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Página 56 de 95

Como se não bastasse tanta desgraça, morre Alfredinho

Romário Schettino -

Em poucos dias passamos por situações aflitivas no Brasil e no Rio de Janeiro. A morte súbita de Arthur, neto do ex-presidente Lula, aos sete anos, comoveu o país e desatou a ira das bestas feras da internet. Em pleno sábado de carnaval morre Alfredinho, o legendário dono do bar Bip Bip, na Rua Almirante Gonçalves, em Copacabana.

Sobre os inimigos de Lula e do Brasil, que despejaram as mais infames declarações de ódio e falta de humanidade nas redes sociais, só me resta desprezá-los e dizer que são indignos da condição de seres humanos. Manifesto aqui minha solidariedade ao avô Lula e à sua família.

E as desgraças só vão aumentando: Brumadinho; os meninos mortos no Flamengo; o irmão que foi enterrado sem que Lula pudesse velar seu corpo; assassinatos nos morros do Rio atribuídos às milícias e o silêncio do Ministério Público nos casos de corrupção da familia Bolsonaro.

A morte de Alfredinho, aos 75 anos, ocorrida neste sábado de carnaval (2/3) pegou todo mundo de surpresa. Para quem nunca ouviu falar dele não sabe o que perdemos, o Brasil e o Rio de Janeiro. Era um anjo protetor do samba e defensor da solidariedade em seu estado mais puro. Alfredinho era um comunista coerente, praticava o que pensava.

Seu bar, reduto de sambistas consagrados e aprendizes, era também um lugar onde se recolhia donativos para os mais carentes, tudo de uma forma discreta, sem autopromoção. Alfredinho não tinha garçons, os frequentadores iam à geladeira, pegavam o que queriam e pagavam na saída. O dono do bar anotava tudo em seu caderninho. O caixa era umas cumbuquinhas cheias de dinheiro. Ele não aceitava cartões de crédito, pois era contra o sistema financeiro do mundo capitalista.

Há mais de meio-século, Alfredinho, amigo dos Buarque de Holanda, era agitador cultural e político. No ano passado, um agente da Polícia Rodoviária aprontou confusão no Bip Bip e Alfredinho foi parar na delegacia de polícia para prestar depoimento em plena madrugada. Tudo porque o Bip Bip prestava homenagem à vereadora Marielle Franco, brutalmente assassinada no Rio de Janeiro.

Com Alfredinho aprendemos a fazer silêncio quando os músicos tocam, a aplaudir sem fazer barulho e a não chegar perto dele com perfume (ele era alérgico). Ele era enérgico e impunha respeito. Tudo numa boa.

Alfredinho era assim. Solidário, humano, ranzinza, parecia o nosso Urtigão preferido, bom coração. Ele morreu solteiro e sem filhos, mas com centenas de amigos no Rio e no Brasil. Era meu vizinho e sempre tinha uma palavra amiga para analisar o momento político em que vivemos. Sofreu com a derrota de Haddad, pensou até em se mudar para Lisboa e fundar um bar em Alfama, mas não teve tempo. Se estivesse vivo estaria prestando homenagens a Lula e seu neto, com certeza. Vai em paz, velho amigo e comunista.

Criado em 2019-03-03 17:57:24

Aldir Blanc, um cara bacana

Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –

Há coisa de mês e meio, o Evandro, um projeto de concunhado, quis me mostrar seu gosto musical, e a primeira canção que botou pra tocar foi a Resposta ao Tempo do Aldir Blanc e Cristóvão Bastos, um hit de Hilda Furacão, minissérie da Globo. Lá pelas tantas, no verso “E o tempo se rói com inveja de mim”, cravei com certeza científica, quer dizer, cheio de dúvidas: Ahá! O Aldir se inspirou no poeta latino Horácio Flaco (65 a.C. - 8 a.C.)!

Nessa música, Aldir relata um diálogo do Eu lírico apaixonado com o Tempo, com letra maiúscula e tudo. O Tempo zomba do Eu que chora pelos amores perdidos, “porque sabe passar,/ eu não sei...”. O Tempo se compara com o Eu, “pois não sabe ficar/ e eu também não sei...”. Quando o Tempo lhe “sussurra que apaga os caminhos/ que amores terminam no escuro, sozinhos”, o Eu responde que “ele aprisiona, eu liberto, / que ele adormece as paixões, eu desperto!”. É aqui que o Eu diz que “o Tempo se rói com inveja de mim, / me vigia querendo aprender/ como eu morro de amor/ pra tentar reviver”. Por fim, o Eu chega à conclusão de que, no fundo, o Tempo “é uma eterna criança/ que não soube amadurecer. / Eu posso e ele não vai poder me esquecer”.

O Aldir, psiquiatra, cronista e poeta cultíssimo, obviamente bebeu na fonte do Horácio Orelhão (Flaccus) para compor essa canção, mais exatamente nos dois versos finais de sua Ode 1.XI, aquela do Carpe diem. Ali, o Horácio exorta uma moça, Leucônoe, a se abster de adivinhar o futuro, aceitando o que a vida lhe oferece agora. Beba vinho, minha filha (como diria o Dráuzio!), e, já que a vida é breve, afaste as longas esperanças. A ode termina assim: dum loquimur, fugerit invida/ aetas: carpe diem quam minimum credula postero. Mais ou menos o seguinte: “A gente conversa e o tempo foge invejoso: goze o hoje, refugue o futuro”.

Impacto - Escrevo essas mal traçadas linhas ainda sob o impacto da notícia da morte do Aldir, 73, hoje (4/5) de manhã. Eu já desconfiava que ele não escaparia. No dia em que foi internado, encomendei o belíssimo perfil Aldir Blanc – Resposta ao tempo, Vida e Letras, do Luiz Fernando Vianna (Casa da Palavra, 2013), que eu sempre quis ter mas não tinha. A obra compila mais de 450 canções das mais de 600 que ele compôs.

Faço questão de convidar @s querid@s leitor@s a ver no YouTube o retrato do Aldir em 14 minutos, gravado há poucos dias, a sangue quente, pelo excelente repórter Rodrigo Vianna - clique aqui e veja.

Parte do que eu sou, devo ao Aldir, Henfil, Millôr, Jaguar, Ivan Lessa, Ziraldo, a turma do Pasquim. Como era legal ler as crônicas ferinas do Aldir, as reflexões do Penteado, no hebdomadário do Sig, e depois ouvir as rimas dele na voz da Elis. Assim de supetão, o que eu posso acrescentar?

Que a dupla Aldir Blanc e João Bosco compôs um dos mais verdadeiros hinos do Brasil, O Bêbado e o Equilibrista, com prenúncios de alvíssaras desconfiadas para depois da ditadura: “Não há de ser inutilmente, a esperança / Dança na corda bamba de sombrinha”.

Até hoje a gente continua a esperar, entre uma e outra nota de repúdio, tantas que fazem sombra ao Sol, contra os assassinos da liberdade que saíram dos túmulos da impunidade para nos espantar! 

Posso dizer também que essa dupla cantou as mazelas do morro e do asfalto, do campo e das cidades, com tal ênfase política que chegou a ser rejeitada pela turma chamada, na época, de “odara”.

Eis a letra de Patrulhando (Masmorra) de Aldir e Paulo Emílio:

Noites assim, de março ou abril,
noite febril, noite-inquisição, grilhão,
negra visão, negro capuz.
Noites assim e o sangue escorrer
por esse chão, poço-escuridão, sair
dessa masmorra nessa sangria,
andar por aí os mortos daqui,
medrar os jardins, corar os jasmins,
depois estancar.

A fome e a Reforma Agrária - Um fato que outros deverão lembrar nos obituários do Aldir foi a violenta crítica que a dupla sofreu de alguns defensores da reforma agrária quando lançaram O Rancho da Goiabada, no álbum Galos de Briga (1976), arranjada pelo maestro Ramadés Gnatalli, cuja primeira estrofe diz o seguinte:

Os boias-frias quando tomam
Umas biritas espantando a tristeza
Sonham com bife à cavalo, batata frita
E a sobremesa
É goiabada cascão
Com muito queijo
Depois café, cigarro e um beijo de uma mulata
Chamada Leonor
Ou Dagmar!

Mas qual foi a crítica? O fato de Aldir ter escolhido a fome como o problema mais imediato dos trabalhadores rurais em vez da luta pela terra!

Tinhorão - Outro episódio engraçado envolvendo a dupla começou em meados de janeiro de 1978, quando o mais rabugento (nem por isso menos genial) crítico da MPB, José Ramos Tinhorão, tascou o João Bosco num artigo publicado pelo Jornal do Brasil intitulado “Tiro de Misericórdia mata João Bosco. Pois viva Aldir Blanc!”.

Ao avaliar o quarto álbum da dupla, Tiro de Misericórdia, Tinhorão escreveu que “o grande artista da dupla é o autor das letras, Aldir Blanc”. “O que nos mostram os versos de Aldir Blanc? Mostram não apenas um poeta moderno, armado em nível de mestre no artesanato das palavras, mas um observador profundo e fino das realidades brasileira e carioca, que sabe jogar com a linguagem popular para atingir ao refinado e preciso humor de um jogral especialista em escárnios e sirventes. A mesma linha de humor social que, passando por Gil Vicente, viria até a nossa linhagem de satiristas iniciada em Gregório de Matos Guerra e continuada em Martins Pena, em Manuel Antônio de Almeida e em França Júnior”.

Fazendo um exercício de premonição sobre a separação da dupla, que só aconteceria quatro depois, após o lançamento do álbum Comissão de Frente, Tinhorão terminou o artigo assim: “Em conclusão - e considerando que o divórcio já foi aprovado - a melhor coisa que poderia acontecer em benefício da família da música popular brasileira mais respeitável seria a separação amigável entre João Bosco e Aldir Blanc. Afinal, como João Bosco há de concordar, fazer letras para boleros, samba-canções americanizados ou sambinhas com plec-plec de acompanhamento de violão bossa nova qualquer um faz. Por que gastar o imenso talento, sentido poético, de humor e de compreensão humana de Aldir Blanc com tão pouco?”

