Total: 1890 results found.
Página 64 de 95
O Ministério da Saúde de Cuba divulgou hoje (14/11) nota oficial informando ao povo brasileiro que, diante de declarações “ofensivas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) à presença dos médicos cubanos no Brasil, estava se retirando do programa.
Os estados de São Paulo e da Bahia têm o maior número de cubanos atuando pelo Mais Médicos e, por isso, devem ser os que mais perderão atendimento médico com o fim acordo.
Mas serão os estados do Norte e do Nordeste os que mais sofrerão com a retirada dos médicos cubanos. Cerca de 300 municípios brasileiros tinham, pela primeira vez na historia, atendimento médico aos seus habitantes. Essa tragédia terá um custo social muito alto e é imprevisível quais serão as alternativas do novo governo brasileiro.
“O povo brasileiro, que fez do programa Mais Médicos uma conquista social, será capaz de entender sobre quem recai a responsabilidade que nossos médicos não possam continuar fornecendo sua contribuição de solidariedade”, diz texto do Ministério da Saúde cubano.
O governo cubano acrescenta ainda em sua nota: “Não é aceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, prestam atualmente serviços em 67 países. Em 55 anos, 600.000 missões internacionalistas foram realizadas em 164 países, envolvendo mais de 400.000 trabalhadores da saúde, que em muitos casos cumpriram essa honrosa tarefa em mais de uma ocasião”.
São conhecidas também a luta dos médicos cubanos na contra o virus Ebola na África, a cegueira na América Latina e no Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias «Henry Reeve» no Paquistão, Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países.
Bolsonaro, como sempre faz, afirmou pelo Twitter que o governo cubano não aceitou as novas condições: “Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”.
Segundo Bolsonaro, "além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a `ditadura´ cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos". Essa é uma interferência nos assuntos internos de Cuba inaceitáveis a qualquer governo que se dê ao respeito.
Leia íntegra da Declaração do Ministério da Saúde de Cuba sobre saída do Mais Médicos:
“O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios de solidariedade e humanistas que nortearam a cooperação médica cubana por 55 anos, está envolvido desde a sua criação, em agosto de 2013, no Programa Mais Médicos para o Brasil.
A iniciativa de Dilma Rousseff, na época presidenta da República Federativa do Brasil, tinha o nobre propósito de garantir atendimento médico para o maior número da população brasileira, em consonância com o princípio da cobertura universal da saúde, promovida pela Organização Mundial da Saúde.
Esse programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalharem em áreas pobres e remotas daquele país.
A participação cubana na mesma é feita através da Organização Pan-Americana da Saúde e se distinguiu pela ocupação de vagas não cobertas por médicos brasileiros ou de outras nacionalidades.
Nestes cinco anos de trabalho, cerca de 20 mil colaboradores cubanos atenderam 113,3 milhões de pacientes (113.359.000) em mais de 3.600 municípios, chegando a ser atingidos por eles um universo de 60 milhões de brasileiros, constituindo 80% de todos os médicos participantes do programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.
O trabalho dos médicos cubanos em locais de extrema pobreza, nas favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador [Bahia], nos 34 Distritos Especiais Indígenas, especialmente na Amazônia, foi amplamente reconhecido pelos governos federal, estaduais e municipais daquele país e pela sua população, que concedeu 95% de aceitação, segundo um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.
Em 27 de setembro de 2016, o Ministério da Saúde Pública, em uma declaração oficial, informou perto da data de expiração do contrato e em meio dos eventos em torno do golpe de Estado legislativo-judiciário contra a presidenta Dilma Rousseff que Cuba «continuaria participando do acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde para a aplicação do Programa Mais Médicos, desde que fossem mantidas as garantias oferecidas pelas autoridades locais», o que foi respeitado até agora.
O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçando a presença de nossos médicos, disse e reiterou que vai modificar os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito para com a Organização Pan-Americana da Saúde e o que foi acordado por ela com Cuba, ao questionar a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma a contratação individual.
As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e descumprem as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificadas em 2016 com a renegociação do Acordo de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e o Acordo de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença dos profissionais cubanos no Programa.
Portanto, perante esta triste realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim foi comunicado ao diretor da Organização Pan-Americana da Saúde e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam essa iniciativa.
Não é aceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, prestam atualmente serviços em 67 países. Em 55 anos, 600.000 missões internacionalistas foram realizadas em 164 países, envolvendo mais de 400.000 trabalhadores da saúde, que em muitos casos cumpriram essa honrosa tarefa em mais de uma ocasião. Destaque para as façanhas da luta contra o Ebola na África, a cegueira na América Latina e no Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias «Henry Reeve» no Paquistão, Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países.
Na esmagadora maioria das missões concluídas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano. Da mesma forma, em Cuba, 35.613 profissionais de saúde de 138 países foram capacitados gratuitamente, como expressão de nossa solidariedade e vocação internacionalista.
Aos colaboradores lhes foi mantido, em todos os momentos, seu posto de trabalho e 100% do seu salário em Cuba, com todo o trabalho e garantias sociais, tal como aos outros funcionários do Sistema Nacional de Saúde.
A experiência do Programa Mais Médicos para o Brasil e a participação cubana no mesmo demonstram que um programa de cooperação Sul-Sul pode ser estruturado, sob os auspícios da Organização Pan-Americana da Saúde para promover seus objetivos em nossa região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde qualificam-no como o principal exemplo de boas práticas na cooperação triangular e na implementação da Agenda 2030 com os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Os povos da nossa América e do resto do mundo sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais.
O povo brasileiro, que fez do programa Mais Médicos uma conquista social, que teve confiança desde o início nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, sensibilidade e profissionalismo com que eles o atenderam, e será capaz de entender sobre quem recai a responsabilidade que nossos médicos não possam continuar fornecendo sua contribuição de solidariedade naquele país.
Havana, 14 de novembro de 2018”.
Criado em 2018-11-14 21:06:31
Mário Messagi Júnior (*) –
Grupos corruptos do sistema judiciário e mídia tradicional do país tentarão ir para cima de Glenn Greenwald, mas todos têm poucas chances de vencer o portal; entenda o porquê.
Depois das primeiras matérias de domingo, 9 de junho, do The Intercept Brasil, sobre os subterrâneos da Lava Jato, as cenas dos próximos capítulos são bem previsíveis. Vamos considerar primeiro os seguintes fatores:
1) Confundir o The Intercept com um site que disputa narrativa, que tenta construir uma versão à esquerda do mundo é um erro tremendo (que, provavelmente, a direita vai cometer). Glenn Greenwald não é apenas o companheiro de David Miranda (deputado federal pelo PSol). É um jornalista premiado que ganhou projeção com a série de matérias denunciando o mega esquema de vigilância da NSA (agência de segurança nacional dos EUA), com base em documentos do mais famoso whistleblower da história, Edward Snowden (Greenwald conta toda história no seu livro “Sem lugar para se esconder”). Tem conhecimento, compromisso e recursos para fazer jornalismo em alto nível. E já encarou o poderoso governo americano. Quem desconsiderar a força jornalística do Intercept erra feio.
2) O site tem posição, é evidente, mas vai defender sua posição fazendo jornalismo. Jornais podem ter posição política e isso não tem nada de errado. Errado é atuar como parte considerável da imprensa nativa e pisotear o jornalismo para fazer valer sua visão de mundo ou seus interesses. O Intercept vai ganhar esta briga usando o jornalismo como arma, apenas jornalismo.
3) Num mundo tecnológico, o Intercept já anunciou que tomou todas as cautelas para proteger a fonte do vazamento (sigilo de fonte) e as informações. Os dados devem estar em servidores criptografados em países diferentes. Uma vez vazados, é impossível torná-los, de novo, restritos.
4) Vários atores vão entrar na disputa de narrativa: as milícias digitais de Bolsonaro, sites posicionados à direita e à esquerda (Antagonista e Brasil247, por exemplo), Ministério Público, colunistas, blogueiros e Youtubers. Os grandões da mídia comercial provavelmente vão se dividir: alguns entrarão na disputa de narrativa; outros vão fazer jornalismo.
Diante deste quadro, algumas questões:
1) É possível parar o Intercept? Não. Porque a internet é incontrolável. Os dados já estão protegidos e qualquer ação que, no limite, derrube o Intercept (digital, legal ou política) vai fazer os arquivos mudarem de mãos apenas. Ainda que a mídia nativa possa querer ignorar, o ecossistema jornalístico é muito variado e, hoje, está internacionalizado. Aposto que UOL, Poder360, El Pais, BBC e muitos outros querem botar as mãos nestes arquivos.
2) Se não vai parar, como o Intercept provavelmente vai agir? As primeiras matérias ontem [9/6] foram apenas o aperitivo. O site jamais sairia com o material mais quente. Vai soltar aos poucos o conteúdo, por alguns motivos: a) o material é muito vasto e exige tratamento, trabalho. Muito deve estar analisado e organizado, mas provavelmente não tudo; b) soltar aos poucos é uma estratégia comercial também, que deve projetar o Intercept como o principal veículo de jornalismo independente no Brasil (para mim, já é, mas vai ficar mais evidente agora). O site vai crescer, vai começar a arrecadar mais e terá mais leitores; c) controlar a divulgação também serve para ir desmontando as versões que os implicados vão tentar potencializar. Em suma, o Intercept vai ditar o ritmo e a agenda pública nos próximos meses.
3) Como vão se comportar os outros atores jornalísticos? Estas são minhas apostas: SBT e Record vão ser linha de defesa da Lava Jato; Globo e Estadão vão oscilar; UOL vai cair moendo, repercutindo e tentando levar parte dos louros jornalísticos também. O divisor de águas será a narrativa sobre o vazamento. Se algum dos grandes embarcar na narrativa de que o vazamento foi criminoso (e acho que alguns vão embarcar) é sinal de que não têm nenhum compromisso mais com o jornalismo. O sigilo de fonte é um dos instrumentos mais poderosos do jornalismo investigativo no mundo, está na base de Watergate, por exemplo. É tão importante que está previsto em praticamente todos os códigos de ética jornalísticos do mundo e é lei em diversos países, incluindo o Brasil, onde é princípio constitucional. Defender isso é o básico em jornalismo. Alguns vão tentar minimizar, jogar o debate para outros pontos, mas atacar o vazamento em si ou endossar tentativas de que o Intercept revele a fonte é desprezar o jornalismo por completo.
4) Como irão agir Moro, Deltan e MPF-PR? O Telegram continua funcionando. Vão tentar jogar o sistema judiciário para cima do Intercept e tentar convencer a população de que o vazamento em si é mais importante que o conteúdo vazado. Vão tratar “hacker” como sinônimo de “bandido”. Podem conseguir algum sucesso na bolha bolsonarista e entre apoiadores da Lava Jato, mas não têm como antecipar o que vem pela frente. Vão ter que reagir movimento a movimento. Quando negarem algo, o Intercept vai mostrar a prova em contrário. E vão se indispor com a comunidade hacker.
5) Como o resto do sistema judiciário vai reagir? Mesmo sendo bem monolítico, o judiciário não é um bloco só. Alguns vão se alinhar a Moro e Cia., mas outros, inclusive alguns bem poderosos, vão querer o couro do ex-juiz e da galera de Curitiba.
6) E o sistema político? Bolsonaro precisa proteger Moro, porque ele está na base da sua eleição, toda armação o fez o principal beneficiário. Mas é imprevisível, instável, nada lógico. Mesmo assim, aposto que vai até as últimas consequências para defender a Lava Jato, mesmo querendo se livrar de Moro, que se tornará um peso para o seu governo. O PSL e alguns lavajatistas vão tentar atacar o Intercept.
