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Romário Schettino -
Mal acabou o carnaval da Tuiuti, surge no Rio de Janeiro o “muso” do verão de 40 graus/2018: A volta do Jotabê. Hoje, domingo, 25 de fevereiro, os cariocas tiveram a felicidade de se reencontrar com o seu jornal mais querido: o velho/novo Jornal do Brasil impresso.
Quem já nasceu com o smartphone nas mãos pode achar estranho tanta festa por um jornal impresso. E comemoração foi o que se viu neste domingo nas ruas do Rio. Diante dos montinhos de jornais colocados no asfalto liberado a pedestres, por toda a Orla de Ipanema, muita gente se surpreendia: "O Jornal do Brasil voltou!" E levava seu exemplar para folhear na praia, como nos velhos tempos.
E o “muso” veio cheio de novidades, prometendo a tão esperada diversidade de opiniões, as versões dos fatos como eles são, tudo escrito por um time de jornalistas da pesada: Hildegard Angel, Jan Theophilo, Otávio Costa, Romildo Guerrante, Gilberto Menezes Côrtes, Marcelo Auler. Muitos já de cabeça branca, mas com o espírito em pleno século XXI. Hildegard diz que se sente uma Benjamin Button.
Ziraldo, o caratinguense à esquerda, fala em defesa de espaços para a juventude. O JB pode ser de novo a porta de entrada inteligente para a invenção jornalística, tão perdida na grande imprensa de nossos dias.


Os artigos de estreia, todos de saudação à volta do jornal, são assinados por gente de esquerda e de direita, além de detentores de cargos públicos. Tem Lula, Benedita da Silva, Lindbergh Farias, Sarney, Rodrigo Maia, Crivela, Temer, Marco Aurélio e muitos outros. O artigo de Lula diz que a "democracia precisa de muitas vozes" e torce para que o JB volte a ser referência de jornalismo que um dia foi "e que a democracia brasileira tanto necessita". A edição é uma retrospectiva histórica relevante para o momento, e foi redigida por personagens contemporâneos dessa trajetória.
A coluna da Tereza Cruvinel como sempre, certeira. Profissional qualificada, é dela a frase de estreia que destaco: “O Brasil da polarização raivosa precisa reaprender o convívio na divergência e libertar-se das bolhas de pensamento único”.
Acho que não será apenas mais um jornal na banca pra gente escolher. O conteúdo deve ser a diferença. O editorial de primeira página afirma: “Estamos de volta sem qualquer vínculo ou comprometimento com setores da economia, o que dará ao leitor a certeza de que praticamos um jornalismo profissional e isento”. Esse é o grande desafio, pois na economia neoliberal a independência tem um preço elevado. Mesmo assim, numa espécie de carta ao povo brasileiro, o JB, na palavra de seu presidente Omar Resende Peres, promete: "Defenderemos a livre economia".
Todos nós vivemos e aprendemos com o JB. A novidade editorial se esgotou nas bancas antes do meio-dia. Nas calçadas de Ipanema a surpresa empolgou quem não sabia do lançamento. Muita gente queria saber: “Como faço para fazer uma assinatura?”
Embora seja um jornal de âmbito nacional, o JB é essencialmente carioca. O ritual de comprar jornal no jornaleiro faz parte da rotina de qualquer um até pela facilidade urbanística do Rio, que tem uma banca em cada esquina.
Já o brasiliense, informado pelas redes sociais, ficou esperando o jornal chegar. Disseram que o Jornal do Brasil será impresso na gráfica do Jornal de Brasília e estará nas bancas a partir desta segunda-feira (26/2). Que seja bem-vindo lá também!
Criado em 2018-02-26 04:17:49
Diante da situação emergencial imposta pelo coronavírus, a Frente Unificada da Cultura do DF leva ao governador Ibaneis Rocha (MDB) sete sugestões para ajudar na busca de solução para a grave crise econômico-financeira que a pandemia traz à cultura local.
Em documentos artistas se pronunciam favoráveis às medidas tomadas pelo governo do DF e autoridades sanitaristas, mas “ressalta o impacto violento ao setor cultural com o fechamento de espaços culturais e a paralisação de inúmeros projetos dos mais diversos segmentos”.
A Frente lembra que se o curso normal dos incentivos ao setor cultural não tivesse sofrido o contingenciamento de 2019, “teríamos maior facilidade em encontrar saídas”.
Segundo o documento da Frente, são sete as prioridades a serem adotadas pelo GDF:
1 - Criação imediata de uma força tarefa com os 5% de recursos do FAC que podem ser utilizados para gestão do fundo, de forma a acelerar o pagamento imediato dos R$ 25 milhões do edital 17/2018 e dos projetos dos editais de 2019, além de conclusão do processo seletivo do Edital FAC Mais Cultura 2019 e publicação dos editais 2020 no menor prazo possível;
2 - Dar celeridade às aprovações da LIC;
3 - Publicação emergencial de um edital de premiação no valor total de R$ 8 milhões, a serem pagos em premiações individuais de R$ 10.000,00, com procedimentos de inscrição e seleção extremamente simplificados e pagamentos efetivos nos meses de abril e maio, porém execução das ações artísticas apenas quando a propagação do vírus arrefecer, de forma a constituir um socorro emergencial à classe artística do Distrito Federal, cujos profissionais são em sua maioria autônomos e sem acesso a planos previdenciários, sejam eles públicos ou privados;
4- Propor ao BRB a criação de linhas de créditos de auxílio ao mercado, nesse momento de crise, para o espectro econômico da cultura incluindo os proponentes do FAC e realizadores culturais, como foi feito para os associados da Fecomércio, mantendo os benefícios de aumento da carência e concedendo isenção total de juros;
5 - Negociar com as estatais prazos de quatro meses para pagamentos de contas de luz e água sem juros e sem correção monetária;
6 – Concessão emergencial de 150 bolsas de pesquisa artística no valor de R$ 15.000,00 a serem realizadas em regime de home-office, com resultados a serem amplamente divulgados pela internet, para todas as linguagens artísticas, com procedimentos de inscrição e seleção extremamente simplificados e pagamentos efetivos nos meses de abril e maio;
7- Propomos a criação de uma assistência financeira, a exemplo de outros países, como a Alemanha, que vem tomando medidas de apoio aos setores produtivos, às instituições de arte que enfrentam incertezas e aos profissionais da cultura que neste momento se veem impossibilitados de exercer suas funções em virtude das medidas tomadas no período extremo.
Além disso, o movimento cultural cobra celeridade no andamento dos editais e nas ações estruturais, como a posse dos conselheiros dos Conselhos Regionais, assim como a reestruturação e reinserção do Conselho de Cultura do DF no SAC-DF; o fortalecimento da Rádio Cultura - que nesse momento pode se tornar mais um grande canal de apoio à prevenção contra o coronavírus e atenção redobrada às demandas dos povos originários em relação ao Memorial dos Povos Indígenas (MPI).
O documento foi protocolado ontem (7/3) na Secretaria de Cultura porque as reuniões presenciais estão suspensas neste momento.
Criado em 2020-03-18 16:08:24
José Geraldo de Sousa Júnior, ex-reitor da Universidade de Brasília, Marcio Sotelo Felippe, ex-Procurador Geral do Estado de São Paulo, Wadih Damous, deputado federal (PT), Paulo Pimenta, deputado federal (PT), e Patrick Mariano Gomes, advogado, protocolaram nesta quinta-feira (22/2) uma representação no Conselho de Ética da Presidência da República e na Procuradoria-Geral da República contra o ministro da Educação, Mendonça Filho.
O documento acusa o ministro de violar a liberdade de cátedra e a autonomia universitária ao se manifestar contra o curso dado pelo professor Luis Felipe Miguel, da Universidade de Brasília, “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”.
Mendonça Filho disse que acionaria a Advocacia-Geral da União, Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal para “apurar se há algum ato de improbidade administrativa ou prejuízo ao erário a partir da disciplina”.
Em texto postado no Facebook, o ministro diz que “não se pode ensinar qualquer coisa”: “Se cada um construir uma tese e criar uma disciplina, as universidades vão virar uma bagunça geral. A respeitabilidade no ambiente acadêmico fica na berlinda”.
A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT), na Câmara dos Deputados, também repudiou o ataque de Mendonça Filho à autonomia universitária brasileira, prevista na Constituição.
Em nota oficial, os deputados petistas dizem ser “inadmissível que justamente o titular do cargo mais importante da educação brasileira ouse promover um ataque desta natureza”.
Segundo a nota, “a autonomia didático-científica consagrada pela Constituição de 1988 não pode ser vilipendiada por quem quer que seja”.
O texto, assinado pelo líder Paulo Pimenta (PT-RS), compara a ação de Mendonça Filho – pré-candidato ao governo de Pernambuco – ao “malfadado Decreto-Lei nº 477 de 1969, usado pelo regime de exceção para controlar todas as atividades realizadas no âmbito das universidades”.
Criado em 2018-02-23 15:27:53
Luiz Eduardo Soares (*) -
A situação da segurança pública no Rio é gravíssima e, portanto, não há mais lugar para discursos oficiais defensivos e autoindulgentes. O crime organizado se espalhou como por metástase, mas note bem: só há crime organizado quando estão envolvidos agentes do Estado.
Segmentos numerosos e importantes das instituições policiais não apenas se associaram ao crime, mas o promoveram – e aqui se fala sobretudo no mais relevante: tráfico de armas, crime federal. O que fez a polícia federal?
O que fez o Exército, responsável com a PF pelo controle das armas? O que fez a Marinha para bloquear o tráfico de armas na baía de Guanabara? O Estado do Rio está falido, suas instituições profundamente atingidas, mas o que dizer do governo federal e dos organismos federais? De que modo uma ocupação militar resolveria questões cujo enfrentamento exige investigação profunda e atuação nas fronteiras do estado, além de reformas institucionais radicais e grandes investimentos sociais?
