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Exposição: Rio dos Navegantes no MAR

Rio de Janeiro - O Museu de Arte do Rio – MAR inaugurou ontem, dia 25 de maio, sua principal exposição de 2019: “O Rio dos Navegantes”. A mostra traz uma abordagem transversal da história do Rio de Janeiro como cidade portuária, do ponto de vista dos diversos povos, navegantes e imigrantes que desde o século XVI passaram, aportaram e por aqui viveram.

“O Rio Dos Navegantes” ocupará integralmente o terceiro andar do pavilhão de exposições e a Sala de Encontro, localizada no térreo, até março de 2020. O diretor cultural do MAR, Evandro Salles, é o idealizador e coordenador de curadoria e Francisco Carlos Teixeira, o consultor histórico. Também assinam a curadoria e a pesquisa Fernanda Terra, Marcelo Campos e Pollyana Quintella.

A exposição reúne cerca de 550 peças históricas e contemporâneas, entre pinturas, fotografias, vídeos, instalações, objetos, documentos, esculturas, etc. Estão expostos trabalhos de artistas como Ailton Krenak, Antonio Dias, Arjan Martins, Augusto Malta, Belmiro de Almeida, Custódio Coimbra, Guignard, Iran do Espírito Santo, João Cândido (João Cândido Felisberto), Kurt Klagsbrunn, Lasar Segall, Mayana Redin, Mestre Valentim, Osmar Dillon, Rosana Paulino, Sidney Amaral, Virginia de Medeiros, além de jovens artistas como Aline Motta e Floriano Romano.

Entre os destaques da curadoria está um raro tapete feito pela Manufatura dos Gobelins – um complexo de oficinas dedicadas à produção de tapeçarias e mobiliários na França do século XVI. Além disso, está na mostra um painel de cinco metros, pintado em madeira pelo artista Carybé e pertencente ao acervo do Museu do Ingá. Outro destaque é o desenho original de Hélio Eichbauer que foi transformado em um painel na emblemática montagem da peça O Rei da Vela, em 1967, e mais tarde virou capa do disco O Estrangeiro, de Caetano Veloso.

Para ampliar a viagem pela história do Porto do Rio e seus desdobramentos, o museu firmou parceria com 37 instituições públicas e privadas, que cederam trabalhos para a exposição. Do Museu Nacional, destruído por um incêndio em 2018, virão 15 peças de diversas coleções da seção didática do museu, como conchas, corais, artefatos líticos, e frascos que apresentam a biodiversidade da baía de Guanabara. Outro destaque é o vídeo instalação do sul-africano Mohau Modisakeng, exibido na Bienal de Veneza de 2017. A obra simula barcos com figuras submersas e aborda o desmembramento da identidade africana pela escravidão, que promoveu violentos apagamentos de histórias pessoais.

“O Rio dos Navegantes” não se limita aos espaços tradicionais de exposição. Na rampa que leva o visitante ao pavilhão, por exemplo, o público vai se ambientando à mostra por meio de uma das cinco obras comissionadas pelo MAR. Vozes, conversas e sons ambientes da Região Portuária foram reunidos pelo artista carioca Floriano Romano no trabalho “Fui”, que dá a dimensão da diversidade naquela região.

Mais quatro trabalhos foram desenvolvidos pelos artistas Aline Motta, Carlos Adriano, Katia Maciel, Regina de Paula e Wilton Montenegro especialmente para “O Rio dos Navegantes”. A mostra também dá voz a personagens famosos e anônimos da região, como Arthur Bispo do Rosário, João Cândido, as polacas Berta, Esther e Rachel, o Dragão do Mar, os comerciantes árabes do mercado popular Saara, entre outros, que terão suas vidas narradas por meio de obras e documentos da época.

A exposição convida o público a refletir sobre os modos de vida que formaram o Rio de Janeiro, a relação entre cariocas e visitantes, a miscigenação, as formas de uso e democratização do espaço público, e os conflitos geográficos, linguísticos, culturais, econômicos e políticos que estão presentes na cidade desde o século XVI.

Documentos e imagens raras mostram indígenas escravizados construindo os Arcos da Lapa, evidenciam os problemas das enchentes do Rio desde o século XVI e questionam o mito da praia democrática, evidenciando tensões sociais no espaço público e as praias do subúrbio, como as do Caju, Ramos, Sepetiba e Ilha do Governador.

Criado em 2019-05-26 03:58:32

Debate: Conjuntura política e o futuro do Brasil

Dia 20 de outubro, 19h, no Auditório Paulo Freire, do Sindicato dos Professores (Setor Gráfico). O debate será sobre a Conjuntura política e econômica e o futuro do Brasil, com Gilberto Carvalho (ex-ministro do governo Lula), Alexandre Conceição (da Coordenação Nacional do MST), Antonio de Lisboa Amâncio Vale, Secretário de Relações Internacionais da CUT e o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Essa é mais uma promoção do Jornal Brasil Popular, em parceria com a TV Comunitária de Brasília (Canal 12 na NET), Sinpro-DF, Sindicato dos Bancários e Agência Abraço.

Criado em 2016-10-15 06:20:40

Museu do Amanhã: 100 anos do eclipse de Sobral que comprovou a Teoria da Relatividade

Rio de Janeiro - Para celebrar a data do eclipse de Sobral, no sertão do Ceará, o Museu do Amanhã (Praça Mauá, Rio de Janeiro) realizará no próximo dia 29/5, das 16h às 20h, a atividade “Um eclipse para chamar de seu”: um painel para discutir diferentes formas de apropriação – científicas, culturais e religiosas – de um eclipse.

Após os debates, às 18h, haverá a exibição do filme nacional “Casa de Areia” (2005), protagonizado por Fernanda Montenegro e Fernanda Torres e dirigido por Andrucha Waddington. O filme retrata o encontro da personagem de Fernanda Torres com os membros da comissão inglesa, que se encontrava em uma região inóspita, para comprovar a Teoria da Relatividade de Einstein. Por uma liberdade poética, o filme se passa na região dos Lençóis Maranhenses, e a comissão inglesa esteve em Sobral, no sertão do Ceará.   

Painel de debates com astrofísica, historiadora, antropólogo e cineasta vai discutir os diferentes significados culturais, científicos e religiosos dos eclipses ao longo da história.

Há cem anos, duas expedições de astrônomos ingleses aportaram no Brasil e na Ilha do Príncipe com instrumentos de alta precisão para observação de um eclipse total do sol. O objetivo era verificar um dos fenômenos que poderia comprovar nada menos que a Teoria da Relatividade de Albert Einstein: o desvio da luz das estrelas quando estas se encontravam próximas ao Sol. Este fenômeno só poderia ser observado durante um eclipse total, quando seria possível vê-las sem a incidência da luz do sol. Sobral reunia as melhores condições climáticas e lá, no dia 29 de maio de 1919, os astrônomos fizeram os registros que mudariam a história da ciência. 

Além do cineasta Andrucha Waddington, que falará sobre a presença dos eclipses no cinema, participarão do debate o antropólogo Marcio Campos, que comentará os diferentes significados do eclipse para culturas tradicionais, como tribos indígenas brasileiras; a astrônoma Patrícia Spinelli, que vai falar sobre o que cientistas pretendem estudar no próximo eclipse total do Sol, que acontecerá no dia 2 de julho (infelizmente, este não será visível no Brasil); e a historiadora Maria Eichler, que indicará a simbologia do eclipse para povos em tempos passados, como na Antiguidade e Idade Média. O diretor de Desenvolvimento Científico do Museu do Amanhã Alfredo Tolmasquim mediará a mesa-redonda e fará uma breve introdução histórica sobre o eclipse de 1919.

SOBRE OS PARTICIPANTES

Andrucha Waddington – Produtor e diretor de cinema. Dirigiu “Casa de Areia”, “Gêmeas”, “Os Penetras”, dentre outros. Seu filme “Eu Tu Eles” recebeu menção especial no Festival de Cannes e diversas premiações. Já trabalhou com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marina Lima, Djavan e Arnaldo Antunes, dirigindo videoclipes e filmes – dentre eles “Viva São João”, que mostra um pouco do universo das festas juninas no interior do Nordeste. 

Márcio Campos – Físico e antropólogo, é professor aposentado Unicamp. Especialista em educação formal e não-formal, pesquisa a relação entre humanos, sociedades e natureza e saberes locais, técnicas e práticas. Estuda a relação entre astronomia e cultura, tendo já trabalhado com os índios Kayapó e populações caiçaras em regiões costeiras. Coordenador do projeto SULear, que propõe a compreensão do mundo por uma geopolítica não tradicional entre Norte e Sul globais. 

Patrícia Spinelli – Astrofísica e especialista em divulgação científica, é pesquisadora adjunta do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Co-fundadora do grupo de divulgação de astronomia GalileoMobile, Patrícia recebeu em 2013 o título de Galileo Ambassador pelo Galileo Teacher Training Program. É uma das coordenadoras do Gabinete de Astronomia para o Desenvolvimento da União Astronómica Internacional para países e comunidades de língua Portuguesa. 

Maria Eichler – Historiadora, é professora do Programa de Pós-graduação em Conservação e Restauração da Universidade Santa Úrsula (USU). Pesquisadora do NERO (Núcleo de Estudos e Referências da Antiguidade e do Medievo), vinculado à Escola de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Entre suas áreas de pesquisa está a relação entre poder, religião e gênero na Antiguidade e no período medieval.

______________________________

Serviço:

Um eclipse para chamar de seu

Data: 29 de maio (quarta-feira)

Horário: Painel das 16h às 18h e exibição do filme Casa de Areia das 18h às 20h.

