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Bienal destaca poeta brasileira e pensador português

A III Bienal Brasil do Livro e da Leitura, de 21 a 30 de outubro, será realizada este ano no Estádio Nacional Mané Garrincha. Os homenageados são Adélia Prado e Boaventura Santos. Agende. Entrada franca.

A homenageada nacional é a mineira Adélia Prato, poeta, professora, filósofa, contista. Nascida em Divinópolis, dia 13 de dezembro de 1935, Adélia começou a escrever poesia em 1950, quando morreu sua mãe. Depois de se formar na Escola Normal Mário Casassanta, em 1953, passou a dar aulas.

Em 1972, morre seu pai e, em 1973, forma-se em Filosofia. Nessa ocasião envia carta e originais de seus novos poemas ao poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant'Anna, que os submete à apreciação de Carlos Drummond de Andrade.

Em 1975, Drummond sugere a Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago, que publique o livro de Adélia, cujos poemas lhe pareciam "fenomenais". O poeta envia os originais ao editor daquele que viria a ser Bagagem.

No dia 9 de outubro, Drummond publica uma crônica no Jornal do Brasil chamando a atenção para o trabalho ainda inédito da escritora. O livro é lançado no Rio, em 1976, com a presença de Antônio Houaiss, Raquel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Juscelino Kubitschek, Affonso Romano de Sant'Anna, Nélida Piñon e Alphonsus de Guimaraens Filho.

Dai em diante não parou mais de escrever. Adélia conquistou o mundo. Em 1978 lançou "O coração disparado", que é agraciado com o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro.

Em 1994, após anos de silêncio poético, sem nenhuma palavra, nenhum verso, ressurge Adélia Prado com o livro "O homem da mão seca". Conta a autora que o livro foi iniciado em 1987, mas, depois de concluir o primeiro capítulo, foi acometida de uma crise de depressão, que a bloquearia literariamente por longo tempo. Disse que vê "a aridez como uma experiência necessária" e que "essa temporada no deserto" lhe fez bem. Nesse período, segundo afirmou, foi levada a procurar ajuda de um psiquiatra.

Adélia costuma dizer que o cotidiano é a própria condição da literatura. Morando na pequena Divinópolis, cidade com aproximadamente 200.000 habitantes, estão em sua prosa e em sua poesia temas recorrentes da vida de província, a moça que arruma a cozinha, a missa, um certo cheiro do mato, vizinhos, a gente de lá.

O homenageado internacional é o intelectual português Boaventura de Sousa Santos, o mais importante pensador europeu da área de ciências sociais.

Boaventura nasceu em 1940, em Coimbra, Portugal, e foi um dos principais impulsionadores do Fórum Social Mundial.

O espírito que envolve o Fórum é fundamental nos seus estudos da globalização contra-hegemônica, mas também na promoção da luta pela justiça cognitiva global que faz parte de seu conceito de epistemologias do Sul.

Pensador de múltiplas identidades, professor universitário, cientista social, jurista, escritor, filósofo da ciência, ativista e poeta, Boaventura é um atento observador da realidade política e social do mundo contemporâneo.

Em finais dos anos 1960, fez doutorado na Universidade de Yale. A sua tese, publicada pela primeira vez em português em 2015 (Direito dos Oprimidos), é um marco fundamental na sociologia do direito, que resultou do trabalho de campo centrado em observação participante numa favela do Rio de Janeiro.

Foi um dos fundadores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra em 1973, onde veio a criar o curso de sociologia. Fez investigação no Brasil, em Cabo Verde, Macau, Moçambique, África do Sul, Colômbia, Bolívia, Equador e Índia.

A III Bienal Brasil do Livro e da Leitura vai tratar das questões mais latentes do debate contemporâneo. O deslocamento de populações e a tragédia dos refugiados, intolerância, afetividade, gênero, meio ambiente, vida urbana, as tecnologias digitais e vários outros assuntos serão tema de mesas de debate, seminários, palestras, lançamentos de livros, que contarão com a participação de 150 escritores nacionais e estrangeiros convidados.

