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Romário Schettino -
O Conselho Regional de Cultura do Plano Piloto condenou hoje (7/12) a alteração de finalidade, uso e ocupação da Galeria de Artes Athos Bulcão, localizada no Anexo do Teatro Nacional Claudio Santoro.
Essa mudança, em curso na Secretaria de Cultura, pretende instalar no local setores administrativos (protocolo e arquivo), desrespeitando os dispositivos da Lei Orgânica do DF (artigo 250), a Lei Orgânica da Cultura (artigo 80, § 4º) e a preservação do conjunto do Teatro Nacional, tombado pelo IPHAN, o que inclui a Galeria e as salas de ensaio.
A Galeria Athos Bulcão foi inaugurada em 1981, como espaço destinado a exposições de pinturas, esculturas, instalações e outras formas de expressão das artes visuais. Possui 600 metros quadrados, pé direito de 4,6 metros e 2,6 metros, está localizada em área central do Plano Piloto, é de fácil acesso à população do Distrito Federal, tem grande valor histórico e artístico e já abrigou memoráveis exposições e oficinas, não podendo a comunidade abdicar do direito de uso do espaço em seu pleno funcionamento.
Os conselheiros do Plano Piloto alegam que não foram ouvidos sobre a mudança, conforme determina a legislação.
O secretário Guilherme Reis teria marcado presença no Conselho de Cultura do DF para explicar a decisão já tomada. O motivo alegado é a falta de espaço para o protocolo e para um depósito.
Enquanto isso, os espaços culturais que já são poucos, estão fechados ou em obra, vão minguando na Capital da República.
Criado em 2017-12-07 15:24:59
A cerimônia está marcada para 9h30 de amanhã, quinta-feira (7/12), no Foyer da Sala Villa Lobos. O movimento cultural de Brasília não aceita o artigo 81, inserido de última hora na Lei Orgânica de Cultura (LOC) pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Por esse artigo, o GDF fica isento de repor cerca de R$ 100 milhões retirados do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) ao longo dos últimos anos.
E março de 2015, Rollemberg reuniu-se com o Fórum de Cultura para explicar que a lei só autorizava "um empréstimo", que seria devolvido até o final daquele ano.
Em dezembro, o governador fez outra reunião prorrogando o "empréstimo" para dezembro de 2016.
Nesse mesmo ano, Rollemberg mandou outro projeto para a Câmara Legislativa, que foi aprovado, eliminando o prazo para devolver o dinheiro retirado do FAC. Assim, o "empréstimo" ficou para sempre, tipo: "Deus lhe pague!".
A inclusão do artigo 81 na LOC é o mesmo que consolidar o calote no FAC, dizem os militantes do Fórum de Cultura que preparam manifestação com a seguinte palavra de ordem: "Desista dessa traição, Rollemberg, vete o art. 81 da LOC".
Wasny de Roure e o ISS - O deputado distrital Wasny de Roure (PT) aprovou emenda à Lei Complementar nº 127/17 que impede a retirada de benefício tributário à promoção de espetáculos públicos por instituição cultural ou de assistência social, sem fins lucrativos.
Segundo o deputado, se a proposta fosse aprovada do jeito que o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) enviou à CLDF, "as produções culturais seriam obrigadas a pagar no mínimo 2% de Imposto sobre Serviços (ISS)".
Criado em 2017-12-06 12:46:38
Romário Schettino -
O Movimento Retomada pela Conclusão do Centro Cultural e Desportivo esteve esta semana na Câmara Legislativa para pedir apoio aos deputados distritais na destinação de verbas no Orçamento de 2018 para a conclusão do centro cultural.
Os blocos "C" e "D" do Centro esperam, desde que foram projetados na década de 70, para serem construídos.
O movimento cultural luta para a obra seja concluída no ano vem. Estão previstos no projeto um cine-teatro, com capacidade para 400 espectadores; um restaurante/bar; um teatro de arena; área administrativa e espaço para o arquivo da cidade.
Além disso, o movimento quer a construção da Praça da Juventude que substituiu o Ginásio de Esporte previsto no projeto original. Essa obra beneficiará as escolas e a comunidade, pois ampliará os espaços culturais, já que Ceilândia não tem cinema e nem teatro públicos.
Galeria Athos Bulcão - A Secretaria de Cultura do DF decidiu reduzir as dimensões da Galeria Athos Bulcão, que fica no térreo do Teatro Nacional. O motivo alegado é a falta de espaço para o protocolo e para um depósito de móveis inúteis.
O secretário Guilherme Reis foi ao Conselho de Cultura explicar essa mudança. Enquanto isso, os espaços culturais que já são poucos, estão fechados ou em obra, vão minguando na Capital da República.
Criado em 2017-12-06 12:34:22
Antônio Carlos Queiroz (ACQ) -
No final do século 18, parece ter sido de uso corrente no Brasil a palavra “surça”, no sentido de “fonte”. Por alguma razão, o termo caiu em desuso e desapareceu, o que é uma pena.
Hoje, em Portugal, a palavra “surça” ou “sorça” refere-se ao “molho de vinho, sal, pimenta e alho, em que se deita carne de porco, para depois a ensacar”, informa o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.
A Infopédia – Dicionários Porto Editora – dá que “surça” é um regionalismo de “sorça”, um “molho feito de vinho, alho, sal e pimenta, com que se tempera a carne de porco que se usa para fazer enchido”.
Também o Wickcionário informa que “surça” é palavra regional de Trás-os-Montes para a “carne de porco picada e condimentada para serem logo feitos os chouriços” e também para “o molho e temperos da carne que será transformada em chouriço”.
Linguiças – Há inúmeras outras fontes ou surças que atestam o uso de “surça” em Portugal apenas e tão somente para encher linguiças. Eu proponho a volta do uso ainda mais nobre para a simpática palavrinha.
Surça – assim como “source” em francês e “source” em inglês – deriva do verbo latino “surgo”, “surgere”, que resultou em português no verbo “surgir’ e no substantivo “surto” e, ainda, no verbo “surdir” – vir à tona, emergir, brotar (a água), nascer, jorrar.
Surça parece ter parentesco direto com a palavra francesa “source”, extraída do particípio passado do verbo “sourdre” na língua antiga. O mesmo aconteceu com o termo “source” (origin, birthplace, spring, fountainhead, fount, starting point, ground zero, wellspring) que os ingleses tomaram do francês, com todas essas acepções. Em inglês tem também “surge”, no sentido de onda (de água), vaga, surto.
O dicionário Littré da língua francesa lista variações da palavrinha em algumas línguas neolatinas: “Wallon, sûd ; provenç. sorger, sorzir ; espagn. surgir ; portug. sordir, surdir ; ital. sorgere ; du lat. surgere, de sursum, en haut (...); c'est la contraction de surrigere. Sourdre est la forme française du latin surgere”;
Sursum – O mesmo dicionário reitera que “source” é o “féminin de l'ancien participe sors ou sours, du verbe sourdre”. A origem, repita-se, está no verbo latino surgere, que deu sursum, no alto. Quem já rezou a missa em latim há de lembrar a expressão “sursum corda” (Corações ao alto!), que o padre dizia ao iniciar o ofício.
Mas qual seria a surça dessa minha modesta proposta? Seguinte: tempos atrás estava lendo a “Notícia Geral da Capitania de Goiás em 1783”, resgatada e publicada pela primeira vez por meu amigo e conterrâneo de Anápolis Paulo Bertran (Universidade Católica de Goiás, Universidade Federal de Goiás, Solo Editores, Brasília, 1996), quando deparei o seguinte trecho na página 81:
“Adiante da Meya Ponte 4 léguas, arredadas da estrada, estão os Montes Perinicos (sic). Destes montes saem vertentes para 4 caudalosos rios e é a verdadeira surça (sic, ponte) do Rio das Almas”.
Aqui há um óbvio erro de digitação, com a troca de efe por pê na palavra “fonte”.
Fiquei fascinado com a descoberta e até a mencionei numa homenagem que fiz ao Bertran, depois de sua morte, em outubro de 2005.
Fanfarrão Minésio – A “Notícia Geral” é uma espécie de carta de batismo de Goiás. Foi encomendada por Provisão Régia do Conselho Ultramarino em julho de 1782, e executada por Luís da Cunha Portugal e Menezes, governador e capitão-general de Goiás, celebrizado com o apelido de “Fanfarrão Minésio” nas Cartas Chilenas de Tomás Antônio Gonzaga. Dias desses, folheando outra vez o documento, agora no segundo volume, achei nova transcrição da palavra “surça”, dessa vez no plural e com a tradução correta do Bertran entre parênteses, na página 28, num trecho do capítulo sobre as táticas guerreiras dos povos indígenas da região:
“(…) diferençando quase sempre nestes intestinos assaltos, da tirania dos iriquazes (sic – iroqueses?) nacionais e habitantes nas margens do Lago Superior Puans (sic) e Ontário, surças (fontes) do Rio São Lourenço e Mezezipe (sic – Mississipi), deixando a arma com que ofenderam, como porrete e mais a flecha, como uma demonstração da aversão que lhe faz o instrumento que contribuiu para cometerem o crime contra a humanidade”.
