"A vida é de quem se atreve a viver".


Bené Fonteles: “O tema do catálogo é ´faz escuro, mas eu canto´, nada mais apropriado para o vírus que nos assola junto com a trágica situação política e econômica do país. É muita provação e desafio para um só ano!”
Arte na espreita e na espera... Poéticas na Quarentena

Romário Schettino -

E assim o artista plástico Bené Fonteles convida para o lançamento virtual, exclusivo aqui no brasiliarios.com, hoje (25/7), do seu Catálogo2-Quarentena. São trabalhos gráficos, fotográficos, poéticos de mais de 40 artistas selecionados para compor uma obra que reflete o momento em que vivemos. Além de sua principal advertência: “Desobediência civil: não saia de casa nem a pau!”, o catálogo nos convida para ser degustado, apreciado, absorvido em cada uma de suas 109 páginas.

A jornalista Zuleica Porto diz que o catálogo é “uma preciosidade”. E acrescenta: “Um documento desses dias, pra ler, e ver, com calma”. Sim, por isso mesmo foi produzido com esmero pelo experiente Bené Fonteles, com projeto gráfico de outro craque na área, Licurgo S. Botelho.

Dentre os artistas, ativistas e pensadores convidados estão Ailton Krenak, Alex Flemming, Almandrade, Alzira E, Gilberto Gil, Angélica Torres Lima, Arnaldo Antunes, Carlito Maia, Déa Trancoso, DJ MAM / Chico César / Baiana Systen, Climério Ferreira, Dayara Figueroa, Elza Maria Sinimbu Lima, Fernando Limberger, Gilberto Gil, Glenio Lima, Guto Lacaz, Hamilton Faria, Hazamat, Hélio Fervenza, Marlui Miranda, Miguel Simão Costa, Mila Petrillo, Nicolas Behr, Paulo Miyada, Vicente Sampaio.

Bené Fonteles diz na apresentação do catálogo que o tema faz coro com o que foi definido para a próxima Bienal de São Paulo que, aliás, pode nem acontecer este ano: “Faz escuro, mas eu canto” (famoso verso do poeta amazonense Thiago de Melo, escrito em 1966, em plena ditadura militar brasileira). Segundo Bené, “nada mais do que apropriado para o vírus que nos assola junto com a trágica situação política e econômica do país. É muita provação e desafio para um só ano!”.

Na primorosa entrevista com Ailton Krenak, uma constatação: “Veja que esse vírus está discriminando a humanidade. Ele não mata pássaros, ursos, nenhum outro ser, apenas humanos. Apenas a humanidade está sendo discriminada. Quem está em pânico são os povos humanos, o modo de funcionamento deles entrou em crise. Consolidaram esse pacote que é chamado de humanidade, que vai sendo descolada de uma maneira absoluta desse organismo que é a Terra, vivendo numa abstração civilizatória que suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos. Os únicos núcleos que ainda consideram que precisam ficar agarrados nessa terra são aqueles que ficaram meio esquecidos pelas bordas do planeta, nas margens dos rios, nas beiras dos oceanos, na África, na Ásia ou na América Latina. Esta é a sub-humanidade: caiçaras, índios, quilombolas, aborígenes. Existe, então, uma humanidade que integra um clube seleto, vamos dizer, bacana. E tem uma camada mais rústica e orgânica, uma sub-humanidade, que fica agarrada na terra. Eu não me sinto parte dessa humanidade.”

Destaco aqui a poesia de Angélica Torres: “Que nada? / e os favelados /os refugiados/ os mortificados /moradores de rua /pensou neles /ao frio opaco /desta madrugada /em que você /pandemoniado /embala a insônia /acendendo um baseado /sorvendo um vinho /servindo-se um /conhaque /enquanto contempla /estrelas geladas /piscando para o Nada /que logo há de ser /toda a realidade /finda a estrada /?

Tem muito mais o que ver, ler e apreciar neste catálogo. Segue o link para que não fiquemos aqui só repetindo tudo o que está disponível: Clique aqui!

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