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No sábado (14/9), a partir das 14h, no Parque Ambiental do Bosque, em São Sebastião (Distrito Federal), será realizado um evento criado para valorizar a produção literária feminina. Entrada franca.
Mulheres de São Sebastião e de outras regiões do DF estarão reunidas no 1° Sarau das Sebastianas, uma feira literária, Na programação, muita poesia, roda de conversa sobre literaturas e ainda artesanato, comidas, música, teatro e dança!
Segundo as organizadoras, “o objetivo é levar entretenimento para a comunidade e difundir o trabalho cultural de mulheres e abrir espaço para que apresentem suas obras”.
Entre as artistas confirmadas para o Sarau Sebastianas estão nomes conhecidos no DF e também em âmbito nacional: como as cantoras Dhi Ribeiro, Martinha do Côco, Carliane Alves e Gabi Viola. A poesia é por conta de Cristiane Sobral, Nanda Pimenta, Seira Beira, Bia Estiano, Priscilla Sena, Xibi Rodrigues, Carli Ayô e Leisa Sasso.
E, tem também, poesia musicada com o espetáculo “Dona dos Ventos” de Limonada e Caramelo (Cristiane Sobral e Dani Vieira). Já o teatro será com Kelly Costy, apresentando “A grande aventura”. A Trupe das Desempregadas leva também para o palco “Brincadeira de Maria”. As obras da exposição, que ficará no local, são de Xibi Rodrigues e Carli Ayô.
Esse projeto tem apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).
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Serviço:
Evento: 1° Sarau das Sebastianas
Quando? Sábado, dia 14 de setembro, a partir das 14h.
Onde? Parque Ambiental do Bosque, em São Sebastião, no Bairro Residencial do Bosque.
Criado em 2019-09-05 17:01:20
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é contrário à proposta de Emenda à Constituição (PEC 241, agora 55, no Senado) que congela gastos com saúde e educação apresentada ao Congresso pelo governo Michel Temer.
Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241/55 limita, a partir do próximo ano, as despesas primárias do Estado, como a educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros, para os próximos 20 anos.
Na nota, os bispos afirmam que a proposta [aprovada na Câmara e agora remetida ao Senado] é injusta e seletiva. “Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos”, diz um trecho.
Destaques - Questionado se a CNBB pretende levar à nota ao Senado, o presidente da entidade, dom Sergio da Rocha, afirmou que, primeiramente, o objetivo é que ela chegue a todas às comunidades da própria igreja.
“É claro que nós temos interesse que os próprios parlamentares conheçam essa reflexão, essa posição da CNBB, especialmente o Senado já que a próxima etapa acontece lá, então estamos dispostos a um diálogo com os poderes”, garantiu.
Ainda sobre a mesma temática, o vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger ressaltou que pesa sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade.
“A sociedade não tem uma participação, ela foi colocada diante de uma situação e nem imagina as consequências, que serão duradouras. Então, se é uma solução ideal para o Brasil, porque não dialogar e envolver toda a sociedade?”, indagou o bispo.
Ainda durante a coletiva, os bispos trataram de assuntos referentes à reunião do Conselho Permanente, ocorrida de 25 a 27 de outubro. Na pauta, a criação da Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano, o relato da visita da presidência da CNBB ao papa Francisco e a temática da próxima Assembleia Geral dos Bispos, que ocorrerá de 26 de abril a 05 de maio, em Aparecida (SP).
Leia o texto na íntegra:
“NOTA DA CNBB SOBRE A PEC 241
“Não fazer os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida.” (São João Crisóstomo, século IV)
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 25 a 27 de outubro de 2016, manifesta sua posição a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo que, após ter sido aprovada na Câmara Federal, segue para tramitação no Senado Federal.
Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado – educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros – criando um teto para essas mesmas despesas, a ser aplicado nos próximos vinte anos.
Significa, na prática, que nenhum aumento real de investimento nas áreas primárias poderá ser feito durante duas décadas. No entanto, ela não menciona nenhum teto para despesas financeiras, como, por exemplo, o pagamento dos juros da dívida pública. Por que esse tratamento diferenciado?
A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.
A PEC 241 supervaloriza o mercado em detrimento do Estado. “O dinheiro deve servir e não governar! ” (Evangelii Gaudium, 58). Diante do risco de uma idolatria do mercado, a Doutrina Social da Igreja ressalta o limite e a incapacidade do mesmo em satisfazer as necessidades humanas que, por sua natureza, não são e não podem ser simples mercadorias (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 349).
A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional. A partir de 2018, o montante assegurado para estas áreas terá um novo critério de correção que será a inflação e não mais a receita corrente líquida, como prescreve a Constituição Federal.
É possível reverter o caminho de aprovação dessa PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política. Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241.
A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo povo brasileiro. Deus nos abençoe!
Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB”.
Criado em 2016-11-01 10:15:18
Marilu Dumont (*) –
Passou um pé de vento por aqui, levou as flores de manga, passou entre dois cajueiros, e lá estava na pracinha - aquela com um coreto bem no meio. Lugar da memória onde a gente brincava de “parte-queijo” e de “bicho voa?.”
Decerto que a Casa Voadora de “ZéCarlos” ficava bem por ali. Foi uma delícia reencontrar “o camundongo, dor de cabeça de todos da casa, ratinho esperto feito pernilongo ia, vinha e voava sem ter asa”.
Brincar de “parte queijo” era a brincadeira favorita da meninada de beira de rio. E depois a gente sentava bem no centro do coreto pra animar o dia com “bicho voa”, desafio de palavras fiadas e afiadas. Brincadeiras ingênuas sem celular nem nada, e que levavam a imaginação pra Casa Voadora do ZéCarlos.
Fiquei dentro da casa dele apreciando encantada os voos rasantes de cada objeto que passava de raspão na minha cabeça, puxava a ponta dos novelos da minha caixa de linhas. O meu bordado tava bem em cima da mesa prestes a alçar voo e a agulha olhou assombrada pro aspirador.
Catei minhas linhas e a tesoura predileta (já pensou se elas resolvem acompanhar a vassoura ou o cortador de grama?). O pé de vento me levou pelos cantinhos da casa. E cadê aquele menino atentado que subia em pé de amora só pra bisbilhotar a lagarta virando borboleta? Ou estaria no galinheiro pra descobrir como a galinha bota ovo? Bem no centro do novelo de lã saiu o fio da memória que virou um varal na Casa Voadora, bem no coração do quintal. ZéCarlos foi quem puxou o fio.

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Serviço:
Título da obra: A Casa Voadora
Autor: José Carlos Peliano
Ilustrações: Adriana Peliano
Editora: Patuá – 2019
Número de páginas: 48
Preço de capa e na Amazon: R$ 45
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(*) Marilu Dumont é artista plástica, psicóloga e bordadeira de artes e encantos.
Criado em 2019-09-05 22:06:53
Roberto Amaral (*) -
Reuniu-se no Rio de Janeiro, em 19 e 20 de julho, o "Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil", iniciativa que deita raízes no Tribunal Russell-Sartre sobre os crimes de guerra dos EUA no Vietnã, seguidamente reunido para julgar os crimes das ditaduras na América do Sul ('Tribunal Russel II', Roma 1974, Bruxelas 1975, Roma 1976), e que culminou, por suposto, com a condenação do regime militar brasileiro.
Sobre o Tribunal do Rio em si, ouviu-se o silêncio sepulcral de nossa grande imprensa, "dopada com tranquilizantes", como observa Jânio de Freitas. Nem uma só palavra sobre a presença, entre nós, de juristas europeus, norte-americanos e latinos.
E, por óbvio, nem uma linha, nem um segundo de rádio ou de televisão. Nenhuma palavra sobre a sentença, simplesmente porque os juristas-jurados afirmam, unanimemente, a "inexistência de crime de responsabilidade ou de qualquer conduta dolosa que implique um atentado à Constituição da República e aos fundamentos do Estado brasileiro", donde considerarem que o impeachment, com o qual o Senado ameaça a presidente Dilma Rousseff, se caracterizaria, acaso efetivado, como verdadeiro golpe ao Estado Democrático de Direito.
Assim, desvinculados dos conflitos brasileiros, atentos apenas ao bom Direito e aos fundamentos da democracia, nos falam juristas como Walter Antillón Montenegro (Costa Rica), Jaime Fernando Cárdenas Garcia (México), Maria José Farinas Dulce (Espanha), Alberto Filipi (Argentina), Carlos Augusto Gávez Argote (Colômbia), Azadeh N. Shahshahani (EUA), Giani Tognini (Itália) e Raul Veras (México).
Mas a questão jurídica, não obstante sua relevância, é apenas um dos muitos aspectos da violência que, abatendo-se sobre Dilma, ameaça, na verdade, o processo histórico-social brasileiro, ameaça o desenvolvimento, a independência e o futuro de nossa gente e de nosso País.
Acena com uma regressão político-ideológica de décadas, em certos termos mais profunda do que aquela que nos atingiu em 1964, e da qual pensávamos, vã ilusão, que nos havíamos vacinado com a redemocratização e as vitórias populares que se seguiram a 2002.
A história está aí para ensinar a possibilidade sempre presente de retorno a quadros políticos aparentemente superados, e que o pior é sempre uma possibilidade.
A tragédia alemã do nazismo foi gerada ainda no útero da constituição democrática de Weimar, mãe de nossa Carta de 1934, que, por seu turno, expeliu àquela autoritária do Estado Novo.
Nas entranhas da frente democrática que dinamitou o Estado Novo (1945), estava o reacionarismo golpista e militarista da UDN, que finalmente chegaria ao poder com a regressão autoritária de 1964.
Não nos esqueçamos da eleição de Collor, pondo uma pá-de-cal na frustrada promessa da 'Nova República' ao implantar a primeira experiência neoliberal, afinal levado a cabo pelos oito anos do tucanato, derrotado em quatro eleições, e agora redivivo no regime do presidente interino.
O professor Cristovam Buarque, senador da República por Brasília, reivindicando a isenção que ninguém lhe nega, apresenta-se, diante do processo do impeachment no Senado, como um jurado num tribunal do júri, prestes a julgar Dilma Rousseff: "Sou um julgador, não um indeciso. Mesmo que eu tivesse um sentimento formado, eu não diria qual é. Como é que posso julgá-la se ela não veio aqui" (Valor, 15/7/2016).