Campanha – Reforçada a minha empolgação, resolvi lançar esta campanha nacional (Ô, pretensão, sô!) pelo resgate dessa belíssima palavra, tão portuguesa, mineira e goiana quanto é francês le mot “source”.
Surça pode ser olho d’água ou cabeceira de corgo (é assim que o termo “córrego” já aparece várias vezes na “Notícia Geral”) ou rio, e também fonte bibliográfica, tal como em francês ou em inglês. É claro que a gente pode usá-la como “surça de nossas preocupações” ou “surça da nossa alegria”! Contra os coleguinhas desonestos e plagiários em geral, a gente sempre pode dizer que “omitiram as surças”.
Sungar – Imagine uma praça com uma surça luminosa! Fica mais chique assim, com a combinação dos cês cedilhas nas duas palavras. Uma ideia tão clara como a água da surça.
E surça, convenhamos, orna muito bem com o verbo sungar (levantar) dos goianos.
A proposta está aí. É pegar ou largar, e não me venham com chorumelas, surças perenes de desavenças.
Chouriços – Resta, por fim, entender de onde vem a “surça” dos chouriços portugueses. Pesquisei, pesquisei e achei uma bela e longaníssima, digo, longuíssima explicação, que me parece plausível. Está lá nas páginas 231, 232 e 233 das notas de esclarecimento dos “Cantares Galegos” da poeta nacional da Galícia, Rosalia de Castro Murguia, editados pelo filólogo argentino de pais galegos Higino Martins Esteves (Edições da Galiza, 2011).
Segundo Esteves, a palavra “sorça” não é velha na língua portuguesa, e também não é encontrada no galego do século 18. A hipótese é que tenha sido incorporada à língua galega entre o fim desse século “e os anos de invenção dos Cantares Galegos, que primeiro o testemunham”, exatamente na seguinte estrofe:
XVI
Fígado com cebola bem frigida
e uma folhinha de louro cheirosa,
que inda a um morto bem morto dera vida
de tão rica, tão tenra e tão sab’rosa.
Raxo* em sorça cum cheiro que convida,
e o sangue das morcelas substanciosas
em fregada caldeira trasbordando,
a que façam morcelas convidando.
---------
* Raxo é lombo de porco
Sauce – Mas qual é mesmo a surça do termo “surça” ou “sorça” (o molho)? Ensina Higino Esteves (transcrevo talqual): “Será fruto do convívio de galegos e ingleses nas guerras napoleónicas, empréstimo do ingl. sauce / SŌS / “liquid preparation taken as a relish with articles of food (XIV)”, “piquant addition (XVI)”, que vira do fr. sauce “molho” (< lat. salsa). Houve aí galegos a aprender algo de inglês e ingleses a aprender algo da fala local. A sequência /- OR -/ em inglês realiza-se [ Ō ] aberto. Às avessas, o fonema / Ō / aberto pode ver-se como realização de /- OR -/. Na boca do galego que quisesse falar inglês, o adubo pelo inglês chamado sauce / SŌS /, soava / SORS /. Adubos ou molhos há muitos, mas o dos chouriços, de que gostariam os ingleses, havia um só. Daí triunfar o nome específico, retalhando parte do genérico adubo (ou do vizinho molho). Antes de arraigar adiu o morfema de genero feminino, talvez por comida, pelo castelhano salsa “molho” ou qualquer outra voz feminina afim. Teatro do empréstimo seria algum ponto das Rias, Altas ou Baixas. Depressa terá espalhado produzindo as variações nas sibilantes antes referidas. As palavras emprestadas são regularmente instáveis, de mudança acelerada, fonética e semântica. Assim na Galiza e em Trás-os-Montes. No fonético afetaram-se as sibilantes galegas, por uma banda, e as vogais transmontanas, pela outra”.
Pronto, o molho de temperos chamado “sorça” ou “surça” derivou do “sauce” inglês e francês, e não tem nada a ver com a nossa surça = fonte.
A minha proposta de resgate da palavra surça é só uma pequena contribuição que ofereço para enriquecer o molho da língua brasileira. Digo isso antes que alguém diga que eu surtei…
Criado em 2017-12-05 23:45:43
No próximo dia 8/12 (sexta-feira), às 19h30, na Livraria Sebinho (CLN 406, Bloco C). Entrada franca.
Dia 10 de dezembro marca os 97 anos de Clarice Lispector (10/12/1920 - 09/12/1977). A véspera marca os 40 anos de sua morte. Desde a sua estreia, em 1943, com o romance “Perto do Coração Selvagem”, a escritora tornou-se uma das maiores vozes da literatura nacional.
“A escrita de Clarice fisga o leitor, seja pela teor poético, seja pelas discussões filosóficas, e ganha, frequentemente, traduções cênicas, fílmicas e televisivas”, diz André Gomes, professor da UnB, autor do livro “Clarice em Cena: as relações entre Clarice Lispector e o Teatro”.
Gomes fará uma palestra na próxima sexta-feira, dia 8, na Livraria Sebinho, sobre as potencialidades sinestésicas e imagéticas da obra clariceana. Na sequência, leituras dramáticas de trechos da obra, em vídeo, pela professora Michelle Alvarenga, da Universidade Católica, e de alunas do professor André Gomes na UnB.
Também será projetado o curta “Brasíliários”, de 1986, baseado na crônica de Clarice “Nos primeiros começos de Brasília”, de junho de 1970. Estarão presentes, para um bate-papo, a diretora Zuleica Porto e o diretor Sérgio Bazi.
Programação:
A partir das 19h30, no auditório da livraria:
- Apresentação do jornalista Antônio Carlos Queiroz
- Projeção do curta “Brasiliários”, baseado na crônica “Nos primeiros começos de Brasília” (junho de 1970), seguida de um bate-papo com os diretores do filme.
- Palestra do professor André Gomes, da UnB, sobre as traduções cênicas, fílmicas e televisivas dos textos da escritora. Gomes é autor do livro “Clarice em Cena: as relações entre Clarice Lispector e o Teatro”.
- De 9 a 10 Clarices - Leitura dramática de textos de Clarice pela professora Michelle Alvarenga, da Universidade Católica, e alunas do professor André Gomes
Serviço:
Dia de Clarice Lispector
Dia 8, às 19h30
Livraria Sebinho, CLN 406, Bloco C
Entrada Franca
Criado em 2017-12-04 17:00:45
A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro apresenta o projeto "Hollywood Soundtrack" com duas sessões: nesta terça (5/12), no Cine Brasília, e na quinta-feira (7/12) no Teatro Guaíra, em Curitiba.
No programa, músicas de Enio Morricone, Danny Elfman e John Williams, além de clássicos de Brahms, Strauss, Rachmaninov e Maurice Ravel.
A regência será do maestro Claudio Cohen, com a participação do solista Alvaro Siviero no piano.
Em Brasília a entrada é gratuita, por ordem de chegada. No concerto de Curitiba serão cobrados ingressos em benefício do Colégio do Bosque Mananciais.
SERVIÇO:
Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro
Projeto: Hollywood Soundtrack
Dia: 5 de dezembro (Brasília)
Local: Cine Brasília (106/107 sul)
Horário: 20h
Entrada gratuita por ordem de chegada
Dia: 7 de dezembro (Curitiba)
Local: Teatro Guaíra
Horário: 20h
Ingressos: R$106 (inteira) e R$ 56 (meia)
Criado em 2017-12-04 16:55:43
Na véspera do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, fotógrafa portadora da síndrome de Down, que já expôs trabalhos na ONU, lança o livro "Asas e Flores - O Olhar Fotográfico de Jéssica Mendes", no dia 2/12 (sábado), às 19h, no restaurante Carpe Diem (104 Sul). Agende!
Jéssica, primeira pessoa com síndrome de Down formada em curso superior de fotografia no Brasil, traz ao público uma seleção de imagens das percepções da fotógrafa sobre a natureza.
Os desafios para chegar até aqui foram muitos, Jéssica sempre estudou em escola regular e enfrentou preconceitos, até mesmo durante o período universitário: “Conversei com professores e tive que ir até a direção da faculdade falar sobre a situação de discriminação e decidimos juntos desenvolver um trabalho de conscientização de respeito às diferenças para solucionar o problema”.
