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Romário Schettino –
“O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.” A frase afirmativa é do embaixador brasileiro em Washington, Juracy Magalhães (1964 a 1965), e foi usada por décadas para ironizar os “entreguistas” da direita e da extrema-direita no Brasil. E ainda é usada até hoje pela esquerda e pela extrema-esquerda nacionais com o mesmo sentido irônico.
No entanto, com a derrocada de Donald Trump, “amigo desejável” de Jair Bolsonaro, cabe refazer a frase, agora como pergunta: “O que é bom para o EUA é bom para o Brasil?”. E acrescento: ”É bom para a América Latina?”.
Parte da esquerda brasileira festeja o sentido simbólico da derrota de Trump. Ao mesmo tempo alerta para a natureza imperialista dos EUA, que funciona como na história do escorpião montado no sapo que o ajuda a atravessar a correnteza.
Há euforia e prudência. É fácil entender a euforia da oposição brasileira. São vários os recados provenientes dessa vitória, suada, de Joe Biden e Kamala Harris. É clara a aproximação deste renovado Partido Democrata, ou em vias de renovação, com os movimentos sociais e suas políticas identitárias. A ativista Ângela Davis reconhece que Kamala, mesmo com seus problemas históricos – o de não ter sido contra a pena de morte, por exemplo – é um alento na Casa Branca.
O olhar dos democratas para a valorização da saúde pública estatal reforça a defesa do SUS e valoriza o que se pode chamar de Estado de bem-estar social com proteção orçamentaria. Política iniciada com êxito por Lula e ameaçada por Bolsonaro. A privatização do SUS só não ocorreu por causa da pandemia.
Outra visão positiva de Biden vem de sua defesa do meio ambiente, num recado direto dado a Bolsonaro durante a campanha.
A prudência é dirigida à histórica trajetória de Biden na guerra do Iraque. Ele era presidente da Comissão de Relações Exteriores e ajudou o presidente Bush a aprovar o bombardeio contra Sadam Hussein e a entrada dos EUA em várias guerras mundo afora. Biden diz, agora, que se arrependeu do apoio dado a Bush. Mas foi no governo Obama, do qual ele foi vice-presidente, que cresceu o número de invasões, ataques aéreos a países estrangeiros.
América Latina – Por outro lado, foi no governo Obama que se iniciou a aproximação com Cuba, interrompida por Trump. A Venezuela, que vinha sendo constantemente ameaçada de invasão com apoio do Brasil e Colômbia pode ganhar fôlego para iniciar negociações com autonomia e independência. Maduro tem padrinhos fortes. China, Rússia e Irã estão na retaguarda. Não é atoa que esses países estão na linha da prudência em relação aos resultados eleitorais, aguardam mais definições, há muito interesse econômico em jogo.
O novo governo da Bolívia, com o respaldo da Argentina, e mudanças sinalizadas vindas do Chile, pode ter, a partir de agora, uma longa vida de tranquilidade. As enormes reservas de lítio dá à Bolívia grande poder de força. O presidente Luis Arce tem experiência e sabedoria suficientes para superar a pressão da extrema-direita boliviana. Mais do que isso, tem apoio popular e maioria no Congresso.
Evo Morales, de volta ao lar, prepara para se defender das acusações que o levaram ao exílio politico na Argentina e, quem sabe, se candidatar nas próximas eleições ao Senado, como também quis e foi impedido.
É neste cenário que os EUA de Biden vão se movimentar. Por enquanto, é preciso saber quem vai conduzir o seu Departamento de Estado, equivalente ao Ministério das Relações Exteriores. Se for Hilary Clinton, como se prevê, haverá problemas graves. Hilary é linha dura. Espera-se que a esquerda do Partido Democrata não permita.

Fim – Até que Donald Trump aceite a derrota, vamos ter que passar os dias pandêmicos ouvindo e vendo o noticiário brasileiro expondo a esculhambação nas eleições estadunidenses. Os mais engraçados memes na internet também esperam o biquinho típico de Trump dizendo que desistiu de lutar contra a imprensa “esquerdista” dos Estados Unidos.
Joe Biden e sua festejada, e sorridente, vice-presidenta, Kamala Harris (na foto, acima), já se preparam para governar com uma comissão de cientistas para cuidar da pandemia. Uma resposta ao negacionismo de lá, e de todas as partes do mundo, inclusive do Brasil de Bolsonaro.
Enfim, se foi bom para os Estados Unidos pode ser bom para o Brasil. 2022 é logo ali.
Criado em 2020-11-10 00:39:16
Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –
Vi Os Estados Unidos versus Billie Holiday, de Lee Daniels, com a super Andra Day (ganhadora do Globo de Ouro e indicada ao Oscar) e o elegante Trevante Rhodes. É um filme apenas mediano no qual a trágica história de Lady Day (1915-1959) nos agarra de qualquer maneira. Billie é retratada como um alvo duplo, da guerra contra as drogas, comandada por Harry Anslinger (Garrett Hedlund), e da guerra contra os negros em luta pelos direitos civis, numa época em que eles continuavam a ser linchados e queimados nas fogueiras dos supremacistas brancos.
No centro da trama, Strange Fruit (Fruta Estranha), “a música do século” segundo a revista Time, que Anslinger quer extirpar a qualquer custo do repertório de Billie Holiday. Ouça a música aqui
O chefe de Anslinger, o todo poderoso J. Edgar Hoover, diretor do FBI, diz que a canção é “anti-americana” e “provoca o povo de maneira errada”. O próprio Anslinger explica: “Quando os negros usam drogas, eles se esquecem de seu lugar. Eles nos desafiam. É por isso que essa Holiday precisa ser parada. Ela canta essa canção, Strange Fruit, e faz muita gente pensar… de maneira errada”.
De fato, os negros, os judeus e os comunistas pensavam de maneira bem diferente. Eles não achavam certo de maneira nenhuma serem os suspeitos de sempre dos que os queriam mandar ou para a cadeia ou para as fogueiras da Ku Klux Klan.
A espantosa canção, que Billie cantava como se fosse um hino, conta a história dos corpos dos negros pendurados em árvores dos Estados do Sul, estranhas frutas cujo cheiro de flor de magnólia logo iriam recender a carne queimada. “Estranha, amarga safra”. Foi composta a partir de um poema publicado por Abel Meeropol em 1937 e gravada por Billie Holiday em 1939, inaugurando o movimento dos negros pelos direitos civis.
Meeropol musicou o poema com a sua mulher, a cantora Laura Duncan. Ele era escritor, professor e compositor de origem judia. Pior, era comunista. Em 1957, foi o casal que adotou os meninos Robert e Michael, filhos de Julius e Ethel Rosenberg, condenados e executados na cadeira elétrica pelo governo americano sob a acusação de espionagem para a União Soviética.
O que inspirou Meeropol (nome de guerra: Lewis Allan) foi o horror que sentiu ao ver a foto do linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith em Marion, Indiana, em 1930. Cartões postais com cenas de linchamento eram muito populares na época. E ainda tem gente que insiste em falar mal da Idade Média!
Spoiler que todo mundo já sabe:
1) O governo dos Estados Unidos ganhou a batalha contra Billie Holiday. Ela morreu no dia 31 de maio de 1959 no Hospital Metropolitan de Nova York devido a um edema pulmonar e insuficiência cardíaca provocados por cirrose hepática. Seu quarto tinha acabado de ser invadido e posto sob guarda da polícia.
2) Billie Holiday ganhou a guerra do governo dos Estados Unidos. O povo preto continua a conquistar espaços no país que o tratava como fruta estranha e Billie é hoje um patrimônio cultural do planeta.
Criado em 2021-04-28 22:27:05
Luiz Philippe Torelly –
Um nome anda esquecido, pouco lido, muito embora exista uma grande e qualificada fortuna crítica sobre sua vida: Padre Antônio Vieira. Seus sermões, cartas e livros continuam a fascinar e a gerar polêmicas através dos séculos, embora seu público hoje seja menor, continua referência obrigatória para historiadores, filósofos, teólogos, bem como dicionaristas e filólogos. Sua escrita barroca com a sintaxe própria de seu tempo, o uso intenso de metáforas e alegorias, pode ser uma das causas dessa amnésia.
Tal qual Guimarães Rosa, usufruir sua leitura às vezes exige algumas tentativas e abordagens sucessivas.
Sua longa existência e seu início precoce na literatura mundana e litúrgica, deixou um enorme legado e um testemunho inigualável de seu tempo.
Nascido em Lisboa em 1608, veio para a Bahia ainda menino, acompanhando seu pai funcionário da coroa portuguesa. Reza a lenda que após ingressar no Colégio dos Jesuítas de Salvador, não vinha tendo um bom desempenho escolar. Foi então acometido de forte dor de cabeça.
Após o episódio, sua inteligência e argúcia, afloraram com grande intensidade e o acontecimento passou a ser conhecido como “o estalo do Vieira”. Aos 18 anos, em 1626, foi responsável por escrever a Carta Ânua Jesuítica do Brasil, o mais importante documento anual de cada província a ser distribuído às demais em todo o mundo. Os jesuítas já eram então uma organização global. Presentes em todos os continentes.
Na casa dos 20 anos dá início à produção de seus sermões, que marcaram a literatura luso-brasileira e que até hoje são estudados e reinterpretados. Um dos primeiros e mais importantes é o denominado da XIV do Rosário.