A Bienal promoverá 100 sessões de autógrafos e lançamentos de livros, 80 sessões de contação de histórias, 40 apresentações teatrais, além de 10 shows musicais de artistas nacionais e do Distrito Federal.

Seminários e Mesas:

1 – Deslocamentos: Geopolítica, Cultura, Etnia, Economia e Religião.
– A Europa e a tragédia dos refugiados;
– Fronteiras políticas, econômicas e desigualdades no mundo globalizado;
– Cultura, etnia e religião: Intolerância e conflitos políticos no mundo contemporâneo;
– Identidade, território e afirmação das nações indígenas latino – americanas

2 – Novas Tecnologias e os efeitos na cultura, economia e vida cotidiana.
– Informação, ética e comportamento nas redes sociais;
– O declínio das mídias tradicionais e novos espaços de informação e comunicação;
– Vozes dissonantes: liberdade e autoritarismo na internet;
– O mundo virtual e seu significado na história da humanidade
– Estado, democracia e controle da informação.

3 – Amor, afetividade e individualidade nos tempos modernos
– Relações afetivas, medos e neuroses;
– O amor em tempos de intolerância e individualismo
– Afirmação de gênero e novos modelos afetivos em sociedades democráticas;
– Tudo ao mesmo tempo agora: a vida afetiva nas redes sociais.

4 – Vida urbana – Novos espaços , novos caminhos
– A sociedade do descarte e a tragédia urbana
– Grandes metrópoles: exaustão humana e degradação do meio ambiente;
– Liberdade, solidão e indiferença nas grandes cidades;
– A reinvenção das periferias: a percepção dos Direitos e a luta pela cidadania

Os escritores de Brasília terão espaço reservado. Dos 81 inscritos, 16 foram escolhidos por uma comissão. Destaque para os autores jovens e estreantes. 

São eles:

“Arame Farpado” da escritora Lisa Alves;
“Terminal” do escritor Rômulo Neves;
“Fratura Exposta” do escritor Vitor Camargo de Melo;
“Joaquim 1954” do escritor Vicente de Paulo Siqueira;
“Um Balão na Europa” do escritor Cristóvam Naud;
“Crônicas e Outros Escritos” do escritor Luiz Philippe Torelly; “Depois das Cinzas” do escritor Alex Almeida;
“Zelumen” do escritor Renato Fino;
“AllegroMa Non Troppo” do escritora Paulliny Gualberto Tort;
“A Menina Tagarela” da escritora Giulieny Matos;
“Minha Cidade” da escritora Ana Neila Torquato;
“O Mundo sem Anéis – 100 dias em Bicicleta” da escritora Mariana Carparezzi;
“O Povo da Lua” do Renato Alves;
“Uma Luz na História” da escritora Nina Tubino;
“Uma Gota de Sangue” da escritora Débora Paraíso.
“A Sobra daquela Garota” do escritor Rafael L. Ferrari.

Criado em 2016-09-20 22:19:25

"Antes o tempo não acabava" gera protesto e indignação

Filme exibido no 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, dirigido por  Sérgio Andrade, menciona o infanticídio entre os índios de "forma irresponsável". A antropóloga Patrícia de Mendonça Rodrigues (*) viu o filme e faz um comentário.

Eis o texto de Patrícia:

"Sábado [24/9] à noite me espantei profundamente com o filme "Antes o Tempo não Acabava", que está na Mostra Competitiva do Festival de Brasília.

Exibido pela primeira vez no Brasil, o filme tem sido anunciado na mídia como um filme inovador sobre a temática indígena que foi bem recebido pela crítica estrangeira.

Travestido de um formato/conteúdo modernoso, o filme promove uma pauta extremamente reacionária e condizente com os atuais tempos de retrocesso político.

O festival trouxe três longas metragens com temática indígena, "TaegoÃwa", "Martírio" e "Antes o Tempo não Acabava". Os dois primeiros abordam a tradição indígena como fonte admirável de resistência e resiliência política em um mundo de relações violentas em que os colonizadores oprimem os povos originários e negam o direito à diferença e à sua reprodução em uma terra própria. Já o filme "Antes o Tempo não Acabava" parte de uma abordagem oposta.