Posta de lado a óbvia irrelevância da eventual presença física da presidente na Casa Legislativa, o fato objetivo é que em nenhuma oportunidade o Senado, e nele o senador Cristovam Buarque, estará julgando a presidente Dilma, com seus erros e seus acertos.
O que está em jogo (pode até ignorá-lo o senador, mas não ignorará o professor que sobrevive nele), é o futuro deste País. Uma nação que Cristovam (e seus colegas) assumirá a responsabilidade histórica de legar aos seus netos.
Justifica-se que poucos tenham acreditado nos reais compromissos de Michel Temer quando o vice em campanha pelo cargo anunciou sua "Ponte para o futuro", na verdade sua carta de compromisso com o atraso.
Justifica-se, pois a fidúcia jamais foi elemento destacado do caráter de Temer e seus áulicos de hoje. Mas como ignorar seus dois meses de governo interino e as promessas com as quais acena na trágica eventualidade da consumação do crime político? Como ignorar a PEC 241/2016, a limitar o crescimento dos gastos públicos à variação da inflação, efetiva promessa de barbárie social?
Para não falar da catástrofe que ela anuncia para a educação brasileira – isto é, para o futuro do país, e isso o senador Cristovam sabe muito mais do que eu e a maioria de meus poucos leitores e seus muitos eleitores.
Consideremos apenas o que a proposta anuncia para a Saúde. Arrimo-me nas denúncias do ex-ministro José Gomes Temporão: "Se essa regra vigesse há 20 anos, não teríamos o programa nacional de imunizações que é o maior do mundo, não teríamos o programa de Aids que é um dos mais respeitados do mundo, não seríamos o segundo maior país em transplantes de órgãos, não teríamos os 100 milhões de brasileiros cobertos pelo Programa de Saúde da Família e o impacto, dando só um exemplo, da redução dramática da mortalidade infantil (...) Eu diria que viveríamos uma situação de barbárie social, simplesmente" (seminário "Austeridade contra a Cidadania", São Paulo, 18/7/2016).
Mais que julgar Dilma Rousseff, quem votar pelo impeachment estará, conscientemente, votando num projeto de governo no qual o SUS e as compensações sociais não cabem no Orçamento da União. Está em jogo uma opção clara, ideológica e material, pelos credores e pelos rentistas, em detrimento do povo. Votando a favor do impeachment, fundado na conspiração e na fraude, supondo estar julgando a honrada presidente Dilma, na verdade o humanista e agora senador Cristovam estaria (e creio que jamais estará) optando pela revisão dos direitos dos trabalhadores, pelo desmonte do Estado e pela alienação de nossa soberania.
Não há mágoa que o justifique. Fique isso bem claro, para que fique bem claro o compromisso que cada um dos senadores e senadoras estará assumindo com o País e seu povo: o voto pelo impeachment é a opção pelo regresso social.
É ainda a opção por novo período ditatorial, uma 'ditadura de novo tipo', na sequência de um 'golpe de novo tipo', sem tanques nas ruas, sem vetustos generais de óculos escuros, mas comandada por arrivistas civis, apoiada por estamentos burocráticos estatais poderosíssimos em simbiose como a Polícia Federal, o Ministério Púbico Federal, setores do Poder Judiciário e um STF partidarizado, cujo melhor exemplo é a liderança política e técnica de Gilmar Mendes, o adversário do decoro, aquele ministro que, como observa o colunista Bernardo Mello Franco, da Folha de S.Paulo, "não disfarça" seu facciosismo.
O novo governo já disse a que veio e já anunciou com o que nos ameaça mais na frente, como governo das elites contra os pobres. De seu repertório de perversidades constam todos os apelos da direita, do reacionarismo, do preconceito social, a fermentação do autoritarismo que toma conta das estruturas da desigual sociedade brasileira.
De par com a desnacionalização da economia nacional, em marcha, de par com a precarização do Estado reduzindo ou anulando seu poder de intervenção em favor dos mais pobres e mais oprimidos, anulando seu poder de indutor do desenvolvimento social e de combate às desigualdades sociais e econômicas, culturais, políticas e regionais.
O governo da direita já anunciou a retomada de teses como a redução da maioridade penal e elevação de três para 10 anos do limite de internação de menores infratores e – atenção, senador Cristovam! –, o corte das verbas para a Cultura e para Educação, após o assassinato do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e o abastardamento da universidade pública, do ensino e da pesquisa, bem como a redução do acesso dos pobres à universidade e ao ensino gratuitos.
O governo, pelos seus associados, já anuncia como meta o aumento da carga horária dos trabalhadores. O empresário-rentista dos bancos públicos Benjamin Steinbruch sugere que o intervalo para o almoço dos trabalhadores seja reduzido a 15 minutos. O ministro do Trabalho, cargo antes ocupado por políticos comprometidos com os direitos dos trabalhadores, volta à lengalenga udenista contra a CLT e, em nome de sua "modernização", retoma o discurso da terceirização e da supremacia da negociação sobre a proteção legal.
Que negociação pode ser favorável aos trabalhadores, especialmente àquelas categorias mais fragilizadas, em meio a à recessão e ao desemprego? Um governo que acena contra as garantias da Previdência, a favor dos ricos e contra os pobres, a favor do capital e contra o trabalho, contra o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, promotor da desigualdade social, antinacional e antipopular, não sobrevive no leito das franquias democráticas.
O governo com o qual acena o vice-perjuro será necessariamente uma ditadura de novo tipo Um regime antidemocrático, conformado com uma Constituição reformada, emendada ao sabor de uma maioria retrógada.
Uma ditadura amparada na unanimidade da grande imprensa, a serviço do poder econômico e por isso louvada por todas as avenidas Paulistas da vida, além de protegida pela parcialidade do Poder Judiciário, preguiçoso na defesa dos pobres e pressuroso na proteção dos direitos dos poderosos. Diante desse quadro, como pode um senador ou senadora, liberal ou de centro-esquerda, ter dúvidas sobre que decisão tomar?
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(*) Roberto Amaral é cientista político e ex-presidente do PSB. Artigo publicado originalmente no site http://jornalggn.com.br
Criado em 2016-07-25 20:27:21
A peça O Colecionador de Pombos, do dramaturgo Alexandre Ribondi, capixaba residente em Brasília, está alçando bons voos. Traduzida para o espanhol, com o título de El Coleccionador de Pájaros, a obra estreou em La Paz, Bolívia, há cerca de dois anos e, de lá para cá, tem se apresentado no principal eixo consumidor de arte do país, que são as cidade de Cochabamba, Santa Cruz de la Sierra, além da capital.
E, como se não bastasse, El Coleccionador de Pajáros, levado ao palco pelo jovem ator Jorge Barón, sob a direção do próprio Alexandre Ribondi, acaba de ganhar o Premio Nacional de Teatro Peter Travesi Canedo, que, após 28 anos de existência, se tornou um dos prêmios mais importantes do cenário boliviano.
Para Jorge Barón, que interpreta um homem solitário que vê a sua coleção de pombos misteriosamente destruída, esse prêmio merece todo o destaque, por se tratar de ser escolhido "num país onde a produção cultural está crescendo em quantidade e qualidade. É um respaldo para que a gente participe de outros festivais, aqui e no exterior".
Na verdade, trata-se da primeira montagem produzida pela Companhia Mosaico Colectivo, de La Paz. Jorge Barón tem, no seu currículo, cursos de arte cênica realizados no Brasil, país ao qual pretende retornar em novembro de 2019, para uma pequena temporada de El Coleccionador de Pájaros no teatro da Casa dos 4, espaço independente em Brasília.
No momento, o Mosaico Colectivo se prepara para se apresentar em Cochabamba, ao lado das outras peças que também foram agraciadas com o Premio Nacional de Teatro. Em seguida, como diz o ator, "vamos começar a procurar festivais e mostras na Bolívia e fora daqui, com o respaldo que agora temos". E que os pássaros bolivianos alcancem os céus, sempre.

Criado em 2019-09-04 16:23:58
Romário Schettino -
O movimento Frente Brasil Popular, partidos políticos, sindicatos, sociedade organizada, estudantes, mulheres e negros saíram às ruas em todo o país para defender a democracia e pedir a saída de Temer.
No Rio de Janeiro a concentração (neste domingo, 31 de julho) contra o golpe ocorreu na Candelária e os manifestantes saíram em caminhada até a Praça Mauá, onde fica, sugestivamente, o Museu do Amanhã.
Futuro que os brasileiros conscientes insistem em garantir para os seus filhos e netos.

As palavras de ordem dos cariocas incluíram Fica Dilma, o Petróleo é Nosso, Fora Temer e os golpistas. Alguns e algumas coxinhas velhas acenavam negativamente com o polegar, mas muitos apoios vinham dos carros e ônibus nos cruzamentos.
Minutos antes pude ouvir um carro de som dos apoiadores de Bolsonaro-presidente tentando inflamar seus seguidores, em Copacabana, afirmando que a Força Nacional é “bolivariana”, “não é o Exército”. Tenha paciência!
Ao som de olê, olê, olá Dilma, Dilma! Assim, a marcha caminhava.
Lula, que pediu à ONU para intervir no processo jurídico brasileiro, sofreu uma represália sem tamanho. Manchetes requentadas trataram de “revelar” uma suposta reforma na cozinha do sítio de Atibaia.
Além disso, um juiz suspeito de atrapalhar as investigações da Operação Zelotes, aceita o indiciamento de Lula por “supostamente” obstruir a Justiça. Mas Eduardo Cunha continua solto e Temer trabalha na surdina para impedir a sua cassação na Câmara dos Deputados.
A injustiça contra Lula só é admitida na imprensa estrangeira. Os meios de comunicação brasileiros escondem a opinião divergente. Não publica sequer as opiniões de uma senadora de direita como Kátia Abreu quando sai em defesa de Dilma. A agenda da presidenta afastada é solenemente ignorada. Só resta a ela e aos seus apoiadores a militância no ambiente virtual, mais conhecida como MAV.
A democracia brasileira corre riscos. É o que afirmam políticos, juristas e jornalistas nacionais e internacionais. Um tribunal internacional condenou o golpe parlamentar/jurídico/midiático no Brasil. Mas isso foi apenas um detalhe para o jornalismo empresarial brasileiro.
Os senadores têm até o dia 29 de agosto para decidir se Dilma fica, ou sai. A esperança de que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue o mérito desse impeachment é depositada em apenas um ministro, Marco Aurélio. O STF faz parte do golpe?
Mas o pior de tudo isso é o que ainda pode acontecer caso Temer vá até 2018 como presidente golpista.