Os próprios militares sabem que não podem nem lhes cabe resolver o problema da insegurança pública. Sua presença transmitirá uma sensação temporária de que o Rio se acalmou, porque os sintomas estarão abafados, mas nada será solucionado e a solução sequer será encaminhada. Basta analisar o que se passou na Maré: o Exército ocupou as favelas por um ano, desgastou-se na relação com as comunidades, a um custo de 600 milhões de reais, e tão logo as tropas se retiraram, os problemas retornaram com mais força.

Já que não se trata de enfrentar os verdadeiros e permanentes desafios da segurança pública, muito menos resolvê-los, a que serve a intervenção: são três, a meu ver, suas funções, todas de natureza eminentemente política –é lamentável que os militares se prestem a esse papel, deixando-se manipular, politicamente, como peões em um jogo de cartas marcadas.
Muda-se a narrativa sobre a realidade do Rio, investindo-se na expectativa sebastianista da redenção, que se realizaria, nesse caso, pelas Forças Armadas, em especial o Exército, e pelo governo federal.
Um projeto dessa magnitude não seria implantado sem um acordo com a grande mídia, porque sua descrição dos fatos e sua escolha de focos serão decisivas para o êxito político da operação. Ela consistirá essencialmente no deslocamento de Bolsonaro, abrindo-se um espaço para que uma candidatura de centro-direita, em nome da lei e da ordem, mas legalista, capture o eleitorado de direita: ter-se-ia, assim, uma espécie de bolsonarismo sem Bolsonaro.
Sai o capitão aventureiro e desorientado, e entram generais formalmente legalistas, embora “duros”. Abre-se novo espaço para candidaturas no Rio e no país, e para a emergência de lideranças “de fora da política” e “impolutas”. Parece que está em curso uma transição: aos poucos, deixamos de ser o país dos juízes para nos tornarmos a nação dos generais – de novo, ainda que, dessa vez, com cobertura legal, uma vez que, depois do impeachment, qualquer atropelo às leis poderá ser tolerado desde que os fins justifiquem, para seus operadores, os meios.
As denúncias relativas ao auxílio moradia contra Moro e Bretas, poucos dias depois da condenação de Lula em segunda instância, deixa claro que, para a mídia e as elites que mandam no país, em particular o capital financeiro e seus sócios internacionais, o papel dos magistrados já foi cumprido e agora é tempo de “cortar suas asinhas” para evitar que acreditem no próprio personagem e avancem sobre o PSDB, os bancos e as corporações midiáticas.
Como se vê, a intervenção militar no Rio complementa a exclusão de Lula da disputa eleitoral, uma vez que não seria suficiente exclui-lo e prosseguir na sistemática marginalização da candidatura Ciro Gomes, se a direita e o centro não se entendessem e criassem uma alternativa viável.
Atuando-se reativamente na emergência, impede-se mais uma vez que alcancem a agenda pública temas fundamentais: (a) a política de drogas; (b) a reforma do modelo policial e a refundação das polícias, com a mudança do artigo 144 da Constituição (por exemplo, com a aprovação da PEC-51 que o senador Lindbergh Faria apresentou em 2013 [unificação das polícias]); a repactuação entre o Estado e as comunidades que vivem em territórios vulneráveis, em especial a juventude, de modo a que as instituições policiais deixem de ser parte do problema e se transformem em parte da solução.
Hoje, as execuções extrajudiciais são a regra, o que leva analistas a declarar que essas áreas estão sob a regência de um Estado de exceção.
Infelizmente, isso ocorre com a anuência, por cumplicidade ou omissão, do Ministério Público e as bençãos do poder Judiciário; (4) o investimento em infraestrutura, educação e cultura, e a abertura de novas oportunidades para a juventude mais vulnerável, respeitando-se as camadas populares e, assim, bloqueando o aprofundamento do racismo estrutural. Os recursos, aos bilhões, viriam do corte no pagamento de juros aos rentistas.
Um efeito lateral nada desprezível seria a suspensão das votações no Congresso da reforma da previdência, salvando o governo de uma derrota, no item que supostamente justificaria sua ascenção ao poder. Por mais que, hoje, o governo negue essa possibilidade, está aberta a temporada de caça a brechas judiciais para obstar o processo de votação.
Não posso concluir sem chamar atenção para os riscos que a intervenção militar representa para os moradores das comunidades e para os próprios militares, que são jovens e não foram treinados senão para o enfrentamento de tipo bélico.
A primeira morte provocada por um militar, em decorrência da nova legislação, será julgada pela Justiça militar, o que poderá transferir para a arena jurídico-política internacional a problemática da ocupação do Exército, tornando a operação política um desastre, a médio-prazo, a despeito do provável apoio ufanista da grande mídia. Por outro lado, se um militar for atingido mortalmente, as consequências serão imprevisíveis, fazendo girar mais rápida e intensamente o círculo, ou a espiral da violência.
Além de tudo, não nos esqueçamos do exemplo mexicano: quando as Forças Armadas se envolvem na segurança pública, abrem-se as portas para sua degradação institucional.
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(*) Luiz Eduardo Soares é antropólogo, cientista político e escritor. É um dos maiores especialistas em segurança pública do país. Foi Secretário de Segurança Pública no Rio de Janeiro, durante o governo de Anthony Garotinho (com quem rompeu), e ocupou a Secretaria Nacional de Segurança Pública no governo Lula. Na carreira de escritor, Soares foi coautor dos best-sellers Elite da Tropa e Elite da Tropa 2.
(**) Artigo publicado originalmente na página do autor no Facebook.
Criado em 2018-02-19 02:29:51
Romário Schettino –
“Charles Cosac fica. Está conosco”, foi assim que o secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Bartolomeu Rodrigues, comemorou a volta do diretor do Museu Nacional de Brasília ao posto de onde havia se demitido na sexta-feira da semana passada.
Se havia algo que justificasse o pedido de Cosac para deixar o cargo, “essa é uma pagina virada”. Bartolomeu disse ao site que ele tem muito a contribuir para o Museu. “Passamos uma borracha [nessa história]. Todos nós temos nossos momentos ruins. Já passou”, concluiu Bartolomeu.
Os artistas plásticos de Brasília, que têm reunião com o secretário nesta quarta-feira (12/3), já estavam se articulando para apresentar uma lista de nomes para uma eventual sucessão, já que Marcela Mota era apenas uma diretora interina. Com essa decisão, volta tudo como estava antes na direção do Museu.
O grupo de artistas pretende levar ao secretário um mapeamento dos espaços culturais da cidade e propostas para manutenção e ampliação das atividades do setor. Com relação ao Museu de Arte de Brasília (MAB), será cobrada uma data real de inauguração, o valor da verba destinada a essa reforma e a organização administrativa do espaço. A ideia de gestão compartilhada se aplica também ao MAB? Por fim, os artistas querem saber quando será instalado ar condicionado no teatro da 508 Sul. Como se vê, a pauta é longa e exige prontas respostas.
Criado em 2020-03-10 23:16:15
Após a assinatura do decreto de intervenção na área de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, em nota oficial o Partido dos Trabalhadores (PT) afirma que o ato é “perigoso e pode piorar o estado de exceção em que vive o país”. Com o decreto, o general Braga Netto assume o comando de todas as forças policiais do estado.
O líder do PT na Câmara, onde o decreto deverá ser votado na próxima segunda-feira (19/2), deputado Paulo Pimenta (RS), disse que as bancadas petistas no Congresso Nacional votarão contra o decreto por considerá-lo oportunista e ineficaz.
O ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim, disse que a “intervenção é um instrumento perigoso e extremo”. Segundo ele, “onde o método foi aplicado a violência não diminuiu e o narcotráfico acabou por dominar uma parte relevante do território”.
“É um instrumento perigoso, especialmente em ano eleitoral. Além disso, pelo que sei, as Forças Armadas não se sentem confortáveis em uma situação como esta”, disse Amorim.
Segundo o ex-chanceler, esse tipo de intervenção causou distorções em outros países, a começar pelo México, onde a violência não diminuiu e o narcotráfico acabou por dominar uma parte importante do território. O ex-ministro ainda aponta o risco de politização das Forças Armadas e relembra que, além do Rio de Janeiro, o Exército tem sido chamado a atuar em Roraima, por conta da forte onda de migração de venezuelanos.
“Talvez Temer queira mostrar à população que está trabalhando. No primeiro momento, é provável que a medida cause um efeito psicológico positivo, tem um sabor espetacular. O problema da insegurança é grave e ninguém é contra medidas que busquem resolver ou atenuar a situação. Mas as Forças Armadas não estão preparadas para atuar por um longo prazo na segurança interna. É uma distorção de suas funções”, arremata Amorim, que também foi ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff.
Por sua vez, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão destacou que a medida visa esconder a derrota política de Michel Temer com a reforma da Previdência. “Temer sabe que a reforma foi para o saco, então ele precisa de uma tática diversionista para de alguma forma esconder a sua derrota”.
Sobre a possibilidade de um recrudescimento militar, Aragão disse que essa situação “tem muito mais a ver com o desespero do governador Pezão, porque o estado está realmente em situação desesperadora”.
Com relação a proposta debatida no Palácio do Planalto de criação do Ministério da Segurança Pública, Aragão classificou como “factoide de mau gosto”. Ele ressalta que “a Constituição define que a segurança pública é de competência dos estados, não da União. Então, a União criar um ministério pra cuidar da competência dos estados mostra um pouco apego desse governo ao federalismo. Nós ainda não temos polícia nacional, não temos gendarmeria nacional. Mostra até a falta de estruturação jurídica desse governo”.
