"A vida é de quem se atreve a viver".


Brasil, 60 anos e meio

ACQ*

I – Anjos

Não se pode fiar em anjos
de candura e guarda em Brasília
Pensos em fios finos de aço
são feitos de prata e alumínio

como os rijos traços de sonho
da Capital – agora triste –  
bem parida mas sequestrada
e criada sob relho em riste

II – Hic sunt dracones

Não são anjos – são dragões!
De suas cadeiras avançam
e esvoaçam sobre os Eixos
para predar a Esperança

que sepultam no campo dela
ou mudam em pó no paraíso
do Entorno – na vizinhança
de um esquálido Céu Azul

III – Da mesma matéria dos sonhos

Antes de velar Clóvis Sena,
suave poeta e repórter
eu soube que ao chegar
pelo Eixão Sul todos os postes

se curvaram cordialmente
para o acolher com a mala     
& cuia & sonhos na cidade  
de sua derradeira escala

IV – Venturis ventis 1

De sonhos se vive no DF
– Venturosos Ventos que Virão –
De Dom Bosco a fantasia
De JK a invenção  

Desvarios do Lúcio Costa  
Do Niemeyer delírios
Fábulas do Athos Bulcão
Devaneios leves do Anísio  

V – Venturis ventis 2

E do Darcy doces quimeras –
Tantos sonhos – tontos sonhos –
mitos do País do Futuro
do Zweig, sonhoso dantanho

que impaciente com a chegada
de uma romântica Aurora  
quis virar pedra em Petrópolis –
Variava com víboras veras  

VI – Em se plantando… já!

Só quem deita no berço esplêndido  
da Era de Ouro do passado  
ou do Futuro Radiante  
pode alucinar despertado   

Vale mais semear agora  
pra já colher miúdas graças
pois do futuro ninguém sabe
e o passado nos ameaça
-------
* Poema concebido em 2 de junho de 2018, reescrito em 19 de abril de 2020, e reeditado em 11 de outubro de 2020

Fundo musical - Marc Teicholz, violão, 05/02/2012, Chopin, Prelúdio Op. 28 nº 4 em Mi Menor (Sufoco)

Brasil, 60 anos e meio
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Brasil, 60 anos e meio

ACQ*

I – Anjos

Não se pode fiar em anjos
de candura e guarda em Brasília
Pensos em fios finos de aço
são feitos de prata e alumínio

como os rijos traços de sonho
da Capital – agora triste –  
bem parida mas sequestrada
e criada sob relho em riste

II – Hic sunt dracones

Não são anjos – são dragões!
De suas cadeiras avançam
e esvoaçam sobre os Eixos
para predar a Esperança

que sepultam no campo dela
ou mudam em pó no paraíso
do Entorno – na vizinhança
de um esquálido Céu Azul

III – Da mesma matéria dos sonhos

Antes de velar Clóvis Sena,
suave poeta e repórter
eu soube que ao chegar
pelo Eixão Sul todos os postes

se curvaram cordialmente
para o acolher com a mala     
& cuia & sonhos na cidade  
de sua derradeira escala

IV – Venturis ventis 1

De sonhos se vive no DF
– Venturosos Ventos que Virão –
De Dom Bosco a fantasia
De JK a invenção  

Desvarios do Lúcio Costa  
Do Niemeyer delírios
Fábulas do Athos Bulcão
Devaneios leves do Anísio  

V – Venturis ventis 2

E do Darcy doces quimeras –
Tantos sonhos – tontos sonhos –
mitos do País do Futuro
do Zweig, sonhoso dantanho

que impaciente com a chegada
de uma romântica Aurora  
quis virar pedra em Petrópolis –
Variava com víboras veras  

VI – Em se plantando… já!

Só quem deita no berço esplêndido  
da Era de Ouro do passado  
ou do Futuro Radiante  
pode alucinar despertado   

Vale mais semear agora  
pra já colher miúdas graças
pois do futuro ninguém sabe
e o passado nos ameaça
-------
* Poema concebido em 2 de junho de 2018, reescrito em 19 de abril de 2020, e reeditado em 11 de outubro de 2020

Fundo musical - Marc Teicholz, violão, 05/02/2012, Chopin, Prelúdio Op. 28 nº 4 em Mi Menor (Sufoco)

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