Três meses depois, Aldir Blanc daria o troco, vingando o João, com a canção Querelas do Brasil, composta em parceria com Maurício Tapajós, e gravada ao vivo por Elis Regina para o álbum Transversal do Tempo. Em dois versos, ele opõe três coisas consideradas negativas, mas genuinamente nacionais, como disse o próprio Tinhorão, a três coisas, também brasileiríssimas, muito apreciadas no País: “Tinhorão, urutu, sucuri / O Jobim, sabiá, bem-te-vi”.

Diz Alexandre Felipe Fiúza em sua dissertação de mestrado em Educação pela Unicamp (2001), que “mais do que uma provocação, (o versinho contra Tinhorão) é também uma justa homenagem”.

Querelas do Brasil é um hino nacional a mais, dessa vez contrastando o Brasil com esse ao Brazil com zê, aquele colonizado, que não reconhece os valores próprios do nosso País:

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapir, jabuti, liana, alamanda, alialaúde
Piau, ururau, aqui, ataúde
Piá-carioca, porecramecrã
Jobim akarore, Jobim-açu
Oh, oh, oh

Pererê, camará, tororó, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará
O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil
Jereba, saci, caandrades,
Cunhãs, ariranha, aranha
Sertões, Guimarães, bachianas, águas
E Marionaíma, ariraribóia
Na aura das mãos de Jobim-açu
Oh, oh, oh
Jererê, sarará, cururu, olerê
Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará
Jererê, sarará, cururu, olerê
Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará
Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil
Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, Cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, Olará
Cascadura, Água Santa, Acari, Olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, Olará
Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil

É o que posso dizer por enquanto, minha gente, enquanto tiro a poeira das reminiscências, com simplicidade, lamento jamais. ACQ, me diz, por que choras? Porque o Aldir Blanc morreu e eu acabo de saber que o Flávio Migliaccio também. Se a segunda-feira começou assim, tenho medo do que será a semana. Vade retro, futuro!

Criado em 2020-05-04 17:37:43

Nossa crise é dupla e tem que ter uma saída

Danilo Firmino (*) –

Ele fabrica crises por espasmos, o faz por dois motivos: só assim pode governar um sociopata que não tem respeito pelo outro, muito menos pelo Estado Democrático de Direito. Enfim, um proativo em fazer aquilo que popularmente chamamos de "merda".

Diz uma coisa pela manhã, nega à tarde para, à noite, inventar outra versão. E assim, vai testando a paciência dos demais poderes – Congresso, Justiça, Forças Armadas. Um inimigo contumaz da estabilidade e da garantia de qualquer institucionalidade.

Amigos me perguntam: “E aí, quando será a próxima crise fabricada pelo Coiso”. Bolsonaro está a um passo de queimar seu filme com as instituições, rasgando qualquer dia dessas a Constituição e criando uma “crise-mãe” que poderá lhe afastar do poder.

O povo por sua vez, anda de saco cheio das palhaçadas presidenciais.

Sabemos - e todo o mundo também sabe - que o Brasil enfrenta uma crise de duas cabeças, ambas perigosíssimas, mortais, interligadas, irmãs siamesas. Ambas trazem fome, desespero, doenças e mortes para a nossa gente. O povo está perplexo, indignado, com medo e pronto para explodir numa revolta sem precedentes.

De um lado, um vírus mortal, o Covid-19, que é invisível, planetário, não respeita fronteiras, classes sociais, gêneros, religião, cor da pele e já matou em três meses milhões de pessoas em todo o Planeta - e continua sua sanha fúnebre.

O outro vírus tem nome, sobrenome, endereço conhecido, e também ataca ferozmente a tudo e a todos com raiva, rancor, crueldade e ódio, muito ódio; especialmente visando desrespeitar a democracia com um imensurável desprezo pelo povo brasileiro.

Chama-se Jair Messias Bolsonaro, também conhecido internacionalmente como Bolsonero ou simplesmente Bosovírus. Primeiro, ele afirma, contra todos os princípios do mundo científico internacional e da medicina, que o Covid-19 é uma gripezinha que vai matar muita gente; e pergunta: “E daí? Vai morrer mesmo”.

O vírus (ou seria “o verme”?) humano ataca a ciência, os princípios médicos recomendados pela OMS, incentiva aos seus fanáticos seguidores a quebrarem as regras básicas do enfrentamento da pandemia – com destaque para o distanciamento social.

Ele quer ver o circo pegar fogo. Além de coveiro, quer acender o pavio jogando brasileiros contra brasileiros. Ou melhor: de uma maneira fria e nazi-genocida, assiste impassível a morte e o flagelo de milhares de brasileiros, com famílias e mais famílias que nem sequer têm o direito de enterrar dignamente seus parentes e entes queridos abatidos por doenças agravadas pelo vírus invisível. 

Isso sem falar dos milhões de brasileiros se acotovelando em filas (e por consequência se contaminando uns aos outros) nas agências da CEF e da Receita Federal atrás de uma merreca de 600 reais que o governo se viu obrigado a liberar para evitar que os brasileiros morressem de fome.

Na realidade, o Bosovírus tem sido até mais letal que o Covid-19. Além de incentivar a circulação do inimigo imortal (gripezinha ou resfriadinho), maltrata e espezinha o povo e faz malcriação como um reizinho mimado, porque foi impedido pelo STF de nomear um amigo dos seus filhos milicianos e corruptos (quem matou Marielle?) para dirigir a Policia Federal.

Em seguida vem a público, sempre perante uma plateia escolhida a dedo, e desrespeita o Supremo Tribunal Federal – nossa corte suprema, pela segunda vez.

Embora a sociedade brasileira venha repudiando tais atitudes, seja via pesquisas, seja nos constantes e diários panelaços pelas principais cidades, esse tipo de comportamento fascista merece nosso repúdio diário.

Torna-se necessário, mais do que nunca, ficarmos atentos, mobilizados e conscientes de que o País caminha para um impasse institucional. Imediato ou em médio prazo. Para se resolver esse impasse, não há solução com o atual des-presidente da República. Ele tem que cair fora.  O Congresso Nacional tem que iniciar o processo de impeachment já. Para atacar o vírus, teremos que afastar o verme da Presidência da República.
_________________
(*) Danilo Firmino, do Coletivo Fala Subúrbio.

Criado em 2020-05-04 02:07:46

Homenagem aos 100 anos de nascimento de Clarice Lispector

Inspirada no livro homônimo, a peça Minhas Queridas, baseada em cartas da escritora Clarice Lispector, encerra temporada on-line e gratuita neste fim de semana, com sessões na sexta, 26/3, às 20h, sábado, 27/3, e domingo 28/3, às 19h. Depois da sessão, o público poderá participar de um chat sobre a adaptação e a obra da escritora com convidados especiais.

A montagem é uma homenagem à escritora nascida no dia 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia, mas que se mudou para o Brasil ainda criança. O espetáculo reúne trechos das cartas íntimas escritas por Clarice Lispector para as irmãs Elisa e Tânia, durante os 15 anos em que viveu no exterior, acompanhando o marido, o diplomata Maury Gurgel Valente.

Na correspondência trocada com as irmãs, ela descreve "um mundo de representação" e descreve sua insatisfação no papel de “esposa de diplomata". O período deixou marcas profundas e transformadoras na vida da escritora, que morreu precocemente aos 57 anos, deixando um vasto legado de contos, crônicas e romances.

A peça é uma realização da Cia. de Teatro Diversão e Arte, com direção e dramaturgia de Stella Tobar, direção musical e trilha sonora original de Sérvulo Augusto, cenário de Kleber Montanheiro e figurinos de Carol Badra.

Marilene e Simone interpretam duas atrizes que estão montando uma peça sobre essa conturbada fase da vida de Clarice Lispector.

Sobre o espetáculo

Minhas Queridas reflete a angústia da escritora dos 24 aos 40 anos, período em que ela viveu no exterior, ao lado do marido. Foram 15 anos de correspondência com as irmãs, que moravam no Brasil. Nas cartas, a genial escritora expõe as lembranças e ressentimentos em relação aos pais e as consequências da emigração forçada, durante a guerra na Ucrânia; as angústias em relação à sua produção literária, a maternidade e o papel que Clarice representou no ambiente diplomático frequentado pelo marido.

O texto revela uma experiência crucial na vida dessa mulher ucraniana, judia, naturalizada brasileira, trazendo à tona reflexões inspiradoras e profundamente humanas, capazes de emocionar os amantes da escritora e estimular o interesse de leigos em relação à obra clariceana.

Como parte das comemorações do centenário de nascimento da escritora, o espetáculo foi encenado em janeiro do ano passado, no Sesc Pinheiro, com lotação esgotada em toda a temporada.

Em 2018 foi contemplado com o PROAC - Edital de montagens inéditas, da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa e em 2019 percorreu 10 cidades do interior de São Paulo. O projeto de levar o espetáculo para outras cidades acabou abandonado, por conta da pandemia da Covid 19.

"Nossa homenagem aos 100 anos de nascimento dessa genial escritora não poderia ser interrompida de maneira tão traumática. Por isso, mesmo sem as sessões presenciais, longe do calor do público, decidimos retomar o espetáculo e fazer as adaptações necessárias para resgatar parte do legado literário de Clarice, usando as ferramentas possíveis em tempos de coronavírus”, observa o diretor de produção, João Luís Gomes.

Para a diretora Stella Tobar, transmitir uma narrativa tão intimista como Minhas Queridas, em formato on-line, sempre será um desafio. "Estamos aprendendo como o teatro pode dialogar com essa plataforma e a linguagem audiovisual. A filmagem prioriza planos mais próximos e conduz o olhar do espectador para que a beleza contida nas cartas seja transmitida com a mesma potência e profundidade", acrescenta.