Local: Auditório Museu do Amanhã

Inscrições no site do Museu: https://bit.ly/2HAKuqm

Criado em 2019-05-26 03:13:10

Brasília e a crise que não acaba

Romário Schettino -

Brasília, cidade ingovernável. É assim que os politólogos mais honestos tratam a capital da República diante dos descalabros que vemos todos os dias nas páginas dos jornais em relação ao funcionamento da Câmara Legislativa e do GDF. A nova política não passou de uma promessa.

Os deputados distritais estão com sua presidente Celina Leão (PPS) afastada de suas funções por decisão judicial e sob suspeita de malfeitos incontornáveis. A outra deputada Liliane Roriz (PTB), ex-vice de Celina, igualmente envolvida em processos e mais processos por irregularidades.

Enquanto isso, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) tenta se desvencilhar de uma greve geral que ameaça sua governabilidade. Os distritais acabaram de revogar um decreto que buscava impedir greve no serviço público com corte nos salários. Uma trapalhada atrás da outra.

A base de Rollemberg é frágil e há muita inabilidade em sua equipe de assessores e secretários para negociar em tantas frentes simultaneamente. A Câmara Legislativa e o movimento sindical são os principais pontos fracos do governador.

Agora, entra em cena o deputado federal Laerte Bessa (PR) com a baixaria usual desse tipo de parlamentar. Bessa ficou irritado porque Rollemberg não quis recebe-lo para falar em nome dos policiais civis do DF que reivindicam paridade salarial com a Polícia Federal.

Bessa, descontente, refugiou-se na tribuna da Câmara e desancou o governador, xingando-o de “safado, bandido, maconheiro, cagão e frouxo”. Rollemberg não só pediu ao PSB para enquadrar Bessa por falta de decoro parlamentar, como solicitou a seus advogados que processem Bessa por calúnia e difamação.

É de se registrar que o PR tem dois distritais: Agaciel Maia e Bispo Renato, que até o momento estavam mais próximos de Rollemberg. Agaciel pode vir a ser, inclusive, presidente da Câmara Legislativa no próximo ano com apoio do governador.

A confusão é geral, já provocou até descontentamento na principal bancada de oposição, a do PT. O líder Wasny de Roure, que tem um entendimento sobre como tratar os projetos do GDF colide com seus colegas Chico Vigilante e Ricardo Vale, que fazem outra leitura da conjuntura. Até hoje não chegaram a um acordo sobre quem deve conduzir a bancada.

Para piorar a situação de Rollemberg, a PEC 241 e a reforma no ensino médio agitam os brasilienses, o descontentamento é geral, várias escolas ocupadas em protesto.

Pode-se dizer, agora que até mesmo a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, conspira para a desestabilização política. Aliás, situação cavada inclusive pelo PSB de Rollemberg, que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff.

Sem querer ser alarmista, tudo caminha para uma calamidade sem precedentes. Ou não, como diria Caetano Veloso do alto de suas incertezas sobre as coisas da vida e da política.

Pelo sim, pelo não, Brasília navega nesse mar turbulento, caminha para o racionamento no consumo de água. E o mais grave, não se vê, nem de longe, uma saída viável para a população que sofre.

Criado em 2016-10-19 22:02:23

Deputada denuncia: “Ibaneis trata a cultura com grosseria”

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) informou ontem (13/5), em nota oficial, que o governador Ibaneis Rocha (MDB), “de forma rude e grosseira” rejeitou a proposta de emenda de bancada ao Orçamento da União de 2020 para reformar o Teatro Nacional em troca da manutenção dos recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio) defende a manutenção do FAC.

Ibaneis disse, segundo Kokay, que “as emendas seriam bem-vindas, mas iria, sim, retirar os recursos do FAC para a reforma do teatro, impedindo o prosseguimento de qualquer diálogo sobre o assunto com a comunidade cultural da cidade.

A proposta foi um dos encaminhamentos de audiência pública, realizada na Câmara Federal, no último dia 2/5, que discutiu o FAC e a Lei Orgânica da Cultura (LOC).

O governador teria dito que não vai mais discutir o FAC com os artistas porque estes “estão falando muito mal dele”. O FAC tem recursos previstos na Lei Orgânica do DF e não pode, e não deve, ser objeto de desejos do governador de plantão.

A propósito, lembremos dessa frase: "Quando ouço alguém falar em cultura, saco o meu revólver", de uma peça antinazista de Hanns Jost, encenada em 1933, ano em que Hitler assumiu o poder. Essa afirmação é atribuída a Herman Göring, chefe da Gestapo e braço direito do Führer.

Os artistas e técnicos estão em pé de guerra com o governador e não aceitam que os recursos do FAC sejam desviados para qualquer outro destino, que não seja a produção cultural da cidade.

Fecomércio defende manutenção do FAC

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) defende a manutenção do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e diz que cancelamento prejudicará economia criativa do DF.

No sábado (11/5), a Secretaria de Cultura do DF anunciou o cancelamento do edital “Áreas Culturais” de 2018, que previa investimento de R$ 25 milhões em diversos projetos culturais da cidade. O objetivo da pasta é transferir esse montante para à reforma do Teatro nacional, que está há cinco anos fechado.

Na visão da Fecomércio, responsável por administrar no DF o Serviço Social do Comércio (Sesc-DF) - um dos principais promotores e incentivadores da cultura, a decisão do GDF desestimula a produção cultural e traz prejuízos para os brasilienses.

De acordo com o presidente da Fecomércio, Francisco Maia, o governo deve procurar outra alternativa para a reforma do Teatro Nacional, que também é uma ação importante, mas não pode ser feita com recursos do FAC.

Acredito que é uma decisão ruim para a produção cultural brasiliense. O certo seria encontrar outra solução para reforma do teatro, talvez procurar uma parceria com empresas que já contam com expertise no assunto e que pudessem fazer isso sem afetar a cultura de Brasília”, destaca.

Maia diz ainda que a medida poderá comprometer outros setores econômicos da cidade, que produzem a realização desses espetáculos locais. “Gráficas, armazéns, empresas de eventos e outros segmentos também serão afetados, enfraquecendo a economia criativa brasiliense, área tão importante para a geração de emprego e renda”, completa.

Por meio do FAC, são produzidos filmes, peças de teatro, livros, exposições, oficinas e inúmeras circulações artísticas em todo o DF. Com o cancelamento do edital, o cineasta e integrante do Conselho de Administração do FAC, André Leão, explica que 42 mil pessoas envolvidas direta ou indiretamente no âmbito da cultura do DF podem perder os seus empregos.

Além disso, André ressalta que cerca de 250 projetos de relevância podem não acontecer ou perder força. Entre eles: Porão do Rock, Festival de Curtas de Brasília, Bienal da Leitura, Festival CoMA – Convenção de Música e Arte, e musicais famosos; entre outros. “Alguns desses projetos, a partir da contemplação do recurso, já tinham fechado compromissos com teatros e centros de exposições”, diz. “Projetos que são realizados no Sesc, no CCBB, na Caixa Cultural e no Museu dos Correios, por exemplo, podem simplesmente não acontecer por conta dessa ação do governo”, afirma.

O cineasta também destaca a falta de diálogo. Segundo André, nem o conselho exclusivo do fundo teve conhecimento da questão. “Não foi pautado esse assunto em momento algum, além de não ter nenhuma publicação no site da secretaria ou alguma audiência ou consulta pública.”, informou.

Já o produtor audiovisual, Alexandre Costa, informa que pela Lei Orgânica da Cultura, que regulamenta o FAC, a receita do fundo só pode ser aplicada em projetos que estejam de acordo com a sua finalidade: apoiar, facilitar, promover, difundir e fomentar projetos e atividades culturais, em modalidade reembolsável ou não reembolsável.

“É um desvio total de finalidade, contrariando a lei, isso não pode ser feito”, diz. “Existem fundos específicos do orçamento que preveem a questão da reforma de patrimônio público. Usando o recurso do FAC gerará um impacto muito grande na produção brasiliense, aumentando o número de desempregados na cidade”, ressalta Alexandre. Ele questiona como ficará o cenário cultural da cidade com o cancelamento do FAC. “Parar de investir nisso é uma insensatez tremenda, além de perder receita vai acabar com a produção da cidade. Quem vai ocupar o teatro reformado? Produções de fora? Está gastando dinheiro público do DF para receber produções de outros estados”, afirma.

Na entrevista que o secretário de Cultura, Adão Cândido, deu ao Correio Braziliense ele confirma a decisão do GDF de suspender os editais de 2018, o que causará imensos prejuízos à produção cultural da cidade.

Em nota pública, o coletivo Convergência Audiovisual manifesta seu repúdio às declarações do secretário Adão:

“Reiteramos que o cancelamento de qualquer um dos editais, garantidos por lei, é um golpe às políticas públicas culturais do Distrito Federal e à manutenção da vida cultural da cidade.

O FAC é uma política de fomento à cultura do DF que vem sendo construída ao longo dos anos, junto à sociedade civil, e tem alcançado resultados incontestáveis: os artistas do DF têm seu trabalho reconhecido nacional e internacionalmente, e a economia local tem se movimentado, garantindo geração de empregos e renda a milhares de trabalhadores.

Entendemos que a medida anunciada pelo secretário está sendo tomada de forma unilateral e autoritária, demonstrando o alinhamento do GDF a um projeto nacional de desmonte da Cultura. Ressaltamos que, na entrevista cedida ao Correio, Adão Cândido omite sua ausência em diversas reuniões e audiências organizadas como forma de interlocução da SEC com a Sociedade Civil, indicando assim sua total falta de diálogo com os artistas do DF.

