Bonus pages

  • Como Apoiar
  • Contato

Main Menu

  • Capa
  • Artigos
  • Política
  • Cultura
  • Cidades
  • Entrevistas
  • Colunas
  • Crônicas & Agudas
  • Vídeos
  • Como Apoiar
BRASILIÁRIOS.COM BRASILIÁRIOS.COM BRASILIÁRIOS.COM
  • Capa
  • Artigos
  • Política
  • Cultura
  • Cidades
  • Entrevistas
  • Colunas
  • Crônicas & Agudas
  • Vídeos
  • Como Apoiar
Pesquisar por:
Pesquisar somente:

Total: 1890 results found.

Página 65 de 95

Haddad: “Democracia está em jogo. Bolsonaro tentou fraudar eleições”

O candidato do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, Fernando Haddad, afirmou que a “reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira (18/10) confirmou o que o PT vem denunciando ao longo do processo eleitoral: a campanha do deputado Jair Bolsonaro recebe financiamento ilegal e milionário de grandes empresas para manter uma indústria de mentiras na rede social WhatsApp”.

A “indústria de mentiras” de Bolsonaro virou notícia no mundo todo e o Ministério Público Eleitoral (MPE) também deve apurar suspeita de caixa 2 em sua campanha.

"O importante agora é prender os empresários que, com caixa 2, financiaram o Bolsonaro em uma campanha de difamação. Se você prender um empresário, ele vai fazer delação premiada e entregará a quadrilha toda. Nós estamos falando aí de 20 a 30 empresários envolvidos nesse esquema”, afirmou Haddad.

Para o candidato do PT, “é a democracia que está em jogo. Ele [Bolsonaro] tentou fraudar as eleições. Felizmente, não deu para ele no primeiro turno, porque, se não, tudo isso ia para baixo do tapete”.

Fernando Haddad explicou que, em seu governo, serão ampliadas as responsabilidades da Polícia Federal para fazer o combate ao crime organizado, em função do fato de as organizações criminosas estarem atuando em âmbito nacional.

“Para ele, há a necessidade se ter uma polícia nacional, porque, se não, as polícias locais não terão fôlego para combater homicídio, estupro e roubo, que é o desejo da população”, disse Haddad.

Com relação às ações nas fronteiras, o candidato do PT disse que antecipará a entrega do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), que foi prorrogado pelo governo Temer para apenas 2035. “Nós queremos antecipar em dez anos a entrega do sistema, que é de inteligência. Isso porque, com 17 mil Km de fronteira seca, é impossível cobrir isso com recurso humano, tem que ter inteligência e equipamento”, esclareceu.

Haddad ainda explicou outra vantagem do Sisfron, que é o combate ao contrabando, que refletirá diretamente no aumento da arrecadação. “O contrabando promove uma evasão de divisas muito grande. Então, o Sisfron dá lucro, não dá prejuízo”, acrescentou Haddad.

Artistas

Um grupo de artistas, que inclui as atrizes Sonia Braga, Zezé Polessa, Leticia Sabatella, o ator Vladimir Brichta e o cantor Caetano Veloso, pede explicações para a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, sobre empresas que compraram pacote de disparo de mensagens contra o PT nessas eleições.

“Prezada ministra Rosa Weber, desde o princípio das eleições estamos tendo que conviver com esses crimes eleitorais”, diz a atriz Sonia Braga.

Ela cita o caso em que o filho do candidato Jair Bolsonaro (PSL), Eduardo Bolsonaro, pede para os eleitores filmarem a cabine de votação – prática que também configura crime eleitoral – e a notícia do “kit gay” usada pela campanha de Bolsonaro contra Fernando Haddad (PT) e que foi comprava ser falsa.

“Senhora ministra, qual a posição do TSE? Nós estamos aguardando, nós queremos o melhor para o Brasil, nós queremos justiça”, diz a atriz.

Nota do PT

A Comissão Executiva Nacional do PT divulgou nota em que denuncia o esquema de Caixa 2 de Bolsonaro para financiar a indústria de mentiras nas redes sociais. O PT informa também que pediu “à Polícia Federal, uma investigação das práticas criminosas do deputado Jair Bolsonaro”.

Eis a íntegra da nota:

“Pelo menos quatro empresas foram contratadas para disparar mensagens ofensivas e mentirosas contra o PT e o candidato Fernando Haddad, segundo a reportagem, a preços que chegam a R$ 12 milhões. A indústria de mentiras vale-se de números telefônicos no estrangeiro, para dificultar a identificação e burlar as regras da rede social.

É uma ação coordenada para influir no processo eleitoral, que não pode ser ignorada pela Justiça Eleitoral nem ficar impune. O PT requereu nesta quarta (17), à Polícia Federal, uma investigação das práticas criminosas do deputado Jair Bolsonaro. Estamos tomando todas as medidas judiciais para que ele responda por seus crimes, dentre eles o uso de caixa 2, pois os gastos milionários com a indústria de mentiras não são declarados por sua campanha.

Os métodos criminosos do deputado Jair Bolsonaro são intoleráveis na democracia. As instituições brasileiras têm a obrigação de agir em defesa da lisura do processo eleitoral. As redes sociais não podem assistir passivamente sua utilização para difundir mentiras e ofensas, tornando-se cúmplices da manipulação de milhões de usuários.

O PT levará essas graves denúncias a todas as instâncias no Brasil e no mundo. Mais do que o resultado das eleições, o que está em jogo é a sobrevivência do processo democrático”.

A Comissão Executiva Nacional do PT

Criado em 2018-10-19 17:40:50

O grande e os pequenos

Fernando Brito -

Terminadas as cerimônias fúnebres do neto de Lula – o menino Arthur, de apenas sete anos – fica a essência do que foi este episódio doloroso.

De um lado, dezenas (centenas?) de policiais dedicados a isolar um homem velho, de 73 anos, naturalmente incapaz de um arroubo físico que o justificasse.

Uma juíza que determina que ele possa ficar apenas uma hora e meia no cemitério e que por isso o força a permanecer sentado, só, num hangar, esperando até que o relógio o autorize a abraçar o filho e a nora que perderam seu filhote. A dor da senhora Carolina Lebbos é cronometrada e mesquinha.

Fanáticos que, diante da dor de um avô pela morte súbita de seu neto, não conseguem conter seu ódio e vociferam nas redes a sua podridão de sentimentos.

De outro, uma pessoa que, depois de décadas aprendendo a construir a tolerância, amarga quase um ano de cárcere solitário, injusto e artificialmente fabricado, sem por isso desenvolver sentimentos de vingança.

Andou, digno e impávido, entre as fileiras de policiais e de ociosos fuzis que não se voltam para bandidos, mas para gente do povo, que ama seu país.

Nenhum incidente, nenhuma provocação, só muita dor e indignação.

Lula mostra, dia após dia, que não tem ódios (ainda que dele tenham), que não transgride a lei (ainda que a usem para injustiçá-lo), que não agride (ainda que mesmo nesta hora de dor seja agredido).

Lula tornou ridículos diante dos olhos de todos – exceto daqueles que os têm injetados de fúria insana – as restrições e o aparato bélico que se monta para conter um homem livre de alma.

Mais que isso. Sem dizer, faz evidente o medo que se tem dele, mesmo só, silencioso e massacrado pela dor da morte.

Sabem que, mesmo que o façam morrer na prisão, Lula está fadado a viver na História, enquanto eles, nos seus podres e miseráveis poderes, são lixo para ela.

Cenas como a de hoje (2/3), porém, trazem a história para os fatos, apresentam como ratos os que são ratos e mostram que quem é grande jamais será vencido por quem é minúsculo.

Lula está preso, babacas, mas vocês estão muito mais presos do que ele, porque estão agrilhoados à sua insignificância de degradação humana.

Criado em 2019-03-03 17:46:06

Mar

Rhuana Caldas (*) –

Dia quente de céu azul,
Balançando na rede, eu te vejo
Sentado na cadeira onde apoio um dos pés:
A fumaça do meu nome em tua boca,
Um poema incompleto em tuas mãos.
Você me diz que o céu de Brasília não é mais como uma cúpula gigante.
Já faz tanto tempo que não falo teu nome
Embora agora eu te sinta todos esses anos.
Talvez eu deva te chamar por - lar.
___________
(*) Rhuana Caldas é uma jovem poeta que morou em Brasília até os 7 anos. Hoje vive em Maceió (AL) e publica seus poemas e textos de “Memórias Meio Sóbrias” em seu blog: clique aqui

 

 

Criado em 2020-06-30 02:14:13

Lula escreve ao JB e pede votos para Fernando Haddad

Na reta final da campanha eleitoral, o Jornal do Brasil (JB) publica, hoje, 1/10, carta aberta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, o voto no dia 7 de outubro é muito importante porque “estará em jogo dois projetos de país: o que promove o desenvolvimento com inclusão social e aquele em que a visão de desenvolvimento econômico é sempre para tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres”.

Lula foi proibido de dar entrevista aos jornalistas Florestan Fernandes Jr. e Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, pelo ministro Luiz Fux. Antes, no mesmo dia, outro ministro, Ricardo Lewandovski, havia concedido liminar para as entrevistas. Esse desrespeito à liberdade de imprensa e aos ritos do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda será discutido na Corte a pedido do presidente Dias Toffoli.

Lula pede votos para Fernando Haddad e diz que “foi o povo que nos trouxe até aqui, apesar de todas as perseguições, para que se possa reverter o golpe e retomar o caminho da esperança nestas eleições”.

E acrescenta Lula em sua carta: “Se fecharam as portas à minha candidatura, abrimos outra com Fernando Haddad. É o povo que põe em xeque o projeto ultraliberal, e isso não estava no cálculo dos golpistas”.

Eis a íntegra da carta:

"O Brasil está muito perto de decidir, mais uma vez, pelo voto soberano do povo, entre dois projetos de país: o que promove o desenvolvimento com inclusão social e aquele em que a visão de desenvolvimento econômico é sempre para tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. O primeiro projeto foi aprovado pela maioria nas quatro últimas eleições presidenciais. O segundo foi imposto por um golpe parlamentar e midiático travestido de impeachment.

Esta é a verdadeira disputa nas eleições de 7 de outubro. Foi por essa razão que meu nome cresceu nas pesquisas, pois o povo compreendeu que o modelo imposto pelo golpe está errado e precisa mudar. Cassaram minha candidatura, de forma arbitrária, para impedir a livre expressão popular. Mas é também pela existência de dois projetos em disputa que a candidatura de Fernando Haddad vem crescendo, na medida em que vai sendo identificada com nossas ideias.

Com alguma perplexidade, mas sem grande surpresa, vejo lideranças políticas e analistas da imprensa dizerem que o Brasil estaria dividido entre dois polos ideológicos. E que o país deveria buscar uma opção “de centro”, como se a opção pelo PT fosse “extremista”. Além de falsa e, em certos casos, hipócrita, é uma leitura oportunista, que visa confundir o eleitor e falsear o que está realmente em jogo.

Desde a fundação, em 1980, o PT polarizou, sim: contra a fome, a miséria, a injustiça social, a desigualdade, o atraso, o desemprego, o latifúndio, o preconceito, a discriminação, a submissão do país às oligarquias, ao capital financeiro e aos interesses estrangeiros. Foi lutando nesse campo, ao lado do povo, da democracia e dos interesses nacionais, que nos credenciamos a governar o país pelo voto; jamais pelo golpe.

O povo brasileiro não tem nenhuma dúvida sobre de que lado o PT sempre esteve, seja na oposição ou seja nos anos em que governamos o país. A sociedade não tem nenhuma dúvida quanto ao compromisso do PT com a democracia. Nascemos lutando por ela, quando a ditadura impunha a tortura, o arrocho dos salários e a perseguição aos trabalhadores. Fomos às ruas pelas diretas e fizemos a Constituinte avançar. Governamos com diálogo e participação social, num ambiente de paz.

A força eleitoral do PT está lastreada nessa trajetória de compromisso com o povo, a democracia e o Brasil; nas transformações que realizamos para superar a fome e a miséria, para oferecer oportunidades a quem nunca as teve, para provar que é possível governar para todos e não apenas para uma parcela de privilegiados, promovendo a maior ascensão social de todos os tempos, o maior crescimento econômico em décadas e a soberania do país.

Foi o povo que nos trouxe até aqui, apesar de todas as perseguições, para que se possa reverter o golpe e retomar o caminho da esperança nestas eleições. Se fecharam as portas à minha candidatura, abrimos outra com Fernando Haddad. É o povo que põe em xeque o projeto ultraliberal, e isso não estava no cálculo dos golpistas.

São eles o outro polo nestas eleições, qualquer que seja o nome de seu candidato, inclusive aquele que não ousam dizer. Já atenderam pelo nome de Aécio Neves, esse mesmo que hoje querem esconder. Tentaram um animador de auditório, um justiceiro e um aventureiro; restou-lhes um candidato sem votos. O nome deles poderá vir a ser o da serpente fascista, chocada no ninho do ódio, da violência e da mentira.