Os direitos das minorias, a venda definitiva do pré-sal – já iniciada –, as reformas trabalhistas, o corte nos programas sociais não sobreviverão à sanha neoliberal que toma conta das elites e da imprensa oligopolizada.
As esquerdas brasileiras ainda não tomaram consciência dos riscos que correm junto com o futuro do país.
A direita conservadora, por sua vez, joga todas as cartas para impedir que Lula seja candidato em 2018, depois de se lambuzarem de todos os benefícios oferecidos pelos governos lulista e dilmista.
A traição de Temer, aliada à fome de poder dos tucanos, fará com que os brasileiros que elegeram Dilma engulam o programa derrotado.
Criado em 2016-07-31 23:09:36
Espetáculos brasileiros, da Espanha e França se apresentarão, de 5 a 7 de setembro, no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília. O XVII Festival Internacional de Dança Contemporânea é o Dança em Trânsito 2019.
Esse festival itinerante é produzido pelo Espaço Tápias e circula pelo RJ, GO, SC, RS e DF, e será encerrado em Paris (França). O projeto não se limita a espaços convencionais como os teatros, promove ocupação da arte também em paisagens urbanas, levando o fazer artístico para além dos limites de espaços comumente reservados à dança.
Assume um formato que une espetáculos e plateia em um casamento orgânico, transporta o artista para “onde o povo está”, intervindo na pulsação dos ritmos citadinos e na rota dos transeuntes. No Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o festival ocupa o teatro I e a área externa, espaços de convivência aberta intensamente frequentados pelo público.
Na abertura, dia 5/9, o espetáculo Água, do espanhol Chey Jurado, bailarino/performance, mescla estilos de dança urbana, ocupando o espaço externo. Na sequência, o Ateliê do Gesto, de Goiânia, apresenta Dança Boba, no Teatro do CCBB. O espetáculo traz a construção de danças a partir de jogos de improviso nos corpos de dois intérpretes. Embalados por um universo sonoro recheado de texturas, uma linha dramatúrgica e poética tece camadas que potencializam e revelam a gestualidade construída a partir de uma gestação de afetos.
Na sexta, 6/9, O azul do céu me determina, da companhia carioca Referência em Arte, será encenado na área externa do CCBB, às 19h. A profunda intimidade de Manoel com as coisas da terra, com os cheiros e hálitos que marcaram sua infância, se traduz com imensa simplicidade nos poemas do livro.
E a programação da noite continua no teatro, às 20h, com duo da companhia francesa Cia. “À FLEUR DE PEAU”, com a montagem Un Ange passe-passe ou Entre Les Lignes il y a un Monde. O mote traz questões sobre a comunicação. “Se consideramos o silêncio como a estaca zero da comunicação, é interessante nos questionarmos sobre a importância de uma comunicação além das palavras. Como se fazer entender neste mundo onde a comunicação é praticamente onipresente, mas se resume quase sempre num diálogo de surdos?”.
E para encerrar a passagem do Dança em Trânsito por Brasília, no dia 7/9, às 15h30, o Grupo Tápias, do Rio de Janeiro, apresenta o infantil Creme do Céu (foto, abaixo). No enredo, a queda acidental de uma estrela na Terra é o ponto de partida para o espetáculo. Criado originalmente em 2017, na França, pelo Grupo Tápias, a apresentação reúne dança, teatro e videoarte e ganha uma nova versão brasileira, em 2019. E às 16h30, no espaço aberto, o solo Bolero de 4, de João Neto (Salvador/BA). O espetáculo faz um diálogo entre os princípios da dança contemporânea e as técnicas esportivas de bicicleta BMX. Esta mistura estética desloca o esporte para o ambiente artístico e vice-versa.

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Serviço:
Dança em Trânsito 2019
Local: Teatro e área externa do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB -Brasília)
Datas: 5, 6 e 7 de setembro de 2019
Ingressos para espetáculos no Teatro: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia e clientes BB com Ourocard).
Vendas na bilheteria do CCBB e também no site www.eventim.com.br
Os espetáculos na área externa têm acesso livre
Endereço: SCES Trecho 2 – Brasília/DF Tel.: 61 3108-7600
Classificação etária: LIVRE
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. Site: bb.com.br/cultura
Redes sociais: facebook.com/ccbb.brasilia : twitter.com/CCBB_DF : www.instagram.com/ccbbbrasilia
Confira mais informações no site: bb.com.br/cultura
Criado em 2019-08-31 18:42:00
A propósito de notícias divulgadas em alguns blogs brasilienses informando que a bancada do Partido dos Trabalhadores estaria negociando participação no governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) publicou em seu site um artigo desmentindo qualquer entendimento nesse sentido.
Eis a íntegra do artigo do deputado Chico Vigilante:
"O jornalista Ricardo Callado publicou hoje (2/8), em seu Blog do Callado, nota com informações equivocadas sobre minha posição em relação ao governo do senhor Rodrigo Rollemberg.
O material foi republicado em outros blogs sem que eu tenha sequer sido ouvido.
A publicação insinua que a bancada do PT na Câmara Legislativa, formada pelos deputados Wasny de Roure, Chico Vigilante e Ricardo Vale, integraria a base de sustentação do atual governo, o que não é verdade.
Eu, Chico Vigilante, quero deixar claro para a população do DF que, após tanto tempo na vida pública, tenho por norma respeitar a vontade da população e dos eleitores do DF.
Em 2014, tivemos uma eleição na qual eu apoiei o então candidato Agnelo Queiroz, do PT. Tenho orgulho de tudo o que foi feito pelo DF em seu governo.
Perdemos a eleição no primeiro turno e eu anulei o meu voto no segundo. Minha compreensão é que a população não quis o nosso governo e nos mandou para a oposição.
Portanto, eu não faço parte da base parlamentar do senhor Rodrigo Rollemberg. Não sou seu inimigo, mas vou continuar me pautando, como sempre, com liberdade e autonomia para analisar e defender o que for de interesse da população.
Como de costume, tudo o que disser respeito à melhoria das condições de vida da população do DF contará com meu voto favorável.
O que não for do interesse sofrerá meu voto contrário. Fomos nós da bancada do PT que impedimos, por exemplo, uma série de reajuste de impostos pretendidos pelo atual governo. Inclusive o IPTU, que subiria até 600%.
Na questão das Organizações Sociais, as OSs, para que fique claro, não haverá acordo. Não tem negociação. Sou contra por convicção. Votarei contra e farei tudo o que estiver ao meu alcance para impedir a implantação desse sistema predatório contra a saúde da população no DF.
Também, para o reestabelecimento da verdade, não quero indicar nomes para o governo Rollemberg e não aceitarei cargos em sua composição.
Eu não apoio Rollemberg. Apoio, como sempre, a população do DF.
O resto são falácias e intrigas. E esse tipo de jogo eu não aceito."
Criado em 2016-08-03 13:49:05
Peça com direção de Hugo Rodas e dramaturgia de Gil Roberto baseia-se no mito de Prometeu e faz uma reflexão política contemporânea. Em cartaz nos dias 22 e 23 de agosto, às 20h, no Teatro Sesc Garagem (713/913 Sul), Brasília. Ingressos a R$ 20 (meia). Não recomendada para menores de 16 anos.
Uma incendiária procura por pessoas para atiçar seus espíritos e instigar uma revolução que está em curso. Um ditador é queimado numa festa antropofágica. O eterno retorno de uma quarta-feira de cinzas fatídica se repete no tempo. Deus foi queimado e suas cinzas foram salpicadas sobre os homens. Uma delicada e sutil garoa assentou a poeira deixada pelas chamas. O barro da criação. O barro da imaginação. É dessa lama primordial que nasce o espetáculo “Prometea, Abutres, Carcaças e Carniças”.
Eram os abutres astronautas? É assim que começa a trama. Com dois abutres amorais se alimentando da noite dos outros. Antes mesmo da aurora da humanidade, eles sobrevoavam esta terra e aguardam o fim do mundo enquanto atos políticos e jogos de poder se repetem indefinidamente na história humana. Uma ética abútrica onipresente parece pairar sobre os atos dos homens desde sempre.
O texto não é cronológico e tem uma estrutura enunciativa e narrativa, abdicando –se do recurso do diálogo. A liberdade poética da dramaturgia é enriquecida com um mosaico de imagens na encenação de Hugo Rodas e com a agregadora música do pianista João Lucas. O viés político e social do espetáculo traz uma relação poética livre com o mito de Prometeu, um revolucionário que roubou o fogo dos deuses para dá-lo aos mortais. Zeus, que temia que os mortais ficassem tão poderosos quanto os deuses, puniu o titã pela sua ousadia, deixando Prometeu amarrado em uma rocha pela eternidade enquanto uma grande águia comia seu fígado de dia e ele se regenerava à noite, em um ciclo sem fim.
“A águia do mito também é um abutre em outras narrativas. Esse abutre é uma sombra rica e profunda de Prometeu, de Zeus e da própria humanidade. A figura desse abutre sempre me intrigou. Então, resolvi investigar e montar uma peça com essa temática. A figura de Prometeu já tem um tom de rebeldia. Ele era um agitador político. E, atualmente, vivemos em um momento de necessária agitação política. A peça flerta com o nosso presente, com o que temos vivido atualmente, com os sentidos do ético e do político, com as possibilidades do imaginar. Mas não há uma ideia moralista no texto, ele é aberto para a reflexão e sentidos”, destaca o autor.
A modulação para o gênero feminino Prometea faz alusão à obra de Alan Moore, que faz da heroína Promethea um avatar da imaginação. E é a partir do ato de imaginar que a dramaturgia possibilita várias narrativas que sugerem a urgência da imaginação como a centelha necessária para uma mudança de paradigmas. Enquanto aguardam o fim, os abutres sentem, na flor do coração, que algo precisa verdadeiramente mudar. O que fazer enquanto o apocalipse não chega? Imaginar é urgente!
Podres poderes
Fogo, revolução, morte, regeneração, transubstanciação, imaginação. Prometea, Abutres, Carcaças e Carniças faz revolver estes elementos a favor de um verdadeiro coquetel molotov da linguagem teatral. A música é mais um elemento que chafurda e funda novas propostas neste caldo dramatúrgico. E é por meio dessa linguagem em constante movimento que Gil Roberto e Micheli Santini são dirigidos pelo uruguaio Hugo Rodas.