A entrevista também mostra que o atual secretário desconhece o funcionamento da economia criativa e do setor cultural, além de ignorar a finalidade da própria política pública em questão. O FAC é uma dotação mínima orçamentária, garantida pela Lei Orgânica do DF, com o destino específico ao fomento da produção cultural de forma descentralizada e acessível para toda a população.

O Fundo, segundo a Lei Orgânica da Cultura, é incontigenciável e inviolável, isto é, o seu recurso não pode ser utilizado para outra finalidade.

É importante ressaltar que o FAC não resume o orçamento total da SEC.

A reforma do Teatro Nacional é urgente, mas não corresponde à natureza de projetos que podem ser vinculados aos editais do FAC, caracterizando-se como um desvio de finalidade do recurso do fundo, o que se configura como uma ilegalidade.

Além disso, pela natureza dos procedimentos e pelo próprio volume de recursos que são necessários para a reforma estrutural, sabemos que um edital não é o procedimento adequado para a sua realização, mas sim um processo licitatório.

Para concorrer aos editais do FAC, é preciso possuir um Certificado de Ente Agente da Cultura (CEAC), que comprove a sua atuação artística na cidade. Construtoras não são aptas a retirar tal certificado. O FAC também possui como princípio a descentralização da Cultura, o que torna totalmente incoerente o direcionamento de um recurso tão vultoso a apenas um proponente e apenas uma localidade. Dessa maneira, a SEC deve dispor de recursos advindos de outras origens para a necessária reforma do Teatro Nacional.

O coletivo Convergência Audiovisual está unido aos outros setores da cultura e da economia criativa do DF e permanece na luta pelo cumprimento da LOC e do FAC, que são instrumentos essenciais para a manutenção das atividades culturais da cidade”.

Criado em 2019-05-14 05:16:05

Wasny volta à liderança do PT na Câmara Legislativa

Romário Schettino -

Leia também nesta Coluna Brasília e Coisa & Tal: Celina Leão vive seus dias de cão; Cunha preso provoca suspense no Palácio do Planalto; Erika Kokay se defende; III Bienal Brasil do Livro e da Leitura e Debate sobre o futuro do Brasil.

Wasny volta à liderança

O deputado distrital Wasny de Roure (PT) reconsiderou sua saída do cargo de líder da bancada do PT na Câmara Legislativa e avisou que volta, mas só até meados de dezembro, quando o partido escolherá outro nome. “O PT passa por um momento muito complicado, delicado, mas reconsiderei a saída depois de pedidos da Executiva. Também houve um entendimento entre os integrantes da bancada para que haja mais conversa”, explicou Wasny. A saída da liderança havia sido feita pelo parlamentar após falta de acordo dentro da própria legenda. A gota d´água foi a votação do projeto que aprovou a doação e a incorporação de imóveis para tentar cobrir o rombo de R$ 1,2 bilhão no Fundo de Previdência dos servidores do Distrito Federal (Iprev). O distrital apontou uma série de equívocos no Projeto de Lei Complementar n° 74/2016 e no Projeto de Lei n° 1.252/2016 e votou contra a aprovação de ambos. Ainda assim, seus colegas de partido acompanharam a base governista.

Dias de cão para Celina Leão

A presidente afastada da Câmara Legislativa do DF, Celina Leão (PPS), vive seus dias de cão. Ela foi denunciada pelo Ministério Público por estar supostamente envolvida em desvio de recursos orçamentários para empresas da área de saúde. Tudo isso foi tornado público por sua ex-vice- presidente Liliane Roriz (PTB), que gravou conversas comprometedoras de toda a Mesa Diretora da CLDF. O Tribunal de Justiça do DF manteve o afastamento de Celina Leão. O mesmo TJDF absolveu Liliane e o clã dos Roriz em ação por envolvimento deles em negócios escusos com uma construtora e o Banco de Brasília (BRB).
Celina e Liliane eram amigas até recentemente. Aliás, Celina é uma cria política da família Roriz que se desgarrou e passou a se achar em condições de se reeleger presidente da CLDF e, quem sabe, candidatar-se ao cargo de governadora. O tombo desse cavalo em movimento é grande e não vai sobrar muitas costelas para contar a história. Liliane, mesmo absolvida em segunda instância, pode sofrer condenação no Superior Tribunal de Justiça, para onde vai recorrer o Ministério Público.

Cunha preso e terror no Planalto

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, cassado, algoz da presidenta Dilma Rousseff, é preso por corrupção e transforma-se no novo corvo da política. Ninguém quer chegar perto dele, mas todos sabem que ele está bem próximo, inclusive do presidente Michel Temer, o golpista. Uma delação premiada de Cunha pode abalar a República mais uma vez. A grande imprensa tentar por panos quentes, mas vem gelo por ai.

Erika se defende

A deputada federal, Erika Kokay (PT-DF) lançou nota de protesto conta a "denúncia infundada do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, por suposto crime de peculato e desvio de recursos do Sindicato dos Bancários do DF". Segundo ela, os fatos da denúncia ocorreram cinco anos após a deputada ter deixado o sindicato, entidade que Erika presidiu entre os anos de 1992 e 1998.

“Fiquei extremamente surpresa com essa denúncia. Seguramente o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, não leu o conteúdo do inquérito. Se ele tivesse lido veria que essas acusações, que remontam a fatos do ano de 2003, partiram de uma pessoa desqualificada, feitas por um servidor de meu gabinete após demissão pelo cometimento de violência doméstica", diz a nota.

Segundo a deputada, as "investigações da Polícia Civil apontaram o envolvimento deste ex-servidor com furto de computadores em escolas públicas, além de ligação com o ex-deputado distrital Pedro Passos, responsável pelo financiamento dessas acusações por responder, à época, a um processo por quebra de decoro parlamentar perante a Comissão de Ética da Câmara Legislativa do DF, presidida por mim naquela oportunidade. O processo na Comissão levou o deputado à renuncia de seu mandato".

Em sua defesa, Erika diz ainda que "na Câmara Legislativa, após ampla investigação, um processo por quebra de decoro parlamentar foi arquivado. O próprio Supremo Tribunal Federal também arquivou um inquérito por ausência de elementos que comprovassem a existência de financiamento via “caixa dois” do Sindicato dos Bancários para a minha campanha de 2006. Por isso, tenho convicção de que a verdade e os fatos serão devidamente esclarecidos, até porque nenhuma injustiça é permanente”.

III Bienal do Livro

A III Bienal Brasil do Livro e da Leitura, de 21 a30 de outubro, realizada em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, prestou homenagens a uma poeta brasileira, Adélia Prado, e a um pensador português, Boaventura de Souza Santos. Esse evento serviu para discutir temas contemporâneos como deslocamentos de populações, impacto das novas tecnologias na sociedade e afetividade na vida urbana. Segundo o seu organizador, Nilson Rodrigues, "a Bienal é um raro momento de reflexão sobre tudo o que nos inquieta neste momento, como as ameaças ao estado de direito e o regime democrático".

Debate sobre o futuro

Um debate sobre a conjuntura política e econômica e o futuro do Brasil, levou ao auditório Paulo Freire, do Sindicato dos Professores do DF, Gilberto Carvalho, ex-ministro do governo Lula, Alexandre Conceição, da Coordenação Nacional do MST e Antonio de Lisboa Amâncio Vale, Secretário de Relações Internacionais da CUT nacional.

Todos alertaram para a necessidade de unidade das esquerdas para enfrentar o desmonte das políticas sociais dos governos Lula e Dilma e a volta do neoliberalismo. Gilberto Carvalho admitiu que foi um grave erro dos governos do PT não ter promovido a reforma política e a regulamentação da comunicação no país. Para ele, é preciso unir as esquerdas e estimular a ida para as ruas. Gilberto afirmou que "não há como deter o golpe, que continua em curso, sem uma ampla mobilização popular. Estamos numa guerra sem quartel e a perseguição a Lula faz parte dos planos dos golpistas que querem retirá-lo da política. Esses golpistas querem, a passos largos e rápidos, entregar as nossas riquezas às multinacionais estrangeiras, ao neoliberalismo e trazer de volta a miséria para o povo brasileiro".

Alexandre começou dizendo que o MST, antes do governo Lula/Dilma era um movimento de analfabetos, "agora já temos mais seis mil formados na academia". Ele reconhece que Dilma errou na política econômica e na composição de seu ministério, mas que agora é preciso reforçar a Frente Brasil Popular e o grupo Povo sem Medo, para unificar a luta contra o neoliberalismo.

Antonio de Lisboa, que atua na CUT como secretário de Relações Internacionais, disse que a imagem do Brasil é a pior possível no exterior. A decisão de Vladimir Putin em não se encontrar com Michel Temer, segundo Lisboa, só é explicável porque "o Brasil dos golpistas tornou-se um país atrelado aos interesses dos EUA e, por uma questão de segurança, não convém compartilhar nenhum segredo com essa gente".

Esse debate foi promovido pelo Jornal Brasil Popular, que está em sua 19ª edição semanal. Nesse período, foram distribuídos, gratuitamente, mais de 400 mil jornais na Rodoviária do Plano Piloto. O JBP trabalhar em parceria com a TV Comunitária de Brasília (Canal 12 na NET), Sinpro-DF, Sindicato dos Bancários e Agência Abraço.

Criado em 2016-10-21 19:50:25

Os valores do trabalho

José Carlos Peliano (*) –

Composição quase poética feita de excertos do Capítulo V, Livro 1, de O Capital, de Karl Marx, Civilização Brasileira, 3a edição, RJ, 1975.