Passado esse período e com o canudo já na mão, a jovem trabalha atualmente como fotógrafa na Secretaria Especial de Direitos das Pessoas com Deficiência e teve, recentemente, seu trabalho exposto em Nova Iorque, na ONU, durante a “X Conferência Sobre a Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”.
Ativista na área da inclusão, Jéssica aconselha aqueles que buscam alcançar seus sonhos: “Que acreditem no seu potencial, lutem e exerçam seus direitos”!
Sobre o livro
“Asas e Flores – O Olhar Fotográfico de Jéssica Mendes” reúne dezenove imagens captadas pela fotógrafa durante os últimos quatro anos. Dividido em seis sessões por tonalidades, o trabalho atenta para os pequenos detalhes da vida: “Quero abrir os olhos das pessoas para um mundo diferente do nosso dia a dia e voltar nosso olhar a beleza da natureza”, explica Jéssica.
SERVIÇO:
Lançamento: Asas e Flores – O Olhar Fotográfico de Jéssica Mendes
Local: Carpe Diem (104 Sul, Bl. D),
Data: 02/12 (Sábado)
Horário: 19h
Preço: R$ 40 (Parte da venda será revertida para projeto de participação social de jovens e adultos).
Criado em 2017-11-28 19:02:09
Romário Schettino -
CPI dos maus tratos às artes. É assim que deveria se chamar a CPI dos Maus Tratos às Crianças e Adolescentes, que o Senado instalou sob a presidência do senador Magno Malta (PR-ES). Isso porque os dois curadores convocados para depor na tarde do dia 23/11 tiveram que passar quatro horas sendo interrogados para provar que estavam certos e que as artes que defendem não tinham nada a ver com o objeto da CPI. Como não houve crime, não há criminosos.
Os maus tratos às crianças brasileiras merecem uma investigação mais séria e comprometida com o futuro, não com investidas fundamentalistas prejudiciais à democracia e à liberdade de expressão.
O relator José Medeiros (Podemos-MT) tentou justificar o seu papel fazendo perguntas com base em informações que recebeu por meio das redes sociais, envenenadas por grupos preconceituosos, considerados fascistas. Denúncias inverossímeis, como a da fotografia de quadros que sequer estavam expostas na exposição questionada, a Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira, sob a curadoria de Gaudêncio Fidelis.
As acusações eram de que a Queermuseu fazia apologia à pedofilia e à zoofilia e ainda expunha as crianças a cenas impróprias para menores. Fidelis disse que os quadros a que se referiam os caluniadores “eram obras de arte que denunciavam, ou seja, eram o contrário da apologia”. Segundo ele, o papel da arte é ser instigante, provocadora; vai ao museu, às salas de exposição, quem quer. "Não podemos impedir que as pessoas decidam o que ver, ler ou ouvir", defende Fidelis.
O senador Humberto Costa (PT-PE) registrou a onda negativa que se abateu sobre a exposição Queermuseu e atribuiu esse ataque a pequenos grupos mal intencionados que queriam desviar as atenções do atual quadro de corrupção no governo do presidente Michel Temer. “Esses reacionários sem causa, que viviam batendo panela contra a corrupção, recolheram seus instrumentos e partiram para uma missão moralista, defendendo a censura em nosso país”, disse o senador petista.
Marta Suplicy (PMDB-SP) elogiou o trabalho de Gaudêncio e pediu desculpas por estar o curador sendo constrangido e obrigado a comparecer a uma CPI para dar explicações sobre um assunto “absolutamente estranho ao objeto da investigação”. Marta considera que os ataques às artes brasileiras são inconcebíveis e expõem o país ao ridículo perante o resto do mundo.
AMEAÇAS
O pequeno grupo que conseguiu chegar à sala da CPI recebeu ameaças do presidente Magno Malta e foram impedidos de fazer qualquer tipo de manifestação. “Se os visitantes se manifestarem vou evacuar”, repetia Magno Malta, provocando ainda mais risos. Mesmo assim, quando a sessão foi suspensa por alguns minutos, todos levantaram seus cartazes de protesto para os fotógrafos (foto).

NU ARTÍSTICO
Durante o depoimento do curador Luiz Camillo Osório, da exposição "Panorama da Arte Brasileira – Brasil por Multiplicação", realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), o assunto era a performance do artista Wagner Schwarz, que se apresentou nu na abertura do evento.
Camillo Osório informou que havia indicação de que a performance “La Bête” era realizada por um homem nu. “Entrou na sala quem quis, a mãe que levou sua filha para o evento era uma artista convidada, que não viu nenhum problema em participar da interação, como previa a livre interpretação da obra Bicho, de Lygia Clark”.
O curador lembrou também que “não há crime algum na nudez, até porque essa atuação era completamente desprovida de erotização ou pornografia. A leitura de que isso poderia estimular a pedofilia é completamente descabia”.
Com isso concordou o senador Humberto Costa: “Imagine se um pedófilo iria ficar nu, em público, no meio do museu? Os pedófilos usam gravata, bata de médico, batina de padre, estão dentro de casa, muitos deles vivem no submundo. Eu prefiro ver 200 homens pelados no museu do que os corruptos que fazem parte do atual governo. A corrupção, sim, é um afronta às crianças deste país”.
RECOMENDAÇÕES
Como não havia como enquadrar a produção artística em nenhum dos objetivos da CPI, ficou por conta do convidado Procurador da República, Fernando de Almeida Martins, apresentar sugestões de alteração da Portaria do Ministério da Justiça que estabelece a classificação etária indicativa para exibições ou apresentações ao vivo, abertas ao público.
Martins propôs que museus e galerias estabeleçam e submetam ao Ministério da Justiça as classificações indicativas para as exposições. Ele explicou que a Portaria 368/2014 exclui da classificação as exibições ou apresentações ao vivo, como as circenses, teatrais e shows musicais.
Essa recomendação do procurador gerou polêmica. Os senadores Humberto Costa e Marta Suplicy manifestaram temor com a mudança sugerida. Para Humberto Costa, propostas no sentido de aperfeiçoar a classificação indicativa são bem-vindas, mas, segundo ele, "o país não pode ceder ao desejo de censurar presente em determinados indivíduos prepotentes, autoritários".
Na opinião da senadora Marta Suplicy, o controle de idade em mostras de arte e exposições é um recuo para o país e para a arte brasileira. Marta explicou que é natural que a arte cause impactos, mas ressaltou que ela não pode ser vista como pornográfica, já que se trata da expressão livre do inconsciente do artista e uma contribuição à reflexão sobre a vida individual ou coletiva.
Marta Suplicy criticou a forma como têm sido conduzidos os trabalhos na CPI e chegou a dizer que se retiraria da comissão. A senadora afirmou que a maneira como a CPI tratou curadores e artistas foi desrespeitosa e chocou a população que tem apreço à arte.
“Uma CPI que quer ser séria, chama pessoas sérias, respeitadas, e elas têm sua reputação vilipendiada nos jornais por estarem sendo convocadas em uma CPI sem o mínimo de motivação efetiva. O presidente não deveria se basear em falsas denúncias feitas em redes sociais”, argumentou Marta Suplicy.
Humberto Costa advertiu que a CPI, os parlamentares e o público em geral devem ter cautela na forma como tratam os depoentes. Segundo ele, é preciso que fique claro que os curadores e artistas são pessoas que possuem uma reputação a ser zeladas e não são criminosos.
Criado em 2017-11-24 05:25:17
Nesta quinta-feira, 23/11, às 19h, no Teatro Goldoni (208/209 Sul), o Fórum de Cultura do DF denuncia que a demora na publicação do edital do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e no processo seletivo provoca um ano de atraso nos pagamentos dos projetos.
Para o militante do Fórum, Carlos Augusto Cacá, "mais uma vez o FAC está sendo pago à conta-gotas. É preciso muita pressão sobre o governo para que esses pagamentos sejam liberados. Mesmo que você não esteja entre os artistas prejudicados, lute junto porque é a cultura da cidade que está sendo abalada por um ano de atraso no processamento de um edital", convoca Cacá.
As planilhas que ilustram essa matéria - FAC Ocupação e FAC Regionalizado - foram montadas por Anderson Floriano a partir dos dados publicados no site do FAC até 17 de novembro de 2017.

Criado em 2017-11-22 21:09:41
Com obras de Richard Wagner, Eric Wolfgang Korngold e Jean Sibelius no programa, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro se apresenta amanhã, terça-feira (21/11), às 20h, no Cine Brasília.
A regência será do maestro alemão Matthias Manasi, com a participação da violinista russa Olga Pak, como solista.
Os Mestres Cantores de Nuremberg é uma das últimas óperas de Wagner (1862/1867).
Os Mestres Cantores constituíam associações de poetas e músicos amadores que floresceram nas cidades alemãs nos séculos XIV a XVI.
Provenientes da classe média, os Mestres Cantores promoviam festivais de canções e transmitiam seu conhecimento de geração a geração.