“O Hugo é um mestre para todos. Juntos, estamos nos banhando em uma dramaturgia porosa e aberta que aproxima eventos recentes da nossa história política a eventos políticos recorrentes na história da humanidade. O que é um abutre? Quem são os abutres? Quem são as carcaças e carniças?”, questiona Gil Roberto.
A dramaturgia destaca ainda a função deste animal para o equilíbrio de ecossistemas, promovendo uma verdadeira obra sanitária: “São aves falconiformes vulturídeas especialistas em carniça e, como não fazem acepção de carne, se alimentam de toda a matéria em decomposição. Uma ética abutre perpassou todo o processo de criação”, explica.
Segundo o autor, o contexto da peça traz uma discussão sobre o poder, que é pensado a partir da visão do abutre, que na natureza é um animal que se alimenta de carniça, da carnificina, da podridão da matéria. Uma metáfora possível para refletirmos a densidade do nosso contexto político atual. O que é necessário digerir para irmos adiante?
Ficha Técnica:
Direção, Cenografia e Figurino: Hugo Rodas
Dramaturgia: Gil Roberto
Assistente de Direção: Rodrigo Fischer
Elenco: Gil Roberto e Micheli Santini
Direção Musical: João Lucas
Músico/Operação de Som: Rafael Gama
Cenotécnico: Adriano Roza
Assistente de Cenografia: Rodrigo Lélis
Design de Vídeo: Fernando Gutierrez
Iluminador: Camilo Soudant
Design Gráfico: Luísa Malheiros
_______________________
Serviço:
Peça: “Prometea, Abutres, Carcaças e Carniças”
Data: 22 e 23 de agosto, quinta e sexta-feira
Local: Teatro Sesc Garagem (713/913Sul), Brasília.
Horário: 20h
Ingressos: R$ 20 (meia-entrada)
Não recomendado para menores de 16 anos.
Vendas: cenacontemporanea.com.br/2019/eventos/prometea-abutres-carcacas-e-carnicas/
Criado em 2019-08-19 21:44:19
Alexandre Ribondi -
O socialista António Guterres, que já foi primeiro-ministro de Portugal pelo Partido Socialista (de que foi um dos fundadores, logo após a Revolução dos Cravos, em 1974), ex-alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), foi escolhido secretário-geral da ONU, o que faz com que essa organização intergovernamental, criada em 1945, com sede na cidade norte-americana de Nova Iorque, seja, pela primeira vez, comandada em português, língua que, por sinal, ainda não é oficial na casa.
A indicação do político e diplomata lisboeta pode ser vista como uma conquista, mas a grande pergunta é: e daí?
A lista dos secretários-gerais que antecederam Guterres é sintomática. Até os anos 1950, os nomes vinham de países europeus de boa situação econômica e com peso no cenário internacional, como Suécia e Áustria.
A partir daí, a coisa mudou de figura e a ONU tem sido permanentemente chefiada por representantes de Gana, Mianmar, Peru e Egito. Isso pode querer dizer que essas escolhas são melhores para os países dos secretários do que para a paz mundial.
Porque parece ser mesmo verdade a opinião de Mafalda, criação de Quino, o cartunista argentino, sobre a organização: "A simpática inoperante".
Talvez por isso, o português não tenha tido grandes concorrentes na disputa pelo mais alto cargo das Nações Unidas. É o que se pode dizer que candidatos que vêm da América Latina (Argentina e Costa Rica) ou de terras longínquas em nosso imaginário como Bulgária, Croácia, Moldávia, Eslovênia e Montenegro. Isso sem esquecer que, no contexto europeu, Portugal também é periferia.
Mas que não sejamos pessimistas nem detratores. A jornalista portuguesa Graça Vasconcellos, que nunca votou em Guterres, acredita que ele é o homem certo no lugar certo: "Ele tem os princípios, a dedicação e o perfil para o cargo". Além disso, como ela diz, "Guterres tem se destacado na luta a favor dos refugiados e, assim, acabou por construir o seu caminho até a ONU".
Como Alto Comissário para os Refugiados (2005 a 2015), ele se destacou por não se cansar de advertir os países ricos para que "fizessem mais pelos refugiados, pois os milhões de pessoas que fogem dos conflitos na Síria, Iraque e Afeganistão acabariam vindo para a Europa, se países como Jordânia e Turquia não tivessem oferecido ajuda".
E sempre tocou numa ferida aberta da Europa: "Os que dizem que não podem receber os refugiados sírios porque são muçulmanos estão apoiando as organizações terroristas e permitindo que elas sejam muito mais efetivas para recrutar".
Como primeiro-ministro português, tem recebido elogios até mesmo de seu rival político, Cavaco Silva, ex-presidente de Portugal, que afirmou que Guterres é "uma voz ouvida e respeitada no mundo todo".
Como primeiro-ministro do seu país, António Guterres também foi aplaudido, mas nem tanto. O arquiteto francês Laurent Scanga, que há mais de 20 anos mora na cidade do Porto, no norte de Portugal, lembra que ele, no comando da administração portuguesa era "um pouco mole, assim como um pudim francês".
Acontece, na verdade, que Guterres é da chamada "esquerda católica" (sempre foi praticante fervoroso da sua fé) e quando, durante o seu mandato, foi lançado o plebiscito para tirar o aborto da ilegalidade, ele não chegou a fazer campanha contra, mas avisou aos portugueses que era contra.
Até hoje, é acusado de ter colaborado para a derrota da legalização do aborto em Portugal. Mesmo assim, esteve à frente de Portugal durante os anos 1990, quando o país ia bem de finanças e quase não havia desemprego.
Como secretário-geral da ONU – Guterres assumirá o cargo no dia 1º de janeiro de 2017, até lá continua no cargo o sul-coreano Ban Ki-moon – ele já afirmou que aceitou o cargo com "humildade, gratidão e responsabilidade" e que pretende recuperar os primeiros propósito da organização. E tem sido cauteloso diante da tarefa que tem pela frente.
Uma delas é encontrar solução para a guerra na Síria; a outra será ampliar o número de membros permanentes - atualmente são apenas cinco: EUA, China, Rússia, Reino Unido e França – no Conselho de Segurança da ONU, o mesmo desde 1945. O Brasil reivindica mudanças nessa composição em nome da multipolaridade mundial.
Mesmo afirmando que o "verdadeiro vencedor é a credibilidade das Nações Unidas", ele diz estar "absolutamente consciente dos problemas e dos limites da organização". Por isso, se define agora como um "construtor de pontes".
Aliás, o chefe supremo da Igreja Católica é, e não por acaso, também chamado de pontífice, palavra latina que quer dizer exatamente "construtor de pontes".
Como se vê, António, de Nova Iorque, e Francisco, do Vaticano, poderão trabalhar juntos. E que a paz esteja conosco.
Criado em 2016-10-13 19:34:29
Antônio Carlos Queiroz –
A poeta americana Emily Dickinson (1830-1866) era fissurada pelas palavras. Certa vez, evidente exagero, disse a um amigo que durante anos o seu único companheiro tinha sido o “Lexicon”, a edição de 1844 do primeiro grande dicionário americano, editado por Noah Webster. Ainda assim, o dicionário servia apenas como instrumento de trabalho para ela, soberba inventora de termos, rimas e pontuações.
Nesse sentido, pode se dizer que Emily pensava de maneira parecida com os linguistas modernos, que estudam as variações da língua, ente tão permanente como o rio de Heráclito, e não como os gramáticos tradicionais, contumazes embalsamadores de palavras.
O poemeto abaixo ilustra o que acabo de dizer:
F278 (1862) / J1212 (1872)
A word is dead, when it is said
Some say -
I say it just begins to live
That day
Dizem que a palavra morre
Quando é dita -
Digo que ela nasce justo
Nessa data
Emily não teve a oportunidade de publicar os seus quase 1800 poemas. Trabalhou duro, porém, na edição de 1.100 deles mais ou menos, a maioria dos quais selecionou para organizar 40 fascículos, talvez com a intenção de publicá-los. Chamam a atenção as múltiplas alternativas de palavras e expressões, parecendo às vezes obsessivas, que ela considerou no esforço de acabamento desses poemas.
Noves fora, vai daí, resolvi também eu brincar com palavras, que nem a Emily, no exercício de tradução de uma quadrinha que ela compôs em 1871 (J1193-F1205).
Aqui vai o original e – em vão – as minhas 10 versões, diversões, extroversões, inversões, reconversões e até tergivers(aç)ões, sei lá:
All men for Honor hardest work
But are not known to earn -
Paid after they have ceased to work
In Infamy or Urn -
1 -
Todos por Honra trabalham duro
Sem saber qual é o retorno -
São pagos depois de trabalhar
Com Infâmia ou com Urna -
2 -
Por Honra todo mundo dá duro
Sem saber a comissão -
Sai o soldo no fim da labuta
Em Infâmia ou Caixão -
3 -
Pela Honra todos dão duro
Sem saber qual é o lucro -
Pagos no final do esforço
Com Infâmia ou Sepulcro -
4 -
Por Honra todo homem labuta
Desconhecendo o salário -
Pagamento no fim do batente
Com Infâmia ou Ossário -
5 -
Por Honra todo homem se esmera
Dessabendo o numerário -
O prêmio sai no fim da porfia
Com Ultraje ou Sudário -
6 -
Por Honra todo homem se estafa
Sem saber a quantos guinéus -
O salário no fim do serviço
É Desonra ou é Mausoléu -
7 -
Pela Honra todo mundo moureja
Ignorando a recompensa -
O pagamento no fim da empreitada
Será Miséria, talvez Essa -
8 -
Por Honra todo mundo porfia
Sem saber por quanto dinheiro -
O ordenado no fim do batente
Será Infâmia ou Carneiro -
9 -
Todo mundo por Honra batalha
Ignorando o rendimento -
O ganho no fim do trabalho
Será Afronta ou Monumento -
10 -
Os homens labutam por Honra
Sem saber o estipêndio -
No fim da refrega recebem
Epitáfio ou Vilipêndio -
Criado em 2019-08-17 17:32:28
O presidente da Síria, Bashar al-Assad disse, em uma entrevista para o jornal russo "Komsomólskaya Pravda" que “sente no ar o cheiro de uma Terceira Guerra Mundial, embora ainda não haja enfrentamento militar direto".
Segundo Assad, a situação atual é similar à de uma "guerra fria em evolução", já que "o Ocidente, e em especial os Estados Unidos, não detiveram a guerra fria sequer após o colapso da União Soviética". A destruição da Síria segue com contornos de crueldade jamais vista. Milhares de refugiados tentam escapar da morte todos os dias. As principais vítimas são as crianças.