“Perseu tinha um capacete que o tornava invisível, para perseguir os monstros. Nós, de nossa parte, nos embuçamos com nosso capuz mágico, tapando nossos olhos e nossos ouvidos, para poder negar as monstruosidades existentes”. (Do Prefácio à 1a edição origina).

1.

O trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza,

defronta-se com a natureza como uma de suas forças.

Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos,

a fim de apropriar-se dos recursos da natureza,

imprimindo-lhes forma útil à vida humana.

Ao mesmo tempo modifica sua própria natureza.

Desenvolve as potencialidades nela adormecidas e

submete ao seu domínio o jogo das forças naturais.

Não se trata aqui das formas instintivas, animais, de trabalho. (202)

 

A utilização da força de trabalho é o próprio trabalho, (201)

quando o trabalhador chega ao mercado para vender sua força de trabalho,

é imensa a distância histórica que medeia entre sua condição

e a do homem primitivo com sua força ainda intuitiva de trabalho.

 

Uma aranha executa operações semelhantes às do artesão,

e a abelha supera mais de um arquiteto ao construir sua colmeia.

O que distingue o pior arquiteto da melhor abelha

é que ele figura na mente sua construção

antes de transforma-la em realidade. (202)

 

A terra que, ao surgir o homem, o provê com meios de subsistência

prontos para utilização imediata, existe independentemente da ação dele,

sendo o objeto universal do trabalho humano.

 

Todas as coisas que o trabalho separa de sua conexão imediata

com seu meio natural constituem objetos de trabalho.

Os peixes que se pescam, que são tirados de seu elemento, a água,

a madeira derrubada na floresta virgem, o minério arrancado dos filões.

 

Se o objeto de trabalho é filtrado através de trabalho anterior,

chamamo-lo de matéria-prima: o minério extraído depois de ser lavado.

O objeto de trabalho só é matéria-prima depois de ter experimentado

uma modificação efetuada pelo trabalho.

 

O meio de trabalho é uma coisa ou um conjunto de coisas,

que o trabalhador insere entre si mesmo e o objeto de trabalho.

Ele utiliza as propriedades mecânicas, físicas, químicas das coisas,

para fazê-las atuarem como forças sobre outras coisas.

Faz de uma coisa da natureza órgão de sua própria atividade,

um órgão que acrescenta a seus próprios órgãos corporais,

aumentando seu próprio corpo natural.

A terra, seu celeiro primitivo, é também seu arsenal primitivo

de meios de trabalho. (203)

 

Nas cavernas mais antigas habitadas pelos homens,

encontramos instrumentos e armas de pedra.

No começo da história humana, desempenham a principal função

de meios de trabalho os animais domesticados, amansados e modificados

pelo trabalho, ao lado de pedras, madeira, ossos e conchas trabalhadas.

 

O que distingue as diferentes épocas econômicas não é o que se faz,

mas como, com que meios de trabalho se faz.

Os meios de trabalho servem para medir o desenvolvimento

da força humana de trabalho e indicam as condições sociais

em que se realiza o trabalho. (204)

 

No processo de trabalho, a atividade do homem opera uma transformação,

subordinada a um determinado fim, no objeto sobre que atua.

O processo extingue-se ao concluir-se o produto.

 

O produto é um valor-de-uso, um material da natureza adaptado

às necessidades humanas através da mudança de forma.

O trabalho está incorporado ao objeto sobre que atuou.

Concretizou-se e a matéria está trabalhada.

Ele teceu e o produto é um tecido.

 

Todo o processo do ponto de vista do resultado, do produto:

meio e objeto de trabalho são meios de produção

e o trabalho é trabalho produtivo. (205)

 

Um valor-de-uso pode ser considerado matéria-prima, meio de trabalho

ou produto, dependendo de sua função no processo de trabalho.

O trabalho vivo tem de apoderar-se dessas coisas,

de arrancá-las de sua inércia, de transformá-las valores-de-uso possíveis

em valores-de-uso reais e efetivos. (207)

 

O trabalho gasta seus elementos materiais, seu objeto e seus meios,

é um processo de consumo.

Trata-se de consumo produtivo que se distingue do consumo individual:

este gasta os produtos como meios de vida do indivíduo,

enquanto aquele os consome como meios através dos quais

funciona a força de trabalho posta em ação pelo indivíduo.

O produto do consumo individual é o próprio consumidor

e o resultado do consumo produtivo um produto distinto do consumidor.

 

O processo de trabalho é atividade dirigida com o fim de criar valores-de-uso,

de apropriar os elementos naturais às necessidades humanas;

é condição necessária do intercâmbio material entre o homem e a natureza;

é condição natural eterna da vida humana,

sendo comum a todas as suas formas sociais. (208)

(O) capitalista põe-se a consumir a mercadoria, a força de trabalho que adquiriu,

fazendo o detentor dela, o trabalhador,

consumir os meios de produção com o seu trabalho.

Não muda a natureza geral do processo de trabalho

executá-lo o trabalhador para o capitalista e não para si mesmo.

 

Como processo de consumo da força de trabalho pelo capitalista,

o trabalhador trabalha sob controle do capitalista, a quem pertence o seu trabalho.

O produto é propriedade do capitalista, não do produtor imediato, o trabalhador.

O capitalista paga o valor da força de trabalho. (209)

 

Ao penetrar o trabalhador na oficina do capitalista, pertence a este

o valor-de-uso de sua força de trabalho, sua utilização, o trabalho.

O capitalista compra a força de trabalho e incorpora o trabalho,

fermento vivo, aos elementos mortos constitutivos do produto,

os quais também lhe pertencem.

2.

O produto de propriedade do capitalista é um valor-de-uso,

fios, calçados, etc. Mas não fabrica sapatos por paixão aos sapatos.

Na produção de mercadorias, não é movido por puro amor

aos valores-de-uso. (210/211)

Produz valores-de-uso apenas por serem e enquanto forem

substrato material, detentores de valor-de-troca.

 

Quer produzir um valor-de-uso, que tenha um valor-de-troca,

um artigo destinado à venda, uma mercadoria.

Quer produzir uma mercadoria de valor mais elevado

que o valor conjunto das mercadorias necessárias para produzi-la,

a soma dos valores dos meios de produção e força de trabalho,

pelos quais antecipou seu bom dinheiro no mercado.

Além de um valor-de-uso quer produzir mercadoria,

além de valor-de-uso, valor, e não só valor,

mas também valor excedente (mais valia). (211)

O valor não depende do valor-de-uso que o representa,

mas tem de estar incorporado num valor-de-uso qualquer. (213)

 

O trabalho pretérito que se materializa na força de trabalho

e o trabalho vivo que ela pode realizar,

os custos diários de sua produção e o trabalho que ela despende

são duas grandezas diversas.

A primeira determina seu valor de troca, a segunda seu valor-de-uso.

 

O capitalista tinha em vista essa diferença de valor

quando comprou a força de trabalho.

Decisivo foi o valor-de-uso específico da força de trabalho,

o qual consiste em ser ela fonte de valor e de mais valor que o que tem.

 

Este o serviço específico que o capitalista dela espera.

Ele procede de acordo com as leis eternas da troca de mercadorias.

O vendedor da força de trabalho, como o de qualquer outra mercadoria,

realiza seu valor-de-troca e aliena seu valor-de-uso.

Não pode receber um, sem transferir o outro. (218)

 

Ao converter dinheiro em mercadorias que servem de elementos materiais

de novo produto ou de fatores do processo de trabalho e

ao incorporar força de trabalho viva à materialidade morta desses elementos,

transforma valor, trabalho pretérito, materializado, morto, em capital,

em valor que se amplia, um monstro animado que começa a “trabalhar”,

como se tivesse o diabo no corpo. (219/220)

 

O processo de produzir valor dura até o ponto

em que o valor da força de trabalho pago pelo capital

é substituído por um equivalente.

Ultrapassando esse ponto, o processo de produzir valor

torna-se processo de produzir mais valia (valor excedente). (220)

 

A mais valia se origina de um excedente quantitativo de trabalho,

da duração prolongada do mesmo processo de trabalho.

 

Quando unidade do processo de trabalho e do processo de produzir valor,

é processo de produção de mercadorias; quando unidade do processo de trabalho e do processo de produzir mais valia, é processo capitalista de produção,

forma capitalista da produção de mercadorias. (222)

________________

(*) José Carlos Peliano é economista, poeta e escritor.

Nota: Entre parênteses estão a numeração das páginas do livro O Capital.

Criado em 2019-05-14 04:47:01

Bicentenário de Walt Whitman, o poeta da democracia

No próximo dia 31 de maio, sexta-feira, a Livraria Sebinho (406 Norte), em Brasília, vai comemorar o Bicentenário de Walt Whitman, o maior poeta norte-americano e um dos mais originais e influentes de todo o mundo.

Socialista e queer, o autor de Flores de Relva cantou como poucos o Eu, a Natureza, a unidade do corpo e da alma, as mudanças de seu tempo, a construção de seu país, a democracia e a diversidade dos seres humanos. Deu testemunho das misérias da guerra, mas apostou que a vida prevalece ao final.