O poeta-sapateiro Hans Sachs, um dos personagens principais da ópera, é um Mestre Cantor que realmente existiu no século XVI e uma das figuras mais amadas da literatura alemã.
A ação da ópera se passa no século XVI. Eva, filha do rico Veit Pogner, é prometida em casamento ao vencedor do concurso de canções. Eva e Walther von Stolzing estão apaixonados, mas ele ignora a arte dos Mestres Cantores.
O frio e calculista Beckmesser, que também deseja casar-se com Eva, não mede esforços para destruir seu rival. Hans Sachs surge para ajudar Walther que, no final, vence o concurso e conquista a mão de sua amada.
Embora os primeiros esboços da ópera sejam de 1845, Wagner só iniciou a confecção do libreto em 1861. No ano seguinte deu início à composição da música, que só seria finalizada em 1867, quando o compositor contava 54 anos de idade. A primeira apresentação da ópera completa deu-se no Teatro Nacional de Munique, em 1868, sob a regência de Hans von Bülow.
Concerto para Violino em Ré Maior, OP. 35 - Erich Wolfgang Korngold
Filho do crítico musical Julius Korngold, sucessor de Eduard Hanslick na Neue Freie Presse, o austríaco Erich Korngold já era notável na Europa quando partiu para Hollywood em 1934. Criança ainda, impressionara Richard Strauss, Puccini, Sibelius, Bruno Walter, Nikisch e outros grandes músicos da época. Korngold tinha quatorze anos quando escreveu a Schauspiel Ouverture, sua primeira obra orquestral.
No ano de 1913, em Viena, Erich Korngold é aclamado internacionalmente pela ópera Die Tote Stadt, tornando-se reconhecido operista aos vinte e três anos. No final dos anos 1920, já lecionava composição e ópera na Academia Estatal de Música de Viena.
Em Hollywood, para onde foi convidado por Max Reinhardt, que precisava adaptar Mendelssohn para o filme "Sonho de uma Noite de Verão", passa a desenvolver um gênero próprio – a composição sinfônica cinematográfica – que o tornaria reconhecido como um dos fundadores da música para cinema.
O Concerto para violino em Ré maior, iniciado em 1937 foi revisado em 1945 e sua estreia se deu com a Saint Louis Symphony Orchestra, sob a batuta de Vladimir Golschmann, em 1947.
No Moderato nobile, o violino apresenta um tema do filme Outra Aurora (1937), o segundo tema vem de Juarez (1939), Adversidades fornece a melodia da romanze.
O Finale, um virtuosístico Allegro assai vivace, leva dos staccati do primeiro tema aos legati da melodia inspirada em O príncipe e o mendigo (1937).
Composto “mais para um Caruso que para um Paganini” e impregnado de melodias de cinema, o Concerto para violino em Ré maior tipifica a ópera sem canto de Erich Korngold.
Sinfonia Nº 1 em Mi Menor Op. 39 - Jean Sibelius
Jean Sibelius estudou, desde cedo, piano, violino e composição. Aos 24 anos, ao perceber que não possuía o conhecimento técnico suficiente para se tornar um violinista de renome, nem o temperamento para suportar uma carreira de concertista, resolveu concentrar-se na composição.
Sua Primeira Sinfonia começou a ser composta em abril de 1898. Enquanto trabalhava nela, o czar Nicolau II expediu o “Manifesto de fevereiro de 1899”, restringindo a autonomia de todas as nações do Império Russo, incluindo a Finlândia.
Indignado, Sibelius compôs uma canção de protesto, intitulada Canção dos Atenienses. A Sinfonia nº 1 e a Canção dos Atenienses estrearam no mesmo concerto, em Helsinque, no dia 26 de abril de 1899, pela Sociedade Filarmônica de Helsinque, sob a regência do compositor.Nascia um herói nacional.
Sobre o maestro Mathias Manasi
Mathias Manasi, 47 anos, é um maestro sinfônico e de ópera conhecido internacionalmente. Atualmente atua como Diretor Musical da Nickel City Opera em Buffalo, EUA.
De 2010 a 2013 ele foi o Maestro Principal da Orquestra Camerata Italiana em Nápoles. Depois de um bem-sucedido período como Diretor Musical do Internatoinal Punta Classic Festival em Montevidéu, de 2013 a 2016 trabalhou como Primeiro Maestro na Ópera Estadual de Breslau, onde foi responsável pela produção de óperas como Eugen Onegin, Frau ohne Schatten, Der Rosenkavalier, Paradise Lost, Straszny Dwór, Samson et Dalila, Parsifal e Carmen entre outras.
Matthias Manasi também é reconhecido como pianista, se apresentando em recitais e música de câmara na Europa, Estados Unidos e América do Sul. Estudou piano, regência, composição e música de câmara na Universidade de Música de Stuttgart e na Universidade de Música de Karlsruhe.
Se formou em 1995 em Piano na Universidade de Música de Karlsruhe e em 1996 em Regência na Universidade de Música de Stuttgart. Participou de inúmeras master classes com maestros renomados, como Gianluigi Gelmetti, Jorma Panula e Kurt Masur. Após finalizar os estudos trabalhou como assistente de Manfred Honeck, Miguel Gómez Martínez (Münchner Rundfunkorchester) e Hillary Griffith.
Sobre a solista Olga Pak (violinista)
Nasceu em 1983 em Novosibirsk, Rússia, de pais coreanos. Seu talento extraordinário foi descoberto aos seis anos de idade e ela começou os estudos de violino na "Novosibirsk Specialized Music School".
Aos 17 anos ganhou a competição de jovens violinistas na Rússia, além de outros prêmios internacionais. Estudou no Conservatório de Música de Versalhes e na Universidade das Artes em Berlim. Teve sua aclamada estreia como solista na Orquestra Filarmônica de Berlim em dezembro de 2006 e desde então tem feito diversas turnês pela Europa, Ásia e América do Norte.
Um dos destaques de sua carreira foi o concerto ao ar livre ao final do Campeonato Mundial de Atletismo de 2009, em Berlim, onde tocou com Nigel Kennedy em frente ao Portão de Brandemburgo. Desde 2011, tem dedicado seu talento à posição de concertista/mestre de concerto do Berliner Camerata e do Festival de Páscoa de Música Clássica de Zurique/Berlim.
SERVIÇO:
Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro
Concerto Internacional
21 de novembro, terça-feira
Cine Brasília (106/107 sul)
Hora: 20h
Entrada gratuita por ordem de chegada
Criado em 2017-11-20 18:57:38
Na última segunda-feira, dia 20/11, no Auditório 2 do Museu da República, Francisco Alvim foi homenageado no projeto “Poesia no Mundo”.
Os poetas Maria Lucia Verdi e Nicolas Behr e João Lanari Bo leram poemas. Ao final haverá autógrafos e bate-papo com o autor, que mora em Brasília e faz 80 anos em 2018.
Malu Verdi, produtora e criadora do Poesia no Mundo lembra ainda que a poesia é um modo especial de resistir aos difíceis tempos presentes.
Alguns poemas lidos nessa noite:
VELHOS
— Tudo bem, patrão?
(O dedo de leve na pala do boné
O corpo franzino e baixo
ruindo para um lado)
— Tudo bem, obrigado
— Obrigado
CHEFE DA ESTAÇÃO
Se quiserem ficar
dão muito prazer
Mas se quiserem partir
é hora
ATIROU EM QUEM?
No vento
Porque não tinha ninguém
Só vento
MÃE MORTA
Tia batiza a gente
que a gente
quer se jogar embaixo do trem
MEMÓRIA E CORAÇÃO
A memória perdeu o equilíbrio
e caiu dentro do poço do coração.
- Aqui sempre chove e o ar é uma piscina.
- Não faz mal não, coração,
esta água é o meu sangue.
ALMOÇO
Sim senhor doutor, o que vai ser?
Um filé mignon, um filezinho,
Com salada de batatas
Não: salada de tomates
E o que vai beber o meu patrão?
Uma caxambu
Criado em 2017-11-14 13:05:27
A propósito da gravação que viralizou na internet mostrando os comentários racistas do jornalista William Waack, apresentador do Jornal das 10, da TV Globo, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitiu nota oficial manifestando "total repúdio" ao comportamento do jornalista e ao racismo na imprensa brasileira.
Eis a íntegra da nota:
"A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), por meio da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Etnicorracial e das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial e Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros dos sindicatos, vem a público manifestar total repúdio aos comentários racistas do jornalista William Waack, registrados em vídeo viralizado na internet.