A pretexto de abordar o tema do choque entre a chamada modernidade e as culturas ancestrais, o filme traz a trajetória peculiar de um índio que é oprimido pelas próprias tradições indígenas no meio urbano.

Ele e sua família fogem da prática do infanticídio e da repressão à liberdade sexual. Como está implícito no próprio nome do filme, "Antes o Tempo não Acabava", a tradição indígena é associada de forma muito preconceituosa ao arcaico imutável, ao atraso, à repressão individual e até à violação de direitos humanos, enquanto a modernidade é construída ingenuamente como um espaço de transformações e liberdade individual no que se refere a questões religiosas/rituais e sexuais.

O protagonista e sua irmã são oprimidos por velhos guardiões da suposta cultura indígena estática e anacrônica representada no filme que impõem, à força, o homicídio de uma criança deficiente ou tentam praticar uma espécie de “cura gay” ritual ao jovem.

Choca a forma equivocada e preconceituosa como o infanticídio é abordado no filme, que não condiz em absoluto com a realidade etnográfica dos povos indígenas; e também a forma como a homossexualidade indígena é encarada, invertendo completamente a realidade.

Como se sabe, o homossexualidade é uma prática tradicional de muitos povos indígenas das Américas, anterior ao contato com o mundo europeu.

Foi a colonização cristã que trouxe uma repressão profunda a essas práticas e a sua condenação moral. No filme, no entanto, são os próprios guardiões da suposta tradição indígena que tentam “salvar” o protagonista (palavra usada no filme) das suas inclinações homossexuais.

Há inclusive uma associação completamente indevida entre o ritual de iniciação masculina apresentado no filme e essa tentativa de cura gay.

Curiosamente, o ator que protagoniza o filme é um tikuna assumidamente homossexual e evangélico, que é exposto em cenas de sexo explícito. No mundo real, a cura gay é uma proposta justamente de algumas igrejas evangélicas, mas na representação inconsequente do filme é o povo Sateré Maué que tenta curar seu filho desgarrado.

Embora seja alardeado pelos codiretores como um filme transgressor, a visão estereotipada e preconceituosa sobre as culturas indígenas se aproxima da visão evangélica fundamentalista que tenta criminalizá-las no Congresso Nacional tendo como carro chefe a falsa bandeira do combate ao infanticídio.

A demonização das ONGs, que também é tratada no filme, misturando alhos e bugalhos, também tem afinidade com essa pauta conservadora. O herói do filme é um índio que é oprimido pela própria cultura indígena e quer deixar de ser índio.

Ele quer ter um nome branco, ao contrário de muitos povos indígenas que lutam para ter seus nomes indígenas reconhecidos nos documentos oficiais.O filme promove a ideologia integracionista e assimilacionista que norteou o Estado brasileiro durante séculos até o advento da nossa Constituição, que garantiu aos índios o direito de se reproduzir conforme seus costumes e tradições e que agora está sob forte ataque das bancadas evangélica e ruralista.

É notável ainda a falta de responsabilidade com os povos indígenas, que são representados no filme de modo lesivo, e em especial com o povo Sateré Maué, cujas práticas são tratadas de maneira deturpada sem que fossem consultados minimamente sobre essa indevida exposição.

Perguntados no debate posterior ao filme sobre as consequências políticas do mesmo para os povos indígenas, neste momento em que os seus direitos estão fortemente ameaçados, os codiretores simplesmente negaram que o filme tenha qualquer componente político, sendo apenas uma expressão da liberdade criativa deles".
_______________
(*) Patrícia de Mendonça Rodrigues é PhD em Antropologia pela Universidade de Chicago (EUA).

Criado em 2016-09-27 18:37:12

Sonhos e (des)encontros

João Lanari Bo -

“Beduíno” é o novo longa-metragem de Júlio Bressane, exibido fora da competição no recém-findo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
 
Beduínos são um povo por definição nômade, atravessando desertos em camelos. Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o estilo de vida desse povo começou a entrar em decadência. Submetidos ao controle dos governos dos países árabes onde vivem, eles passaram a enfrentar dificuldades para perambular à vontade. O número de beduínos diminuiu e hoje o estilo de vida deles é cada vez mais sedentário.
 
