [Agnelo] Queiroz e deixando os próximos governos de pires na mão.

3º) Diversamente do que foi afirmado na entrevista, ele tem ciência de que o único objetivo do projeto é resolver os problemas financeiros do seu governo, sem apontar qualquer solução para o futuro.

4º) É muito fácil perceber a manipulação das informações.

5º) Hoje, existem R$ 5,2 bilhões poupados ao longo de dez anos, para pagar as aposentadorias futuras e que rendem quase meio bilhão de reais por ano na capitalização.

6º) Essa soma de recursos deve continuar na poupança. Parte dela, apesar de não termos consenso na bancada sobre isso, até pode ser usada para pagar parte das aposentadorias atuais, como em 2015 e 2016.

7º) É inaceitável, no entanto, que o governo tente destruir tudo o que já foi feito até o momento, de forma planejada, para garantir as aposentadorias futuras. É inaceitável que um governante pense apenas no seu próprio umbigo e use a previdência dos servidores em seu projeto de reeleição.

8º) A junção dos dois fundos (o previdenciário e o financeiro), na verdade, vai agravar e alongar o crescimento do déficit previdenciário, tornando insustentáveis as finanças do Distrito Federal já no próximo governo. Com os fundos separados, o déficit previdenciário para de crescer em 2035. Com a junção, continua a crescer até 2050. E o governador sabe disso, porque foi apontado por nossos técnicos e reconhecido pelos assessores dele.

9º) O governador também afirmou na entrevista que o deputado Wasny [de Roure] usou de má-fé ao barrar a tramitação desse projeto na Justiça.

10º) Quem usa de má-fé, distorcendo a verdade, é ele. No governo passado e também no atual, houve vários projetos votados sem abertura de prazo para emendas.

11º) Só que isso é possível apenas quando existe acordo entre os deputados. Se não tem acordo, vale a regra do Regimento Interno, que garante 10 dias úteis para emendas. O deputado Wasny nunca colocou em votação projeto de lei sem acordo prévio dos Líderes.

12º) Por isso, não podemos aceitar que o governador atropele o processo legislativo para destruir o futuro do Distrito Federal. Se o projeto fosse bom, ele o teria apresentado com tempo suficiente para ser analisado e discutido com a sociedade.

13º) Como o projeto é ruim, o governador Rollemberg quer atropelar a Câmara Legislativa, na vã e equivocada esperança de se fortalecer para disputar as próximas eleições”.

Assinam: Deputados Ricardo Vale, líder do PT na CLDF, Chico Vigilante e Wasny de Roure.


 

 

Criado em 2017-09-10 21:57:12

Paraíso em chamas

Luiz Martins (*) -

Até parece título de superprodução de enlatado ruim, tipo Inferno na Torre. E o cinema típico da indústria cultural até nos mostra na tela tragédias para que elaboremos catarse face aos horrores do mundo. Como se diz em bom goianês, coisa de louco, sô!

Dói muito para os lúcidos ver na tela, pelos telejornais, o fogo queimar quase todo o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, ainda mais para mim, que nos meus tempos de repórter iniciante fiz matérias sobre o abandono dos parques, um deles, o de Veadeiros, à época (meados da década de 70), na seguinte situação: 21 fazendas e um orfanato, pode ser que ainda estejam por lá, pois, desapropriados, mas não indenizados – era o que alegavam.

Com exceção do orfanato e algum outrem, sempre foi prática de fazendeiros botar fogo, seja para renovar pasto; seja para facilitar a destoca do próximo plantio.

Afora o descaso atávico das autoridades e suas ameaças de construir represa e reduzir a área ecológica, nunca houve muita seriedade em respeitar a natureza por ali, mesmo sendo esta senhora patrimônio e atrativo maiorais em torno de Alto Paraíso, São Jorge e Cavalcanti que, apesar de incontáveis deslumbres (cachoeiras, rios, fauna, flora...), sequer contaram com suportes e logística de turismo à altura do mérito, nem mapas e guias de qualidade.

Por vezes, mais sinônimos de acampamentos para moçada “bicho grilo” e de loucuras-beleza como o aeroporto para boeings que, tempos atrás, era indicado como observatório de discos voadores.

Há muita gente séria por lá: na sociedade alternativa; no turismo; na militância preservacionista; na cultura. E é em nome destes últimos que encomendo as minhas mais elevadas esperanças, pois, eu vos digo, em verdade, estes já mereceram nesta o seu mais Alto Paraíso. [Foto dos voluntários - CMBio]



Os mais jovenzinhos não hão de saber, mas, a cidade se chamava Veadeiros, nominação trocada pelos vereadores que não se sentiam confortáveis com o gentílico. Veados, de fato, já eram raros, vítimas de caçadas e, pelo que me disseram (não sei se tem fundamento), de aftosa.

Quanto ao orfanato, Fazenda Bona Espera, foi muito astral, para não dizer surreal. Cheguei lá com o fotógrafo (não havia esse asfaltão de hoje, fomos de teco-teco) e ficamos ouvindo meninada em algazarra, numa peladinha de futebol, mas, falando uma língua que não compreendia, mas incrivelmente familiar, ainda mais que eu ainda me lembrava de alguma coisa do velho latim e comecei a me intrigar. Romeno? Parecia.

Aí, apareceram um cara de Goiânia e uma escocesa. Ele, guiado por sonhos mediúnicos; ela, algo assim. Missionários à sua maneira. “Isto aqui é uma colônia esperantista; esses meninos já estão sendo alfabetizados no idioma universal”. Mundo redondinho e casualidades de cair o queixo.

Eu estava justo contando isto, à mesa de um rango vegano, na sede da União Planetária, uma reunião da TV Supren. Quando dessa estada, não havia conhecido “o casal de italianos”, porque tinham viajado. “Somos nós”, disse um senhor idoso, do outro lado da mesa, meneando a cabeça para o lado da esposa. Até hoje me arrepio.

Entenderam porque sofro tanto em ver o nosso Alto Paraíso em chamas?
______________________
(*) Luiz Martins – da série Minicrônicas.

Criado em 2017-10-27 03:43:28

Sarau não ao feminicídio, um grito contra a violência

Evento reúne dezenas de poetas e músicos de Brasília no Teatro dos Bancários de Brasília (314 Sul), dia 13 de fevereiro, 5ª feira, às 19h. Entrada gratuita.

Em defesa da vida, amantes da poesia, música, justiça e direitos humanos estão convidados para o Sarau Não ao Feminicídio, no dia 13 de fevereiro, a partir das 19h, no Teatro dos Bancários de Brasília. Um protesto contra a alarmante realidade que acomete mulheres em todo o Brasil, a ação cultural, promovida pelo Celeiro Literário de Brasília e pelo projeto BraSa - Caminhos Literários e Musicais entre Brasília e Salvador, contará com 20 poetas e diversos músicos da Capital Federal, que levarão seus versos e canções em um gesto de denúncia das violências físicas e simbólicas contra o gênero feminino.

Com a 5ª maior taxa de feminicídio do mundo, a realidade brasileira aponta para uma guerra silenciosa na qual milhares de mulheres cotidianamente são ameaçadas, abusadas, estupradas ou mortas. A última edição do Atlas da Violência, produzido em 2019 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), constata a triste conjuntura: o número de mortes de mulheres por razão de gênero. Em dez anos, houve um crescimento de 30,7% de homicídios femininos no território nacional. Somente em 2017, 13 mulheres foram assassinadas por dia, além da estimativa de, no mínimo, 300 mil estupros anuais, já que, infelizmente, as notificações não correspondem a todos os crimes.

No Distrito Federal, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, somente em janeiro de 2019, registrou-se um feminicídio por semana. Na maioria dos casos (74%), os crimes ocorreram dentro de casa. Pelo perfil das vítimas, a maioria entre 25 e 30 anos. Segundo os dados atualizados em 2018, Brasília ocupa o quinto lugar em índices de feminicídio no país.