E acrescentou que seu país é um dos cenários mais importantes nesta guerra que, segundo ele, tem como objetivo principal "preservar a hegemonia estadunidense no mundo, não permitir que apareçam sócios na arena política internacional, seja a Rússia ou seus aliados no Ocidente".
Por que o Ocidente quer controlar a Síria?
Al-Assad – O controle da Síria é crucial para o Ocidente, já que, durante séculos, este país tem sido uma fonte da dinâmica geopolítica do Oriente Médio. A Síria tem uma posição vantajosa no Mediterrâneo e aqui está a linha divisória entre diferentes culturas. Por isso, o controle da Síria é importante para o controle de toda a região.
A Síria é um país independente e o Ocidente nunca aceitará a independência de nenhum país, seja a pequena Síria ou a grande Rússia. Para o Ocidente, que busca constante consentimento, é problemático o fato de que a Rússia, da mesma forma que a Síria, proteja seu direito de dizer “sim” ou “não”.
E o terrorismo é usado como instrumento?
Al-Assad – É natural que as relações entre Moscou e Washington sejam tensas. Isso se explica porque os dois países falam de coisas diferentes. São ideologias diferentes, abordagens diferentes.
A Rússia quer lutar contra o terrorismo não apenas pela Síria e não apenas pela própria Rússia. Luta pela região inteira, para toda a Europa e para o mundo inteiro.
Os russos entendem que o terrorismo cresceu de forma constante, enquanto que os estadunidenses, desde a guerra no Afeganistão nos anos 1980 até a atualidade, acreditam que o terrorismo é um instrumento ao qual sempre se pode recorrer.
Por que a Síria pediu ajuda à Rússia?
Al-Assad – Há especialistas militares russos que vivem aqui há décadas. Em 2014 se deram conta de que o equilíbrio mudou a favor dos terroristas apoiados pelo Ocidente e outros países, como Arábia Saudita, Catar e Turquia.
Portanto, os russos estavam preparados para uma intervenção direta. E os convidamos. Confiamos na Rússia e na sua política. A ajuda da Rússia na luta contra o terrorismo "mudou de maneira fundamental o equilíbrio de poder a nosso favor".
A política dos russos está baseada na moral, não apenas e tão somente nos interesses. Sabemos que nos apoiam para destruir o terrorismo.
Qual a receita para resolver a crise síria?
Al-Assad – Para resolver o conflito no país é importante determinar quem apoia os terroristas. Não importa quem está intervindo nos assuntos da Síria agora, o mais importante é quem apoia os terroristas a cada dia e a cada hora. Nisso está o papel da Rússia, que é um fiel aliado da Síria e cuja operação antiterrorista no país tem uma base legal. Entretanto, há outros países que intervêm com o objetivo de apoiar os terroristas.
Fonte: Rússia Today/Portal Vermelho
Criado em 2016-10-15 20:51:59
Personagens que fazem parte da história, da cultura e da educação de Brasília serão homenageados hoje (14/8), às 19h, em sessão solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A cerimônia é uma iniciativa deputada distrital Arlete Sampaio (PT).
Esse evento ocorre em comemoração ao “Dia do Patrimônio Cultural" (17 de agosto). A data foi incluída no calendário oficial do DF e também no calendário escolar por meio da Lei 5.080 de 2013, de autoria da deputada petista.
“Faremos uma importante homenagem a personagens que fazem parte da História, da Cultura e da Educação de Brasília. Cidadãs e cidadãos, candangos de nascimento ou de coração, que, ao longo de sua trajetória, imprimiram e imprimem sua marca amorosa nesse quadrilátero”, explica Arlete.
Entre as personalidades a serem homenageadas, há representantes da Educação, da Música, do Jornalismo, da Arquitetura e Urbanismo, da Fotografia e da Cultura.
Veja abaixo a lista dos homenageados:
- Hélio Doyle
- Márcia Acioli
- Alexandre Ribondi
- Wagner Pacheco Barja
- José Leme Galvão Júnior
- Sílvio Cavalcante
- Benny Shvarsberg
- Conceição Freitas
- José Carlos Córdova Coutinho
- Frederico de Holanda
- Beth Ernest Dias
- Jaime Ernest Dias
- Zuleika de Souza
- José Roberto Bassul
- Edileuza Fernandes da Silva
- Erasto Fortes Mendonça
- Maria Sena Pereira Freire (Mestra Maria Sena)
- Marta Leonardo (Mestra Martinha do Coco)
- Tico Magalhães (Capitão do grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro)
- Nilson Rodrigues
- Luis Jungmann Girafa
- Iara Pietricocsky
- Luis Humberto Miranda Martins
Serviço:
Sessão solene em homenagem a personalidades da História, Cultura e Educação do Distrito Federal
Dia 14 de Agosto, às 19h
No Plenário da Câmara Legislativa do DF (CLDF).
Criado em 2019-08-14 18:45:23
Pedro Tierra (*) -
É com pesar que registro o passamento, nesses idos de agosto, do Senador Cristovam Buarque eleito pelo PDT do Distrito Federal e atualmente alojado no PPS. Por faltar-lhe a coragem política para filiar-se direta e francamente ao PSDB, preferiu acomodar-se numa linha auxiliar.
Como a vida não deixa as coisas pela metade, é meu dever registrar também, neste país que parece condenado a andar em círculos, ao longo de sua História, a ressurreição do Senador Auro de Moura Andrade.
Para os mais jovens e para os que não se recordam dele, o referido senador paulista foi quem atrasou os ponteiros do relógio do Senado da República, na madrugada de 2 de abril e declarou a vacância da Presidência da República, sob os protestos de Tancredo Neves (Canalha! Canalha! Bradou Tancredo, então Líder do Governo, num tempo em que os parlamentares chamavam essas pessoas pelo seu verdadeiro nome) quando o Presidente João Goulart ainda se encontrava em Porto Alegre, portanto em território nacional.
Dessa forma, Auro de Moura Andrade conferiu aparência de legalidade ao golpe de estado desferido pelos generais no dia anterior (1º de abril de 1964).
Naquele momento como hoje, os golpistas se esmeram em polir a máscara do golpe com os mesmos e surrados argumentos do correto funcionamento das instituições, da defesa da moralidade e da democracia.
Esse fato histórico foi lembrado de forma eloquente pelo Senador Roberto Requião no seu pronunciamento durante o julgamento da Presidente Dilma, na tarde de 29 de agosto.
Mirava o Senador paranaense duas figuras menores flagradas em seu desconforto pelas câmeras da TV Senado, que representam – palidamente – Minas Gerais. Não honram nem Minas nem a figura que Tancredo protagonizou naquele momento.
Imaginava o senador, Moura Andrade com aquele gesto, poder voltar atrás os ponteiros da História. A História se vingou dele, condenando-o ao justo esquecimento.
Só em 21 de novembro de 2013 o Congresso Nacional anulou a sessão indigna que decretou a vacância da Presidência da República e selou a legalização do golpe, com a anuência do STF.
Seu Presidente, Álvaro Ribeiro da Costa, numa sessão fantasmagórica, deu posse a Ranieri Mazzilli, então presidente da Câmara, cuja presença figurativa na Presidência duraria poucos dias para ceder lugar ao primeiro ditador, o General Castelo Branco.
A sociedade brasileira levaria vinte e um anos de lutas contra a tirania que se estabeleceu a partir daquele gesto, para derrotar os generais e empresários que violaram a Constituição de 46 e – rejeitados nas urnas – se impuseram pela força dos canhões.
Num gesto que repetia a sequência de golpes que ocorreram desde a proclamação da república. Reveladora da solidez da cultura política oligárquica e do profundo desprezo que as elites brasileiras nutrem pelo exercício da Democracia.
O sonho dessas elites herdeiras da exploração do trabalho escravo é uma sociedade tutelada pelos seus luminares, uma democracia sem voto. Uma democracia sem povo. O que assistimos hoje é, mais uma vez, a insistência no caminho do atalho, para recuperar o mando secular dos senhores de engenho.
Quantos anos o Brasil levará para anular a farsa desse processo de impedimento sem crime de responsabilidade da presidente Dilma Rousseff, exposto agora aos olhos do mundo? Quanto tempo levará para punir os usurpadores que violaram a soberania popular expressa por 54 milhões de votos, os que feriram de morte a Constituição de 1988? E revelam todo o seu cinismo quando afirmam que ela não cabe no Orçamento? Quanto tempo levaremos para desmascarar o conluio e a conspiração que levaram ao afastamento de uma Presidente eleita pelo voto popular e preparam o retorno do embuste da eleição indireta?
O Senador Auro de Moura Andrade tenta se levantar do chão dos mortos e escapar do ostracismo nessa segunda década do século XXI, como resultado do conluio entre um Parlamento sem moral, um Judiciário partidarizado e uma mídia criminosamente cartelizada para anular todos os avanços sociais, econômicos e culturais obtidos pelos setores populares, nos últimos treze anos, durante os governos Lula e Dilma.
Os senadores dispostos a incorporar o defunto e infundir nele um sopro de vida, serão percebidos a partir dos idos de agosto de 2016 como mortos-vivos pelos corredores.
Alcançarão apenas o duvidoso e passageiro êxito de converterem-se a si próprios no cadáver político do seu inspirador.
Mais cedo do que imaginam encontrarão uma sociedade capaz de reagir, por meio da desobediência civil, ao atropelo da soberania popular, ao saque dos direitos dos trabalhadores e à pilhagem dos recursos naturais do país – particularmente os recursos do pré-sal – para oferece-los criminosamente aos interesses estrangeiros.
Mais cedo do que imaginam a História – ela é implacável – vai voltar-lhes as costas e pulveriza-los na cinza do esquecimento.
________________
(*) Pedro Tierra – É poeta. Presidente do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo.
Criado em 2016-08-31 14:11:29
A ópera barroca Venus and Adonis, do compositor inglês John Blow, que reúne mais de 20 artistas brasilienses, foi criada no século XVII e apresenta um retrato da corte inglesa e de seu rei Charles II. Apresentações de 13 a 18 de agosto, de terça a sábado às 20h30 e domingo às 19h30, no CCBB-Brasília.