Mesmo em Israel vivem cerca de duzentos mil beduínos, sobre os quais se atribui poligamia. Em geral, a fervorosa adesão ao islamismo e o caráter tribal das sociedades permanece. A etimologia da palavra é algo como “habitantes do deserto”.

Beduíno é também o nome do personagem masculino do filme de Bressane. Surm, a personagem feminina, tem sonhos constantes, não sabemos se acordada ou dormindo. 

Às vezes o sonho é de um corpo feminino, que pode ser o dela mesmo, deitado e em contorções. O corpo pode ser a montanha ou o túnel que adornam um trenzinho elétrico. Os sonhos são enunciados ao parceiro, que hesita e absorve.
 
Uma certa feita o sonho segue um navio que se aproxima do porto, mas sem chegar ao porto, parte em direção ao mar aberto. Mas Beduíno não é o porto onde o navio deveria descansar.

Beduíno não é a segurança para os sonhos enigmáticos de Surm. Outra vez diante de uma pirâmide Beduíno diz que gosta muito das coisas antigas. Surm retruca: “Mas eu sou jovem”.

As imagens do filme registram esses intervalos fora do tempo, pelo menos desse tempo narrativo cercado de limitações a que estamos submetidos.

Há uma espécie de ócio entre os personagens, um ócio produtivo que sempre procura encenar contatos e entretenimentos. Música, poesia e manifestações artísticas são evocações que dão densidade a esses intervalos. Não existe, portanto, uma historinha.

Surm domina a cena e a iniciativa, Beduíno olha e espera. É um filme feminino, do corpo feminino. Pelo menos até a inserção de cenas de um dos filmes mais curiosos de Bressane, “Memórias de um estrangulador de louras”, feito em Londres no ano de 1971.

Neste, o personagem encarnado por Guará Rodrigues estrangula meia centena de louras, dez em um só dia, num surto “sem nome jurídico”.

No final, sobra para Surm, de peruca loura e devidamente estrangulada por Beduíno.

Mas aí já estamos em outro plano retórico. Acabou o sonho e o tempo fora do tempo.

O tempo agora é o da produção, dos assalariados que integram a equipe de filmagem.

Criado em 2016-09-29 21:02:37

Movimento Internacional de Dança

No CCBB de Brasília, até 25 de outubro.  Abertura, hoje, com a companhia francesa Kubilai Kan, que apresenta o espetáculo Your Ghost is not Enough, às 21h, no Teatro 2.

O Movimento Internacional de Dança (MID) põe a dança em cena com toda a sua diversidade e em suas diferentes vertentes e segmentos.

Espetáculos de dança contemporânea, dança de rua, cultura negra, Hip Hop, batalha entre linguagens múltiplas, espetáculo infantil e workshops formam uma programação intensa e esteticamente rica.

Em cena, espetáculos da França, Itália, Espanha, Bélgica e Brasil. Confira.

Criado em 2016-10-07 19:08:51

A Felicidade Estrutural

Aristóteles, o filósofo grego, disse que, para ser feliz, o homem tem que ter saúde, liberdade e boa condição socioeconômica. Vista assim, a felicidade é uma questão de justiça social e, portanto, política.

Por isso, faz sentido que a peça que está sendo montada pelo diretor e dramaturgo Alexandre Ribondi com atores da Cidade Estrutural, em parceria com o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), tenha justamente como título a palavra (e o desejo de) Felicidade.

O espetáculo, que está sendo preparado há dois meses, com ensaios na própria Cidade Estrutural, fala sobre a exclusão social. "Os atores têm a experiência de viverem, todos, numa das cidades mais pobres e esquecidas pelo poder público no Distrito Federal e são homossexuais.