Eis a íntegra da nota do PT:
“O Partido dos Trabalhadores e as bancadas do PT da Câmara e do Senado receberam com surpresa e preocupação o decreto de intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro.
A crise da Segurança Pública é um dos mais graves problemas da população do Rio de Janeiro e de todo o Brasil, especialmente da população mais pobre, exigindo participação ativa do Governo Federal.
Os governos do PT assumiram sua responsabilidade neste tema com medidas de forte impacto, como a criação da Força Nacional de Segurança Pública e do Pronasci, o fortalecimento da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, entre outras iniciativas, como a proteção das fronteiras, com participação constitucional e adequada das Forças Armadas.
A intervenção anunciada hoje, no entanto, pode ser um perigoso passo para a consolidação e o aprofundamento de um estado de exceção no Brasil.
Este instrumento excepcionalíssimo, jamais aplicado desde a Constituição de 1988, requer o esgotamento de todas as possibilidades de enfrentamento da crise, o que claramente não ocorreu. O próprio interventor designado para assumir a segurança pública no estado, general Braga Neto, disse hoje à imprensa que há “muita” influência da mídia em torno da questão.
Desde julho de 2017, quando foi decretada a ação de Garantia da Lei e da Ordem para emprego das Forças Armadas no Rio de Janeiro (medida prorrogada em dezembro último), os governos federal e estadual não conseguiram estabelecer um Plano de Segurança Pública para o Estado, instrumento imprescindível para identificar e definir as ações a serem tomadas.
A urgência de um Plano Nacional e de um Plano Estadual para a prevenção e repressão à violência é incontornável, pois apenas por meio de tais planos se pode direcionar as ações de prevenção, inteligência e repressão, abordando, ainda, o papel dos estabelecimentos prisionais, que hoje, além de serem verdadeiras universidades do crime, fornecem mão de obra às organizações criminosas.
Não se pode afastar a relação do agravamento da crise da segurança com o enfraquecimento do estado, falido por conta de um grave ajuste fiscal, promovido pelo governo Temer e intensificado pelo governo estadual do MDB, que afeta, inclusive, verbas para pagamento de policiais e investimentos necessários para políticas de segurança mais eficientes.
A medida parece ser estabelecida para contornar dificuldades políticas do governo Temer, que enfrenta baixíssima popularidade e muitos obstáculos para aprovar a destrutiva Reforma da Previdência.
É gravíssimo o fato de o governo anunciar que pode suspender o decreto, caso tenha os votos necessários para aprovar a proposta de emenda constitucional, quando a própria Constituição Federal impede a promulgação de qualquer PEC na vigência de intervenção federal sobre um Estado. Inaceitável, sob todos os aspectos, esse novo drible à Constituição seria mais uma vergonha imposta ao país pelo governo golpista.
A direção do Partido dos Trabalhadores e suas bancadas no Congresso Nacional afirmam que o governo golpista não está realmente preocupado com a segurança da população, mas apenas com sua sobrevivência política.
O povo brasileiro, principalmente o povo mais pobre, exige e merece a participação responsável do governo federal na Segurança Pública, com programas sólidos e políticas eficazes, mas repudia ações pirotécnicas de efeitos meramente propagandísticos”.
Assinam a nota: Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT; Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados, e Lindbergh Farias, líder do PT no Senado.
Criado em 2018-02-17 00:58:08
Angélica Torres -
Na noite do anúncio da intervenção militar no Rio, assistindo aos noticiários da Rede Globo até a madrugada, após anos sem dar Ibope a ela, uma impressão-quase-certeza me remeteu ao que se aprendia no curso de Comunicação da UnB, nos tempos da ditadura militar.
Globo e Globonews continuam a ser o braço armado nº 1 dos Estados Unidos em solo brasileiro. Ambas se constituem nos principais quartéis-generais do governo norte-americano e de seus aliados no País, tratado ainda como colônia ou território ocupado, embora tendem a ser percebidas apenas como fieis integrantes do diversificado exército defensor de interesses que não nos beneficiam.
Descobrindo a pólvora agora? Não. Apenas relembrando as lições, as pesquisas comparadas, os filmes e vídeos das aulas na faculdade de comunicação. Obedientes às ordens ditadas pelo andar superior da empresa – por sua vez submissa ao andar superior do planeta –, seus jornalistas, que agem como soldados, pautam os demais veículos e consequentemente, hoje, também os blogueiros e jornalistas independentes, que mesmo lúcidos e críticos se submetem à agenda do festival das farsas propagadas e implantadas confusamente no imaginário dos espectadores.
Esse é o problema inerente à nossa não construção de uma imprensa democrática, popular e insubmissa aos poderosos de plantão e à narrativa de sua mídia capitalista.
Outro é um fenômeno inerente ao noticiário televisivo, lição recebida logo nos primeiros anos de curso, com a qual se aprende a enxergar e evitar a má informação ou a desinformação ao público: são as montagens escandalosas de cenas sequenciadas de assaltos, bombardeios, arrastões, não ocorridos exatamente nos mesmos dias e horários, mas aparentando uma onipresente violência de toda sorte -- como as exibidas pelas duas emissoras na noite da intervenção militar no Rio, que é nada menos do que a convulsionada cidade-sede da perseguida e ambicionada Petrobras...
Usado intencionalmente, esse é um recurso despudoradamente fraudulento segundo a ética jornalística a que se presta juramento no fim do curso, por causar a impressão de realidade viva e simultânea. Quanto mais cenas violentas são exibidas em sequência, mais se tem a sensação de um quadro de gravidade, de uma praça de guerra, caso o texto que as acompanha não apresente estatísticas ou situe com fidedignidade o que se mostra ao público.
A violência que se alastra no país é sim um problema a ser enfrentado, mas não com o exército, e convocado com estardalhaço, que não vai resolver a questão.
O alarmismo da mídia não se justifica, até porque no carnaval deste ano os índices comparados mostraram que ela não foi maior que nos anos passados, desmentindo, portanto, esse teatro montado para americano e inglês aplaudirem. Mas neste caso, fica fácil manipular e convencer o espectador para o propósito político camuflado. O carioca vai acreditar no aumento da criminalidade, ou mesmo em sua onipresença na cidade, e aceitar o novo prato amargo que novamente será jogado em cima dos mais pobres, esses que foram assaltados pela política antissocial dos governantes da vez.
Entretanto, se o público não conhece as manhas maquiavélicas da mídia, esta que não pratica jornalismo e sim lobby para poderosos, fica difícil que sua consciência possa crescer e atuar em seu próprio favor. De toda forma, está em processo a batalha travada hoje entre o oligopólio midiático e cada Quixote da imprensa virtual. É animador, por exemplo, perceber com clareza que não é Sérgio Moro o principal agente da devassa promovida pela Lava Jato na Petrobras ou na vida do ex-presidente Lula e família.
Mesmo antes de o juiz da república curitibana entrar em cena vazando informações e conspirando, já estava aqui consolidado o antigo poder televisivo, subserviente a seus superiores externos e invisíveis aos olhos e entendimento da população, ditando as ordens, coordenando e alardeando essa “fã farra” a que estamos assistindo passar.
Temos visto obrigatoriamente essas mesmas novelas tantas e tantas vezes. Uma hora ela vai fatalmente ter o final que precisa e que merece.
Criado em 2018-02-19 02:19:53
Suyan de Mattos –
Em 1969, o artista Cildo Meireles, acompanhado de seus amigos Alfredo Fontes e Guilherme Vaz, abriu uma clareira ao atear fogo em uns gravetos às margens do lago Paranoá, em Brasília. Depois da queima, colocou as cinzas dentro de três caixas de madeira e também um pouco de terra.
Uma das caixas foi enterrada no local. As outras duas passaram a integrar a obra: Arte física: Caixas de Brasília/Clareira (na foto abaixo). Junto às caixas, há um mapa da localização da caixa enterrada e também uma sequência de fotos em preto e branco que expõem a vista do lago num fim de tarde, o registro da queima, a vista do lago na manhã seguinte com o resto da fogueira e todo o processo de jogar as cinzas nas caixas.

Cildo Meireles relata que essa intervenção representava uma tentativa de criar e de tomar posse de um território livre. Mesmo assim, conta que para conseguir levar embora consigo as caixas de madeira, ele foi obrigado a negociar com os funcionários do aparato de controle do regime militar, que lá foram inspecionar o que estava ocorrendo no local.
Do outro lado da margem do lago Paranoá, Cildo Meireles e seu amigos podiam avistar a bela estrutura da Universidade de Brasília, que, naquele momento, era mais uma das vítimas dos atos de arbítrio desencadeados pelos militares.
Nesse mesmo ano, como resultado da ditadura militar implantada em 1964, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, foi sequestrado no Rio de Janeiro por membros do grupo brasileiro de extrema-esquerda chamado Dissidência Comunista da Guanabara, conhecido como o Grupo Revolucionário MR-8 e da Ação Libertadora Nacional (ALN). O líder da ALN, Carlos Marighella (“inimigo número 1 da ditadura militar”), foi morto a tiros de metralhadora por agentes do DOPS em São Paulo.
Em 2019 o Coletivo F.A.D.A. com mapa a tiracolo foi em busca da Caixa de nº 3 de Cildo Meireles. Encontramos aquele território que ele queria criar e tomar posse como um espaço livre. Mas, já não estava mais livre… decidimos, então ocupar o território ao lado. Como este estava livre, tomamos posse. Nesta data o sepultamento da Caixa de Cildo Meireles completava 50 anos, conjuntura bastante similar a que ele viveu em 1969.
Assim, decidimos fazer a Cildragem.

Queima e enterro da bandeira brasileira às margens do Lago Paranoá, na mesma localização onde em 1969 Cildo Meireles realizou a ação Arte Física – Caixas de Brasília/Clareira. Aportamos em um antigo píer do Paranoá carregando uma versão brasileira preta-e-branca onde se lê Plantation & Bananation. Queimamos essa bandeira e enterramos suas cinzas numa caixa de acrílico junto com um cacho de bananas e uma fotografia da bandeira hasteada.