Frente a esse grave cenário, artistas de Brasília se unem para dar um basta à violência contra as mulheres. Subirão ao palco os seguintes poetas: Nilva Souza, Cristina Roberto, Seirabeira, Ana Rossi, Custódia Wolney, Luciana Barreto, Angélica Torres, Paulo Lima, Mauro Rocha, Marcia Amaral, Ismar Lemes, Flora Benittez, Pietro Costa, Nara Fontes, Analise, Vicente Sá, Malu Verdi, Roberto Medina, Luh Veiga e Maria Maia.

Na programação musical, Martinha do Coco, Dora Cabanilha, Marina Andrade, grupo de choro Regional Marangone, constituído por Rodrigo Pereira (violão), Cristina Porto (fagote), Fernando Borgatto (bandolim), Sidnei Maia (flauta), Henrique Borgatto (cavaquinho) e Davi Muniz (pandeiro) –, além do quarteto Não ao Feminicídio formado por Beatriz Schimidt (flauta transversal), Cristina Porto (Fagote), Eduardo Rangel (voz) e Genil Castro (guitarra).

O evento conta com o apoio expressivo de diversas entidades civis, como Sindicato dos Bancários de Brasília, Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED), Associação de Advogadas e Advogados pela Democracia (APD) Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (ANESP), Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor), Unacon Sindical, Instituto Construção e CFEMEA.

________________
Serviço:
Sarau Não ao Feminicídio
Dia: 13 de fevereiro, 5ªa feira
Hora: 19h
Local: Teatro dos Bancários de Brasília (314 Sul).
Entrada gratuita.

Criado em 2020-02-10 23:25:52

Dilma responde declarações de Palocci: ‘Ficção não se sustenta’

Presidenta Dilma Rousseff disse que ex-ministro mente como um 'esforço de sobrevivência e busca por liberdade'. Nota divulgada pela assessoria de imprensa de Dilma, quinta-feira (7/9), rebate depoimento prestado ao juiz Sérgio Moro pelo ex-ministro Antonio Palocci, segundo o qual a petista teria feito parte de um esquema criminoso nos pouco mais de cinco anos em que esteve à frente da Presidência da República.

“A lógica que move o senhor Antonio Palocci é a mesma que acomete outros delatores presos por longos períodos. A colaboração implorada é o esforço de sobrevivência e a busca por liberdade. Isso não significa que se amparem em fatos e na verdade. É um recurso desesperado para se livrar da prisão. Em outros períodos da história do Brasil, os métodos de confissão eram mais cruéis, mas não menos invasivos e implacáveis”, diz o texto.

Confira na íntegra da nota:

“A respeito das declarações prestadas pelo ex-ministro Antonio Palocci em depoimento à Justiça Federal na quarta-feira, 6 de setembro, a Assessoria de Imprensa da presidenta eleita Dilma Rousseff esclarece:

1. O senhor Antonio Palocci falta com a verdade quando aponta o envolvimento de Dilma Rousseff em supostas reuniões de governo para tratar de facilidades à empresa Odebrecht, seja durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou no primeiro governo dela. Tais encontros ou tratativas relatadas pelo ex-ministro jamais ocorreram. Relatos de repasses de propinas também são uma mentira.

2. Todo o conteúdo das supostas conversas descritas pelo senhor Antonio Palocci com a participação da então ministra Dilma Rousseff – e mesmo quando ela assumiu a Presidência – é uma ficção. Esta é uma estratégia adotada pelo delator em busca de benefícios da delação premiada.

3. O episódio em que cita um inacreditável benefício à Odebrecht pelo governo Dilma Rousseff, durante o processo de concessões de aeroportos, mostra que o senhor Antonio Palocci mente.

4. O ex-ministro declarou perante a Justiça Federal que a decisão do governo Dilma de não permitir que um consórcio ou empresa ganhasse mais de um aeroporto foi criada pela presidenta eleita para beneficiar diretamente a Odebrecht. Isso é uma mentira!

5. Tal decisão foi tomada pelo governo para gerar concorrência entre as empresas concessionárias de aeroportos. Buscou-se evitar que, caso uma empresa tivesse a concessão de dois aeroportos, priorizasse um em detrimento do outro. O governo Dilma buscava atrair mais empresas para participar do sistema aeroportuário, garantindo que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), como órgão regulador, tivesse mais parâmetros para atuar. Mais concorrência, menos concentração.

6. Eis um fato que desmascara as mentiras do senhor Antonio Palocci. A empresa Odebrecht, que ganhou a disputa junto com o grupo Changi, pagou R$ 19,018 bilhões pela outorga do Galeão. Sem dúvida, é a maior outorga paga por aeroportos no Brasil, o que afasta a acusação de beneficiamento indevido declarada por Palocci.

7. O quadro abaixo demonstra que a Odebrecht foi responsável pela maior outorga paga ao Governo para o direito de explorar apenas um dos seis aeroportos cujas concessões foram feitas pelo governo Dilma:

CONCESSÕES DE AEROPORTOS NO GOVERNO DILMA

São Gonçalo do Amarante, Natal (RN)
Grupo vencedor: Consórcio InfrAmerica – Infravix (50%) + Corporación America (50%)
Estimativa de investimentos: R$ 650 milhões
Outorga: R$ 170 milhões

Guarulhos
Grupo vencedor: Invepar (90%) + ACSA (10%)
Estimativa de investimentos: R$ 4,6 bilhões
Outorga: R$ 16,213 bilhões

Viracopos
Grupo vencedor: Consórcio Aeroportos Brasil – Triunfo (45%) + UTC (45%) + Egis (10%)
Estimativa de investimentos: R$ 8,7 bilhões
Outorga: R$ 3,821 bilhões

Brasília
Grupo vencedor: Consórcio InfrAmerica – Infravix (50%) + Corporación America (50%)
Estimativa de Investimentos: R$ 2,8 bilhões
Outorga: R$ 4,501 bilhões

Galeão
Grupo vencedor: Odebrecht (60%) + CHANGI (40%)
Estimativa de investimentos: R$ 5,65 bilhões
Outorga: R$ 19,018 bilhões

Confins
Grupo vencedor: CCR (75%) + Munich/Zurich (25%)
Estimativa de investimentos: R$ 3,5 bilhões
Outorga: R$ 1,1 bilhão

8. Eis os fatos. A ficção criada pelo senhor Antonio Palocci não se sustenta. A Odebrecht pagou 300% a mais pelo direito de explorar o aeroporto do Galeão. Nenhuma empresa desembolsou tanto. Que benefício ela obteria do governo Dilma Rousseff pagando a mais? Qual a lógica que sustenta o relato absurdo do ex-ministro?

9. A lógica que move o senhor Antonio Palocci é a mesma que acomete outros delatores presos por longos períodos. A colaboração implorada é o esforço de sobrevivência e a busca por liberdade. Isso não significa que se amparem em fatos e na verdade. É um recurso desesperado para se livrar da prisão. Em outros períodos da história do Brasil, os métodos de confissão eram mais cruéis, mas não menos invasivos e implacáveis”.

Assinado: Assessoria de Imprensa da presidenta Dilma Rousseff

Criado em 2017-09-10 17:36:40

Socialismos

Luiz Martins (*) -

Quando a esquerda se faz desgastada, aparelhada, objeto de achincalhamentos, aí eu vou mais para a esquerda, o que em nada acolhe sectarismo, e procuro refúgio nas utopias, embora nesse rumo o tempo atual seja safra escanifrada e, por vezes, riem-se na cara da gente ou vêm com ceticismo e desdém: “Nossa, como você é ingênuo”!

Confundem utopia (u-topos = o que ainda não tem topologia, mas já alvorece) com devaneio, nada contra, o papa temático no assunto, Gaston Bachelard, maior parte da obra sobre poéticas: do espaço, das águas, do fogo, dos sonhos.