"Entrar em contato com a intimidade de Clarice Lispector por meio de cartas tão pessoais, as quais ela jamais imaginou que chegariam ao público é um deleite e uma responsabilidade ao mesmo tempo, quando a proposta é adaptá-las ao teatro. O período em que as cartas às irmãs foram escritas tem dores e delícias, e acho que o espetáculo opta por mostrar preferencialmente o momento difícil de uma escritora em adaptação à vida fora do país e sua dificuldade em escrever em meio às circunstâncias. Esse recorte foi uma escolha minha, o que mais me tocou na biografia dela nesse período", lembra a diretora.
___________________
Temporada on-line:
De 26 a 28 de março
Sexta às 20h - Sábado e Domingo às 19h - Gratuito
Todo dia um bate-papo sobre Clarice Lispector, após o espetáculo
Mediação de Stella Tobar
26/3 - Com a participação das atrizes Marilene Grama e Simone Evaristo
27/03 – Nádia Batella Gotlib - Escritora e biógrafa de Clarice Lispector
28/03 – Paulo Flores - Diretor, ator e fundador da Tribo de Atuadores “Ói Nóis Aqui Traveis”, de Porto Alegre
Transmissão pelo canal no YouTube da Cia. de Teatro Diversão &Arte www.youtube.com/channel/UC4ExQTVrr_CAxZOgLi1-50w Facebook - Cia. de Teatro Diversão & Arte - www.facebook.com/teatrodiversaoearte Sigam no Instagram - @teatrodiversaoearte - www.instagram.com/teatrodiversaoearte
________________

Ficha Técnica
Direção e dramaturgia
: Stella Tobar
Elenco: Marilene Grama e Simone Evaristo (na foto, acima)
Direção musical trilha original: Sérvulo Augusto
Direção da filmagem: Thiago Vasconcelos
Cenário: Kleber Montanheiro
Figurinos: Carol Badra
Desenho de luz: Adriana Dham
Vídeos: Stella Tobar
Fotos: Eduardo Petrini
Logo do espetáculo: Marcelo Tobar
Operação de luz: Júlio Avanci
Operação de som e vídeo: Stella Tobar
Diretor de produção: João Luís Gomes
Realização: Cia. de Teatro Diversão & Arte
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

Criado em 2021-03-25 20:14:15

Moro aprovou jornalistas do Roda Viva

Leandro Demori (*) –

O ministro Sergio Moro estará no Roda Viva na próxima segunda-feira (20/1). Ele aprovou os nomes dos jornalistas que estarão na bancada para entrevistá-lo, nós confirmamos com fontes. Não me espanta: Moro não sentaria em um canal ao vivo por duas horas sem saber quem estaria na sua frente. Ele, assim como Bolsonaro, vê parte da imprensa como inimiga. Logo ele, que tanto usou a imprensa para seu projeto de poder. Pra Moro, jornalista só serve se escreve notícias de joelhos.

Imagine o ex-juiz chegar lá e dar de cara com um dos dezenas de jornalistas que trabalharam e trabalham nos arquivos da Vaza Jato? Nessa hora não dá nem tempo de chamar o Deltan. Moro se preveniu.

Na semana que acaba hoje, o programa foi forçado a se manifestar sobre a ausência do The Intercept Brasil (TIB) na bancada – o público levou ao topo do Twitter a tag #InterceptNoRodaViva. Eu compreenderia um veto de Moro aos nossos nomes, mas o programa negou a interferência editorial do ministro: “Não pedimos sugestões nem submetemos a bancada ao entrevistado.” Então se não pedem sugestões e nem submetem a lista aos convidados, a formação da bancada sem nenhum dos vários jornalistas de vários veículos que participaram da Vaza Jato foi escolha deliberada do programa. Nessa versão dos fatos, Moro tem tanta confiança de que não precisará nos encarar que sequer precisa conhecer a lista. Vocês decidam o que é pior.

A campanha #InterceptNoRodaViva incomodou algumas pessoas. O Marcelo Tas (lembram dele?) mais uma vez atacou nossos jornalistas. Ele já tinha metido os pés pelas mãos antes. Com 9,5 milhões de seguidores e engajamento pífio digno de 9,5 milhões de robôs, Tas usa o TIB pra ter relevância no Twitter de tempos em tempos. Eu fico feliz que o TIB ajude o Marcelo Tas a ter relevância no Twitter uma vez por trimestre. Assim ele pode vender mais cursos sobre como ser relevante no Twitter. Geramos empregos! Vamos em frente!

O jornalista Pedro Doria entrou na onda: retuitou sem checar o ex-apresentador, e comentou: “Estou tentando lembrar quando foi a última vez que um veículo exigiu participar e moveu uma campanha para isso. E não consigo lembrar.” Pedro: você não consegue lembrar porque nunca existiu. A campanha partiu do público. Uma hora te mostro como pesquisar no Twitter (é fácil, prometo).

Os dois são exemplos de pessoas que não suportam que exista crítica de mídia no Brasil, porque eventualmente ela atingirá amigos e até a eles próprios (imagina se trabalhassem aqui no TIB, um dos veículos mais criticados do país...).

Na Itália, onde morei, é comum, até porque parte importante da TV é pública por lá (ei: a TV Cultura é pública também). Nos EUA nem se fala. Imaginem um programa onde o entrevistado fosse o já falecido Richard Nixon. Quem não gostaria de ver na bancada Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas do caso Watergate, que derrubou Nixon? Quem se incomodaria em ver o público pedindo a participação dos dois? No Brasil, tem gente que sim.

Mas já que o público pediu que um site fosse convidado pela TV pública para questionar um personagem público sobre temas de interesse público e não foi atendido, então vamos lá: na segunda-feira, no mesmo horário do Roda Viva (22h30), nós estaremos ao vivo no nosso canal do Youtube
_________________
(*) Leandro Demori, Editor Executivo do The Intercept Brasil.

Criado em 2020-01-18 16:52:05

Segundo turno: Haddad 29% x Bolsonaro 46%

Romário Schettino –

Com o fim das apurações, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou, neste domingo (7/10), os dois candidatos que irão para o segundo turno, a ser realizado no dia 28 de outubro. Fernando Haddad, Coligação Povo Feliz de Novo, PT-PCdoB-Pros), que obteve 29% dos votos válidos, vai disputar com Jair Bolsonaro, da Coligação Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos (PSL-PRTB), que recebeu 46% dos votos.

Essa diferença de 17% em favor de Bolsonaro exige de Haddad uma completa revisão de sua estratégia de campanha, busca de alianças no campo progressista (PDT, PSol, PSB e REDE) e mais partidos e lideranças de centro. São cerca de 17 milhões de votos a serem conquistados e isso é uma tarefa de grande monta.

O antipetismo encarnado por Bolsonaro se alastrou por lugares nunca antes imaginado. Isso ocorreu com tamanha virulência que qualquer analista pôde chegar à conclusão de que se tratava de uma campanha tipicamente nazi-fascista, com requintes de crueldade. Notícias fakes nas redes sociais, xingamentos e ameaças violentas.

Mas agora a busca pelo voto recomeça. Grande ajuda para o petista serão os governadores eleitos na Bahia, Ceará, Piauí e Pernambuco, além dos bem posicionados no Rio Grande do Norte e Alagoas. As derrotas de Fernando Pimentel e Dilma Rousseff em Minas Gerais, Eduardo Suplicy em São Paulo e Lindbergh no Rio de Janeiro, são complicadores, mas todos eles tiveram um número de eleitores consideráveis, o que não deixa de ser um capital eleitoral importante.

A tendência dos eleitores de Bolsonaro é manterem-se fieis, a não ser que a sua desconstrução durante os debates seja eficaz. Outra fonte de novos votos para Bolsonaro são os dos partidos derrotados (Podemos, Novo etc) de direita ou de extrema-direita, como o dele. Em um vídeo gravado para a internet Bolsonaro volta a atacar as urnas do TSE alegando que se "não fosse alguns problemas" teria ganhado no primeiro turno. O TSE tem que responder a essas insinuações.

Mas Haddad pode conquistar votos ainda entre os que se ausentaram no primeiro turno, ou votaram em branco ou nulo. Tudo vai depender de como o petista vai se apresentar novamente aos eleitores.

Um reforço importante na campanha de Haddad será o senador eleito pela Bahia, Jaques Wagner. Experiente na política, comandou a quarta vitória consecutiva do PT na Bahia e estará livre para reorganizar a campanha de Haddad e costurar alianças fundamentais. O PT terá que ter um olho no mercado e outro nas políticas públicas sociais, tão bem criadas por Lula em seus dois governos. O candidato do PT terá, também, que aprofundar as críticas que sempre fez aos erros de Dilma Rousseff e se desfazer da imagem de mero ventríloquo de Lula. Verdade ou não, foi o que ficou estampado na mídia.

Qualquer um que ganhar este segundo turno encontrará um Congresso Nacional, parcialmente renovado, mas com a chegada de parlamentares da pior espécie. Prova de que não basta renovar, tem que ter qualidade.

As campanhas retomam nesta segunda-feira e os desafios são grandes, desde combater as fake news espalhadas pela internet até conter a onda de violência que se espalhou Brasil afora por militantes da ultradireita armados até os dentes.

A esperança é que o Brasil chegue ao fim destas eleições em condições de continuar existindo como nação civilizada. Caso contrário, será a barbárie.

Criado em 2018-10-08 02:55:05

Contra o dólar, a China aposta na sua própria moeda internacional

Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –

Na última terça-feira, 28/3, Helen Davidson, a correspondente do Guardian na Austrália informou, citando a imprensa chinesa, que a China vai começar a testar na próxima semana o renminbi ou yuan digital em quatro de suas principais cidades, Shenzhen, Suzhou, Chengdu e Xiong’an, um distrito ao Sul de Beijing.

Funcionários públicos dessas localidades passarão a receber os salários na nova moeda, também referida como DCEP (Moeda Digital/ Pagamento Eletrônico), na sigla em inglês. Em Suzhou, o renminbi digital seria introduzido no sistema de transporte público, mas em Xiong’an serviria para comprar alimentos e artigos de varejo.