De maneira ultrajante e entre risos, o jornalista atribui má conduta a uma pessoa negra, buscando falsa justificativa na negritude. Waack atenta contra leis e normas, entre elas a Constituição Federal e o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, expressamente no artigo 6º:
I – defesa dos princípios da Declaração Universal de Direitos Humanos – incluindo a comunicação como direito humano;
XI – defender os direitos de cidadãos e cidadãs, em especial negros, entre outros;
XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Apesar do afastamento de Waack de suas atividades no Jornal da Globo, é mister manter o debate político acerca do racismo e da discriminação racial praticado por jornalistas, na imprensa e em veículos de comunicação.
Esta é uma discussão que vem sendo historicamente desprezada pela área, impedindo a eliminação do racismo e a responsabilização de pessoas, empresas e instituições a despeito dos esforços do movimento negro e de negras e negros organizados, inclusive em instâncias sindicais de jornalistas.
Desde o ano 2000, jornalistas negras e negros estão organizados em comissões e núcleos, reagindo contra o racismo na imprensa que ocorre seja por meio da baixa presença de afrodescendentes nas redações, piores condições de trabalho decorrentes da discriminação racial e violação do direito humano à comunicação da população brasileira, especialmente da população negra.
Diversas teses em congressos de jornalistas, seminários, debates, estudos e publicações, cursos e guias têm sido produzidos pela Fenaj, sindicatos e entidades parceiras como instrumentos de sensibilização e desenvolvimento de práticas inclusivas no âmbito das relações raciais no jornalismo brasileiro.
Contudo, é fundamental registrar a pouca adesão de jornalistas e a falta de respostas das empresas jornalísticas em apoiar tais iniciativas. Não é prematuro reconhecer que o caso Waack é a expressão da situação-limite que o jornalismo brasileiro enfrenta, o que demanda transformações profundas por parte de profissionais, empresas, universidades, entidades sindicais, sociedade e poder público.
A Fenaj conclama a sua categoria e a sociedade brasileira para que as mobilizações nas redes sociais frente à indignação com o caso Waack perseverem na efetivação de mudanças que jornalistas e empresas de comunicação têm evitado, ao longo dos tempos, a qual é reveladora do racismo como estruturante das relações sociais, econômicas, trabalhistas e políticas no País.
Que o caso Waack, publicizado neste mês da Consciência Negra, seja o catalisador de debates e práticas que a categoria, setor de comunicação, sociedade, governo e instituições de ensino não podem mais se furtar: a eliminação do racismo sob todas as suas formas".
Criado em 2017-11-10 17:27:51
Será lançada amanhã (9/11), com festa no Ki-Filé (405 Norte), a partir das 19h, a quarta edição do Guia Musical de Brasília.
O Guia, publicação semestral, dirigida pelo saxofonista Joaquim Barroncas e editada pelo jornalista Antônio Carlos Queiroz, indica os lugares onde se faz música no Distrito Federal: bares e restaurantes, espaços culturais, rodas de choro, rodas de samba, batalhas de hip hop.
Informa também os endereços de escolas, professores, projetos sociais, lojas e livrarias, emissoras de rádio, oficinas de instrumentos etc.
A matéria de capa desta edição é o lançamento do Manual do Choro pela Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. Fruto de 18 anos de prática em sala de aula, o Manual, dizem seus autores – Henrique Neto, violão7, e Dudu Maia, bandolim – “tem o objetivo de sistematizar o ensino do choro sem lhe roubar a espontaneidade”.
Outras matérias do guia:
- O jovem pianista Arturo Sampaio explica as incríveis semelhanças que descobriu entre o chorinho e a música do último período do barroco, o rococó-galante, cujo maior expoente foi o compositor italiano Domenico Scarlatti, que viveu 25 anos na Espanha.
- O pianista e pesquisador Alexandre Dias, um dos maiores especialistas em Ernesto Nazareth, fala do Instituto Piano Brasileiro, que dirige, e do jeito brasileiro de tocar piano.
- Resenha de “Comunicação e Música”, o livro do professor, compositor e cantor Clodo Ferreira, uma síntese das aulas que proferiu na UnB sobre o casamento e o divórcio da mídia com a música.
- As entrevistas com o gaitista Rafael Alabarce; com professor Bohumil Med, dono da maior livraria musical da América Latina; e com o produtor e radialista Ruy Godinho, que está lançando o quarto volume da série “Então, foi assim?”, sobre os bastidores da criação musical brasileira.
- Publicada originalmente em www.brasiliarios.com, a resenha do documentário Cuba Jazz, que tem em sua direção o candango Mauro di Deus.
Grandes músicos de Brasília se apresentarão no lançamento festivo da quarta edição do Guia Musical.
Boralá!
Serviço:
Lançamento do Guia Musical de Brasília
Dia 9/11, quinta-feira, às 19h
Restaurante Ki-Filé – 405 Norte – Bloco A
Criado em 2017-11-08 17:47:36
A propósito dos últimos episódios de cerceamento a obras e performances artísticas classificadas como "imorais" ou de natureza "pedófila", a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Publico Federal (MPF), emitiu, ontem (6/11) documento com análise jurídico-constitucional sobre o tema.
A nota técnica foi enviada aos ministros da Cultura e da Justiça como contribuição ao entendimento sobre o que é liberdade artística e a exigência de proteção de crianças e adolescentes contra a violência sexual e contra conteúdos inapropriados às suas faixas etárias. O documento está no site do MPF (veja link no pé desta matéria).
Após a divulgação da Nota Técnica, a direção do Museu de Arte de São Paulo (Masp) decidiu suspender a proibição a menores de 18 anos para entrada na exposição “Histórias da Sexualidade”. Antes, os menores de 18 não podiam entrar, mesmo se estivessem acompanhados dos pais ou responsáveis.
A nota foi enviada também a órgãos como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Uma cópia foi entregue ao Instituto Brasileiro de Museus - autarquia federal responsável pela política nacional na área -, e a dezenas de museus, fundações e institutos de arte em todo o país, como o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).
A PFDC expõe amplo conjunto de argumentos jurídicos na defesa tanto dos direitos de crianças e adolescentes quanto da liberdade de expressão em suas múltiplas formas.
"O objetivo principal do documento é oferecer elementos que permitam melhor definir o conteúdo e os limites da liberdade de expressão artística perante o direito fundamental de crianças e adolescentes à proteção integral. Parte-se da premissa de que, em caso de possível colisão entre direitos fundamentais, deve o intérprete buscar soluções proporcionais, razoáveis e amparadas em argumentos jurídicos, preservando-se, ao máximo, o núcleo de cada direito envolvido", apontam a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, e o coordenador do Grupo de Trabalho Direitos Sexuais e Reprodutivos da PFDC, o procurador da República Sérgio Suiama.
Legislação brasileira - O documento esclarece que o direito brasileiro não criminaliza a pedofilia (entendida como um transtorno mental), mas sim a violência sexual contra crianças e adolescentes.
Os crimes estão previstos no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA e envolvem a prática de atos lascivos com ou na presença de crianças, ou ainda a produção, comercialização, distribuição e posse de fotografias e imagens de crianças e adolescentes reais em uma cena de sexo explícito ou pornográfica.
A nota técnica salienta, porém, que nem toda nudez, adulta ou infantil, envolve a prática de ato lascivo ou tem por fim a confecção de cena ou imagem sexual. "Não apenas em culturas indígenas, como também em muitas práticas comuns no Brasil e em outros países, a nudez está desprovida de qualquer conteúdo lascivo. É o que ocorre, por exemplo, com o naturismo", registra o documento.
Os procuradores ainda ressaltam que, no âmbito das artes, a nudez e sua representação fazem parte do registro de todas as civilizações, e que apresentações envolvendo a nudez do artista ocorrem com frequência em museus de arte contemporânea e moderna do mundo.
A nota da PFDC registra também que, diversamente do que se tem dito a respeito do assunto, segundo o critério adotado pelo próprio órgão do Ministério da Justiça encarregado de fazer a classificação indicativa para a TV, a nudez não-erótica (isto é, exposta sem apelo sexual, tal como em contexto científico, artístico ou cultural) não torna o conteúdo impróprio para crianças, mesmo as menores de 10 anos.
Segundo a Constituição e o ECA, a classificação etária possui natureza meramente indicativa, pois está voltada a garantir às pessoas e às famílias conhecimento prévio para escolher diversões e espetáculos públicos que julguem adequados.
Por ser "indicativa", a classificação efetuada pelo poder público não possui força vinculante; assim, não cabe ao Estado (nem aos promotores do espetáculo ou diversão) impedir o acesso de crianças ou adolescentes a eventos classificados como "inadequados" à sua faixa etária, especialmente quando estejam elas acompanhadas por seus pais ou responsáveis. Compete exclusivamente a estes decidir sobre o acesso de seus filhos menores a conteúdos televisivos e a diversões e espetáculos em geral, conforme decidido pelo STF no julgamento da ADI 2.404/DF, referente à classificação indicativa da TV.