Primeiro, vão tentar qualificar o site como esquerdopata. Não vai repercutir além da bolha. Depois, podem até retomar a discussão sobre veículos estrangeiros no Brasil (apenas brasileiros natos ou naturalizados há 10 anos podem ser donos de meios de comunicação no Brasil), seja com projeto de lei, seja com ações na justiça. As ações políticas tendem a fracassar ou a produzir efeitos tarde demais. O PSL não consegue, sozinho, articular nada no Congresso, é de uma incompetência política abissal. Já no judiciário pode conseguir liminares rapidamente, o que vai expor ainda mais o caráter partidário e censório do Judiciário. Já o resto do Congresso deve estar pensando, neste momento, em como dar o troco, pesado, na Lava Jato.
Em suma, se nesta disputa o The Intercept conseguir jogar o canhão de luz que tem nos subterrâneos da Lava Jato, ainda estamos numa democracia. Se mesmo com tantas boas cartas nas mãos, for abatido em pleno vôo, é sinal de que cruzamos o cabo da boa esperança e já vivemos, efetivamente, num regime de exceção, num regime que não é mais o império da lei, que não é mais o estado de direito. Um país onde o jornalismo está severamente manietado.
____________________
(*) Mário Messagi Júnior é jornalista e professor da Universidade Federal do Paraná. Texto publicado originalmente na página do autor no Facebook, segunda-feira, 10 de junho.
Criado em 2019-06-15 01:44:55
Com texto e direção de Alexandre Ribondi, o espetáculo solo de Abaetê Queiroz fica em cartaz de 18 de setembro a 9 de outubro, sempre às sextas-feiras, 21h. Transmissão gratuita no canal do ator no Youtube (bit.ly/abaetequeiroz).
Luz Intrusa é resultado da parceria de Alexandre Ribondi, que assina o texto e a direção, e Abaetê Queiroz, único ator em cena. Montado pela primeira vez em 2013 e remontado em 2017, agora, o espetáculo adaptado pela dupla durante a quarentena será apresentado pela internet nos dias 18 e 25 de setembro, 2 e 9 de outubro, sempre às 21h. As sessões serão transmitidas pelo canal do ator no Youtube. Os realizadores contam com a contribuição espontânea por parte da plateia, que poderá pagar pelo ingresso de forma voluntária ao final de cada apresentação.
"Luz Intrusa - As viagens no universo de uma casa" conta a história de um homem confinado em um apartamento desarrumado. Circundado por paredes e portas fechadas, ele recusa a companhia da internet, do celular e das cartas que se acumulam. Acompanhando o seu pensamento em voz alta, o público fica sabendo que esse solitário perdeu o emprego e a mulher amada. Ele se debate entre desejos díspares, que vão da alegria ao profundo desencantamento com a vida e com as pessoas. Como se estivesse num purgatório, a personagem revive suas alegrias, enfrenta seus fetiches, mergulha na amada memória do pai, acusa o mundo de querer fazê-lo sofrer e, ao fim, se rende diante da necessidade primária e urgente de viver, sejam quais forem os riscos.
Alexandre Ribondi é diretor do espaço cultural Casa dos Quatro, um teatro independente do Distrito Federal. Em Luz Intrusa ele aborda os estados da alma humana num texto com ação, suspense, intrigas e segredos de família. "Pareceu muito interessante montar um espetáculo sobre um homem que se tranca num apartamento e fica isolado até mesmo da família. A peça mostra a degradação desse homem. Acredito que, hoje, com a pandemia, estamos mais prontos pra entender isso", afirma o diretor e dramaturgo.
Para Ribondi, adaptar o espetáculo no contexto atual fornece novas possibilidades para o fazer teatral. "Vamos perguntar a uma pessoa religiosa como é assistir a uma missa pela televisão. Passa emoção? Acontece o tal milagre da fé? É a mesma coisa com o teatro. No nosso caso, a gente tem que, essencialmente, se adaptar a esse maravilhoso mundo do audiovisual. Em Luz Intrusa são 5 câmeras acompanhando o ator. Acho que vou virar cineasta", arremata.
25 anos de palco do ator – "Resolvi fazer Luz Intrusa, antes de mais nada, para comemorar os 25 anos de carreira que completei em agosto deste ano", explica Abaetê Queiroz. "Estava pensando numa forma de celebrar, então me ocorreu esse monólogo que já apresentamos várias vezes em Brasília e outras capitais. E como a história se passa na casa de um homem que está confinado, a coincidência com o que estamos vivendo atualmente no mundo se somou à vontade de colocar em prática muitas pesquisas artísticas e técnicas sobre as lives teatrais que venho desenvolvendo desde o início da quarentena nos projetos em que estou inserido, como Os Dramátikos, a Agrupação Teatral Amacaca (ATA) e a Oficina Circo Íntimo", completa.
O ator, diretor e professor de teatro revela ainda que o desafio neste caso foi conceber novas possibilidades cênicas para construir a encenação utilizando diversas câmeras em um aplicativo de videochamada. "Além disso, um monólogo nos dá muita independência para circular, apresentar e promover a peça", finaliza.
_____________
SERVIÇO:
Peça: "Luz Intrusa", com Abaetê Queiroz
Direção e texto: Alexandre Ribondi
Técnica: Rui Miranda
Temporada: De 18/9 a 9/10 - sempre às sextas-feiras, 21h
Transmissão gratuita: bit.ly/abaetequeiroz
Classificação indicativa: 12 anos
Criado em 2020-09-14 20:33:35
O jornalista português e editor do Diário de Notícias, de Lisboa, Pedro Tadeu, homenageia Chico Buarque de Holanda nesse comovente texto:
“Quando recebi no telemóvel o alerta "Chico Buarque ganha o Prémio Camões" senti-me no direito de comemorar uma vitória: "ganhei eu, caramba, ganhei eu!".
Fui ler a notícia. Os seis membros do júri explicavam a razão desta atribuição do galardão literário pela "contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa".
E o que é que este português, de 55 anos, que escreve estas linhas, aprendeu com Chico Buarque?
Aos cinco anos de idade o meu corpo saltitava sempre que no rádio grande do meu pai soava "A Banda", a música que, quando passava, diz o verso final do refrão, ia "cantando coisas de amor". Chico Buarque impulsionou-me a dança.
Aos 10 anos de idade percebi como um indivíduo sozinho nada pode contra o cerco violento da indiferença. Bastou-me ouvir a história circular do operário de "Construção", que "morreu na contramão atrapalhando o sábado". Chico Buarque ensinou-me a identificar a injustiça social.
Aos 11 anos de idade percebi a inutilidade da divindade quando o coro masculino MPB4 repetia, em Partido Alto, "Diz que Deus dará/ Não vou duvidar, ô nega/E se Deus não dá?/Como é que vai ficar, ô nega?". Chico Buarque deu-me razões para ser ateu.
Aos 12 anos de idade intui, com os versos de Fado Tropical, como a brutalidade da colonização sangrou a pele dos povos e como as cicatrizes prevalecentes demoram séculos a fechar: "E o rio Amazonas/Que corre Trás-os-montes/E numa pororoca/Desagua no Tejo/Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/Ainda vai tornar-se um Império Colonial". Chico Buarque ofereceu-me uma identidade, um medo e uma esperança na Lusofonia.
Aos 13 anos de idade percebi, pela letra do pseudónimo Julinho da Adelaide (um autor inventado, usado para ludibriar a censura da ditadura brasileira, que até falsas entrevistas deu aos jornais...), que confiar na polícia pode ser perigoso, como constata "Acorda amor": "Tem gente já no vão de escada/Fazendo confusão, que aflição/São os homens/E eu aqui parado de pijama/Eu não gosto de passar vexame/Chame, chame, chame, chame o ladrão, chame o ladrão". Com Chico Buarque descobri que, às vezes, está tudo certo se se ficar do lado errado.
Aos 14 anos de idade conspirei o sentido da canção "O que será (à flor da pele): "Será, que será?/O que não tem decência nem nunca terá/O que não tem censura nem nunca terá/O que não faz sentido..." Chico Buarque revelou-me o secreto significado da palavra "liberdade".
Aos 15 anos de idade compreendi, ao ouvir "Mulheres de Atenas", que a minha mãe, a minha irmã e a minha namorada viviam num mundo pior do que o meu: "Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas/Geram pro seus maridos os novos filhos de Atenas/Elas não têm gosto ou vontade/Nem defeito nem qualidade/Têm medo apenas". Chico Buarque justificou-me o feminismo.
Aos 16 anos de idade espantei-me com o atrevimento de "O Meu Amor". "Eu sou sua menina, viu?/E ele é o meu rapaz/Meu corpo é testemunha/Do bem que ele me faz". Chico Buarque fez-me entender como o sexo pode, ou não, fazer um par com a palavra afeto.
Aos 17 anos comovi-me com "Geni", a prostituta que salva a cidade mas que a cidade despreza: "Joga pedra na Geni!/Joga bosta na Geni!/Ela é feita pra apanhar!/Ela é boa de cuspir!/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni!". Chico Buarque confrontou-me com a dignidade dos indignos.
Aos 18 anos de idade a história de "O Malandro" exemplificou-me como é sempre o mexilhão que se lixa: um tipo que foge de um tasco sem pagar a cachaça que bebeu provoca uma crise mundial. Mas, no final das crises, há sempre um bode expiatório: "O garçom vê/Um malandro/Sai gritando/Pega ladrão/E o malandro/Autuado/É julgado e condenado culpado/Pela situação". Chico Buarque antecipou-me a globalização e fez de mim um comunista.
Aqueles anos foram os tempos do meu caminho até à chegada à idade adulta, uma época anterior aos romances que Chico Buarque escreveu e que completam, com a verdadeira poesia de muitas das suas canções, um currículo mais do que suficiente para a atribuição do mais importante prémio literário em Língua Portuguesa.
Aqueles anos foram os tempos que moldaram o meu carácter.
Aqueles foram os tempos que moldaram o carácter de tantos outros e de tantas outras que, como eu, cresceram a ouvir estas canções mas que entenderam nelas tantas coisas que eu não entendi, que compreenderam nelas tantas coisas que eu não percebi, que tiraram conclusões destes textos muito diferentes das que eu tirei.
Mas, tenho a certeza, apesar de pensarem e sentirem de maneiras tão diferentes da minha, ontem, milhões de vós, ao saberem da notícia do Prémio Camões atribuído a Chico Buarque, tiveram o mesmo impulso que eu e comemoram: "ganhei eu, caramba, ganhei eu!".
Criado em 2019-05-23 00:01:15
Luis Turiba –
senhor prefeito
deixa disso
e respeite pra valer
o nosso Cristo
o verdadeiro
representante
dos pobres e oprimidos
aquele senhor
cabeludo e barbudo
que morreu
crucificado
em função de
causa nobre
por causa dos
desvalidos
hoje ele está
assentado
lá no alto
Corcovado
de olhos fixos
em nós
cariocas bem sofridos
contra todos os
seus pecados
e seus atos
descabidos
o senhor que
é pastor
mas nunca
dividiu o peixe
quando um dia
foi ministro
nunca repartiu
o pão com sua
população
muito pelo
contrário:
o senhor criou
milícias de
puxa-sacos & aspones
& censores
seres suspeitos
tenebrosos
violentos e
cavernosos elementos
pagou o maior
mico com esse
papo furado
da gangue dos
Guardiões
deu um tiro
no próprio pé e
quase acertou
nos culhões
mas o feitiço virou
contra o feiticeiro-mor
e graças a própria
imprensa que o
pastor queria calar
pintou uma onda à toa
tipo “barata voa”
deixando os seus
guardiões na
maior fria garoa
seu prefeito
numa boa
vai cuidar da
sua trolha
jogue logo sua toalha
pule fora dessa óla
diz o dito popular
nos subúrbios
e em outras bolhas
vosmicê não tem
escolha:
guardião de
cu é rola
Criado em 2020-09-04 16:24:48
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) divulgou nota pública condenando as intervenções nas universidades ocorridas nos últimos dias por determinação de juízes eleitorais. Essas ações executadas pela polícia são interpretadas como uma afronta à Constituição e à liberdade de pensamento.