Foram eles que criaram essa ameaça à democracia e à civilização. Assumam a responsabilidade pelo que fizeram contra o povo, contra os trabalhadores, a democracia e a soberania nacional. Mas não venham pregar uma alternativa eleitoral “ao centro”, como se não fossem os responsáveis, em conluio com a Rede Globo, pelo despertar da barbárie. Escrevo este artigo para o “Jornal do Brasil” porque é um veículo que vem praticando a democracia e a pluralidade.

Quem flerta com a barbárie cultiva o extremismo. Quem luta contra ela nada tem de extremista. Tem compromisso com o povo, com o país e com a civilização. Na disputa entre civilização e barbárie, deve-se escolher um lado. Não dá pra ficar em cima do muro.

Em outubro teremos a oportunidade de resgatar a democracia outra vez, encerrando um dos períodos mais vergonhosos da história e dos mais sofridos para a nossa gente. Estou seguro de que estaremos juntos a todos os que lutaram pela conquista da democracia a duras penas e com grande sacrifício. E estaremos juntos às mulheres que não aceitam a submissão, aos negros, indígenas e a todos e todas que sofreram ao longo de séculos a discriminação e o preconceito.

Estaremos juntos, todos os que, independentemente de diferenças políticas e trajetórias distintas, têm sensibilidade social e convicções democráticas.

Será uma batalha difícil, como poucas. Mas estou certo de que a democracia será vitoriosa. De minha parte, estarei onde sempre estive: ao lado do povo, sem ilusões nem vacilações. Com amor pelo Brasil e compromisso com o povo, a paz, a democracia e a justiça social”.

Assina: LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA - Ex-presidente da República e presidente de honra do Partido dos Trabalhadores.

Criado em 2018-10-01 14:02:00

Grupo de Lima rejeita ação militar na Venezuela

João Pedro Stédile (*)

O Grupo de Lima – que reúne 14 países, entre eles Brasil, Colômbia, Peru, Chile, Argentina, México e Canadá –, após discutir em Bogotá saídas para a crise na Venezuela, rejeitou a opção pela intervenção militar, conforme queriam os EUA.

A União Europeia se recusa a apoiar essa opção. O Conselho de Segurança da ONU também a rejeita, graças ao poder de veto da Rússia e da China. Mas os EUA insistem em criar clima favorável à sua política intervencionista. Tentou levar, sem sucesso, armas aos opositores de Maduro sob o disfarce de ajuda humanitária.

Diante do cerco dos EUA ao governo bolivariano de Nicolas Maduro, João Pedro Stédile, dirigente do MST, afirma que a "defesa da soberania na Venezuela significa a defesa da autodeterminação dos povos contra o império".

Stedile escreve alguns apontamentos para ajudar a entender a crise geopolítica na Venezuela e a ofensiva dos Estados Unidos para desestabilizar o projeto bolivariano.

O que está acontecendo na Venezuela?

1 - Há uma crise internacional do modo de produção capitalista que vem se aprofundando desde 2008. A hegemonia do capital financeiro estabelece que apenas as grandes corporações e os bancos acumulem; ao contrário disso, as economias dos países se mantêm à margem e as populações, em especial os trabalhadores, pagam com mais desemprego, aumento da desigualdade, migrações, conflitos sociais e perda de direitos, além da diminuição dos serviços públicos básicos de educação, saúde, moradia, etc.

2 - Com a eclosão da crise econômica, os governos construídos em pactos de conciliação de classe e estabilidade política não conseguem mais se sustentar, porque o Estado e suas finanças se transformam em disputa das classes.

 3 - Há também uma crise da chamada democracia formal burguesa. As eleições e seus governos não conseguem mais representar os interesses reais da maioria da sociedade, porque suas vitórias são fraudulentas, manipuladas e custeadas a base de milhões. Dessa maneira, como reflexo dessa crise, a população não acredita mais nos políticos e no regime de representação formal.

4 - Diante desse contexto internacional, o capital dominante, por meio das corporações e bancos, volta-se prioritariamente para a apropriação privada dos recursos da natureza: petróleo, minérios, água, árvores, biodiversidade e energia, como forma de obter altas taxas de lucro e, proveniente dessa renda extraordinária, voltar a acumular e a crescer. No entanto, nem todos os capitalistas: apenas aqueles que se apropriarem dos bens da natureza, que eram comuns, que não foram produzidos pelo trabalho e, ao se transformarem em mercadorias, adquirem um preço com uma renda fantástica.

5 - Na disputa internacional por mercados e bens naturais, desenhou-se uma nova correlação de forças entre os Estados Unidos, a Europa Ocidental, a Eurásia (Rússia, Irã, China). Essas economias disputam entre si a apropriação de bens da natureza e os mercados. Isso levou a que os capitalistas dos EUA aumentassem suas pressões sobre a América Latina, para mantê-la como território refém de seus interesses, seu "pátio traseiro", como costumam nos chamar, e, assim, têm acesso a bens e mercados e se contrapõem em melhores condições frente a seus concorrentes internacionais.

6 - No mundo da política e da ideologia, as crises fizeram emergir em todo o mundo novas forças burguesas de ultradireita. Essas forças reacionárias se constroem ideologicamente com novos inimigos: os migrantes, os direitos dos trabalhadores, os costumes, a cultura, etc.

7 - Infelizmente essas forças de ultradireita conquistaram, pelo voto, alguns governos, como o governo Donald Trump nos Estados Unidos; Itália, Hungria e Andaluzia na Europa; e na Índia e nas Filipinas na Ásia. Aqui na América Latina, conquistaram os governos de Argentina, Brasil, Paraguai, Chile, Peru e El Salvador.

8 - Para vencer as eleições, as forças de ultradireita não expõem seus projetos e concepções ideológicas, porque sabem que não há apoio da maioria da população, então passam a manipular a opinião pública, com o uso intensivo da internet, da produção de mentiras sistematicamente contra a esquerda e os setores progressistas. Ainda se utilizam das igrejas pentecostais para iludir as populações mais pobres que delas são dependentes.

9 - Tudo isso aconteceu também na crise da década de 1930, quando os capitalistas se utilizaram do discurso nacionalista e das ideias fascistas para controlar os governos e saírem da crise. E se utilizaram das guerras mundiais para disputar mercado e eliminar meios de produção com o custo de milhões de vidas humanas.

10 - É neste contexto que se pode entender as derrotas de governos progressistas na América Latina, que atuavam em conciliação de classes e, embora não se tratasse de nenhum governo revolucionário, foram desalojados pelas burguesias com quem estavam aliados.

11 - Assim, precisamos analisar a ofensiva política, ideológica e agora militar do capital dos Estados Unidos sobre a Venezuela para controlar de forma privada e internacional suas reservas de petróleo. A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo e as mais próximas do mercado americano. Nenhum outro país ou território do mundo poderia garantir e ampliar o acesso a petróleo para os Estados Unidos.

12 - Além do quê, todos os analistas preveem, por tudo isso, que os preços do petróleo devem voltar a margens superiores a cem dólares ao barril nos próximos dois anos, chegando já a 70 dólares o barril no final de 2019. Isso permitirá, para quem controlar as reservas, uma fantástica renda petroleira.

13 - O povo da Venezuela está enfrentando essa guerra há vinte anos e, agora, aproxima-se uma nova etapa, que pode se transformar em um conflito militar.

14 - Nesses anos desde que Hugo Chávez ganhou as eleições em 1998 e tomou posse em 1999, há um cenário permanente de ataque dos capitalistas venezuelanos e internacionais ao processo de mudança econômica e social na Venezuela. Poderiam até admitir um militar governando a Venezuela, como tantos fizeram na América Latina, porém não admitiram nunca que o petróleo passasse a ser utilizado como um bem fundamental para a reestruturação da economia venezuelana, para financiar a distribuição de renda e a solução dos problemas estruturais da população: moradia, saúde, educação, transporte público e infraestrutura social.

15 - Nesses anos todos, os capitalistas do norte e o governo estadunidense aplicaram toda sua experiência histórica que haviam utilizado em outros países para tentar derrubar o governo e o processo bolivariano em curso.

16 - Primeiro, tentaram construir um governo de composição de classe com Chávez, propondo políticas econômicas neoliberais. Indicaram ministros e um presidente do Banco Central. Não funcionou. Chávez respondeu com a convocação de uma Assembleia Constituinte e a redação de uma nova Constituição, que devolveu ao povo, e não aos partidos conservadores, a soberania do poder politico e dos destinos da nação.

17 - Depois, apelaram para um golpe de Estado clássico, como fizeram em tantos países. Sequestraram o presidente Hugo Chávez do Palácio Miraflores, colocaram em seu lugar um empresário de presidente. Diante desse fato, o povo deu a resposta, cercou o palácio e, em 48 horas, o golpe foi derrotado pelo povo e por um grupo importante de cadetes e novos militares que entraram no serviço militar com uma formação bolivariana. Esse momento é de muita importância, pois marca a união cívico-militar desse novo momento que será fator de grande importância no desenvolvimento da revolução bolivariana, já que parte do alto mando das forcas armadas estava apoiando o golpe, por suas relações históricas com a oligarquia local.

18 - Os empresários que ainda estavam na empresa petroleira PDVSA comandaram uma greve geral petroleira, paralisando todas as atividades e provocando o caos no país, causando um clima de desestabilidade social. O governo consegue, junto com os trabalhadores, reverter esse processo e promover uma grande renovação na estrutura da empresa, reorganizando o comando entre o governo e os trabalhadores.

19 - Aplicaram, então, a tática chilena. Especulação com certos produtos para gerar pânico na população, esconder produtos que iam desde farinha até medicamentos ou bens com muito apelo popular, como papel higiênico, açúcar, leite, café e pasta de dente. O governo usou as reservas de petróleo para compras estatais e distribuição desses bens básicos para a população.

20 - Passaram, então, para a tática ucraniana, do terrorismo público nas ruas com a prática das guarimbas, em que jovens pequeno-burgueses ou lúmpens, pagos em dólar, bloqueavam rodovias, queimavam locais simbólicos, jogavam bombas incendiárias em escolas infantis, hospitais e até bases militares, etc. Mais uma vez, não funcionou, e o povo enfrentou o terrorismo e derrotou as guarimbas.

21 - Tentaram subverter e ganhar oficiais das forças armadas para seu projeto, compraram alguns, mas não conseguiram o levantamento e a divisão militar. Mesmo porque todos os militares que eles conseguiram comprar estão fora da Venezuela, o que significa dizer sem base de influência concreta.

22 - Acusaram sistematicamente o governo venezuelano de ser ditador, tanto Chávez quanto agora também Maduro. No entanto, a oposição participou de 25 eleições, em vinte anos elegeram diversos governadores, prefeitos e deputados, fazem comícios em praça pública e controlam a maior parte dos meios de comunicação de massa. Como justificar que se trata de uma ditadura? Em nenhum país ocidental há condições semelhantes. Por outro lado, o processo eleitoral, com urnas eletrônicas e comprovante impresso se transformou no processo mais transparente existente comprovado por diversas fundações dos Estados Unidos que fiscalizaram as últimas eleições.

23 - Nos últimos meses, intensificaram o bloqueio econômico para evitar que cheguem mercadorias do exterior - sendo uma economia petroleira, a Venezuela ainda é muito dependente de bens produzidos no exterior. E mais do que tudo, operam abertamente com a manipulação do câmbio na cotação do dólar com o bolívar, desde um portal inexplicável instalado em Miami. Sintomaticamente, a burguesia local, toma como referência esse portal, sem nenhuma base econômica real para especular com o dólar, que agora virou mais que uma moeda, virou uma mercadoria. Porém uma mercadoria que é referência para todas as demais.

24 - Impulsaram uma campanha de estímulo e motivação para que milhares de pessoas saíssem do país com promessas de emprego e futuro risonho. Mais de 30% dos que saíram já retornaram ao país desiludidos, recebendo apoio do governo para retornarem. Ainda que a migração não seja um problema de venezuelanos, já que vivem no país mais de 5 milhões de colombianos, milhares de haitianos e também milhares de europeus que chegaram no boom do petróleo da década de 1970, como espanhóis, italianos, portugueses e também libaneses.

25 - A tese de exigir novas eleições não tem paralelo na história das democracias burguesas modernas. Só porque a direita perdeu as eleições para Maduro, fiscalizadas por centenas de autoridades de todo mundo, então deve-se convocar novas eleições? Por quê? Não há base legal e moral para destituir um governo legítimo como foi eleito. Ou a mesma tese poderia se aplicar contra Bolsonaro, Macri? E sobre os mesmos deputados da Assembleia Nacional que quer destituir Maduro, foram eleitos pelo mesmo sistema.