Vieira o prega em um engenho próximo a Salvador, exortando os escravos a suportar os infortúnios da escravidão, em benefício da salvação eterna:
“Em um engenho sois imitadores de Christo crucificado, (...) porque padecido em um modo muito similhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão. A sua cruz foi composta de dois madeiros, e a vossa em um engenho é de três. (...) A paixão de Christo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e taes são as vossas noites e os vossos dias. Christo despido, e vós despidos: Christo sem comer, e vós famintos: Christo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes affrontosos, de tudo isso se compõe a vossa imitação, que se fôr acompanhada de paciencia tambem tera merecimento de martyrio”.
Temas como a escravidão indígena e africana, judaísmo, messianismo e o futuro de Portugal, serão dominantes em sua obra, de forte caráter profético. Homem ainda pré-iluminista, Vieira era sobretudo um agente da coroa, da cruz e da espada, embora em muitas circunstâncias tenha exposto sua própria vida na defesa dos indígenas e em outros enfrentamentos com autoridades e colonos. Referia-se por exemplo aos bandeirantes, como “aquela canalha de São Paulo”.
Em 1640, com a restauração portuguesa, Vieira foii para Portugal onde desempenhou importante papel na corte do Rei D. João IV. Em suas novas funções, Vieira se ocupou de missões diplomáticas e políticas com o intuito de obter um acordo vantajoso à coroa na questão da ocupação dos holandeses de grande parte do Nordeste brasileiro, bem como outras de caráter comercial e sucessório. Através de um documento denominado Papel Forte, ele propôs a entrega do território ocupado, como forma de estabelecer uma paz permanente com a Holanda. À época, a nação lusa, além de enfrentar os holandeses no Brasil, tinha escaramuças permanentes com a Espanha, que desejava o retorno de Portugal à condição de vice-reino. Felizmente seu projeto fracassou e não foi levado adiante.
Pernambuco e as demais províncias foram libertadas, pela ação das forças brasileiras arregimentadas pelos governadores e senhores de engenho endividados com os holandeses.
A morte de D. João IV determinou a saída de Vieira de suas funções na administração do reino. Retornou ao Brasil e foi compor a recém-criada missão jesuítica do Maranhão. Desenvolveu intenso trabalho missionário, em conflito permanente com os colonos adeptos da escravização do indígena. Depois de quase 10 anos sua presença passou a representar risco de vida. Assim se pronunciou em seu famoso Sermão de Santo Antônio aos Peixes, três dias antes de partir:
"Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!”.
Após nove anos no Maranhão Vieira retorna a Portugal. É então alvo da inquisição em função de seus escritos, especialmente um denominado “Esperanças de Portugal”, onde previa um futuro redentor para a nação portuguesa, baseado nos escritos de velho testamento e nas profecias de Bandarra, um sapateiro português que viveu um século antes. Dois de seus livros mais importantes, História do Futuro e a Chave dos Profetas são impregnados de um messianismo fortemente enraizado na cultura lusitana.
Vieira então é preso por quatro anos, acusado de herético e judaizante. Libertado por influência do papa, vai para Roma onde desempenha importante papel na cúria romana. Seus sermões atraem grandes e qualificadas plateias, o que lhe traz prestígio e autoridade. Em 1681 retorna ao Brasil onde irá concluir e organizar sua extensa obra. Morre em Salvador, Bahia, aos 89 anos.
Para entender o pensamento de Vieira é necessário naturalmente estudar o momento histórico em que viveu e as circunstâncias sociais, econômicas e culturais. O instituto do padroado, vinculava a igreja portuguesa a autoridade do rei, que inclusive era responsável por pagar os meios de subsistência do clero, bem como construir e manter igrejas, seminários e conventos. As guerras frequentes entre as potências da época, marcadas pelos interesses mercantilistas coloniais, eram outro componente fundamental da dinâmica econômica e territorial. Portugal tinha um grande império, mas uma pequena população e escassos recursos militares. Os jesuítas se constituíram na mais ativa ordem religiosa no âmbito da catequese e da educação. Eram alvo permanente de pressões e conflitos com os colonos e com a coroa.
Sua inteligência aguda e riqueza poética as vezes se empanam por certas posturas contraditórias com seus escritos. Vieira combatia a crueldade da escravidão africana, mas concordava sob o argumento de que ela era indispensável para à colonização. Defendia os índios, mais assentia que aqueles aprisionados em “guerras justas” eufemismo para justificar o aprisionamento, se tornassem escravos. Da mesma forma que combatia o papel genocida das bandeiras paulistas e das “guerras justas” aos índios, defendeu a destruição do Quilombo dos Palmares, sob o argumento que se isso não ocorresse a escravidão se extinguiria. Um papel ambivalente e contraditório que traz uma nódoa a sua reputação humanista.
Vieira é sem dúvida a maior fonte qualificada para a história e literatura do Brasil e de Portugal durante o século XVII. O epíteto de imperador foi lhe atribuído por um dos grandes poetas da língua portuguêsa: Fernando Pessoa. Deve ser lido com olhar crítico, a luz da perspectiva histórica e das ideias dominantes em sua época. Há um ditado corrente entre seus estudiosos que “Vieira é para a vida inteira”. Tal a extensão e complexidade de seu legado. Ninguém menos do que o historiador inglês Charles Boxer, autor de livros fundamentais sobre a história do Brasil e de Portugal, refere-se a Antônio Vieira como um dos maiores nomes da história ocidental e não apenas do Brasil e de Portugal.
Para concluir um pequeno trecho de seu igualmente famoso Sermão da Sexagésima:
“O pregar que é falar faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras”.
Criado em 2020-11-30 18:14:54
Moradores do final da Asa Norte e diversas entidades estão mobilizados em relação à qualidade ambiental da obra do Trevo de Triagem Norte.
Os moradores estão com abaixo assinado online pedindo que o Governador Rodrigo Rollemberg repense a concepção da obra, que é caracterizada por viés rodoviarista e com impacto ambiental a nascentes localizadas na área.
Eles pedem apoio ao movimento por meio de assinatura de petição online:
https://secure.avaaz.org/po/petition/Governador_do_Distrito_Federal_Repense_a_obra_do_Trevo_d
Por que isso é importante?
Demandamos:
1. Imediata suspensão temporária da obra do TTN, que foi licenciada com base em audiência pública não representativa e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) frágil e incompleto, e que pode influenciar negativamente a qualidade de vida em Brasília.
2. Revisão do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e do Projeto do TTN para evitar danos às nascentes, incluir adequadamente calçadas e ciclovias, evitar supressões na área verde da Ponta Norte, melhor incluir o transporte público, propor a criação de um Parque para compor o corredor ecológico na Ponta Norte, evitar aumento dos congestionamentos na cidade e apontar para uma solução de transporte coletivo de qualidade para os moradores na área norte do DF.
3. Audiências públicas representativas, com ampla participação das comunidades vizinhas à obra e da sociedade civil organizada do DF, visando aperfeiçoar e validar essas propostas.
4. Formalização na licença ambiental de medidas mitigadoras e compensatórias recomendadas por essas audiências. 5. Imediata implementação das medidas de mitigação e compensatórias que não precisem aguardar o final da obra para serem executadas, evitando que fiquem só na promessa.
Brasília ainda tem chance de continuar a ser a inspiradora capital modernista e modelo de resiliência urbana.
Brasília ainda tem a chance de reverter a contínua destruição de nascentes e o massacre desnecessário do cerrado, e salvar a área verde da Ponta Norte: suas árvores, seus olhos d'água, seus animais, especialmente suas aves, como araras azuis e tucanos, já ameaçados pela expansão da cidade.
Brasília ainda tem a chance de implementar um modelo de transporte sustentável, baseado no transporte público eficiente e de qualidade, em vez de aprovar um obsoleto pacote de obras viárias ineficazes e caras, que continua a favorecer o uso do automóvel, destruindo tudo no caminho sem nunca resolver o problema dos congestionamentos.
Infelizmente, o modelo ultrapassado prevalece na construção do Trevo de Triagem Norte, um complexo de viadutos e novas vias que deve duplicar a capacidade de carros da Ponte do Braghetto.
A obra foi licenciada com base em um Relatório de Impacto Ambiental fraco e em uma audiência pública não representativa (dos 39 participantes, apenas 5 não eram do governo ou das construtoras).
Ainda, a obra vem sendo imposta pelo Governo do Distrito Federal como a única solução para o sofrimento de milhares de pessoas nos congestionamentos na Saída Norte.
Para resolver os problemas de congestionamento em Brasília, em vez mais vias de asfalto e viadutos para mais carros, mais acidentes, mais engarrafamentos, mais poluição, mais prejuízo para a saúde, para o orçamento familiar, e para a população que já é penalizada por um modelo injusto e ineficaz de transporte público.
Precisamos de medidas diferentes, tais como uma ênfase real em transporte público, confortável, com linhas e tarifa integradas, com novas linhas de metrô, e inovação tecnológica, incluindo a crescente transição para ônibus e micro-ônibus elétricos, com energia limpa, e uma rede cicloviária efetiva e integrada ao transporte coletivo público.
Ainda há tempo para o GDF deixar legado justo, inovador e democrático para o futuro da vida na cidade!
Vamos juntos fazer a mudança!
Assine o pedido para Brasília irradiar a tão desejada revolução no transporte público e na mobilidade urbana que todos esperam do GDF!