Em 28 de setembro, de um ano que ainda está por vir, quando o país da Plantation & Bananation for então já apenas uma lembrança triste, a caixa será desenterrada e seus restos dispersos ao vento do Planalto Central.

Fazem parte do Forças Amadas da Arte: Gisel Carriconde Azevedo, Hilan Bensusan, Raisa Curty e Suyan de Mattos. Registros de Cleber Cardoso Xavier e Mateus Lucena.
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Serviço:
Cildragem - Plantation & Bananation estará aberta à visitação de hoje, 10/3, às 19h, até 1/5, na galeria da Casa da Cultura da América Latina - SCS - Quadra 4, Ed. Anápolis - Brasília-DF.
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Arte Física: Caixas de Brasília/Clareira – Cildo Meireles, 1969.
Sequência de fotografias e mapas, três caixas de terra. Fotografia: Pat Kilgore.
Criado em 2020-03-10 21:34:47
Deu no Painel da Folha de S. Paulo que dois diretores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), empresa pública, que aderiram ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV), receberão R$ 200 mil de rescisão, mas deverão ser recontratados em cargos comissionados com um salário mensal de R$ 20 mil.
Detalhe: Eles ajudaram a aprovar as regras do PDV.
Nomes: Lourival Macedo, diretor de Jornalismo, e Luiz Antonio Duarte Moreira Ferreira, diretor de Administração, Finanças e Pessoas. Eles foram denunciados na Comissão de Ética da Presidência da República pelos representantes dos funcionários da empresa.
Pelo que disse a direção da EBC à Folha essa manobra é “legal” porque eles ocupam cargos de confiança. Além disso, a Comissão de Ética teria avalizado a movimentação.
Comissão de Empregados da EBC e Sindicato dos Jornalistas do DF assinam nota denunciando perseguições na Agência Brasil/EBC. A seguir, a íntegra da nota:
“Tempos sombrios pairam sobre a EBC, em especial sobre a Agência Brasil. Durante 2017, os casos de censura se multiplicaram e os assédios contra jornalistas viraram coisa corriqueira. Repórteres setoristas experientes foram transferidos sem nenhum diálogo, instaurando a perseguição contra os trabalhadores da empresa. O programa de correspondentes nacionais também foi interrompido de forma autoritária, após episódios explícitos de assédio moral.
Em 2018 os sinais são ainda piores. O repórter Ivan Richard, há 10 anos trabalhando na Agência Brasil e hoje representante dos trabalhadores na Comissão dos Empregados, surpreendentemente, foi expulso da Agência e informado que não faria mais parte da equipe após seu retorno de férias.
O repórter sequer foi avisado oficialmente da mudança, sendo comunicado informalmente por um colega de redação sobre sua transferência autoritária para a redação da TV Brasil. Até o momento, nenhuma informação foi dada sobre o que motivou a decisão do gerente executivo da Agência Brasil, Alberto Coura. Questionado por e-mail, o diretor de jornalismo da EBC Lourival Macedo não se manifestou, atitude que, em nossa compreensão, demonstra conivência com a perseguição.
O cenário sistêmico de assédio a profissionais concursados na atual gestão da Agência Brasil acentua-se ainda mais com a retaliação que tem sido praticada contra as trabalhadoras, umas delas gestante, que tentou sair da Agência Brasil também por sofrer assédio moral e que teve seu pedido negado. Outras trabalhadoras, com reconhecida competência, inclusive premiadas, formam destituídas das funções que exerciam pela gestão Coura.
Agora, a medida autoritária contra o repórter Ivan Richard abre um precedente ainda mais perigoso não apenas contra os demais profissionais da Agência Brasil, mas para todos os empregados da EBC que, do dia para noite, sem diálogo ou qualquer informação prévia, poderão ser trocados de setor e de função por capricho de seus superiores ou mesmo mantidos no veículo, a despeito de suas solicitações de mudança, para ficarem à mercê da perseguição dos gestores.
A atitude do gerente executivo da Agência Brasil, Alberto Coura, alvo de processo na Justiça do Trabalho por assédio moral, mostra o total descompromisso dele e da direção da EBC com a moralidade e com a comunicação pública e o desrespeito com os profissionais.
A desastrosa gestão de Coura na Agência é reflexo do ataque à empresa pública patrocinada pela atual direção e pelo governo federal. Desde junho, quando assumiu o cargo, o gerente não promoveu sequer uma reunião com seus subordinados.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF não vai compactuar com esse tipo de ação que ameaça e gera insegurança aos trabalhadores, os quais, a cada dia, estão expostos a novas retaliações e a tornarem-se as próximas vítimas de mudanças açodadas.
Fica mais evidente que não interessa à direção da EBC garantir a finalidade para qual a empresa foi criada. O interesse passou a ser apenas afagar o governo e garantir os cabides de emprego na estatal, cometendo seguidos atos de ilegalidade e afronta aos trabalhadores e à sociedade brasileira”.
Criado em 2018-02-04 01:02:26
Romário Schettino -
Para ver “The Post – A guerra secreta” é preciso relativizar a defesa veemente da liberdade de imprensa feita pelo filme de Steven Spielberg. EUA e Brasil são mundos bem diferentes em se tratando deste assunto.
O fato de os dois maiores jornais impressos nos EUA, The Washington Post e New York Times, terem enfrentado várias tentativas de cerceamento da liberdade de imprensa no caso das revelações de documentos secretos sobre a Guerra do Vietnam não nos permite achar que no Brasil a grande imprensa esteja, ou esteve, igualmente sob ameaça. Ou que tenha cumprido papel relevante na defesa da liberdade de expressão.
A história mostra que a grande imprensa brasileira sempre compactuou com as oligarquias, com a repressão e com os golpes militares ou civis. Essa prática já foi confessada pelos próprios veículos como se quisessem se penitenciar dos “erros” editoriais.
“The Post” está fazendo sucesso nos cinemas, a ponto de alguns espectadores gritarem ao final de algumas exibições: “Viva a liberdade de imprensa”. Alguns jornalistas da grande imprensa no Brasil buscam no exemplo retratado no filme algum tipo de apoio para o “trabalho de resistência” que exercem diante dos ataques e críticas surgidos nas redes sociais. Jornalista brasileiro odeia ser criticado, mas adora criticar tudo e todos, sem direito a réplica.
Os menos avisados não entendem a diferença quando se procura distinguir o jornalismo impresso (entes privados) das concessões públicas, que são os canais de rádio e televisão. Está fora do alcance do senso comum compreender essa diferença por falta de informação que os próprios meios de comunicação evitam divulgar. No Brasil, além da concentração da propriedade em poucas mãos, situação jamais vista em nenhum outro lugar do planeta, há o regime da propriedade cruzada. Ou seja, a mesma empresa é dona de rádio, TV, jornais, revistas, sites etc. na mesma cidade.
O filme conta, em resumo, que no seu mundo capitalista (tanto de lá quanto de cá a situação é igual), a dona do The Washington Post, Kat Graham (Meryl Streep), está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores para se capitalizar quando o seu editor-chefe Ben Bradlee (Tom Hanks), ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico, descobre que o concorrente New York Times ia iniciar uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca de sua possível derrota na Guerra do Vietnã, tendo como fonte documentos sigilosos do Pentágono.
O presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, para que nada mais seja divulgado. Em tempo: a mesma providência foi tomada contra o site WikLeaks e, por causa disso, Julian Assange está exilado há anos na embaixada do Equador em Londres.
A proibição pedida por Nixon é concedida por um juiz e o New York Times suspende a publicação. Os documentos chegam às mãos de Bradlee e sua equipe, que convencem Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa. A Suprema Corte foi acionada e os jornais (viva!) ganharam a parada.
A propósito dessa discussão, o professor de linguística da UnB Marcos Bagno, depois de ver o filme, publicou em sua página no Facebook, o seguinte comentário: “O que sempre me chama a atenção, nesses filmões hollywoodianos que fazem alguma "crítica" ao funcionamento do sistemão estadunidense, é que nunca se critica ou se contesta o sistemão em si, mas apenas algum elemento pontual que estaria maculando a democracia perfeita e inoxidável que configura(ria) os EUA. Fala-se mal de Nixon, mas não se fala mal da "coisa em si", porque a "coisa em si", o capitalismo predatório, o imperialismo sanguessuguinário, a democracia de araque, a manipulação escrota da ordem mundial... nada disso é contestado”.
Ainda segundo Bagno, “O problema não é a guerra do Vietnã, que ninguém contesta em nenhum momento do filme, já que combater os comunistas era a grande missão, mas o fato de o governo saber desde sempre que ela estava perdida e não contar isso pro povo. E haja blablablá sobre a liberdade de imprensa e a sacrossanta primeira emenda da Constituição. E a frase bombástica no final: "A imprensa não é feita para os governantes, mas para os governados".
É isso. Vá ver o filme, depois me conte se não temos, eu e o Marcos Bagno, razão.
Criado em 2018-02-05 01:14:22
A Cia de Cantores Líricos de Brasília apresenta a comédia O Elixir do Amor, de Gaetano Donizetti, nos meses de março e abril no Gama, Ceilândia e Escola de Música de Brasília. O espetáculo conta com a direção de cena de Francisco Mayrink. Entrada gratuita e livre pra todas as idades.