26 - Agora, entramos na etapa derradeira. O governo de Trump, encurtando-se, tem ainda menos de dois anos e deve perder as próximas eleições. O preço do petróleo tende a subir e, com a necessidade ideológica de barrar os governos progressistas e de esquerda, eles precisam derrubar Maduro. Como disse Trump: "primeiro vamos derrubar o governo Maduro, depois virá Cuba, Nicarágua", etc.

27 - Antes de iniciar a fase de maior ofensiva externa, o governo Trump tentou criar as condições internas de desestabilização econômica e política, nomeando Guaidó, desconhecido das forças políticas do país e, inclusive, não representativo das forças burguesas de oposição, como sendo o novo governo legítimo. Ou seja, trataram de dar um golpe constitucional, porém ilegal. Repetindo a fórmula utilizada contra o presidente [Fernando] Lugo [do Paraguai], contra o presidente [Manuel] Zelaya [de Honduras] e contra a presidenta Dilma [Rousseff].

28 - E essa nova etapa pode chegar a uma invasão militar. Criaram um governo fantoche, que nem sequer é conhecido no país, totalmente à margem de qualquer eleição ou legalidade. E agora, bastaria aumentar o cerco, a pressão internacional e, quem sabe, uma intervenção cirúrgica.

29 - Porém essa tática derradeira depende de muitas variáveis. A sociedade americana não aceitaria perder seus soldados numa guerra injustificável, e então teriam que usar forças da OEA [Organização dos Estados Americanos]. Mas, na OEA, fizeram apenas 16 dos 34 votos. E não tiveram maioria nem autorização para uma invasão legalizada pela OEA. Tentaram no Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas], que também lhes negou direito para invadir a Venezuela, com os bloqueios da Rússia, China e outros países. Sobrariam as forças armadas da Colômbia e do Brasil, e não parece ser fácil sua adesão, com consequências para a política interna e a disposição política das forças armadas destes países.

30 - A última tática seria, então, uma intervenção militar cirúrgica, por aviação, como fizeram na Iugoslávia, Ucrânia, Líbia e Síria, para quebrar a sustentação econômica do governo e forçar a derrubada. Mas antes de uma intervenção militar, eles precisariam ainda romper com o elo de unidade existente na Venezuela entre as forças armadas bolivarianas e a maioria do povo. Essa unidade derrotará qualquer intervenção militar, causando um alto custo de vidas humanas e também político ao governo Trump.

31 - Essa aventura militar poderia se transformar num conflito bélico internacional com a provável solidariedade da Rússia, do Irã e da Turquia, transformando a Venezuela numa Síria latino-americana, com desfechos improváveis e altos custos aos norte-americanos, como de fato está acontecendo na Síria.

32 - Ainda como consequência dessa intervenção militar, uma grave contradição para as forças imperialistas: com uma provável derrota das forças direitistas invasoras, os Estados Unidos teriam então que receber uma nova e grande migração de toda burguesia venezuelana, que, numa derrota militar, não teria mais espaço político e social no país, como aconteceu depois da derrota militar da invasão na Baía dos Porcos, em Cuba.

33 - As próximas semanas e os próximos meses serão decisivos para o desfecho de qual tática os americanos adotarão. Naquele território, estamos travando a batalha da luta de classes mundial, que poderá demarcar a geopolítica para todo o século 21, assim como foi simbólica a Guerra Civil Espanhola para os desdobramentos numa Segunda Guerra Mundial.

34 - De parte do governo venezuelano, será necessário, nesta batalha, manter a unidade das forças armadas bolivarianas e manter a maioria do povo chavista mobilizado na defesa da pátria. No curto e médio prazo, desenvolver um novo programa econômico, que logre superar os enormes desafios impostos pelo bloqueio ocidental e pela dependência do petróleo para desenvolver um novo programa de desenvolvimento econômico com igualdade social.

35 - Hoje, a defesa da soberania na Venezuela significa a defesa da autodeterminação dos povos contra o império. Precisamos estar ativos e bem-informados das movimentações. Os próximos passos serão decisivos, e todas as forças populares e de esquerda, do continente e do mundo devemos manifestarmos claramente em defesa do processo bolivariano - que tem suas contradições e desafios, que são próprios de todo processo de mudanças estruturais numa sociedade.

______________

(*) João Pedro Stédile é economista, ativista e escritor brasileiro. É graduado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México. Marxista por formação, Stédile é um dos maiores defensores da reforma agrária no Brasil e um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Criado em 2019-02-26 02:03:47

Matadouro Brasil – Notícia sobre um genocídio tropical

Pedro Tierra (*) –

Humano não é o impulso
de partilhar a sorte de alguém,
cujo rosto nunca vimos,
mas por algum sinal do sangue
na parede ou no destino
reconhecemos irmão?

Quem de nós ignora
que morremos um pouco
no corpo de quem tomba
ao nosso lado, alvo de um balaço,
ou sufoca a caminho do hospital? 

Afinal, o que foi feito do berço
de águas e verdes e afetos
que imaginávamos cultivar?
O que foi feito dos sons
do surdo e do tamborim,
da sanfona, triângulo e zabumba,
da viola sertaneja
que nos acalentaram
e desenharam o mapa
dos nossos corações?

Devastado pela dor e pelo ódio,
já não o reconhecemos como o lugar
que moldamos para nascer e amar
na geografia afetiva da alma.

A palavra do poeta seja sopro
sobre a brasa adormecida
de nossa indignação.
E possa acender as chamas
da ira diante do intolerável.

Não temer a ira!
A sagrada explosão da ira
diante do injusto
é que nos faz humanos!

Pergunto aos palácios de vidro
erigidos pelas mãos
dos pedreiros candangos:
que país será construído
sobre os ossos dos povos
condenados ao matadouro?

Guarani, Kaiowá, Yanomami,
Krenak, Cinta-larga, Tikuna,
Karajá, Suruí, Caiapó, Rikbatsa,
Tapirapé, Kaxinawá, Parakanã, Kamaiurá...

Os Xavante,
sobreviveram ao facão,
ao garimpo e aos massacres.
Às roupas contaminadas com sarampo,
à ferocidade do latifúndio,
devorando veredas e buritizais.
Sobreviverão alcançados
pela maldição do vírus
e pelo silêncio cúmplice dos genocidas?

Ouço na Esplanada
sob o violento azul do inverno
de nossas desesperanças
um difuso clamor.
Que minha voz ecoe o pranto
das mães Yanomami
em busca dos corpos
de seus filhos enterrados.

A morte aqui tem nome e lugar:
favelas, mocambos, aldeias, quebradas. 

O inverno já nos alcança
enquanto ainda buscamos flores
da primavera pública que se perdeu...
para coroar a tumba dos encantados
nessa semeadura de cruzes.

Hoje, cinquenta e seis mil mortos,
sufocados pela peste,
batem à porta do genocida.
Quem responderá pelas vidas
que a indiferença
transformou em cruzes? 

O holocausto é real.
Os nomes são reais.
A dor é real. O luto é real.
Quem responderá por eles?

Sobre nós o sol
e o olho do drone.
O olho do drone não chora,
não conhece o sal das lágrimas.

Registra a morte, apenas.
Uma geométrica colmeia de assombros
cavada no barro vermelho
do coração do país. 

O olho do drone registra o plantio
para entregar um dia aos segadores
a sinistra colheita da morte.

O país dos abraços
aprende na dor
das distâncias medidas,
um novo idioma de gestos:
Eu te amo,
mas não te toco.
Eu te amo
e porque te amo
não te toco.

Contra o escárnio,
que a palavra do poeta
seja sopro e se faça vento
sobre a brasa adormecida
de nossa indignação.
_______________
(*) Pedro Tierra é um poeta brasileiro. Este poema foi lido na Cerimônia de Encantamento na Esplanada dos Ministérios, no dia 28 de junho de 2020.

Criado em 2020-06-29 18:29:37

Pau, fúria e fogo, uma entrevista-relâmpago com o general Mozão

Antonio Carlos Queiroz -

Nosso correspondente em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, conseguiu ontem uma exclusiva entrevista-relâmpago (Blitzinterview em alemão) do general Hannibal Mozão, para esclarecer o programa de sua chapa. Sem mais delongas, vamos ao entrevero:

Repórter – A Falha de S. Paulo diz que a campanha do #elenão quer silenciá-lo por causa de suas declarações polêmicas. O senhor prefere ser silenciado com tiro, gás ou estricnina?

General Mozão – Os repórteres da Falha usam táticas maoístas para intrigar as nossas fileiras e espalhar a cizânia. Acontece que eu também estudei as táticas de guerrilha do presidente Mao e não me deixarei embair nas tramas dessa guerra psicológica adversa, fomentada pelos comunistas, filocomunistas, criptocomunistas e inocentes úteis.

Repórter – Mas o senhor de fato ofendeu as mulheres e as avós…

General Mozão – (interrompendo) Ah, eu esqueci de citar as sogras! Sogra boa é que nem cerveja, tem que estar geladinha e em cima da mesa.

Repórter – Falemos de outro assunto. Qual é o programa de sua chapa para a mobilidade urbana?

General Mozão – Mulher no volante, perigo constante! Vamos tirar as mulheres do trânsito. Elas devem pilotar só forno e fogão.

Repórter – Qual é o seu programa para combater o racismo?

General Mozão – No Brasil não tem racismo. Quem diz que tem, quando não caga na entrada, caga na saída.

Repórter – E os índios?

General Mozão – Bando de comunistas primitivos da pior espécie!

Repórter – Mas, general, o Marechal Rondon, herói e orgulho das Forças Armadas, os tinha em alta conta!

General Mozão – Ah, esse Rondon era suspeito, por ser neto de índios Bororo e Terena. No fundo era um marxista-leniente!

Repórter – E a pauta para o povo LGBTQI?

General Mozão – Ah, saquei, você está querendo me provocar! Esse negócio de gay é coisa de viado!

Repórter – E a questão do aborto, não seria um problema de saúde pública?

General Mozão – Sou contra! A solução final desse problema é a esterilização em massa obrigatória das mulheres e homens que ganham menos de cinco salários mínimos.

Repórter – Por falar em salário mínimo, o senhor acaba de dizer que é contra o 13º. Por quê?

General Mozão – Porque é coisa de comunista, foi inventado pelo João Goulart em 62. Não é por acaso que o PT escolheu o número 13 como símbolo.

Repórter – Falemos de outro assunto espinhoso, as drogas…

General Mozão – A nossa política para os estupefacientes pode ser resumida numa só frase: as carreiras têm que ser avaliadas unicamente com base no mérito! Fora daí, pau, fúria e fogo!

Repórter – A sua chapa promete implantar um colégio militar em cada capital, e restabelecer a disciplina de Moral e Cívica. Por quê?

General Mozão – Por que o Brasil tem que estar acima de tudo. Em alemão, a gente diria “Brasilien über alles”!

Repórter – O currículo desses colégios incluirá a Teoria da Evolução?

General Mozão – De jeito nenhum! Imagine ficar ensinando para os nossos jovens que o tataravô de Jesus era um macaco, e que a Virgem Maria teve como ancestral uma alga azul velha e desbotada!

Repórter – General, eu sei que o senhor está correndo, mas me permita uma última pergunta: tortura…

General Mozão – Sou a favor, mas só em casos extremos. Quer dizer, nos dedos das mãos e dos pés e, é claro, nas outras extremidades.

Criado em 2018-09-28 16:43:24

A cruel demolição da previdência social

Guilherme Santos Mello (*)

A proposta do governo Bolsonaro para a previdência (e assistência social) não pode ser chamada de “reforma”. Seu objetivo não é melhorar o regime atualmente existente, como aconteceria em uma reforma, mas demolir as bases do atual sistema de seguridade social, substituindo-o por um sistema de capitalização privado. Na prática, isso significa a mudança do princípio da solidariedade social pela lógica individual, substituindo-se a ideia de “um por todos e todos por um” pelo lema “cada um por si e Deus (acima) por todos”.

Para pôr em prática a demolição, o plano de Bolsonaro prevê um processo de esfacelamento gradual do atual regime de repartição até sua provável extinção, enquanto os regimes de capitalização privados e públicos se fortalecem. A lógica é simples: se a previdência atual se tornar tão desinteressante a ponto de quase ninguém optar por contribuir para ela, sobrará apenas os regimes de capitalização, em que somente quem recebe bons salários irá de fato participar.

Em 2015, 60% das pessoas aposentadas por idade não conseguiram comprovar 20 anos de contribuição. Ou seja, a maioria dos aposentados brasileiros se aposenta com 65 anos conseguindo comprovar, com grande esforço, 15 anos de contribuição para a previdência. No atual projeto de Bolsonaro, esses milhões de brasileiros, em sua maioria composta de trabalhadores de baixa remuneração, estariam sem receber aposentadoria, transformando-os e a suas famílias em pobres.