Olha que livro maravilhoso: “O direito de sonhar”. Freud diria que vivemos a maior parte dos expedientes em atendimentos oníricos, daí, tratados como: “A interpretação dos sonhos”; “Psicopatologia da vida cotidiana” e “O chiste e suas relações com o inconsciente”.

E para quem acha que Marx era o cão danado do ateísmo, ele era tão somente o velho profeta dos horizontes, plasmou o que a Humanidade não teve competência à altura, mas bem que ensaiou.

Cai, então, a ficha desta prosa, os cem anos da Revolução Russa. A TV Brasil, olha que surpreendente, nos brindou com uma exibição-festival do cinema soviético, Eisenstein na cabeça.

Anteontem, quase me entalei de comoção com imagens e trilha de “Os cossacos de Kuban” (Ivan Pyriev – 1901-68), ao meu ver uma pintura cinematográfica ao estilo do Realismo correspondente, com um porém: metade dos cossacos não era de “vermelhos”, muito pelo contrário. [foto a seguir].

O realce que recolho, portanto, é de um século do “socialismo real”. Matizes vários, desde os bolcheviques aos requintes da democracia sueca. De ‘nossa’ parte, um panteão de ilustres a quem represento com os nomes de Arraes, Brizola e, tchan, tchan, tchan (este clarim é para os mais jovens), um líder camponês, José Porfírio de Sousa (1912— ?), desaparecido em Brasília (1973) e de corpo jamais encontrado.

Revolucionário no seu tempo presente, na resistência a grileiros, Porfírio foi praticamente o presidente de uma fugaz (porque logo esmagada) República Socialista de Trombas—Formoso (GO), minúsculo capítulo da história brasileira sobre o qual algum spot ainda há de ser focado, pois de obscurantismo a censura fez a sua parte. Falta pesquisa e justiça.

Muitas pessoas neste país foram perseguidas e martirizadas somente porque lutaram por causas futuristas e porque não se conformaram com o “alinhamento automático” para com a doutrina de Washington e porque vislumbraram saídas mais dignas para a pobreza do que as caridades da “Aliança para o Progresso”.

A ditadura pós-64 não se contentou com o poder e a revanche foi com sede às atrocidades. Mesmo a morte de João Goulart ainda está por ser esclarecida.

Dia desses, um rapaz veio com esta: “Você é marxista?”. Sou tão cristão quanto você, mas lembrando da fantástica trilogia de judeus: Cristo, Marx e Freud. Como pode um jovem formatar-se com tanto fervor em clichês antigos e recentes?

“Os Sem-Terra”, prosseguiu, “são treinados pelas Farcs”. Santo Deus!

Quantas lendas! Cada um com a sua, houve uma vez um verão, o verão do calor socialista, sinônimo de uma era que parecia ter chegado a alguns quadrantes e cuja “evolução” ideológica e linear era: primitivismo, escravagismo, feudalismo, capitalismo, comunismo e socialismo.

Quando eu vim ao mundo dessa cartilha ela já era interdita, a esquerda uma terra arrasada e os seus devotos foram tão cassados quanto os primeiros cristãos em Roma. Havia e ainda há os que a qualquer custo, incluindo o sacrifício de pessoas, querem encerrar a história com o capitalismo.

Uns, esclarecidos quanto ao seu papel nos esquemas de domínio; outros, ainda que de boa fé, de falsa consciência de que o socialismo é um perigo, uma espécie monstro alienígena.

Preferem a ilusão das sombras fantasmagóricas na parede de uma caverna platônica ao fulgor da luz que lá fora ilumina um mundo passível de ser construído com participação, lucidez e coletividade.

Os avanços se dão primeiramente na validação das propostas (legitimidade) e, mais tarde, no pragmatismo da experiência (legalidade). No caso do socialismo, as referências ainda estão por aí, mas, hoje, meu saudosismo vai para uma união de povos (e não apenas um bloco mercadológico), como foi a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

É um retrato na parede, uma Itabira (Drummond) cósmica que talvez tenha sido concretude antes de se cumprir como ideal.

Licença peço para discordar de Lennon (ele, noutro contexto, claro), o sonho não se acabou, pois sempre poderemos sonhar, inclusive, antes de adormecer.

E, melhor ainda, ao descobrir que estivemos anestesiados demais e por um tempo quase sem fim.

______________________

(*) Luiz Martins – da série Minicrônicas.

Criado em 2017-10-27 03:35:29

Intelectuais e artistas denunciam autoritarismo e censura no Brasil

Um grupo de artistas e intelectuais brasileiros e estrangeiros assinam um manifesto denunciando práticas antidemocráticas e a censura no Brasil do governo Jair Bolsonaro.

O documento já tem mais de três mil assinaturas, entre elas as de Sting, Trudie Styler, Valeria Chomsky, Noam Chomsky, Lilia Schwarcz, Chico Buarque, Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Sebastião Salgado, Djamila Ribeiro, Milton Hatoum, Petra Costa, Nancy Fraser, Boaventura Sousa Santos e tantos outros.

O governo Bolsonaro “ignora a atuação paralela e criminosa das milícias, e a corrupção que prometeu combater”. Os artistas e intelectuais que assinam o documento denunciam que o atual governo brasileiro “ataca as instituições democráticas e isso poderá ser irreversível”. Por isso, “chamamos a comunidade internacional a se solidarizar e se posicionar publicamente para condenar os atos de violência e de aparelhamento burocrático e ideológico do Estado, para que não se configure em um programa eficiente e regular de censura”.

Os manifestantes querem “pressionar o governo brasileiro para que ele siga a Declaração Universal de Direitos Humanos, e com isso respeite a liberdade de expressão, de pensamento e de religião”.

Por fim, o documento conclama os órgãos de Direitos Humanos e a imprensa internacional para que “fiquem atentos ao que acontece no Brasil e às ameaças à democracia que tem sido colocada à prova, diariamente. O momento é grave, e é hora de dizer não à escalada autoritária no Brasil”.

Leia a íntegra do manifesto:

“As instituições democráticas brasileiras têm sofrido um verdadeiro ataque desde o começo da gestão de Jair Bolsonaro. Desde 1º de janeiro de 2019, quando Bolsonaro assume o poder como presidente do Brasil, assistimos a uma escalada autoritária, refletida em uma sistemática tentativa de controle e cerceamento de várias instituições culturais, científicas e educacionais brasileiras e aos órgãos da imprensa.

Os exemplos são muitos.

Logo no início da gestão, membros do partido pelo qual Bolsonaro foi eleito (PSL) pediram, publicamente, que alunos filmassem seus professores e os denunciassem por “doutrinação ideológica”, através de filmagens e seu compartilhamento nas mídias sociais. Essa campanha estilo “caça às bruxas”, chamada de “escola sem partido”, gerou insegurança nas escolas e universidades, em um país que há pouco mais de três décadas saiu de uma ditadura militar opressora. Em janeiro de 2020, Bolsonaro afirmou que os livros didáticos brasileiros “tinham muita coisa escrita” e sugeriu que o Estado interferisse diretamente no conteúdo das obras que chegam às escolas públicas, e de forma sectária.

A administração Bolsonaro deixou claro que não tolerará qualquer desvio de sua política ultraconservadora. O diretor de marketing do Banco do Brasil, Delano Valentim, foi demitido por haver colocado no ar uma propaganda, censurada pelo governo no início de 2019, que refletia inclusão racial. Mais tarde, no mesmo ano, enquanto a floresta Amazônica brasileira queimava em níveis alarmantes, a administração retaliou contra cientistas que ousaram mostrar fatos. Ricardo Galvão, ex-diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), foi exonerado por divulgar dados de satélite do desmatamento no Brasil.