Estreando no Brasil como ópera, tendo sido apresentada somente em forma de concerto, Venus and Adonis estreia em Brasília unindo música, teatro e dança. Interpretada por 23 músicos e três bailarinos, a maioria brasilienses, a montagem une a narrativa clássica ao mundo contemporâneo.
Dirigida por quatro artistas de longa experiência e destacada atuação na capital brasileira, a ópera leva para a cena a obra do organista barroco John Blow (1649-1708), executada em texto original. A novidade é que a versão brasileira dialoga com a cultura contemporânea e com as novas possibilidades tecnológicas. Para isso, mescla diversas matrizes de expressão cênica, ao mesmo tempo em que preserva fidelidade às características originais da peça.
Composta em 1682, Venus and Adonis é o mais antigo exemplo de ópera inglesa e às vezes é classificada como “masque” (uma espécie de semi-ópera, como também King Arthur, de Henry Purcell). As masques serviam para entretenimento dos reis e se enraizaram na corte inglesa a partir de Henrique VIII.
A obra satiriza as “aventuras amorosas” do Rei Charles II e de sua corte e faz uma alegoria da relação entre o soberano e seu povo. Adonis seria uma representação do rei e Venus representaria seu povo, caracterizado por uma grande flutuação de ânimos com relação ao governante.
Obra precursora
Venus and Adonis se distingue das demais óperas do período por alguns aspectos. O primeiro deles é o fato de a obra conter uma ação musical contínua, na qual a trama se desenrola. Outra novidade é o libreto ter sido escrito por uma mulher, Anne Kingsmill, algo raro para a época. Contendo elementos de afirmação feminina, na ópera a personagem Venus assume o controle dos acontecimentos, como aconteceria mais tarde em obras como Carmen, de Merimée, Halévy, Meilhac e Bizet.
Para os padrões da ópera barroca, representada por compositores como Handel e Vivaldi, o formato de masque de Venus and Adonis, apesar de cronologicamente anterior, se mostra mais moderno ao espectador contemporâneo pela descontinuidade dramático-musical. A construção da trama mostra linguagem avançada para a época: desenrola ação musical contínua, com recitativos se transformando em árias, que se tornam novamente recitativos, e assim por diante.
A linguagem musical barroca está carregada de simbolismos musicais, metáforas e espaço para a experimentação. A constante interrupção do tempo dramático obriga a direção a criar estratégias cênicas que mantenham o interesse do espectador durante o espetáculo, o que acaba por originar propostas modernas, fincadas na interação entre diferentes meios físicos e virtuais para a concepção de cena.
Time de ponta
Formado por Monica Monteiro, André Vidal e Cecilia Aprigliano, o Conosco - Coletivo de Criadores é um grupo de artistas envolvidos na criação, produção e execução de espetáculos que contemplam música, artes visuais, teatro, dança e outras manifestações artísticas contemporâneas.
Tem como elementos-base as músicas renascentista e barroca, também se aventurando pela música dos séculos XX e XXI e pela música popular brasileira.
A ópera Venus and Adonis é a segunda produção do coletivo nessa área - a primeira foi a obra de Adriano Banchieri, da renascença italiana, “Barca di Venetia per Padova”, obra realizada no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília em temporada de sucesso.
A direção musical de Venus and Adonis está a cargo de André Vidal e Cecilia Aprigliano, músicos eruditos com carreiras nacional e internacional, que também participam como instrumentistas. Vidal coordena o ensaio das vozes; Cecilia Aprigliano, o ensaio do grupo instrumental. A regência do texto musical é de David Castelo, que atuará ainda como instrumentista.
Já o premiado artista brasiliense Gê Orthof assina a direção artística e será responsável pela concepção plástica e pelo cenário da ópera, ficando a direção cênica sob a batuta da renomada atriz e bailarina brasiliense Eliana Carneiro, que também assina a coreografia a ser realizada por três bailarinos.
A formação instrumental do elenco será composta por duas flautas doces; dois violinos, duas violas da gamba, um cravo e um tiorba. Já a formação vocal terá três cantores/solistas, oito cantores no coro adulto e quatro cantores no coro infantil. Juntos, levarão ao palco a concepção moderna da montagem que contextualizará a música renascentista com o olhar do homem do século XXI.
No total, serão 23 músicos, três bailarinos e quatro diretores envolvidos na montagem, e, à exceção de dois músicos e do regente que virão de outros Estados, todos os profissionais integram a cadeia produtiva de arte da cidade. Soma-se, ainda, equipe técnica de aproximadamente 17 profissionais.

O barroco no mundo atual
A ópera barroca ocupa um lugar de relevo na programação dos teatros de ópera da atualidade, um nicho próprio, ao largo do mainstream – por sua vez, constituído pelas óperas da segunda metade do século XVIII e do século XIX, período conhecido como Romantismo. Na ópera barroca, a ação e diálogo acontecem nos recitativos (uma espécie de canto estilizado, que fica entre a recitação poética e o canto propriamente dito). Nas árias, que são as canções, os personagens estão em um tempo suspenso. O público, dessa maneira, ouve o que o personagem está pensando, não necessariamente o que ele está dizendo. Essa duplicidade de tempos torna a experiência da encenação mais instigante.
Ficha técnica:
Direção musical: Cecilia Aprigliano e Andre Vidal
Direção de arte: Gê Orthof
Direção geral: Eliana Carneiro
Regência: David Castelo
Coordenação geral e produção executiva: Monica Monteiro
_______________________
Serviço:
Local: Teatro do CCBB Brasília
Datas: de 13 a 18/8, de terça a sábado às 20h30 e domingo às 19h30.
Ensaios abertos com entrada gratuita:
Classificação indicativa: Livre para todos os públicos.
Ingresso: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) – Clientes Banco do Brasil tem desconto de 50% na inteira pagando com Ourocard.
Criado em 2019-08-12 21:02:46
Ontem, 13/5, foi apresentada ao Senado Federal denúncia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, por crimes de responsabilidade.
A denúncia, de caráter estritamente técnico-jurídico é subscrita por Claudio Lemos Fonteles, ex-Procurador-Geral da República; Gisele Guimarães Cittadino, professora de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ); Wagner Gonçalves, ex-Subprocurador-Geral da República; Antonio Gomes Moreira Maués, Professor de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Marcelo da Costa Pinto Neves, Professor Titular de Direito Público da Universidade de Brasília (UnB).
Na primeira seção da denúncia, concernentes aos fatos, os denunciantes narraram as seguintes situações:
1) manifestações públicas sobre processos, inquéritos e investigações na alçada do Supremo Tribunal Federal;
2) o uso de linguagem impolida, desrespeitosa e indecorosa;
3) julgamento em casos em que seja suspeito ou impedido: quebra da imparcialidade;
4) pedido de vista com protelamento patentemente injustificado na devolução dos autos para julgamento;
5) envolvimento em atividades político-partidárias.
Na segunda seção da denúncia, foram apresentados os fundamentos jurídicos, enquadrando-se os fatos nos tipos de crime de responsabilidade previstos no art. 39, itens 2 a 5, da Lei nº 1.079/1950: “Art. 39. São crimes de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal:
1 – proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa;
2 – exercer atividade político-partidária;
3 – ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;
4 – proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decoro de suas funções.”
E mais, Gilmar é acusado de proferimento de julgamento quando legalmente suspeito (ou impedido) na causa (crime de responsabilidade previsto no art. 39, item 2, da Lei nº 1.079/1950) 2.1. Do julgamento pelo denunciado de causas ou processos em que seus amigos íntimos são advogados.
Os autores da denúncia referem-se, em especial, à participação em julgamento de processos em que atua como advogado Rodrigo de Bittencourt Mudrovitsch, seu ex-orientando de mestrado na Faculdade de Direito da Universidade Brasília, professor do IDP (instituição de ensino na qual o Ministro Gilmar Ferreira Mendes é proprietário), colaborador em diversas publicações e projetos de pesquisa e advogado particular em várias causas.
Nesse particular, aplicam-se sobretudo as normas de suspeição expressas no art. 135, inciso V, do Código de Processo Civil de 1973, e no art. 145, inciso I, do novo Código de Processo Civil. 2.2. Julgamento de causas em que é inimigo de uma das partes:
A esse respeito, os autores referem-se a particularmente às declarações de desapreço e mesmo injuriosas sobre o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que configuram inimizade. Apontam que, apesar disso, o ministro continua julgando ou participando de julgamentos do ex-presidente.
A base para a suspeição encontra-se no art. 135, inciso I, do CPC de 1973, e no art. 145, inciso I, do novo CPC. 2.3. Do julgamento em hipótese de impedimento: julgamento pelo denunciado de casos em que a parte é cliente de escritório de advocacia do qual é membro e sócia a cônjuge do julgador.
A respeito de julgamento em casos no qual se encontra impedido, cabe observar que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes participou/participa, como relator, do julgamento de causas ou exerceu/exerce funções em processos nos quais Guilherme Pitta atuou ou atua como advogado no Tribunal Superior Eleitoral. Guilherme Pitta é advogado e sócio do Escritório de Advocacia Sérgio Bermudes, do qual a esposa do Ministro Gilmar Ferreira Mendes, advogada Guiomar Feitosa Lima Mendes, é membro ativa e sócia. Aplicam-se a esses casos as normas de impedimento previstas no art. 144, § 3º combinado com inciso III e VIII, do novo Código de Processo Civil.
Interessado no julgamento da causa ou do processo em favor de qualquer das partes: exercício de função judicante ou julgamento após prejulgamento do respectivo processo em declarações públicas.
Os autores da denúncia referem-se a diversas situações em que o Ministro Gilmar Mendes julgou causas em relação às quais já havia se manifestado sobre a matéria concreta em típico prejulgamento. Desataca-se, a esse respeito, o julgamento do de Medida Cautelar em Mandado de Segurança nº 34.070/DF, em 18 de março 2016, no qual suspendeu ato de nomeação do ex-presidente Lula para Ministro de Estado, embora nos dois dias anteriores tenha feito prejulgamentos do caso perante a imprensa.
Nesse particular, aplicam-se as normas de suspeição previstas no art. 135, inciso V, do CPC de 1973, e o art. 145, inciso IV, do novo CPC.
Exercício de atividade político-partidária (crime de responsabilidade previsto no art. 39, item III, da Lei nº 1.079/1050). Os autores da denúncia apontam para diversas manifestações de cunho políticopartidário, mas também para articulações com certas forças político-partidárias em detrimento de outras.
As manifestações dizem respeito a posições de desprezo e mesmo de criminalização de partidos e políticos, especialmente o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula, combinada com opiniões de apreço a outras forças políticopartidárias.