Mas a crueldade não para por aí: os poucos que conseguirem, em um mercado de trabalho cada vez mais disputado, informal e com menos bons empregos, comprovar 20 anos de contribuição, receberão apenas 60% da média de seus salários. Caso um trabalhador se aposente com contribuições que lhe dariam direito a receber um benefício no valor de R$ 2000, na proposta de Bolsonaro ele receberá apenas 60% desse valor, tendo como limite inferior o salário mínimo. Ou seja, a renda dos trabalhadores irá sofrer uma abrupta redução no momento da aposentadoria.

Se estivermos falando de um trabalhador rural, a situação se complica ainda mais. A reforma de Bolsonaro praticamente inviabiliza a aposentadoria do trabalhador pobre do campo, exigindo a comprovação de 20 anos de contribuição com um valor mínimo de R$ 600 reais, completamente incompatível com a realidade dos camponeses, marcada pela informalidade e pelo baixo rendimento.

Alguém poderá dizer: mas se o trabalhador for muito pobre e não conseguir comprovar 20 anos de contribuição poderá pedir um benefício assistencial (o chamado Benefício de Prestação Continuada) e receber um salário mínimo. Mas a cruel proposta de Bolsonaro também retira esse direito dos brasileiros, já que estabelece a idade de 70 anos para que o pobre receba o valor de um salário mínimo. Antes disso, o trabalhador poderá receber um benefício de R$ 400 a partir dos 60, sem nenhuma previsão de reajuste desse valor pela inflação.

E os ricos, como ficam nisso? De fato, a única boa notícia da proposta apresentada por Bolsonaro é que os salários mais altos pagarão alíquotas maiores para a previdência e que alguns terão que se aposentar mais tarde. O que a proposta não diz, no entanto, é que muitos dos trabalhadores mais ricos irão optar por não contribuir com a previdência pública, devido à liberalização da pejotização e da terceirização feita pela reforma trabalhista de Temer. Ou seja, os ricos encontrarão uma forma de se proteger, tornando-se PJ e pagando uma previdência privada, enquanto os pobres estarão submetidos a regras cruéis da moribunda previdência pública, que quando não impedem sua aposentadoria, reduzem significativamente sua renda.

Diante da perspectiva de não conseguir se aposentar, muitos trabalhadores também irão optar por não contribuir com a previdência, aumentando a informalidade e a precarização. A combinação de regime de capitalização com a criação da chamada “carteira verde e amarela” prometida por Bolsonaro será o golpe de morte na seguridade social brasileira, instituindo de uma vez por todas a era dos “sem direitos”. A redução dos gastos com aposentadoria virá de mãos dadas com a redução das receitas previdenciárias, o que poderá alterar significativamente a previsão ilusória de ganhos fiscais da proposta de Bolsonaro.

Se o trabalhador brasileiro sobreviver ao desemprego, à violência (inclusive policial) e aos cada vez mais precários serviços públicos, terá como prêmio uma velhice miserável. Felizes estarão apenas os bancos, que irão ganhar muito dinheiro administrando e cobrando taxas dos trabalhadores que tiverem condições de optar pela previdência privada.

___________

(*) Guilherme Santos Mello é professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON-UNICAMP).

Fonte: Brasil Debate

(Artigo publicado originalmente no Portal Vermelho).

Criado em 2019-02-26 01:50:49

Quinto ato – Vigília Silenciosa será na Praça dos 3 Poderes

A Quinta e última Vigília Silenciosa dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura do Distrito Federal será celebrada no dia 29/6, segunda-feira, às 16h30, no gramado em frente ao Congresso Nacional e na Praça dos 3 Poderes. Desde o dia 1º de junho, toda segunda-feira no fim da tarde, a arte, a natureza e a arquitetura de Brasília têm encontro marcado com o diretor de teatro Hugo Rodas nas performances do Quem partiu é amor de alguém.

Em tempos de descaso das autoridades com a vida, os artistas da capital, de forma voluntária resolveram espalhar amor, reverenciar as milhares de vítimas do Coronavírus e, mesmo que silenciosamente, dar muitos recados.

Vestidos de branco, com máscaras, respeitando o distanciamento, carregando balões e bandeiras com corações vermelhos, os profissionais de toda a cadeia produtiva da cultura candanga se juntam nos atos repletos de afeto.

O caminhar lento e firme, e a presença silenciosa e meditativa de profissionais da cultura em espaços de arte e poder, realçam a importância de se olhar para dentro e de entrar em sintonia com o todo.

As cores branca e vermelha, representando paz e amor, se fundem ao amplo horizonte da Capital e ao azul celeste do coração do Brasil.

As Vigílias Silenciosas repercutiram na imprensa mundial e conquistaram público cativo nas redes sociais. Quem partiu é amor de alguém já homenageou as mais de 50 mil vítimas do novo Coronavírus, reverenciou os profissionais da saúde, protestou contra o racismo e a favor da democracia, lembrou também os povos originários, as vidas indígenas perdidas e as florestas desrespeitadas e negligenciadas.

A itinerância dos atos constrói uma narrativa carregada de simbologia. Iniciada na Rodoviária do Plano Piloto, cravada no centro da cidade, representou a conexão com a terra e o coletivo. A segunda vigília teve como cenário os espelhos d’água da ampla Praça do Museu Nacional, fazendo escorrer, como água, amor e afeto por todos os cantos.

Em frente à Catedral de Brasília, a terceira trouxe um respiro profundo de fé na vida e soprou nos ares respeito e empatia. A seguinte voltou-se à bela fachada do Teatro Nacional, em reverência à indiscutível chama da criatividade e das artes, imprescindíveis para o autoconhecimento e para lidar com desafios.

O último dos 5 atos da vigília, dia 29/6, será primeiro no gramado em frente ao Congresso Nacional e logo em seguida na Praça dos Três Poderes. Levar um Ato de amor ao núcleo central das tomadas de decisões, propõe religar a matéria (palpável) com a energia etérea que atravessa pensamentos e intenções. Após este 5º ato, a campanha seguirá com ações virtuais em seus canais no Instagram e YouTube.

O movimento também criou uma vaquinha online, cujo valor arrecadado será destinado para a compra de materiais e estruturas para auxiliar nas ações e produções dos atos. Interessados em colaborar podem acessar o link https://abacashi.com/p/quempartiueamordealguem.

Os organizadores informam que essa experiência respeitará o distanciamento social e exigirá uso de equipamentos de proteção individual recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

 A performance será transmitida ao vivo, a partir das 16h30 do dia 29.06 através do perfil no Instagram @quempartiueamordealguem
___________
Serviço:
Dia: 29 de junho de 2020
Horário: 16h30
Local: gramado em frente ao Congresso Nacional e Praça dos Três Poderes

Contatos para entrevistas: Hugo Rodas: (61) 99875-7156 e Débora Aquino: (61) 99825-7740

Ficha técnica:
Criação e produção coletiva: Hugo Rodas, Débora Aquino, Jorge Luiz, Diana Bloch, Suene Karim, Genice Barego, Kazuo Okubo, Daniel Madsen, Marcelo Calil, André Gonzales, Claudia Leal, Sergio Bacelar, Marcius Barbieri, José Delvinei, Bruno Caramori, Boca, Joy Ballard, Rodrigo Machado, Monica Ramalho, Sylvio Novelli, Ju Borgê, Tereza Padilha, Anderson Formiga, Juju Seixas, Jin Lopes, Bruno Gurgel, Allex Medrado, Lucas Souza, Camila Gama, Carlos Pontes, Cleber Xavier, Cléria Costa, Cynthia Silva, Gustavo Vieira, Ingrid Soares, Kalebe Lizan, Lidi Leão, Maria Carneiro Madeira, Marinalda Barros, Nicolly Miriã, Paulo Roberto, Reinaldo Amaral, Larissa Morais, Guilherme Monteiro, Camila Rodrigues, Analise, Lucas Sued, Beatrice Martins, Kretã Kaingang, Bruno Gurgel, Viviane Cardell, Fernando Bressan, Israel Marcos, Moacir Macedo, Nonato Ray, Maria Clara Farias, Paulo Andrade, Alaor Rosa, Ana Beatriz, Jirlene Pascoal, Aline Leão, Beatrice Martins, Lucas Lírio, Lorena Matos, Cleide Soares, Clarice Cardell, Chico Nogueira, Amelinha Cris, Bárbara Rodrigues da Silva, Cássia Olivier, Maia Marques, Kakau Teixeira, Celia Matsunaga, Camila guerra, Rosanna Viegas e grande elenco.

Informações à imprensa:
Rodrigo Machado: (61) 98654-2569; Romário Schettino: (21) 99294-0127; Carmem Moretzsohn (61) 98142-0111; e Jaque Dias (61) 99988-9618.

Acompanhe os atos nas hashtags: #QuemPartiuéAmordeAlguém #VigíliaSilenciosa #FiqueemCasa #LeiAldirBlanc #Somos70PorCento #Juntos #Coronavírus #Covid19 #ATAC #APTR #FrenteUnificadadaCulturadoDF #FórumdeTeatrodoDF #Performance #projetemos

Criado em 2020-06-26 21:57:30

“Por que voto em Haddad”

O antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares (*) explica por que vota em Fernando Haddad, candidato do PT para a Presidência da República. Seus argumentos são indispensáveis para compreender o atual processo eleitoral brasileiro e os personagens que fazem parte dele.

Este texto foi publicado originalmente na página do autor no Facebook.

“Devo começar declarando minha admiração por Boulos e Ciro. Acredito que Boulos se tornará uma grande referência política, cujo protagonismo contribuirá para redesenhar a configuração partidária atual e espero poder acompanhá-lo no futuro pós-eleitoral. Sua candidatura, entretanto, foi assumida como oportunidade de politização da sociedade, particularmente das classes subalternas, sem a pretensão de disputa efetiva. E aí está o problema, porque as eleições de 2018 são dramaticamente decisivas para o país.

Ciro Gomes é um dos políticos mais inteligentes e preparados de nossa história republicana e propõe ao país uma transformação importante, dispondo-se a enfrentar os interesses do capital financeiro com o propósito de retomar o desenvolvimento e reduzir as desigualdades, tendo em vista sempre a defesa da soberania nacional, profundamente ameaçada pelo atual governo ilegítimo. Considero sua aliança com Katia Abreu - candidata a vice - compreensível, no esforço de evitar o isolamento, mas não subestimo os riscos aí envolvidos, uma vez que, mesmo tendo sido contrária à farsa do impeachment, ela tem um histórico extremamente negativo, no que diz respeito ao meio ambiente, à preservação das terras indígenas e à luta contra o trabalho escravo.

Todavia, há uma dificuldade mais relevante: Ciro é um homem na ventania. Quero dizer o seguinte: o candidato atua e se situa no mapa político como indivíduo, isto é, como um agente desprovido de vínculos orgânicos com organizações democráticas da sociedade civil e movimentos sociais. Seu partido, embora proveniente de uma origem respeitável, há muito tempo afastou-se da identidade que Brizola tentou construir. Por isso, Ciro transita entre zonas distintas do espectro político conforme cálculos táticos, apoiados em seu projeto pessoal, que por mais generoso que seja é, antes de tudo, seu próprio projeto. E, como sabemos, as conjunturas, sobretudo nesse período de constante instabilidade, são centrípetas e agonísticas. A taxa de imprevisibilidade da candidatura do PDT é elevada. Quando os críticos lhe cobram pelo temperamento explosivo erram o alvo. O que é explosivo, incerto e errático é seu destino político, porque condenado a ser moldado por decisões individuais, sob os constrangimentos das diferentes conjunturas. Sim, trata-se de um grande homem, mas é um indivíduo. E o que há lá fora é ventania.

Por fim, Haddad. Vamos lá.

O PT vinha perdendo seus laços com os movimentos sociais porque, a despeito das enormes conquistas dos governos Lula, os melhores de nossa história, não estava sendo capaz de realizar sua autocrítica, publicamente, extraindo daí todas as consequências.

Entretanto, o Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais se reencontraram. Velhos militantes decepcionados, como eu mesmo, voltaram à trincheira comum. A aprovação do partido, que caíra vertiginosamente, retornou à marca de 24%. Críticos contumazes, como eu mesmo, cerraram fileiras com os antigos companheiros. Desafetos resolveram colocar a gravidade da situação política acima de desentendimentos, por mais significativos que fossem.

Por que? Eis a resposta - há aqui muito de testemunho pessoal. Creio que o processo de afastamento foi revertido pela brutalidade com que as elites passaram a agredir o partido, chegando ao ponto de negar as conquistas alcançadas, tentando apagar da memória coletiva o fato de que Lula concluiu o segundo mandato com 85% de aprovação popular e se recusou a sequer considerar a hipótese de aceitar a mudança das leis para buscar um terceiro mandato, que lhe cairia nas mãos por gravidade, mesmo sem campanha.

Apesar da grande mídia insinuar que o presidente terminaria por copiar os passos de Chaves, ele fez o contrário, dando a maior demonstração possível - não consigo imaginar outra que fosse comparável - de que, acima de tudo, respeita o Estado democrático de direito, o qual, paradoxalmente, não o respeitou, desrespeitando-se a si mesmo, negando sua própria natureza, mergulhando o país no arbítrio de violações sucessivas.