No dia 21 de janeiro, o Ministério Público Federal denunciou, sem provas, Glenn Greenwald, jornalista e cofundador do The Intercept Brasil, por participar de uma suposta organização criminosa que teria, entre outros [crimes], invadido celulares de autoridades brasileiras. Em um ataque à liberdade de imprensa, diretamente relacionado à série de reportagens que The Intercept vem fazendo sobre a corrupção dentro da Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal desafiou o Supremo Tribunal Federal e contornou a medida cautelar nas investigações sobre Greenwald, proferida por Gilmar Mendes, ministro do Supremo.

Esse não é um caso isolado. Vários agentes, entre eles tribunais regionais e policiais militares, vêm agindo como células defensoras do projeto bolsonarista e tomando medidas para tentar moldar a sociedade brasileira. Somente em 2019 contabilizaram-se 208 agressões a veículos de comunicação e a jornalistas.

No dia 16 de janeiro, o ex-Secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim, e Bolsonaro, em uma transmissão conjunta, elogiaram a “guinada conservadora” e o “recomeço da cultura” do país. No dia seguinte, Alvim plagiou o nazista Joseph Goebbels quando fazia o anúncio de um novo prêmio nacional das artes. O secretário foi exonerado por conta da imensa reação que seu discurso gerou na sociedade civil. Mesmo assim, Alvim era a voz do projeto bolsonarista de contínua afronta à liberdade de expressão, com mudanças que demonstram retrocesso na liderança e no funcionamento de diversos órgãos, como o Conselho Superior de Cinema, da ANCINE, do Fundo Setorial Audiovisual, da Biblioteca Nacional, do Iphan —Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional— e da Fundação Palmares.

Pela primeira vez na história do Brasil, Petra Costa pode vir a ser a primeira mulher latino-americana a ganhar um Oscar, com o documentário Democracia em Vertigem. Já a administração Bolsonaro usou o Twitter oficial da Secretaria de Comunicação para definir Costa como uma antipatriota que espalha mentiras. Por outro lado, enquanto os longa-metragens Bacurau, A Vida Invisível e Babenco receberam reconhecimento internacional nos festivais de Cannes e de Veneza, respectivamente, Bolsonaro declarou que faz tempo que não se produz bons filmes no Brasil.

A partir de um programa moralista e ideológico fechado e compactuado, essa administração busca mudar o conteúdo dos livros escolares, dos filmes nacionais, restringir o acesso a bolsas de estudo e de pesquisa, intimidar o corpo docente, os jornalistas e os cientistas.

Buscam também reverter, inclusive, várias conquistas dos últimos anos, como a implementação da política de cotas e de ação afirmativa no país, medidas que, entre outras, e pela primeira vez na história do Brasil, vêm tornando o país mais múltiplo e inclusivo, menos desigual, com 51% dos alunos das universidades públicas sendo provenientes das comunidades negras. O que temos presenciado desde 2019 é um movimento oposto; um retrocesso nesses direitos fundamentais.

Estamos assim, diante de um governo que nega a laicidade do Estado e que fomenta fundamentalismos e racismo religioso, que nega o aquecimento global, e as queimadas na Amazônia, despreza líderes que lutam pela preservação do meio ambiente, e desrespeita a cultura e a preservação ambiental realizada pelas comunidades indígenas e quilombolas.

Este governo ignora a atuação paralela e criminosa das milícias, e a corrupção que prometeu combater. Bolsonaro e seus ministros atacam as minorias e negam as demandas dos movimentos negros, indígenas, LGBTTQ+. Também, constantemente, ataca cientistas, acadêmicos e jornalistas toda vez que se sente ameaçado. É um governo que tem feito drásticos cortes no orçamento para o desenvolvimento da cultura e educação, e que não tem plano de desenvolvimento para o seu povo.

O resumo é que o projeto de Governo atual ataca as instituições democráticas e isso poderá ser irreversível. Chamamos assim a comunidade internacional a se solidarizar e se posicionar publicamente:

Para condenar estes atos de violência e de aparelhamento burocrático e ideológico do Estado, para que não se configure em um programa eficiente e regular de censura.

Para pressionar o governo brasileiro para que ele siga a Declaração Universal de Direitos Humanos, e com isso respeite a liberdade de expressão, de pensamento e de religião.

Por fim, conclamamos os órgãos de Direitos Humanos e a imprensa internacional para que fiquem atentos ao que acontece no Brasil e às ameaças à democracia que tem sido colocada à prova, diariamente. O momento é grave, e é hora de dizer não à escalada autoritária no Brasil”.

Criado em 2020-02-09 23:57:57

Lula diz que depoimento de Palocci é contraditório e sem compromisso com verdade

Em sua página no Facebook, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci foi "contraditório" e "sem o compromisso de dizer a verdade".

A nota foi divulgada na quarta-feira (6/9) para rebater as afirmações do ex-ministro Antonio Palocci, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que Lula acompanhava o repasse de propina da Odebrecht para o PT.

Palocci chegou a dizer, sem prova nenhuma, que havia um ‘pacto de sangue’ celebrado com a Odebrecht que resultou num pacote de propina de R$ 300 milhões para o PT.

O advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin Martins disse que Palocci mudou sua versão sobre os fatos para conseguir fechar acordo de delação porque está "preso e sob pressão"

De acordo com a nota, a acusação do ex-ministro da Fazenda "só se compreende dentro da situação de um homem preso e condenado em outros processos" e "que busca negociar com o Ministério Público e o próprio juiz Moro um acordo de delação premiada que exige que se justifique acusações falsas e sem provas contra o ex-presidente Lula".

Em relação ao foco do processo, a suposta compra de um terreno para a construção da nova sede do Instituto Lula, a defesa do ex-presidente diz que "jamais teve qualquer outra sede que não o sobrado onde funciona no bairro do Ipiranga em residência adquirida em 1991".

Eis a íntegra da nota de Lula:

"A história que Antonio Palocci conta é contraditória com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e provas e que só se compreende dentro da situação de um homem preso e condenado em outros processos pelo juiz Sérgio Moro que busca negociar com o Ministério Público e o próprio juiz Moro um acordo de delação premiada que exige que se justifique acusações falsas e sem provas contra o ex-presidente Lula.

Palocci repete o papel de réu que não só desiste de se defender como, sem o compromisso de dizer a verdade, valida as acusações do Ministério Público para obter redução de pena e que no processo do tríplex foi de Léo Pinheiro.

A acusação do Ministério Público fala que o terreno teria sido comprado com recursos desviados de contratos da Petrobrás, e só por envolver Petrobrás o caso é julgado no Paraná por Sérgio Moro. Não há nada no processo ou no depoimento de Palocci que confirme isso. Sobre a tal “planilha”, mesmo Palocci diz que era um controle interno do Marcelo Odebrecht e que “acha” que se refere a ele. Ou seja, nem Palocci conhecia a tal planilha, quanto mais Lula.

Palocci falou de uma série de reuniões onde não estava e de outras onde não haveriam testemunhas de suas conversas. Todas falas sem provas.

Marcelo por sua vez diz ter pedido que seu pai contasse para Lula e Emílio negou ter contado isso para Lula.

O réu Glauco da Costa Marques reafirmou em depoimento ser o proprietário do imóvel vizinho ao da residência do ex-presidente e ter contrato de aluguel com a família do ex-presidente, e que está recebendo o aluguel. Uma relação de locador e locatário não se confunde com propriedade oculta.

Processos fora da devida jurisdição com juiz de notória parcialidade, sentenças que não apontam nem ato de corrupção nem benefício recebido, negociações secretas de delação com réus presos que mudam versões de depoimento em busca de acordos com o juízo explicitam cada vez mais que os processos contra o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato em Curitiba não obedecem o devido processo legal.

O Instituto Lula reafirma que jamais solicitou ou recebeu qualquer terreno da empresa Odebrecht e jamais teve qualquer outra sede que não o sobrado onde funciona no bairro do Ipiranga em residência adquirida em 1991.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirma que jamais cometeu qualquer ilícito nem antes, nem durante, nem depois de exercer dois mandatos de presidente da República eleito pela população brasileira."