Liberdade de expressão artística - Além de abordar os crimes relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes, a nota técnica da PFDC traz um análise detalhada a respeito dos limites da liberdade de expressão em geral, e da liberdade artística, em específico.
A PFDC aponta a jurisprudência do STF referente a "posição de preferência" da liberdade de expressão em relação a outros direitos fundamentais, inclusive para abranger manifestações "desagradáveis, atrevidas, insuportáveis, chocantes, audaciosas ou impopulares" (ADPF 187/DF).
Com relação à liberdade artística, a Nota Técnica registra que, segundo jurisprudência de outros tribunais constitucionais, as manifestações artísticas estão sujeitas a um trabalho de interpretação, e uma visão geral do trabalho do artista constitui um elemento indispensável dessa interpretação.
Portanto, não é permitido remover partes individuais de uma obra de arte do seu contexto e sujeitá-los a um exame independente para se determinar se devem ou não ser considerados como delitos.
Em favor de uma maior tolerância social com relação à liberdade artística, a Nota Técnica cita obras hoje consagradas que, à época em que foram apresentadas, causaram forte reação social contrária, e mesmo ações penais por parte do Ministério Público, como ocorreu com o aclamado romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary.
Acesse aqui a íntegra do documento:
http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/temas-de-atuacao/direitos-sexuais-e-reprodutivos/nota-tecnica-liberdade-artistica-e-protecao-de-criancas-e-adolescentes
Criado em 2017-11-07 18:28:33
Peça de Alexandre Ribondi, "Virilhas”, em cartaz até 19/11, sempre de sexta a domingo, às 20h, na Casa dos Quatro - 708 Norte, Bloco F Loja 42 - Rua das Oficinas (atrás do restaurante Xique-Xique). Classificação, 18 anos.
“Toda nudez será castigada”, a peça de Nelson Rodrigues, escrita e estreada em 1965, não poderia ser mais atual. Na segunda década do século XXI (sonhada como a realização das esperanças), o corpo voltou a ser acusado de pecaminoso e contaminador.
Por sua vez, a homossexualidade também voltou a ser o alvo de apedrejamentos dos novos moralistas, que pretendem que o Brasil renegue todas as conquistas do direito civil e dos direitos humanos ao longo dos últimos 200 anos.
Além disso, a discriminação baseada em cor da pele está, mais uma vez, na boca dos preconceituosos. E aí surge a peça “Virilhas”, de Alexandre Ribondi, com estreia marcada para 3 de novembro, na Casa dos Quatro, o novo espaço cultural de Brasília.
Em cena, dois homens, vivem uma intensa história de amor, paixão e sexo. Por isso mesmo, estão nus durante toda a apresentação, para representar a vitória do corpo sobre o pudor mal-cheiroso e a pálida moral dos infelizes.
O ator Fernando Oliveira vive a personagem que é o amor. O amor descontrolado, forte, que grita o seu nome, que morde e, sobretudo, que incomoda a quem não quer se dar o trabalho de amar. É ele quem pergunta, aos berros: “O que é sentir preguiça de gostar?”. E Luís Ferrara é o outro, o que não quer ser incomodado, que aceita a superficialidade do corpo e das emoções.
A peça, que já passou por outras temporadas em Brasília e em São Paulo, retorna, dessa vez, com a intenção de desafiar e se levantar contra o avanço da moral sombria e oportunista do século XXI.
"Os moralistas, com voz de longo alcance, não se perturbam com a homossexualidade, com a nudez ou com o racismo. O que eles pretendem é alcançar o poder e a fortuna dos poderosos e, para isso, tratam de manipular a grande parte da população que, mesmo calada, ainda não aceita compartilhar postos de serviço e locais públicos com a diversidade sexual, com a liberdade dos corpos livres e com a alegria dos negros", destaca Alexandre Ribondi, o diretor e autor da peça.
"E é contra esse poder que os atores, o autor/diretor, e a Casa dos 4 se levantam. Se eles gritam os seus nojos, nós gritamos a nossa revolta", completa Ribondi.
“Virilhas” estará em cartaz até o dia 19 de novembro, às 20h nas sextas, sábados e domingos. "Nós queremos mostrar que a exibição da genitália não é pornografia", conclui Ribondi.

As reservas podem - e devem - ser feitas desde já pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., para a compra de ingressos a R$ 20. Na bilheteria, serão vendidos a R$ 40 a inteira.
Agilizem-se, pois serão poucas apresentações e o nosso teatro tem apenas 55 lugares.
DRAMA - CLASSIFICAÇÃO: 18 anos
FICHA TÉCNICA
Texto e direção: Alexandre Ribondi
Elenco: Fernando Oliveira e Luís Ferrara
Concepção de luz: Abaetê Queiroz
Operação de luz e som: Morillo Carvalho
Fotos de Divulgação: Michael Melo
Arte Gráfica: Rafael Salmona
Assessoria de imprensa: Morillo Carvalho
Produção: Desvio Produções Culturais
Contato: (61)98425-6885/Elisa Mattos
SERVIÇO
Espetáculo "Virilhas”
Local: Casa dos Quatro - 708 Norte, Bloco F Loja 42 - Rua das Oficinas (atrás do restaurante Xique-Xique)
Data e hora: 03 a 19 de novembro de 2017, de sexta a domingo (sempre às 20h)
Ingressos: R$40 (inteira), R$20 (meia)
Criado em 2017-10-31 18:17:28
Romário Schettino -
“O Brasil passa por uma desestabilização democrática, com os direitos humanos ameaçados e sob forte risco de retrocesso”. É assim que Roberto Figueiredo Caldas, Juiz Presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), descreve a atualidade brasileira.
Para o juiz, democracia está associada à liberdade de expressão, uma não vive sem a outra. “O que estamos assistindo no país é uma censura, sem meias palavras, que impede exposições artísticas sob o argumento de que fazem apologia da pedofilia e agridem símbolos religiosos”.
É preciso, portanto, garantir a total liberdade de expressão dos artistas contemporâneos, que fazem uma arte instigadora, provocativa e necessária ao desenvolvimento sociocultural de qualquer Nação. Os símbolos religiosos não são universais, por isso os artistas não podem ser impedidos de se expressar sobre qualquer crença.
Roberto Figueiredo propõe um debate urgente na sociedade brasileira sobre Arte e Religião. Ele lembrou que no Pará, neste ano, já foram assassinados nove babalorixás, isso é uma demonstração de intolerância religiosa e ataque aos princípios básicos da CIDH: liberdade de imprensa, liberdade de expressão, liberdade artística e liberdade religiosa. “Sem censura prévia e sem discriminação de qualquer natureza”, completou.
Roberto Figueiredo fez essas afirmações no colóquio “Arte, Liberdade de Expressão e Democracia”, promovido pelo Coletivo de Artistas Livres de Brasília – Não Calarás!, no último dia 25/10, no Museu da República.
Para destacar a importância da CIDH nas Américas, o juiz lembrou que nos anos 80 o Chile havia proibido o filme A Última Tentação de Cristo, com base na Constituição e em decisão do Supremo Tribunal local. A Corte anulou a decisão do Supremo e provocou a modificação da Constituição chilena.
A Convenção Americana, assinada em Costa Rita, é um documento que se iguala às Constituições e nela está escrito que nenhuma lei, nem mesmo uma Constituição, pode confrontar a liberdade artística. O Brasil é signatário dessa Convenção. Por esse motivo, suas decisões são e devem
ser seguidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A CIDH, com sete juízes, é a Corte com o menor orçamento de todas as outras e é considerada a mais influente no mundo.
A Lei de Acesso à Informação brasileira, por exemplo, é fruto do julgamento, pela CIDH, do caso Guerrilha do Araguaia. “Em nome da soberania nacional, muitas vezes, se comete atrocidades inaceitáveis”, disse o juiz Roberto Figueiredo.
A MESA - A mesa do Colóquio foi conduzida pela curadora Marilia Panitz, que alertou para os graves problemas nacionais que atingem, atualmente, os artistas plásticos, mas que é fruto da total desorganização social provocada pelos desmandos políticos.
As deputadas federais Erika Kokay e Maria do Rosário defenderam o papel das mulheres no Congresso Nacional e da luta pela mudança de leis ultrapassadas que tratavam as mulheres como simples objeto decorativo e submissa aos homens.
Maria do Rosário citou como exemplo de lei, já revogada, que dizia: “A lei protegerá a mulher honesta” e outros absurdos.
Kokay destacou o combate à “cultura do estupro” que impera na sociedade brasileira e afirma que “arte, cultura e educação são inimigas do fundamentalismo, qualquer que seja”.