O print de um aplicativo que seria usado nas transações está circulando desde meados de abril. A McDonald’s já teria concordado em participar da experiência, mas a Starbucks, não.

Segundo a matéria de Helen Davidson, várias plataformas de pagamento digital já se difundiram pela China, como a Alipay, da Ant Financial da empresa chinesa Alibaba, e o WeChat Pay, da Tencent, mas não substituem a moeda corrente. O novo renminbi digital, por outro lado, seria lastreado no renminbi, a moeda oficial chinesa, também conhecida no Exterior como yuan, que é a sua unidade básica, dividida em 10 jiaos, cada jiao valendo 10 fens.

Nada a ver com o bitcoin - Alguns artigos da imprensa internacional, repercutindo a decisão do governo chinês, compararam a nova moeda digital chinesa às criptomoedas como o bitcoin. Nada mais falso. O renminbi digital terá como lastro a moeda corrente chinesa e será controlado pelo Banco Central. É dinheiro atrelado a um sistema de geração de valor, portanto. E está entrando em cena, declaradamente, para competir com o sistema internacional de pagamentos em dólar. Em contrapartida, o bitcoin e as outras criptomoedas só podem ser comparadas aos esquemas de pirâmide financeira, tendo os seus supostos valores baseados apenas na crença e confiança de seus portadores. Por isso é que elas são adequadas às transações efetuadas por esquemas mafiosos e terroristas, além do alcance e controle dos bancos centrais.

A nova moeda digital soberana chinesa, informa a correspondente do Guardian, vem sendo desenvolvida há alguns anos, e estava “quase pronta”, como se noticiou em agosto passado. Na semana passada, o jornal China Daily informou que “uma moeda digital soberana fornece uma alternativa funcional ao sistema de liquidação do dólar e atenua o impacto de quaisquer sanções ou ameaças de exclusão, tanto em nível de país quanto de empresa". O jornal afirmou ainda que a nova moeda “pode facilitar a integração nos mercados de moedas negociadas globalmente, com um risco reduzido de perturbações de inspiração política".

É exatamente disso que se trata. Diante das renovadas ameaçadas comerciais do presidente Donald Trump, a China resolveu pagar para ver, mas está botando na mesa as suas próprias fichas digitais. 

Respostas da China - Daryl Guppy, colunista financeiro australiano e autor de vários livros sobre a Bolsa e o comércio internacional, publicou na semana passada um artigo no China Daily, analisando os possíveis impactos dos mais recentes ataques dos americanos à República Popular da China. Uma das respostas dos chineses é exatamente a adoção do renminbi digital. A outra será o fortalecimento do Cinturão Econômico da Rota da Seda, destinado a desenvolver projetos de infraestrutura e investimentos em países da Europa, Ásia e África.

Os Estados Unidos, diz o analista australiano, estão numa situação bem pior do que aquela do pós-Crash de 2008. O petróleo está sendo negociado a preços negativos, o desemprego é nove vezes maior do que naquela época, o mau gerenciamento do sistema de saúde durante a pandemia do coronavírus, que favorece os ricos, provocou a morte de até duas mil pessoas por dia e, no entanto, o mercado de ações americano subiu cinco semanas seguidas. “Essa é uma desconexão impressionante entre a realidade econômica e o mercado financeiro”, escreveu Guppy. “Foi necessário um colapso no preço do petróleo para fazer o mercado americano acordar e se reconectar com a realidade econômica”.

Diante de um quadro de “hibernação deliberada da atividade econômica”, que expõe e mata as empresas que dependiam de crédito, e que não oferece qualquer perspectiva para a classe média e pobre, que vem se endividando cada vez mais nos últimos 20 anos, o que faz o governo americano? Renova as ameaças à China e aos países que fazem negócios com ela, colocando-se no caminho da sua recuperação. Como se a adoção de novas sanções contra a China não fosse provocar um efeito bumerangue, atingindo os próprios Estados Unidos…

Três impactos - Daryl Guppy menciona três impactos possíveis decorrentes desse quadro. O primeiro seria o “armamento do dólar, para que ele possa ser usado como braço forte da política externa americana. Isso seria executado através da imposição de sanções punitivas unilaterais, com a ameaça de excluir empresas do sistema de liquidação do dólar SWIFT. O presidente Trump mostrou uma crescente disposição de usar o acesso ao sistema de liquidação do dólar como arma de política externa”, diz Guppy.

SWIFT é a sigla de Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunications (Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais), da qual participam 11 mil casas financeiras que processam quase 34 milhões de transferências transnacionais de dinheiro diariamente.

É muito fácil você enviar hoje até mesmo pequenas somas de dinheiro entre países diferentes. Digamos que você queira remeter mil reais para alguém na França. Você baixa um aplicativo, por exemplo, da TransferWise, que é filiada à SWIFT. Indica a conta bancária do recebedor e o valor a ser transferido. A TransferWise emite um boleto para você pagar, no Banco Itaú, por exemplo. O valor é convertido na moeda local do destinatário, no caso, euros, remetido e recebido em um ou dois dias. A moeda de referência geral dessa liquidação é o dólar.

Armamento do dólar - Segundo Daryl Guppy, os Estados Unidos já usaram o “armamento do dólar” contra o Irã, em 2019, ameaçando com a exclusão do sistema de transferências da SWIFT as empresas europeias que faziam negócios com aquele país em conformidade com as resoluções da ONU. As sanções americanas, impostas unilateralmente, previam a exclusão do sistema de liquidação em dólar não apenas o Irã mas todas as firmas negociavam com o país. Sanções parecidas foram aplicadas à Venezuela e, mais recentemente, à Austrália, forçada pelos americanos a descartar um acordo com a empresa chinesa Huawei, em processo de contratação para fornecer serviços a sua nova rede ferroviária.

Guppy levanta a hipótese de que talvez seja impossível aplicar o “armamento do dólar” a toda a China, mas isso é factível contra empresas individuais, como já aconteceu com a Huawei, que está na vanguarda da tecnologia de comunicação 5G, e é alvo de ataques semanais por parte dos americanos.  

Resposta soberana - É aqui, segundo Daryl Guppy, que entra a resposta chinesa, projetada para combater o “armamento do dólar”, ao oferecer aos investidores e às empresas um sistema alternativo de liquidação comercial baseado no renminbi. A moeda digital soberana na China atenuaria o impacto de quaisquer sanções ou ameaças de exclusão, tanto ao país quanto às empresas. E, segundo Guppy, facilitaria a integração dos mercados que negociam moedas em todo o mundo, “com um risco reduzido de perturbações de inspiração política”.

O analista australiano diz que a estabilidade do yuan durante a crise da COVID-19 aumentou seu apelo para muitos investidores, e que os dois sistemas de liquidação, um, baseado no dólar americano, o outro, no renminbi digital, poderiam operar paralelamente ou, se necessário, de forma mutuamente exclusiva.

O terceiro impacto a ser provocado por mais sanções ou pelo afastamento dos americanos dos negócios com a China seria, segundo Guppy, o fortalecimento do Cinturão Econômico da Rota da Seda “como defensor do livre comércio e do comércio livre do comportamento agressivo de grandes nações que pouco se importam com os interesses de outros”.

Será preciso aguardar algumas semanas para julgar a performance da moeda digital chinesa no mercado interno e, depois, nas primeiras transações internacionais. Já é possível dizer, porém, que um país verdadeiramente soberano exerce as suas prerrogativas sem pedir licença para ninguém. A nova moeda nacional digital da China é uma das expressões da soberania daquele país. E ponto!

Criado em 2020-05-01 23:13:37

As janelas suburbanas do Rio em tempos de pandemia

Rafael Mattoso (*) –

Contabilizado um mês de quarentena desde o decreto do governo do Rio de Janeiro, certamente muitas coisas mudaram em nossas vidas. A pandemia do coronavírus não afetou apenas a cidade, o estado e o país em que vivemos. Também uma parcela significativa da população mundial teve que parar abruptamente suas atividades rotineiras frente à velocidade e à letalidade com que o novo vírus avança.

Em meio a tantas incertezas, buscamos sem sucesso projetar como e quando tudo isso vai acabar. As dúvidas se acumulam, e as poucas respostas que surgem são muitas vezes conflitantes. Sentimos na pele o estresse e a ansiedade aumentando a cada longo dia, fechados em casa. E abusamos da nossa imaginação em busca de meios para nos distrair e manter a calma. Assistir a filmes, procurar novos jogos, resgatar leituras, buscar músicas e até receitas culinárias na internet, tudo que possa ser um prazeroso aliado.

Seguindo essa estratégia, resolvi revisitar a obra do mestre mangueirense Angenor de Oliveira, principalmente por este ser o ano em que lembramos quatro décadas de seu falecimento. A grandiosidade poética da obra de Cartola confrontou-me, especialmente, através dos versos da canção A Cor da Esperança. Fiquei ainda mais surpreso ao descobrir que a música foi gravada primeiramente em 1978, pelo genial João Nogueira, criador do Clube do Samba. As coincidências vão além da parceria suburbana, pois neste ano também lamentamos os 20 anos da partida de João, do Méier para a eternidade.

O que não saiu da cabeça é a forma com que os versos se enquadram perfeitamente à realidade que estamos vivendo. Logo de início, a fórmula otimista assegura: “Amanhã a tristeza vai transformar-se em alegria e o sol vai brilhar no céu de um novo dia. Vamos sair pelas ruas, pelas ruas da cidade, peito aberto, cara ao sol da felicidade.”

Janela da Marechal Deodoro, foto de Roberta Domingos

Com perdão do trocadilho, o confinamento tem-nos levado a olhar de forma mais cuidada para dentro, tanto em relação ao espaço que ocupamos quanto ao peso das relações sociais. Temos refletido sobre a importância de nos afastar de pessoas que amamos, das rotinas de trabalho, do lazer e dos passeios pelas ruas da nossa cidade, tudo para combater o avanço da Covid-19.

