"A distância social mais espantosa no Brasil é a que separa e opõe os pobres dos ricos.
A ela se soma, porém, a discriminação que pesa sobre negros, mulatos e índios, sobretudo os primeiros".

Darcy Ribeiro


Geniberto: "Nenhum país que adotou as teses econômico/sociais do neoliberalismo, tornou-se um país melhor. Ao contrário. Regrediu como nação".
O mercado é o melhor juiz

Geniberto Paiva Campos (*) -

Pois agora vejo claro que é inútil pedir justiça ao poder contra o poder...” - fala do personagem Sancho, na peça “O Melhor Juiz, o Rei”, de Lope de Vega.

O segundo “julgamento” de Michel Temer, o qual resultou em nova “absolvição” pela Câmara dos Deputados, nos remete às teses do dramaturgo espanhol Lope de Vega, autor da peça “O Melhor Juiz, o Rei”.

Denunciado novamente pela PGR, com graves acusações, o presidente – ainda – em exercício, obteve os votos necessários ao não reconhecimento da nova denúncia.

Em permanente estado de perplexidade, o povo brasileiro, distante e aparentemente alheio, assiste impassível ao surgimento de uma nova moral.

Um novo conceito de “corrupção”. Onde tudo é permitido, desde que sejam atos praticados pelos representantes dos interesses da elite. A favor do mercado. E do neoliberalismo.

E onde se comprova, mais uma vez, que a luta contra a “corrupção” é apenas um mero pretexto político para justificar o afastamento de governos ditos “populistas”, inaceitáveis para a elite. Governos que defendem os interesses da maioria dos cidadãos, cuidam da soberania nacional e dos direitos de todos brasileiros, preservando o Estado Democrático de Direito.

Ao se apropriar da política e, finalmente, do poder, o mercado mostrou que o moralismo é a mais perfeita tradução da hipocrisia e do cinismo da classe dominante e dos seus confiáveis e permanentes serviçais da mídia e das classes médias.

O caso do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, preso na carceragem curitibana, é totalmente atípico. Quem sabe um dia, teremos conhecimento pleno dos fatos reais que o colocaram atrás das grades?

Mas o desenrolar dos últimos acontecimentos já nos permite concluir que o governo, ou vá lá, os 3 Poderes, tornaram-se reféns do mercado e da teoria neoliberal.

E o Brasil, lamentavelmente com ajuda de “brasileiros transnacionais”, foi apropriado por um sistema político/econômico ilegítimo e improdutivo, potencialmente capaz de destruir a nação, tornando-a simples colônia, produtora e exportadora de matérias primas. Se possível, a preços vis. Projeto que, cinicamente, ousou denominar “Ponte para o Futuro”.

Nenhum país, repetimos, nenhum país que adotou as teses econômico/sociais do neoliberalismo, tornou-se um país melhor. Ao contrário. Regrediu como nação.

Alguns economistas sustentam: “a justiça social dinamiza a economia, reduz as tensões políticas, reduz os conflitos éticos. Essencialmente, (isso é o principal!), ela é saída produtiva”.

O capitalismo neoliberal não tem futuro. Torna-se uma espécie de réquiem para o capitalismo produtivo e democrático. Garantidor dos direitos sociais.

É legítimo, portanto, perguntar: - para onde o governo Michel Temer pretende levar o Brasil?

Independentemente da sua legitimidade, da honestidade e da correção da conduta pública dos seus integrantes, o mal que este governo está fazendo ao Brasil poderá tornar-se irreversível. Inviabiliza o país como nação livre e soberana. Respeitada no concerto internacional.

A forma ladina, fraudulenta como o grupo político de Michel Temer arrebatou o poder de um governo eleito democraticamente, jamais lhe permitiria tamanha ousadia e irresponsabilidade na condução da coisa pública.

Aos que costumam estabelecer comparações históricas, não há como fazer confrontos entre o governo Temer e os governos militares (1964/1985).

Para efeitos comparativos vamos lembrar de início dois presidentes do ciclo dos generais, Castelo Branco e Ernesto Geisel, os quais podem ser designados, com justiça, como os de maior visão estratégica do país e do contexto geopolítico. Ambos militares originários da Escola Superior de Guerra/ESG, do Exército Brasileiro. E ainda o general João Batista Figueiredo, que encerrou o período autoritário, promulgou a Anistia, e conduziu o período da abertura e garantiu a transição pacífica do poder aos civis, grandiosa obra política de brasileiros liderados pelo então governador mineiro Tancredo Neves.

Como enfrentar o imenso desafio colocado a todos os brasileiros, ameaçados de perder direitos conquistados e que imaginavam permanentes? Como enfrentar as ameaças, agora já bem visíveis, de retrocesso?

O ex-ministro Eugênio Aragão, em artigo recente, afirma precisarmos imediatamente de “coragem civil”. E diz: “O Brasil se encontra numa dessas encruzilhadas da história em que dependerá muito de se acertar em escolhas dramáticas para não cair no abismo. E todos parecem saber o melhor rumo, mas ninguém o quer desbravar. O abismo é o outro, a quem se quer eliminar, mal enxergando que, a cada impulso exterminador, aproxima-se mais a borda do precipício que pode a todos engolir”.

Está, assim, lançado o desafio.  Dito de outro modo: A saída é a política.
 
Precisamos usar de toda nossa inteligência, coragem e serenidade para impedir a destruição do nosso país. Enfrentando um inimigo oculto, que não ousa assumir abertamente a sua deletéria missão. Com o vergonhoso auxílio de brasileiros “transnacionais”. Conhecidos, antigamente, como traidores da pátria...
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(*) Geniberto Paiva Campos, do Coletivo Lampião

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