A ópera cômica conta a história de Nemorino (Rafael Ribeiro e Roney Calazans), que está apaixonado por Adina (Renata Dourado), que não lhe dá a mínima atenção. Já Dulcamara (Gustavo Rocha) é um charlatão que chega a uma cidade para vender poções mágicas. Enganado por Dulcamara, Nemorino acredita que uma poção do amor fará com que Adina se apaixone por ele. Mal sabe que foi enganado e que o suposto líquido enfeitiçado não passava de vinho de Bourbon. Adina, no entanto, está encantada pelo militar Belcore (Thiago Rocha), com quem pretende se casar. O triângulo amoroso está formado!
Este é o enredo de uma das óperas-bufas mais famosas do italiano Gaetano Donizetti (1797-1848). O Elixir do Amor (L'elisir d'amore) é uma realização da companhia de Cantores Líricos de Brasília, com estreia marcada para os dias 27 e 28 de março, respectivamente sexta e sábado, às 20h, no Teatro do Sesc Gama (Setor Leste Industrial). De lá, segue para Escola de Música de Brasília (602 Sul), onde estará em cartaz nos dias 4 e 5 de abril (sábado e domingo), também às 20h. A temporada será encerrada nos dias 17 e 18 de abril, às 20h, no Sesc Ceilândia (QNN 27 Área Especial).
“Para que o espetáculo fique leve e chegue ao púbico, faremos a obra em 1h30. Somos bem puristas, então, cantaremos em italiano, língua original, até para não perder a essência da história. Mas terá legenda simultânea para todos acompanharem. É uma ópera para crianças, adultos, adolescentes e idosos, enfim, para todas as gerações”, adianta Renata Dourado, fundadora da Cia de Cantores Líricos junto com Gustavo Rocha.
A produção contará com a direção de cena do renomado diretor de óperas, o mineiro Francisco Mayrink. A assistência de direção é de Érica Kallina, que também dá vida à personagem Gianetta, ao lado de Luiza Lacava. Gianetta é a típica fofoqueira, que ainda tira proveito e dá em cima dos homens que têm dinheiro.
“A ópera lembra um pouco a história de Lisbela e o Prisioneiro, de Osman Lins. De repente, chega um cara na cidade que diz resolver tudo. Ele produz um elixir para dor de amor, para dor de cabeça, para tudo. E acaba por entrar no meio de um triângulo amoroso”, explica Dourado, que também dá destaque para o cenário, que fará o público se impressionar.
O projeto de circulação da ópera conta com o patrocínio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF por meio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF).
Sobre a ópera
"O Elixir do Amor" (L'elisir d'amore) é uma ópera-bufa em dois atos de Gaetano Donizetti com libreto de Felice Romani. Estreou no Teatro della Canobbiana de Milão (Itália) em 12 de maio de 1832. A obra foi criada em duas semanas, sendo uma semana para a poesia e outra para a música, a pedido do gerente do teatro, que precisava de uma peça com urgência após o compositor originalmente contratado não ter entregue a obra prometida.
Sobre a Cia de Cantores Líricos
A Cia de Cantores Líricos de Brasília surgiu em 2008 com a união de cantores líricos da cidade que resolveram contribuir com o cenário musical. Todos os cantores realizam apresentações musicais, shows, concertos, recitais, óperas e casamentos, em performances em grupo ou solo.
Renata Dourado e Érika Kallina são sopranos e atuam tanto em produções da Cia quanto em outras produções musicais da cidade. Gustavo Rocha é um barítono atuante em Brasília. Além da performance musical e cênica, os cantores ministram aulas individuais de canto.
Ficha Técnica:
Atores e músicos:
Adina: Renata Dourado
Nemorino: Rafael Ribeiro e Roney Calazans
Belcore: Thiago Rocha
Dulcamara: Gustavo Rocha
Gianetta: Érika Kallina e Luiza Lacava
Realização: Cia de Cantores Líricos de Brasília
Produção: Renata Dourado
Direção de cena: Francisco Mayrink
Assistente de direção: Érika Kallina
Direção musical (Regente): Rafael Ribeiro
Direção artística: Sara Goulart
Assistente de produção: Gustavo Rocha
Luz e iluminador: James Fensterseifer
Figurinista: Stephany Dourado
Fotografia: Karollina Kanashiro
___________________
Serviço:
Ópera O Elixir do Amor
Data: 27 e 28 de março, sexta e sábado
Local: Teatro do Sesc Gama (Setor Leste Industrial, Lotes 620 a 680, QI 1)
Data: 4 e 5 de abril, sábado e domingo
Local: Escola de Música de Brasília (602 Sul)
Data: Dias 17 e 18 de abril, sexta e sábado
Local: Sesc Ceilândia (QNN 27 Área Especial Lote B - Ceilândia Norte)
Horário: Sempre às 20h.
Criado em 2020-03-10 21:16:44
Mesmo com uma decisão negativa do Tribunal Regional Federal 4, de Porto Alegre, que manteve a condenação de Lula, por unanimidade (3 x 0), o Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu manter a candidatura de Lula nas eleições presidenciais de 2018.
A nota oficial do PT, divulgada logo após o término do julgamento, diz que o partido não se renderá diante da injustiça: "Lula é candidato".
Os três desembargadores também aumentaram apena de 9 anos e 6 meses para 12 anos e um mês de prisão em regime fechado. A decisão não prevê prisão imediata de Lula, apenas após o esgotamento de todos os recursos, que serão examinados pelos mesmos juízes que o condenaram.
Eis a íntegra da nota do PT:
"O dia 24 de janeiro de 2018 marca o início de mais uma jornada do povo brasileiro em defesa da Democracia e do direito inalienável de votar em Lula para presidente da República.
O resultado do julgamento do recurso da defesa de Lula, no TRF-4, com votos claramente combinados dos três desembargadores, configura uma farsa judicial. Confirma-se o engajamento político-partidário de setores do sistema judicial, orquestrado pela Rede Globo, com o objetivo de tirar Lula do processo eleitoral.
São os mesmos setores que promoveram o golpe do impeachment em 2016, e desde então vêem dilapidando o patrimônio nacional, entregando nossas riquezas e abrindo mão da soberania nacional, retirando direitos dos trabalhadores e destruindo os programas sociais que beneficiam o povo.
O plano dos golpistas esbarra na força política de Lula, que brota da alma do povo. Esbarra na consciência democrática da grande maioria da sociedade, que não aceita uma condenação sem crime e sem provas, não aceita a manipulação da justiça com fins de perseguição política.
Não vamos aceitar passivamente que a democracia e a vontade da maioria sejam mais uma vez desrespeitadas.
Vamos lutar em defesa da democracia em todas as instâncias, na Justiça e principalmente nas ruas.
Vamos confirmar a candidatura de Lula na convenção partidária e registrá-la em 15 de agosto, seguindo rigorosamente o que assegura a Legislação eleitoral.
Se pensam que história termina com a decisão de hoje, estão muito enganados, porque não nos rendemos diante da injustiça.
Os partidos de esquerda, os movimentos sociais, os democratas do Brasil, estamos mais unidos do que nunca, fortalecidos pelas jornadas de luta que mobilizaram multidões nos últimos meses.
Hoje é o começo da grande caminhada que, pela vontade do povo, vai levar o companheiro Lula novamente à Presidência da República.
São Paulo, 24 de janeiro de 2018.
Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT".
Criado em 2018-01-24 21:27:41
Geniberto Paiva Campos (*) -
“Nós andamos muito satisfeitos com aquela rapaziada dos bastidores na Dow. O produto original não era grande coisa – se os viets fossem rápidos, conseguiam raspá-lo fora. Assim, a rapaziada começou a acrescentar poliestireno e ele passou a grudar” (...) - um piloto americano falando das alegrias do napalm. (1)
Por várias décadas os militares fizeram intervenções na política brasileira. Com origem no “Movimento Tenentista”, início da década de 1920, para combater os corruptos de então, denominados “carcomidos”. Estes deveriam ser afastados da gestão pública e exemplarmente punidos.
É extensa a lista das intervenções militares no processo político-administrativo do país.
A maioria, senão a totalidade, inspirados no Movimento Tenentista.
A “Coluna Prestes”, expressão histórica do Movimento, foi, na avaliação do jornalista Domingos Meirelles: “uma das mais extraordinárias marchas revolucionárias da História da Humanidade. Durante dois anos e meio, um grupo de jovens oficiais do Exército e da Força Pública de São Paulo vagou pelo interior do país, em companhia de uma legião de civis, empurrados pelo sonho de transformar o Brasil numa grande nação. Dignos e honrados, tinham todos o talhe de homens de bem do seu tempo”. (2)
A chamada “Revolução de Trinta” significou a chegada ao poder do Movimento Tenentista. Quando o gaúcho Getúlio Vargas assumiu a presidência da república, no golpe que destituiu o presidente em exercício Washington Luís, em 1930.
A partir daí, em várias oportunidades, as Forças Armadas estiveram presentes como poder moderador e/ou intervencionista, no processo político- institucional do país.
E que teve o seu momento culminante em abril de 1964, com o denominado “golpe” ou “revolução” de 64. Dependendo do ponto de vista político de quem avalia o movimento. E adquiriram amplos poderes para colocar em prática o seu projeto de Nação.
Com erros e acertos, altos e baixos, os militares deram a sua contribuição ao nobre empenho de “transformar o Brasil numa grande nação”, apud Meirelles : como cidadãos indignados com o arbítrio, o nepotismo e a corrupção que devastavam o país.(2)
Instalada a “Nova República”, o Brasil entra no século 21 como uma país à procura da Democracia Plena. Um país desenvolvido, industrializado, livre do atraso, do analfabetismo. Uma das maiores economias do mundo. Pronto a assumir seu papel de grande potência, no chamado concerto das nações.
Eis senão quando, como diziam os antigos, tornou-se necessário uma nova temporada de “caça aos corruptos”. Pois havia estranhos no ninho. A chegada improvável ao poder, em 2003, de uma nova agremiação trabalhista. O Partido dos Trabalhadores.