A nota, assinada por Deborah Duprat, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão; Marlon Alberto Weichert, Procurador Federal dos Direitos do Cidadão Adjunto; Domingos Sávio Dresch da Silveira, Procurador Federal dos Direitos do Cidadão Adjunto, e Eugênia Augusta Gonzaga, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão Adjunta, em tom enfático afirma que “a vedação de uso de bens públicos para propaganda eleitoral não se confunde com a proibição do debate de ideias”.
Mais adiante, a nota diz: “A interpretação de dizeres ´Direito UFF Antifascista´, ´Marielle Franco presente´, ´Ditadura nunca mais. Luís Paulo vive´, bem como outras iniciativas de debates acadêmicos ou manifestações públicas a partir do espaço de ensino, como sendo uma forma de propaganda eleitoral transborda os limites da razoabilidade e compromete o arcabouço constitucional da liberdade de manifestação e de cátedra, bem como de expressão do pensamento e intelectual”.
Os procuradores que assinam a nota acham também que “conceber que o repúdio ao fascismo possa representar o apoio a uma determinada candidatura seria admitir que a Constituição brasileira endossaria tal forma de regime, o que é inaceitável”.
A juíza Maria Aparecida da Costa Bastos, titular da 199ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), ordenou na tarde desta quinta-feira (25/10) que uma bandeira pendurada pelos estudantes de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) seja definitivamente retirada do prédio.
Na noite da terça-feira (23/10), fiscais do TRE-RJ alegaram o cumprimento de um “mandado verbal” expedido pela juíza para retirar a bandeira do local. A bandeira, em cores laranja e preto, possui a mensagem “Direito UFF Antifascista”.
O candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) publicou em rede social uma manifestação de repúdio às operações da Justiça Eleitoral em universidades públicas que ocorreram nesta semana em diferentes estados. Entenda as ações judiciais nas unidades de educação do país.
"Eu quero dizer que não adianta intimidar as universidades, não adianta invadir os campi universitários", escreveu Haddad. "A Educação não vai se calar. Os professores e estudantes não vão se calar até derrotar o soldadinho de araque", postou o presidenciável, em menção velada ao seu adversário na disputa, Jair Bolsonaro (PSL).
Nesta semana, policiais e fiscais de tribunais eleitorais desencadearam uma série de ações em universidades em várias partes do país, o que despertou reação da comunidade acadêmica e de entidades da sociedade civil. As operações são na maior parte delas relacionadas à fiscalização de suposta propaganda eleitoral irregular. Críticos dessas ações apontam censura.
Segundo especialistas em direito eleitoral, a série de operações é “um grave atentado à democracia e à liberdade de expressão”.
A seguir, a íntegra da nota pública da PFDC:
“Nota pública sobre direitos constitucionais assegurados à comunidade discente e docente de universidades brasileiras.
A lisura do processo eleitoral exige, nos termos da lei, que espaços do Poder Público não sejam utilizados para proselitismo ou propaganda político partidária. Cabe ao Estado manter cautelosa distância do colorido partidário ou de candidatos e, portanto, acertadamente a Lei nº 9504/97 veda a propaganda eleitoral em prédios públicos.
Não obstante, a vedação de uso de bens públicos para propaganda eleitoral não se confunde com a proibição do debate de ideias. Nem mesmo a maior ou menor conexão ou antagonismo de determinada agremiação política ou candidatura com alguns dos valores constitucionais pode servir de fundamento para que esses valores deixem de ser manifestados e discutidos publicamente.
A proteção ao correto processo eleitoral deve se concretizar em diálogo e respeito aos direitos fundamentais da liberdade de expressão do pensamento, da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação (Constituição Federal, artigo 5º, IV e IX).
Os embates são parte essencial de um processo eleitoral democrático e evidentemente suscitam discussões sobre propostas e interpretações de marcos normativos e de fatos da vida social. As instituições de ensino são, por excelência, um dos locais privilegiados para a promoção desse debate,
estando para tanto protegidas pela própria Constituição, a qual garantiu, no artigo 206, incisos II e III, a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, bem como o pluralismo de ideias. Em igual sentido, o artigo 205 da Constituição traz como objetivo primeiro da educação o pleno desenvolvimento da pessoa e a sua capacitação para o exercício da cidadania.
A escola, nesse sentido, é o espaço da inquietação, da reflexão, da discussão sobre projetos coletivos, e isso tudo naturalmente se amplia em períodos eleitorais, quando a sociedade necessita de forma mais acentuada compreender e debater projetos e concepções de país e de mundo.
A efervescência estudantil é elemento motriz de uma sociedade vibrante e plural e, ao invés de ser reprimida, deve ser festejada. Jovens estudantes têm papel de destaque na história nacional e estrangeira, pois provocam novas reflexões sobre temas científicos e humanos que, muitas vezes, pareciam consolidados.
Nesse contexto, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) entende que são potencialmente incompatíveis com o regime constitucional democrático iniciativas voltadas a impedir a comunidade discente e docente de universidades brasileiras de manifestar livremente seu entendimento sobre questões da vida pública no país – tais como as que ocorreram nos últimos dias 23 a 25 de outubro, em mais de uma dezena de universidades brasileiras.
A interpretação de dizeres “Direito UFF Antifascista”, “Marielle Franco presente”, “Ditadura nunca mais. Luís Paulo vive”, bem como outras iniciativas de debates acadêmicos ou manifestações públicas a partir do espaço de ensino, como sendo uma forma de propaganda eleitoral transborda os limites da razoabilidade e compromete o arcabouço constitucional da liberdade de manifestação e de cátedra, bem como de expressão do pensamento e intelectual.
Conceber que o repúdio ao fascismo possa representar o apoio a uma determinada candidatura seria admitir que a Constituição brasileira endossaria tal forma de regime, o que é inaceitável. Em realidade, poderia se criticar uma manifestação antifascismo por platitude num cenário de normalidade democrática, mas em hipótese alguma de propaganda a uma candidatura.
Uma interpretação em favor da proibição de manifestações dessa natureza é uma ladeira escorregadia e, em breve, se poderia alegar que qualquer símbolo ou manifestação solidária ou trivial está associado a candidaturas. Até mesmo a simples presença de crucifixos em ambientes públicos poderia ser considerada um posicionamento contra, por exemplo, candidatos judeus ou ateus.
O argumento de que as instituições escolares são equipamentos públicos e, portanto, a salvo do debate eleitoral, não faz jus à dignidade que ambos os temas têm na Constituição de 1988, tão sábia em preservar determinados temas dos campos do mercado e da propriedade, inclusive pública. A escola, numa sociedade plural, tem, em alguns pontos, a mesma concepção das ruas: é o local dos encontros das múltiplas visões de mundo, de Estado e de sociedade. A interdição da disputa política no âmbito acadêmico fragiliza a democracia.
É lamentável que, em uma disputa tão marcada pela violência física e simbólica, pelo engano e pela falsificação de fatos, o ataque do sistema de justiça se dirija exatamente para o campo das ideias”.
Assinam:
DEBORAH DUPRAT
Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão
MARLON ALBERTO WEICHERT
Procurador Federal dos Direitos do Cidadão Adjunto
DOMINGOS SÁVIO DRESCH DA SILVEIRA
Procurador Federal dos Direitos do Cidadão Adjunto
EUGÊNIA AUGUSTA GONZAGA
Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão Adjunta
Criado em 2018-10-26 18:32:52
Luis Nassif –
No Supremo, há convicção da maioria sobre o excesso de poder conferido ao Ministério Público, fora do controle do Judiciário. Vamos a algumas informações frescas sobre o caso Dias Toffoli/Alexandre Moraes-Lava Jato e a reação ao Inquérito 4781 que investiga ataques ao Supremo.
Peça 1 – Toffoli não está isolado no Supremo.
Não há a menor dúvida de que o vazamento do tal telegrama que mencionava “o amigo do amigo do meu pai” teve a intenção de constranger o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, nas vésperas da votação da prisão após julgamento em 2ª instância. Foi uma tacada política. E há pouquíssimas dúvidas sobre as origens desse vazamento, nos porões da Lava Jato.
Por isso mesmo, no STF houve manifestações contra a censura e a forma atabalhoada como o Ministro Alexandre de Moraes conduziu os primeiros movimentos o inquérito 4781 – que apura ataques a membros do STF. Mas as ações contra os abusos da Lava Jato têm apoio interno.
No Supremo, há convicção da maioria sobre o excesso de poder conferido ao Ministério Público, fora do controle do Judiciário.
Peça 2 – Há intenção de enquadrar o MPF
Considera-se que, nos últimos anos, o Ministério Público ganhou poderes excessivos, que o colocaram fora do controle jurisdicional. São eles:
Os TACs (Termos de Ajustamento de Conduta) que permitiram ao MP mandar em todas as prefeituras sem passar pelo Judiciário.
Os PICs (Procedimentos de Investigação Criminal) que permitem ao MP fazer investigações sem a supervisão de um juiz, como ocorre nos inquéritos policiais, em que toda investigação está vinculada a um magistrado.
A delação premiada, que permite toda sorte de jogadas, da indução ao conteúdo das delações, o direcionamento para advogados amigos e até os esquemas de chantagem contra empresas. O caso ganhou contornos mais graves com a denúncia de empresas financiando a delação de seus executivos.
Pela Lei da Ação Pública, o controle do MPF sobre fundos constituídos pelas multas e ressarcimentos de réus condenados. E, agora, o plea bargaining, instituto que permitirá ao representante do Ministério Público negociar diretamente com o acusado e deixar de acusá-lo formalmente, se considerar que as informações apresentadas foram satisfatórias.
Volto ao tema no final do texto. Há instrumentos que são essenciais para o bom funcionamento do MPF e não podem ser destruídos em função do mau uso pela banda podre da corporação.
Peça 3 – os receios da quebra de hierarquia
No Xadrez das Contradições do Pós Impeachment, coloquei que um dos pontos principais de discussão seria a questão da quebra da hierarquia.
Base x cúpula - É a principal contradição que emerge do golpe.
A desconstrução da Constituição, perpetrada pelo STF, não afetou apenas o sistema partidário. Passou a estimular uma rebelião do baixo clero em relação aos controles hierárquicos de cada instituição.
É o que tem levado a uma reação, ainda tímida, do STF, do Conselho Nacional de Justiça e da PGR. E tem despertado preocupações no Alto Comando das Forças Armadas”.
Uma das mensagens de apoio que o STF recebeu foi do General de Divisão André Luis Novaes Miranda, do Comando Militar do Sudeste, preocupado com a quebra de hierarquia na Justiça. Afinal, com 15 generais 4 estrelas, como segurar 300 mil soldados se a quebra de hierarquia se alastrar?
Peça 4 – Está se chegando perto do vazador
O Ministro Alexandre Moraes convocou não apenas delegados de confiança da Polícia Federal, como também está trabalhando com a Polícia Civil de São Paulo. As investigações estão perto de chegar no vazador.
Algumas das pessoas investigadas, com poucos seguidores nas redes sociais, atuavam como pontos de disseminação dos fakenews. Eles publicavam as primeiras notícias e um conjunto de seguidores, robôs ou não, disseminavam o conteúdo para milhares de perfis.