Criado em 2016-08-03 01:08:38
“Nossa propensão às delícias do Ódio é tão natural...” (Umberto Eco)
Edson Lopes Cardoso (*) -
O ódio coletivo ao negro,
aquele a que somos avessos,
massacrou Moise Mugenyi,
congolês vivendo há uma década no Brasil.
O horror foi perpetrado, numa grande celebração,
por horda de pardos e mulatos
de todos os tons.
Moise trabalhava por uma merreca
uma meia pataca de diária
como garçom num quiosque
na Barra da Tijuca
onde foi covardemente assassinado.
No momento em que governantes
propagam as virtudes do Ódio
com ostensiva função político-eleitoral
é justo e digno
recusar-se a pagar valores de serviço prestado
e trucidar aquele que reage com indignação.
Tudo que nossa cultura sobejamente nos ensinou,
usos e costumes bem tolerados pelos brasileiros.
Cadáver dilacerado, vísceras violadas.
Houve parece recuo na informação de evisceramento.
Isso, não. Seria estarrecedor esse troço aí.
Moise foi despedaçado, mas enterrado com suas vísceras.
Ainda bem.
Uma coisa, no entanto, parece certa.
Nada do que aconteceu
nesse ambiente conturbado,
no qual o Ódio abraça uma multidão
de cadáveres dilacerados
como o de Moise,
guarda qualquer relação
com forças que controlam o atual governo.
Fomos preparados para a morte,
sabemos o que devemos fazer.
Com o polegar dobrado
e o indicador esticado
faça mira, gargalhe qual um demônio
e grite: Mito! Mito!
____________________
(*) Edson Lopes Cardoso é Coordenador do Centro de Memória e Documentação Afro-brasileira (Irohin).
Criado em 2022-02-05 16:10:38
Cristina Ávila –
Um jornal veio ao mundo provocando polêmica antes de nascido. Completa 25 anos neste mês de março, com 41 prêmios jornalísticos e alguns processos judiciais por causa de reportagens que mexeram com interesses políticos e econômicos de setores poderosos. É o Extra Classe, publicação mensal impressa ininterrupta, com 25 mil exemplares distribuídos pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) à categoria e colaboradores. Desde 2014 também está em www.extraclasse.org.br, com 3 milhões de acessos em 2020.
“As vozes da ortodoxia o consideravam uma diluição da ação sindical e uma concessão aos valores liberais hegemônicos”, recorda o dirigente Marcos Fuhr, referindo-se ao embate interno no próprio Sinpro-RS na decisão de dar à luz a publicação. “A proposta do jornal foi polêmica, assim como o conceito de Sindicato Cidadão adotado naquele momento”, conta ele, que desde a primeira hora acolheu o rebento e até hoje é um de seus principais incentivadores.
O jornal de 28 páginas conquista grandes fãs. “Apostar na reportagem é a resistência do jornalismo”, afirma Márcia Marques, professora de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), que não resume o seu afeto: “Eu amo o Extra Classe. Em geral, na imprensa, a reportagem é a área mais atingida, está morrendo, porque é caro fazer reportagens. Mas quando se vai no Extra Classe, ela está lá. Há diversas publicações militantes de valor, mas meio grosseiras nas palavras de ordem. O Extra se posiciona com texto claro, título claro, não cai nas armadilhas do jogo fácil de linguagem, na armadilha do fast food que as aspas proporcionam”.
A editora Valéria Ochôa que há 23 anos está à frente do jornal ressalta que “o Sinpro-RS introjetou a importância da efetiva comunicação na luta por uma sociedade para todos e, fundamentalmente, investe recursos nessa direção”. Ela lembra que grandes nomes deram sua contribuição para essa construção, como Luis Fernando Veríssimo que tem colunas publicadas desde a edição número 1 até hoje.
“É uma experiência de jornalismo livre”, exclama o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, que também é suplente na diretoria do Sinpro-RS. “O Extra Classe é uma profunda e importante contribuição que os professores privados do Rio Grande do Sul oferecem à sociedade gaúcha, brasileira e até mesmo em alguns países, já que tem centenas de milhares de leitores pela internet todos os meses. “É um instrumento de liberdade de expressão dos jornalistas a serviço de uma sociedade democrática, justa e desenvolvida”.
Cartunistas, ilustradores, artistas, revisores, fotógrafos, colunistas, escritores, historiadores, diagramadores, jornalistas entre os mais clássicos e renomados aos da novíssima geração constroem 25 anos do Extra Classe. São 25 mil exemplares impressos distribuídos a professores de escolas privadas e colaboradores do Rio Grande do Sul. O impresso publicado em meio virtual e conteúdos exclusivos produzidos para a web tiveram 3 milhões de acessos em 2020.

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Matéria publicada originalmente no site brasilpopular.com
Criado em 2021-04-06 22:08:52
Criado em 2016-12-16 00:43:06
Maria Lúcia Verdi -
Estamos circundados pela impossibilidade, são tantas que nem nomeio. O que estamos vivendo como país é absurdo e real. A sensação é a de que a razão, a justiça, a ética são apenas palavras. Tudo e todos são capazes de nos assustar, de nos provocar a reiterado espanto frente a mais um “não é possível...”
Enquanto espero uma amiga na W3, me esforçando por refletir sobre lucidez e loucura, lembrando o que Lacan diz sobre os deuses pertencerem ao real, escuto uma conversa entre dois moradores de rua, ambos velhos, barbudos, com olhos tremendos. O diálogo foi mais ou menos assim:
- Está difícil, né?
- Mais que difícil, meu filho, dificílimo.
- Mas, mas... o senhor está se sentindo bem?
- Eu estou é cansado. Há anos observando isso aqui e não tem jeito.
- Isso aqui... a que o senhor se refere exatamente... me diga...
- À vida, meu filho, mas eu vou lhe falar. Você vai ser a primeira pessoa para quem eu vou me revelar. Isso tudo me pesa demais... Deu tudo errado.
- O senhor pode ser mais claro?
- Estou tentando tomar coragem. Agora eu preciso agir, preciso. E escolhi o senhor para ser o primeiro a quem vou contar.
- Do que que o senhor está falando? Me desculpe...
- Meu filho, é que, é que... Eu sou Deus. Sei que isso parece coisa de maluco, mas é simples assim, sou Deus... Digo isso quase com vergonha, não me gabo... Olha só o sofrimento por todo lado, o horror...Deu tudo errado.
- Ah! O senhor é deus. Entendo, entendo. Mas será que deu tudo errado mesmo? A natureza é uma beleza, cada criança, cada flor, cada animal renovam a esperança... E o céu lá nos lembrando do nosso tamanho... Não deu tudo errado.
- O senhor acha mesmo? E o que os homens estão fazendo com as crianças, com a natureza? Há um tempo estou na terra, sabe? Resolvi encarar e vir eu mesmo, não só meu filho, coitado. Porque está muito sério tudo e afinal eu sou o pai. Vim, virei juiz, solteirão, católico, tentando fazer alguma coisa, mas...
- Sei, estou entendendo. Concordo, também acho que está tudo errado, por isto resolvi viver assim, perambulando, deixei meu emprego, as minhas coisas. O que me distrai é o movimento das ruas, observar essa gente toda indo atrás de alguma coisa.
- Vir morar por aí, viver debaixo das estrelas. O senhor é um puro. Não tem mais gente assim não. Por isto posso lhe confessar - não sei por onde começar a tentar essa salvação.
- Talvez voltar com a palavra de deus, a sua palavra, não? E ver se as pessoas conseguem escutar, escutar de verdade.
- Eu preciso me misturar com quem talvez escute, os excluídos, os que estão fora de tudo, sem-terra, sem nada, no abismo da miséria, mas não por escolha, como o senhor.
- Acho que dá até pra dizer: os que não existem, não é? É, pode ser que dali ainda possa surgir alguma coisa, do nada.
- Tem que ser, tem de ser... Tentar outro tipo de criação.
- Acho que o senhor está mesmo começando a pensar como deus.
- Quem sabe o senhor me ajuda?
- Desculpe, eu não consigo... Mas apoio a sua decisão, tente de novo sim. Só que eu não consigo ser apóstolo, nem do senhor nem de ninguém, é um sofrimento. Mas me desculpe, eu vou indo.
Acho que cabe aqui citar um trecho de Hegel mencionado pelo polêmico Slavoj Zizek no seu “Acontecimento – uma viagem filosófica através de um conceito”.
Lembra Zizek que Hegel vê a loucura como uma retirada do mundo real, “o fechamento da alma em si mesma” e aproximação dela à “alma animal”, cito Hegel via o pensador esloveno:
“O ser humano é essa noite, esse nada vazio, que contém tudo em sua simplicidade – uma riqueza infinita de representações, de imagens, das quais nenhuma lhe pertence – ou que não estão presentes. Essa noite, a interioridade da Natureza que existe aqui – o Eu puro – em representações fantasmagóricas, é noite à sua volta; surge então uma cabeça ensanguentada aqui – mais adiante, outra aparição branca, e elas desaparecem também de repente. É essa noite que se percebe quando se olha um ser humano bem nos olhos: uma noite que se torna terrível”.
Criado em 2018-04-26 03:28:17
Romário Schettino –
Nunca se viu tanto interesse do Brasil nas eleições presidenciais dos Estados Unidos como agora. A subserviente postura de Jair Bolsonaro ante Donald Trump é o pano de fundo de um cenário melancólico. Dois políticos de extrema-direita que mostram ao mundo o que há de pior no enfrentamento à pandemia e que promovem ataques ao conhecimento científico, às minorias, aos direitos humanos, ao meio ambiente.