Criado em 2017-09-10 17:26:57

Cidades para pedestres

Claudio Silva (*) -

Uma vez estive na medina de Fez-El Bali, no Marrocos, que possui 160 mil habitantes e por onde não passam carros nem ônibus. Essa é a maior área livre de carros do planeta. Fez é um tipo de cidade de grande escala estruturada para os pedestres.

Como isso é possível? Basicamente, porque seu padrão urbanístico exemplifica uma parte da história humana, a maior, diga-se de passagem, quando não existia veículos a vapor ou motor. Então, digamos, ela não foi desenhada para os carros.

Outro exemplo de cidade estruturada para os pedestres é Veneza, que inclui um sítio histórico de 60 mil habitantes por onde também não passam carros. No caso, é também navegável. As gôndolas e outras embarcações servem de apoio para os pedestres vencerem maiores distâncias.

Paris, apesar de seus mais de 2 milhões de habitantes, é uma cidade que fica livre dos carros em certos datas. Isso acontece na Journée sans ma voiture, que se celebra todo ano em setembro. Neste ano, o uso de carros ficou proibido por um dia inteiro em todo o perímetro da cidade.

Como é possível ficar sem carro em uma cidade tão grande? Primeiro, é uma questão de pensar diferente. Segundo, era um dia de domingo. Terceiro, Paris é também reconhecida pela abrangência do seu transporte integrado e multimodal. Ela fica, porque não, estruturada para pedestres, com apoio de bicicletas, táxis e transportes público coletivo.

Em todas essas três cidades há algum tipo de integração com outros modos de transporte.

Em Fez a integração acontece nos portões dos muros que a cercam. Em Veneza é com as embarcações e em Paris com o transporte integrado e multimodal. Em todas elas o pedestre foi visto em primeiro lugar. Por essa razão, argumento que são estruturadas para pedestres.

E Brasília? Aqui a integração acontece na porta de casa, e é com os carros, que acabam roubando a cena.

O uso majoritário deles, diferentemente das outras três cidades aqui comentadas, ofusca células menores estruturadas para os pedestres, como o interior das superquadras e o Setor Comercial Sul, por exemplo.

Observe que não estou falando das outras cidades do Distrito Federal. Ah...se aqui a integração fosse com o transporte integrado e multimodal...

É necessário que a sociedade cobre urgência do governo em relação a políticas urbanas que tornem o DF estruturado para pedestres. Eu, um pouco contaminado por estar trabalhando com essas políticas no poder público local e federal há mais de 15 anos, argumento que as mudanças não acontecem tão rápido.

Exemplifico com a infraestrutura para ciclistas no DF, que em outra oportunidade chamei de “corrida cicloviária”, que apesar de extensa ainda precisa de muitas melhorias, o que só se dá com mudanças incrementais, exercício da cidadania e paciência.


É mais ou menos esse o espírito da Associação Andar a Pé,um movimento de ativismo propositivo que pede urgência e, ao mesmo tempo, divide as dificuldades com o governo.

Sonho estar vivo para ver o DF estruturado para pedestres com a expansão das amenidades como, por exemplo, o sombreamento e integração das calçadas,que há nas células menores, coexistência com ciclistas e integração com o transporte público coletivo.

Este texto é uma adaptação da minha fala, em nome da Andar a Pé, no evento Light on Bike, promovido pela embaixada da Suécia, em Brasília, no último dia três de outubro.
___________________
(*) Cláudio Silva, doutor em arquitetura e urbanismo, arquiteto do Ministério das Cidades e um dos diretores da Associação Andar a Pé - O Movimento da Gente. As fotos são também de Cláudio Silva.

Criado em 2017-10-11 16:56:36

Central Única das Favelas realiza concurso de beleza para periferia

As inscrições, gratuitas, se encerram neste sábado (8/2) e podem ser feitas pelo site www.topcufabsb.com.br . Os jovens aspirantes a modelo devem ter entre 15 e 28 anos de idade.

O presidente da Central Única das Favelas (Cufa-DF), Bruno Kesseler, informa que as inscrições desta edição já superaram as três edições anteriores. Segundo os organizadores do evento, o concurso “visa enaltecer e valorizar a pluralidade da periferia”.

“O número de mulheres inscritas já é o dobro do que tivemos no último concurso. É um número que vem crescendo a cada edição. A novidade deste ano é a categoria masculina. Com isso, ampliamos o projeto e trazemos ainda mais diversidade e beleza da periferia para as passarelas”.

O concurso tem duas categorias, tanto para homens, quanto para mulheres: Fashion, voltada para jovens que sonham com o universo das passarelas e buscam carreira de modelo, e Street Style, para aqueles(as) que representam toda a pluralidade da moda, da cultura e do estilo das ruas. É importante lembrar que os/as participantes devem obrigatoriamente ser moradores e moradoras de comunidades e do Entorno do Distrito Federal.

Primeira Seletiva

A primeira seletiva ocorrerá na Praça dos Direitos, em Ceilândia, no dia 15 de fevereiro, a partir das 9h e contará com o desfile de centenas de candidatos e candidatas que serão pré-selecionados pela equipe da Cufa-DF. Cada um receberá, após o encerramento das inscrições, um comunicado oficial, via e-mail, com as orientações necessárias para a participação da eliminatória.

A música do evento será comandada pela DJ Donna e da cantora Thabata Lorena. Após a apresentação de todos os participantes, 32 homens e 32 mulheres (16 na categoria fashion e 16 na categoria street) passarão para a próxima fase do concurso.

Capacitação

Durante o processo seletivo as/os participantes ganharão oficinas e sessões de fotos com profissionais da área. Workshops sobre moda, comunicação e empreendedorismo.

Segundo Stéffanie Oliveira, responsável pela produção do concurso e presidente da Rosa dos Ventos, “o projeto abre um relevante espaço para moda e cultura da periferia. O TopCufa, muito além de um concurso de beleza também é uma oportunidade para a comunidade local enxergar o infinito poder de geração de tendências de uma grande parcela da população que tem a criatividade como ferramenta cotidiana.”

Serviço:
4ª. Edição do TopCufa-DF
Data: até 8 de fevereiro de 2020
Inscrições, programação e regulamento: https://topcufabsb.com.br/

Primeira Seletiva
Data: 15 de fevereiro
Hora: a partir das 9h
Local: Praça dos Direitos – Ceilândia

 

Criado em 2020-02-06 01:49:59

O golpe no Brasil e a Constituição violada

Romário Schettino -

“O que estamos vivendo no Brasil atualmente é a destruição da soberania nacional, dos direitos sociais e da esperança. O golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff só foi possível com a violação da Constituição, com o apoio da área jurídica e da grande imprensa”.

É assim que o cientista político Juarez Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), resume o que ele chama de contrarrevolução neoliberal em curso no país.

Juarez, que esteve em Brasília, sexta-feira (11/8) a convite da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da CNBB, afirmou que a contrarrevolução neoliberal começou com a reprogramação do PSDB, gestada no Instituto FHC em agosto de 2011, no embalo das três e sucessivas derrotas (2002, 2006 e 2010) para o PT.

Em 2014, na preparação do programa do candidato Aécio Neves foi incluída a criação de uma frente classista empresarial com o objetivo de transformar o Brasil num estado neoliberal. A grande imprensa brasileira não só fez parte desse projeto como ajudou a construí-lo com sua cobertura jornalística e seus comentaristas “especializados” e de plantão.

Com a derrota não admitida por Aécio Neves, foi colocado em marcha o golpe parlamentar, que investiu pesado na desorganização da base de apoio do governo petista e, por fim, na violação da Constituição de 1988, que sempre foi criticada pelo PSDB justamente no que ela tem de proteção social.