À medida que as investigações avançam, instaura-se a cizânia na Lava Lato. Ontem mesmo, o procurador Deltan Dallagnol se defendeu, alegando que os procuradores tiveram acesso aos autos depois do vazamento ter sido publicado. Jogou a suspeita na Polícia Federal. Nas redes sociais, os ataques ao STF caíram quase 80%.
o mesmo tempo, informações que chegaram ao Supremo indicam que houve troca frenética de telefonemas entre os procuradores da Lava Jato, às 5h30 da manhã, para saber se havia movimentação de polícia na frente de suas casas. Como se sabe, invasões de domicílio podem ser feitas a partir das 6 da manhã. Para sua sorte, nenhum foi detido na banheira, como Marat na Revolução Francesa.
No episódio do vazamento das conversas entre Lula e Dilma, quando o Ministro Teori Zavascki exigiu explicações, delegados da PF informaram ter consultado o PGR Rodrigo Janot, que estava em viagem. E não foram desmentidos. O clima da época impediu que Janot fosse devidamente enquadrado.
No limite, os que atuaram na ponta acabarão por jogar a responsabilidade nas costas do ex-juiz Sérgio Moro.
Peça 5 – o Inquérito 4781
Nos próximos dias, haverá um aumento da disputa em torno do Inquérito 4781. O jornal O Globo abriu editorial a favor do trancamento do inquérito. Há tempos, as Organizações Globo tornaram-se reféns dos punitivistas do MPF, em função do envolvimento com a corrupção da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Como se recorda, o MPF abafou o inquérito que corria no Rio de Janeiro. E tornou a abafar quando o Ministério Público espanhol enviou provas da compra da Copa Brasil pela Globo, sem a participação de “laranjas”. É uma espada de Dâmocles permanente no pescoço do grupo.
Por outro lado, as ações do STF embutem o risco de se trocar o autoritarismo miliciano do baixo clero por um sistema autoritário centralizado, o autoritarismo das milícias pelo autoritarismo da cúpula.
______________________
Artigo publicado originalmente no site GGN
Criado em 2019-04-20 17:00:26
Guilherme Cadaval (*) –
Mike Davis (Califórnia, 1946) é hoje professor emérito do Departamento de Escrita Criativa, na Universidade da Califórnia. E é justamente por aí que interessa começar: pela prosa. Mike Davis é um prosador nato. O monstro bate à nossa porta: a ameaça global da gripe aviária, de 2005, com tradução publicada pela Editora Record em 2006, é um exemplo dentre tantos outros.
Ao longo de 250 páginas, muitas das quais marcadas pelos intricados debates científicos que há alguns meses povoam as colunas dos jornais diários, Davis consegue manter seu leitor engajado, como se o acompanhasse na exibição de um thriller catastrófico, sussurrando em seu ouvido enquanto a ação se desenrola em tempo real. O fato de que estejamos diante de outro vírus, que passou da ameaça à concretude e cujo palco se tornou realmente global, não subtrai a força do relato que ali se inscreve, muito pelo contrário, oferece à dramaticidade um tom tão mais ameaçador e urgente.
Estamos, hoje, dentro do livro de Mike Davis (na foto, abaixo), vivemos o seu suspense a cada passo fora de casa, a cada nova edição do noticiário. Mas, para além daquilo que talvez nos ocupe dia após dia – como a aterradora contagem de vítimas fatais e a concorrência alucinada por uma vacina e por um lugar no pódio dos salvadores da humanidade – O monstro bate à nossa porta oferece um panorama mais geral deste mundo que deu à luz, como sua obra mais própria, a pandemia da Covid-19.
Dentre as mudanças globais que mais favoreceram a evolução de novos subtipos de influenza, Davis menciona a Revolução Pecuária dos anos 80 e 90 – responsável pela produção a nível industrial de aves e gado – e a revolução industrial do sul da China, que colocou lado a lado centros urbanos densamente povoados com as centenas de milhões de aves da produção das indústrias. Sem dúvida isto contribuiu para acelerar a transmissibilidade de doenças entre espécies. Uma das consequências mais fascinantes dessa ruptura viral da barreira entre espécies, contudo, é que o antigo dualismo que separava, numa confortável hierarquia, o “humano” do “animal”, torna-se, agora mais do que nunca, completamente obsoleto: nossos destinos estão atados de modo incontornável.
Há, ainda, mais duas mudanças globais que se somam a esse caldo borbulhante. Por um lado, o surgimento das “super-cidades” do Terceiro Mundo, e as favelas que nelas emergem, com suas estruturas precárias, sua falta de saneamento básico, as quais, associadas a uma imunidade comprometida pela pobreza e pela fome, tornam as pessoas que nelas habitam hospedeiros privilegiados para o vírus. De fato, uma das condições sine qua non para uma pandemia é a densidade de hospedeiros sob condições sanitárias precárias. E não faltam matérias reportando a desigualdade na transmissão do vírus sobre o território brasileiro, que parece poupar espaços abastados, enquanto devasta bairros pobres.
Por outro lado, a ausência de um sistema de saúde pública internacional que corresponda à escala e ao impacto da globalização econômica. A saúde global é, em última instância, refém de grandes conglomerados farmacêuticos, que não têm demasiado interesse em doenças infecciosas, isto é, doenças que podem ser curadas: elas não produzem lucro. Tampouco os governantes teriam interesse em curas, uma vez que a indústria farmacêutica é uma contribuidora sempre tão generosa de suas campanhas políticas.
Este é, em suma, o enredo da catástrofe pela qual Mike Davis nos carrega, quase como se ainda a assistíssemos na tela de um cinema. Ao final do livro, enquanto recorda os thrillers de ficção científica de sua infância nos anos 50, com suas ameaças alienígenas e seus monstros atômicos ameaçando uma humanidade que sempre consegue acordar e se unir no último minuto para assegurar a sobrevivência da espécie, ele se pergunta: “Será que despertaremos a tempo?”. Parece que a porta já está aberta.
________________
(*) Guilherme Cadaval é formado em Filosofia pela UFRJ, onde concluiu mestrado e doutorado. Dedica-se aos estudos de Filosofia Francesa Contemporânea, especialmente as obras de Jacques Derrida, Georges Bataille e Maurice Blanchot. É autor de “Escrever a mágoa: um cruzamento entre Nietzsche e Derrida”.
Criado em 2020-08-26 15:40:53
Com uma diferença reduzida a cinco pontos, segundo pesquisa da Vox Populi, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, convoca atividades de rua nos últimos dias que antecedem a votação com o objetivo de promover “um verdadeiro tsunami na virada de votos”.
No Rio de Janeiro, a atividade está marcada para amanhã, sexta, dia 26/10, a partir das 16h, na Praça da Candelária, Centro. Em todas as capitais e cidades do interior também haverá atos públicos na sexta e no sábado.
Segundo os organizadores, “esses últimos dias são cruciais para a democracia brasileira. Ou o país retoma o rumo da soberania, da garantia de direitos, da força do povo e do desenvolvimento ou o Brasil cairá em um obscurantismo sem tamanho. Não se trata mais de uma eleição comum, mas sim da escolha entre um projeto que representa uma frente ampla democrática e, do outro lado o atraso, o retrocesso, a truculência e o autoritarismo”.
Os movimentos sociais, os partidos democráticos e populares e o povo estão mobilizando suas bases para o Dia Nacional de Mobilização contra a candidatura de Jair Bolsonaro.
Haddad disse que “é preciso conquistar os eleitores indecisos e aqueles que votaram em Bolsonaro no primeiro, pois estes estão sendo enganados com propagandas mentirosas”.
A nova rodada da pesquisa CUT/Vox Populi confirma o crescimento das intenções de voto no candidato Fernando Haddad (PT) e a queda do candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), que chegou a dar entrevistas dizendo que estava com a faixa presidencial nas mãos.
Realizada nos dias 22 e 23 de outubro, depois do escândalo do WhatsApp e da fala de Bolsonaro dizendo que vai prender ou exilar os opositores, a pesquisa mostra que os eleitores estão mudando a intenção de voto ou voltando a ficar indecisos, exatamente como revelou o levantamento realizado pela CUT-Vox nos dias 16 e 17.
Na simulação estimulada, quando o entrevistador apresenta os nomes dos candidatos, Bolsonaro aparece com 44% das intenções de votos contra 39% de Haddad.
A diferença entre os dois candidatos é de 5%. Se for considerada a margem de erro da pesquisa, que é de 2,2%, a diferença entre as intenções de voto em Haddad e Bolsonaro pode chegar a 1 ponto percentual (2,2% a menos para Bolsonaro e 2,2% a mais para Haddad).
A pesquisa mostra também que 17% dos eleitores ainda estão indecisos. Desse total, 12% disseram que não vão votar em ninguém, vão votar em branco ou anular os votos. Outros 5% não sabem ou não quiseram responder. Os percentuais são exatamente iguais aos da pesquisa anterior.
Os percentuais de votos válidos, excluídos os brancos, nulos, ninguém ou não sabem ou não responderam, também são idênticos aos da pesquisa anterior: 53% para Bolsonaro e 47% para Haddad.
A simulação espontânea, quando o entrevistador apenas pergunta em quem o eleitor vai votar, aponta Bolsonaro com 43% das intenções de votos contra 37% de Haddad, os mesmos percentuais do levantamento realizado nos dias 16 e 17.
Neste cenário, 13% disseram que não votarão em ninguém, votarão em branco ou anularão o voto e 7% não sabem ou não responderam. Na pesquisa anterior, os percentuais eram de 12% e 8%, respectivamente.
No cenário estimulado, o Nordeste, Região onde o candidato petista apresentou os maiores percentuais de intenção de voto durante toda a corrida presidencial, aumentou o número de eleitores que pretendem votar em Haddad: de 57% para 60%.
Os percentuais de intenção de voto em Haddad também cresceram entre os homens (de 35% para 37%), entre os maduros (de 37% para 41%); entre os eleitores que têm até o ensino fundamental (de 44% para 47%) e entre os que ganham até 2 salários mínimos (45% para 50%).
Os percentuais de intenção de voto em Bolsonaro registraram queda de 27% para 25% na Região Nordeste, entre os homens – de 53% para 49% -; entre os maduros – de 48% para 43%.
Religião
Considerando apenas os válidos, as intenções de votos para presidente apresentou pouca variação. Haddad oscilou positivamente um ponto percentual entre os católicos (de 42% para 43%), 2% entre os espíritas (de 38% para 40%) e 4% nos que se declararam sem religião (de 42% para 46%). Mas oscilou negativamente 3% entre os evangélicos (30% para 27%) e 6% nos que declararam seguir outras religiões (de 48% para 42%).
Rejeição
O percentual de rejeição a Fernando Haddad se manteve estável (41%). Já a rejeição a Bolsonaro aumentou 2% entre a pesquisa anterior e a rodada realizada nos dias 22 e 23 – de 38% para 40%.
O maior percentual de rejeição contra Bolsonaro foi registrado no Nordeste (59%). Já os eleitores do Sudeste e do Sul rejeitam mais Haddad, 48% em cada Região.
52% dos que se declararam negros e 42% dos pardos rejeitam Bolsonaro. Já entre os que se declararam brancos, o percentual de rejeição de Haddad sobe para 49%.
Metologia
A pesquisa CUT-Vox Populi foi realizada entre os dias 22 e 23 de outubro. Foram feitas 2.000 entrevistas pessoais e domiciliares com eleitores de 16 anos ou mais, residentes em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior de todos os estratos socioeconômicos. Os entrevistadores foram em 121 municípios.
A margem de erro da pesquisa é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.
