“Maldito é o soldado que aponta sua arma para o seu próprio povo".

 Simón Bolívar


A suspeita é que os diretores Lourival Macedo e Luiz Antonio Ferreira teriam se beneficiado de regras aprovadas por eles mesmo.
PDV na EBC vai parar na Comissão de Ética

Deu no Painel da Folha de S. Paulo que dois diretores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), empresa pública, que aderiram ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV), receberão R$ 200 mil de rescisão, mas deverão ser recontratados em cargos comissionados com um salário mensal de R$ 20 mil.

Detalhe: Eles ajudaram a aprovar as regras do PDV.

Nomes: Lourival Macedo, diretor de Jornalismo, e Luiz Antonio Duarte Moreira Ferreira, diretor de Administração, Finanças e Pessoas. Eles foram denunciados na Comissão de Ética da Presidência da República pelos representantes dos funcionários da empresa.

Pelo que disse a direção da EBC à Folha essa manobra é “legal” porque eles ocupam cargos de confiança. Além disso, a Comissão de Ética teria avalizado a movimentação.  

Comissão de Empregados da EBC e Sindicato dos Jornalistas do DF assinam nota denunciando perseguições na Agência Brasil/EBC. A seguir, a íntegra da nota:

“Tempos sombrios pairam sobre a EBC, em especial sobre a Agência Brasil. Durante 2017, os casos de censura se multiplicaram e os assédios contra jornalistas viraram coisa corriqueira. Repórteres setoristas experientes foram transferidos sem nenhum diálogo, instaurando a perseguição contra os trabalhadores da empresa. O programa de correspondentes nacionais também foi interrompido de forma autoritária, após episódios explícitos de assédio moral.

Em 2018 os sinais são ainda piores. O repórter Ivan Richard, há 10 anos trabalhando na Agência Brasil e hoje representante dos trabalhadores na Comissão dos Empregados, surpreendentemente, foi expulso da Agência e informado que não faria mais parte da equipe após seu retorno de férias.

O repórter sequer foi avisado oficialmente da mudança, sendo comunicado informalmente por um colega de redação sobre sua transferência autoritária para a redação da TV Brasil. Até o momento, nenhuma informação foi dada sobre o que motivou a decisão do gerente executivo da Agência Brasil, Alberto Coura. Questionado por e-mail, o diretor de jornalismo da EBC Lourival Macedo não se manifestou, atitude que, em nossa compreensão, demonstra conivência com a perseguição.

O cenário sistêmico de assédio a profissionais concursados na atual gestão da Agência Brasil acentua-se ainda mais com a retaliação que tem sido praticada contra as trabalhadoras, umas delas gestante, que tentou sair da Agência Brasil também por sofrer assédio moral e que teve seu pedido negado. Outras trabalhadoras, com reconhecida competência, inclusive premiadas, formam destituídas das funções que exerciam pela gestão Coura.

Agora, a medida autoritária contra o repórter Ivan Richard abre um precedente ainda mais perigoso não apenas contra os demais profissionais da Agência Brasil, mas para todos os empregados da EBC que, do dia para noite, sem diálogo ou qualquer informação prévia, poderão ser trocados de setor e de função por capricho de seus superiores ou mesmo mantidos no veículo, a despeito de suas solicitações de mudança, para ficarem à mercê da perseguição dos gestores.

A atitude do gerente executivo da Agência Brasil, Alberto Coura, alvo de processo na Justiça do Trabalho por assédio moral, mostra o total descompromisso dele e da direção da EBC com a moralidade e com a comunicação pública e o desrespeito com os profissionais.

A desastrosa gestão de Coura na Agência é reflexo do ataque à empresa pública patrocinada pela atual direção e pelo governo federal. Desde junho, quando assumiu o cargo, o gerente não promoveu sequer uma reunião com seus subordinados.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF não vai compactuar com esse tipo de ação que ameaça e gera insegurança aos trabalhadores, os quais, a cada dia, estão expostos a novas retaliações e a tornarem-se as próximas vítimas de mudanças açodadas.

Fica mais evidente que não interessa à direção da EBC garantir a finalidade para qual a empresa foi criada. O interesse passou a ser apenas afagar o governo e garantir os cabides de emprego na estatal, cometendo seguidos atos de ilegalidade e afronta aos trabalhadores e à sociedade brasileira”.

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