O PSDB, que pretendia retomar o poder, dessa vez com Aécio Neves, tinha como objetivo a disponibilização dos trilhões de dólares dos ativos públicos (petróleo, indústria naval, mineração, terras abundantes etc) para as multinacionais estrangeiras. Pois é justamente isso que PSDB e PMDB estão fazendo juntos neste momento, aplicando um projeto rejeitado nas urnas e desorganizando as forças produtivas estatais e nacionais para entrega-las na bacia das almas ao capital internacional.

O professor Juarez lembrou que Aécio quase levou o apoio do PMDB em 2014. Ele disse que Michel Temer só foi escolhido como vice de Dilma Rousseff porque fez acordo com o deputado Eduardo Cunha para torna-lo presidente da Câmara. Eleita, Dilma tornou-se refém dos futuros golpistas.

Uma possibilidade, na tentativa de impedir o desmonte completo das políticas sociais de Lula e Dilma, é o candidato da esquerda, ou centro-esquerda, à Presidência da República defender o plebiscito revogatório e mobilizar a população para enfrentar o novo Congresso que será eleito em 2018. 

A candidatura Lula está nas mãos da mesma área jurídica golpista. Se não couber a ele a missão de revogar o desmonte peessedebista/peemedebista, será alguém indicado e apoiado por ele.

Criado em 2017-08-13 18:10:34

Sobre Paulo Freire – mais um item do festival de tolices da elite brasileira

Geniberto Paiva Campos -

A elite brasileira tem sérios problemas em aceitar, ou mesmo assimilar, certos conceitos na área da educação. E se sente tranquila e segura para proclamar as maiores tolices, ditas com ares doutorais. Sem perceber, sequer desconfiar, as asneiras que está dizendo, mesmo quando involucradas em falso conteúdo ideológico.

Após cometer estultice imperdoável, ao defender a “Escola sem Partido”, resolveu ir um pouco mais além em suas aberrações ideológicas, e diante da falta de um alvo melhor, desferiu um ataque frontal – e descabido – ao professor Paulo Freire.

Na esteira da onda neofascista que toma conta do país, após a usurpação do Poder pelo Neoliberalismo, lançaram, simultaneamente, em livro e em projeto no Congresso Nacional, críticas infantis ao educador brasileiro, reconhecido mundialmente. E decidiram “cassar” o título de Patrono da Educação Brasileira do professor Paulo Freire.

E aí cometem tolices inacreditáveis. Motivados pela sanha destruidora dos fascistas, reduzem sérios problemas da área da Educação à sua expressão mais simples. Macaquinhos na loja de louças, imaginam poder destruir currículos e biografias ao correr do martelo.

E tentam, em vão, interpretar o pouco que sabem sobre a História Contemporânea do país. E à falta de argumentos minimamente consistentes, apelam para a grossura, a boçalidade e a truculência.

Desde quando, com suas camisas amarelas, carregavam cartazes em passeatas domingueiras onde diziam, com certo ar de enfado e preconceito: “Basta de Paulo Freire!”
 
Um dos efeitos deletérios do Brasil Colônia foi a “Chaga do Analfabetismo”, com a qual convivemos durante séculos.

No alvorecer do século 20 começaram as manifestações de inconformismo de educadores brasileiros com a dita “chaga do analfabetismo” e com os desafios do sistema educacional.

Em 1932, o movimento “Pioneiros da Educação”, reunindo cerca de 30 integrantes da elite intelectual brasileira, lançou um manifesto pela Educação Nova, redigido por Fernando Azevedo.

O manifesto, assinado, entre outros, por Anísio Teixeira, Cecília Meirelles e Roquete Pinto, denunciava a educação vigente na 1ª República (1889/1930) como excludente, privilégio de ricos, cabendo à maioria da população, afastada das escolas e universidades, enfrentar o trabalho duro e sem trégua.

Sendo negado o direito à participação direta no processo democrático, através do voto. Voto de analfabeto somente era permitido se o indivíduo possuísse “renda e títulos de propriedade”. (A elite, mesmo iletrada, sabia defender seus interesses).

A erradicação do analfabetismo veio a se constituir em objetivo e meta de vários governos. De todos os matizes e tendências. A série histórica publicada no Portal do Inep, intitulada “Mapa do Analfabetismo no Brasil” (1) mostra claramente a fundamental preocupação com  esse desafio. São várias as tentativas de enfrentamento do problema:

1) 1947 – Governo Dutra: “Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos”;
2) 1958 – Governo JK:  “Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo”;
3) 1961 – CNBB: “Movimento de Educação de Base”;
4) 1964 – Governo João Goulart: “Programa Nacional de Alfabetização” (Método Paulo Freire);
5) 1968/1978 – Governos do Período Militar: – “Movimento Brasileiro de Alfabetização”; MOBRAL
6) 1985 – Governo Sarney: “Fundação Nacional de Educação de Jovens e Adultos “/ EDUCAR;
7) 1990 – Governo Collor: “Programa Nacional de Educação e Cidadania” /PNAC
8) 1993 – Governo Itamar Franco: “Plano Decenal de Educação para Todos”;
9) 1997 – Governo Fernando Henrique: “Programa de Educação e Cidadania”.

Tanta preocupação, embora dispersa, resultou na significativa redução, em um século, do contingente proporcional de analfabetos na população brasileira: De 67% em 1900 para 10%, no ano 2000. (1)

Paulo Freire tem muito a ver com estes resultados. Foi o educador pioneiro, que ousou aplicar o método que levaria o seu nome. Inicialmente em Angicos/RN, no início dos anos 1960.

Em sequência nas Rocas, bairro periférico de Natal/RN. Tendo como agentes alfabetizadores alunos da UFRN. Com êxito inegável na alfabetização de adultos. Em 40 horas...

O Método Paulo Freire de Alfabetização prescindia do uso de cartilhas. E a partir de pesquisas do universo vocabular da comunidade, era escolhida uma palavra-chave, que após decomposta em sílabas, assimilado o seu significado, eram utilizadas para compor novas palavras.

Além desse aprendizado básico de alfabetização os “alunos” eram estimulados a entender o seu contexto cultural – família, trabalho, espaço urbano, seu país, o mundo – e sua inserção nesta realidade.

O espaço de aprendizado era denominado “Círculos de Cultura”. E colocava o cidadão alfabetizado em sintonia plena com a realidade em que estava inserido.

Vários segmentos da elite torciam o nariz, farejando subversão. Imaginado que aqueles até então mantidos nas trevas da ignorância poderiam ganhar consciência da sua cidadania e, gradativamente, se transformar em indivíduos conscientes, potencialmente capazes de lutar pela sua libertação (à época, uma palavra carregada de simbolismo. E suspeição...).

A fama merecida de Paulo Freire como Educador ganhou o mundo. “(...) E passou a ser reconhecido internacionalmente como um dos mais importantes educadores do século 20;

- Por suas reflexões e publicações, além de vários títulos de doutor “Honoris Causa” que lhe foram outorgados por universidades de vários países do mundo, portanto, por sua reconhecida autoridade e atualidade nos diferentes campos do conhecimento, Paulo Freire vem sendo considerado um dos mais importantes pensadores do século 20;

- Por suas experiências educacionais e por seus escritos, Paulo Freire tem sido mundialmente reconhecido como autor de um legado intelectual e educacional que vem sendo aplicado em todos os níveis, modalidades e graus de ensino, em diferentes lugares do mundo;

- Em recente pesquisa sobre trabalhos científicos, realizada pela London School of Economics, Paulo Freire foi considerado um dos pensadores mundialmente mais lidos e mais referenciados, sendo que sua obra mais conhecida, “Pedagogia do Oprimido” (1968) está entre os livros mais citados nas ciências sociais e entre os 100 livros mais pedidos e consultados por universidades de língua inglesa.”

Temos de concordar com os camisas amarelas: Basta de Paulo Freire!