A blogueira Cynara Menezes chamou a atenção para o perigo do obscurantismo e pregou “união e generosidade na luta contra a cultura do retrocesso”. Para ela, há na direita pessoas com quem se pode dialogar. “Nem todos da direita são Bolsonaro e atrasados”, concluiu.
Para o artista plástico Christus Nobrega, quando o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivela, disse que o lugar da exposição era no fundo do mar, “estava se utilizando de uma metáfora que nos remete ao regime militar, que era para onde iam suas vítimas; isso nós não podemos aceitar de forma alguma”.
“Esses ataques aos artistas são cortina de fumaça para desviar as atenções sobre o que acontece no Congresso Nacional, os desmandos e a retirada de direitos essenciais à população”, disse Christus.
Para reforçar essa tese, Mariana Soares, subsecretária de Políticas de Desenvolvimento e Promoção Cultural, da Secretaria de Cultura do DF, disse que não foi por acaso que o primeiro ato do governo após o impeachment foi a extinção do Ministério da Cultura. “O setor que mais resistiu ao golpe, foi o setor cultural”, disse ela.
Depois de muita pressão, o governo voltou atrás, mas em seguida veio a tentativa de criminalizar a Lei Rouanet por meio de uma CPI, que não encontrou nada que pudesse condená-la, a não ser problemas pontuais.
Outro sintoma da desorientação parlamentar no ataque à cultura foi relatado por Mariana. O deputado Marco Feliciano tentou intimidar a direção do Museu da República por causa da exposição Não Matarás. Ele e outros deputados chegaram de surpresa para “inspecionar” a exposição porque “receberam denúncias de que ali havia nudez humana”.
Todo esse movimento contra a cultura, segundo Mariana, permitiu que o Comando do 6º Batalhão da PM fosse a público “desautorizar” o governador do Distrito Federal de falar em nome da polícia. Isso porque Rodrigo Rollemberg ousou pedir desculpas ao artista e performer Maikon Kempinski e considerou a “sua prisão ilegal e criminosa".
O performer Hilan Bensusan, ao se apresentar vestido de macacão e com uma arma de brinquedo na mão (foto), distribuiu texto intitulado "O desarmado - A força da nudez". Nele, questiona: "De repente apareceu uma síndrome: as crianças precisam ser protegidas da nudez adulta. A nudez seria uma arma?". Para, no final, responder: "A verdade é indecente porque ela trata de uma comunidade indecente. Mas algumas das forças nuas são livres".

O Coletivo de Artistas Livres de Brasília - Não Calarás! promete novos colóquios e debates sobre o tema da censura às artes no Brasil.
(Leia também neste site artigo de Maria Lúcia Verdi sobre o mesmo assunto: "Não matarás, não calarás!")
Criado em 2017-10-27 03:08:23
Romário Schettino -
Finalmente, a reforma do Museu de Arte de Brasília (MAB) será retomada. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) esteve hoje (24/10) no local para autorizar o reinício das obras, paralisadas no final do governo Agnelo Queiroz.
O MAB está fechado há mais de dez anos, quando o Ministério Público pediu o encerramento de suas atividades porque o acervo cultural estava ameaçado devido às más condições do local. Todas as obras de arte foram transferidas para o Museu da República, onde estão guardadas até hoje esperando a tão sonhada reforma do antigo MAB.
O governador reconhece que “esta obra tem caráter simbólico para a nossa cidade, pois o MAB está fechado e possui um acervo precioso de arte contemporânea. É um espaço nobre, que vai servir tanto para a população de Brasília quanto para os turistas". A placa de sinalização do MAB está ecrita em inglês para atrair visitantes desde a última Copa do Mundo.

O acervo é formado por obras das artes modernas e contemporâneas de 1950 a 2001, caracterizadas pela diversidade de técnicas e materiais, com pinturas, gravuras, desenhos, fotografias, esculturas, objetos e instalações.
A mais nova previsão é de que o museu fique pronto em novembro de 2018. Veremos.
A empresa que vai tocar a reforma do MAB é a Engemil e serão investidos R$ 7.698.574,15, com financiamento do Banco do Brasil e da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap).
Aliás, a Terracap, ainda no governo Cristovam Buarque, por solicitação do então secretário Adjunto de Cultura, Evandro Salles, quis fazer a reforma, mas o governador preferiu tentar obter recursos da iniciativa privada. Como não conseguiu, o MAB foi se deteriorando até ser definitivamente fechado, em 2007.
Os empresários de Brasília, diga-se de passagem, nunca se interessaram pela cultura da cidade.
O Museu de Arte de Brasília foi construído em 1960 pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) para ser sede do Clube das Forças Armadas, o edifício passou a funcionar oficialmente como Museu de Arte de Brasília em 1985.
Nomeações - O secretário de Cultura, Guilherme Reis, comemorou também a nomeação de 41 servidores concursados, que aguardavam ser chamados ao trabalho há vários anos. “Hoje é um dia muito importante para a Cultura, não só por mais uma obra, mas também porque foram nomeados 41 servidores da Cultura”.
A Secretaria de Cultura do DF tem seu quadro de pessoal reduzido ao longo dos anos. A falta de funcionários é tão grande que não se sabe ao certo se esses 41 nomeados serão suficientes. Provavelmente não.
O Museu Nacional da República continua sem um quadro de pessoal e funciona precariamente desde que foi inaugurado. Não fosse a persistência de seus gestores, o MNR também já estaria fechado.
Criado em 2017-10-24 15:35:33
Romário Schettino -
Enfim, uma iniciativa digna de nota. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) assinou hoje (19/10), simbolicamente mas com toda a pompa e circunstância, no foyer da Sala Villa-Lobos (aberto só para o evento), o edital de chamamento público em busca de parceiros privados para a reforma do Teatro Nacional Claudio Santoro.
O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, presente à cerimônia, disse à imprensa que está ajudando o governo do Distrito Federal a encontrar uma solução para as "complexas obras do teatro".
Fechado há quase cinco anos, o TNBCS padece, assim como os demais espaços culturais públicos do Distrito Federal, de política estruturante capaz de torná-los permanentemente em funcionamento.
Segundo nota distribuída pela oficial Agência Brasília, o edital de chamamento será publicado amanhã, sexta, no Diário Oficial.
Rollemberg reafirmou que quando assumiu o governo encontrou os espaços culturais fechados. “Estamos recuperando um a um, construindo novos e fortalecendo a cultura”, disse o governador, que mencionou o Centro de Dança do DF e o Complexo Cultural de Samambaia, ambos em fase de conclusão, além do Espaço Cultural 508 Sul, que deve ser entregue em 2018.
Essas obras estão em curso há mais de um ano e sempre há a expectativa de que fiquem prontos, mas até o momento nada garante que ficarão prontos algum dia. Não há data marcada. O Espaço Cultural 508 Sul tem pouco mais de 5% de obra concluída.
Ainda segundo o GDF, no caso do Teatro Nacional, as obras serão fatiadas. O processo iniciado hoje (19/10) é para a Sala Martins Pena, que demanda menor custo e menor tempo de trabalho dentro do projeto.
A opção jurídica que torna viável esse caminho é o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil. Com base nele, o Estado pode procurar entidades especializadas em recuperação de patrimônio cultural e que possam captar recursos privados por meio da Lei Rouanet, sem impacto para os cofres públicos.
A reforma do Teatro Nacional, que está fechado desde 2013 por falta de segurança, é uma demanda antiga. No mesmo ano, o governo anterior contratou um projeto de restauração, entregue em 2014, último ano da gestão Agnelo Queiroz.
Rollemberg, alegando ter herdado um rombo bilionário nas contas públicas, mandou revisar o projeto. A alternativa encontrada, agora, foi dividir a obra, começando pela Sala Martins Pena.
O secretário de Cultura, Guilherme Reis, estima que a Sala Martins Penna esteja pronta em cerca de um ano, contado a partir da aprovação do projeto de captação pelo Ministério da Cultura e da captação de recursos pela entidade para a restauração. Não há prazo para que essa operação toda se conclua.
Participam da reelaboração do projeto de reforma a Secretaria de Gestão do Território e Habitação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops) e a Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).
Enquanto isso, o Museu de Arte de Brasília (MAB), também fechado há mais tempo ainda, continua em compasso de espera. De vez em quando algum governante lembra do MAB porque a comunidade cobra, mas depois o normal é o esquecimento. Guilherme Reis já anunciou a retomada da obra. Os artistas e a população esperam ansiosos.
Já o Museu Nacional da República está aberto, mas ainda não tem estrutura administrativa adequada. Aliás, essa estrutura nunca foi implantada desde que foi inaugurado.
HISTÓRIA - Um dos principais locais da cultura no DF, o TNCS foi projetado por Oscar Niemeyer na forma de uma pirâmide, sem ápice. O início das obras ocorreu em 1960, logo após a inauguração de Brasília, com interrupção seis meses depois, em 1961.