Um dos inventores do verso livre, é difícil medir a sua influência, positiva e negativa. Nos Estados Unidos, sua fonte irrigou a poesia de Langston Hughes, Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Adrienne Rich, Lawrence Ferlinghetti, John Ashberry, A. R. Ammons, entre tantos outros. Ao redor do mundo, Maiakóvski (Rússia), Fernando Pessoa (Portugal), Federico García Lorca (Espanha), Bram Stoker (Irlanda), César Vallejo (Peru), Jorge Luís Borges (Argentina), Pablo Neruda (Chile), Mário de Andrade (Brasil)…

A Livraria Sebinho preparou um extenso programa para que você comemore o Bicentenário e amplie os seus conhecimentos sobre o grande vate americano:

1) Almoço, lanche e jantar típico – Hamburguer caseiro e torta de maçã

2) 19 h – Abertura do evento, com apresentação da professora Michelle Alvarenga

3) Leitura dramática de poemas pelo professor Avram Blum

4) Exposição do jornalista Antônio Carlos Queiroz

5) Leitura de poemas por voluntários e voluntárias da plateia

6) Leitura dramática de poemas pelo ator Jesse Wheeler

7) Novas leituras por parte do público

8) Fala do poeta Pedro Tierra - “Whitman e Neruda – a poesia que emerge dos oceanos”

9) Sorteio de três livros entre a plateia

10) Concurso e premiação (R$ 150,00 em vale do Sebinho) do melhor cosplay de Walt Whitman

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Serviço:

Bicentenário de Walt Whitman

Dia 31 de maio, às 19h

Livraria Sebinho – 406 Norte, Bloco C

Telefone (61) 3447-4444

Criado em 2019-05-04 16:54:33

Morre o ator e diretor brasiliense Andrade Júnior

O ator Andrade Júnior, conhecido por sua atuação em diversas peças de teatro, campanhas publicitárias e filmes em Brasília, faleceu, aos 74 anos, na madrugada deste sábado (4/5), vítima de um infarto.

Em 2018, contracenou com Dira Paes na gravação do ainda inédito longa-metragem “Pureza”, dirigido por Renato Barbieri. Nesse filme Andrade interpretou um senhor de escravos da era moderna.

Andrade Júnior foi figura onipresente em curtas-metragens de jovens cineastas do Distrito Federal. Carismático, chegou a somar mais de 100 produções de audiovisual no currículo. Em 2014, o ator foi homenageado durante o 3º Festival Curta Brasília, na mostra O Cinema de Andrade Júnior, com a exibição de parte de suas obras – como Defunto Vivo (1992), Tepê (1999), Macacos me Mordam (2005) Nada Consta (2007) e O Egresso (2011).

A importância do intérprete, mais uma vez, foi reconhecida em 2016, quando os cineastas Érico Cazarré e Victor Pennington produziram um documentário sobre sua vida e obra, intitulado A Louca História de Andrade Júnior.

Andrade Júnior ganhou notoriedade por participar de dois especiais de fim de ano da TV Globo. O primeiro deles foi em 2017, no filme Meio Expediente. O longa conta a história de um servidor público que ficou de fora de um bolão premiado na firma. Andrade deu vida a Gadelha, uma espécie de Papai Noel da vida real.

Ana passado, o artista voltou a estampar a telinha da emissora carioca: em Fuga de Natal, atuou em companhia de colegas de mais de 40 anos de tablado, como Chico Sant’Anna, Paula Passos e João Antonio.

Criado em 2019-05-04 16:44:04

Documentário: “Chiquinho, o livreiro da UnB”

Pré-lançamento do documentário “Chiquinho, o livreiro da UnB”, dirigido pelo jornalista Hélio Doyle, será no dia 29 de maio, às 18h, no Anfiteatro 10, Minhocão (entrada pelo ICC Sul). Agende!

Quem passa ou passou pela Universidade de Brasília nos últimos 40 anos certamente sabe quem é Chiquinho, o livreiro. E quem teve a oportunidade de conhecê-lo e visitar sua pequena e abarrotada livraria no Minhocão sabe a importância que Chiquinho teve e tem para professores e alunos, encontrando e oferecendo os livros certos para cada um, conversando de igual para igual com mestres e doutores.

Praticamente autodidata, Chiquinho é parte integrante da comunidade acadêmica. O documentário mostra o universo do menino que veio do Piauí, cresceu vendendo jornais e é um apaixonado pelos livros. Sua vida, seus prazeres e as dificuldades de uma profissão que parece estar em extinção.

Criado em 2019-05-03 20:58:16

Festival Unindo Tribos leva rock para o Recanto das Emas

As bandas Baratas de Chernobyl (DF), Mercenárias (SP), Finis Africae (RJ), entre outras, vão agitar a cidade Recanto das Emas, no Distrito Federal. Neste sábado (4/5), das 11h às 23h, no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU – Quadra 113, Área Especial 1). Entrada franca.

.São 12 horas seguidas de shows do melhor, do novo e do velho rock feito em Brasília e no Brasil. A banda paulista “As Mercenárias” e a brasiliense radicada na cidade do Rio de Janeiro (RJ), “Finis Africae”, são atrações que prometem agitar o Festival Unindo Tribos.

As Mercenárias surgiu na década de 80 e é famosa pelo som pesado, com letras politizadas e um estilo punk-hardcore feminista. O trio de mulheres é formado por Sandra Coutinho (baixo e vocal), Naná Rizzini (bateria e vocal) e Marianne Crestani (guitarra e vocal). Pela primeira vez em Brasília, elas mostrarão o vigor de três décadas dedicadas ao rock. O som do grupo agrada fãs de Sex Pistols, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, dentre outros.

A Finis Africae retornará à capital federal após 10 anos. Formado por Cesar Ninne (guitarra), Eduardo de Moraes (vocal), Nelsinho Cerqueira (guitarra), Tony Miranda (baixo) e Robson Riva (bateria), o grupo tocará no show sucessos da década de 80 como Armadilha, Mentiras, Máquinas, Círculos e, ainda, canções novas, como Santa Julia e Abrolhos. O Finis Africae é famoso por tocar um rock mais melódico e dançante.

Mas não é só isso. Idealizadora do festival, a banda brasiliense Baratas de Chernobyl (foto abaixo) chega para eletrizar os roqueiros de plantão com um rock também vibrante. O grupo formado por Elvis Rutherford (voz), Maurício Andrade (guitarra), Márcio Villas Boas (baixo) e Ney Corrêa (bateria) acumula diversas premiações e shows pelo Brasil afora. A banda foi vencedora do Primeiro Festival de Música de Ceilândia para Brasília, além de ter participado do Festival Deepland, em São Paulo (SP), com a banda sueca The Beauty of Gemina. Em novembro de 2018, participou ainda das comemorações dos 30 anos da música Carta aos Missionários, da banda Uns e Outros, no Rio de Janeiro (RJ). Dentre as canções que o grupo irá tocar, 14 de Nisã virou tema de abertura do programa Distrito Cultural da emissora Rede Globo.

Segundo o baterista e também um dos idealizadores do evento, Ney Corrêa, o projeto surgiu da ideia de fazer um festival que englobasse todas as tendências do rock’n’roll. “Por isso, o nome Unindo Tribos. Estamos unindo vários estilos e uma galera fera de Brasília e do Brasil. Com rock da nova geração e também dos anos 80, da velha guarda”, destaca Corrêa.

O Festival Unindo Tribos tem o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC).

Rock para todos os gostos

Post punk, gótico, pop rock e outros estilos vão tomar conta do Recanto das Emas. E o rock brasiliense terá sua vez. Além das bandas As Mercenárias, Baratas de Chernobyl e Finis Africae, pelo festival passarão ainda os grupos Vox Lugosi, Cálida Essência, Dom Ticones e a Entidade, Desonra, Os Containers, Os Fabulosos Viralatas e Deus Preto. Os DJ’s Armando Louder (RJ), Jully Dourado (DF) e Mauricio Kosak (DF) garantirão o som durante os intervalos.

“Será um dia especial. Pretendemos estimular a arte, a cultura, o esporte, a cidadania e a inclusão. Nossa ideia é sensibilizar novos públicos e futuras gerações”, afirma Ney Corrêa.

Oficinas

Para tornar o evento ainda mais interativo, no dia 3 de maio, sexta-feira, será realizada uma oficina de sonorização das 8h às 12h no CEU das Artes do Recanto das Emas. A oficina é gratuita e será ministrada pelos professores Daniel Santiago e Maurício de Andrade.

O curso englobará conteúdos de fundamentos de áudio, aulas práticas e apresentação dos equipamentos de sonorização. Já no dia do festival, 4 de maio, haverá oficina de grafite também no CEU das Artes durante o evento. Dentro da programação, os alunos vão conhecer a história, obras e características da Arte Grafite, além de estudar a técnica de pintura em grande escala. Tudo grátis.

Ainda no dia do evento (4/5) haverá torneio de skate. Os interessados em participar podem se inscrever pessoalmente nas lojas De La Crew Skate Tattoo Shop (QNM 20 Conjunto B Lote 46 – Ceilândia Norte) e Massa Skate Shop (Av. potiguar Q 205 cj 03 lt 04 lj02 - Recanto das Emas), ambas parceiras do Unindo Tribos. Informações: 3965-3986/3522-2696. As inscrições são gratuitas e limitadas.

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Serviço:

Festival Unindo Tribos

Data: 4 de maio (sábado)

Local: Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU – Quadra 113 Área Especial 1) do Recanto das Emas

Horário: Das 11h às 23h

Entrada gratuita

Classificação livre

Informações: 98130-6414

Criado em 2019-05-02 22:58:31

Museu do Amanhã: Exposição une realidade virtual com tecnoxamanismo

RePangeia está aberta à visitação de terça a domingo, das 10h às 18h (com a última entrada às 17h). Exposição traz uma experiência sensorial que instiga o visitante a repensar a relação do ser humano com a Terra.

O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA) e foi inspirado no tecnoxamanismo, que surge em meio ao movimento software livre com o propósito de compartilhar perspectivas e visões de comunidades tradicionais – indígenas, quilombolas, ribeirinhos – e movimentos sociais. “Cria-se, assim, um encontro entre ancestralidade e a técnica, entre saberes tradicionais e a tecnologia”, dizem os seus criadores.