Criado em 2018-10-25 21:51:49
Jessé Souza -
A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um “protesto”. Para a elite o que conta é a captura do orçamento público e do Estado como seu “banco particular” para encher o próprio bolso. A reforma da previdência é apenas a última máscara desta compulsão à repetição.
Mas as outras classes sociais também participaram do esquema. A classe média entrou em peso no jogo, como sempre, contra os pobres para mantê-los servis, humilhados e sem chances de concorrer aos privilégios educacionais da classe média. Os pobres entraram no jogo parcialmente, o que se revelou decisivo eleitoralmente, pela manipulação de sua fragilidade e pela sua divisão proposital entre pobres decentes e pobres “delinquentes”. Juntos, a guerra social contra os pobres e entre os pobres, elegeu Bolsonaro e sua claque.
Foi um protesto contra o progresso material e moral da sociedade brasileira desde 1988 e que foi aprofundado a partir de 2002. Estava em curso um processo de aprendizado coletivo raro na história da sociedade brasileira. Como ninguém em sã consciência pode ser contra o progresso material e moral de todos, o pretexto construído, para produzir o atraso e mascará-lo como avanço, foi o pretexto, já velho de cem anos, da suposta luta contra a corrupção.
A “corrupção política”, como tenho defendido em todas as oportunidades, é a única legitimação da elite brasileira para manipular a sociedade e tornar o Estado seu banco particular. A captura do Estado pelos proprietários, obviamente, é a verdadeira corrupção que, inclusive, a “esquerda” até hoje, ainda sem contra discurso e sem narrativa própria, parece ainda não ter compreendido.
Agora, eleição ganha e Bolsonaro no poder, começam as brigas intestinas entre interesses muito contraditórios que haviam se unido conjunturalmente na guerra contra os pobres e seus representantes. Bolsonaro é um representante típico da baixa classe média raivosa, cuja face militarizada é a milícia, que teme a proletarização e, portanto, constrói distinções morais contra os pobres tornados “delinquentes” (supostos bandidos, prostitutas, homossexuais, etc.) e seus representantes, os “comunistas”, para legitimar seu ódio e fabricar uma distância segura em relação a eles.
Toda a sexualidade reprimida e toda o ressentimento de classe sem expressão racional cabem nesse vaso. O seu anticomunismo radical e seu antiintelectualismo significam a sua ambivalente identificação com o opressor, um mecanismo de defesa e uma fantasia que o livra de ser assimilado à classe dos oprimidos. Olavo de Carvalho é o profeta que deu um sentido e uma orientação a essa turma de desvalidos de espírito.
A escolha de Sérgio Moro foi uma ponte para cima com a classe média tradicional que também odeia os pobres, inveja os ricos, e se imagina moralmente perfeita porque se escandaliza com a corrupção seletiva dos tolos. Mas apesar de socialmente conservadora, ela não se identifica com a moralidade rígida nos costumes dos bolsonaristas de raiz que estão mais perto dos pobres. Paulo Guedes, por sua vez, é o lacaio dos ricos que fica com o quinhão destinado a todos aqueles que sujam a mão de sangue para aumentar a riqueza dos já poderosos.
Os 100 dias de Bolsonaro mostram que a convivência desses aliados de ocasião não é fácil. A elite não quer o barulho e a baixaria de Bolsonaro e sua claque que só prejudicam os negócios. Também a classe média tradicional se envergonha crescentemente do “capitão pateta”. Ao mesmo tempo sem barulho nem baixaria Bolsonaro não existe. Bolsonaro “é” a baixaria. Sérgio Moro, tão tolo, superficial e narcísico como a classe que representa, é queimado em fogo brando já que o Estado policial que almeja, para matar pobres e controlar seletivamente a política, em favor dos interesses corporativos do aparelho jurídico-policial do Estado, não interessa de verdade nem a elite nem a seus políticos. Sem a mídia a blindá-lo, Sérgio Moro é um fantoche patético em busca de uma voz.
O resumo da ópera mostra a dificuldade de se dominar uma sociedade marginalizando, ainda que em graus variáveis, cerca de 80% dela. Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT. Mas ele é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível. A idiotice dele e de sua claque no governo é literal no sentido da patologia que o termo define. Eles vivem em um mundo à parte, comandado pelo antiintelectualismo militante, o qual não envolve apenas uma percepção distorcida do mundo.
O idiota é também levado a agir segundo pulsões e afetos que não respeitam o controle da realidade externa. Um idiota de verdade no comando da nação é um preço muito alto até para uma elite e uma classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo. Esse é o dilema dos 100 dias do idiota Jair Bolsonaro no poder.
Criado em 2019-04-10 02:36:34
A poesia exalta, celebra, engrandece, mas também denuncia. É o que pensam os 10 poetas que se organizaram para gravar e divulgar o poema 100 Mil Mortes , de Luis Turiba, a partir deste domingo (2/8).
Segundo estimativas de grupos médicos e técnicos em pesquisas estatísticas, os óbitos de brasileiros por Covid-19 devem chegar a este número até a segunda semana de agosto, também conhecido como “mês do desgosto”.
“Cem mil pessoas representam um Maracanã superlotado. Não podemos ficar calados, sentados com “a boca cheia de dentes esperando a morte chegar”, como cantou Raul Seixas. Enquanto a tragédia parece não ter fim, vamos denunciá-la”, diz o poeta Turiba, ex-editor da revista brasiliense Bric-a-Brac, com livros recentes publicados pela 7 Letras do RJ.
Durante o mês de julho, o poema foi bem trabalhado e dividido em estrofes. Todos gravaram sua parte pelo celular em seus refúgios, pois estão em isolamento social.
A edição de imagens é de Luca Andrade, master coach executiva, que adora fazer arte em suas horas de lazer e optou por um clipe espelhando a indignação e tristeza do luto.
O poeta e arquiteto mineiro João Diniz, de Belo Horizonte, cuidou dos desenhos numa estética de riscos e rabiscos; contribuindo também na escolha da música de fundo, um arranjo inovador das Bachianas de Villa-Lobos.
Participaram o projeto, além dos já citados: os poetas cariocas Tanussi Cardoso e Paulo Sabino; os mineiros Jairo Fará (São João Del Rey) e Titina Andrade; e as brasilienses Noélia Ribeiro, Maria Maia e Bic Prado, esta última toca um tambor que marca o ritmo fúnebre do poema.
As 100 Mil Mortes, poema para 10 vozes - VEJA O VÍDEO
Luis Turiba
PRIMEIRA
100 mil silêncios sepulcrais
100 mil funerais secretos
100 mil coveiros improvisados
100 mil pulmões ressecados
100 mil generais na saúde
100 mil respiradores alados
o que posso, moço: o que pude?
SEGUNDA
100 mil rastros de saudade
100 mil marias em bruto-luto
100 mil josés de mortalhas
100 mil gritos de senzala
100 mil dores sem gritos
100 mil amores rasgados
100 mil famílias destroçadas
100 mil estatísticas vivas
TERCEIRA
100 mil cruzes de lágrimas
derramadas espalhadas
no rio-mar Amazonas,
no seco sertão do Agreste,
nas terras d’Ianomamis
na areia de Copacabana,
no Vale do Anhangabaú
Esplanada dos Ministérios
dos Pampas campos do Sul
- quem será que leva a sério?
QUARTA
100 mil apertos em mãos frias
100 mil receitas d’ideologias
100 mil atestados de óbito
100 mil covas rasas mórbidas
100 mil caixões de terceira
na quase podre madeira
100 mil colegas de trabalho
agora todos sem salários
QUINTA
100 mil médicos esgotados
enfermeiras angustiadas
técnicos em parafuso
auxiliares confusos
no estresse mais absurdo
heróis heroínas guerreiras
SEXTA
100 mil negações da ciência
100 mil vivas à medicina
100 mil órfãos sem leitos
sem sequer saber do Aceite
100 mil rezas de desespero
100 mil Pai Nossos inteiros
100 mil Ave Marias de prantos
100 mil irmãos tios e primos
- o covid pegou o Hidelbrando
SÉTIMA
100 mil amigos lembrados
sem tempo pra ser velados
tampouco uma saideira
nem gurufim nem geladeira
OITAVA
100 mil velas seguem acesas
100 mil máscaras não usadas
100 mil macas esgarçadas
100 mil abraços vazios
100 mil beijos sufocados
100 mil “ora... que assim seja”
100 mil verdades nuas cruas
daquelas de fechar os olhos
e se entregar à força do choro
NONA
100 mil 100 mil 100 mil
caminhamos cegos sem ar
os sinos não param de dobrar
a imprensa conta & faz contas
o governo esconde, faz de conta
alguma dúvida? alguém dá vida?
é de direita? é de esquerda?
quem irá pagar essa perda?
antes da chegar ao despautério
das 100 mil e uma despedidas
DÉCIMA
pobre país sem epitáfio
no incauto poder do abuso
onde jaz desprezo eterno ao luto
Rio de Janeiro, 20.07.2020
Expectativa para as 100 mil mortes: 13 de agosto
______________
A equipe:
Poema 100 Mil Mortes, de Luis Turiba
Produção: Luis Turiba e João Diniz
Edição: Luca Andrade
Ambiente Musical: As “Bachianas” de Villas Lobos: guitarra de Rick Bolina sobre gravação original de Eduardo Assad
Tambor: Bic Prado
Desenhos: João Diniz
Contatos: Luis Turiba (21) 98288-1825 - WhatsApp
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
“Dizedores” do poema por ordem:
Luca Andrade, RJ
Tanussi Cardoso, RJ
Noélia Ribeiro, Brasília
João Diniz, Belo Horizonte
Paulo Sabino, RJ
Jairo Fará, São João Del Rey
Maria Maia, Brasília
Titina Andrade, Belo Horizonte
Luis Turiba, RJ
Criado em 2020-08-01 00:25:05
Ao reunir ontem à noite (23/10) mais de 60 mil pessoas nos Arcos da Lapa, Rio de Janeiro, o candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, disse que sua opção diante das ameaças feitas pelo concorrente “é derrotar Bolsonaro no próximo dia 28 de outubro”.
Jair Bolsonaro ameaçou seus opositores com “a prisão ou o exílio” e afirmou que colocará as forças de segurança do país para “dar no lombo” dos “petralhas” e dos “bandidos do MST e do MTST”.
Aos gritos de “Ele, não!” e “Brasil urgente, Haddad presidente”, a multidão aplaudiu dezenas de discursos em apoio ao Movimento Brasil pela Democracia.
As afirmações de Bolsonaro foram também contestadas por Caetano Veloso: “Temos que apagar da mente brasileira a ideia de que o cafajeste é quem nos representa. É isso que precisamos negar dentro de nós. Precisamos encontrar meios de dizer àqueles que se deixaram hipnotizar por essa onda. Eu estou aqui por causa disso, para evitar a ‘cafajestização’ do homem brasileiro. A eleição de Fernando Haddad e Manuela D'Ávila representará a dignidade do povo brasileiro, de cada homem brasileiro”.
O cantor e compositor Chico Buarque disse que “a eleição de Haddad está difícil”, como lembrou Mano Brown, que também esteve presente ao ato, “mas eu prefiro crer que ainda é possível virar o jogo”.
Chico acrescentou em seu discurso: “Imagino que lá fora, muita gente – cidadãos conservadores, de direita, cristãos, tenham votado no candidato fascista e agora estejam vendo a onda de boçalidade que toma conta das ruas cada vez mais e que depois do primeiro turno só fez piorar e ninguém sabe onde vai parar a matança de gays, de mulheres, de trans, de estudantes, de capoeiras que ousaram dizer que votaram no PT. Nas periferias, onde afinal está o povo que mais sofre com a miséria e a violência, e votaram por mais miséria e mais violência, eles talvez na última hora virem o voto. Não queremos mais mentiras, não queremos mais força bruta. Queremos paz, queremos alegria, queremos Fernando e Manuela”.