Em 1966, a construção do teatro foi reiniciada, e a Sala Martins Pena, inaugurada. Assim permaneceu por dez anos, quando foi fechada para o trabalho de conclusão do Teatro Nacional, reinaugurado, completo, em 1981.
O Teatro Nacional Cláudio Santoro conta com 3.608 vidros nas fachadas lestes e oeste, cubos brancos nas paredes norte e sul, assinados por Athos Bulcão — a maior obra de intervenção urbana do artista —, e jardins projetados por Burle Marx.
Criado em 2017-10-19 20:04:23
Sempre às quintas-feiras, quinzenalmente, entra em cartaz produções realizadas por cineastas brasileiras. Projeto Cine Cleo (Cineclube das mulheres). Até o mês de agosto de 2018, com estreia dia 19/10, às 19h, na Sala Conchita, da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (SDS). Entrada franca.
As mulheres, nem sempre conhecidas e reconhecidas na história do cinema nacional, há tempos tentam mudar este cenário. Afinal, por trás das lentes e de seus olhares sensíveis, mas também ácidos e críticos, diretoras brasileiras produzem obras de tirar o fôlego das plateias mais atentas.
Cineastas famosas e também pouco conhecidas, veteranas e contemporâneas agora terão sua vez! Aliás, a vez é só delas. O projeto veio à luz partindo do questionamento sobre o lugar da mulher no cinema brasileiro, diretoras, produtoras, pesquisadoras e artistas da capital federal uniram suas múltiplas experiências no mercado cinematográfico e na arte, em geral, para promover um cinema que colocará em foco as protagonistas do cinema do Brasil.
Na sessão que terá início nesta quinta-feira (19), serão exibidos os curtas-metragens Travessia (RJ), de Safira Moreira, e Abigail, de Valentina Homem e Isabel Penoni (PE). Ainda, o longa-metragem Aracati, de Julia de Simone e Aline Portugal (CE).
Nesta primeira quinzena o tema será Tradições e Rupturas, com produções de todos os estados do Brasil, feitas exclusivamente por elas. As sessões serão sempre acompanhadas por debates ao final guiados por pesquisadoras do cinema do Distrito Federal que colocam os direitos das mulheres em pauta.
O Cine Cleo homenageia Cleo de Verberena (1909-1972), a primeira mulher brasileira a dirigir um longa-metragem no país, “O Mistério do Dominó Preto”, em 1930, e é uma realização da Secretaria de Cultura do Distrito Federal com o patrocínio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura.
O cineclube faz ainda parceria com o projeto Verberenas, site colaborativo de críticas de cinema escritas por mulheres realizadoras audiovisuais. O projeto nasceu em 2015, dentro da Universidade de Brasília.
De um encontro que deu certo, a produtora cultural brasiliense Natália Pires convidou mais nove artistas para integrar o cineclube. Um time de primeira que conta com a curadoria de Amanda Devulsky, Erika Bauer, Glênis Cardoso e Isabelle Araújo, além de produtoras culturais conhecidas na cidade.
Por uma seleção que criva temas em voga, as produções vão debater o racismo, questões de gênero e feminismo, temas LGBTs, exclusão social, militância, resistência, terceira idade, maternidade, dentre outros.
Para dar o pontapé inicial com a temática Tradições e Rupturas, o poético curta-metragem Travessia (RJ) abrirá a sessão de quinta. Em quatro minutos, a diretora baiana Safira Moreira parte da busca pela memória fotográfica de famílias negras para mostrar seu povo e criticar o racismo.
Na sequência, a produção Abigail traz, em 16 minutos, uma conexão entre o indigenismo e o candomblé. Uma casa aberta, de memórias quase extintas. O filme pernambucano é de Valentina Homem e Isabel Penoni.
No encerramento, o Ceará será representado no longa-metragem Aracati, de Julia de Simone e Aline Portugal. Seguindo a rota do Vento Aracati, o filme parte do litoral e adentra no interior deste estado. No percurso, a relação entre homem e paisagem, as transformações do espaço e os limites entre natureza e artifício são explorados.
Ao final, as cineastas Viviane Ferreira e Letícia Bispo vão conduzir um debate.
Filmes da primeira sessão
Travessia, de Safira Moreira (RJ) – curta-metragem – 4’
Sinopse: Utilizando uma linguagem poética, Travessia parte da busca pela memória fotográfica das famílias negras e assume uma postura crítica e afirmativa diante da quase ausência e da estigmatização da representação do negro.
Abigail, de Valentina Homem e Isabel Penoni (PE) – curta-metragem – 16’ (foto)

Sinopse: Abigail Lopes une os pontos de um mapa humano que conecta indigenismo e candomblé. O avesso do inverso, uma casa aberta de memórias quase extintas.
Aracati, de Julia de Simone e Aline Portugal (CE) – longa-metragem – 1h
Sinopse: Vale do Jaguaribe, Ceará. Seguindo a rota do vento Aracati, o filme parte do litoral e adentra pelo interior do estado. Nesse percurso, observa a relação entre homem e paisagem, as transformações do espaço e os limites entre natureza e artifício.
Debate: Viviane Ferreira (debatedora) e Letícia Bispo (mediadora)
Ficha técnica
Curadoria: Amanda Devulsky, Erika Bauer, Glênis Cardoso, Isabelle Araújo
Produção executiva: Natália Pires
Produção técnica: Isis Aisha e Janaína Montalvão
Design e assessoria de comunicação: Flora Egécia (Estúdio Cajuína) Bianca Novais (Estúdio Cajuína)
Assessoria de imprensa: Baú Comunicação Integrada
Social media: Tainá Seixas
Serviço:
Cine Cleo (Cineclube das mulheres)
Estreia dia 19 de outubro, às 19h.
Em cartaz até agosto de 2018, quinzenalmente, sempre às quintas-feiras, às 19h.
Local: Sala Conchita da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes – Conic (SDS)
Entrada franca.
Informações: www.facebook.com/cinecleo/
Não recomendado para menores de 16 anos
Criado em 2017-10-18 03:18:07
Lançamento da edição impressa de “Silêncio na cidade” será no dia 21 de outubro (sábado), às 19h, no restaurante Carpe Diem (104 Sul).
No dia 11 de setembro de 1973, quando o governo militar estava no auge, uma menina de sete anos foi sequestrada, torturada, estuprada e morta em Brasília.
O caso Ana Lídia é quase como uma lenda para todos os brasilienses; nunca foi esquecido e, tampouco, resolvido.
Os principais suspeitos, irmão da vítima e amigos, foram absolvidos por falta de provas. Essa, em resumo, é toda informação que se tem disponível.
Roberto Seabra, jornalista, professor e escritor, tinha nove anos quando a investigação veio à tona. Com um pai policial certo que o caso poderia ser resolvido se a polícia quisesse, ele cresceu com esse mistério na cabeça.
Quando se formou em jornalismo nos anos 80, correu atrás da história. Jornais e arquivos de uma CPI não foram suficientes para descobrir mais informações. Hoje, quatro décadas depois, os dados coletados serviram de ingrediente para seu novo livro de ficção. É o ‘Silêncio na cidade’.
Com a narrativa escolhida, o autor conta a historia de pessoas reais por meio de personagens fictícios, como Amantino Torres, um agente policial aposentado que foi impedido de continuar nas investigações do caso de uma menina encontrada morta.
Amantino decide investigar por conta própria e acaba descobrindo grandes nomes da República envolvidos no crime. Roberto Seabra, em sua condição de jornalista, até gostaria de escrever algo “real” sobre o caso, mas percebeu que era impossível.
“Costumo dizer que, quando a realidade é encoberta por mentiras, a ficção passa a ser uma possibilidade de verdade. E o caso Ana Lídia é uma teia de mentiras e de verdades encobertas. Por isso criei um livro de ficção”, afirma.
A propósito do que ocorre nos dias atuais, Seabra diz que “todos os países que admiramos são democracias, por que voltar a insistir nessa ideia de entregar o poder aos militares? Isso só se explica pela desinformação. Qualquer análise racional mostra que os países saem piores depois de períodos de exceção, seja militar ou não. Se a democracia é um projeto coletivo, então todo esforço pode nos ajudar a mantê-la, inclusive meu livro, por quê não?”
Serviço:
Edição impressa: “Silêncio na cidade”
Autor: José Roberto Seabra
Dia 21 de outubro (sábado)
Horários: 19h
Local: Restaurante Carpe Diem (104 Sul)
O livro já está disponível no site da Amazon para plataformas digitais e é avaliado em 4,7 estrelas de um total de 5.
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Matéria publicada originalmente no site www.notibras.com
A foto é de autoria de Antônio Augusto/Divulgação.
Criado em 2017-10-17 01:53:40