Por uma questão de honestidade intelectual, importa assinalar que o presidente FHC não resistiu ao canto da sereia, ele que, com seu partido, condena o “bolivarianismo”. Mas é claro que a compra de votos para que se viabilizasse a reeleição e a mudança das regras de jogo, enquanto o jogo era jogado, não feriram a sensibilidade moral da mídia conservadora, a qual não apenas calou-se, cúmplice, como apoiou a candidatura do PSDB à reeleição, cancelando, com o despudor que lhe é próprio, os debates entre os candidatos, nos quais FHC teria de responder por seus malfeitos na economia, na política, na ética.

A campanha pelo impeachment foi tão cínica, venal e repulsiva, que infiltrou e disseminou na opinião pública o veneno do antipetismo, o grande mal que nos assola e divide. Desde aquele momento, impunha-se, para qualquer democrata, resistir com o antídoto: o anti-antipetismo. Era preciso e urgente denunciar o perigo escandaloso das generalizações, não apenas aquelas que estendiam para o conjunto dos membros do partido qualquer acusação que atingisse algum de seus membros, como aquelas que comprometiam todas as conquistas históricas do partido e de seus governos ao conectá-las a erros econômicos específicos e recentes. E ainda aquelas generalizações que conectavam crise econômica a corrupção.

O antipetismo escapou ao controle dos comunicadores que o gestaram, vestiu o uniforme do fascismo e retirou dos armários em que se escondiam, envergonhados, o racismo, a sede de vingança, os cavaleiros da barbárie.

O processo grotesco foi sendo conduzido por vazamentos seletivos, estrategicamente distribuídos. E por decisões evidentemente artificiais.

Direitos foram violados sob o silêncio de uns e os aplausos da mídia conservadora. O que era importante e necessário combate à corrupção, converteu-se em método de desconstituição política, ideologicamente orientado. A Justiça degradou o direito e a Constituição corrompeu-se na exceção.

Para quê incendiaram o país e o contaminaram com esse ingrediente patológico, o ódio feroz ao PT, transfigurado em signo do mal? Para levar ao poder, em nome da luta contra a corrupção, os que mais fundo enterraram seus pés no pântano. Mas é claro que havia uma razão superior para que se perpetrasse tamanha traição ao que um dia chamaram pátria.

Era preciso aproveitar a oportunidade para impor goela abaixo do povo brasileiro, que jamais o aceitaria pelo voto, uma agenda neoliberal extremada, liquidando direitos sociais e o patrimônio nacional, inclusive ambiental. Eis, enfim, o propósito do golpe. Havia duas metas a cumprir para garantir a continuação da política ruinosa em curso: (1) excluir Lula das eleições, a qualquer preço; (2) difundir a versão mais primária da ideologia liberal nas camadas médias. Segundo essa concepção tosca haveria uma oposição entre Estado e Sociedade. No âmbito dessa visão de mundo primitiva, o Estado atuaria como predador, a serviço dos interesses de seus operadores (governantes, legisladores e funcionários): os sanguessugas sorveriam a energia e os frutos do trabalho da sociedade, a qual seria um saco de batatas, um aglomerado de indivíduos - como gostava de dizer Margareth Thatcher.

Conclusão: para salvar o Brasil, seria necessário reduzir o Estado ao mínimo e liberar o mercado, porque a sociedade entregue a si mesmo, livre das garras do Estado e de seus impostos escorchantes (que só serviriam para alimentar políticos e funcionários), se desenvolveria a pleno vapor, harmoniosa e feliz. Como veem, não há mitologia mais adequada para justificar o darwinismo social. A pobreza e as desigualdades seriam expressões da distribuição desigual do mérito. É nesse ponto que a corrupção torna-se central: o sangue drenado do corpo social alimenta o vampiro imoral, o mal supremo, a mãe de todos os males: a corrupção.

Desse modo, uma ideologia política, travestida de descrição objetiva e neutra da “realidade”, ganha a alma que falta ao discurso economicista e suscita o ódio que a radica nas redes intersubjetivas que formam opiniões coletivas.

Nesse sentido, a corrupção é a linguagem que engata percepções, valores e afetos, no âmbito da ideologia neoliberal. Corrupção, enquanto tema midiaticamente associado ao impeachment de natureza golpista, é antes de tudo o veículo da ideologia anti-Estado, anti-Política, é a dramaturgia do ódio, a conclamação ao linchamento, a exaltação da vingança, o combustível do punitivismo e a dupla negação: por um lado, da sociedade como conjunto de contradições, constelação de classes sociais em conflito; por outro lado, do Estado, como espaço de luta por hegemonia.

Em síntese, eis aí o resultado: Lula preso e excluído da disputa eleitoral, que ele venceria no primeiro turno; o neoliberalismo disseminando-se como o outro lado da moeda da corrupção; a recusa à Política como apanágio da moralidade popular. Enquanto isso, o país segue sendo entregue aos interesses internacionais e a grande massa da população volta a mergulhar na miséria, ouvindo dia e noite a cantilena anti-Política. Para varrer o PT do mapa, para vetar Lula, foi preciso tentar ferir de morte a política, como atividade humana imprescindível na democracia, e a própria República. O lugar do público foi tragado pelo vórtice do mercado. O coletivo reduzido ao ajuntamento de indivíduos. As desigualdades acabaram justificadas pelo mérito.

Sabem qual é o nome disso, desse fenômeno monstruoso? Bolsonaro.

Nesse contexto, se vejo assim o país, como eu poderia não apoiar Haddad? Claro que, além disso, além do que julgo ser meu dever - confrontar sem medo o anti-petismo, resistir à tentação de capitular (por exemplo, aceitando que uma vitória do PT produziria muito desgosto nas hostes opostas e geraria uma atmosfera excessivamente tensa no país) -, além de tudo isso, há o candidato, Fernando Haddad, um dos políticos jovens mais talentosos, preparados e inteligentes de sua geração. Estão mais do que claros seus compromissos com a democracia (e a urgentíssima democratização da mídia), a soberania nacional e os direitos humanos, com a luta contra o racismo, as desigualdades, e com a defesa do meio ambiente, das sociedades indígenas e das minorias. Chega de violações aos direitos e de manipulação. Está em jogo o futuro do país.”

_____________________

(*) Luiz Eduardo Soares é antropólogo, cientista político e escritor brasileiro. Considerado um dos mais importantes especialistas em segurança pública do Brasil, defende a legalização das drogas, a unificação das polícias militar e civil e o fim do encarceramento em massa. Autor de mais de 20 livros, entre eles “Elite da Tropa”, que deu origem ao filme “Tropa de Elite”. Nasceu em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, no dia 12 de março de 1954.

Criado em 2018-09-18 00:26:15

A Indecência dos Creontes

Marcelo Zero -

Há leis que não precisam estar escritas. São parte constituinte da natureza humana. Estão gravadas na nossa alma, ou, se quiserem, no nosso DNA.

Os modernos as consideram os elementos que constituem o direito natural. Os antigos as chamavam de leis divinas.

São leis que estão acima das leis escritas pelos homens, das interpretações jurídicas conjunturais e, sobretudo, dos humores dos poderosos de plantão.

Sófocles, em Antígona, foi quem melhor traduziu a superioridade da lei natural, assentada na Justiça, da lei positiva, assentada no Poder.

Na peça, Antígona desafia o terrível rei Creonte, que havia proibido o enterro de Polinice, irmão da protagonista principal da tragédia. Ela tenta enterrar seu irmão, conforme determina o costume religioso, a lei divina. É presa e condenada à morte por Creonte.

Numa das grandes passagens da literatura mundial, Antígona contesta a legitimidade da decisão de Creonte:

“..........e a Justiça, a deusa que habita com as divindades subterrâneas, jamais estabeleceu tal decreto entre os humanos; nem eu creio que teu édito tenha forças bastante para conferir a um mortal o poder de infringir as leis divinas, que nunca foram escritas, mas são irrevogáveis.......”

De fato, o enterro e as cerimônias funerárias, que os antigos gregos incluíam nas leis divinas, são indicativos da nossa humanidade. Antropólogos consideram que um dos indícios do surgimento da humanidade é justamente o costume de enterrar e reverenciar os mortos.

As cerimônias funerárias fazem parte do sagrado, de algo que é profundamente humano. Por isso, elas são universais e transcendem culturas, épocas e leis.

Creonte, ao impedir cruelmente Antígona de enterrar seu irmão, afronta o humano e a justiça, e demonstra um poder que não tem nenhuma legitimidade.

Pois bem, o Brasil neofascista de hoje está cheio de “creontes”, autoridades que, embora poderosas, sofrem de nanismo moral e carecem de senso de humanidade e justiça.

O impedimento de Lula velar seu irmão equipara-se à crueldade abjeta de Creonte contra Antígona. Com um sério agravante: a lei brasileira, a lei escrita, dava ao melhor presidente da nossa história o direito de fazê-lo.

Mesmo assim, nossos “creontes” inventaram “problemas logísticos” para impedir que a lei natural e a lei escrita fossem cumpridas.

Estranhamente, esses problemas logísticos não se manifestaram quando Battisti foi preso na Bolívia. De imediato, a PF enviou um jatinho para recolhê-lo. Ademais, o PT ofereceu todo o transporte e a logística para levar Lula até São Bernardo. Em vão.

Os “creontes” afirmaram que havia “risco de fuga”. Como Lula, um homem de mais de 70 anos, e figura internacionalmente conhecida, poderia escafeder-se é mistério insondável.

O que não é mistério insondável é que o medo não era com uma possível fuga de Lula. O medo era, é e será com o que Lula representa. Lula representa tudo o que eles odeiam mais.

Lula é aquela pobre criança do sertão nordestino que deveria ter morrido antes dos 5 anos, mas que sobreviveu. Lula é aquele miserável retirante nordestino que veio para São Paulo buscar, contra todas as probabilidades, emprego e melhores condições de vida, e conseguiu. Lula é aquele candidato que não devia ter chegado ao poder, mas chegou. Lula é aquele presidente que devia ter fracassado, mas teve êxito extraordinário. Lula é o excluído que devia ter ficado em seu lugar, mas não ficou.

Lula simboliza a possibilidade de um outro mundo, de um outro Brasil. Lula é a ideia de um mundo justo e a esperança de um país melhor.

Para eles, Lula não deveria existir, mas existe.

Daí o ódio, daí a perseguição incessante e a cruel lawfare. É o mesmo ódio que animava Creonte.

Na peça de Sófocles, Creonte afirma que nunca um “inimigo” lhe despertará empatia, mesmo após a morte. Em resposta, Antígona exclama que não nasceu para partilhar de ódios, mas apenas de amor.

O medo leva ao ódio, que, por sua vez, leva à crueldade e à indecência.

McCarthy, um Creonte moderno, fez toda sua carreira baseada no medo e no ódio aos “comunistas”, assim como hoje muitos fazem carreira no Brasil com base no medo e no ódio a Lula e ao PT.

Nessa cruzada, McCarthy, como acontece agora no Brasil, atropelou a justiça, o humano e todos os direitos, escritos e não escritos.

Chegou ao seu fim, um fim solitário, quando enfrentou o advogado Joseph Welch, que defendeu o Exército norte-americano de acusações de “infiltração comunista”.

Ante a acusação de que um dos auxiliares de Welch era um “comunista”, o grande advogado pronunciou sua fala imortal: “Até o momento, senador, acho que não havia conseguido medir bem sua crueldade ou sua irresponsabilidade. Não vamos mais continuar a assassinar esse rapaz, senador. O senhor já fez o suficiente. Afinal, o senhor não tem senso de decência?”

Creio que, ante essa absurda proibição de Lula velar seu irmão, aqueles que têm um mínimo de consciência e humanidade puderam medir a crueldade, o ódio e a desumanidade dos nossos “creontes”.

 Só resta perguntar, como Joseph Welch, afinal, vocês não têm decência?

Criado em 2019-02-01 13:30:49

Indianara: Uma puta revolucionária

Carlos Alberto Mattos (*) –

Indianara Siqueira é uma puta revolucionária. As duas qualificações são assumidas por ela com igual fervor no documentário que a vem revelando para o mundo. Indianara já passou em Cannes e em mostras nacionais e internacionais, foi lançado em cinemas na França e agora estreia em plataformas digitais. Foi dirigido por Aude Chevalier-Beaumel, francesa radicada no Brasil, e Marcelo Barbosa. A dupla montou uma habilidosa estratégia de observação para retratar Indianara e suas lutas em defesa de pessoas LGBTIA em situação de risco.

As violências sofridas por travestis e transexuais, que já deixaram muitas mortes nos anais do esquecimento, inflamam a indignação da ativista, também ela trans. Entre o medo e a militância, não teve dúvidas em escolher. Já se definiu como "vegana, anticapitalista e puta", o que não é pouco.