O papel histórico que coube anteriormente às Forças Armadas, seria agora desempenhado pelo sistema judiciário, a “Rapaziada da Toga”.
Começava ali o desmonte do Estado de Direito, substituído por normas confusas, as quais visavam tão somente à extinção gradual dos direitos de cidadania. Dando início à substituição sutil e gradativa da civilização pela barbárie.
Curiosamente a sociedade civil a tudo assistiu inerte, como que alheia ao que se passava.
A condenação de réus sem culpa formada, em processos criminais. Substituindo as provas por conceitos vagos como “domínio do fato” e trazendo à baila a “literatura jurídica” para justificar a ausência de evidências mais elementares que justificassem condenação pessoas provavelmente inocentes em um processo criminal.
Associações de juristas, ordem dos advogados, organizações sociais, a consciência da cidadania foram, aparentemente, incapazes de perceber a ausência de legalidade, legitimidade e justiça nessas condenações. E assumiram a sua paralisante perplexidade.
Estava, assim, escancarada a porta para os passos subsequentes. Ultrapassados os limites do direito natural, o país adotou o Estado de Exceção.
Em nome do “combate sem trégua à corrupção” tudo se tornou permitido.
Foram, então, criadas novas “campanhas anticorrupção”, com batismo midiático.
E o apoio irrestrito dos órgãos de comunicação. Sempre vigilantes e implacáveis na defesa da democracia sem povo e sem voto.
Eliminando, na prática, direitos fundamentais como “presunção de inocência”; amplo acesso ao direito de defesa; decretação de prisão sem a conclusão do processo, e sem que fossem usados todos os recursos jurídicos disponíveis, permitidos em Lei.
Tudo em nome de um delírio punitivo, justificado, ingenuamente, pela necessidade do combate sem tréguas – muitas vezes seletivo – à “corrupção”. Na prática, promovendo o mais gritante e indefensável retrocesso da democracia, da liberdade e dos direitos humanos.
Dessa forma, não se sabe em nome do quê, instituindo um novo regime totalitário no Brasil. Representado por um Executivo que não governa, preocupando-se apenas na pronta entrega do patrimônio tangível e intangível do país aos interesses externos e na rápida extinção de direitos trabalhistas e previdenciários dos brasileiros.
Um desfecho totalmente imprevisível para mais um curto período de ensaio democrático no país: 1985/ 2016. Pois assim caminha a nação brasileira.
Como o japonês de Hiroshima, entre incrédulo e perplexo, após o bombardeio atômico em 1945, também perguntamos: “A saída! Onde fica a saída???”
_____________________
(*) Geniberto Paiva Campos é membro do Instituto de Estudos Brasileiros/IEB e do Coletivo Lampião.
(1) Arundhati Roy, no prefácio de “Razões de Estado”, Noam Chomsky, Ed. Record, 2008.
(2) Domingos Meirelles, in “As Noites das Grandes Fogueiras” – uma história da Coluna Prestes – Ed. Record, 2013.
Criado em 2018-02-05 00:04:53
O projeto “A Escola no Cinema: Luz, Câmera, Educação!” vai levar ao cinema seis mil estudantes da rede pública do ensino fundamental, médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e ensino especial do Distrito Federal.
As primeiras turmas foram recebidas semana passada no Cine Cultura Liberty Mall. Essa iniciativa oferece sessões gratuitas de filmes com o objetivo de possibilitar aos jovens de baixa renda o acesso às obras cinematográficas brasileiras. As escolas foram selecionadas por meio de inscrições pelo site do projeto.
Como a maioria das regiões administrativas do DF ainda não possui salas de cinema, para muitos desses alunos essa é a primeira vez que assistirão a um filme na telona. Mesmo nas turmas adultas do EJA, há relatos daqueles que nunca sequer entraram em um cinema.
Por isso, o projeto “A Escola no Cinema” procura oferecer a experiência completa. Uma vez no Cine Cultura Liberty Mall os participantes recebem um ticket para retirada da pipoca e um ingresso que entregam na porta da sala, como acontece em uma sessão convencional. Ao final, essas crianças e adultos ganham lanche e os professores levam um folder com orientações para trabalhar a obra assistida em sala de aula. Tudo é oferecido gratuitamente.
As escolas selecionadas formaram grupos de 90 alunos da mesma faixa etária: de 4 a 6 anos, de 7 a 9 anos, de 10 a 12 anos e a partir de 13 anos. Os filmes são exibidos de acordo com a idade de cada turma. São eles “Tito e os Pássaros”, “Peixonauta – O Filme”, Tainá 3 – A Origem” e “O Outro Lado do Paraíso”. As exibições são precedidas pelos curtas-metragens “A Piscina de Caíque”, de Raphael Gustavo da Silva, “Eric Acorde”, de Telmo Carvalho, “Lá do Alto”, de Luciano Vidigal, “Caminho dos Gigantes”, de Alois Di Leo, e “Vida Maria”, de Marcio Ramos.

Nesta edição, se inscreveram escolas públicas de Taguatinga, Ceilândia, Recanto das Emas, Santa Maria, Varjão, Cidade Estrutural, São Sebastião, Sobradinho I, Sobradinho II, Planaltina, Cruzeiro, Guará I, Guará II, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Brazlândia, Gama, Samambaia, Itapoã, Paranoá, Jardim Botânico, Riacho Fundo I, Riacho Fundo II, Vicente Pires, Águas Claras/Areal e Plano Piloto. 15% das vagas são reservadas para escolas da área rural e escolas de ensino especial.
“A Escola no Cinema: Luz, Câmera, Educação!” é realizado pela Associação dos Amigos do Cinema e da Cultura com emenda parlamentar (MROSC nº 49/2019) e conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Criado em 2020-03-09 20:12:23
Em nota oficial divulgada ontem (22/1) a diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) considera que o Brasil vive em Estado de Exceção, que dispensa força militar, "porque é sustentado pelo Parlamento, pelo Judiciário e por alguns setores da mídia".
Além de afirmar que essa situação precisa chegar ao fim, a Fenaj acha que é "imprescindível que o Judiciário cumpra seu papel constitucional, observando o ordenamento jurídico nacional e zelando pela prevalência do Estado Democrático de Direito".
A nota da Fenaj conclama os "jornalistas a atuarem na cobertura do julgamento com a necessária ética e responsabilidade profissional". A entidade diz ainda que a missão da categoria é "oferecer ao cidadão informação confiável e correta, possibilitando à sociedade condições de se posicionar criticamente frente à conjuntura atual".
Eis a íntegra da nota:
"A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), ainda em 2015, denunciou publicamente que estava sendo construído um golpe de Estado no Brasil.
O golpe consolidou-se com a deposição da presidenta Dilma Rousseff em 2016 e vem sendo aprofundado com medidas prejudiciais ao país e seu povo e pode ser reforçado com uma nova medida: a condenação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva pela Justiça Federal, para impedir a participação dele nas eleições presidenciais deste ano.
O julgamento do ex-presidente, a ser feito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na próxima quarta-feira [amanhã, 24/1], vai entrar para a história do Brasil sob duas hipóteses: ou como farsa judicial ou como restabelecimento do Estado Democrático de Direito, abalado pelo golpe.
Diante da importância desse fato, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vem a público defender a democracia e o Estado Democrático de Direito.
Na história de países democráticos, o Poder Judiciário em mais de uma ocasião esteve a serviço de interesses nada republicanos. O mundo conhece casos emblemáticos como o de Nelson Mandela, encarcerado por defender o fim do regime de segregação racial que prevalecia na África do Sul. Outro caso que merece ser rememorado é do capitão Dreyfus, que dividiu a França no final do século 19 e comoveu o escritor Émile Zola, a ponto de levá-lo a escrever o famoso manifesto "J´Acuse", pelo qual o próprio Zola também fora condenado.
No Brasil, durante a ditadura militar, julgamentos farsescos foram realizados para condenar opositores. Nesse novo golpe, o Judiciário tem sido suporte para ações nitidamente políticas, como a própria deposição da presidenta Dilma e a condenação, sem provas, em primeira instância, do ex-presidente Lula.
Esse Estado de Exceção, que não precisa da força militar, porque é sustentado pelo Parlamento, pelo Judiciário e por alguns setores da mídia, precisa chegar ao fim. Para isso é imprescindível que o Judiciário cumpra seu papel constitucional, observando o ordenamento jurídico nacional e zelando pela prevalência do Estado Democrático de Direito.
Entendemos que defender o Estado Democrático de Direito, nesse momento, é também defender um julgamento sem caráter político-partidário.
Além de apelar publicamente ao Judiciário, a Fenaj também conclama os jornalistas a atuarem na cobertura do julgamento com a necessária ética e responsabilidade profissional.
A missão da categoria é oferecer ao cidadão informação confiável e correta, possibilitando à sociedade condições de se posicionar criticamente frente à conjuntura atual.
Brasília, 22 de janeiro de 2018.
Diretoria da Fenaj".
Criado em 2018-01-23 20:25:03
Geniberto Paiva Campos(*) -
A pena não puniu um crime. Pois não havia crime a punir. A pena teve como objetivo impedir a candidatura presidencial de Lula em 2018. Foi, portanto mais uma lamentável decisão político-partidária. Simples assim.
Estamos num Estado de Exceção. No qual adentramos desde a vitória do PT em 2002. Esta é a descrição mais sucinta e fiel da infeliz decisão do TRF 4, do dia 24 de janeiro.
Confirmada a sentença, com o detalhe incrível do aumento da pena, logo me veio à lembrança a cena marcante de um filme antigo, “Glória Feita de Sangue” (Paths of Glory), de Stanley Kubrick, 1957: No julgamento de um evento da 1ª Guerra Mundial por um tribunal militar, acontece a fala de um oficial, indignado com a decisão da corte, que diz: “Neste momento, me envergonho de pertencer à raça humana”.