Haddad, que passou o dia no Rio em atividade na Favela da Maré e em reuniões com representantes das comunidades judaica, evangélica e católica, criticou as afirmações de Bolsonaro: “Ele disse que depois das eleições eu teria dois destinos: a prisão ou o exílio. Eu fiz uma opção: resolvi derrotar Jair Bolsonaro. Eu não o quero preso nem exilado. O que eu quero é que ele viva com saúde para ver os negros na universidade, as mulheres emancipadas e donas do seus destinos, as terras indígenas demarcadas, os nordestinos progredindo com água, comida, trabalho e educação”, disse.
O candidato do PT adotou um tom duro contra o adversário: “Ele disse que quer acabar com o ‘coitadismo’ de mulheres, negros, nordestinos e gays. O meu recado pra ele é: Jair, se olha no espelho, o coitado é você, que não passa de um soldadinho de araque e só fala grosso porque tem gente armada à sua volta. Você não é capaz de enfrentar um debate, não é capaz de enfrentar uma entrevista sem censurar jornalista livre”.
A atividade política de Bolsonaro também foi criticada: “Foram sete mandatos na Câmara dos Deputados de nada, pagos com dinheiro público. São 28 anos no Congresso Nacional propagando o ódio, sem apresentar uma ideia, medíocre que fosse. Não sai nada dele que não seja o pior do ser humano. Ele só sabe agredir, difamar e caluniar, e agora se sabe como: através das fake news nas redes sociais bancadas por amigos empresários que apoiam o projeto neoliberal que ele representa”.
Haddad falou também sobre a possibilidade de virar o jogo até o dia da votação e a necessidade de "dar razão às pessoas' para conquistá-las. "Não estou falando dos coxinhas que sempre nos odiaram, mas das pessoas que estão revoltadas porque estão desempregadas ou deixaram a universidade", explicou. "A essas pessoas nós precisamos abraçar e sentar para conversar daqui até o domingo. Vamos dialogar, eles não são nossos inimigos. Vamos fazer um projeto fraterno e avançar do ponto de vista social. Domingo nós vamos ganhar a eleição. Estou sentido no ar uma virada. Nós começamos a crescer e ele começou a cair. Nós temos cinco dias para fazer crescer ainda mais essa onda positiva."
Frente ampla pela democracia
Representantes de todos os partidos do campo progressista usaram o microfone para confirmar o apoio a Haddad e defender a democracia contra a ameaça representada pelas propostas de Bolsonaro: “Esta eleição está ocorrendo sob fraude, crime eleitoral e mentira. Neste momento, o Brasil está correndo o sério risco de legitimar pelo voto uma ditadura no país. Corremos o risco de eleger um ditador corrupto e mentiroso. Queremos defender o direito de discordar e a democracia”, disse a deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB.
Candidato do Psol no primeiro turno, Guilherme Boulos também mandou um recado a Bolsonaro: “Esse é um momento de luta pela democracia no nosso país. É preciso ter lado, ter coerência. Não cabe ficar em cima do muro, não cabe neutralidade porque neutralidade em um momento como esse significa cumplicidade. Há um candidato a presidente que ameaça as instituições, que ameaça seus opositores com a prisão ou o exílio, que diz que vai tratar como terroristas os movimentos sociais. O único jeito de acabar com o MTST é construir 6 milhões de casas no país”.
Ao lembrar Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro, o deputado federal eleito Marcelo Freixo, do PSol, proporcionou um dos momentos mais emocionantes da noite: “Bolsonaro, a sua capacidade de provocar medo não é e nunca será maior do que a nossa capacidade de sonhar por liberdade e democracia. É a eleição mais importante da história das nossas vidas porque precisamos derrotar um projeto fascista. Pelo terror, tiraram de nós a Marielle, que estaria aqui conosco neste momento”, disse.
O senador petista Lindbergh Farias que, segundo Bolsonaro, irá em breve para a cadeia “apodrecer” ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também alertou para o risco que corre a democracia no país: “Está muito claro que o plano do Bolsonaro é levar o Brasil em direção a uma ditadura. Bolsonaro vem dizendo há muito tempo o que quer fazer no Brasil. O símbolo dele não é Geisel, não é Médici, é o Brilhante Ustra”, disse. Lindbergh também criticou o Supremo Tribunal Federal: “Impressiona a covardia do STF neste momento da nossa história. Nenhuma resposta à indústria de fake news que foi montada no país”.
Falando em nome do PSB, o deputado federal reeleito Alessandro Molon comparou Bolsonaro ao presidente Michel Temer, do PMDB: “Estamos aqui nesta praça porque acreditamos na força transformadora da educação. Por isso vamos votar em quem defende dar para cada criança do nosso país um livro, um lápis e uma borracha e não uma arma. Quem faz uma campanha suja não pode fazer um governo limpo. Temos que tirar o Brasil do atoleiro em que Temer, Bolsonaro e sua turma o colocaram”, disse.
Importantes figuras da história política nacional também foram lembradas durante o ato: “Se estivesse vivo, Leonel Brizola certamente estaria neste palco. Nós trabalhistas, brizolistas, nacionalistas votaremos em Haddad no domingo”, disse Vivaldo Barbosa, fundador e militante histórico do PDT.
Representando o PV, o deputado federal Fabiano Carnevale afirmou: “Somos o partido de Chico Mendes, que também estaria aqui apresentando ao mundo a ameaça que é a candidatura do Bolsonaro que quer entregar a Amazônia e retirar o Brasil do Acordo de Paris”.
_______________
Com Maurício Thuswohl, da Rede Brasil Atual.
Criado em 2018-10-24 19:59:52
Romário Schettino -
Este carnaval foi um carnaval triste. Certas mortes nos deixam tão fragilizados que é difícil apenas aceitar que fazem parte da condição humana. De todas as perdas neste mês de carnaval, a de Lalá foi a que mais me tocou no fundo do coração.
Conheci a jornalista Larissa Bortoni, a nossa querida Lalá, desde o tempo das concorridas assembleias do Sindicato dos Jornalistas do DF, quando ela ainda era casada com o jornalista Paulo Miranda. Um de seus filhos nasceu durante uma assembleia que decidiu por uma greve histórica dos jornalistas de Brasília. Por pouco o André não se chamava “grevinho”. Larissa deixa dois amados filhos, Lucas, 25, e André, 29.
Nossa amizade foi se fortalecendo e a admiração mútua também. Gostava de suas tiradas inteligentes, sempre à esquerda. Lalá detestava gente cafona, governo cafona, coisas cafonas. E ela sempre tinha razão. O Facebook não será mais o mesmo sem a Larissa.
Quando eu assumi a direção da Radio Cultura, nos idos do governo Cristovam Buarque, Larissa foi a minha chefe de reportagem. O período foi breve porque logo ela passou no concurso para a Rádio Senado e lá se foi ela, com uma dor no coração. Lalá gostava de trabalhar na Cultura FM 100,9.
Um dia, na Rádio Senado, me liga Larissa pedindo uns poemas meus sobre Brasília para serem lido no dia do aniversário da cidade. Gostei da lembrança e me senti honrado, claro.
Morrer aos 50 anos é uma maldade. E de mal súbito, é inaceitável.
Nota de pesar da Faculdade de Comunicação da UnB:
"A Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (FAC-UnB) lamenta informar o falecimento da jornalista Larissa Bortoni, profissional da Rádio Senado, em razão de mal súbito nesta segunda-feira, dia 4/3/2019. Formada pela FAC, Larissa também foi professora substituta de nossa Faculdade e profissional diversas vezes premiada ao longo de sua carreira.
A Direção da FAC-UnB se solidariza com familiares, amigos/as e colegas de Larissa Bortoni. Abaixo, links com mais informações sobre o velório e as realizações profissionais da jornalista".
Profs. Fernando Oliveira Paulino e Liziane Guazina
Diretor e Vice-Diretora da FAC-UnB
Reportagens premiadas assinadas por Larissa Bortoni:
Adultos autistas: onde eles estão? – terceiro lugar no prêmio Rui Bianchi, do Memorial da Inclusão, em 2018
A Culpa é do estuprador – menção honrosa no Sexto Prêmio República de Valorização do Ministério Público Federal, em 2018
Tapa de amor dói – e muito – finalista do 9º Prêmio Imprensa Embratel em 2007
O povo cigano no Brasil – vencedor do prêmio Roquette Pinto de 2011 e menção honrosa no prêmio Vladimir Herzog de 2011.
Criado em 2019-03-07 01:56:06
Romário Schettino -
E assim o artista plástico Bené Fonteles convida para o lançamento virtual, exclusivo aqui no brasiliarios.com, hoje (25/7), do seu Catálogo2-Quarentena. São trabalhos gráficos, fotográficos, poéticos de mais de 40 artistas selecionados para compor uma obra que reflete o momento em que vivemos. Além de sua principal advertência: “Desobediência civil: não saia de casa nem a pau!”, o catálogo nos convida para ser degustado, apreciado, absorvido em cada uma de suas 109 páginas.
A jornalista Zuleica Porto diz que o catálogo é “uma preciosidade”. E acrescenta: “Um documento desses dias, pra ler, e ver, com calma”. Sim, por isso mesmo foi produzido com esmero pelo experiente Bené Fonteles, com projeto gráfico de outro craque na área, Licurgo S. Botelho.
Dentre os artistas, ativistas e pensadores convidados estão Ailton Krenak, Alex Flemming, Almandrade, Alzira E, Gilberto Gil, Angélica Torres Lima, Arnaldo Antunes, Carlito Maia, Déa Trancoso, DJ MAM / Chico César / Baiana Systen, Climério Ferreira, Dayara Figueroa, Elza Maria Sinimbu Lima, Fernando Limberger, Gilberto Gil, Glenio Lima, Guto Lacaz, Hamilton Faria, Hazamat, Hélio Fervenza, Marlui Miranda, Miguel Simão Costa, Mila Petrillo, Nicolas Behr, Paulo Miyada, Vicente Sampaio.
Bené Fonteles diz na apresentação do catálogo que o tema faz coro com o que foi definido para a próxima Bienal de São Paulo que, aliás, pode nem acontecer este ano: “Faz escuro, mas eu canto” (famoso verso do poeta amazonense Thiago de Melo, escrito em 1966, em plena ditadura militar brasileira). Segundo Bené, “nada mais do que apropriado para o vírus que nos assola junto com a trágica situação política e econômica do país. É muita provação e desafio para um só ano!”.
Na primorosa entrevista com Ailton Krenak, uma constatação: “Veja que esse vírus está discriminando a humanidade. Ele não mata pássaros, ursos, nenhum outro ser, apenas humanos. Apenas a humanidade está sendo discriminada. Quem está em pânico são os povos humanos, o modo de funcionamento deles entrou em crise. Consolidaram esse pacote que é chamado de humanidade, que vai sendo descolada de uma maneira absoluta desse organismo que é a Terra, vivendo numa abstração civilizatória que suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos. Os únicos núcleos que ainda consideram que precisam ficar agarrados nessa terra são aqueles que ficaram meio esquecidos pelas bordas do planeta, nas margens dos rios, nas beiras dos oceanos, na África, na Ásia ou na América Latina. Esta é a sub-humanidade: caiçaras, índios, quilombolas, aborígenes. Existe, então, uma humanidade que integra um clube seleto, vamos dizer, bacana. E tem uma camada mais rústica e orgânica, uma sub-humanidade, que fica agarrada na terra. Eu não me sinto parte dessa humanidade.”