Sem entrevistas nem depoimentos, o filme se passa entre três lugares: a Casa Nem, fundada por Indianara para abrigar pessoas trans sem moradia; a casa onde ela então vivia com o marido na Zona Oeste do Rio; e as ruas, onde liderava a inserção dos LGBT nas manifestações contra Temer e Bolsonaro. Ela não se conforma com a exclusão desse grupo das pautas políticas progressistas, a ponto de denunciar o PSol quando teve sua candidatura a deputada estadual cancelada pelo partido. Faz questão também de incluir as prostitutas na mesma luta por direitos e reconhecimento político.

À época das filmagens, a Casa Nem ocupava um sobrado na Lapa (hoje está em Copacabana). Ali as moradoras viviam em comunidade, tinham aulas de alfabetização, divertiam-se e organizavam-se para as ações de resistência. Um aniversário de Indianara chega a ser comemorado por sua trupe nas escadarias da Assembleia Legislativa, território de luta da correligionária Marielle Franco.

Indianara é exemplar no balanço entre o perfil político e o retrato mais pessoal de sua protagonista. Indianara e o marido cisgênero formam um casal de alto astral, sem preconceitos nem hierarquia definida. O casamento deles é comemorado no meio da rua, diante das câmeras. Com suas protegidas da Casa Nem, ela mantém um vínculo meio maternal, num misto de autoridade e cumplicidade.

Como narrativa, o documentário avança rumo a momentos mais dramáticos, como a morte de Marielle, a vitória do horror nas eleições de 2018 e a ameaça de desocupação da casa da Lapa. Do passado de Indianara, fala-se pouco. Ela mesma parece desinteressada do que ficou para trás, como prova sua decisão de queimar fotos e papéis de sua vida pregressa. Fica a imagem, numa espécie de eterno presente, de uma mulher forte, objetiva e fascinante, para quem a luta sempre continua.

Indianara estreia dia 25 de junho nas plataformas digitais iTunes, Google Play, NOW, Looke, Vivo Play e Amazon. A partir de 5 de julho, em 195 países na plataforma MUBI.
_______________
(*) Artigo publicado originalmente no site Carta Maior

Criado em 2020-06-24 19:43:29

Haddad é o candidato de Lula à Presidência da República

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu hoje (11/9) o comando da chapa “O Povo Feliz de Novo” para Fernando Haddad (PT) e Manuela d´Ávila (PCdoB). Em carta lida durante ato em Curitiba (PR), Lula disse que não aceita “a injustiça cometida” pelos tribunais brasileiros que proibiram sua candidatura à Presidência da República.

Em carta (leia a íntegra abaixo) lida pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh no ato de lançamento da nova chapa, Lula disse: "Quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salário digno e reforma agrária".

Todos os recursos apresentados à Justiça foram rejeitados. A liminar concedida pelo Comitê dos Direitos Humanos da ONU dando a Lula o direito de concorrer nem foi considerada. As pesquisas de opinião favoráveis a uma possível vitória de Lula no primeiro turno foram desprezadas.

Haddad torna-se agora, oficialmente, o substituto de Lula para dar novo impulso à campanha como cabeça de chapa. Em seu discurso para centenas de apoiadores no palanque improvisado na porta da Polícia Federal na capital do Paraná, Haddad disse que “essa injustiça contra o presidente Lula não será esquecida, jamais”. Haddad lembra os feitos dos governos Lula e lamenta que "a intolerância contra Lula é inaceitável por tudo o que ele representou para o povo brasileiro".

Coube à presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, comunicar a decisão.

Dirigindo-se aos militantes que acompanham o presidente há mais de 150 dias na Vigília Lula Livre, Gleisi relembrou a luta incansável que culminou na festa do dia 15 de agosto em Brasília. “Quem participa da Vigília sabe todo o enfrentamento que temos feito para que ele seja candidato. Sempre acreditamos que a candidatura de Lula é essencial para tirar o país da crise, e por isso brigamos muito por ele, porque a luta por Lula se confunde com a luta do povo brasileiro”.

A senadora finalizou o discurso reforçando que “hoje não é um dia de derrota, mas de dor e revolta, que são o fermento da nossa luta. E é desse fermento que aceitamos o desafio do presidente Lula, de não deixar o povo brasileiro sem alternativa”, finalizou.

Também participaram do evento os petistas Dilma Rousseff, Wellington Dias (governador do Piauí), Lindbergh Farias, Paulo Pimenta, Wadih Damous, Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, e Dr. Rosinha.

Eis a íntegra da carta de lula ao povo brasileiro:

"Meus amigos e minhas amigas,

Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país.

Nunca aceitei a injustiça nem vou aceitar. Há mais de 40 anos ando junto com o povo, defendendo a igualdade e a transformação do Brasil num país melhor e mais justo. E foi andando pelo nosso país que vi de perto o sofrimento queimando na alma e a esperança brilhando de novo nos olhos da nossa gente. Vi a indignação com as coisas muito erradas que estão acontecendo e a vontade de melhorar de vida outra vez.

Foi para corrigir tantos erros e renovar a esperança no futuro que decidi ser candidato a presidente. E apesar das mentiras e da perseguição, o povo nos abraçou nas ruas e nos levou à liderança disparada em todas as pesquisas.

Há mais de cinco meses estou preso injustamente. Não cometi nenhum crime e fui condenado pela imprensa muito antes de ser julgado. Continuo desafiando os procuradores da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 a apresentarem uma única prova contra mim, pois não se pode condenar ninguém por crimes que não praticou, por dinheiro que não desviou, por atos indeterminados.

Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos.

Vocês me conhecem e sabem que eu jamais desistiria de lutar. Perdi minha companheira Marisa, amargurada com tudo o que aconteceu a nossa família, mas não desisti, até em homenagem a sua memória. Enfrentei as acusações com base na lei e no direito. Denunciei as mentiras e os abusos de autoridade em todos os tribunais, inclusive no Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reconheceu meu direito de ser candidato.

A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sergio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder.

E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente.

Por ação, omissão e protelação, o Judiciário brasileiro privou o país de um processo eleitoral com a presença de todas as forças políticas. Cassaram o direito do povo de votar livremente. Agora querem me proibir de falar ao povo e até de aparecer na televisão. Me censuram, como na época da ditadura.

Talvez nada disso tivesse acontecido se eu não liderasse todas as pesquisas de intenção de votos. Talvez eu não estivesse preso se aceitasse abrir mão da minha candidatura. Mas eu jamais trocaria a minha dignidade pela minha liberdade, pelo compromisso que tenho com o povo brasileiro.

Fui incluído artificialmente na Lei da Ficha Limpa para ser arbitrariamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disto pretexto para aprisionar o futuro do Brasil.

É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação “O Povo Feliz de Novo” a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente.

Fernando Haddad, ministro da Educação em meu governo, foi responsável por uma das mais importantes transformações em nosso país. Juntos, abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, negros, indígenas, filhos de trabalhadores que nunca tiveram antes esta oportunidade. Juntos criamos o Prouni, o novo Fies, as cotas, o Fundeb, o Enem, o Plano Nacional de Educação, o Pronatec e fizemos quatro vezes mais escolas técnicas do que fizeram antes em cem anos. Criamos o futuro.

Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social.

Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o País, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad.

Ao lado dele, como candidata a vice-presidente, teremos a companheira Manuela D’Ávila, confirmando nossa aliança histórica com o PCdoB, e que também conta com outras forças, como o PROS, setores do PSB, lideranças de outros partidos e, principalmente, com os movimentos sociais, trabalhadores da cidade e do campo, expoentes das forças democráticas e populares.

A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios.

Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo.

Quero agradecer a solidariedade dos que me enviam mensagens e cartas, fazem orações e atos públicos pela minha liberdade, que protestam no mundo inteiro contra a perseguição e pela democracia, e especialmente aos que me acompanham diariamente na vigília em frente ao lugar onde estou.

Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo.

Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salário digno e reforma agrária.

Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros.

Até breve, meus amigos e minhas amigas. Até a vitória!

Um abraço do companheiro de sempre,

Luiz Inácio Lula da Silva".

Criado em 2018-09-11 23:20:44

Em defesa da memória de Honestino Guimarães

Betty Almeida (*) -

Decisão do dia 6 de novembro passado do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), considerou inconstitucional a Lei n° 5.523/2015 – que alterou a nomenclatura da Ponte Costa e Silva para Honestino Guimarães.

Honestino Guimarães é o estudante da Universidade de Brasília que se destacou por ter passado em primeiro lugar geral da UnB no vestibular de 1965, aos 17 anos. Tornou-se o líder dos estudantes da UnB na resistência contra a ditadura, que de 1965 a 1968 invadiu quatro vezes a Universidade.

As qualidades individuais de Honestino Guimarães abriam para ele amplas perspectivas de realização social e profissional. Ele vinha de uma família amorosa e solidamente constituída, e apesar da perseguição que sofria, casou-se (no religioso e no civil) e teve uma filha. Mas abdicou de sua vida e anseios pessoais para dedicar-se à luta contra a opressão ditatorial e pela justiça social. Por isso foi perseguido e ameaçado de morte pelos órgãos de repressão política e enfim, no dia 10 de outubro de 1973, aos 26 anos, desapareceu. Sua família procurou-o incansavelmente por décadas, sua mãe e seu irmão faleceram sem obter respostas sobre seu paradeiro.

A Oscar Niemeyer, também alvo de perseguição da ditadura, que projetou a ponte, certamente agradaria mais o nome de Honestino do que o de Costa e Silva. O projeto de alteração do nome, apresentado à Câmara Legislativa do DF por um deputado, no desempenho de seu mandato recebido pelo voto popular, divulgado pelos meios de comunicação, foi aprovado e sancionado pelo governador.

Mais tarde, a magistral sentença do juiz Carlos Frederico Maroja Medeiros analisa aspectos técnicos considerados na ação judicial de alguns moradores do Lago Sul, em 2016, e lembra que a homenagem a quem patrocinou a tortura e a opressão não é de modo algum do interesse da sociedade.

Nomear a ponte é a homenagem justa de uma cidade em que Honestino é, para a juventude de hoje e os que viveram as lutas do passado, um símbolo de integridade e coragem na defesa de ideais de justiça e liberdade. É uma forma de honrar sua memória e demonstrar respeito à sua família.

O anexo à Lei 9140/95 lista os nomes de 136 pessoas mortas ou desaparecidas em razão de atividade política, entre as quais Honestino. Há um processo em curso no MPF- DF que investiga o desaparecimento.

A decisão do TJDFT sobre a ação de uma deputada recém eleita é uma decisão histórica, sim, por representar um triste retrocesso na história do nosso país, o único da América do Sul que não puniu aqueles que, em vez de cumprir suas próprias leis, perseguiram, prenderam ilegalmente, torturaram e mataram cidadãos por exercerem o direito, afirmado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de se opor à tirania de uma ditadura. 

________________

(*) Betty Almeida é professora universitária aposentada e autora da biografia Paixão de Honestino, Editora UnB, Brasília, 2016.

Criado em 2018-11-27 18:52:51

4º Ato da Vigília Silenciosa será no Teatro Nacional Cláudio Santoro

A quarta performance artística idealizada por trabalhadoras e trabalhadores do setor cultural do Distrito Federal volta a espalhar empatia, amor e afeto nas ruas e no céu da capital do Brasil. Dessa vez, o 4º ato acontecerá no dia 22 de junho, segunda-feira, às 17h30, na área externa do Teatro Nacional Cláudio Santoro – Esplanada dos Ministérios, Brasília. Desta vez, a homenagem será dirigida aos povos indígenas.

Quem partiu é amor de alguém, uma Vigília Silenciosa, sob a direção de Hugo Rodas e José Regino chega ao seu quarto ato nesta segunda-feira (22/6). A idealização dos atos, que compõem uma série de cinco performances, partiu da sensibilidade de profissionais da cultura do DF e têm como propósito afirmativo de que todas as vidas importam.

O primeiro ato, realizado dia 1º de junho, nos arredores da Rodoviária do Plano Piloto, foi em solidariedade às vítimas da Covid-19. O segundo, que ocupou a Praça do Museu da República no dia 8/6, reforçou o clamor pela manutenção do estado democrático, denunciou o racismo, o genocídio dos povos indígenas, aos descasos do governo federal frente à pandemia e a cultura nacional. O terceiro ato ocorreu na Catedral de Brasília.

 Nesta próxima segunda-feira, 22 de junho, o olhar e o apoio do 4° ato será para os povos originários do Brasil, os indígenas.

Profissionais de toda a cadeia produtiva do setor cultural se reunirão no gramado situado entre a Biblioteca Nacional e o Teatro Nacional. Portando ramos de árvores, bandeiras, maracas e chocalhos, os trabalhadores e trabalhadoras da cultura querem recriar uma floresta viva, clamando pelo cuidado com o meio ambiente e com a saúde dos povos indígenas – 44 etnias já foram atingidas pelo novo coronavírus. Como representante dos povos originários, a performance contará com a presença de Kretã Kaingang, filho do grande cacique Kretã Ângelo Kaingang, um herói da resistência e da luta dos povos indígenas do sul do Brasil.