A imprensa brasileira entrou de corpo e alma na cobertura, 24 horas no ar. É como se as eleições fossem aqui e agora.
Da potência americana não se espera nada que não seja a defesa intransigente de seus interesses. E o que quer o Brasil com sua política de submissão? Bolsonaro, que não tem direção política em nenhuma área de seu governo, rasteja por migalhas que sequer são despejadas da mesa de Tio Sam. Bolsonaro só tem uma esperança, que Donald Trump vença a eleição, de quem já se declarou (absurdamente para um chefe de Estado) fã e aliado incondicional.
Ontem, Bolsonaro disparou seus costumeiros twitters para dizer que “há uma clara interferência externa na eleição dos EUA”, prevendo o mesmo “no Brasil em 2022”. Afirmações vagas e sem destino, como de seu feitio.
Aliás, como bem disse o cientista político José Álvaro Moisés, ao jornal Estado de S. Paulo, “Bolsonaro tem uma vaga noção do que ocorre no mundo e confunde os interesses de mercado com posição ideológica”.
Joe Biden já mandou recados: “Queremos uma Amazônia protegida para o bem do mundo”. E ainda disse que haverá retaliações se Bolsonaro resistir a cumprir essa tarefa.
É por insensatez desse tipo que o Brasil vem perdendo posição no mercado internacional. A tendência da Europa é cada vez mais exigir cuidados ecológicos e sustentabilidade ambiental para continuar comprando produtos brasileiros. Mas o (anti)ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, finge que não é com ele, para desespero da ministra da Agricultura. A China, nosso principal parceiro comercial, já está pensando em diversificar a aquisição de soja na África e em outras partes do mundo, já que Bolsonaro tem se mostrado bastante hostil ao governo chinês. E por aí vai a (anti)diplomacia brasileira comandada por um incompetente ministro teleguiado pelo lunático astrólogo Olavo de Carvalho.
A esquerda e o centro democrático brasileiros preferem Joe Biden, mais pelo valor simbólico que a derrota de Trump representa para o bolsonarismo momentaneamente no poder.
Pelo mundo – Para a América Latina, Joe Biden pode distender um pouco as relações com Cuba e retomar as negociações para o fim do embargo econômico. A aproximação com o regime cubano, iniciada pelo democrata Barak Obama, foi suspensa por Trump.
A Venezuela, que é um assunto ditado pelo Pentágono, não pode esperar muitas vantagens, mas terá que continuar sendo apoiada pelo triunvirato Rússia, China e Irã. Para esses três países, tanto faz, Republicanos ou Democratas. Mas a avaliação é que Trump enfraquece mais os EUA que Biden.
A Europa prefere Biden, que provavelmente voltará a reforçar a OTAN para conter a Rússia e manter o Iraque e a Líbia sob controle. A Síria continua sendo território russo. Comercialmente os europeus são competidores e disputam mercados com os EUA, mas isso se resolve nos organismos internacionais controlados por eles mesmos.
A Europa também precisa dos EUA para resolver o problema dos imigrantes. Alguma providência terá que ser tomada para diminuir o sofrimento das vítimas das guerras, dar o mínimo de dignidade aos sobreviventes, antes que uma explosão social se espalhe por todos esses países com previsões catastróficas.
A China já se prepara para enfrentar o resultado que vier das urnas. Tem a economia mais forte do mundo e está disposta a responder a qualquer ameaça com o seu modo chinês de ser. O governo de Pequim precisa alimentar uma imensa população e para isso não vai poupar esforço algum. O EUA de Biden, ou de Trump, que se preparem. E o Brasil também.
Criado em 2020-11-03 20:48:08
Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –
Se eu fosse diabético, provavelmente morreria do excesso de xarope contido nos poemas atribuídos a grandes poetas que recebo pelo Zap. Da Clarice, da Cecília, do Drummond, do Mário… ai, que preguiça!
Piores, só os textos psicografados do Castro Alves. Se fossem mesmo dele, coitado, o baiano teria que ser reprovado lá no segundo ano da alfabetização.
Hoje me chegou um poema desvairado, imputado ao autor das Enfibraturas do Ipiranga. Com o aviso de que a peça é destinada às pessoas com 60 anos ou mais, logo me senti a própria “senectude tremulina”.
No começo o beletrista diz: “Eu me sinto como aquela criança que ganhou um pacote de doces; /O primeiro comeu com prazer, mas quando percebeu que havia poucos, começou a saboreá-los profundamente”.
Depois da lambuzagem, lá pelas tantas ele diz: “O essencial é o que faz a vida valer a pena. / Quero cercar-me de pessoas que sabem tocar os corações das pessoas… / Pessoas a quem os golpes da vida ensinaram a crescer com toques suaves na alma”. Com açúcar e afeto de sobra no sangue, o cara só podia mesmo pedir socorro a um cirurgião cardiovascular!
O poema em tela (hoje diríamos: no monitor) foi outorgado na Internet ao grande Mário de Andrade e também ao pastor Rubem Alves, mas devera é de autoria de outro pastor ou teólogo, um tal de Ricardo Gondim. É apresentado como Minha alma está em brisa ou O valioso tempo dos maduros, embora o título original seja O Tempo que Foge (Coitado do Virgílio!).
No lugar do pacote de doces, o original traz uma bacia de jabuticabas, que um outro Mário de Andrade trocou por cerejas na versão angolana. A frase com as frutas do Brasil ficou assim: “As primeiras, ele (o menino) chupou displicentemente, mas percebendo que faltavam poucas, passou a roer o caroço”. Trepador de jabuticabeira e roedor de pequi desde criancinha, eu nunca vi ninguém roer caroço de jabuticaba! Pra despelar? Que besteira amarga!
“Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.” Não, não, eu não disse nada, gente, só estou citando a frase seguinte do próprio autor depois das jabuticabas. Retomando agora: a peça que eu recebi no Zap tem muitas outras divergências e inserções. Parece garrafada de raizeiro. Não é uma versão, é uma diversão.
Socorro! Estou sentindo sede, fome, canseira, os olhos estão ficando embaçados e já começo a sentir certo formigamento. Alguém aí tem uma injeção de insulina?
Ah, o poema original foi publicado nas páginas 102 e 103 de um livro do Gondim intitulado Creio, mas Tenho Dúvidas, publicado em 2007 pela Editora Ultimato, de Viçosa, Minas Gerais. A editora publica livros de lideranças evangélicas vinculadas ao Pacto de Lausanne, convocado em 1974 por um comitê liderado pelo televangelista norte-americano Billy Grana, digo, Graham.
Hipótese para uma próxima discussão: o Brasil está na merda que está, entre outros motivos, porque a nossa turma repassa essas porcarias que encontram nas redes sociais sem checar qualidade nem autoria! Pronto, falei!
Criado em 2021-04-13 22:15:37
Marcelo Zero –
A nomeação de Antony Blinken para o cargo de Secretário de Estado de Joe Biden, assim como as nomeações para o resto do gabinete, sinalizam que as previsões pessimistas sobre a próxima política externa estadunidense podem se confirmar.
Blinken tem uma longa folha de serviços prestados às administrações democratas. É um quadro orgânico do Deep State.
Embora favorável a alianças e negociações, Blinken é um fervoroso defensor da pax americana e da ideia de que só EUA têm de exercer liderança mundial para expandir os valores da “democracia e dos direitos humanos”, resolver problemas mundiais, como mudanças climáticas, e defender seus interesses.
Intentará restaurar a “liderança dos EUA no mundo”, comprometida pelo America First de Trump.
Isso é perigoso. Blinken é conhecido por ser “intervencionista”, eufemismo para alguém que gosta de descer o chicote no lombo de países vistos como adversários. Uma espécie de falcão com verniz “harvadiano” e diplomático, fluente em francês (passou a adolescência em Paris) e com bons contatos no aparelho de Estado e em grandes empresas.
Esteve por trás da “revolução ucraniana” e das sanções contra a Rússia por causa da Crimeia. Defendeu bombardeios e ações militares mais pesadas contra a Síria, o que foi rejeitado por Obama.
Para Blinken, o mundo passa por uma espécie de “recessão democrática”, entronizada por Trump, a qual permitiu que autocracias como Rússia e China explorassem as “dificuldades” dos EUA.
Apesar de considerar que romper com a China seja irrealista e que há espaço de cooperação em algumas áreas, como meio ambiente, Blinken pensa ser vital conter o “expansionismo chinês”. Vai investir na Parceria Transpacífica, abandonada por Trump, e exercer muita pressão política sobre Beijing, usando democracia e direitos humanos como escusas e justificativas.
Em relação à Rússia de Putin, deveremos ter uma franca hostilidade, de consequências imprevisíveis. Blinken vê Putin como um cruel “ditador”, que precisa ser contido. No mínimo, deverá impor novas sanções.
O mesmo deverá ocorrer em relação à Coreia do Norte, cujo líder é classificado por Blinken como “tirano”.
No que tange ao Irã, Blinken quer recolocar os EUA no acordo sobre o desarmamento nuclear, abandonado por Trump. Mas intentará fazê-lo para aumentar o rigor e a extensão dos compromissos já assumidos por aquele país, o que poderá inviabilizar o acordo.