No documento elaborado pela divulgação estão algumas perguntas: “Estamos em um momento decisivo na história da Humanidade, que reforça a necessidade de nos perguntarmos, a todo instante: como queremos conviver entre nós, e como queremos conviver com o planeta? As tecnologias que desenvolvemos e aperfeiçoamos estão mais poderosas, alteram nossos corpos, nossa trajetória e impactam o mundo. Mas no que estamos nos transformando?”.

“Na experiência de Realidade Virtual, desenvolvida em parceria com a Intel, três pessoas “se encontram” em outro espaço-tempo e são chamadas a ajudar um meio ambiente descontrolado devido à dissociação entre a Humanidade e a Natureza. O título inspira-se na Pangeia, o supercontinente que existiu há milhões de anos. Seu nome, derivado do grego, significa “toda a Terra”, conceito que remete à primeira vez em que "nossa casa" foi vista em sua totalidade do Espaço. Tal fato mudou nossa percepção sobre o planeta: era a primeira vez que percebíamos nossa fragilidade e finitude em meio à vastidão do Universo. Neste ritual futurístico coletivo virtual, os participantes descobrem a necessidade de haver um entendimento comum de que somos interdependentes e conectados e, somente desta forma, podemos salvar o mundo e a nós mesmos”.

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Serviço:

RePangeia - Uma experiência tecnoxamânica em realidade virtual

Aberta à visitação desde 30 de abril

Horário de funcionamento: De terça a domingo, das 10h às 18h (com a última entrada às 17h).

Realização: Laboratório de Atividades do Amanhã

Localização: Praça Mauá – Rio de Janeiro.

Criado em 2019-05-02 21:09:26

Lei Orgânica da Cultura do DF em debate na Câmara dos Deputados

Nesta quinta-feira (2/5)​, a partir das 10h, no P​lenário 10, do ​Anexo II, da Câmara dos Deputados, será realizada audiência pública na Comissão de Cultura para discutir questões relacionadas à Lei Orgânica da Cultura do Distrito Federal​ (LOC-DF) e ao F​undo de Apoio à Cultura (FAC/DF).

O movimento cultural do DF está insatisfeito com a gestão dos recursos da cultura pelo governador Ibaneis Rocha. Os artistas e técnicos temem que o Fundo de Apoio à Cultura (FAC) seja desviado para finalidades diferentes daquelas para as quais foi criado.

Para aprofundar este debate será realizada amanhã audiência pública na Câmara dos Deputados a pedido da Frente Unificada da Cultura do DF, com a presença da OAB, da Câmara Legislativa e do Governo do Distrito Federal.

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) vai presidir a reunião. A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) participará como presidente da Comissão de Cultura da Câmara.

Além delas, estarão presentes Marley Mendonça Alves, presidente da Comissão de Cultura da OAB-DF; o maestro Rênio Quintas, da Frente Unificada da Cultura do DF; Fernanda Barbosa​, representante da sociedade civil; Adão Cândido, secretário de Cultura do DF; Leandro Grass​, deputado distrital - presidente da Comissão de Cultura da CLDF; Christiane Ramirez​, gestora cultural e secretária Executiva da Fundação Brasileira de Teatro; André Clemente Lara de Oliveira, secretário de Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão do DF.

Criado em 2019-05-01 22:43:30

12º Salão do Artesanato: Brasil feito à mão

Cerca de mil representantes de mais de 20 estados brasileiros confirmaram presença. Homenagem especial ao Acre, que trará peças de artesanato e delícias da gastronomia. De 8 a 12 de maio, das 10h às 22h, na área externa do térreo do Pátio Brasil Shopping. Entrada franca.

A diversidade da produção artesanal brasileira estará à mostra na 12ª edição do Salão do Artesanato, que em 2019 se debruça sobre o tema Raízes Brasileiras, propondo o contato do público com “o Brasil feito à mão”. Pela primeira vez, este que é o terceiro maior evento do setor no país será realizado no espaço de eventos no térreo do Pátio Brasil Shopping.

Virão a Brasília artesãos do Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal.

Será possível conhecer a produção de objetos de decoração, utensílios domésticos, móveis, acessórios, joias, bijuterias, confecções, cestarias, bordados, roupas de cama e muitos outros produtos, em espaços especialmente concebidos pela ABRADI – Associação Brasiliense de Designers de Interiores.

Participarão do evento oito mestres artesãos, que receberão homenagens especiais. São nomes reconhecidos como Patrimônio Cultural de seus estados pela singularidade e exclusividade dos materiais e técnicas que utilizam. Além destes, outros 19 artesãos, selecionados pelas coordenações estaduais de artesanato, ocuparão a Praça dos Artesãos, uma área de destaque no Salão.

O Salão do Artesanato promoverá apresentações diárias do Grupo de Dança Nova Bréscia (em dois horários, às 13h e às 18h) e shows de quinta a domingo, sempre às 19h. Dentre os artistas convidados, Roberto Corrêa, um mestre da viola caipira no Brasil, o pesquisador e também violeiro Cacai Nunes, o sanfoneiro forrozeiro Felippe Rodrigues e a Orquestra Alada Trovão da Mata, com sua mistura de maracatu e samba pisado. E também 12 oficinas gratuitas. Um grande mosaico do Brasil, através da arte do artesão brasileiro e de alguns de seus artistas mais originais.

O Salão do Artesanato é o maior evento do ramo no Centro-Oeste e está entre os três maiores do setor no Brasil. O evento trabalha com o conceito da sustentabilidade, realizando a coleta seletiva de resíduos e com expositores que comercializam produtos que utilizam como matéria-prima materiais reciclados. Todo o lixo reciclável é doado para cooperativas de reciclagem.

Homenagem ao Acre

Como acontece em cada edição, o evento fará homenagem especial a um estado da Federação e desta vez o escolhido foi o Acre. O estado possui aproximadamente dois mil artesãos cadastrados junto ao programa de artesanato acreano. O estado tem se destacado nas feiras realizadas em todo o Brasil - em apenas três anos, a cadeia produtiva movimentou cerca de 12 milhões com a participação em eventos nacionais de 2015 a 2017.

Para o Salão deste ano, o Acre trará itens do artesanato que caracteriza a produção do estado, como biojoias, roupas, sapatos, a gastronomia típica acreana (com salgados regionais como Saltenhas, kibe de arroz, kibe de macaxeira, pastel com recheios regionais de jambu, de frango, pirarucu, suco de cupuaçu, dentre outros), panfletos para divulgação turística e elementos da cultura do estado.

O artesanato no Brasil é um dos mais ricos do mundo e garante o sustento de muitas famílias e comunidades. A diversidade cultural e a expressão criativa dos artesãos brasileiros destacam o país como um importante polo de produção artesanal. O setor conta com milhares de produtores, uma rede tradicional e informal de comercialização, formas gregárias de produção e produtos criativos repletos de identidade cultural, o que gera uma grande aceitação no mercado nacional e internacional.

Oficinas

Além dos estandes para venda de produtos, o Salão vai promover oficinas gratuitas, ministradas por artesãos de Minas Gerais, com reconhecida técnica nas áreas de bordado Douro Preto (ponto livre, rococó, matizado, ponto corrente e outros); de Pernambuco, com a tradicional tapeçaria (Tapeceiras do Carmo); de Goiás com os trabalhos em fibra e biojoias; e do Distrito Federal, com os belos trabalhos em mosaico. As oficinas serão oferecidas, de quarta a sábado, em três horários distintos: de 11h às 12h; de 15h às 16h e das 16h às 17h. Cada oficina comportará até 20 pessoas e não serão feitas inscrições prévias. A inscrição será no local, por ordem de chegada.

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Evento: Salão do Artesanato 2019

Local: Térreo do Pátio Brasil Shopping

Data: de 8 a 12 de maio

Horário: de 10h às 22h

ENTRADA FRANCA

Informações: (61) 3345.0011

Criado em 2019-04-28 17:26:27

Cinema - Vidas duplas e paralelas

João Lanari Bo –

A pergunta que não quer calar: qual é sua opinião, prezado leitor, sobrevive o livro ou caminhamos para a desmaterialização do objeto, para o livro digital, o livro sem suporte físico, virtual?

O novo filme de Olivier Assayas - um dos melhores críticos que escrevia no Cahiers du Cinema, passando para a direção desde os anos 80 – trata obsessivamente dessa questão. Os personagens principais circulam nesse limiar tecnológico: Alain é editor de uma centenária editora, ansioso com o futuro cibernético; Leonard é um escritor prolífico, enredado na “autoficção” de si mesmo, confuso entre o público e o privado (característica dos tempos de internet); Laure, amante de Alain, é conselheira (e entusiasta) de novos negócios virtuais; Selena é a mulher de Alain, atriz e amante de Léonard: e Valérie, companheira de Léonard, assessora um político honesto e bem intencionado (mas que se deixa apanhar em um momento de fraqueza, arruinando sua eleição, por conta da ...internet).

“Vidas Duplas” evolui nessas interseções afetivas, como se esperaria de uma narrativa francesa, mas com um adendo: todos não param de falar sobre o que se pode esperar desse novo mundo, o mundo do intangível digital, que ameaça o sagrado hábito de leitura (típico também dos franceses) em sua base objetiva, o suporte livro. E mais: os algoritmos perversos irão guiar os leitores distraídos e suscetíveis? O fetiche-livro caminha, assustadoramente, para tornar-se um obscuro objeto de desejo?