Os indígenas têm sido bastante afetados pela pandemia do Covid-19. Até o dia 19 de junho, já eram mais de 600 indígenas infectados e 103 mortos, a maioria deles no estado do Amazonas.

Ao mesmo tempo, as lideranças lutam contra a invasão das terras indígenas pelo garimpo e por grileiros. A quarta performance da série “QUEM PARTIU É AMOR DE ALGUÉM” quer reforçar a importância de atendimento de saúde aos povos originários, onde quer que estejam, aldeados ou nas cidades, e oferecer mais visibilidade às suas reivindicações.

Paulo Andrade

Wagner Barja

A coordenação convida a todas e a todos a espalharem amor, afeto e empatia nas redes: “Acessem, sigam e compartilhem imagens postadas no perfil @quempartiueamordealguem, no Instagram, utilizando as hashtags #QuemPartiuéAmordeAlguém #VigíliaSilenciosa #FiqueemCasa #LeiAldirBlanc #Somos70PorCento #Juntos #Coronavírus #Covid19 #ATAC #APTR #FrenteUnificadadaCulturadoDF #FórumdeTeatrodoDF #Performance”.

A performance será transmitida ao vivo, a partir das 17h do dia 22/6, através do perfil no Instagram @quempartiueamordealguem

Serviço:
4º Ato da Vigília Silenciosa
: “Quem Partiu é Amor de Alguém”
Local
: Teatro Nacional Cláudio Santoro – Brasília – Esplanada dos Ministérios
Dia: 22 de junho, segunda-feira
Horário: às 17h30

Ficha técnica:

Criação e produção coletiva: Hugo Rodas, José Regino, Débora Aquino, Jorge Luiz, Diana Bloch, Suene Karim, Genice Barego, Kazuo Okubo, Daniel Madsen, Marcelo Calil, André Gonzales, Claudia Leal, Sergio Bacelar, Marcius Barbieri, José Delvinei, Bruno Caramori, Boca, Joy Ballard, Rodrigo Machado, Monica Ramalho, Sylvio Novelli, Ju Borgê, Tereza Padilha, Anderson Formiga, Juju Seixas, Jin Lopes, Bruno Gurgel, Allex Medrado, Lucas Souza, Camila Gama, Carlos Pontes, Cleber Xavier, Cléria Costa, Cynthia Silva, Gustavo Vieira, Ingrid Soares, Kalebe Lizan, Lidi Leão, Maria Carneiro Madeira, Marinalda Barros, Nicolly Miriã, Paulo Roberto, Reinaldo Amaral, Larissa Morais, Guilherme Monteiro, Camila Rodrigues, Analise, Lucas Sued, Beatrice Martins, Kretã Kaingang, Bruno Gurgel, Viviane Cardell, Fernando Bressan, Israel Marcos, Moacir Macedo, Nonato Ray, Maria Clara Farias, Paulo Andrade, Alaor Rosa, Ana Beatriz, Jirlene Pascoal, Aline Leão, Beatrice Martins, Lucas Lírio, Lorena Matos, Cleide Soares, Clarice Cardell, Chico Nogueira, Amelinha Cris, Bárbara Rodrigues da Silva, Cássia Olivier, Maia Marques, Kakau Teixeira, Celia Matsunaga, Rosanna Viegas e grande elenco.

Contatos para entrevistas: Hugo Rodas (61) 99875-7156 e Débora Aquino (61) 99825-7740

Assessoria de imprensa: Carmem Moretzsohn (61) 98142-0111; Rodrigo Machado (61) 98654-2569; Romário Schettino (21) 99294-0127 e Jaque Dias (61) 99988-9618.

Informações à imprensa: Rodrigo Machado (61) 98654-2569 - Território Comunicação - @territorio.comunicacao - no Facebook e Instagram

Criado em 2020-06-19 21:39:35

Zé Dirceu vê Haddad contra Bolsonaro no segundo turno

Romário Schettino -

Ex-ministro faz reuniões de avaliação política, dá entrevista e inicia uma série de lançamentos de seu livro “Zé Dirceu - Memórias, Volume I”. Noite de autógrafos no dia 4 de setembro, às 19h, no Circo Voador (Lapa), Rio de Janeiro.

Enquanto se prepara para viajar pelo Brasil, Dirceu realiza conversas em eventos de apoio aos candidatos do PT no Distrito Federal, Cristina Roberto (Deputada Federal) e Chico Vigilante (Deputado Distrital). Nesses encontros, Zé Dirceu fez avaliações otimistas em relação à campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores em nível nacional.

Para Dirceu, o grande apoio popular a Lula, neste momento, dá a ele condições de transferir votos suficientes para levar Fernando Haddad ao segundo turno contra Jair Bolsonaro. “Não temos medo da direita, sabemos como enfrentá-la”, diz ele.

“O cenário atual é de aproximação crescente da classe média e de consolidação da sábia identidade do povão com o PT”, avalia. Para Dirceu, “a direita antipetista deverá votar em Bolsonaro diante do fracasso de Geraldo Alkmin, mas Lula é mais forte que todos eles juntos”.

Em entrevista de uma hora concedida hoje (28/8) ao jornalista Eumano Silva, do portal Metrópoles, Zé Dirceu foi questionado sobre o envolvimento do PT em casos de corrupção. “Houve caixa dois, mas não compra de votos. Nessa eleição (2018) estão comprando voto a R$ 100 no Brasil inteiro, mas nós não fazemos isso”, respondeu Dirceu. Para ele, esse problema do financiamento de campanha só será resolvido com uma reforma política profunda. "Dilma propôs uma Constituinte com plebiscito e disseram, inclusive a mídia, que era ditadura. Como pode uma proposta de plebiscito ser assunto de ditadura?", questiona.

Dirceu disse a Eumano que "o problema no Brasil é que os partidos de direita não querem (a reforma política) e o PT virou um bode expiatório". A previsão do ex-ministro é que 70% desse  Congresso vai se reeleger e isso significa que não haverá grandes mudanças.

Vale a pena ouvir a entrevista na íntegra neste endereço: https://www.metropoles.com/brasil/politica-br/houve-caixa-2-mas-nao-compra-de-votos-diz-dirceu-sobre-pt

LANÇAMENTO DO LIVRO



No dia 4 de setembro Zé Dirceu estará no Circo Voador (Lapa), Rio de Janeiro, a partir das 19h, para uma noite de autógrafos.

Depois do Rio, o ex-ministro vai a Vitória, no Espírito Santo. Em seguida percorrerá todo o Nordeste, até chegar em Belém (Pará). Tudo isso a bordo de um micro-ônibus. Deverá retornar a Brasília só depois das eleições.

Neste primeiro volume Dirceu relata suas memórias até o início do chamado processo do Mensalão. No livro, ele conta fatos relacionados aos principais líderes da política brasileira nos últimos 50 anos. Aborda sua luta contra a ditadura militar, a redemocratização, a derrubada do presidente Fernando Collor, a oposição aos governos de Fernando Henrique Cardoso, a eleição de Lula e Dilma e o atual momento político do país.

Dirceu também fala de sua vida pessoal, sua mulher, ex-mulheres e filhos. Estimulado por Simone, sua atual mulher, decidiu deixar escrita sua história para sua filha de 7 anos. Escreveu enquanto esteve preso, nos fins de semana.

José Dirceu foi o principal articulador político da campanha que elegeu Lula presidente da República, depois foi ministro da Casa Civil no primeiro mandato do ex-presidente. Foi preso na 17ª fase da operação Lava Jato e condenado a 30 anos e 9 meses de prisão.

No mês passado, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a execução da pena e o liberou da prisão, a contragosto do juiz Sérgio Moro, que tentou, mas não conseguiu, manter nele a tornozeleira eletrônica.

Criado em 2018-08-28 23:21:44

Que bom! Sou um idiota!

Pedro Augusto Pinho (*) –

Há uma velocidade na sociedade contemporânea que me assombra. Para ainda encontrar o “inimigo comunista”, é preciso ter parado no tempo dos anos 1970, e, mesmo assim, ser pouco afeito à busca e ao entendimento do que ocorria ao redor do mundo.

Um momento de inflexão, de virada, foi a década de 1980, quando Margaret Thatcher e Ronald Reagan aboliram os controles e regulamentações para o capital financeiro e pode, então, o sistema financeiro internacional acolher o capital acumulado por atos ilícitos - tráfico de drogas, de pessoas e órgãos humanos, de armas, das corrupções empresariais e políticas - que ficavam em cofres, armários e, alguns mais ousados, em contas secretas na Suíça e nos paraísos fiscais, que começavam a brotar em ilhas caribenhas e do Canal da Mancha.

A partir daí, acelerou-se uma estrutura de capacitação formada desde a II Grande Guerra. Além da óbvia expertise em finanças, foi desenvolvido um novo  entendimento para diferentes áreas do conhecimento, e um bom exemplo desta diversidade são os Colóquios de Royaumont (**).

Ressalto, nestes conhecimentos, um conceito amplo da informação, associado à teoria dos sistemas. Neste amálgama se desenvolveu a tecnologia e a capacitação política deste sistema, que está em evolução permanente.

Há dez anos escrevia sobre a existência de meia centena de famílias, e poderia enumerar boa parte, que controlavam os fluxos financeiros internacionais. Elas também respondiam pelo controle de governos e instituições internacionais, e eram as impulsionadoras, financiadoras e municiadoras da enorme quantidade de guerras que deflagraram, explodiram, desde 1990, no mundo.

Um manto de farsas e fraudes cobriu esta realidade. Ora atribuída aos islâmicos, ora à preguiça dos gregos, à incapacidade crônica dos latinos, tudo para que não ficasse claro, evidente, que havia uma força condutora da economia, das finanças, da comunicação de massa, da produção acadêmica, do poder político e de governos em todo o planeta. Este poder, o sistema financeiro internacional, eu abrevio na palavra banca, mas meu caro leitor encontrará com frequência sob a designação de Nova Ordem Mundial, ou, na sigla em inglês, NWO.

Como é óbvio, uma das escapulidas deste poder é atribuir as realidades a uma “teoria conspiratória”, ao que retruco com a frase brilhante do grande jornalista e perspicaz analista Carlos Alberto (Beto) Almeida: “Não conheço teorias, mas constato muitas práticas conspiratórias”.

A área psicossocial foi das mais profundamente desenvolvidas pela banca. Inúmeros centros de pesquisa e institutos de análise e desenvolvimento foram criados nestas quatro últimas décadas. Afinal era indispensável não apenas convencer as populações do contrário da lógica ocidental, construída, o longo de séculos, pelas religiões, pela ciência, pelas universidades, mas saber o que poderia motivá-las, que perfis de pessoas seriam mais sensíveis aos diferentes estímulos dos órgãos de comunicação social, inclusive e especialmente daqueles que cresceram com a banca, os sistemas virtuais.

Façamos uma breve pausa tratando dos sistemas virtuais. Neste último meio século, os equipamentos e sistemas de informação e comunicação evoluíram extraordinariamente. Tomando a minha vida profissional, passei da dificuldade de conseguir uma ligação telefônica internacional ou, menos ainda, interurbana, para a imediata transferência de valor de uma conta bancária na Ásia para outra na América Latina, ou seja, entre países menos desenvolvidos do que os Estados Unidos da América (EUA) e os da União Europeia (UE). E pelo meu aparelho celular.

Também foi neste período que a concentração de renda se acelerou e se modificou a tal ponto que já não poderei, em 2018, identificar as maiores fortunas, e, por favor, sejam um pouco mais exigentes do que repetir os exibicionistas da Fortune. Provavelmente os Windsor, os Orange-Nassau  continuarão sendo das quatro ou cinco maiores fortunas do mundo e nunca comporão as listas da Fortune.

Esta permanente concentração de renda levou ao anonimato dos aplicadores bilionários ou, até, trilionários. Divididos em múltiplos fundos, este donos do mundo passaram, no entanto, sua gestão para a igualmente anônima e impessoal gestão dos conselhos e comitês dos trilionários Vanguard Group, BlackRock, Street State Global Advisors, Fidelity e outras empresas de captação e aplicações financeiras.

Estas empresas são inacessíveis, as vítimas jamais conseguirão responsabilizá-las por desastres ambientais, humanos, econômicos ou quaisquer outros, em Corte ou tribunal de países ricos, desenvolvidos, o que dirá em pobres e colonizados como o Brasil.

Uma superestrutura financeira que tem o projeto colonizador universal. E como sabe que Estados Nacionais podem se libertar, por pressão dos povos famintos e desesperançados, sem ter mais o que perder, a banca tem também o projeto de redução populacional.