Destaco aqui a poesia de Angélica Torres: “Que nada? / e os favelados /os refugiados/ os mortificados /moradores de rua /pensou neles /ao frio opaco /desta madrugada /em que você /pandemoniado /embala a insônia /acendendo um baseado /sorvendo um vinho /servindo-se um /conhaque /enquanto contempla /estrelas geladas /piscando para o Nada /que logo há de ser /toda a realidade /finda a estrada /?
Tem muito mais o que ver, ler e apreciar neste catálogo. Segue o link para que não fiquemos aqui só repetindo tudo o que está disponível: Clique aqui!
Criado em 2020-07-25 21:20:33
A ex-ministra Marina Silva (Rede) anunciou hoje (22/10) apoio à candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República. Por meio de suas redes oficiais, Marina se posicionou oficialmente fortalecendo a Frente Ampla Pela Democracia.
O apoio de Marina fortalece o projeto democrático que garante direitos e é contrário à campanha de ódio e entreguista de Bolsonaro.
Por sua vez, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e quatro outras entidades nacionais emitiram nota conjunta para reiterar “a imperiosa necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias como veículo de manipulação eleitoral, para que se garanta o livre debate de ideias e de concepções políticas divergentes, sempre lastreado em premissas fáticas verdadeiras”.
Marina afirmou que votar em Haddad é a única forma de continuar a garantir a democracia. O seu partido, Rede Sustentabilidade, “já recomendou a seus filiados e simpatizantes que não votem em Bolsonaro, pelo perigo que sua campanha anuncia contra a democracia, o meio-ambiente, os direitos civis e o respeito à diversidade existente em nossa sociedade”.
O comunicado da Rede lembra ainda que Haddad é o candidato que defende a proteção dos direitos sociais e políticos. “Darei um voto crítico e farei oposição democrática a uma pessoa que não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres, o fim da base legal e das estruturas da proteção ambiental, que é o professor Fernando Haddad”.
O candidato Fernando Haddad agradeceu o apoio de Marina e da Rede. “O voto de Marina Silva me honra por tudo que ela representa e pelas causas que defende. Nossa convivência em Brasília como ministros foi extremamente produtiva e até hoje compartilhamos amizades de queridos brasileiros e brasileiras devotados à causa pública. Esse reencontro democrático me enche de orgulho”.
Eis a íntegra da nota da OAB, ANAMATRA, CNBB, ANPT, SINAIT, ABRAT E FENAJ:
"As entidades signatárias abaixo nominadas, representativas da sociedade civil organizada, no campo do Direito e das instituições sociais, por seus respectivos Representantes, ao largo de quaisquer cores partidárias ou correntes ideológicas, considerando os inquietantes episódios descortinados nos últimos dias, nas ruas e nas redes sociais, ao ensejo do processo eleitoral, de agressões verbais e físicas – algumas fatais – em detrimento de indivíduos, minorias e grupos sociais, a revelar crescente desprestígio dos valores humanistas e democráticos que inspiram nossa Constituição cidadã, fiadores da convivência civilizada e do exercício da cidadania, vêm a público:
AFIRMAR o peremptório repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo aos direitos humanos, assacadas sob qualquer pretexto que seja, contra indivíduos ou grupos sociais, bem como a toda e qualquer incitação política, proposta legislativa ou de governo que venha a tolerá-las ou incentivá-las;
REITERAR a imperiosa necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias como veículo de manipulação eleitoral, para que se garanta o livre debate de ideias e de concepções políticas divergentes, sempre lastreado em premissas fáticas verdadeiras;
EXORTAR todas as pessoas e instituições a que reafirmem, de modo explícito, contundente e inequívoco, o seu compromisso inflexível com a Constituição Federal de 1988, no seu texto vigente, recusando alternativas de ruptura e discursos de superação do atual espírito constitucional, ancorado nos signos da República, da democracia política e social e da efetividade dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais, com suas indissociáveis garantias institucionais;
MANIFESTAR a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais, inclusive os trabalhistas, e da imprescindibilidade das instituições que os preservam, nomeadamente a Magistratura do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho, a Auditoria Fiscal do Trabalho e a advocacia trabalhista, todos cumpridores de históricos papéis na afirmação da democracia brasileira;
DECLARAR, por fim, a sua compreensão de que não há desenvolvimento sem justiça e paz social, como não há boa governança sem coerência constitucional, e tampouco pode haver Estado Democrático de Direito sem Estado Social com liberdades públicas”.
Assinam:
CLÁUDIO PACHECO PRATES LAMACHIA
Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
GUILHERME GUIMARÃES FELICIANO
Presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra)
LEONARDO ULRICH STEINER
Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
ÂNGELO FABIANO FARIAS DA COSTA
Presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT)
CARLOS FERNANDO DA SILVA FILHO
Presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait)
ALESSANDRA CAMARANO MARTINS
Presidente da Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (Abrat)
MARIA JOSÉ BRAGA
Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
Criado em 2018-10-23 00:58:25
Chico Alencar (*) –
“Momo é o único rei que amei", cantam meus amigos Aldir Blanc e Moacyr Luz, republicanos de quatro costados. O chamado "tríduo momesco" é festa de resistência, deboche diante da sisudez do poder. A terça-feira é "gorda" porque, desde os tempos medievais, sendo o último dia antes da Quaresma, abria quarentena de jejum e abstinência que a maioria praticava, em mortificação. Alguns rebeldes, na contramão, aproveitavam: comamos muito, bebamos tudo, pois amanhã são cinzas...
Crivella, com sua evidente má vontade para com o Carnaval, não é pioneiro. As autoridades, desde o entrudo colonial - folguedos dos escravos que os senhores aturavam (válvula de escape em uma vida de "três pês", pau, pano e pão) - sempre tentaram colocar limites na folia popular.
É quase inacreditável, mas o segundo governo da República, do marechal Floriano, decidiu transferir a festa para junho, pois o verão tropical e a multidão nas ruas em fevereiro poderiam propagar epidemias letais. O povo fez careta para a morte e brincou duas vezes. Vinte anos depois, em 1912, outro marechal-presidente, Hermes da Fonseca, determinou cancelar os batuques em luto pela morte do respeitável Barão do Rio Branco. Não funcionou, e milhares desfilaram e zoaram pela Avenida Central - a atual Rio Branco.
No final da década de 20 do século passado, conselheiros do município do Rio, com seus ternos escuros, gravatas e chapéus, caretas que só, cogitaram mesmo extinguir a festa, que dava à capital da República um aspecto de "povoado africano", e nos distanciava da cidade ideal, europeia ou norte-americana. Foram ridicularizados. J.Carlos chargeou esses doutores nas páginas de "O Malho": "Acabar com o carnaval? Cuidado, conselheiros. Por muito menos fizeram a Revolução Francesa!"
Luiz Antonio Simas, que sabe tudo da cultura popular carioca (e das nossas belas raízes), diz, sobre o carnaval, que "a festa é espaço de subversão de cidadanias negadas. Inventou-se na rua a aldeia roubada nos gabinetes. Disciplinar a rua, ordenar o bloco, domesticar os corpos, sequestrar a alegria (prova dos nove!) e enquadrar a festa, por sua vez, foi a estratégia dos senhores do poder na maior parte do tempo."
Há quem diga que não há razão para se festejar. Mas Carnaval é celebração onde sempre couberam sátiras e protestos contra injustiças e opressões. Caetano e Gil sabem que "a tristeza é senhora, desde que o samba é samba é assim". E também que, com "a lágrima clara sobre a pele escura (...) o samba é pai do prazer, é filho da dor, o grande poder transformador".
Esperar felicidade geral e direitos para todos para só então brincar o Carnaval é não querer que ele exista. Zé Pereira, sapateiro português, foi o pioneiro dos blocos do Rio, em meados do século XIX. Ele bateu bumbo chamando toda gente para ocupar os espaços públicos. A rua não pode ser apenas lugar de negócios, de escoar produção, de trabalho - explorado e, em grande parte da nossa história, escravizado.
Nas ruas e praças cabem também as canções, as batucadas, as marchinhas, os frevos, os sambas. Como os abraços e os beijos: Carnaval pode ser fragmento do futuro, prenúncio de humanidade nova, fraterna. Chico Buarque, pouco mais que um menino, falava da festa, em uma de suas primeiras composições: "era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade". Somos feitos para o encontro, para a troca, para a harmonia com o outro, que nos completa.
Carnaval, imortal - e passageira - vitória da ilusão, como insistem em cantar Aldir e Moa. Onde "o menino é menina, e o doutor juiz, a bailarina". Apoteose do delírio humano: "o carnavalesco é um deus maldito, e isso é que é bonito, recriar a criação! Das cinzas à Ressurreição!".
Os donos do poder vivem carrancudos, com medo de perdê-lo. Já nós, sabemos que cantando mandamos a tristeza embora.
____________
(*) Chico Alencar é professor e escritor.
Criado em 2019-03-07 01:47:50
O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha será celebrado pela cultura popular do Distrito Federal. O dia 25 de Julho é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), mas as homenagens começam no dia 20/7 com a websérie Poéticas Populares.
Serão exibidos episódios inéditos e haverá o lançamento do videoclipe da cantora brasiliense Dessa Ferreira abordando a ancestralidade feminina negra.
Essa é uma oportunidade para a reflexão e o fortalecimento da luta por igualdade, representatividade e afirmação de direitos. No âmbito da cultura, a data é mais um motivo para enaltecer e difundir música e poesia criadas e interpretadas por essas mulheres. Pensando nisso, projetos idealizados e apoiados pelo Instituto Rosa dos Ventos, organização comandada por Stéffanie Oliveira, tratam a temática por meio da arte.
Música e Poesia
O projeto Poéticas Populares, websérie que reúne, por meio de música e poesia, dezenas de artistas independentes, em 16 episódios inéditos, terá uma semana inteira dedicada a homenagear mulheres negras, latinas e caribenhas. Nas próximas segunda (20/07), quarta (22/07) e sexta (24/07) poetas, atrizes e cantoras negras ocupam os palcos virtuais do projeto.
As convidadas para compor toda a websérie, principalmente nessa homenagem, fazem parte da construção da cultura e da identidade candanga. Além do protagonismo e da visibilidade, a série propõe um grande desafio: misturar gerações, ritmos e cidades. Compõem esse caldeirão cultural nomes como o de Fernanda Jacob, atriz e musicista, de Thábata Lorena, rapper e compositora, de Kika Ribeiro, sambista e compositora e o de Lazir Sinval, descendente da Alta Majestade dos fundadores da Escola de Samba Império Serrano, Rio de Janeiro.
“O Poéticas Populares convidou artistas negras, mulheres, para saudar e revisitar a história de mulheres que vieram antes e fizeram um trabalho intelectual e de resistência para que, hoje, eu, com 30 anos, mulher preta e artista tivesse voz e pudesse estar executando trabalhos como esse, que colocam a mulher como protagonista”, ressalta Fernanda Jacob.
Para a sambista Lazir Sinval, promover projetos que enalteçam as mulheres é uma forma de resistência e sobrevivência. “É fundamental exaltar a força das mulheres! Durante toda a nossa história e trajetória, eram ‘Elas’ que organizavam tudo, uma luta cheia de sabedoria. Grandes matriarcas, guerreiras da nossa cultura, da nossa vida”, destaca.
O Poéticas Populares acontece até 29 de julho e integra o calendário oficial do Circuito Candango de Culturas Populares, amplo projeto realizado pelo Instituto Rosa dos Ventos e fomentado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF.