Em relação ao Oriente Médio, Blinken vê com olhos críticos as grandes intervenções militares, feitas sem “estratégia definida”, mas defende o uso generoso de drones e o envio de “forças especiais” a conflitos. Segundo ele, isso pode fazer uma “grande diferença”.
Na América Latina, não deveremos ter progressos. Para ele, Maduro é um “ditador”, que também precisa ser contido. Dada à admiração de Blinken pelas special forces, e seu uso em “conflitos”, não se pode descartar, no limite, uma intervenção militar naquele país, ainda que de pequeno vulto. De qualquer forma, a pressão econômica, política e diplomática continuará.
Ademais, Biden, ouvindo Blinken, fala muito em “conter a corrupção” em outros países, de modo a criar um ambiente concorrencial que beneficie as empresas dos EUA. Isso parece indicar que o Departamento de Justiça (DOJ) poderá redobrar seus esforços em promover lawfares contra regimes que não sejam do agrado dos EUA. Assim, a “guerra híbrida” poderá ser fortalecida.
O grande problema de Blinken, Kerry, Sullivan e dos outros indicados por Biden é que eles têm uma grande dificuldade em entender e aceitar as mudanças estruturais que estão acontecendo celeremente na ordem mundial. Eles não aceitam o fato de que os EUA não terão mais a hegemonia inconteste que desfrutavam desde a queda da União Soviética.
Colocam toda a culpa dessa perda de hegemonia em Trump. Não é. O mundo está mudando de forma profunda e irreversível. Uma política externa realista e não-conflitiva deveria começar pelo reconhecimento desse fato.
Blinken diz que começou a aprender diplomacia em sua escola de ensino médio em Paris, pois se viu impelido a defender o “papel benigno” dos EUA no mundo, então dividido pela Guerra Fria. Seus colegas dizem que ele o fazia com “grande entusiasmo”.
O novo Secretário de Estado, cujo padrasto é um sobrevivente do Holocausto, realmente acredita que a pax americana é benéfica para todos. Um império de boas intenções.
O problema é que esse império de boas intenções cria um inferno.
Criado em 2020-11-24 19:26:15
A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES/DF), ao completar seus 50 anos, lança o concurso “Água da chuva: É pro lago que eu vou, quero ir limpinha!”. Os grafiteiros do Distrito Federal e do Entorno estão convidados. Inscrições abertas até 18/9 no site www.abes-df.org.br
A ideia é estimular o uso da criatividade para educar o público sobre o sistema de drenagem urbana e o impacto das nossas ações nas águas da Bacia do Lago Paranoá.
Segundo o presidente da entidade, Marcos Helano Montenegro “este concurso dá à comunidade dos grafiteiros do DF uma oportunidade de expressar-se através de uma intervenção no entorno de bocas de lobo das cidades da Bacia do Lago Paranoá mediante os critérios e condições estabelecidas no edital disponível no site”.
O concurso tem como objetivo identificar o território da bacia do Lago Paranoá e despertar a atenção para a necessidade de protegê-la da poluição, estimulando mudanças de hábitos da população.
Atenção especial deve ser dada às consequências de se atirar resíduos sólidos (inclusive os da construção civil) em locais inadequados e do entupimento das bocas de lobo com materiais descartados.
Esta iniciativa, de caráter inédito no Brasil, se articula e dá continuidade às atividades da Semana do Lago Limpo que a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) promoverá na segunda quinzena de setembro de 2016 e faz parte da preparação do Fórum Mundial da Água que ocorrerá em Brasília em 2018.
Criado em 2016-08-15 02:24:07
Luciana Barreto (*) -
Quem é este que grita
e que o mundo hoje
grita em seu nome?
[ Amarraram-lhe as mãos
Arrebentaram-lhe os ossos
Seviciaram o seu corpo ]
Do seu nome de sangue pisado
a fome ancestral de tantas áfricas
as guerras em mil olhos submersos
a fuga a braçadas pelo atlântico
a pele preta (mais uma vez) alvejada
[ Amarraram-lhe as mãos
Arrebentaram-lhe os ossos
Seviciaram o seu corpo ]
Hoje sabemos seu nome
Hoje corremos pro Google
e algo a mais do Congo
nos chega de raspão
(sim, agora sabemos
dos cedros, das açucenas
das orquídeas, dos lírios
das etnias em guerra
da mão impiedosa dos belgas
de avós e mães e filhos
que choram em vão
– e um a um –
os seus mortos)
[ Amarraram-lhe as mãos
Arrebentaram-lhe os ossos
Seviciaram o seu corpo ]
Como exumar tantos mortos
e esses nomes grafados na areia?
Como relembrar tantos rostos
desaprendidos na história
dispersados no vento?
Hoje choramos o seu grito
Hoje o nosso peito pesado
E de novo o eco em aporia
E amanhã?
E amanhã?
E amanhã?
E amanhã?
E amanhã?
_____________
(*) Este poema de Luciana Barreto foi publicado hoje em sua página no Facebook.
Criado em 2022-02-01 22:36:00
José Dirceu (*) –
Em memória dos nossos companheiros e companheiras que deram o único bem que tinham, a vida, na luta contra a ditadura militar, vítimas da tortura, assassinatos e desaparecimento aos quais não se fez justiça com a punição dos torturadores e assassinos, com a responsabilização das Forças Armadas.
Cenas. Em 31 de março de 1964, eu era auxiliar administrativo num escritório na Praça da República e vi, descendo a Avenida Ipiranga, vindo da Rua Maria Antônia, uma passeata de estudantes do Mackenzie. Era a elite paulista festejando o golpe. De imediato tomei posição contra: eu não era daquela classe.
De novo, na Rua Maria Antônia, já em plena ditadura, e eu de novo frente a direita armada pela ditadura, Deops e CCC, enfrentando a tentativa de uma minoria de estudantes de direita de tomarem o prédio da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, da USP.
E, por fim, depois do fim da ditadura, na luta pelas Diretas Já!, a devolução do prédio da faculdade, na Maria Antônia, para os estudantes, com a criação de um espaço cultural e de memória da luta dos estudantes pela democracia.
1964 começou bem antes e teve como principal ator o partido militar: o Exército à frente da Aeronáutica e Marinha. Não era a primeira vez e não seria a última que os militares como partido político se impunham pelas armas e governavam.
Em outras épocas, outro Exército em outro Brasil, já havia feito a República, os governos Deodoro e Floriano, a Revolução de 30 que começa com o levante dos Dezoito do Forte de 1922, com a Revolução Paulista de 1924 e a Coluna Prestes.
1930 consolida o predomínio dos tenentes no Exército e leva Getúlio ao poder. Ele enfrenta o levante paulista de 32, faz a Constituinte de 34, dá o golpe do Estado Novo, em 1937, e governa com o Estado Maior do Exército, tendo ao lado Góes Monteiro. Seu chefe era chamado de “O Condestável” do Estado Novo, cuja Constituição outorgada era chamada de Polaca por copiar a da Polônia Fascista. Mas são militares e exércitos diferentes.
O Brasil foi se industrializando, urbanizando e a classe operária industrial e trabalhadora foi se constituindo como agente político e social. Até a Segunda Guerra Mundial, grosso modo, tínhamos um Exército que se profissionalizava e defendia o Estado Nacional e a industrialização. Era autoritário, mas nacionalista.
Com a Segunda Guerra Mundial, vem a entrada do Brasil ao lado dos Aliados. Mas não sem grande divisão no Estado Maior do Exército, onde muitos generais eram adeptos do nazifascismo. De volta da Itália, onde a FEB combateu, os generais e coronéis trazem nas mochilas a ideologia e a influência norte-americana. E, depois, a da Guerra Fria, do mundo cristão e ocidental, o anticomunismo e a adesão à hegemonia norte-americana.
Eles depõem Vargas, de quem foram sócios principais na onda de democratização pós-guerra. Em seguida, Dutra é eleito com apoio de Vargas e faz um governo conservador, católico, pró- Estados Unidos e repressivo aos sindicatos e esquerdas.
Mas Getúlio volta nos braços do povo e recomeça o ciclo nacionalista e industrializante. Tem apoio nas classes populares e funda as bases do Brasil moderno – BNDES, Camex, Sumoc, Petrobras e Eletrobrás …
Aqui começa o Golpe de 64. A direita católica, udenista, militar e empresarial, a mídia e a Igreja Católica tentaram dar o Golpe já em 1950, com a tese da maioria absoluta que Getúlio não obtivera e nem era uma exigência constitucional. Acabaram levando-o ao suicídio.
E só não tomam o poder pelo levante popular. Aqui vamos lembrar dois fatos que dizem tudo: o Manifesto dos Coronéis, na pratica exigindo a renúncia de Vargas; e a Republica do Galeão, quando os brigadeiros tomaram em suas mãos a Justiça, a investigação e o processo sobre o atentado contra [Carlos] Lacerda que levou à morte o Major Vaz. Era ele quem fazia sua segurança. E isso nos remete à “República de Curitiba” nos dias de hoje.
A direita e os militares golpistas perderam a eleição para Juscelino Kubitschek e tentaram de novo um golpe, derrotado por um contragolpe do chefe do Exército, o General Lott. Vejam que os candidatos da UDN foram Eduardo Gomes e Juarez Távora, ambos ex-tenentes. E, em 1960, o candidato das forças nacionalistas era o mesmo Lott.