Isso significa ser duplamente excluído", afirma Ribondi que há mais de 10 anos sonha com montar essa peça e que, agora, finalmente, com a parceria do Inesc e com verba do Fundo de Apoio à Cultura, do GDF, tem a possibilidade de lançar o projeto.

Márcia Acioli, assessora política do Inesc, também fala sobre a criação de uma obra teatral voltada à diversidade sexual. "Os temas relacionados à sexualidade e à identidade de gênero são cercados de tabus, de proibições, de silêncios.

Quando se trata de territórios de periferia temos por um lado pessoas generosas que lidam com quaisquer jeitos humanos e, por outro, encontramos uma dureza e um rigor fundamentados pelas igrejas que têm forte influência nas áreas. A sociedade influenciada pelas igrejas acaba condenando o prazer, a alegria, o afeto e a livre expressão de gênero".

Os ensaios de Felicidade são objetivos e intensos. Os atores relatam suas vivências com relação aos possíveis perigos de morarem na Estrutural, de abuso sexual, de drogas e de mudanças nos papéis definidos de um casal.

Em seguida, Ribondi escreve os textos que serão interpretados. Além disso, a própria experiência dos ensaios serviu como assunto a ser apresentado no espetáculo. É o caso da noite em que o local de encontro do grupo foi apedrejado durante as duas horas e meia de trabalho.

"E não conseguimos ver quem dava as pedradas nem de onde viam", conta o diretor que, em conjunto com os atores, resolveu que esse incidente seria uma das cenas de Felicidade.

"Uma das maiores dificuldades com relação à violência homofóbica é que ela é subnotificada, ou seja, não temos como oferecer um panorama preciso sobre esta violência porque muitas vezes não se registra a motivação da agressão, ou quando se registra, a apuração é demorada". Para Marcia Acioli, essa situação é um dos grandes empecilhos para a solução das agressões.

O grupo se encontra duas vezes por semana e, para isso, Ribondi e o assistente de direção Morillo Carvalho percorrem as ruas estreitas e pouco iluminadas da cidade.

Antes do ensaio, porém, se encontram numa padaria para provarem uma das especialidades da casa: misto quente com ovo. É lá que eles preparam a alma e o corpo para mais uma noite de batalha contra o preconceito e o ódio.

No final do trabalho, os oito atores voltam juntos para suas casas. É uma estratégia para que não sejam vítimas de agressões.

Mesmo diante desse quadro, Márcia Acioli vê motivos para otimismo: "Meninos e meninas têm tido maior liberdade para exercer suas sexualidades e buscar a manifestação de suas identidades de gênero num movimento fluido sem a rigidez vivida pelos mais velhos. As novas gerações têm rompido com padrões cristalizados na sociedade; às vezes com alegria, muitas vezes com dor".

"A felicidade é uma arma", diz Ribondi, "Uma arma contra a violência, o medo, as fobias e a exclusão. Se não formos felizes, no estômago e no coração, os opressores terão vencido".

A peça tem a produção de Elisa Mattos, da Desvio Produções. A foto é de Diego Bresani.

Criado em 2016-10-11 14:41:30

Depois de Dylan, um Nobel para Caetano

Alexandre Ribondi -

Essa quinta-feira acordou com a notícia de que Bob Dylan é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2016. Mas acontece que o laureado é compositor e cantor norte-americano, o que poderia até mesmo provocar uma boa controvérsia se os brasileiros se interessassem pela Academia Sueca como, por exemplo, se interessam, de olhos pregados na televisão, pela presença – e vitória ainda por vir – do Brasil no Oscar da Academia de Hollywood.

Prova dessa indiferença é a jornalista Svetlana Alexjievich (quem?), da Bielorússia (de onde?), que conquistou a mesma honraria em 2015. Quase ninguém sabia quem ela era e continuou não sabendo.

Mas, mesmo que a controvérsia seja para meia dúzia de gatos pingados, a iniciativa da Academia Sueca de Literatura foi um grande passo. No fim do século passado, críticos disseram que as músicas da banda inglesa Os Beatles eram para ser cantadas e nunca lidas em livros de poema.