Buscando resistir a tudo isso, muitas ideias criativas vão se sucedendo, e é claro que nos subúrbios isso não seria diferente. Além de muitas opções de lives, mais familiares e realistas quanto aos temas que envolvem nossas periferias, também temos trocas poéticas, correntes de solidariedade para os mais necessitados, músicas para os diversos gostos, ou seja, uma grande oferta de atrações que denunciam a nossa cumplicidade para superar este momento tão duro.

Algumas dessas atividades são divulgadas nas redes sociais de coletivos como Diálogos Suburbanos, Viradão Cultural Suburbano, Tem no Subúrbio, Espaço Travessia, IHGBI e Cineclube Subúrbio em Transe, entre outros. Foi assim que, integrando esse movimento, criamos em março de 2020, um canal no Youtube chamado Papo de Subúrbio. Trazendo sempre um convidado diferente para uma boa conversa, dividimos experiências, memórias, histórias e leituras de mundo a partir do ponto de vista dos subúrbios.

Uma outra iniciativa surgiu de um gesto simples. Recebi uma mensagem de uma amiga que estava muito tensa com o confinamento, alegando que o pior é não conseguir ver nem a vida em volta da sua casa, já que mora em um apartamento térreo, cercado de muros altos e outras construções. Tivemos, então, a ideia de compartilhar nossas vistas, nossos olhares para o mundo de quintais, varandas, portas e janelas suburbanas disponíveis.

Uma prima querida, Sheila Senna, escreveu, do alto de sua sensibilidade: “Dizem que os olhos são a janela da alma, mas hoje as janelas são nossos olhos para o mundo.” Eu me identifiquei tanto com a ideia, que me juntei ao pessoal para fotografar e trocar o que podíamos ver a partir de nossas janelas, criando, assim, uma forma de aproximação que, mesmo virtual, mostra que não estamos sozinhos, e sim unidos por algo maior – a vida e a saúde.

Cães na janela, foto de Ana Carolina Mota

Aqui o leitor poderá, então, contemplar uma pequena mostra das belas fotos compartilhadas durante a quarentena. E junto a elas, uma importante dose de esperança, tão necessária em tempos difíceis como este.

Na semana da Festa da Penha e de São Jorge, sem perder a fé e a resiliência, seguimos lutando e resistindo, como já bem dizia e cantava Cartola:

“O sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações.”

Ou:

“Sei que não é vã a cor da esperança a esperança do amanhã.”
_____________________
(*) Este texto foi escrito pelo historiador Rafael Mattoso em parceria com a jornalista Sandra Crespo.
Artigo publicado originalmente no site Veja Rio, no dia 22/4/2020.

 

 

Criado em 2020-04-23 03:02:21

Filme de Brasília compete em Festival Internacional de Documentários

O curta-metragem Cartas de Brasília, de Larissa Leite, terá estreia mundial no É Tudo Verdade 2021 – 26º Festival Internacional de Documentários. O mais importante evento dedicado à produção não-ficcional na América Latina acontecerá entre os dias 8 e 18 de abril deste ano. Devido à pandemia da Covid-19, o Festival será realizado em plataformas digitais e disponibilizado de forma totalmente gratuita, com acesso da programação em todo o território nacional.

A produção integra, ao lado de oito filmes nacionais, a Competição Brasileira de Curta-Metragem. Os nove selecionados da mostra competitiva abordam temas diversos, ainda que entrelaçados pela investigação em torno da memória. Larissa celebra a estreia no festival que, coincidentemente, ocorre no mesmo mês do aniversário de Brasília.

“A nossa produção foi finalizada em 2020 e já planejávamos estrear no aniversário de Brasília. É uma honra levar uma visão poética da história da cidade para ainda mais longe”, afirma a diretora fazendo um brinde à capital federal que, no dia 21 de abril, completa 61 anos.

Com classificação livre, Cartas de Brasília acompanha os passos do migrante Eliézer Alcântara Lima, pai da cineasta, em um roteiro afetivo pela cidade. Com os 11 irmãos, o maranhense deixou o interior do estado de origem para desbravar a nova capital. A jornada começou em 1968, quando a família Alcântara decidiu buscar novas oportunidades na cidade que então crescia. Até que todos se acomodassem de vez, 20 anos se passaram. E ao longo desse período, centenas de cartas foram trocadas.

Além de dar notícias, as cartas foram determinantes no incentivo mútuo para a mudança de cidade – e de vida. Eliézer foi o sexto irmão a nascer e o terceiro a se mudar para Brasília.

Após ter contato com os registros, a documentarista se motivou a investigar a história familiar em uma produção cinematográfica. “Eu lia as cartas e enxergava claramente a possibilidade do roteiro. Queria documentar a trajetória impressa ali, em papeis já desgastados pelo tempo, em movimento; em passos que voltariam ao passado e, quem sabe, trariam novos significados ao presente, a essa história particular que, ao mesmo tempo, é de tantas famílias brasileiras que apostaram em Brasília”, afirma Larissa Leite.

E para oferecer a sua versão da história, a cineasta estreante fez uma clara opção pela subjetividade. Além de revelar trechos de cartas e depoimentos de Eliézer, o curta é narrado pela própria diretora, que mergulha na memória coletiva e traz à tona suas próprias impressões. O filme ainda conta, no elenco, com todos os irmãos do protagonista.

É Tudo Verdade 2021

A seleção do É Tudo Verdade 2021 conta com 69 títulos de 23 países. A programação em streaming de filmes, master classes e debates estará distribuída pelas plataformas Looke, Itaú Cultural, Sesc em Casa, Spcine Play e no YouTube do É Tudo Verdade e no Canal Brasil. A cerimônia de premiação acontecerá às 17h do dia 18 de abril, no YouTube do Festival.

“O documentário não foi freado nem mesmo pela pior pandemia do último século”, sustenta Amir Labaki, diretor do Festival. “Alguns olhares inesquecíveis sobre este período cruel já marcam a seleção deste ano. É também extraordinário o vigor da produção brasileira, numa conjuntura tão adversa. Uma nova safra nacional e internacional pede passagem e merece toda atenção. Mesmo inviabilizado em seu formato convivial, o É Tudo Verdade, ao lado de seus parceiros, tem a honra de apresentá-la num festival digital com o mesmo padrão de excelência de suas edições presenciais”.

A 26ª edição do Festival faz ainda uma homenagem a Ruy Guerra, no marco da celebração de seus 90 anos em agosto próximo. O Festival também apresentará um ciclo especial de documentários que traça um panorama da vida e obra do cantor e compositor baiano Caetano Veloso, de sua participação nos festivais dos anos 1960 às turnês internacionais dos anos 2000. Os filmes terão sessões na plataforma Spcine Play, com três exceções, apresentadas no Canal Brasil e no É Tudo Verdade/Looke.

Sobre o Festival

O mais importante evento dedicado à produção não-ficcional na América do Sul foi fundado por Amir Labaki, também crítico de cinema. A primeira edição ocorreu em 1996 e, desde então, o festival tem sido realizado simultaneamente nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), além de contar com mostras itinerantes em outras cidades brasileiras. Diante do impacto da pandemia no país, desde 2020 o festival é realizado com exibição on-line – priorizando a saúde, a segurança e o bem-estar de público, cineastas, equipes dos filmes, dos parceiros e do festival. O É Tudo Verdade é um evento classificatório para o Oscar.
________________
Serviço:
Exibição de Cartas de Brasília no É Tudo Verdade
Local: Plataforma Looke - www.looke.com.br
Confira programação completa: www.etudoverdade.com.br

Criado em 2021-03-25 18:35:36

Morre Nilcéa Freire, aos 67 anos, ex-ministra de Lula

A ex-ministra Nilcéa Freire morreu na noite do último sábado (28/12) aos 67 anos, no Rio de Janeiro. Carioca, pesquisadora e médica, Nilcéa esteve à frente da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela também foi a primeira mulher a ocupar o cargo de reitora na Universidade do Estado do Rio (UERJ), onde implementou o sistema de cotas.

Criado em 2019-12-29 20:02:26

JK, a foice e o martelo

Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –

Rolava o ano de 1981. Algumas semanas antes da inauguração do Memorial JK no Eixo Monumental em Brasília, marcada para o dia 12 de setembro, retiraram os andaimes do pedestal que abrigaria a estátua do fundador. Alguns militares, que tinham medo dos comunistas se esconderem debaixo de suas camas, ficaram putos, vendo chifre em cabeça de cavalo. Diziam que a peça representava a foice da logo comunista. Imaginem, uma provocação diante do Forte Apache, o Quartel General do Exército, que fica ali perto.

Alguns achavam que o nhoque (expressão da jornalista Vera Manzolillo) que enfeita o topo do monumento representava a boina do Che Guevara.

Na época eu era correspondente do jornal Movimento. Liguei para o Oscar Niemeyer desde o Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados. O Oscar riu. Disse que o pessoal era muito criativo e tinha muita imaginação.

Pois o companheiro Fernando Tolentino, então repórter do Correio Braziliense, no dia do auge da polêmica, tinha saído pra reportar com o fotógrafo Francisco Gualberto. De repente, passando pelo Memorial, o Chico mandou o carro da reportagem parar para clicar a foto acima, com o operário levantando o martelo. Estava composta a logo comunista, foice e martelo, como imaginaram os gorilas. O Correio se recusou a publicar a foto. O Chico Gualberto presenteou-a ao Tolentino, que até hoje a tem na parede da sala de sua casa!

Criado em 2020-04-21 22:03:14

JK adotou Brasília, mas não é o único pai da criança

José Carlos Sigmaringa Seixas (*) –

Brasília completou 60 anos nesse 21 de abril de 2020. O grande homenageado pela construção da cidade planejada e futurista é o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. JK, no entanto, não é o único ou o verdadeiro pai de Brasília. Pode-se dizer que ele foi um bom padrasto. Brasília já estava em gestação quando ele assumiu a paternidade e criou as condições para a nova cidade florescer.