Os denunciantes também se referem a articulações em ambiente privado com membros do atual governo, no sentido de reverter decisão do STF que corresponde aos interesses da oposição e contrariam os interesses do governo (proibição de financiamento das campanhas por pessoa jurídica), assim como para influenciar no andamento do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O Ministro, dessa maneira, está publicamente envolvido em típica atividade político-partidária.
Atitude patentemente desidiosa no cumprimento dos deveres do cargo (crime de responsabilidade previsto no art. 139, item 4, da Lei nº 1.079/1950). Os denunciantes esclarecem ser “patentemente desidiosa” o pedido de vista de processo, sem nenhuma justificação razoável, para fins de protelar a solução do caso quando já se formou maioria ou se vislumbra claramente a formação de uma maioria do colegiado contrária à posição do respectivo magistrado, especialmente se este ultrapassa absurdamente todos os prazos juridicamente estabelecidos para a devolução do processo para julgamento, ferindo manifestamente a boa-fé processual. Concentram-se, nesse particular, na atuação do Ministro Gilmar Ferreira Mendes no julgamento da ADI 4650/DF.
O Ministro reteve os autos por mais de 17 (dezessete) meses, extrapolando todos os limites de prazo estabelecidos regimentalmente para a devolução do processo, sem nenhuma justificativa que pudesse apresentar um mínimo de aparência de razoabilidade, senão a de estar caprichosamente inconformado com formação de maioria contrária ao seu posicionamento.
Conduta incompatível com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções (crime de responsabilidade previsto no art. 39, item 5, da Lei nº 1.079/1950).
Os denunciantes apontam particularmente para as inumeráveis situações em que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes fez uso de linguagem impolida e depreciativa para com as partes, advogados, membros de outros poderes, lideranças políticas, colegas, membros do Ministério Público, instituições da sociedade civil e mesmo para com parcela do eleitorado.
Destaca-se, recentemente, o uso de palavras como “cretino” para membros do MP e juízes; “bêbados” para os responsáveis pela Lei da Ficha Limpa, de iniciativa popular, aprovada por ampla maioria do Congresso Nacional, com apoio da CNBB, OAB e AMB, e subscrita por cerca de 1.600.000 eleitores.
Também se enfatiza a postura recente do Ministro Gilmar Ferreira Mendes de desprezo e desconsideração pelo Presidente do STF, quando o Ministro denunciado afirmou que o responsável (o Presidente do STF) pela decisão de separar a votação do julgamento da inabilitação da Presidenta Dilma Rousseff para o exercício de função pública “não passa na prova dos 9 do jardim de infância do direito constitucional”.
Ofensas verbais de tal magnitude, em tom de zombaria e desdém contra colegas do STF, membros do Judiciário e do MP, o Congresso Nacional, seus membros, parcela do eleitorado e importantes instituições da sociedade civil, configura obviamente insulto incompatível com a dignidade, a honra e o decoro inerentes à função de Magistrado, particularmente à função de Ministro do Supremo Tribunal Federal.
Do pedido - "Diante de tudo o que foi exposto, os denunciantes requerem ao Presidente do Senado Federal que a denúncia seja recebida e o cidadão Gilmar Ferreira Mendes seja destituído do seu cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, nos termos do processo estabelecido nos artigos 41 a 73 da Lei nº 1.079/1950, e inabilitado, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis (CF, art. 52, parágrafo único), por ter o ministro ora denunciado praticado os crimes de responsabilidade tipificados no art. 39, incisos 2, 3, 4 e 5, dessa Lei especial".
Criado em 2016-09-14 18:12:47
Rio de Janeiro - Lançamento do novo livro do poeta e jornalista Luis Turiba, Desacontecimentos, será segunda-feira, dia 12/8, às 18h, na sede da editora 7 Letras – rua Visconde de Pirajá, 580. 3º andar, Ipanema, Rio de Janeiro. Em breve Turiba estará em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte.
O livro tem 120 páginas, 90 poemas – pelo menos 10 deles visuais e coloridos –; apresentações do poeta-acadêmico e professor Antônio Carlos Secchin, que o classificou como “um livro-banquete”.
Também o poeta jornalista Paulo José Cunha, escreveu sobre o trabalho que “navega sem pudores vis nem compromissos senis com as patrulhas dos vanguardeiros de plantão”.
Outro poeta acadêmico, Antônio Cícero, faz um comentário sobre a importância do trabalho na quarta capa do livro. Poemas inéditos que vem sendo escritos desde 2017.
Os leitores de poesia encontrarão pelo menos cinco tipo de “desacontecimentos”: extraordinários, pulsantes, sentinelas, eróticos, e aqueles acontecidos, poemas-memórias quase jornalísticos.
“Meus poemas tratam dos sentimentos do mundo, dos micros aos macros. Eles mudam, transformam-se, mas continuam nos fazendo náufragos neste mar revolto que é a existência humana”, assim define seu trabalho o poeta Turiba, para quem “a poesia é um instrumento da beleza e da linguagem para enfrentar essas tempestades de complexidades que formam o concerto da vida. Só a Poesia nos salve e encoraja”.
Um poema:
DESACONTESSÊNCIAS
desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
descontruir óbvios
reconstruir amálgamas
experimentos ordinários
holografias d'almas
______________
Serviço:
Lançamento: Desacontecimentos, de Luis Turiba
Quando: 12 de agosto, segunda-feira, a partir das 18h.
Onde: Sede da Editora 7 Letras – Rua Visconde de Pirajá, 580, 3º andar, Ipanema, Rio de Janeiro.
Criado em 2019-08-09 16:53:33
Sete ex-colaboradores do ex-governador do Distrito Federal e agora senador Cristovam Buarque (PPS-DF) assinam esta carta aberta fazendo críticas ao seu comportamento político diante do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Eis a íntegra do documento:
“Brasília, 08 agosto de 2016
Senador Cristovam Buarque,
Os sonhos humanos é que justificam as vidas humanas. Por isso, essa matéria invisível como alicerces de orvalho, que sustenta e prefigura os passos com que desenhamos nosso destino, resiste. Resiste como uma luz acesa em cada escolha com que a História nos interpela. E nos cobra, depois, por cada escolha feita.
Os segmentos democráticos da sociedade no Brasil e no mundo voltam os olhos para o Senado Federal nesse agosto de 2016 para acompanhar o julgamento final da Presidente eleita Dilma Rousseff. Rigorosamente, chegamos a este agosto, quando ocorrerá o desfecho do processo sem que nenhuma instituição da República sustente a acusação inicial: o crime de responsabilidade que teria sido cometido pela Presidente eleita Dilma Rousseff. A acusação ruiu.
Nem a própria assessoria técnica do Senado, nem o Ministério Público Federal lhe deram suporte. Não restou nada de pé. Na verdade, as pessoas já nem se lembram mais do que ela está sendo acusada. Outros preferem não se lembrar.
Se não houve crime de responsabilidade tal como tipificado na Constituição da República, cumpre buscar outras razões. As medidas anunciadas nessa longa interinidade que se aproxima dos 90 dias e já parece eterna, contribuem por si mesmas para esclarecer: o programa exposto pelo governo interino não é outro senão aquele que foi derrotado em quatro eleições sucessivas.
Ora, governo interino não pode sequer ter programa próprio. É interino. É substituto. É provisório. Portanto, está agindo como se interino não fosse. Ou seja, atropela as instâncias de julgamento: o Senado Federal, ao qual pertence V. Exa. e a Suprema Corte. É, dessa forma, um governo usurpador. Se apropria de forma indevida de um poder conferido democraticamente pelo voto à Presidente afastada. No conteúdo e na forma afronta a “Soberania Popular” e as instituições a quem a Constituição atribui a condução do processo. Trata-se, portanto, de um governo golpista.
Os signatários desta Carta Aberta militaram ao seu lado travando batalhas em torno de bandeiras democráticas – os Programas “Bolsa Escola”, “Saúde em Casa”, “Paz no Trânsito”, “Temporadas Populares” e outros – e seguem acreditando naquele sonho humano que justifica vidas: não há invenção mais imperfeita nem mais generosa, como forma de governo, do que a Democracia. No entanto, dessa vez, nos demos conta de sua ausência entre nós.
Nós todos e o senhor sabemos que as elites brasileiras não se distinguem por estimar o que as Constituições ocidentais definiram como “Soberania Popular”.
Sabemos também que lançaram mão do golpe de Estado todas as vezes em que verificaram sinais de emergência dos setores populares escravizados na Colônia e no Império, saqueados, reduzidos à extrema pobreza, mantidos à margem de qualquer oportunidade de alcançar uma vida digna, ao longo da mal chamada República, proclamada no fim do século XIX e nunca efetivamente construída.
Neste momento assistimos, estarrecidos e indignados, em pouco mais de 60 dias à frente de um governo interino, um extrato político abjeto - que envergonharia os traficantes de escravos do século XIX - assumir uma ofensiva contra a soberania nacional e contra os direitos sociais conquistados a partir da Constituição de 88, fazendo com que o Brasil retroceda à barbárie da “Apartação Social”, denunciada pelo senhor em seus livros e ao longo de sua vida pública.
Há certos olhares do passado que se perpetuam na História porque foram capazes de projetar, como desenho, a nação que desejamos e, por isso mesmo, nos ajudam a elucidar o presente: não é ocioso indagar como reagiriam Paulo Freire, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro diante dos rumos tomados pelo Ministério da Educação do governo interino, orientados agora por uma gestão privatista e inspirada pelas reflexões da “Escola sem Partido” defendida por um ilustre educador que até pouco tempo dedicava seu talento pedagógico ao ensino em estúdios de gravação de filmes pornográficos.
Como em outros momentos de crise política no Brasil, teremos agora em agosto aqueles senadores que, inspirados no perfil de Auro de Moura Andrade, buscarão alterar os ponteiros do relógio do Congresso para declarar vago o cargo de Presidente da República. Imaginam eles, com esse gesto, alterar os tempos da História. Da memória e do esquecimento.
Outros vão preferir a inspiração de Teotônio Vilela no final de sua vida, pouco antes de se desatar o mais impressionante movimento de massas já visto na sociedade brasileira, a campanha das “Diretas Já”: “... não temos outra saída senão uma representação política capaz de reorientar a vida deste país.