A mesma coisa já disseram de Bob Dylan. Essas opiniões não passam de purismo. Quem disse que a literatura é feita somente para ser escrita? Por que compositor não pode ser visto como literato?

Em uma das suas canções mais conhecidas e mais comoventes, Blowing in the Wind, Dylan, o homem da voz e olhos tristes, pergunta "quantas estradas deve um homem percorrer antes de ser chamado de homem?/ por quantos mares deve uma pomba branca navegar, antes de poder descansar na praia?/ sim, quantas vezes devem as balas de canhão voarem antes de serem para sempre banidas?/ a resposta, meu amigo, está no vento".  

Aí estão indagações presentes também na criação artística que reconhecemos como literatura. O que um homem deve fazer para conquistar sua dignidade? Até onde a pomba branca, símbolo da paz, deve ir para só então repousar? E, finalmente, quando as balas de canhão serão interditadas?

Questionar sobre a dignidade e o fim das guerras não é para músicas de consumo rápido e de excitação para as ancas. São posicionamentos diante da vida e das incertezas que vêm com o exercício de viver.

Bob Dylan é, de fato, um grande escritor, com conhecimento confirmado da sua língua materna, o inglês, tratada por ele com o respeito de qualquer autor. E é bom que a Academia Sueca tenha a coragem de nos lembrar esses fatos e de embaralhar a ordem aparentemente natural das coisas.

E esse embaralhamento pode continuar. O Brasil nunca foi lembrado pelo Nobel, Jorge Amado morreu sem sentir o gosto sueco, mas pode ser que tenhamos uma chance, agora. Se música é literatura, por que a cultura transmitida oralmente não é?

É preciso lembrar que o Brasil, onde, até o início do século XIX, era proibido imprimir livros, tem a sua cultura formada por dois povos ágrafos, os indígenas e os africanos, e por um outro povo considerado um dos menos letrados da Europa, o português.

Portanto, na nossa vasta, rica e majestosa tradição oral pode estar a chave para o nosso sucesso e nosso reconhecimento mundo afora. Temos uma literatura carregada de indagações, personagens admiráveis, fantasmas, almas penadas, famílias destruídas, felicidades - só que ausente dos livros.

Além disso, temos mais a oferecer. Se me fosse dada a oportunidade, se o Brasil fosse peça importante no cenário mundial e se a língua brasileira fosse peça fundamental na torre de Babel, eu indicaria Caetano Veloso ao prêmio de Estocolmo.

Afinal, esse homem já escreveu versos da magnitude de "Dorme o sol á flor do Chico, meio-dia/ Tudo esbarra embriagado de seu lume". O segundo verso é de provocar inveja em Machado de Assis e Graciliano Ramos juntos. Além disso, foi ele quem perguntou "Existirmos, a que será que se destina?".

Ora, se essa não é uma das grandes indagações da  humanidade, e das literaturas formal e oral, nada mais será.

As histórias que a empregada doméstica lá de casa contava merecem ganhar o prêmio Nobel de literatura oral. A nossa cultura seria a grande vencedora.

E Caetano Veloso, com suas composições riquíssimas, também deve ir para a Academia Sueca.

Pronto, estão lançadas as campanhas!

Criado em 2016-10-13 20:24:35

Boaventura debate democracia na III Bienal do Livro

A palestra do pensador português Boaventura de Souza Santos será no dia 27/10, às 21h, e lançamento do livro “A difícil democracia – Reinventar a esquerda”, dia 29/10, às 19h. A Bienal vai de 21 a 30 de outubro, no Estádio Mané Garrincha. Entrada franca.

Boaventura, homenageado internacional da Bienal, é figura de destaque na sociologia do direito. A obra do autor português é reconhecida desde que a dissertação de mestrado “Direito dos Oprimidos” surpreendeu o mundo acadêmico. Esse trabalho é fruto de pesquisa em favelas do Rio de Janeiro na década de 1970.
 
Boaventura receberá homenagem no dia 27, a partir das 20h, no Auditório Nelson Rodrigues, quando fará a palestra "Os movimentos forçados de populações e os desafios à democracia".