Nossa direita pró-Estados Unidos e católica consegue, enfim, eleger Jânio Quadros, cuja bandeira, atenção, era a luta contra a corrupção que já fora a principal contra Getúlio e JK.
Mas o Brasil de 61 era um país de luta social e política com uma classe trabalhadora organizada e partidos comunistas e socialistas ativos. Tínhamos ali entidades fortes, como o CGT, a UNE, as Ligas Camponesas.
No Exército, Marinha e Aeronáutica, conviviam diferentes correntes politicas e ideológicas, democratas nacionalistas, socialista e a direita militar. Havia governadores progressistas, como Brizola e Arraes, Hugo Borges, Seixas Dória. E aqueles de direita, como Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e Magalhães Pinto.
Com a renúncia de Jânio, de novo a vem a ameaça da intervenção militar aberta e direta. Mas, com o Exército dividido de novo, há nova tentativa de Golpe. Uma junta militar assume o poder e impede a volta e a posse do vice-presidente constitucional eleito diretamente, João Goulart, do PTB, herdeiro do varguismo. Brizola arma o povo gaúcho, divide o Terceiro Exército e chama a rebelião com a Cadeia da Legalidade, usando a rádio para criar a resistência nacional.
Um compromisso em torno do parlamentarismo leva à posse de Jango, que antecipa o plebiscito e retoma os poderes presidenciais em 1963. Aqui, a aliança que hoje de novo nos assombra se consolida: grandes proprietários de terra, parte do empresariado industrial, as classes médias católicas e conservadoras, a imprensa – Estadão e Globo à frente –Igreja Católica, militares de direita, a embaixada do Estados Unidos, seu governo e Departamento de Estado. Todos se unem para dar um golpe com apoio dos governadores de direita – Lacerda, Ademar e Magalhaes Pinto.
O resto é História. A aliança entre a direita e a religião fez as famosas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Ontem, como hoje, a exploração da família e da religião tem fins golpistas. Com apoio da mídia, encobriram o apoio popular a Jango e o fato que JK venceria a eleição de 65, que não aconteceu. Mas a eleição dos governos de Minas e Rio foram vencidas pela oposição ao golpe.
O Brasil viveu 21 anos sob a ditadura militar, que veio para impedir as reformas de base, a agrária, o Estatuto do Trabalhador Rural, a financeira, a tributária, e educacional, para acabar com o analfabetismo e adotar uma nova educação. De novo, a luta entre dois Brasil: o das elites e a do povo trabalhador. A luta entre o nacionalismo e o entreguismo, entre a democracia e a ditadura.
Era a disputa distributiva e o conflito de classes, a questão nacional e democrática. Era a luta pela participação da classe trabalhadora na riqueza, renda e patrimônio nacional. Foi a luta pela soberania e independência nacional, por um projeto de desenvolvimento nacional com distribuição de renda. A luta pela indústria e pela revolução científico-tecnológica, pela libertação do nosso povo. Era a luta para alterar nossa estrutura econômica e social e dependência externa.
Hoje, como em 1964, as mesmas forças se uniram para dar o Golpe de 2016 para depor Dilma, uma presidente constitucionalmente eleita como há 57 anos. Fizeram a Lava Jato. Por um processo ilegal, político e de exceção, operadores da máquina do Estado julgaram e prenderam Lula, impedindo-o de governar o Brasil e retomar o fio da História.
Substitua a mídia pelas redes, fake news e TVs– Globo à frente, de novo –, o latifúndio pelo agronegócio, a Igreja Católica pelas neopentecostais. Substitua as Forças Armadas expurgadas em 1964 com a expulsão de centenas de oficiais democratas e nacionalistas, as facções industriais pelo capital financeiro bancário e as novas classes médias, a UDN pela coalizão PSDB-DEM, a corrupção pela Lava Jato, e temos a aliança que deu o golpe que nos levou a essa tragédia humanitária e risco real de ditadura com Jair Bolsonaro.
Lá como cá a presença e o apoio dos Estados Unidos foram fundamentais. A questão nacional e democrática, o papel do Brasil na América do Sul, nossa política externa altiva e ativa, o potencial do Brasil para se desenvolver e ocupar um lugar no mundo, a força e a consciência política que se consolidava nas classes trabalhadoras, essas são as verdadeiras razões para o Golpe de 2016, como foram para 1964.
De novo, para enterrar a Era Vargas e, agora, Lula. De novo, um anticomunismo tardio, agora travestido de fundamentalismo religioso, negacionismo e obscurantismo. De novo, a submissão de nossa política externa aos Estados Unidos. De novo o desmonte do Estado Nacional e das conquistas sociais e políticas das classes trabalhadoras. A história se repete.
___________
(*) José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil no governo Lula. Foi preso político e trocado pelo embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, sequestrado no dia 4 de setembro de 1969 por jovens estudantes brasileiros.
__________________
(Artigo originalmente publicado na revista Focus, da Fundação Perseu Abramo).
Criado em 2021-03-31 15:45:49
Veja o que diz o Dr. Geniberto Paiva Campos - Cardiologista!
Criado em 2016-10-29 14:59:04
Maria Lúcia Verdi -
Dia 28/3, às 19h30, evento com exposição e debate no Espaço ASHRAM, que fica no Lago Norte: SHIN CA 5, Lote G, Loja 5. Faça sua reserva pelo telefone (61) 98180-4044.
Quando houve o golpe de 64 já existia, no Brasil, um teatro renovador. Após 64 os grupos Opinião, Arena e Oficina apresentaram encenações inesquecíveis, foram focos de resistência e criatividade sem par frente à censura e a um estado de exceção.
Grandes autores, grandes diretores, grandes atores nos proporcionaram momentos estéticos, nos fizeram respirar em um período amargo. Um período que a Comissão da Verdade buscou esclarecer para que não se repita.
Na Argentina a ditadura, bem mais breve, começou em 1976 e foi infinitamente pior - trinta mil desaparecidos, um milhão de exilados e uma guerra dolorosa, montada pelos militares para adiar o fim de um regime fascista que se encerrou em 1983. Não por acaso penso na intervenção militar no Rio de Janeiro, decidida num momento em que o governo precisava distrair-nos da questão da reforma da Previdência. Guerras de distintos tipos, estratégias semelhantes.
Em julho de 1981, em Buenos Aires, teve início, entre o pessoal de teatro, um movimento que marcou época, considerado praticamente um mito, o Teatro Abierto, apoiado por personalidades como Adolfo Pérez Esquivel (Premio Nobel da Paz) e Ernesto Sábato.
Após as primeiras apresentações em 81, o Teatro Picadero foi queimado pela repressão. O movimento teve três Ciclos (81-82-83) e finalmente todas as breves peças - então escritas e encenadas para a circunstância que vivia aquele país - foram publicadas em 2016.
Existe o documentário “Teatro aberto, país cerrado” e o impecável registro fotográfico das apresentações feitas pela fotógrafa Julie Weisz, judia de descendência húngara. O trabalho fotográfico feito por Julie modificou o olhar que se tinha sobre a fotografia de teatro.
No momento, Julie está em Brasília e vai apresentar uma seleção de imagens no espaço ASHRAM, dia 28/3, dialogando com os fotógrafos Olivier Boëls e João Paulo Barbosa, que também projetarão suas fotos.
Olivier Böels, com um olhar antropológico, registra, sobretudo, a riqueza e a diversidade do ser humano em distintas sociedades; João Paulo Barbosa, historiador, olha mais detidamente para o cenário natural onde a História se desenvolve: sua obra é um estandarte que nasce em Brasília num milênio de luta pela sobrevivência do meio ambiente.
Encontrar os três artistas será uma boa ocasião para conversar sobre o papel da arte na resistência.
Julie foi em busca de suas origens húngaras registrando cenas e rostos da Europa do Leste; fotografou o cotidiano das mulheres indígenas de Formosa (“Identidad feminina em uma minoria étnica”, mostra); observou-se a si mesma com a câmera (aliada a inevitáveis temperos de psicanálise) em seus “Autoretratos circulares”; fotografou a surpreendente China e suas mulheres com um só filho; a dor e a delicadeza do corpo fragilizado (“Terapia Intensiva”, livro), bem como detalhes da natureza do Cone Sul em “Los paisajes inciertos”.
Além de dar cursos de fotografia no Centro Cultural Ricardo Rojas, da Universidade de Buenos Aires, e em seu estúdio, Julie fez cerâmica e pintura. Atualmente está por expor seu último trabalho: série de colagens a ser curada pelo renomado desenhista argentino Eduardo Stupia.
O trabalho que desenvolveu junto ao Teatro Abierto tem o mérito ímpar de ter documentado, em fotos B&N, um momento histórico que se espera não se repita, como diz a consigna NUNCA MÁS, que vemos por tantos lugares, publicações e grafites da capital argentina.
Belas fotos de atores e obras comprometidas com a luta, com a liberdade, enfrentando a censura perigosa de um Estado genocida. Naqueles anos oitenta, a partir do que provocara o Teatro Abierto dando voz aos argentinos de então, violentamente silenciados, a palavra “aberto” passou a ser agregada a movimentos de outras áreas: Música Abierta, Danza Abierta etc...
Ao longo da História a arte tem sido discurso alternativo ao do poder, ato de sobrevivência, resistência ao discurso único, aprofundamento de ideias e fantasias necessárias ao sujeito individualmente e à sociedade.
