“Maldito é o soldado que aponta sua arma para o seu próprio povo".

 Simón Bolívar


Moro comanda a Republiqueta das Trevas

Sandra Crespo -

Um juizinho de 1ª instância de uma província do Brasil grampeia a presidente da República e divulga as gravações em horário nobre pela Rede Globo. Ele consegue seu intento imediato, que é impedir que Lula assuma ministério de Dilma - e, quem sabe, ainda salve o governo.

As outras metas exitosas da divulgação dos grampos igualmente já fazem parte da história. Sórdida, vá lá, mas ainda assim história. Vamos enumerar essas realizações do juizinho para refrescar a memória de todos (até porque alguns sofrem de amnésia seletiva):

1 - constrangimento e linchamento público de todos os grampeados - a maioria em conversas íntimas, zero de interesse público, 10 de invasão de privacidade. Imagina se suas conversas triviais, cheias de idiotices e palavrões, com amigos e familiares, fossem transmitidas pela mídia para o mundo inteiro. Coloque-se no lugar dessas pessoas, mesmo que você as odeie; imagine o que elas sentiram e ainda sentem;

2 - o grampo do juizinho ao escritório dos advogados de Lula produziu gravações de conversas entre os profissionais e vários outros clientes; isso não é só abuso de poder, é a inominável invasão do sagrado sigilo advogado-cliente. Ou seja, isso agora também pode no Brasil;

3 - Por último, mas não menos importante: o juizinho fez esse show em parceria com a Globo - seguida por suas rivais serviçais - num momento de ápice da tensão política, Dilma sendo pressionada pela corja do Cunha, tucanos e paneleiros etc.

Eu, que estava na Câmara naquele momento surreal, saí do prédio para ver a reação, e cheguei a fazer um vídeo do alvoroço que os apoiadores do impeachment fizeram na porta do Palácio do Planalto, vinham vestidos de CBF, berrando Fora Dilma, Fora PT. Eu andava no meio deles enquanto os gravava com a câmera do celular, fui me infiltrando na coxinhada. Até que topei de cara com o Sem-Katiguria, tive náuseas múltiplas e dei meia-volta.
Ou seja, cada qual com seu quinhão, Moro, a Globo e o Cunha tacaram gasolina no fogo. E o Brasil arde.

E como é de se esperar numa genuína republiqueta de bananas, é claro que Moro & Cia estão se dando bem. O Conselho Nacional de Justiça faz cara de paisagem ante as ações de abuso contra o juizinho. O STF limitou-se a anular como provas as gravações que incluíam a presidenta. Nenhuma punição, nem sequer um puxãozinho de orelha no prodígio de Curitiba!

Assim, o sujeitinho continua sua cruzada anticorrupção. Devolve o passaporte de Mrs. Cunha para que ela possa continuar abalando Paris com suas cafonérrimas louis vuitton (e deve até ter pedido desculpas à madame pelo transtorno...).

E começa a concluir o dever de casa tornando Lula réu, com base no powerpoint de garagem feito pelos seus amiguinhos de traquinagem a serviço dos grandes.

A próxima vítima poderá ser qualquer um de nós. Não existe mais lei no Brasil. Foi-se o Estado de Direito, ainda em fraldas! Não tinha nem 30 anos, o coitado.

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