No dia 29, às 19 horas, no Auditório Machado de Assis, o sociólogo vai participar do lançamento de “A difícil democracia - Reinventar a esquerda (Boitempo Editorial).

A apresentação ficará a cargo da professora Flávia Birolli, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, e coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades.

O escritor também lançará, no mesmo dia, o livro “As bifurcações da ordem: revolução, cidade, campo e indignação”, terceiro volume da Coleção Sociologia Crítica do Direito, que será apresentado pelo ex-reitor da Universidade de Brasília José Geraldo de Sousa Jr. Haverá debate e sessão de autógrafos.
 
Em “A difícil democracia – reinventar as esquerdas”, Boaventura analisa a urgência de esquerdas reflexivas na atualidade. Nesta obra, o autor avalia a ascensão dos movimentos Occupy e das revoltas da indignação, os desafios da Venezuela pós-Chaves, as experiências recentes no sul da Europa, a história – bem como o desgaste – das democracias na passagem do século XX para o XXI e o surgimento de um novo jeito de fazer política.

A obra aborda temas atuais, que nos últimos seis anos captaram a atenção do autor por serem sintomáticos de desenvolvimentos que poderiam afetar no futuro, positiva ou negativamente, as forças progressistas e o aprofundamento da democracia.

Boaventura apresenta reflexões políticas sobre a democracia em geral e sobre o populismo, na forma de duas longas entrevistas. Na parte intitulada “Reinventar as Esquerdas” o cientista social faz uma interpelação às esquerdas, em treze cartas (escritas entre 2012 e junho de 2016), e no Epílogo propõe uma reflexão utópica sobre o desperdício da experiência social e política no nosso tempo, a que as esquerdas não são imunes.

Outro debate - No dia 25 de outubro, às 19h, na Arena Jovem Cecilia Meireles, os jornalistas Paulo Moreira Leite, Venicio Artur de Lima e Tereza Cruvinel vão discutir "A imprensa brasileira e os grandes temas nacionais". Após a sessão haverá autógrafos.

Criado em 2016-10-15 05:27:16

Show de Arnaldo Antunes abre a III Bienal do Livro

Dia 21 de outubro, a partir das 22h, no Estádio Mané Garrincha. Abertura do evento, às 20h, com homenagem à poeta Adélia Prado. Entrada franca.

A homenagem ao cientista político português Boaventura de Sousa Santos, será no dia 27/10. Participe também da campanha de doação de livros para as bibliotecas públicas do DF.

A III Bienal conta com a presença de cerca de 120 escritores convidados. Serão sessões de autógrafos e lançamentos de livros, contação de histórias, apresentações teatrais (com participação especial do ator Jonas Bloch com a peça "O delírio do verbo"), além de shows musicais de artistas como Arnaldo Antunes, Chico César e Zizi Possi e nomes de destaque da música do Distrito Federal.

Durante dez dias, estarão reunidos em Brasília autores e pensadores de várias nacionalidades, discutindo temas palpitantes da realidade mundial. Dentre os autores estrangeiros, além do homenageado Boaventura de Souza Santos, estarão em Brasília nomes como a cubana Teresa Cárdenas, os mexicanos Guadalupe Nettel e Jorge Volpi, o inglês Theodore Dalrymple (pseudônimo do psiquiatra e escritor Anthony Daniels), o norte-americano Glenn Greenwald (que junto com Edward Snowden, revelou ao mundo a existência de um programa de vigilância global dos Estados Unidos), o argentino Martin Caparrós, os franceses Dominique Cardon, Jean-Yves Loude e Léonora Miano, a australiana Kathryn Bonella, a portuguesa Raquel Varela, o equatoriano Alberto Acosta, dentre outros.
 
Representando o universo literário brasileiro, estarão em Brasília, além da homenageada Adélia Prado, Marcelino Freire, Fernando Bonassi, Mário Prata, João Gilberto Noll, Daniela Arbex, Marcia Tiburi, Maria Valéria Rezende, Fernando Morais, Amara Moira, Conceição Evaristo e outros 34 escritores nacionais. Somam-se a eles alguns autores do Distrito Federal.