Entrelaçando todas essas vidas duplas com o núcleo temático do filme, Assayas deixa pistas fugazes sobre a transição espetacular que atravessamos, depois de três décadas do uso disseminado das ferramentas digitais, em particular a internet. O que sobra de humano, melhor dizendo, daquilo que chamamos “realidade”? Cada personagem tem um fundamento interior que o capacita a lidar com essa vertigem cultural, de inserir-se na nova vida digital que nos toma de assalto diariamente, em velocidade crescente. As opiniões expressas ao longo do filme evoluem de acordo com as situações vividas, traem interesses subjetivos ocasionais, chocam-se com o que resta do mundo analógico.

Ao fim e ao cabo, a impressão é que é a velha literatura, afinal, algo que parece ser do agrado geral. Assayas revelou que seu desejo era trazer o espectador para uma conversa atual, viva – os personagens exprimem opiniões diferentes, que são em seguida postas em questão por outros, na mesma conversa. A démarche é tão rápida que muitas vezes é difícil a compreensão dos diálogos. Nada está estabilizado, tudo aguarda uma resolução, mas as palavras e seu uso seguem firmes como instrumento de comunicação e expressão.

Talvez a única personagem coerente nesse mundo em mutação é Valérie, que não tem amante e se irrita em um dos encontros sociais, depois de uma jornada dura de trabalho: seus convidados insistem no valor da construção midiática da imagem dos políticos, ao qual ela contrapõe a ética e a seriedade dos objetivos. Não é por acaso que o filme termina com ela revelando a Leonard que está grávida, a despeito da vida sexual atrofiada que levam. A realidade volta a fazer sentido, volta à materialidade.

Vida que segue, enfim.

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Filme: Vidas duplas

Data de lançamento: 18 de abril de 2019 (1h 47min)

Direção: Olivier Assayas

Elenco: Guillaume Canet, Juliette Binoche, Vincent Macaigne, Nora Hamzawi, Christa Théret, Pascal Greggory, Lionel Dray e Sigrid Bouaziz.

Nacionalidade: França.

Criado em 2019-04-26 00:10:11

Conferência no MAR: "Para expressar a terra através da arquitetura"

Conferência como o arquiteto japonês Hiroshi Sambuichi, na próxima terça-feira (30/4), às 17h30, no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR). Mediação de Bárbara Coelho. Debatedor, Pedro Évora. Entrada gratuita

Ao longo de sua carreira, o arquiteto japonês desenvolveu trabalhos que, além de extremamente sofisticados em sua forma e concepção, se diferenciam particularmente por sua profunda conexão com o contexto ao seu redor, tanto geográfico quanto humano.

Segundo Sambuichi, a Terra está cheia de “matérias em movimento (moving materials)”, como a água, o ar e o sol. Essas matérias em movimento estão intimamente relacionadas aos seres vivos e, a partir delas, são criados ecossistemas únicos. Nesse sentido, sua arquitetura tenta se conectar com esses movimentos.

Serão analisados alguns de seus projetos, entre eles o Naoshima Hall.

Essa conferência está sendo realizada em colaboração com a Japan House de São Paulo e o Consulado do Japão. É a primeira vez que o arquiteto japonês Hiroshi Sambuichi se apresenta no Rio de Janeiro.

Os interessados devem se inscrever na recepção do MAR, no dia do evento, com 30 minutos de antecedência. Espaço sujeito à lotação.

Criado em 2019-04-25 23:14:49

O debate político no meio digital e as fake news

O sexto encontro da série Diálogos Contemporâneos será com Pablo Ortellado, doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Tema: “O debate político no meio digital e o artifício das fake news”. Dia 30/4, no Teatro dos Bancários de Brasília (324/315 Sul), às 19h. Entrada franca.

A mais recente eleição para presidente do Brasil talvez seja, ao lado da eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, o exemplo mais emblemático do papel preponderante das mídias digitais no debate político contemporâneo. Marcados pela divulgação de notícias falsas e por postagens com agressões verbais, os dois eventos levantaram o questionamento: a internet é terra de ninguém? Ou, como vaticinou Umberto Eco, “a internet promoveu o bobo da aldeia a portador da verdade”?

Estes e outros aspectos do universo digital estarão em foco no próximo dia 30, no sexto debate da série Diálogos Contemporâneos, que está sendo realizada, sempre às terças-feiras, no Teatro dos Bancários de Brasília.

Com mediação de Antonio Lassance, doutor em Ciência Política pela UnB, Pablo Ortellado vai falar sobre “Internet e Tecnologia: informação e desinformação na era digital”. Ortellado fundou, em 2016, o Monitor do Debate Político no Meio Digital, uma ferramenta que acompanha a postagem e o compartilhamento de conteúdos em páginas diversas para ilustrar a forma como os grupos políticos interagem nas redes sociais. O recurso das fake news será um dos assuntos da conversa.

Uma análise crítica da internet e das tecnologias digitais diante de uma disponibilização de conteúdos jamais vista. Uma revolução que ampliou o espaço de manifestação individual, mas também as possibilidades de mercantilização da informação, fake news, manipulação, destruição de reputações e exposição criminosa de vidas privadas. O grande desafio da utilização desses instrumentos para a expansão do conhecimento e de práticas cidadãs.

Palestrante: PABLO ORTELLADO - Doutor em Filosofia e professor de Gestão de Políticas Públicas na USP. É coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital, projeto que analisa o consumo de notícias nas mídias sociais. É colunista do jornal Folha de São Paulo. Autor dos livros “Estamos Vencendo! Resistência Global no Brasil”, em parceria com André Ryoki, e “Vinte centavos: a luta contra o aumento”, em parceria com Elena Judensnaider e Luciana Lima.

Mediador: ANTONIO LASSANCE – Doutor em Ciência Política pelo Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Professor da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).

Criado em 2019-04-25 22:54:22

Escritora mirim lança seu segundo livro

Mariana Negreiros, 16 anos, lança neste sábado, 27/4, às 17h30, na livraria Leitura, no Shopping Pier 21 (Setor de Clubes Sul), em Brasília, o livro “Os segredos dos guardiões”.

A jovem escritora brasiliense escreve sobre conflitos e magia da adolescência. Ela diz que este é o segundo romance de uma trilogia, o primeiro foi “Os segredos de um colar”. O terceiro ainda está sendo preparado.

“Meu desejo é que outras crianças tenham a mesma oportunidade de ler e escrever!”. Com apenas 14 anos de idade, Mariana lançou o romance mágico “Os segredos de um colar”, em 2017. Agora, com 16, dá continuidade à sua carreira. Quem leu o primeiro livro já estará por dentro do enredo que fala de romance, desencontros amorosos, mudanças, intrigas, carências e indecisões comuns à fase da adolescência.

Os Segredos dos Guardiões continua a história de Jane, Logan, Nick, Lucy, Kim e de outros jovens que fazem parte do primeiro livro.

O livro já está disponível em várias livrarias online e estará à venda na livraria Leitura e no Sigma a partir do lançamento.

Criado em 2019-04-25 22:48:15

Cineastas denunciam autoritarismo do secretário de Cultura do DF

A organização do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que será realizado de 13 a 22 de setembro, no Cine Brasília, já começa com sérios problemas de entendimento entre cineastas e o secretário de Cultura do DF, Adão Cândido.

Duas entidades se manifestaram por meio de carta aberta à população denunciando autoritarismo do secretário: Convergência Audiovisual e Coletivo Mulheres do Audiovisual (MAV-DF) contestam afirmações da matéria publicada no site da Secretaria de Cultura, no dia 15 de abril.

A nota da secretaria informa que “representantes da sociedade civil Anna Karina de Carvalho, Marcus Ligocki Júnior e Tiago Belloti, a subsecretária de cidadania e diversidade cultural, Érica Lewis, e o coordenador de audiovisual, Wanderlei Silva – curadores – receberam oito entidades – ABCV, Aprocine, Coletivo Mulheres do Audiovisual, DF+DOC, Cora, APBA, UnB e Convergência Audiovisual. Também participou como convidado o cineasta Vladimir Carvalho”.

As cartas que se seguem foram publicadas nas página do Facebook dos cineastas Silvino Mendonça e Erika Bauer:

“Carta Aberta sobre o 52º Festival de Brasília do Cinema do Cinema Brasileiro.

Nós, Convergência Audiovisual do DF, somos um grupo que se formou de forma autônoma pela defesa de políticas públicas efetivas voltadas ao cinema e à cultura no Distrito Federal.

Fomos surpreendidos na última quarta-feira, 17 de abril, com uma publicação no site da Secretaria de Cultura do DF dizendo que a atual edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro conta com o apoio de nosso grupo, entre outras associações. Essa declaração não corresponde com a realidade. Pelo contrário, nossa posição tem sido de apontar a falta de legitimidade da atual Secretaria, comissão curatorial e modelo de evento, construída a portas fechadas sem um verdadeiro diálogo. É para apresentar o panorama desse contexto que escrevemos esta carta.

Em 14 de fevereiro de 2019, aconteceu uma reunião entre a Secretaria de Cultura e associações/coletivos de profissionais do Cinema do Distrito Federal para discutir os rumos do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Nós, Convergência Audiovisual do DF, estivemos presentes. Apesar do desejo inicial de colaboração das associações/coletivos, essa reunião foi considerada um fiasco pela grande maioria dos grupos representados ali.

Antes mesmo do encontro, a drástica alteração do modelo do festival já havia sido pré-definida e um integrante de sua comissão curatorial anunciado. O que deveria ser um espaço para diálogo entre o governo e a sociedade civil foi, na verdade, em direção oposta.