Criado em 2017-10-08 19:15:35

Em defesa do (verdadeiro) carnaval de Brasília

Foliões e carnavalescos, representando o Coletivo de Blocos de Rua do DF, Plataforma de Carnaval Sul - Setor Carnavalesco Sul, Plataforma de Carnaval Norte – Praça dos Prazeres, Rede Carnavalesca, e Campanha Folia com Respeito, reunidos em Brasília, divulgaram nota de protesto contra a organização do Carnaval de Brasília 2020 anunciada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) do Distrito Federal.

Esse grupo considera que o anúncio feito pelo secretário Bartolomeu Rodrigues ontem (30/1) “foi o maior ataque da história ao carnaval do DF”. Em pleno calendário carnavalesco, os foliões tiveram a “lamentável ´surpresa´ do anúncio do tal ´Carnaval de Brasília´.

A posição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, está na página da Secec.

A seguir, a íntegra da nota do grupo de foliões e carnavalescos que protestam contra o “Carnaval de Brasília” proposto pelo GDF:

“O Carnaval é tradição, é territorialidade, é rito, é direito. Deve ser realizado com diálogo e transparência. E isto não é favor, nem "pressão", como classificou o Secretário, Bartolomeu Rodrigues, durante a coletiva de imprensa. Nesta manhã, o GDF cortou nossos direitos. E rasgou de uma só vez:

- As duas legislações de Carnaval, que precisam ser aprimoradas, mas que salvaguardam nossos direitos. Lei 4.738/2011 e Decreto 38.019/2017
- Os Planos Nacional e Distrital de Cultura que preveem o controle social das Políticas Públicas
- A Lei Orgânica da Cultura do DF, n. 934 de 2017
- Constituição Federal art. 1, 5, 19, 215 e 216
- Convenção para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial
- Convenção e Declaração da Diversidade Cultural
- Declaração Universal dos Direitos Humanos

Estas leis fazem parte do legado das Políticas Públicas de Carnaval. Deste legado também fazem parte Mestres, Mestras, Artistas, Comunidades, Blocos e Escolas de samba. Em detrimento deste legado, foi imposto este "Carnaval de Brasília". Porém, denunciamos: este não é o Carnaval de Brasília.

O Carnaval de Brasília é das cidades do DF, artistas do DF, é da Folia com Respeito, dos Blocos do DF, das Escolas de Samba do DF, da Rede Carnavalesca. Quando este Carnaval é violado, tapeado, expropriado, burlado, caloteado, engabelado, enrolado e batizado como "Carnaval de Brasília" cabe a nós nos manifestarmos.

Portanto denunciamos que:

1 - O tal “Carnaval de Brasília” do GDF viola toda pactuação de Segurança, policiamento, da ordem urbanística e do Turismo, da Limpeza e do Lixo, do Transporte e da Mobilidade, da Informação e Comunicação, bem como da Economia do Carnaval 2020. (Pactuação prevista por lei, 38.019.2017)

2 - A programação deste dito “Carnaval de Brasília”, salvo as artistas Dhi Ribeiro e Maria Vai Casotras, não tem nenhum vínculo com o legado do Carnaval do DF. Esta programação poderia ter sido agregada em qualquer plataforma e bloco do DF. Desonerando o suado recurso público da Cultura. E assim, promovendo a cadeia da Economia Criativa do Carnaval do DF.

3 - Esta é uma estratégia política para retirar de protagonistas de Carnaval nossa cidadania. É uma estratégia política de esvaziar os eventos pactuados para 2020.  O decreto de lei 38019.2017 - prevê que a programação de Carnaval seja disposta com 90 dias de antecedência. E a lei 4738.2011, que garanta o desfile dos Blocos e Escolas de samba do DF

- O edital do “FAC – Carnaval” foi uma iniciativa do Gabinete da Secec, excluída a participação da sociedade civil. Realizado de forma precária, sem escuta qualificada. Na única reunião que ocorreu, o edital foi absolutamente criticado e com vários pronunciamentos da sociedade civil sobre usarem o Fundo de Apoio à Cultura (FAC) para o Carnaval, sem dados, indicadores, plano e informações que justificassem a iniciativa. Mesmo assim o edital foi realizado, um copia-cola do edital anterior (visto que tiveram inclusive que publicar correções, pois o exercício previsto era o mesmo do ano anterior). Antagonizou a comunidade Carnavalesca, com demais artistas da cidade - pois, pareceu que a iniciativa partiu da comunidade Carnavalesca. A previsão de pagamento informada pela equipe da Secec era de 27.01.2020 e ainda estamos sem previsão de pagamento. Fora que as Escolas de Samba e diversos Blocos foram inabilitados no edital

- As Plataformas Norte e Sul (Setor Carnavalesco Sul e Praça dos Prazeres) tiveram despactuados os horários, ao invés do que esta sendo divulgado. E despactuados os recursos - para realização dos 70 desfiles e apresentações, neste Carnaval 2020.

- O Carnaval deve ser realizado de "baixo pra cima". E jamais despactuado às vésperas das atividades. Pois, mobilizamos 1,7 milhão de pessoas as ruas. E sabemos que para desmobilizar este protagonismo criaram este tal "Carnaval de Brasília", excluindo a construção do Carnaval 2020

- Escolas de samba deveriam ser prioridade, pois é previsto em lei 4738/2011 o desfile dos Blocos e Escolas de Samba do DF

- Despactuaram a programação de vários Blocos, das duas Plataformas oficiais e dos carnavais nas cidades para privilegiarem esta programação de forma abusiva, unilateral e autoritária.

- Foram anunciar para imprensa, sem sequer anunciar antes para protagonistas, realizadores e realizadoras de Carnaval, conforme previsto em Lei. Enquanto, nós realizadoras e realizadores de Carnaval, seguimos sem informações e alinhamentos, num ato abusivo e alarmante.

- Causaram, desnecessariamente, esta ruptura e despactuação que nos custaram recursos. O que promove danos políticos, sociais, materiais, psíquicos, morais e Culturais.

- Mesmo que seja feita uma parceria público-privada, a patrocinadora de Carnaval já atua na plataforma de Carnaval privado (Carnaval do Parque – Estádio). Portanto, é dever do GDF (Lei 38.019/2017) anunciar qual é a patrocinadora e quais são os valores e fontes dos recursos, uma vez que até esta triste manhã, não havia sequer ata para contratações. E, tampouco, o chamamento público para artistas.

Definitivamente, este NÃO é o CARNAVAL DO DF. Tomaremos as devidas medidas políticas, jurídicas, sociais e culturais para informar a verdade, denunciarmos esta violação ao legítimo Carnaval do DF e pela reparação dos danos causados.

Reiteramos: Folia é com Respeito! Lamentamos que o novo Secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues comece sua gestão desta forma equivocada e violadora. E na promoção deste ataque ao Carnaval – o maior ativo da nossa Cultura, o nosso principal tesouro. E, pior, que tenha mantido a equipe do ex-secretário Adão Candido, autora desta tragédia, ironicamente, batizada de “Carnaval de Brasília”.  Jamais em nosso nome!

Seguiremos em luta pelo verdadeiro Carnaval do DF!”

Brasília, 30 de janeiro de 2020”.

Assinam a nota pública:
Coletivo de Blocos de Rua do DF
Plataforma de Carnaval Sul - Setor Carnavalesco Sul
Plataforma de Carnaval Norte – Praça dos Prazeres
Rede Carnavalesca
Campanha Folia com Respeito

Criado em 2020-01-31 18:34:13

Celso Amorim: Ameaça de Trump tem que ser repudiada com veemência

Diante das ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de usar força militar na Venezuela, o ex-chanceler e ex-ministro da Defesa dos governos Lula e Dilma, Celso Amorim, disse essa possibilidade tem que ser “repudiada com veemência”.