Há um século a população mundial não chegava a 2 bilhões de almas. Hoje avizinha 8 bilhões. Tenho lido, em diversas fontes, e apenas repito que a banca pretende reduzir a população a 10% da atual. Mas faz sentido para evitar a pressão demográfica, que desencadearia outras em oposição ao sistema financeiro.

E, para isso, além do recurso das guerras, já em vigor, seriam acrescentados desastres ecológicos, uso de inseticidas e pesticidas inibidores de fertilidade e até assassinos, a disseminação de pestes e doenças, como ebola e outras produzidas em seus laboratórios, as migrações recebidas com tiros e, caro leitor, não pretendo escrever mais uma distopia. Elas já estão nas redes virtuais e nos canais de comunicação de massa.

Mas você estará recebendo, pessoalmente, as informações necessárias para apoiar a banca. E isto porque ela estuda você, sua família, seus amigos, seus correspondentes nos facebook, twitter, instagram, whatsapp e todos estes sistemas de comunicação. Nestes institutos especializados são processados  os fluxos e manifestações das pessoas e, como pesquisadores de mercado, que  não pretendem lhe vender produtos mas ideias, reações, que você as terá “espontâneas”. E será um militante da banca, com a confiança e entusiasmo de um pobre faxineiro analfabeto na igreja neopentecostal, cujo pastor (como um Bispo Macedo) fica, sem qualquer escrúpulo, com toda remuneração de seu trabalho.

Que bom! Sou agora um imbecil diplomado.

______________

(*) Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado.

(**) A “Abbaye de Royaumont”, mosteiro cisterciense do século XIII, a cerca de 30 km de Paris, acolheu, entre as décadas de 1950 e 1970, inúmeros seminários, conferências, debates e colóquios. Esta atividade foi retomada, em 2003, sob o título “Entretiens de Royaumont”.

 

 

 

 

 

 

 

 

Criado em 2018-11-18 17:21:08

53º Festival de Brasília será virtual e no Cine Drive-in

A mais relevante mostra de cinema do país, depois de ameaçada de não acontecer este ano, será realizada em formato virtual e presencial, no Cine Drive-in, com orçamento de R$ 2 milhões. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi salvo depois de ampla mobilização dos cineastas, cinéfilos e artistas brasilienses e do Brasil.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) acabou por se convencer, desautorizou seu secretário de Economia, André Clemente de Oliveira, que havia cortado a verba orçamentária, e ligou para o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, garantindo a realização do evento. Ganhou a cidade, o país e a cultura.

Esse festival virá com várias novidades. O secretário disse à Agência Brasília que, diante da pandemia de Covid-19, é hora de “revolucionar” o jeito de fazer o festival. “Será um aprendizado para um evento de tão grande magnitude. E sem o direito de errar, com o desafio de trazer bons filmes e grandes diretores”, avalia Bartô.

Rodrigues conta que o governador foi bastante sensível no entendimento de que o Festival não representa uma despesa, mas um investimento. “Será uma chance de realizarmos de forma virtual e presencial”, conta.

Previsto para outubro ou novembro, o evento deve ser realizado em formato híbrido: on-line e exibições de filmes no Cine Drive-In- por sinal, o único do gênero na América Latina. Algumas empresas de streaming já demonstraram interesse em fazer parcerias para a exibição dos filmes nas plataformas virtuais. Dessa forma, o Cine Drive-in, depois de ter virado personagem de cinema com o filme de Iberê Carvalho, renasce das cinzas. Que seja bem aproveitado.

“Alguns festivais no mundo inteiro estão mudando de formato ou simplesmente sendo cancelado”, conta Rodrigues. Ele lembra que Cannes (França) está no mesmo dilema. “Temos algumas vantagens, como o Cine Drive-in, essa preciosidade que vamos utilizar da melhor forma”, planeja.

O secretário lembra que agora é a hora inovar. “Talvez inauguremos um modelo novo de realização de festival, que pode ser uma referência.”

Uma “coordenação descentralizada” ficará sob o comando do gabinete da Secec – contando, inclusive, com a presença de todos os representantes da classe cultural. O primeiro a ser convocado foi o mestre de todos os cineastas da cidade, Vladimir Carvalho – com mais de meio século de vida afetiva com o Festival de Brasília.

Vladimir está para completar 86 anos. Nascido na Paraíba, mas radicado na cidade desde 1969, já aceitou o convite e promete ajudar com afinco. Experimente, o cineasta acredita que até lá, novembro, essa crise sanitária já passou e torce por um evento 100% presencial, carregado de espírito de esperança.

“Estou otimista. Aceitei esse chamamento por pura coerência e vou colaborar, será um festival cheio de esperança para uma nova realidade”, defende.

Com a autoridade de quem assistiu 45 edições das 52 que aconteceram (25 deles vividos em Brasília), a jornalista Maria do Rosário Caetano, hoje morando em São Paulo, elogia a iniciativa de não permitir a suspensão do mais importante festival. “O GDF reconhece que este é o mais duradouro, sólido e estimado projeto cultural da capital brasileira”, destaca ela.
________________
Com Lúcio Flávio, da Agência Brasília/GDF.

Criado em 2020-06-19 19:36:05

ONU se pronuncia sobre direito de Lula concorrer

O Comitê de Direitos Humanos da ONU se pronunciou hoje (17/8) sobre o direito de Lula ser candidato à Presidência da República. A ONU determina que o Estado brasileiro “tome todas as medidas necessárias para permitir que o autor [Lula] desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições presidenciais de 2018, incluindo acesso apropriado à imprensa e a membros de seu partido político” e, também, para “não impedir que o autor [Lula] concorra nas eleições presidenciais de 2018 até que todos os recursos pendentes de revisão contra sua condenação sejam completados em um procedimento justo e que a condenação seja final”.

O Comitê das Nações Unidas reconheceu a violação aos diretos humanos de Lula e que ele está na iminência de sofrer "danos irreparáveis". Segundo os advogados do ex-presidente, "nenhum órgão do Estado Brasileiro poderá apresentar qualquer obstáculo para que o ex-presidente Lula possa concorrer nas eleições presidenciais".

A Justiça brasileira pode não cumprir a determinação da ONU, mas o desgaste internacional será muito grande, maior do que já está. Os acordo assinados perante a ONU têm força de lei. Se o Brasil não acatar essa determinação, segundo o ex-chanceler, Celso Amorim, vai se tornar "um pária internacional".

Leia a íntegra do comunicado oficial dos advogados de Lula:

"Na data de hoje (17/08/2016) o Comitê de Direitos Humanos da ONU acolheu pedido liminar que formulamos na condição de advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25/07/2018, juntamente com Geoffrey Robertson QC, e determinou ao Estado Brasileiro que “tome todas as medidas necessárias para que para permitir que o autor [Lula] desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições presidenciais de 2018, incluindo acesso apropriado à imprensa e a membros de seu partido político” e, também, para “não impedir que o autor [Lula] concorra nas eleições presidenciais de 2018 até que todos os recursos pendentes de revisão contra sua condenação sejam completados em um procedimento justo e que a condenação seja final” (tradução livre).

A decisão reconhece a existência de violação ao art. 25 do Pacto de Direitos Civis da ONU e a ocorrência de danos irreparáveis a Lula na tentativa de impedi-lo de concorrer nas eleições presidenciais ou de negar-lhe acesso irrestrito à imprensa ou a membros de sua coligação política durante a campanha.

Por meio do Decreto nº 6.949/2009 o Brasil incorporou ao ordenamento jurídico pátrio o Protocolo Facultativo que reconhece a jurisdição do Comitê de Direitos Humanos da ONU e a obrigatoriedade de suas decisões.

Diante dessa nova decisão, nenhum órgão do Estado Brasileiro poderá apresentar qualquer obstáculo para que o ex-presidente Lula possa concorrer nas eleições presidenciais de 2018 até a existência de decisão transitada em julgado em um processo justo, assim como será necessário franquear a ele acesso irrestrito à imprensa e aos membros de sua coligação política durante a campanha".

Assinam: Valeska Teixeira Zanin Martins e Cristiano Zanin Martins - Advogados de Lula

Criado em 2018-08-17 18:48:22

O capitão e a esfinge – O elogio da mediocridade

Geniberto Paiva Campos –

“As manobras da direita e das mídias contra Lula tornaram possível o impensável: elevar a política encarnada por Bolsonaro ao lugar de solução aceitável para o país”. (*)

A vida nos ensina: os medíocres são imbatíveis. E indestrutíveis. Para os medíocres prevalece a lei do eterno retorno.

Quaisquer que sejam os caminhos assumidos pelo futuro governo do capitão, eleito presidente da República, algumas escolhas para postos chave indicam que a esfinge começa a ser decifrada. E as expectativas não são animadoras.

Sem exagero, poderemos ter em breve o retorno dos Trapalhões (nenhuma ofensa ao grupo do Renato Aragão). Truculentos, estúpidos e violentos.

Evitando, por vários motivos, analisar os recentes e memoráveis acontecimentos do período eleitoral – uma das eleições mais estranhas dos últimos tempos, plena de fraudes e manipulações, vale mais a pena tentar interpretar seus resultados, suas consequências e o que esperar do futuro governo. As urnas falaram e a vitória do capitão é fato consumado.

Mas fica a expectativa que o país tenha eleições livres e limpas no futuro. Com o indispensável apoio das autoridades eleitorais. (Não vale fazer cara de paisagem diante de fraudes e abusos...)

No entanto, o clima eleitoral persiste, causando imensa perplexidade aos brasileiros mais atentos. O novo governo age como se houvesse assumido o poder. E mostra vacilações injustificáveis. Caminha em ziguezague. Seguindo impávido numa direção confusa, num clima de disfarce, como se estivesse a esconder seus verdadeiros objetivos.

Torna-se impossível, até o momento, identificar a face real do governo que assumirá o controle do Executivo do país dentro de poucas semanas. Como se houvesse uma cortina de fumaça entre a população perplexa e seus futuros dirigentes. Para onde caminhará o governo? Para onde caminha o Brasil?

O capitão logo irá comprovar uma obviedade política: nem sempre se governa com as pessoas que ajudaram – e foram até decisivas - na campanha eleitoral.

Ademais, ideias toscas e simplórias não cabem num mundo cada vez mais complexo. Em todas as áreas: economia, educação, cultura, meio ambiente, saúde, relações internacionais. Ideias toscas e simplórias, soltas ao vento pelos gurus da campanha servem para uso eleitoral, mas não para governar o Brasil. Um imenso país, situado entre as dez maiores economias mundiais.

Essa retórica do retrocesso é apenas o improvável manto fantasioso com o qual tentam, inutilmente, fazer o país regredir ao século 19. E o mais importante: essas afirmações tolas e a incontida estupidez vociferadas pelos integrantes da equipe do novo governo não mudam a realidade do país. E muito menos o contexto internacional. Reações intensas já se manifestam em alguns países.

Bom lembrar aos néscios militantes que a campanha eleitoral terminou em outubro passado. E a repetição desses conteúdos “ideológicos” acabam por impacientar, e mesmo irritar, a chamada opinião pública. Que apenas espera que o governo eleito governe. Agindo na busca das soluções dos problemas do país. Que não são poucos.

A agenda do novo governo é a ausência de agenda. Ou seja, o desmonte do país, enquanto Nação. O capitão foi eleito sem defender qualquer tipo de projeto. Foi necessário, apenas, construir e divulgar mal explicada agenda negativa. Conquistou eleitores negando seu adversário, o “lulopetismo”, e se apresentado como alternativa. E não ousou comparecer a nenhum debate para o necessário confronto de ideias com os adversários.

A partir de janeiro de 2019, o Brasil estará sob o comando de um grupo místico. Salvacionistas demiúrgicos. Livres pensadores que interpretam - e quando necessário reescrevem – a História, conforme as suas necessidades e absurdas justificativas. Sem a mínima autocrítica ou receio do ridículo.

Afinal, eles contam com o apoio, ou a complacência, da mídia e seus jornalistas e consultores em permanente disponibilidade.

O problema é que a narrativa midiática ou a comunicação eletrônica, mesmo (bem) manipuladas, não serão suficientes para suprir a dura realidade dos fatos. Aguardemos o desenrolar do pesadelo que nos foi imposto.

E já se torna perceptível a preocupação dos democratas de raiz na formação de uma frente de coalização ou  resistência ao governo dos medíocres.

_________________

(*) Renaud Lambert – Le Monde Diplomatique Brasil – novembro, 2018.

Criado em 2018-11-18 17:03:17

  • Início
  • Anterior
  • 60
  • 61
  • 62
  • 63
  • 64
  • 65
  • 66
  • 67
  • 68
  • 69
  • Próximo
  • Fim

Quem somos | Pacto com o leitor | Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros | Política de Privacidade e Cookies | Por que o nome BRASILIÁRIOS

Copyright © 2016 BRASILIÁRIOS.COM.

SiteLock