O secretário de cultura Adão Cândido chegou à reunião com ideias pré-concebidas de como um Festival de Cinema deveria ser, sem apresentar qualquer justificativa para a alteração radical de um modelo, em construção, elogiado por grande parte dos profissionais da área no Brasil.

A quem interessa e de onde vieram essas ideias de alteração decididas antes de qualquer diálogo?

Além disso, o secretário trouxe repetidas vezes acusações de que qualquer representante que propusesse outras ideias ou a manutenção de conquistas de anos passados teria, em suas palavras, “perdido a eleição”. Nesse momento, protocolamos uma carta em que ressaltávamos a preocupação com o tom autoritário e, mais do que isso, com o abandono do caráter público do Festival de Brasília em prol de interesses privados pouco claros.

Em abril, fomos convidados para uma segunda reunião de discussão, agora com a comissão curatorial definida. As escolhas haviam sido feitas de maneira totalmente oposta ao que nós e outras associações/coletivos havíamos sugerido – uma direção e curadoria plural nos quesitos raça, gênero, regionalidade e formada por pessoas com experiência na área de curadoria. O desejo dessa reunião parecia ser de conciliação, uma saída fácil, já que agora os caminhos estão traçados e segue não havendo possibilidade de colaboração da sociedade civil e de profissionais do setor na estruturação do Festival.

Para que serve esse falso diálogo? A resposta veio na quarta-feira, 17 de abril. Serve para distorcer os fatos e colocar grupos como o nosso como “apoiadores”, buscando legitimar um processo que criticamos desde os primeiros sinais de que a intenção não era ouvir a classe.

O Festival é antes de tudo do Cinema Brasileiro, não de uma gestão passageira, e esse fato não pode ser ignorado. Políticas se constroem ao longo de anos, à base de lutas e dissensos, e não da noite para o dia em conversas a portas fechadas. A ausência de uma construção ampla e nacional com curadores com olhar diverso, nos parece um grande retrocesso no caminho de qualquer pretensão de pluralidade. Perde o cinema nacional, perde o cinema do Distrito Federal.

Distrito Federal, 23 de abril de 2019”.

Assinado: Convergência Audiovisual DF”

Manifesto do grupo Mulheres do Audiovisual do DF (MAV-DF)

“Nós, do Coletivo Mulheres do Audiovisual do Distrito Federal (MAV-DF) estamos vindo a público para repudiar matéria publicada no site da Secretaria de Cultura do GDF (Secult), no dia 17 de abril, que vincula o nome do nosso coletivo entre os apoiadores da próxima edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

O Coletivo MAV não esteve presente na reunião ocorrida no dia 15 de abril com a Comissão Curadora indicada pela nova gestão, pois considera que os nomes ali presentes ignoram os perfis sugeridos pelas associações do audiovisual com que nos alinhamos, quais sejam: perfis de curadoras e curadores com currículo de publicações sobre cinema nacional e contemporâneo, com contatos e participações em importantes festivais nacionais e internacionais, com representantes de diferentes partes do país, não apenas de Brasília, e que espelhem a diversidade da produção audiovisual brasileira.

O Coletivo MAV esteve presente na reunião do dia 14 de fevereiro, da qual saiu com a certeza de que a atual Secretaria de Cultura não quer construir um diálogo real com o setor. Além de o secretário Adão Cândido classificar o FBCB como um evento irrelevante (uma breve visita à curadoria das últimas duas edições mostra que as obras ali presentes tiveram ótima circulação dentro e fora do país), vimos nossas demandas serem desprezadas.

Poucos dias antes dessa mesma reunião, fomos surpreendidas com a nomeação de um integrante da comissão curatorial do evento, o que, por si só, torna irrelevante e falaciosa a reunião que trataria justamente de discutir nomes para uma possível curadoria/direção artística.

Diante dos fatos apresentados, só nos restou a triste conclusão de que a atual gestão da Secult não está interessada em ouvir verdadeiramente os coletivos e as associações do audiovisual da cidade, mas apenas utilizar nossos nomes - com muita má fé - para dar respaldo às decisões que são tomadas de forma unilateral.

Em vista disso, solicitamos a retirada da MAV-DF da citada matéria e do grupo de trabalho relativo à próxima edição do FBCB”.

Criado em 2019-04-24 02:15:01

Poema limpo

José Carlos Peliano –

à história não documentada

pelos conquistados, colonizados e aniquilados

 

Códigos, senhas, criptogramas, segredos, fora? Pô, Ema, limpo!

Limpoema, Ema, esqueça cada, todo e qualquer teorema,

só funcionam ao seguir a régua, o compasso, a mente do inventor

segundo os elementos, os termos e o conjunto dos postulados

 

O poema limpo não é só um, segue muito mais que um tema

foge de corolários, parâmetros, padrões e esquema

varrido de intrigas, preconceitos, injustiças, blasfêmias

recita cânticos a bichos, plantas, planetas, machos, fêmeas

 

Não está na farpa cruel envenenada enfiada fundo na pele

no rastro e pegadas mortais do câncer entre as vísceras

no poder ilegítimo, corrupto, picaresco, vão, podre

na mentira sórdida, hipócrita, etiquetada, mercantil

 

Doce no sabor e deleite do doce de batata doce

singelo no sorriso do bebê de braços abertos à alegria

amigo na mão dada ao caído e dolorido pela depressão indigesta

terno nos olhos amendoados de uma tarde sobre os trigais

 

O poema é limpo, mesmo que avariado, desconexo, incompreensível

estampado nos operários que saem da madrugada casa todas as manhãs

no desempregado perdido em meio a filas incontáveis atrás de trabalho

no preso trancafiado entre grades, cubículos, pobres injustiçados e condenados

 

O poema limpo é de Ema, pô, ela merece, ela é santa e um dilema

traz-me a lira, a inspiração, a métrica, o gozo e as trombetas

tira-me do sério, do entendimento e da vastidão da alma feminina

o poema é limpo se o poeta acha em seus versos a boca de Ema

 

Pô, Ema, limpo o poema de minhas dúvidas, incertezas e dissabores

dou-te a versão definitiva e derradeira como o último suspiro

em troca de me libertares de meu vício titânico de querer-te

chegar a ti desejo apenas pelo pouso do poema se revelando em minhas mãos

 

os arranha-céus, os viadutos, as autopistas estão no poema limpo

os shoppings, supermercados, fábricas, aeroportos e autódromos

as filas, guichês, salas de espera, pontos de ônibus, passarelas

os tributos, provas finais, vestibulares, inquéritos, cobranças

 

fora do poema limpo estão os que entulham e aviltam esse circo

vendaval supérfluo de ideias, projetos, obras e montagens sem limites

servidão compulsiva de gente com máquinas de somar nas cabeças

bolsos cheios de mãos ambiciosas e contas abarrotadas de lucros desmedidos

 

o poema limpo não contempla a fome que come os sem mesa posta

os emigrantes que fazem do mar suas moradas despejados por barcos afundados

inocentes e pobres de esperança e vida que se curvam a bombardeios sem nome

alvos dos que se lambuzam de poder e dinheiro pelo dinheiro e para o dinheiro

 

Pô, Ema, limpo o poema de degradações, destruições, desconstruções

lixeiras infernais de ambições e compulsões sem estômago e fígado

castelos, monumentos e tronos de bizarros fantasiados humanos

o poema só é lido pelas mulheres e homens libertos, lado a lado

 

O poema limpo será escrito por corações que batem no ritmo do sol

decorado e declamado por todas as noites braços dados à lua

em todos os quadrantes, horizontes, vales, cordilheiras e direções

para se dormir com estrelas, sonhar gerânios, acordar colibris

 

Pô, Ema, refazendo teu nome de trás para frente, ame! Pô, Ema, ame!

ame a ti, a mim a todos e ao poema limpo que te inspiras a cada verso

a cada estrofe, a cada poeta, a cada flor nascida não sei onde no poema

para ofertar a quem dele se sinta rodeado por floradas de vários matizes

 

O amor está no poema limpo assim como os sabiás, as baleias, as borboletas

que a cada voo, nado, farfalhar, levam a natureza aos versos do poema limpo

onde o universo os compõem e reescreve nos planetas, meteoros e cometas

pelas mãos de Marie Curie, Galileu, Newton, Einstein e Clementina de Jesus

 

O poema limpo está no Operário em Construção de Vinícius de Moraes

na Construção de Chico Buarque, na fibra de Nise da Silveira

nos Retirantes de Cândido Portinari, nos curvas de Niemeyer

nos jardins de Burle Max, nas páginas de Clarice Lispector

 

O poema limpo não tem rédeas, gaiolas, coleiras, jaulas, prisões

sua mina verte água cristalina e abençoada pelo ventre da terra

dispensa legislativo, judiciário, executivo e eclesiástico

é o canto de liberdade de Zumbi dos Palmares, Tiradentes e Lampião

 

Pô, Ema, limpo? Só se limpo como tua imaculada e mundana presença

que faz de seus dons a imagem e semelhança da mulher e do homem

composta em cada berço, cama, casa, rua, cidade, país, continente

para porem a vida que se faz vida em contínuo movimento e poema

O poema limpo não é de ninguém, não requer face, nem texto, nem ritmo

ele se faz  a cada emoção que venha de dentro, do avesso do avesso

lá onde Freud e Jung foram e chegaram perto com versões diferentes

e Leonardo da Vinci captou pelo sorriso enigmático de Gioconda

Limpo o poema, Ema, ele não precisará mais ser escrito ou lido

estará contigo em cada um de nós a cada voo da imaginação e criação

a cada passo em direção ao porto amigo, sagradamente humano

onde todos se reconheçam em todos gente comum sem mais nem menos

Criado em 2019-04-24 02:07:57

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