A transferência da capital da República para o Planalto Central já estava sendo tratada pelo governo federal desde 1953, quando o presidente Getúlio Vargas instituiu e nomeou os integrantes da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, criada pelo Congresso Nacional.

Em 1955, essa comissão já tinha definido a localização exata de Brasília e estabelecido diversos outros planos de trabalho necessários à construção da cidade, como a implantação de rodovias, o plano de comunicação, e até a construção de uma hidroelétrica, nas cachoeiras do Rio Paranoá, para fornecer eletricidade para os canteiros de obras.

A comissão determinou ainda a construção de um acampamento para abrigar os técnicos que vieram ao local realizar os trabalhos de demarcação e implantação de marcos demarcatórios. Tudo isso já tinha sido definido pela comissão, em 1955, dirigida pelo Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, nomeado pelo presidente Café Filho. Todo esse trabalho está detalhado no relatório, de mais de 200 páginas, elaborado pela comissão, atendendo às determinações de três decretos presidenciais: decretos 32.976/53, 33.769/53 e 36.598/54.

JK tomou posse na presidência da República em 31 de janeiro de 1956. Isso significa que ele já pegou tudo mastigado para dar início efetivamente às obras. Portanto, a tese de que tudo teria começado em um comício em Jataí, durante a campanha presidencial de 1955, não procede. É uma fantasia.

Na versão dos juscelinistas, a construção de Brasília não estava em pauta. E que tudo começou quando um rapaz, o Toniquinho, perguntou a JK durante o comício se ele ia cumprir o art. 4º das disposições transitórias da Constituição de 1946, que determinava a construção de Brasília. E JK teria respondido: se está na Constituição, cumprirei.

Essa casualidade é contestada pelos historiadores. Na verdade, a equipe de marketing da campanha de JK combinou com Toniquinho o momento exato em que ele faria a pergunta. Foi nessa hora, segundo a lenda, que JK lançou-se como o construtor de Brasília.

JK tinha pleno conhecimento do dispositivo constitucional e, inclusive, como bom mineiro, quando deputado, defendeu que o local de construção da nova capital fosse o triângulo mineiro, ignorando o amplo e criterioso trabalho realizado pela Missão Cruls em 1892 - clique aqui.

Tudo isso está detalhado em documentos disponíveis na web. O principal é o relatório da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, de 1955 – leia o documento clicando aqui.

Outro documento interessante é a monografia de conclusão do curso de História, em 2011, do formando da UnB, Felipe Ribeiro de Farias Mendes da Silva. Ele relata justamente o trabalho do deputado federal Juscelino Kubitschek para tentar localizar a nova capital em terras mineiras – clique aqui para ler a monografia.

JK efetivamente foi o presidente que executou a construção de Brasília, mas ele apenas deu prosseguimento ao trabalho iniciado pelo Congresso brasileiro com o decisivo apoio dos presidentes Getúlio Vargas e Café Filho ao implementarem a Comissão de Localização da Nova Capital Federal criada pelo Parlamento.
____________________
(*) José Carlos Sigmaringa Seixas é jornalista.
Com colaboração de Romário Schettino.
Artigo relacionado: A monumental cascata de Dom Bosco

 

Criado em 2020-04-23 02:25:57

Pesquisa sobre o MAB conta sua história desde o início

Nesta quarta-feira, 24/3, às 19h30, será apresentado um seminário através da web, ou seja, um webnário, da pesquisa de Maíra Oliveira Guimarães sobre o Museu de Arte de Brasília (MAB) desde o Anexo do Brasília Palace Hotel. Nesse dia será realizado um bate papo com Sylvia Ficher e Pedro P. Palazzo, professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB (FAU/UnB) e autores do prefácio e posfácio do livro.

O evento poderá ser acessado por este link no YouTube.

Devido aos números crescentes da pandemia da Covid-19 no Distrito Federal, não há previsão de realização de eventos presenciais para a retirada dos livros. Os interessados devem encomendar o seu exemplar via Correios, ao preço de R$ 20. O formulário para solicitação está disponível no seguinte link: clique aqui

Para aqueles que preferirem esperar para retirar seu livro presencial e gratuitamente haverá um formulário especialmente para a reserva e para o envio de dados que nos auxiliem a dimensionar a distribuição, para quando for mais seguro. A pesquisa foi patrocinada pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC). Esse tipo de formulário está disponível no seguinte link: clique aqui

Criado em 2021-03-23 01:00:11

Servidores da Adasa denunciam projeto de Ibaneis

Os servidores de carreira da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa) divulgaram hoje (11/12) nota pública a respeito de anteprojeto de lei de iniciativa do governador Ibaneis Rocha (MDB), que aumenta de quatro para sete o número de diretores do órgão e ainda cria mais oito cargos em comissão com salários mensais que variam de R$ 5 mil a R$ 13 mil.

A Associação dos Servidores da Adasa (Ascadasa), por meio de seus dirigentes e decisão aprovada em assembleia geral, informa que “nenhum benefício aos cidadãos do Distrito Federal justifica essa alteração na lei da Adasa, muito menos com uma urgência desnecessária”.

A Ascadasa sugere ao Governo do DF e à Câmara Legislativa que não deem prosseguimento ao envio e aprovação deste anteprojeto de lei.

Eis a íntegra da carta aberta da Ascadasa:

“Os servidores da Carreira Regulação de Serviços Públicos da Adasa, por meio da Associação dos Servidores e Colaboradores da Adasa (Ascadasa) vêm a público dar suas considerações a respeito de anteprojeto de lei de iniciativa do GDF que, dentre outras providências, aumenta de 4 (quatro) para 7 (sete) o número de diretores desta Agência e cria mais 8 (oito) cargos em comissão.

Nos termos da Lei Distrital nº 4.285/2008, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal - Adasa é uma autarquia dotada de regime especial e personalidade jurídica de direito público, com autonomia patrimonial, administrativa e financeira. O regime especial conferido à Adasa é caracterizado, sobretudo, por mandato fixo e não coincidente de seus diretores, independência decisória, diretoria organizada em forma de colegiado e ausência de subordinação hierárquica.

A caracterização da Adasa como um órgão público especial, com

Independência decisória, se justifica pela necessidade de reduzir a influência política em decisões que estabelecem critérios técnicos, que impactam toda a sociedade como:

1) a “repartição” da água entre moradores das cidades e agricultores, especialmente nas situações de escassez hídrica;

 2) o estabelecimento das exigências de qualidade dos serviços públicos de saneamento; e

 3) a fixação das tarifas de água e esgoto que a Caesb cobra dos usuários dos seus serviços.

Faz mais de dez anos que foi realizado o único concurso público da Adasa e, de fato, é necessário o reforço nos seus recursos humanos, mas não pelo aumento do número de diretores ou simplesmente por acréscimo no número de cargos em comissão. Para cuidar de nossas águas e zelar pela qualidade dos serviços públicos de saneamento básico, o que a Agência precisa é de pessoal com formação técnica especializada. Ressalta-se que existe um concurso público já autorizado, com realização prevista para ocorrer em 2020.

Por outro lado, não existe na Adasa qualquer estudo que indique a necessidade de mais 3 (três) diretores para a Agência. Há que se registrar que para as agências reguladoras federais, com competência em todo território nacional, a Lei Federal nº 13.848/2019 fixa em 5 (cinco) o número máximo de diretores.

O anteprojeto de lei fragiliza a autonomia decisória da Agência, facilitando indicações políticas em detrimento de escolhas técnicas. A legislação distrital exige que os dirigentes de agências reguladoras tenham reputação ilibada, notório conhecimento no campo de sua especialidade, experiência profissional comprovada e formação acadêmica compatível com o cargo.

Nenhum benefício aos cidadãos do Distrito Federal justifica essa alteração na lei da Adasa, muito menos com uma urgência desnecessária.

A Ascadasa sugere ao Governo do DF e à Câmara Distrital que não deem prosseguimento ao envio e aprovação deste anteprojeto de lei.

Nessa oportunidade, os servidores da Carreira Regulação de Serviços Públicos se colocam à disposição para colaborar nas iniciativas que visem ao aperfeiçoamento da legislação, da organização e do funcionamento da Agência.

Brasília, seus cidadãos, suas águas e seus serviços públicos de saneamento básico merecem mais.

Aprovada em Assembleia dos servidores da Carreira Regulação de Serviços Públicos em 11 de dezembro de 2019”.

Assinam o documento:

WENDEL VANDERLEI LOPES

Presidente

ANDERSON LUIZ PORTO COSTA

Vice-presidente

SILENA JAIME

Diretora Administrativa

IGOR MEDEIROS DA SILVA

Diretor Jurídico

RODRIGO MARQUES DE MELLO

Diretor Sócio-Cultural

Criado em 2019-12-11 18:42:56

Milhares de mulheres vão às ruas contra Bolsonaro

Romário Schettino –

O Brasil foi sacudido neste sábado (29/9) pelo Movimento #EleNão, surgido na internet e organizado por mulheres de todas as tendências políticas e camadas sociais. A movimentação unificou a luta das feministas, dos negros, LGBTs, indígenas e demais minorias contra as declarações fascistas de Jair Bolsonaro, candidato da extrema direita à Presidência da República.

Cerca de dois milhões de pessoas saíram às ruas no Brasil e em várias partes do mundo para dizer não ao nazi-fascismo que se apresenta nessas eleições sob a sigla do nanico Partido Social Liberal (PSL), onde se aninhou o capitão Jair Bolsonaro.

A manifestação não defendia nenhum outro candidato especificamente, mas é mais provável que os resultados das próximas pesquisas favoreçam o candidato do PT, Fernando Haddad, que está em segundo lugar, bem à frente da terceira posição. Ciro Gomes, Marina, Boulos e Alckmin também podem receber algum benefício, mas pouco. O tempo é curto para reverter essa situação, embora os institutos de pesquisa não afirmem ser essa a última palavra do eleitor. É preciso esperar o dia 7 de outubro.