A BIENAL é uma realização do ITS – Instituto Terceiro Setor e conta com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Distrito Federal, do Governo Federal e de empresas da iniciativa privada.
LANÇAMENTO - Durante a III BIENAL, Boaventura de Sousa Santos lançará o livro As Bifurcações da Ordem: revolução, cidade, campo e indignação (Cortez Editora). Trata-se do terceiro volume da Coleção Sociologia Crítica do Direito, em que o autor publica os estudos que realizou nas últimas três décadas. No novo volume, Boaventura analisa, em contextos temporais e espaciais distintos, os diversos contornos de como a ordem jurídica, o direito e os tribunais refletem os processos de transformação social e simultaneamente os influenciam.
 
No livro, o autor apresenta as condições em que o direito pode ser mobilizado em benefício das classes sociais mais vulneráveis, ao mesmo tempo em que mostra que são muito exigentes as condições para que se consiga diminuir a injustiça social, a desigualdade e a discriminação, levando o direito a permanecer nas mãos dos interesses das classes dominantes e das forças conservadoras. Boaventura, entretanto, revela que a tensão entre os dois lados permanece.

Mais informações: www.bienalbrasildolivro.com.br

Criado em 2016-10-18 18:28:05

Chico César autografa livro infantil na III Bienal

No Palco Torquato Neto, dia 23 de outubro, domingo, às 14h, na Arena Infantil Monteiro Lobato, da III Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que se realiza no Estádio Mané Garrincha. Às 22h ele se apresentará no mesmo palco.

O cantor paraibano Chico César dará autógrafos no livro "O agente laranja e a maçã do amor". Em 48 páginas, Chico narra as peripécias de um contador de histórias recheadas de fantasia. O personagem principal, o Agente Laranja, é um fiscal de frutas em uma festa popular, a Festa das Neves, na Paraíba, animada pela música e pelas luzes das rodas-gigantes e dos carrosséis.

No meio das frutas, o herói descobre a maçã do amor e tudo que ela traz de magia. A obra, publicada pela editora Escritinha, tem ilustrações de Fernanda Lerner.
Nascido em Catolé do Rocha (PB) em 26 de janeiro de 1964, Francisco César Gonçalves mudou-se aos 16 anos para João Pessoa, onde cursou jornalismo na Universidade Federal da Paraíba.

Aos 21, radicou-se em São Paulo, onde trabalhou como jornalista e revisor de textos, enquanto passava o tempo livre ao violão. Estourou com o hit Mama África, em 1995 e, durante duas décadas, passeia por reggae, forró, frevo, jazz fusion e MPB.

Em 2015, lançou o CD Estado de Poesia, que une os ritmos brasileiros à música do mundo. Em 2007 participou do filme Paraíba, meu amor, do suíço Jean Robert-Charrue, cuja música-tema é de sua autoria. Dois anos depois, assumiu a presidência da Fundação Cultural de João Pessoa e exerceu o cargo de Secretário de Cultura do Estado da Paraíba de 2011 a 2014.

Mais informações: www.bienalbrasildolivro.com.br

Criado em 2016-10-21 19:58:02

Filme: Cubajazz, um mergulho na música da ilha

Filme dirigido por Max Malvin e Mauro di Deus é um documentário longa-metragem e já foi aceito pelo Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana.

O projeto também foi classificado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), do Distrito Federal, para a finalização e lançamento.

Cubajazz, produzido pela Linc, Canal i e Instituto Alvorada Brasil, tem 83 minutos e é “um profundo mergulho na nova cena do jazz cubano, coisa de apaixonados pela música e curiosos com o que acontece naquela ilha tão comentada e pouco conhecida”, diz Mauro de Deus em sua página no Facebook.

Mauro ainda diz que “o filme iniciará carreira em Havana, cujo festival acontecerá de 8 a 18 de dezembro deste ano, e tentaremos durante o primeiro semestre do próximo ano participar de outros festivais. Só então ele estará, possivelmente, no mercado brasileiro”.

Criado em 2016-10-24 04:59:47

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