Todos brasileiros, homens e mulheres, deveriam refletir serenamente sobre essa decisão do tribunal gaúcho. Não como “juiz dos juízes”. No mínimo, com perplexidade e indignação.
E muita sabedoria política. E ações concretas no campo jurídico. E político. E econômico. Aqueles que defendem os princípios democráticos e o estado de direito como valores perenes, não podem aceitar passivamente a injustiça de uma condenação sem provas.
Isso depõe contra o processo civilizatório, a maneira correta do convívio humano. E este não é um caso isolado.
Desde o início do 1º governo do PT, em 2003, já era nítido o inconformismo da elite com a forma diferente de governar do Partido dos Trabalhadores. Daí o nascimento do “Mensalão”.
Foi quando o velho e infalível tema da corrupção foi novamente trazido para a cena política. E a consciência crítica dos brasileiros fez apenas cara de paisagem. Como sempre, o objetivo da elite – às vezes disfarçado, ou escancarado, como agora - é estabelecer o absoluto controle da “soberania popular”. Podemos votar em qualquer candidato. Desde que seja eleito o da confiança da elite.
Governos populares ou trabalhistas. Que defendam a soberania nacional. Ou que lutem para fazer o Brasil cumprir sua vocação de “grande potência” não poderão sobreviver. Novamente, simples assim. Ou golpe ou impeachment.
Muda o enredo da peça. E os pretextos. Mas o final é sempre o mesmo. Sem direito a “happy end”. O remédio da Elite para conter avanços da democracia vem sendo aplicado numa enfadonha e conhecida sequência histórica: Getúlio Vargas, do “mar de lama do Catete”; João Goulart, da “república sindicalista”; Lula da Silva do “Mensalão”, (o qual só colou parcialmente); Dilma Rousseff das “pedaladas fiscais”.
E o próximo, ainda sem nome e sem data de início do mandato. Claro, na (talvez vã) expectativa que ocorram as eleições presidenciais de 2018. Fica cada vez mais evidente que o problema não reside na “unidade das esquerdas”. Mas no apego da elite ao autoritarismo. A doença incurável da direita.
A elite brasileira não aceita a democracia, a liberdade, a busca pela igualdade e justiça social. Tem os olhos presos, e vive, ainda no passado escravocrata. E quer a divisão eterna entre a Casa Grande e a Senzala.
A luta é essencialmente política. E se trava em diversas áreas, táticas e estratégicas. No momento atual, a prioridade é no campo jurídico.
A consciência de legalidade e justiça dos brasileiros não pode permanecer sonolenta e no estado de letargia em que se encontra há muito tempo. Desde os primórdios do “Mensalão".
Devem ser despertados desse sono mortal os "homens da lei", os intelectuais, acadêmicos, militantes de causas sociais, os cidadãos e pessoas de boa vontade. E os partidos políticos, de todas as tendências.
E fazer refletir os que se vestem de amarelo, saem as ruas e batem panelas “contra a corrupção”. Agindo contra o seu futuro.
Fica difícil, neste momento, imaginar “sangue nas calçadas”. Repetimos: a luta é política. A elite escravocrata, com a cumplicidade da classe média, defende, de forma disfarçada - e muitas vezes cínica- os ricos e os muito ricos. E não se trata de um padrão brasileiro de conduta.
O poder de manipulação da elite é imenso. E na maioria das vezes o inimigo da democracia, dos direitos humanos e da liberdade é um sujeito oculto, distante. E se espalha pelos mais insuspeitos lugares.
Tornou-se evidente, portanto, que a manipulação e a invenção de crenças não é uma característica da ingenuidade inata dos brasileiros ou latino americanos. E não depende do grau de desenvolvimento econômico e cultural de povos e nações.
É possível, sim, construir “verdades” e manipular sentimentos e reações das pessoas, de todos os quadrantes do planeta. Nesse sentido, é fundamental o papel dos órgãos de comunicação. Despidos de qualquer consideração de ordem ética. E sem nenhum escrúpulo. Dispostos a mentir e falsear a verdade. Eis um dos inimigos principais da liberdade e da democracia.
Eles comemoraram, com indisfarçada alegria, a condenação do ex-presidente Lula às penas da lei... Aproveitem, rapazes, sua festa está próxima do fim. O golpe de 2016 vai soar como um réquiem para vocês.
O neoliberalismo não se sustenta! E não deu certo em nenhum lugar do mundo.
______________________
(*) Geniberto Paiva Campos é membro do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e do Coletivo Lampião.
Criado em 2018-01-29 13:48:16
José Carlos Peliano –
não foi porque era a barriga a casa
feita a todo gosto e sob medida
gruta onde se guarda e prepara a vida
no voo que sustenta cada asa
não foi a graça que extravasa
pela lembrança ainda guarnecida
por cada emoção que chega e abrasa
de saudade a saudade revivida
foi o aprendizado incorporado
mulher mãe, mulher amiga, mulher
todo esse amor ainda vem ao lado
sem elas não teria um sequer
com elas um presente abençoado
para ter em frente o bem que o bem quer
Criado em 2020-03-08 04:15:20
Romário Schettino -
A esquerda e a direita estão se organizando no Distrito Federal para colocar o bloco na rua. Mas tudo só será definido depois do carnaval. PT aposta na candidatura Lula independentemente do resultado do julgamento no TRF4, dia 24 de janeiro.
Enquanto Jofran Frejat (PR) puxa a turma da direita rorizista e arrudista, flertado aqui e ali por ex-esquerdistas, como o senador Cristovam Buarque, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) busca a reeleição transitando numa aliança heterodoxa, de centro direita, que inclui o PSDB de Maria Abadia, setores evangélicos conservadores, supostos grupos independentes e alguns partidos nanicos.
Rollemberg trabalha seu marketing com inaugurações, início da extinção do lixão da Estrutural, anúncios de mais obras, comandando a máquina do GDF com recursos de R$ 1,3 bilhão liberado pela Câmara Legislativa.
O PT E O GDF
O Partido dos Trabalhadores abriu as inscrições para seus militantes se apresentarem como pré-candidatos aos cargos proporcionais. O prazo se encerrará dia 31 de março. A nominata definitiva sairá do Congresso do partido provavelmente em maio ou junho.
A presidenta do PT-DF, Erika Kokay, a despeito dos nomes dos petistas que circulam na imprensa (Arlete Sampaio, Geraldo Magela, Chico Vigilante, Ricardo Vale e outros), para a Câmara Legislativa, Wasny de Roure, para o Senado, e ela própria para a reeleição na Câmara dos Deputados, vê como animadora a possibilidade de novos nomes surgirem durante os debates internos.
Mas, quando perguntada sobre aliança para o GDF, Erika informa que “não há a menor possibilidade de o partido se aproximar de Rollemberg, que faz um governo incompetente e desumano com os servidores e com a população".
Em relação a Jofran Frejat, Érika é mais enfática: “Frejat está associado ao que há de pior na política brasiliense, que é o rorizismo e a Caixa de Pandora do ex-governador Roberto Arruda. Portanto, está fora de nosso arco possível de aliança".
Independentemente do resultado do julgamento do TRF4, de Porto Alegre, a candidatura Lula está colocada. A direção nacional do partido está disposta a manter a candidatura Lula até o fim, ou seja, até esgotar todos os recursos possíveis e imagináveis.
Em relação ao DF, disse Érika: “Estamos seguindo as resoluções do partido que orientam a busca de frentes com unidade programática, visando construir o campo democrático e popular”.
Por isso mesmo, o PT não descarta uma aliança com o PDT de Joe Valle e com o PCdoB. No entanto, Érika admite que o partido pode ter um candidato, ou uma candidata, próprio(a) ao GDF e o nome da professora Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF, é uma opção.
AS OPÇÕES DO PSOL
No final do ano passado o PSol decidiu que a professora Fátima Souza, diretora da Faculdade de Saúde da UnB, será a coordenadora do Programa de Governo e, depois do carnaval, quando se desincompatibilizar do cargo, será formalizada como pré-candidata ao GDF.
Maria de Fátima foi aluna de dom Elder Câmara e participou da equipe de saúde da prefeita Luísa Erundina em São Paulo. Depois, foi coordenadora nacional do Saúde da Família do governo Itamar Franco.
Para o Senado, dois nomes: Anderson Batista de Melo, professor do Departamento de História da União Pioneira de Integração Social (UPIS-DF); e o jornalista Chico Sant´Anna, servidor do Senado aposentado e colunista do jornal Brasília Capital.
Para Deputado Federal, a médica Maninha será a puxadora de votos. Ela foi deputada distrital e federal. Para a Câmara Legislativa o PSol está apostando no Toninho, candidato ao GDF na eleição passada, Fábio Felix e Anjuli Tostes, consultora da Controladoria Geral da União (CGU).
Para vencer a cláusula de barreira os pequenos partidos como PSol e PCdoB estão lançando candidatos a cargos majoritários para tentar eleger a maior bancada legislativa possível.
O PCdoB lançou Manoela D´Ávila, para a Presidência da República, e o PSol está entre Guilherme Boulos, do MTST, Plínio de Arruda Sampaio Júnior e Sônia Guajajara (Tânia Pacheco). O maestro Jorge Antunes também se articula para a disputa interna. Mas só depois da Conferência Eleitoral de março é que o PSol definirá seu candidato a Presidente.
Criado em 2018-01-18 14:16:59
José Carlos Peliano(*) -
No sudeste asiático, península da Indochina, situa-se o Vietnam, um país pequeno limitado ao norte pela China, ao sul pelo mar da China, ao leste pelo Golfo de Tonkin e a oeste pelo Laos e Camboja.