O fato é que a manifestação de sábado provocou um estrago monumental na campanha de Bolsonaro e tudo indica que o embate no segundo turno será mesmo entre Bolsonaro e Haddad, podendo ser, inclusive, que o candidato petista chegue em primeiro lugar. A polarização que antes era entre PT e PSDB, agora é entre PT e o antipetismo assumido por Bolsonaro.

As apostas vão desde vitória de Haddad até uma eventual quartelada para tentar impedir sua posse.

Bolsonaro já disse em entrevista à TV Bandeirante que não aceita nenhum resultado que não seja a sua vitória. Deu a entender que a revolta pode vir das ruas, ou dos quarteis. Sabe-se lá o que isso quer dizer. O ex-ministro da Defesa de Dilma Rousseff, embaixador Celso Amorim, disse em entrevista à revista Carta Capital que essa hipótese de quartelada não representa a opinião da maioria das Forças Armadas, que tende a apoiar não só o resultado da eleição, como a manutenção do Estado Democrático de Direito.

Por sua vez, o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, já veio a público descartar qualquer tipo de resistência aos resultados da eleição. E disse à imprensa que "Bolsonaro não representa as Forças Armadas".

Pode-se considerar também que as declarações de Bolsonaro não passam de bravatas de quem já percebeu que vai perder a eleição, na tentativa desesperada de ameaçar os indecisos e os desavisados.

A eleição está polarizada nos atuais níveis porque a grande imprensa trabalhou nesse sentido. O partido de Bolsonaro não representa nada em termos sociais e políticos, mas seu candidato se aproveitou da demonização do PT promovida pela grande mídia associada ao Judiciário seletivo. Bolsonaro, nesse clima, conseguiu levantar parte da opinião pública com um discurso simplista, militarista e demagógico.

Além disso, Bolsonaro leva consigo um general de pijama despreparado para o trato com a sociedade brasileira sobre a qual despeja todo tipo de preconceito contra pobres, pretos e mulheres. Nesse mar de afirmações fascistas, o brasileiro vai às urnas para definir o futuro do país.

As mulheres, que são a maioria da população, reagem a tempo e podem impedir que o Brasil seja entregue ao pior dos mundos. Aliás, essa percepção também é compartilhada pelos democratas mundo afora, onde o #EleNão também foi às ruas com muita força.

Criado em 2018-09-30 16:29:08

Chega de manifestos!

 (À maneira do Maiakovski)

Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –

Mal rompe a manhã
chegam as notas de protesto
os abaixo-assinados
e os manifestos
       para dar um basta
                           ao Bolsonaro

Basta!
         Basta!
                  Basta!

Chega!
           Chega!
                      Fora!

Ninguém aguenta mais
                             o palavrório!

Não bastasse o vírus
é preciso erradicar a peste
que tudo conspurca:
a democracia
a economia
o sentido de comunidade
até os remédios contra a pandemia

Não bastasse a praga
é preciso agora também combater
a inflação
        de manifestos
                        abaixo-assinados
                                            e notas de protesto  

Por favor, publiquem mais um manifesto
pra acabar com essa epidemia de manifestos!

Criado em 2020-04-20 17:44:02

Chega de patriarcado! "Feme sapiens", já!

Rogério Neuwald (*) –

Lembro que as primeiras vezes que ouvi fofocas, ainda menino, fiquei estupefato pelos acontecimentos. O feminino era sempre o motivo do assunto. A vizinha que traiu o marido, a menina moça que beijava todos os rapazes da vizinhança, a garota que andava com roupas de menino, as duas meninas que passeavam de mãos dadas. Já os maridos que frequentavam a zona, os rapazes que se embebedavam na noite anterior, o pai que batera na filha e na mulher nunca eram motivos da boataria. Isso me causava desconforto e confusão na mente. Confusão que gerou angústia e reflexão ao longo do tempo.

O mais estranho era que, em todo final de tarde, um senhor aposentado sentava-se à porta da casa com sua cuia de mate e palestrava para a meninada – "meninada" que só o termo é no feminino. Os ouvintes eram todos meninos.

Sentávamos na calçada para ouvir suas estórias, da menina que era bonita e andava de saia curta, da dona de casa que estava saindo muito, à tarde, sozinha, e ninguém sabia onde ela estava indo. O cidadão aposentado enfatizava a vantagem de sermos homens e os privilégios da condição masculina. Eram conversas intrigantes não pela veracidade, mas pela apologia à supremacia do macho.

No bairro, quando surgia uma fofoca, todas tinham origem numa mulher. "Viram o que aconteceu com fulano? A dona Maria, ou a dona Joana, ou a dona cicrana, me contou". As fofocas saíam todas da boca de mulheres, mas morriam no bairro mesmo, pois logo se via que eram mentirosas.

Enquanto isso, a reputação das pessoas, mulheres na maioria, já tinha caído na boca do povo. Os homens, estes, continuavam frequentando a zona, seguindo com suas bebedeiras, agredindo, violentando adolescentes e sonegando impostos.

Os tempos evoluíram... será??

Hoje com a informação instantânea falamos com o outro lado do planeta, fazemos operações bancárias sem sair da casa, passamos dia e noite nas redes recebendo e repassando fofocas. A situação que era restrita ao bairro agora está no mundo.

Compartilham-se informações sem saber da veracidade, como no bairro, na ânsia do espírito masculino da competição, de ser o primeiro, de estar contribuindo com o domínio de nossas verdades, que são de opinião e não de conhecimento.

Em uma hora recebemos mais fofocas do que toda a juventude de todo um bairro. Aquilo que causava espanto no passado, mesmo sendo mentira, por preconceito, por mero descompromisso com a verdade, não é motivo de comentários, apenas de um encaminhar via zap, facebook, instagram, twitter, alimentando fofocas em escala planetária, as fake news.

Mas de onde vêm as fofocas hoje? Penso em Steve Bannon, o fofoqueiro universal, que como outros de mesma cepa viaja mundo afora procriando governos de extrema direita, cujo único trabalho é o de disseminar mentiras e dominar o fazer político, que já não existe mais como tal. Olavo de Carvalho, mesmo morando nos Estados Unidos, alimenta o gabinete do ódio do clã Bolsonaro e gera a discórdia no Brasil.

E o que esses personagens têm em comum? São homens, ditos da espécie homo sapiens, que se julgam superiores e crentes de que incentivando a competição, a mentira, o preconceito, a violência, podem continuar alimentando o lado mais perverso da maldade masculina: o do poder e o da morte.

Em momento de prisão domiciliar, como este da crise do "coronavírus", e de muita reflexão entre incertezas, resta ao menos uma certeza: há os que defendem a morte e há os que defendem a vida, a "Pacha Mama", do culto andino.

O "Ele Não!", protagonizado nas eleições de 2018, foi um movimento feminino, não só baseado na forte intuição das mulheres como em sua percepção imediata do histórico de vida do candidato à presidência.

Mas os fofoqueiros de sempre, os mesmos, os do espírito de porco que agora nutrem os Bolsonaro, trataram de desacreditar o movimento com imagens falsas e difamações absurdas, negando o principal motivo da iniciativa das mulheres: a defesa e a proteção da vida.

Talvez, na tentativa de encontrar as diferenças entre o feminino e o masculino possa se considerar mesmo que a principal delas seja a das emoções e de como lidamos com elas. Mulheres trabalham melhor que os homens as emoções, processam melhor, entendem melhor, usam melhor os sentimentos, são mais sábias que os homens.

O feminino, por trabalhar em harmonia o cérebro e o coração, pratica muito mais a empatia e a alteridade do que o masculino, o que leva à compaixão e a desperta ao seu redor. Mulheres são vida: nascimento e esperança. No mundo ideal, o masculino e feminino devem estar em complementariedade.

As lutas feministas avançam em todo o planeta. Mulheres guerreiras no sentido da força e da perseverança estão em busca da igualdade e a cada dia mais e mais libertas. Mas os "homo" do poder são muitos e com os seus maiores aliados, o ódio e a violência, insistem na tese de dominar as sociedades. O patriarcado ainda impera.

Numa rude metáfora, o feminino é o Estado e o masculino o Deus Mercado. Este que incentiva a competição, o cada um por si, a lei do mais forte, a meritocracia, a desigualdade, a riqueza de poucos, o corruptor. O Estado é que acolhe na crise, que cobra e distribui com justiça, para a saúde, a escola, a velhice, a cidadania.

Então, das muitas lições da crise do Covid-19 e em meio a tantas incertezas, talvez a mais real e necessária seja a reflexão que precisamos fazer sobre o masculino.

O homem que se considera sábio caducou com suas mentiras e está matando o planeta e toda a vida nele contida. Não sabe dar as respostas necessárias à sobrevivência de todas as espécies. Não sabe conviver em estado de harmonia, solidariedade e cooperação.

Temos que continuar sapiens mas, agora, com o destino da humanidade devendo ficar mais no coração e nas mãos das mulheres. É hora de passar a limpo até a nomenclatura, para "mulier sapiens” ou quem sabe "feme sapiens", para podermos entrar em um mundo mais justo, equilibrado, generoso e saudável.

Outra coisa: não provenho do mundo das letras. Só escrevi porque acredito mesmo que a regência pelo universo feminino é o caminho que poderá nos levar ao equilíbrio planetário.
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(*) Rogério Neuwald é engenheiro e mora em Brasília.

 

Criado em 2020-04-22 20:04:47

Opereta “A Peste”, on-line, direto de Niterói

A opereta A Peste, escrita e dirigida por Cyro Delvizio, ganha sua primeira montagem, com transmissão on-line direto de Niterói (RJ), de 28 a 30 de março, às 18h e às 21h, todos os dias.

Inspirada na pandemia mundial do coronavírus, a opereta de Delvizio, um dos mais destacados violonistas, compositores e pesquisadores de sua geração, é cantada em português e acessível a todos os públicos, será encenada, sem público presente, no palco do Teatro Popular Oscar Niemeyer.