Manifestação da sensibilidade, da percepção e da inteligência do mundo – seja o que for a Arte precisa ser aberta, sem fronteiras. Julie Weisz, Olivier Boëls e João Paulo Barbosa dão testemunho de como é possível criar bandeiras não sectárias, de como se pode falar sem precisar usar a palavra, tão mal empregada em nosso tempo, à disposição de qualquer retórica, tão longe da transparência de uma imagem fotográfica.
O Espaço ASHRAM fica no Lago Norte: SHIN CA 5, LOTE G, LOJA 5. Para reservar lugares, ligue: Tel.: (61) 981804044.
Criado em 2018-03-25 15:11:21
Romário Schettino –
A vitória retumbante do candidato do Movimento para o Socialismo (MAS), Luis Arce, na Bolívia, é mais um duro golpe na indigente diplomacia bolsonarista comandada pelo incompetente ministro Ernesto Araújo.
Depois de se meter nas eleições argentinas e ser derrotado com a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, Araújo ainda tentou se envolver no Uruguai oferecendo apoio ao candidato Luis Lacalle Pou, adversário do partido de José Mujica. Lacalle acabou sendo eleito sem aceitar o apoio de Bolsonaro por considerá-lo um político de extrema-direita desconectado com a realidade de seu país.
Agora, mais uma derrota. Bolsonaro despachou seus diplomatas para ajudar a oposição e foi de novo derrotado na Bolívia.
O presidente eleito é Luis Arce, mas Evo Morales é o grande vitorioso. Em breve será possível ver o retorno de Morales a La Paz. Atualmente ele está exilado na Argentina.
Arce foi ministro da Economia e Finanças de Evo durante onze anos e foi o responsável pelo sucesso da economia boliviana reconhecido pelo Banco Mundial e pelo FMI. Nesse período, o índice da pobreza caiu de 59,9% para 34,6%. Depois de nacionalizar o petróleo e o gás, o PIB do país passou de US$ 11 bilhões, em 2006, para UR$ 40 bilhões em 2019, o ano do golpe.
Enquanto isso, o Brasil navega em mares turbulentos e sem rumo. Do ponto de vista geopolítico, o Itamaraty é um fracasso. A todo instante, aponta para alvos inexistentes ou incorretos. Além de isolado internacionalmente, o Brasil tem se aliado ao que há de pior na ONU.
Na última votação desastrada, o Itamaraty orientou voto contrário à suspensão de patentes de vacinas e medicamentos contra a Covid-19, enquanto Argentina, Chile e Colômbia sinalizaram apoio à proposta da Índia e da África do Sul. O Brasil é o único emergente a apoiar os ricos.
Outra trapalhada diplomática foi a vergonhosa descoberta de que agentes secretos brasileiros entraram na reunião sobre o clima em Madri, promovida pela ONU, para espionar a opinião dos “maus” brasileiros que participavam do encontro. Nada mais antidemocrático e fora de propósito.
Só falta agora Joe Biden vencer Donald Trump nos EUA, para desespero da família Bolsonaro e seu amestrado ministro das Relações Exteriores.
Criado em 2020-10-20 01:11:05
Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –
Na sexta, 9 de abril, celebramos o bicentenário de Charles Baudelaire (1821-1867), que insuflou na poesia da Europa os ares do modernismo, assim como Walt Whitman o fez na literatura dos Estados Unidos, na mesma época, e daí ambos conquistaram o mundo.
Folhas de Relva, do Whitman, foram publicadas em 1855. As Flores do Mal, de Baudelaire, em 1857.
Ambos flâneurs, ambos embriagados com o espetáculo, as cores, os brilhos e as névoas, os cheiros das cidades. Ambos bisbilhoteiros da fauna barulhenta que transita pelas ruas, pontes, parques, bares e galerias.
Baudelaire cantou Paris na época em que o prefeito Georges-Eugène Haussmann executava o seu violento programa de reurbanização, com a construção de grandes bulevares, palácios e teatros no lugar dos becos e casas da cidade medieval.
Um dos objetivos de Haussmann, militar, foi a expulsão da classe trabalhadora do centro para a periferia da cidade e a inibição de suas frequentes insurreições e barricadas. Em vão! Um ano depois de sua demissão, em 1870, o povo tomaria a cidade para governá-la sem a plutocracia, decretando a gloriosa mas efêmera Comuna de Paris (18 de março – 28 de maio 1871), agora cantada por um brilhante e muito mais radical discípulo de Baudelaire, Arthur Rimbaud.
Ainda empolgado com a celebração dos 200 anos, traduzi, na manhã do sábado, 10 de abril, o soneto À une passante (A uma moça que passa), parte dos Quadros Parisienses das Flores do Mal.
O poeta, quem sabe sentado num bistrô, observa passando na calçada uma jovem viúva de vestido preto rendado. Ele fica enfeitiçado pelo olhar dela, recíproco, aparentemente tranquilo, calmo como o olho de um furacão. O flerte dura segundos. A moça desaparece na esquina. Derretido, o poeta lamenta não tê-la conhecido.
Chamam a atenção no poema típicos recursos baudelairianos, tais como as assonâncias, aliterações, enjambements, tudo a serviço da fluidez melódica e da explosão de imagens. Tentei reproduzi-los de maneira desavergonhada, com a licença do Guilherme de Almeida e do Ivan Junqueira, é claro!
Ouça aqui o poema na voz de Serge Reggiani.
A une passante
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet ;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... puis la nuit ! - Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité ?
Ailleurs, bien loin d'ici ! trop tard ! jamais peut-être !
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais !
À moça que passou
Ruidosa a rua ao meu redor jorrava hurras.
Alta, magra, em luto pesado e majestoso,
Passou por mim uma mulher de mão garbosa
Que levantava a saia ajeitando a barra;
Elegante e lépida, perna de estátua.
Eu bebia, nervoso como um bobalhão,
No olho seu, um céu semente de tufão,
O doce que fascina e o prazer que mata.
Um clarão… e a noite então! – Arisca deidade
Cujo olhar me fez nascer de novo de repente,
Eu vou te ver somente na eternidade?
Longe daqui! Tarde! jamais provavelmente!
Não sei aonde foi, você, aonde eu vou,
Eu teria te amado, você sacou!
Criado em 2021-04-10 18:52:20
Geniberto Paiva Campos –
As lições emanadas pelo antropólogo/sociólogo e filósofo Edgard Morin, no seu antológico A Via para o Futuro da Humanidade, (ed. Bertrand Brasil, RJ, 2013), no capítulo sobre Medicina e Saúde, nos ensinam: “A medicina ocidental aparece como a única medicina autêntica. Suas descobertas, seus conhecimentos anatômicos, fisiológicos, celulares, bioquímicos; vacinas antibacterianas, corticoides, antibióticos; contribuições da tecnologia médica de imagens (radiologia, tomografia, cintilografia, endoscopia); performances prodigiosas da cirurgia, principalmente do coração, pulmão, fígado; êxito contra a mortalidade infantil, a mortalidade no parto (...). constitui uma promessa de prolongamento não senil da vida humana”.
O somatório de todos esses progressos, contribuiu para aumentar a expectativa de vida de 25 para 70, 80 anos.
Os avanços na medicina comunitária, educação para a saúde, hábitos de vida saudáveis possibilitou ao sistema de saúde tornar-se mais efetivo com suas medidas preventivas, evidenciando que a atenção às pessoas não se faz apenas no hospital, com reflexos positivos na qualidade de vida da população.
Tudo isso criou uma falsa sensação de segurança de que estávamos protegidos em relação a todos os tipos de agressão à nossa saúde.
Essa crença perdurou até a década de 1960, imaginando-se que a ciência médica produziria, em curto prazo a eliminação definitiva de vírus e bactérias. Os antibióticos eliminariam os diferentes tipos de bactérias, e a tuberculose estava se tornando coisa do passado. O surgimento da AIDS mostrou a fragilidade dessas teorias. Novos vírus poderiam surgir. E passamos a conviver com a preocupante novidade de imunodeficiência, adquirida. A chamada “peste gay...” designação fortemente preconceituosa.
Adicionalmente, uma série de doenças virais apareceu em sequência temporal, tornaram-se endêmicas, evidenciando a fragilidade desses conceitos.
Foram registradas, no século passado e início do século XXI, casos de doenças virais que vieram comprovar evidentes fragilidades do sistema de atenção à saúde e, por outro lado, a relação deletéria do Homem com a Natureza. Fatos que estão sendo objeto de análises e estudos acadêmicos.
O início do século XX, logo após a 1ª Guerra Mundial, é marcado pela ocorrência da Gripe Espanhola, seguida por outras doenças respiratórias (SARS) e pela Ebola, Gripe Aviária, Dengue, Chicungunha, Zica e, no início de 2020, pela COVID 19.
O Coronavírus: o que é?
Em publicação recente - março de 2020, a Universidade Johns Hoppkins publicou Nota, na tentativa de esclarecer como evitar o contágio com o coronavírus. Explica detalhadamente:
1) O vírus não é um mecanismo vivo mas uma molécula proteica (DNA) coberta por uma camada lipídica (gordura), a qual, quando absorvida por células das mucosas oculares, nasal ou bucal, muda seu código genético (mutação) e os converte em agressores e multiplicadores;
2) Como o vírus não é um organismo vivo, mas uma molécula proteica, ele não é desativado (morto), mas se desintegra. Esta desintegração depende das condições de temperatura, umidade e do tipo de material subjacente;
3) O vírus é muito frágil. A única coisa que o protege é uma fina camada de gordura subjacente, externa. Por este motivo, sabão ou detergente são o melhor remédio, porque a espuma “corta” a gordura. Esta é a razão porque devemos esfregar tanto as mãos – por 20 segundos ou mais, para fazer um monte de espuma. Ao dissolver a camada de gordura, a molécula proteica é também dissolvida, fica dispersa, tornando-se frágil e quebradiça e desintegra.