Depois de quase 24 horas de voo dos que moravam no Brasil desde o Rio de Janeiro, indo até Paris e de lá a Saigon, sem contar outras horas de espera nos aeroportos, chegamos e nos juntamos a outros vindos de outros lugares num grupo amigo de 20 pessoas para conhecer de perto o país que sofreu 30 anos de guerra, incluindo a invasão americana, mais além da longa ocupação anterior francesa.
Por que o Vietnam? Para os mais velhos do grupo, que acompanharam à distância, dia a dia, pelos rádios e jornais as iniquidades e os horrores do conflito com os invasores, foi uma espécie de resgate histórico e emocional ao rever o pequeno país que pôs os Estados Unidos em retirada sem ter conseguido derrotar o povo vietnamita, embora tivesse produzido na região estragos irreparáveis.
Para todos do grupo, especialmente os mais novos, foi o prazer de conhecer um modo de vida diferente e diverso do ocidental nos hábitos e costumes de alimentação, na maneira de se vestir, se cuidar e cumprimentar e se despedir a quem quer que seja.
Além de desfrutar das cidades especiais, Saigon, Hoi An e Hanoi, do longo passeio de barco pelo rio Mekong, das vilas agrícolas visitadas, das praias de Phu Quóc e das exuberantes elevações de Ha Long Bay.
Aos que completaram todos os dias previstos ficou a impressão rica e majestosa de um povo forte, batalhador, gentil, alegre e acolhedor. Com uma visão de futuro, de superação e realização de dias melhores para o país.
Não se esqueceram do passado, estampado com trágicas fotos e artefatos no museu da guerra, na manutenção para visitação dos túneis usados para defesa e fuga e em alguns livros escritos, particularmente por militares que estiveram presentes nos conflitos.
Mas não ficaram por lá no passado se lamentando, se deprimindo e alimentando ainda hoje uma ira e vingança sem tamanhos. Embora com parte ateia significativa, ajudou na postura de paz com a vida a permanência do espírito religioso primitivo (cerca de 45% da população), que é seguido em cultos e atitudes, junto a outros credos menores, como o budista e católico.
Claro que esses comentários vêm de um turista ávido de informações e impressões, o que os torna uma amostra pessoal, restrita, somada aqui e ali com o que viram os demais do grupo.
De todas as formas, é evidente por que salta aos olhos, trata-se de uma população que transita bem entre redutos dos tempos idos com a exuberância dos tempos atuais, estampados nos edifícios de recortes modernos, nos veículos dos vários modelos da atualidade e nas facilidades tecnológicas contemporâneas.
E isso tudo ocorrendo hoje em um país que foi arrasado física, mental, moral, psicológica, econômica e financeiramente por conflitos brutais que se arrastaram por longos períodos.
Milhões de vietnamitas mortos (estimativas entre 1,1 milhão a 3 milhões), outros tantos feridos e incapacitados. Milhões de vidas ceifadas ainda no começo, na meia idade e no apogeu perto do fim.
Ainda está em meus olhos a foto icônica, estampada na época por todas as mídias mundiais, da menina vietnamita correndo, atônita, chorando e gritando, nua, fugindo de um ataque de napalm, quando sua vila foi atacada por fuzileiros americanos. A foto se destaca em tamanho ampliado na sala dos horrores da guerra do museu situado no antigo prédio presidencial de Saigon.
Em minha viagem, não se via miséria nas ruas de cidades ou vilas do interior, ninguém estendendo a mão pedindo esmolas ou ajuda de qualquer espécie. Via-se o que se pode chamar de pobreza, à falta de um nome melhor, para designar aqueles que viviam pelas ruas vendendo pequenas coisas ou comidas esparramadas em determinados cantos das calçadas, ou em diminutos expositores localizados em cima de bicicletas, carrinhos de mão ou carregadores de caixas.
Mas todos vestidos dignamente com roupas simples, fisionomias tranquilas, disposições físicas normais, acompanhados ou não de filhos e maridos. Ah! Esta uma característica dominante na sociedade vietnamita, a maioria dos que se valem do comércio e serviços para sobreviver é composta, administrada e dirigida por mulheres. Estaríamos em meio a um matriarcado moderno?
Incrível a quantidade de pequenas lojas e negócios por toda Saigon, Hanoi, Hoi An e as demais vilas por onde se passava para chegar de um ponto a outro. Em quase todas elas via-se construções variadas, muitas, em pleno desenvolvimento, apinhadas de trabalhadores, embora mecanizadas com máquinas e equipamentos modernos. Um país em plena expansão, sem retrocesso. Por isso mesmo, sem sinais de pessimismo. Um futuro promissor à frente.
Sob um regime comunista com características próximas à China, administração descentralizada, mas com monitoramento e acompanhamento central. Do lado da economia, os negócios funcionam à moda capitalista, todos podem ser proprietários privados de suas atividades, havendo milhares de pequenas empresas em meio a grandes grupos econômicos.
E o país segue em frente com uma população de 93 milhões de habitantes (pouco menos da metade da população brasileira), apresentando um dos menores índices de desigualdade do mundo – coeficiente de Gini de 0,35 apurado em 2014. Enquanto isso, o Brasil registra quase o dobro, algo em torno de 0,60, nos últimos anos e com sinais agora de piora.
Outro resultado positivo da evolução vietnamita é a quantidade de pessoas ditas na pobreza, de 17,2% da população em 2010 para 11,6% em 2014 – a medida é feita por pessoa que recebe menos de US$ 60 por mês, equivalente hoje a R$ 220,00.
Embora possa parecer baixo o valor, deve-se ter em conta que os produtos em geral são mais baratos que aqui, o custo de vida não é excessivo, em torno de 8% ao ano e baixando anualmente, e com forte ação do governo em políticas sociais (saúde, educação e moradia), segundo informações de habitantes e do banco de dados do Banco Mundial. Aliás, os recursos direcionados pelo governo para ajuda aos mais pobres vêm de tributos cobrados das classes mais abastadas.
A economia contribui de forma significativa para esses bons resultados, ao registrar um crescimento médio de 5% nos últimos cinco anos, o que tem permitido não só a criação de empregos formais urbanos, mas também a melhoria da produtividade na área rural.
Quem ganha ao fim e ao cabo é a própria sociedade vietnamita quando se verifica que a expectativa de vida do cidadão veio de 71 anos em 1992 para 75,9 anos em 2015. E mostra ao mundo o poder de um povo que saiu das ruínas para a reconstrução robusta e bem sucedida, atuando em conjunto com um governo que tem atuado em nome do povo, pelo povo e para o povo. Ao contrário do que faz o desgoverno atual do Brasil.
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(*) José Carlos Peliano é economista, poeta e escritor.
Criado em 2018-01-27 13:03:04
Quantas ruas em nossa cidade são batizadas por nomes femininos? Quantos são os monumentos dedicados a mulheres? Com essas perguntas o Museu do Amanhã, do Rio de Janeiro, pretende dar início a uma série de debates sobre o Dia Internacional da Mulher. É a terceira edição do projeto “Meninas de 10 anos”.
Neste sábado, dia 7/3, o Museu do Amanhã (Praça Mauá, Centro do Rio) iniciou sua programação com o debate “A cidade - substantivo feminino”, a partir de reflexões sobre a presença e o lugar da mulher na sociedade. O programa, mobilizado pela agenda 2030 proposta pela ONU, aposta na potência do encontro entre meninas e mulheres a fim de se romper estereótipos, propor engajamento social e fomentar valores como sororidade, empatia, identificação e confiança.
O projeto promove atividades acerca das questões de gênero, tendo como premissa a compreensão dos papéis atribuídos a homens e mulheres e como foram historicamente construídos. As meninas vão interagir com um quebra-cabeças que traz imagens de mulheres importantes na história, como Nise da Silveira, Tia Ciata, Cecília Meireles, Mercedes Batista, Marielle Franco, Maria Lenk, Elza Soares, entre outras. Ao final, vão participar de uma oficina para confecção de placas de ruas com o nome de mulheres que as inspiraram na vida comunitária, escolar e mesmo durante os encontros no museu.
O projeto “Meninas de 10 anos”, que teve sua primeira edição em 2017, é um desdobramento do Seminário “10 meninas na construção dos amanhãs” realizado no Museu do Amanhã em parceria com o Fundo de População da ONU (UNFPA). O mote era o relatório do UNFPA ‘10 – Como nosso futuro depende de meninas nessa idade decisiva’, que demonstra como a vida de todas as meninas é radicalmente transformada a partir dos 10 anos, sendo resultado de um trabalho no qual 10 meninas de diferentes países foram acompanhadas e monitoradas - considerando seus universos e realidades. O resultado desta pesquisa é a impreterível relevância na promoção de políticas de investimento e proteção para as meninas, sobretudo a partir desta faixa etária, que constitui um marco de transformações e modificações determinantes para a concretização da agenda 2030, com destaque para o ODS-5.
No dia 10/3, a partir de 9h, meninas das escolas vizinhas e parceiras do Museu participam do encontro que vai abordar questões de gênero e feminismo, podendo ser este o primeiro contato delas com as temáticas em questão. Por isso, esse encontro se chama “Plantar”, já que trata de depositar sementes em terrenos férteis e necessariamente partes de qualquer transformação que se podem desejar para o amanhã de todos.
No último dia, 14/3, a partir de 13h30, o evento coloca frente a frente duas gerações de garotas, o que fará desta etapa uma grande celebração. As meninas de 2017 e as meninas de 2020 irão se conhecer e reconhecer, contrastando realidades variadas e até mesmo sonhos possivelmente distintos, sem, contudo, nunca esquecer do que as une: o ser mulher, em toda a amplitude. Chamado de “Regar”, esse terceiro encontro é norteado pelas ideias de Paulo Freire ao propor a educação como uma via de mão dupla, ou seja, meninas que colaborativamente irão revigorar seus objetivos e sonhos.
Criado em 2020-03-07 17:26:42