Vídeoclipe
Com apoio do Instituto, a cantora e percussionista brasiliense, residente em Porto Alegre, Dessa Ferreira, (foto: Andre Luis, abaixo) de lança, em 25 de julho, o videoclipe Pulso, uma das faixas que integram seu primeiro trabalho solo, em fase de produção, e com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2020.

Segundo a cantora, a música nasce em meio a tentativas frustrantes de buscar informações sobre as origens de sua família. Filha de piauienses, nascida no Distrito Federal, Dessa Ferreira, encontra na cultura e nas artes, possibilidades de reconstrução do seu passado e de conexão com a sua ancestralidade indígena e africana.
“Pulso fala sobre a potência do aquilombamento de mulheres negras que, por meio do espelhamento se nutrem, se enxergam e, juntas, buscam formas de se fortalecer e construir novas possibilidades de futuro em conexão com a ancestralidade. O clipe nos provoca a pensar o quanto essas histórias estão permeadas entre diversas mulheres negras que partilham de vivências semelhantes, de apagamentos e de redescobertas", comenta Dessa Ferreira.
_______________________
Serviço:
Websérie Poéticas Populares
Datas das homenagens: segunda (20/07), quarta (22/07) e sexta (24/07)
Horário: 18h
Local: https://www.youtube.com/channel/UCtgy4kbKo1XbMfMgi-dQyWQ
Lançamento do clipe PULSO
Data: 25 de julho (sábado)
Horário: às 12h (Live às 22h pelas redes sociais da artista e canal do youtube.)
Disponível em: Instagram e Facebook - @dessaferreiraoficial / Youtube: dessaferreira
Criado em 2020-07-17 22:44:26
Partidos políticos, movimentos sociais, igrejas, artistas, intelectuais, “Todos pelo Brasil!”, convidam para a mobilização nacional em defesa da democracia e por eleições limpas, sem fraude, sem notícias falsas e sem manipulação pela internet.
No Rio de Janeiro, a manifestação será na Cinelândia, a partir das 15h. Em Brasília, também será às 15h, na Rodoviária do Plano Piloto.
Mais de mil juristas assinam manifesto em apoio a Fernando Haddad 13, o candidato do PT. Entidades católicas divulgam manifesto pela paz e pela democracia.
“É a hora de defender a democracia, os direitos dos brasileiros, a esperança. É hora de sair às ruas e reforçar o apoio ao único nome que pode fazer com que o povo brasileiro volte a sorrir: Fernando Haddad. É o projeto do amor contra o projeto do ódio, da violência, da mentira e da intolerância. Vamos tomar as ruas neste sábado (20/10), em uma grande mobilização nacional, pela defesa da democracia e de nossos direitos. Todos pelo Brasil!”, diz a nota de convocação.
Em Londres, será na Trafalgar Square, às 11h.
A seguir, os locais, datas e horários das manifestações em alguns estados. Outros endereços serão divulgados em sua cidade.
Amazonas
Manaus
20/10 – Atividade das Mulheres - 16h no Largo de São Sebastião
Espírito Santo
20 de outubro
Vitória
8h30 – Praça Oito, centro, Vitória
Pará
20/10
Belém – Mercado de São Brás | 16h
Paraíba
20/10
João Pessoa – Praça do Coqueiral | 15h
Bahia
20/10
Salvador - 14h - Praça da Bandeira
Terra Boa – Terra Boa | 9h
Ilhéus – Praça Cairu | 9h
São Paulo
20/10
São Paulo – Vão Livre do MASP | 15H
Araçatuba – Praça Rui Barbosa | 15h
Atibaia – Igreja Matriz de Atibaia | 15h
São José dos Campos – Praça Afonso Pena | 9h
Minas Gerais
20/10
Belo Horizonte – Praça Sete de Setembro | 14h
Montes Claros – Praça Dr. João Alves | 8h
Paraná
20/10
Curitiba – Praça Santos Andrade | 15h
Curitiba – 10h – Marcha do Livro – Concentração na XV de Novembro com Monsenhor Celso e segue até a Praça Santos Andrade.
Londrina – 10h – Grande Ato no Cine Teatro Ouro Verde
Maringá – 9h30 – Caminhada com concentração na Praça São Vicente, segue na Av. Pedro Taques até a subestação da Copel.
Cascavel – 16h – Ato em frente à Catedral
Ponta Grossa – 15h – Ato no Parque Ambiental.
Guarapuava – 9h30 – Ato no Calçadão da XV
Foz do Iguaçu – 10h – Ato no Bosque Guarani ao lado do Terminal de Transporte Urbano.
Toledo – 16h – Ato no Parque Ecológico Diva Paim Barth.
Santo Antonio da Platina – 9h – Ato na Praça da Matriz.
Pernambuco
Atividades do dia 20
Recife
10h às 12h – Recife Centro - Praça do Derby
Vigília Tortura nunca mais, na rua da Aurora – Recife- PE – flores e trajes brancos
13h – Praça do Derby – Recife
Mulheres pela Democracia, partidos e movimentos Sociais
Orla de Petrolina/PE
15h – Semiárido pela Democracia. Ato político Cultural
organizações do Campo
São Lourenço da Mata/PE
8h – Caminhada saindo da praça do Canhão
Camaragibe/PE
Aldeia quer Democracia
atividades culturais – grafitagem, feirinha orgânica, conversas políticas, capoeira, pinturas de camisetas
9h – km 10,5 – Aldeia – Camaragibe
Itambé/PE
18h – Caminhada em Itambé/PE. Saindo da Praça
Caruaru/PE
15h – Caminhada pela democracia em Caruaru. em frente ao INSS
Paudalho/PE
19h – Inauguração da Casa da Democracia
Praça do Rosário – Centro
Maranhão
20/10 – 16h00
Mulheres Pela Democracia
Local: Praça Maria Aragão
Sergipe
SÁBADO – 20/out
7h – Mulheres do coletivo #HaddadSim: Panfletagem no Terminal de ônibus ao lado do Mercado do Centro (depois seguem para a caminhada que sai da Praça Fausto Cardoso)
9h – Atividade: Todos Pelo Brasil: Concentração na Praça Fausto Cardoso (Bingo Palace)
Caminhada no Centro de Aracaju
9h Bicicletada em Itabaiana
9h Carreata em Lagarto
9h Atividade na Feira de Própria
20h- Bandeiraço na Orla de Atalaia: Imediações do Corpo de Bombeiros – Praia de Atalaia
Criado em 2018-10-19 17:51:42
O teólogo batista Tiago Santos dá razão a Gaviões da Fiel, cujo desfile escandalizou evangélicos. Santos estudou no Seminário Teológico Batista do Rio Grande do Sul e é fundador da igreja Abrigo, em Porto Alegre, publicou um texto que está muito repercussão, sobretudo entre os evangélicos.
Ele escreveu sobre o enredo da escola de samba Gaviões da Fiel, que levou à avenida a mensagem “O Diabo Venceu”.
Evangélicos se escandalizaram, e por isso o teólogo decidiu explicar por que o carnavalesco da Gaviões deu uma demonstração de que entende mais de Cristianismo do que aqueles que seguem Silas Malafaia e similares.
Eis o texto de Tiago Santos:
“Sobre a polêmica do carnaval quero registrar aqui que o diabo venceu, sim!
Quando a igreja fez arminha com a mão, o diabo venceu.
Quando os pastores e missionários, mesmo atuando nas comunidades mais pobres e obtendo o seu sustento do salário dos trabalhadores, apoiam a retirada de direitos destes para favorecerem os mais ricos, o diabo venceu.
Quando a igreja ri de uma criança que morre, o diabo venceu.
Quando a igreja comemora que uma líder social é assassinada a tiros numa emboscada, o diabo venceu.
Quando a igreja zomba de um líder político que precisa deixar o país sob ameaça de morte, o diabo venceu.
Quando a igreja vive uma expectativa que entremos em guerra com outro país para atender interesses geopolíticos de superpotências, o diabo venceu.
Quando a igreja se torna o principal grupo social do país a espalhar mentiras na internet, o diabo venceu.
Quando a maior preocupação da igreja, em um país extremamente desigual, é que meninos vistam azul e meninas rosa, o diabo venceu.
Quando a igreja fica em angustiante silêncio frente ao racismo, a xenofobia, ao feminicídio, a homofobia, o diabo venceu.
Quando a igreja considera armar toda a população como forma de buscarmos a paz, o diabo venceu.
Quando a igreja considera justo que fazendeiros que já tanto têm esmaguem os povos indígenas para lhes tomar o pouco que resta, o diabo venceu”.
Criado em 2019-03-07 01:41:18
Um dos mais tradicionais festivais de rock do Distrito Federal (Festival Rock Cerrado) abriu concurso para renovar sua marca. O símbolo deve traduzir as principais bandeiras do evento: Música e Ecologia. As inscrições permanecerão abertas até o dia 5 de agosto de 2020, no site www.rockcerrado.com.br
“A satisfação pela criação da marca, e não somente à premiação no valor de R$ 2 mil (destinada ao 1º lugar), deverá envolver as pessoas, chamando atenção para a importância do meio ambiente”, dizem os membros da Comissão Organizadora do Rock Cerrado do Gama.
Junto com essa iniciativa, a Comissão Organizadora inicia também os preparativos da 14ª edição do evento.
Palestras sobre preservação ambiental e declamação de poesias relacionadas à pauta ecológica – escritas por alunos da rede pública – poderão ter ajustes de formato e datas, se for o caso, observando a segurança sanitária de palestrantes, professores e alunos, devido à pandemia do coronavírus: "É uma questão de responsabilidade", acentua a Coordenação Geral.
As apresentações musicais, inicialmente previstas para acontecer nos dias 12 e 13 de setembro próximo, durante a Semana do Cerrado, também estão sob análise de data e logística.
“2020 está exigindo soluções criativas. A humanidade se depara com um momento complicado para a saúde do corpo. Por outro lado, arte e entretenimento são essenciais para a saúde mental. Nossa relação com artistas e público é de empatia. O próprio festival registra períodos de incertezas e reinvenção ao longo de 34 anos de muita luta, em intervalos irregulares, por fatores diversos”, diz Carlos Trindade4, coordenador-geral.
“A 14ª edição do evento está garantida, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC). Contamos também com o suporte da Cia Lábios da Lua, que é uma ONG formada por produtores e artistas. As seletivas do Ceilândia, Gama, Plano Piloto e Valparaíso de Goiás podem até ser realizadas através de ‘lives’, via redes sociais. Mas não dá para abrir mão dos dois dias de apresentações na Praça do Cine Itapuã, com a presença do público. Os shows vão rolar, da melhor maneira, quando as autoridades da Saúde puderem garantir que não há mais risco de transmissão em massa do coronavírus”, avaliam os coordenadores.
O Rock Cerrado inicia uma nova era com o concurso para reformulação da marca. O primeiro símbolo foi desenhado em preto e branco por um dos próprios idealizadores do certame artístico, chamado Guto – era uma árvore e uma guitarra. A Composição com um sol vermelho foi concebida cinco anos depois por um artista plástico residente no Gama, chamado Caumir.
Desde 1986 o grupo vem se dedicando à preservação do meio ambiente por meio da arte. Em 2020 a mobilização está nas redes sociais, é mais ampla. Com essa campanha, o grupo renovou a versão da logo utilizada até o momento. Os artistas podem acessar o site www.rockcerrado.com.br e participar da criação da nova marca, com o tema Música e Ecologia.
Mais informações sobre o festival podem ser obtidas diretamente com a Coordenação Geral do Rock Cerrado do Gama, via WhatsApp (61) 99589-7165 ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Criado em 2020-07-15 22:36:32