“Além de violar princípios básicos do Direito Internacional, a intervenção ameaça trazer uma guerra civil, um novo Vietnã para a América do Sul e a nossa fronteira", afirma Amorim.

"Embora não tenha dúvida sobre quem será vitorioso e quem será derrotado, uma guerra civil trará sofrimentos indizíveis ao povo venezuelano. Não podemos ficar indiferentes diante da agressão e da tragédia", defendeu.

Essa manifestação de Amorim se deu em resposta à declaração do presidente Donald Trump sexta-feira (11/8), quando disse a jornalistas em New Jersey considerar a "opção militar" na Venezuela. "Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar se for necessário", disse.

O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), divulgou uma nota condenando a ameaça de Trump. "Caso a ameaça de intervenção militar de Trump se concretize, o conflito interno da Venezuela se internacionalizará, transformando a América do Sul em um novo Oriente Médio", diz o comunicado.

Eis a íntegra da nota da Liderança do PT no Senado:

“A Bancada do PT no Senado condena veementemente as declarações do presidente Donald Trump de que não descarta uma intervenção militar na Venezuela.

Nesse caso, todos os países da região, inclusive o Brasil, sofrerão terríveis consequências e a integração regional plasmada no Mercosul, na Unasul e na Celac, que custou décadas de esforços, será desarticulada.

A lamentar em todo esse episódio a posição do governo golpista do Brasil, que se presta a fazer o baixo e míope papel de braço auxiliar dos interesses geopolíticos norte-americanos, em vez de defender os interesses reais do País, que, conforme seus princípios constitucionais e sua melhor tradição diplomática, sempre apostou na moderação, no diálogo e na solução pacífica das controvérsias.

A bancada apela para o bom senso e a racionalidade e insta todas as forças políticas, venezuelanas e internacionais, a que voltem a apostar no diálogo e numa solução democrática e pacifica para o grave conflito por que passa o nosso vizinho.

Por último, a Bancada envia sua total solidariedade ao povo venezuelano, nesta hora difícil e delicada”.

Assina: Senador Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da Bancada do PT no Senado.

Criado em 2017-08-13 17:57:53

Geddel Vieira e o mala do Janot

Romário Schettino -

Geddel Vieira Lima, Joesley Batista e Antonio Palocci, três malas da República em crise, literal e metaforicamente. Nunca se viu tanta malandragem, trapalhada e mentira aos quatro ventos. A grande imprensa continua colaborando para embaralhar os fatos e passar imagens falsas sobre os conteúdos, fotos, depoimentos e declarações.

O mala do Joesley voltou a público com os últimos suspiros do mandato de Rodrigo Janot na Procuradoria Geral da República. Depois de alarmar os brasileiros com os “graves conteúdos de um autogrampo” dos delatores da Friboi envolvendo a própria PGR e o Supremo Tribunal Federal, Janot apresentou “denúncia” contra Lula e Dilma para dar a impressão de que é isento, depois foi tomar um chope com o advogado de Joesley. Tudo farinha do mesmo saco?

O jornal O Globo tentou vincular essa denúncia requentada contra Dilma e Lula à imagem da mala cheia de dinheiro de Geddel. A indignação tomou conta na internet. Semana cheia de surpresas e picaretagens.

Joesley foi parar na cadeia por ter gravado as próprias conversas falando um monte de babaquice e "blasfêmias". Janot corre para dizer que as denuncias contra Temer continuam valendo, mas Temer achou tudo muito engraçado e disse que essa trapalhada toda prova que ele tinha razão ao questionar o procurador Marcelo Miller, que saiu da PGR para advogar para Joesley, o homem do gravador no porão do Jaburu.

O STF está indignado com tanta baixaria envolvendo seus santos nomes em vão. Os ministros dão declarações em rede nacional pelo rádio, jornal e televisão. Dizem o que querem, se engalfinham, mas dão a impressão de que nada os atingirá.

O ex-ministro Antonio Palocci, o italiano, depõe em Curitiba para cumprir um papel ultrajante. Aceitou a proposta de só falar se fosse contra Lula, Dilma, PT. De quebra, sobrou para parte do PMDB e para o PP, só o baixo clero. A imprensa, de novo, só deu destaque para um suposto "pacto de sangue" entre Lula, PT e Odebrecht.

O PSDB, os bancos e a imprensa ficaram de fora das declarações do ex-ministro porque Palocci, como bom mafioso, cumpriu o prometido: omertá (silêncio) para esses casos. São "detalhes" que não interessam ao juiz Moro nem ao Ministério Público.

Geddel foi parar na Papuda e os R$ 51 milhões foram para uma conta judiciária. Choveu de propostas sobre o que fazer com essa dinheirama: construir escolas, hospitais, casas populares e até ajudar a Universidade de Brasília, que está precisando de R$ 120 milhões para sair do buraco.

E assim caminha o Brasil para um destino desconhecido e incerto.

 


 

Criado em 2017-09-11 19:47:41

Teatro Casa Grande resiste

Entidades representativas, instituições acadêmicas, organizações e cidadãos assinam documento repudiando qualquer tentativa de transformação ou extinção do Teatro Casa Grande, patrimônio cultural e histórico do Rio de Janeiro. O teatro fica na Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon.

Com mais de 40 anos de história, o Teatro Oi Casagrande possui uma programação variada nas artes cênicas e musicais. Sua estrutura possui poltronas confortáveis, fosso para orquestras e segurança para os espectadores.

Na segunda-feira, 27/1, artistas, movimentos sociais e políticos realizaram o “Abraço da Resistência” em defesa do histórico Teatro Casa Grande. O espaço cultural, situado no bairro Leblon, zona sul do Rio, está ameaçado pelo governo de Wilson Witzel, que pretende cassar a cessão de uso do terreno onde o teatro está instalado há 54 anos.

“Símbolo de resistência e de luta pela liberdade, palco dos mais importantes espetáculos artísticos apresentados no Rio nas últimas décadas, o espaço do Casa Grande não pode se tornar outra coisa que não o teatro, como estabelece tombamento estadual e municipal”, diz o documento.

A denúncia a essa agressão à cultura do Rio de Janeiro esteve a ponto de se concretizar com a proposta de se licitar como público um teatro construído e mantido com recursos privados, ainda que em terreno do estado, no contexto de acordo judicial firmado pelo Estado e autorizado pela Assembleia Legislativa, na década de 90.

Edital nesse sentido, divulgado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, foi suspenso por determinação do Tribunal de Contas do Estado, devido a uma série de irregularidades, inclusive a exigência de aprovação prévia da programação, o que se traduz em censura à atividade artística. Apesar disso, a intenção das autoridades é insistir na licitação, como se o teatro tivesse sido construído e mantido com dinheiro público, o que nunca aconteceu.

“Nosso teatro não pode sair de cena. Vamos resistir!”, dizem os artistas e produtores culturais da cidade.

Criado em 2020-01-29 20:26:00

Jornalista Hélio Doyle lança Assim é a Velha Política

Livro será lançado no dia  15 de agosto, das 19h às 23h, no Restaurante Carpe Diem (104 Sul).

De maio a dezembro de 2016, o jornalista Hélio Doyle assinou uma coluna sobre a política local no Jornal de Brasília.

Ao comentar as notícias daquele ano, acabou escrevendo análises atemporais sobre a cidade que conhece como poucos. Nas 143 colunas publicadas, expôs os métodos da velha política, a desfaçatez de seus praticantes, os mitos que se criam para sustentá-la e o mal que ela faz à sociedade.

Esses textos estão reunidos em “Assim é a Velha Política”, um livro que trata com clareza desse assunto tão indigesto, mas que também mostra haver outros caminhos viáveis para a administração pública, a relação entre os poderes e a defesa de interesses de segmentos sociais.

Serviço:

Título: Assim é a Velha Política

Autor: Jornalista Hélio Doyle

Editora Meiaum, 2017

Preço: R$ 40

Criado em 2017-08-05 22:50:15

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