No ano passado, devido ao rigoroso distanciamento que a doença impôs ao convívio social, a peça foi lançada em duas partes no YouTube, quando, por iniciativa própria, seis músicos (três cantores e três instrumentistas) se uniram fazer uma montagem completamente remota de uma opereta inédita, cantada em português e com linguagem e estética acessíveis ao grande público.

Por meio da Lei Aldir Blanc, a ópera, agora, será encenada em palco, sem a presença do público, com transmissão online e contribuição voluntária (os ingressos variam entre R$ 5 e R$10, e poderão ser adquiridos através do site da Sympla). Previamente às sessões, haverá uma breve explicação do compositor sobre a obra, que, no final, também estará disponível no chat para conversar com os espectadores. Posteriormente, a opereta A Peste será divulgada exclusivamente nas redes sociais do projeto.

Estarão no palco, além do próprio Cyro Delvizio (violão), a soprano Manuelai Camargo, o tenor Guilherme Moreira, David Monteiro (narrador e baixo-voz), a flautista Clarissa Bomfim e o violoncelista Paulo Santoro. A narrativa traça paralelos com o momento atual da humanidade, porém ambientada na Síria. Um Príncipe está retornando a Damasco após viagem diplomática, cantando sobre sua futura glória quando for coroado Sultão. Porém, logo enfrentará um grande dilema: após dar carona a uma velha senhora, ele descobre que ela é a Peste em pessoa justamente quando chegam aos portões de Damasco. A partir daí, o Príncipe se vê dividido entre seu instinto de autoproteção e seu sonho de ser o futuro Sultão, refletindo também sobre sua consideração por seu povo e sua cidade.

Inspirada na pandemia ainda vigente, Cyro Delvizio realizou esforço pessoal não só para concretizar essa “transposição” entre as diferentes épocas, mas para criar uma obra metalinguística que fomentasse reflexões sobre este difícil e singular momento da civilização, atentasse para o zelo sanitário e ainda aproximasse o público leigo da ópera ao tratar de um tema atual e afeito a sua realidade: “Em 2020, a montagem on-line autoproduzida -  também graças a vaquinha virtual -  foi pensada inicialmente para esta realidade remota e um pouco para colocar para fora os meus sentimentos durante o isolamento”, aponta Cyro Delvízio.

“Agora, com o apoio da Lei Aldir Blanc, conseguiremos não somente colocar a opereta em palco, mas fazer isso com toda a segurança que o momento exige: a equipe enxuta, poucos ensaios, curta duração do espetáculo (45 minutos) e teatro com espaços. O grande palco propiciará o distanciamento físico dos músicos e cantores, que também farão testes de Covid. Temos que nos reinventar e até reinventar o processo habitual de uma montagem desse tipo, com a responsabilidade de mostrar que é possível um retorno gradual de espetáculos como o nosso, mantendo a segurança em primeiro lugar”, conclui.

Ficha técnica:
Concepção e compositor
: Cyro Delvizio
Direção artística e musical: Cyro Delvizio
Direção Geral e de Arte: Joana Lebreiro e Brunna Napoleão
Figurinista e Cenógrafa: Marieta Spada
Intérpretes:
A Peste (soprano): Manuelai Camargo
Príncipe (tenor): Guilherme Moreira
Narrador e Sultão (baixo): David Monteiro
Flauta: Clarissa Bomfim
Violoncelo: Paulo Santoro
Violão: Cyro Delvizio

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Serviço:
Opereta: A PESTE – Transmissão on-line em seis sessões.
Local: Teatro Popular Oscar Niemeyer - Niterói/RJ
Dias: 28 (domingo), 29 (segunda) e 30/3 (terça).
Horário: Às 18h e 21h de cada dia
Duração do espetáculo: 45 minutos
Classificação: 12 anos
Ingressos: https://linktr.ee/operetaapeste
(Os ingressos serão comercializados com os seguintes valores: R$ 0 / R$ 5 / R$ 10. A contribuição é voluntária).
Informações: Facebook/operetaapeste  /  Instagram @operetaapeste

Criado em 2021-03-22 16:27:05

Ibaneis cria sinecura para apaniguados na Adasa

Romário Schettino –

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), decidiu encaminhar à Câmara Legislativa um projeto de lei que cria sinecuras para seus apaniguados políticos na Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal (Adasa-DF).

Sem nenhum estudo quanto à necessidade de ampliação do quadro de funcionários com cargos de confiança, Ibaneis pretende criar oito CNEs (cargos de natureza especial) com salários que variam de R$ 5.700 a R$ 13.900, gerando uma despesa mensal de R$ 102.900, sem considerar as despesas indiretas (13º, férias, vale refeição e outros benefícios).

Trata-se de clara intenção de prover cargos para preenchimento político, no momento em que se faz cortes em diversas áreas do serviço público. Nada justifica essa mudança na lei da Adasa.

O mais curioso nessa história é que não houve demanda da Adasa para criação de mais três cargos de diretor previstos na proposta e não há justificativa técnica efetiva para essa iniciativa. O projeto em estudo prevê que a diretoria passaria de quatro para sete diretores, sendo um deles o Diretor Presidente, todos nomeados pelo governador com mandatos não coincidentes de cinco anos.

Os diretores não têm responsabilidades específicas, a direção é dada pela diretoria colegiada. Um dos diretores faz o papel de corregedor e outro o de substituto do presidente.

A proposta ainda está em tramitação interna no GDF, mas a previsão é que o PL seja encaminhado ainda este ano, no apagar das luzes, para ser aprovado em regime de urgência urgentíssima.

Deputados da oposição já receberam a sinalização de que o projeto é polêmico e desprovido de qualquer urgência. “Pelo contrário, trata-se de clara manobra política do governador para atender a seus interesses e de seus aliados”, disse uma fonte.

A deputada distrital Arlete Sampaio (PT) - foto, abaixo -, tomou conhecimento das pretensões de Ibaneis e disse que é “um absurdo criar tantos cargos com salários altos, sem necessidade, quando há setores do funcionalismo sem receber seus salários em dia”. Para a deputada, esse projeto é apenas “para criar um cabide de empregos, sem discussão com a área supostamente beneficiada, onde há, inclusive, diretores que sequer cumprem as suas funções adequadamente”.

 

A proposição apresentada pela Casa Civil de Ibaneis para estudo interno tem o nº 27996436. É com ela que se pretende modificar a Lei Distrital nº 4.285/2008. A diretoria atual tem três membros mais o presidente, todos com mandato de cinco anos, irremovíveis a não ser em razão de fato grave. O atual governador já nomeou um dos atuais diretores (Raimundo da Silva Ribeiro Neto, ex-deputado distrital do PSDB). O mandato de outro diretor vence ainda este ano e o do presidente no segundo semestre do ano que vem.

Registre-se que Raimundo Ribeiro não tem notório conhecimento em regulação dos usos de recursos hídricos como exigido pelo parágrafo 1º, do artigo 16, da lei 4.285: “§ 1º - Os diretores deverão ter formação de nível superior, notório conhecimento em regulação dos usos de recursos hídricos e de serviços públicos, reputação ilibada e comprovada experiência profissional”.

As despesas com a remuneração dos novos cargos em comissão incidirão no orçamento da Adasa, autarquia do Distrito Federal, com fontes específicas para cobrir suas despesas. Como autarquia do DF, o orçamento da Adasa integra o Orçamento do GDF e suas receitas pertencem ao Tesouro do DF, mesmo tendo destinação específica. Em última instância, é sempre o contribuinte quem paga as despesas da Adasa.

Para o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção DF (Abes-DF), Sérgio Gonçalves, a proposta do governador Ibaneis “é preocupante, pois além de gerar despesas significativas em um momento de arrocho nos gastos públicos em outras áreas, ela não foi debatida com a sociedade”. “Espero que o GDF não dê continuidade a esse projeto de lei. Para quê tantos cargos?”, pergunta Gonçalves.

Segundo o site G1, o governador Ibaneis Rocha viajou para a Itália, onde pretende manter encontro com o Papa Francisco. Ibaneis viajou acompanhado da primeira-dama, Mayara Noronha, e do filho, Mateus. O retorno a Brasília está previsto para 12 de dezembro.

O envio do projeto de lei às CLDF para modificar a legislação da Adasa aguarda a volta do governador, com ou sem a benção do Papa.

Criado em 2019-12-07 20:10:37

Brasília, 60 anos

Antônio Carlos Queiroz (ACQ) –

I – Anjos

Não se pode fiar em anjos
da guarda aqui em Brasília -
São de prata e alumínio
pensos com fios de aço

como os traços do sonho
euclidiano da cidade
bem parida mas sequestrada
e criada sob relho em riste

II – Hic sunt dracones

Não são anjos, são dragões
que partem de suas cadeiras
para esvoaçar sobre os Eixos
caçando as esperanças

que sepultam no campo próprio
ou viram pó no paraíso
do Entorno, na vizinhança
do esquálido Céu Azul

III – Venturis ventis

De ventos se vive em Brasília,
ventos de sonho e futuro -
Sonho do Dom Bosco
Sonhos do Juscelino

Sonhos do Lúcio Costa
Sonhos do Oscar Niemeyer
Sonhos do Athos Bulcão
Sonhos do Anísio Teixeira

IV – Venturis ventis 2

Sonhos do Darcy Ribeiro -
Tantos sonhos, tontos sonhos
tirados do País do Futuro
do sonhador Stefan Zweig

que impaciente com a chegada
da aurora resolveu dormir
para sempre em Petrópolis,
sonhando com serpentes -

V – Da mesma matéria dos sonhos

Antes de enterrar Clóvis Sena,
suave poeta e jornalista,
ele me contou que ao chegar
de ônibus na Capital

os postes do Eixão Sul
foram se inclinando para
lhe dar as boas vindas -
Trazia sonhos na mala e cuia

VI – Em se plantando… já!

Na era de ouro do passado
ou no futuro radiante
vive quem sonha deitado
eternamente em berço esplêndido

É melhor semear (á)gora
pra colher no dia seguinte -
Do futuro ninguém sabe
e o passado é uma ameaça

Criado em 2020-04-19 18:03:07

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