É quase que algo milagroso, é como se eu tivesse falando de coisas messiânicas, mas é assim mesmo que está vivendo hoje o brasileiro, (...). Se alguém ainda hoje vai para a urna votar, vai, sobretudo, tocado deste sentimento messiânico, da existência de uma mudança que ele não concebe, como não dá para concretizar exatamente, não sabe ainda porque aquele voto vai ter alguma valia. Mas ele vai votar.
O brasileiro vai votar. Vai definir a vida deste país...” Romper com esse princípio básico: o voto. Romper com a soberania popular reconquistada a partir de 1988. É disso que vai tratar o Senado Federal ao definir sobre o impedimento, sem prova de crime de responsabilidade, da Presidente eleita com 54 milhões de votos, Dilma Rousseff, no julgamento de agosto. A História nos dirá, quais serão as consequências.
Com seu voto no julgamento final do Senado da República sobre se há ou não consistência nas acusações que se oferecem contra Dilma Rousseff, o senhor trilhará o caminho da cinza, da abjeção e, por fim, do esquecimento que dissolveram a figura de Auro de Moura Andrade ou, ao contrário, reforçará a luz que a coragem de Teotônio Vilela acendeu no declínio da mais feroz tirania que vivemos na História do nosso país.
Senador Cristovam Buarque, a História o interpela com os olhos dos cidadãos que buscam pela Justiça.”
Assinam:
1. António Ibañez Ruiz – Professor do Departamento de Engenharia Mecânica da UnB, ex-Reitor da Universidade de Brasília e foi Secretário de Educação.
2. Arlete Avelar Sampaio – Médica e foi vice-governadora de Cristovam Buarque e ex- deputada distrital;
3. Boaventura de Sousa Santos – Sociólogo, Professor Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra e Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra;
4. José Geraldo de Sousa Júnior - Professor de Direito, ex-Reitor da Universidade de Brasília;
5. Pedro Tierra (Hamilton Pereira da Silva) - Poeta, escritor, foi Secretário de Cultura.
6. Roberto Aguiar - Professor de Direito, ex-Reitor da Universidade de Brasília e foi Secretário de Segurança Pública.
7. Swedenberger Barbosa – Foi Secretário de Governo.
Criado em 2016-08-09 16:06:45
Roberto Seabra (*) –
Alguém já disse que o ato de escrever se assemelha ao do ourives. A partir da massa bruta do metal valioso, a pessoa que narra vai delineando sua joia, cobrindo as imperfeições, cortando as arestas e lapidando seu texto. Mas, ao contrário de quem lida com pedras e metais preciosos, quem escreve mexe também com dores, amores, raivas, obsessões, paixões. E, a partir desse material instável, constrói seu mundo da ficção, que pode ser belo como um diamante, mas também feio, deslumbrante, triste, esperançoso.
A escritora Rosângela Vieira Rocha traz em seu novo livro Nenhum espelho reflete seu rosto (Editora Arribaçã, 2019), uma personagem que é dona de uma joalheria e também design de joias. E que, ao falar do seu ofício, narra também sua história de envolvimento e desencanto amoroso.
Ao juntar as duas artes num só espaço – escrever e lapidar – a autora vai além da mera metáfora. Ela cobre o que seria uma narrativa convencional (uma mulher relatando os abusos que sofreu de um parceiro perverso) com uma pátina de intertexto que transforma um caso de dor do amor em algo digno de ser romanceado. Com essa abordagem, ela foge da mera literatura de denúncia, o que no caso poderia se confundir com o jornalismo, a ciência ou mesmo o panfleto político, e faz literatura sem adjetivações.
No romance, Helen é uma mulher na casa dos 40 anos, solteira e empresária bem-sucedida, apesar do pequeno negócio de joias que dirige. De repente, ela se vê entrelaçada à vida de uma mulher desconhecida, que sofreu os mesmos abusos que ela, e do mesmo homem, um argentino chamado Ivan Hernandez.
O psiquiatra que atende a mulher não identificada pede a ajuda de Helen para tentar entender o que aconteceu com sua paciente, que vive uma situação de depressão profunda.
É a partir desse enredo e dessa proposta narrativa que Rosângela Vieira Rocha usa a literatura para entrar num tema bastante atual e complexo: as relações tóxicas que surgem na internet e que, em geral, acabam mal.
Misto de romance epistolar e narrativa em primeira pessoa, em Nenhum espelho reflete seu rosto (foto abaixo) a personagem vai contando sua história de envolvimento com Ivan Hernandez por intermédio de e-mails que envia ao psiquiatra da mulher misteriosa, ao mesmo tempo em que narra sua luta para se reerguer após a relação fracassada, que lhe custou não apenas dores, mas também algum prejuízo financeiro.

O romance mostra que a autora afundou a cabeça em dois mundos diferentes – o das relações amorosas construídas nas redes sociais da internet e o das pedras preciosas, uma antiga paixão de Rosângela Vieira Rocha – para construir uma história super original. Ao mesclar os dois universos, ela conseguiu escrever uma obra singular. O livro nos prende pelas duas histórias opostas e complementares.
Na primeira história, a personagem principal tenta entender porque se deixou dominar por uma relação doentia, e faz isso para ajudar outra mulher que vive o mesmo drama. A segunda história mostra essa mesma mulher batalhando para implantar seu negócio de joias fabricadas com pedras preciosas, um universo que Rosângela traz para a literatura com um incrível senso de oportunidade. Fisga o leitor curioso, ao trazer para a ficção o universo dos diamantes, esmeraldas e turmalinas, ao mesmo tempo em que desce as escadas ao porão de uma relação amorosa que acabou muito mal.
A psicanalista Junia de Vilhena, que assina o prefácio do livro, nota que a personagem Helen é uma mulher forte e criativa, e que por isso mesmo teria sido escolhida por Ivan, um narcisista perverso, para ser sua vítima. O mesmo perfil tem a mulher desconhecida, que só mostrará a identidade ao final do livro.
Rosângela Vieira Rocha é mineira radicada em Brasília. É autora profícua e premiada. Tem doze livros publicados, para adultos e crianças. Seu romance anterior (O indizível sentido do amor, 2017, editora Patuá), trata da viuvez e mostra uma mulher (a própria autora), em busca do passado do marido falecido, um brilhante estudante de física que nos anos 1970 fora preso e torturado pela ditadura militar.
Em Nenhum espelho reflete o seu rosto ela aborda novamente o tema da perversidade, mas que desta vez ocorre não mais no plano macro, engendrada por um Estado opressor, mas sim nas relações interpessoais.
Colocando os dois livros lado a lado, é como se a escritora dissesse para seus leitores e leitoras que não estamos livres das opressões, mesmo vivendo em um suposto regime democrático, e tendo todos os meios de comunicação disponíveis para nos informarmos.
Ao terminar a leitura do livro de Rosângela Vieira Rocha, é inevitável pensar que a praga do machismo, que em pleno século 21 já deveria ser algo superado, sobrevive no universo das redes sociais, tendo no personagem Ivan seu modelo perfeito. Ele é o típico macho narcisista, que se faz de moderno e com ideias liberais, para atacar suas presas. Conhece bem como funcionam as trocas afetivas pela internet, e usa esse conhecimento para ludibriar pessoas e sobreviver às custas de suas vítimas, como um vampiro moderno que suga a energia das presas virtuais e reais.
Nenhum espelho reflete seu rosto é literatura de primeira, que entretém, alerta e faz pensar, e além de tudo com uma proposta narrativa inovadora. Afinal, para isso (também) serve a arte: ajudar a superar nossas dores e clarear nossas dúvidas, sem perder de vista a perspectiva estética do belo.
________________
Serviço:
Livro: Nenhum espelho reflete seu rosto
Autora: Rosângela Vieira Rocha
Noite de autógrafos: Restaurante Carpe Diem (CLS 104), amanhã, quinta-feira, 8/8, a partir das 19h.
Editora Arribaçã - R$ 60.
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(*) Esta resenha também foi publicada no Jornal de Brasília de hoje, 7/8/2019.
Criado em 2019-08-07 21:40:51
A bancada do PT na Câmara dos Deputados divulgou nota, neste domingo (7/8), em que repudia o mais recente ataque ao partido por parte do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As notícias veiculadas na imprensa informam que o ministro Gilmar Mendes pedirá a cassação do registro do PT porque “há indícios indícios de que a Petrobras teria financiado campanhas petistas”,
Segundo a nota, assinada pelo líder da bancada, deputado Afonso Florence (PT-BA), o ministro "tira de vez a toga e assume o papel de militante da direita brasileira" ao pedir a cassação do registro do PT.
Na última vez que o ato pretendido por Gilmar Mendes - a cassação de um partido político - ocorreu, o Brasil vivia uma ditadura militar. O desejo de Mendes já foi objeto de ação judicial do PSDB, legenda com a qual o ministro do Supremo não esconde ter afinidades políticas, ideológicas e pessoais.
Confira a íntegra da nota:
“A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados repudia mais uma ação seletiva e política do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Ao pedir a cassação do registro do Partido dos Trabalhadores, Mendes tira de vez a toga e assume o papel de militante da direita brasileira. Sua decisão contra o PT coincide com um momento em que se tenta cassar o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff, sem que tenha cometido crime de responsabilidade, configurando-se um golpe e a instituição de um ambiente político e jurídico de exceção no País.
Ao acusar o PT de ter se beneficiado de recursos desviados da Petrobras, Gilmar Mendes evidencia sua seletividade, já que outros grandes partidos – como o PSDB, PMDB, DEM e PP – também receberam recursos de empresas investigadas na Operação Lava- Jato. Sobre esses partidos, cala-se, como sempre, o presidente do TSE, que enxerga problemas no sistema democrático brasileiro apenas quando se trata do PT.
A atitude autoritária do presidente do TSE só encontra paralelo no regime autoritário encerrado em 1985. A última vez em que um partido político foi cassado no Brasil foi mediante ato institucional de uma ditadura militar.
São notórios o destempero verbal e a parcialidade de Gilmar Mendes contra o PT. Ele não está à altura do cargo que ocupa. Suas ações, no âmbito da Suprema Corte, como a de juízes de primeira instância, têm maculado a imagem do Judiciário brasileiro.
Ao pedir agora a cassação do registro do PT, o ministro faz jus aos que o chamam de “tucano de toga” do STF. O nosso Judiciário precisa de magistrados, não de militantes políticos.
Brasília, 7 de agosto de 2016.
Deputado Afonso Florence, líder do PT na Câmara”.
Criado em 2016-08-08 01:58:15