4) O calor derrete a gordura; por isso é tão indicado o uso da água a 20 graus ou mais, para lavar as mãos, roupas ou outros objetos. Adicionalmente, a água quente faz mais espuma, tornando tudo isso mais efetivo;
5) Álcool ou qualquer mistura com álcool acima de 65% dissolve qualquer gordura, especialmente da camada externa do vírus;
6) Qualquer mistura contendo 1 parte de alvejante e 5 partes de água dissolve diretamente a proteína, quebrando-a a partir da parte interna;
7) Água oxigenada ajuda, após o uso do sabão, álcool e cloro dissolve a proteína do vírus, mas deve-se usar com cuidado, pois pode ferir a pele;
8) Nenhum bactericida é útil. O vírus não é um organismo vivo, como a bactéria; não se pode matar o que não é vivo com antibióticos, como foi mencionado;
9) Nunca agite (sacuda) roupas limpas ou usadas, folhas de papel. Enquanto colada a superfícies porosas são bastante inertes e se desintegram em apenas 3 horas (tecido ou poroso)/4 horas, (cobre, porque é naturalmente antisséptico, e madeira porque remove toda mistura e não permitindo o surgimento e a retirada de uma casca e desintegrar), 24 horas, papelão ou cartolina, 42 horas metal e 72 horas plástico. Mas se você sacudir ou usar um espanador, a molécula do vírus flutua no ar por mais de 3 horas e pode se alojar no seu nariz;
10) A molécula do vírus permanece bastante estável no frio externo, ou no frio artificial do ar condicionado em casas e automóveis. Ele necessita se misturar para permanecer estável e, especialmente, de escuridão. Entretanto, baixa umidade, secura, locais mornos e iluminados promovem a sua rápida degradação;
11) O vírus não atravessa a pele saudável;
12) Vinagre não é utilizável porque não quebra a camada protetora de gordura;
13) Nenhum álcool, nem vodca é útil. A vodca mais forte tem 40% de álcool e são necessários 65%;
14) Listerine, se tiver 65% de álcool;
15) Mais confinado o espaço, maior a concentração do vírus. Mais aberto e naturalmente ventilado, menor a concentração;
16) Isso é dito e repetido, mas você deve lavar as mãos antes e depois de tocar mucosa, comida, fechaduras, interruptores, controle remoto, celulares, relógio, computadores, escrivaninhas, TV etc. e quando usar o banheiro.
17) E mantenha suas unhas bem aparadas, assim o vírus não se oculta por lá.
Esses itens, explicitados em detalhe, pela Johns Hopkins, são medidas essenciais para evitar o contágio.
Quanto mais avançarmos no conhecimento da História Natural e mais conscientemente, respeitarmos as recomendações preventivas, mais estaremos protegidos, até que as vacinas surjam para o efetivo controle da doença.
Mas no meio de notícias inquietantes sobre o recrudescimento de uma nova onda da Covid-19 em diferentes pontos geográficos do planeta, um trabalho científico recente, publicado online e reproduzido no blog Outras Palavras.net, (18.11.2020), referente à duração da imunidade conferida pela doença ao organismo humano, traz boas notícias. Oito meses após a infecção, a maioria das pessoas ainda parece dispor de células imunológicas, de defesa natural à agressão do vírus, segundo o estudo, potencialmente suficientes para se proteger da Covid-19. Foram acompanhadas 185 pessoas, com idades variando entre 19 e 81 anos, a maioria com sintoma leves da doença. Os pesquisadores estudaram a resposta imunológica (anticorpos) de quatro componentes, e, embora seja uma observação inicial, que não permite, ainda, prever a duração da imunidade natural, são dados animadores.
O que fazer?
Esta questão fundamental tem, obviamente, dois destinatários: os indivíduos/cidadãos que compõem a Comunidade sob risco, e o Estado, responsável pela gestão da crise sanitária.
Infelizmente, o atual governo brasileiro, frente ao grave problema que deveria enfrentar, resolveu “politizar” o desafio, começando por desqualificar a Covid-19, a qual identificou como “gripezinha”.
A partir desse ponto inicial, uma série de equívocos foram se avolumando, num inacreditável crescendo. A começar pela estranha – quase total – ausência de aplicação de testes diagnósticos para a Covid-19, séria e injustificada omissão; continuando por trocas seguidas e frequentes de ministros da área da Saúde, nas fases mais intensas da crise; perigosas incursões na área farmacológica, chancelando, sem qualquer evidência científica, medicamentos para tratar a fase aguda da virose. E pela insistência no “negacionismo”, uma palavra de certo modo gentil para designar tantas tolices e ingenuidades.
Essas ações desastradas trouxeram trágicas consequências, principalmente para a chamada “população de risco” da pandemia. Hoje, o Brasil registra cerca de 170 mil óbitos, potencialmente evitáveis, ocupando um dos primeiros lugares nas estatísticas mundiais. E o governo exclama: -E daí? Todos morrem um dia!
E continua, impávido, a proclamar tolices infindáveis...
Ainda não satisfeito com suas “ações políticas” no enfretamento da pandemia, o atual governo decidiu questionar as vacinas, colocando rótulos ideológicos nas vacinas russas e chinesas, assim deslocando o nível da discussão sobre tema tão relevante aos porões mais profundos da ignorância e do preconceito.
De tal modo se evidencia o despreparo do governo federal frente a uma crise sanitária grave e desafiadora que consegue repassar para a comunidade sob risco mais problemas do que orientações e soluções que tanto necessita.
Resta a esperança, que já vai se tornando real, nos governos estaduais e prefeituras do país, os quais começam a assumir a responsabilidade na condução da luta para o controle de um dos maiores desafios sanitários do século XXI.
Criado em 2020-11-21 14:47:48
Romário Schettino -
O sonho de Celina Leão (PPS) de se reeleger presidente da Câmara Legislativa, que já vinha sendo derrotado, acabou de vez, foi pro brejo. As fitas gravadas pela sua vice-presidente Liliane Roriz (PTB), que já renunciou ao cargo, são devastadoras.
O nível das conversas reveladas pela imprensa chega ao mais baixo. Desprezo pelo interesse público, desrespeito aos cidadãos e comprometimento total da ética.
Não tem remédio, Celina, se não renunciar à Mesa, terá imensa dificuldade de continuar presidente com a mesma empáfia de antes, pensando em dar saltos maiores (governadora, quem sabe?).
Ao romper com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), responsável pela sua condução ao pódio legislativo, Celina tenta repetir no DF o que Eduardo Cunha fez com Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.
A diferença é que o PT-DF, ao contrário do PSB nacional, que apoia o golpe político contra Dilma, não está disposto a sustentar a abertura de processo de impeachment contra o Rollemberg tendo como base apenas a indisposição pessoal da deputada Celina Leal e seus aliados.
Pelo contrário, o PT-DF está disposto a apoiar para presidente da Câmara Legislativa um deputado mais próximo de Rollemberg, como Agaciel Maia (PTC), atual suplente da primeira secretaria. As negociações estavam em curso. O que não se sabe é se continuam na atual conjuntura.
O que divide os petistas ainda é a decisão de indicar, ou não, nomes para compor secretarias no governo. Uma delas seria a nova Secretaria da Mulher, que Rollemberg tirou da supersecretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTMIDH).
NOVA POLÍTICA - Se Rollemberg pensava que seria fácil governar Brasília, já descobriu que essa cidade é quase ingovernável. O que ele chamava na campanha de “nova política” não passou de um sonho.
O toma-lá-dá-cá continua, só mudam alguns personagens, o sistema é o mesmo da velha e bolorenta política. O jornalista Hélio Doyle chama isso de “negócios legislativos”, uma forma educada de denominar antigas práticas nefastas do poder.
AS FITAS - Liliane Roriz está sendo processada na Justiça, condenada em primeira instância, e com ameaça de perda de mandato por falta de decoro parlamentar.
Liliane não perdoa a infidelidade de Celina, que nasceu e cresceu politicamente na cozinha da família Roriz, por isso gravou conversas comprometedoras desde dezembro do ano passado e agora decidiu entregar tudo para o Ministério Público. Ou seja, jogou caca no ventilador.
Tem jogo para todos os gostos. Celina ameaça Rollemberg e sua esposa por causa das denúncias de Marli, presidente do SindSaúde, envolvendo o vice-governador Renato Santana (PSD).
A Câmara Legislativa abre uma CPI para investigar tudo, mas dois de seus membros estão citados nas conversas gravadas. “Todos deveriam renunciar, ou se afastar de seus cargos”, diz o deputado petista Chico Vigilante. No mundo civilizado essa seria a única atitude possível, mas nem pensar, jamais farão isso.
Enquanto isso, a cidade continua semiparalisada, a máquina governamental funciona a passos lentos e o GDF não mostrou a sua cara, um ano e meio depois de ter mudado de ocupante pelo voto popular.
Apenas esperar por 2018 é algo desesperador. Não aguentamos mais tanta seca.
Criado em 2016-08-21 05:19:41